Robert May, 1936 —
A Matemática do Caos
Pode o bater de asas de uma borboleta provocar um furacão?
É um fato
conhecido que epidemias como rubéola, sarampo e outras têm a tendência de
ocorrer em ciclos que podem ser irregulares. O biomatemático australiano Robert
May, radicado na Inglaterra, descobriu na década de 70 que esses ciclos podem
ser entendidos matematicamente. E por meio de uma simples equação do segundo
grau!
May pesquisou o que ocorreria com uma epidemia se, de repente,
houvesse uma vacinação em massa. Ele usou uma função de segundo grau, concebida
pelo matemático belga Pierre François Verhulst em 1845, para simular o
comportamento da epidemia, e verificou que poderiam ocorrer grandes oscilações,
isto é, em algum momento o número de infectados tenderia a crescer abruptamente
e num momento posterior a diminuir drasticamente. Mas será que essa experiência
matemática com uma mera função do segundo grau corresponderia à realidade das
epidemias? Uma campanha de vacinação contra rubéola na Inglaterra havia
surpreendido os médicos pelas oscilações no número de infectados, exatamente
como May descobrira naquela simples equação. Após essa constatação, funcionários
da saúde e médicos não podem mais tirar conclusões apressadas sobre o sucesso
de uma vacinação em massa: graças a uma simples função de segundo grau, que se
aprende na escola!
Por volta de 1963, Edward Lorenz, pesquisador de meteorologia
do MIT(Instituto de Tecnologia de Massachusetts), já havia descoberto que mesmo
simplificando muito seu modelo do clima, ele já se mostrava “caótico”. Quem
poderia imaginar que em fórmulas que pareciam simples já poderia aparecer o caos?
Impressionado, Lorenz disse uma vez que uma borboleta poderia, com um mero bater
de asas, alterar o curso de um furacão a milhares de quilômetros de distância e
muitos anos mais tarde!(Antonio Geloneze Neto)
(Revista Galileu Especial no. 1, Editora Globo, Abril de 2003)