Pierre de Fermat, 1601 — 1665

O Príncipe dos Amadores
No final do século 17, os cientistas não constituíam uma categoria profissional como hoje, e a ciência não tinha a importância de agora. Matemáticos, físicos, químicos e astrônomos também tinham, de modo geral, alguma outra profissão - eram professores, advogados, comerciantes, padres. O francês Pierre de Fermat (1601-1665), um dos mais criativos gênios daquele século, formou-se em direito, mas, na prática, dividiu sua vida entre uma carreira agitada de deputado e sua grande paixão, os números. E em que período ele viveu! A matemática, então, estava iniciando uma corrida assombrosa que iria levar, no século seguindo, a um salto gigantesco de desenvolvimento. Fermat fez descobertas decisivas em vários campos, tornando-se um dos criadores do cálculo das probabilidades e dos métodos para desenhar tangentes a qualquer curva (naquela época, era preciso achar um método para cada curva). Mas era mesmo imbatível no estudo dos diferentes tipos de números (como os inteiros, os irracionais etc.), tenha verificar como eles se combinam entre si, e se pergunta por que existem números primos, se há infinitos números, ou se há números maiores que o infinito. Foi assim que, por volta de 1651, Fermat criou um teorema célebre, que só seria demonstrado três séculos mais tarde, em 1995, pelo inglês Andrew Wiles. Para entender o teorema de Fermat, note que ele se baseava numa equação igualmente famosa: . Era a fórmula do legendário sábio grego Pitágoras sobre os triângulos retângulos, na qual x e y representam os lados menores do triângulo retângulo (os catetos) e z, o lado maior (hipotenusa). Para Pítagoras, a soma dos quadrados dos catetos é sempre igual à hipotenusa ao quadrado. Fermat afirmou, então, que essa relação só é valida se o expoente dessa equação é igual a 1 ou 2, isto é, não vale para , nem e assim por diante. Acreditava-se que ele não podia dar a prova disso. "Fermat era muito erudito, mas confuso", diz uma carta anônima enviada a um dos líderes políticos da época, Jean Baptiste Colbert. Mas isso não manchou a genialidade de Fermat, nem impediu que passasse para a história da matemática.(Flávio Dieguez)
(Revista Galileu Especial no. 1, Editora Globo, Abril de 2003)
 

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