Alan Turing, 23/06/1912 a 07/06/1954
Quebrando os Códigos
O matemático que ajudou os Aliados a vencer a guerra
A Segunda Guerra Mundial poderia ter terminado com um
resultado muito diferente se não fosse o esforço de anônimos geniais que
participaram de um trabalho aparentemente nada heróico: os milhares de
matemáticos, lingüistas e outros cientistas empenhados em decifrar as mensagens
secretas dos nazistas.
O serviço de decodificação britânico foi essencial para a
vitória dos Aliados. E, entre os cientistas, um tímido matemático chamado Alan
Turing foi fundamental. Turing, filho de um funcionário do governo britânico na
Índia, nasceu em Londres, em 23 de junho de 1912. Criado no Reino Unido por
babás e amigos da família, desde cedo mostrou aptidão para a ciência, fazendo
suas próprias experiências com seu amigo Christopher Morcom. A morte prematura
de Morcom fez com que Turing se dedicasse inteiramente à matemática, para
preencher a tristeza com sua perda. Em 1931, Turing foi admitido pelo King’s
College, em Cambridge, e aos 26 anos elaborou a teoria das máquinas, que serviu
de base para os primeiros computadores dez anos depois.
Em 1939, foi chamado pelo governo britânico para atuar em seu
departamento secreto de decodificação das mensagens alemãs. O centro, que
ocupava a mansão Bletchley Park, tinha como missão quebrar o código
aparentemente inviolável do Enigma, aparelho que trocava as letras das mensagens
com tamanha complicação que era julgado perfeito pelo comando de Hitler.
Sem homenagens
Os ingleses já tinham réplicas do Enigma e um caminho para
desvendá-lo, indicado por Marian Rejewski, um brilhante funcionário do serviço
de decodificação polonês que havia conseguido “quebrar” as mensagens de uma
versão mais simplificada do aparelho. Somados aos dados poloneses, a perspicácia
de Turing e o esforço de 7 mil funcionários de Bletchley Park conseguiram
decifrar as complicações adicionadas ao Enigma.
O reconhecimento público, no entanto, demorou a vir, já que o serviço de
decodificação britânico ficou em segredo por décadas. E mesmo depois, Turing não
teve o seu trabalho reconhecido. Homossexual declarado, no início dos 50, o
matemático foi humilhado em público, proibido de acompanhar os estudos sobre
computadores e obrigado a passar por terapia com hormônios. Deprimido
suicidou-se em 7 de junho de 1954, com apenas 41 anos.(Marcelo Ferroni)
(Revista Galileu Especial no. 1, abril de 2003, Editora Globo)