Blaise Pascal, 1623 — 1662
Mistérios de Deus e da Natura

Doente desde menino e obcecado por toda a vida pelas questões religiosas, o francês Blaise Pascal (1623-1662) foi ensinado primeiro pelo próprio pai, Etienne. Contra a vontade dele, e às escondidas, redescobriu por conta própria os fundamentos da matemáticas já aos 12 anos. Daí para a frente somou criatividade e persistência para se tornar um dos alicerces da ciência contemporânea. Deu bons palpites e deixou estudos pioneiros em diversos assuntos. Em parceria com Pierre de Fermat (1601-1655), Pascal realizou um de seus feitos mais importantes, o cálculo da probabilidades, que ele estudou, inicialmente, tentando avaliar quantas vezes seria preciso atirar dois dados até obter dois seis. Além disso, construiu também a pascaline, a primeira calculadora digital mecânica, por volta de 1642. Mais ou menos à mesma época, ao perceber que a pressão do ar diminuía com a altura, tornou-se o primeiro a suspeitar que havia vácuo no espaço, além da atmosfera, e não demorou muito para elaborar uma lei geral da pressão de líquidos e gases. Historiadores dizem que se não tivesse morrido tão jovem, aos 39 anos, teria descoberto, antes de Isaac Newton (1642-1727) e de Gottfried Leibniz (1646-1716), o cálculo diferencial, base indispensável da pesquisa científica até hoje. No tempo que sobrava, Pascal discutia com teólgodos e escrevia sobre Deus, que, segundo o escritor argentino Jorge Luís Borges, ele considerava ser toda a natureza. Borges dedicou um ensaio a uma definição de Pascal: "A natureza (ou seja, Deus) é uma esfera cujo centro está em toda parte e a circunferência, em nenhuma". Talvez a religião o ajudasse a suportar as dores permanentes que sofreu durante a idade adulta, causadas pela enxaqueca. De fato, Pascal teve um tumor no estômago, que depois migrou para o cérebro e o matou.(Flávio Diegues) 
(Revista Galileu Especial no. 1, Editora Globo, Abril de 2003)
 

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