Arquimedes, 287 a.C — 212 ou 211 a.C

As façanhas de um gênio
O grego que inspirou esta seção brilhou na física e na matemática
Se houvesse um concurso para escolher o maior gênio de todos os tempos, grego Arquimedes (287-212 ou 211 a.C.) seria um concorrente muito sério. Seu pai havia sido um astrônomo de pouco destaque na história da ciência, chamado Fídias, mas o que o pai não fez, o filho realizou com sobra. Não houve assunto importante daquela época em que Arquimedes não tenha dado um palpite inteligente e muitas vezes fundou áreas do conhecimento que ainda não existiam. Conta a lenda que Arquimedes descobriu, enquanto tomava banho, que um corpo imerso em líquido sofre a ação de uma força, vertical e para cima, que alivia o peso do corpo. Essa força do líquido sobre o corpo chama-se empuxo. Ao descubri-la, ele teria saído nu, às pressas pela rua, dizendo: "Eureca!" (achei, em grego), a palavra que dá nome a esta seção de Galileu. Ele foi o primeiro a deduzir as leis das alavancas e das roldanas e a descobrir por que os barcos e navios flutuam. Gostava de máquinas e inventou um sem-número de engenhocas úteis, como um aparelho de bomber água que até hoje é usado em algumas partes do mundo, e terríveis catapultas de guerra, com as quais se podiam lançar pedras de um quarto de tonelada a 1 quilômetro de distância. Seu prestígio era tão grande, que se atribui a ele até façanhas improváveis, como a de ter montado um jogo de espelhos capaz de concentrar a luz do sol e incendiar navios de guerra no mar. Experiência atuais mostram que o aparelho era mesmo engenhoso, mas dificilmente teria essa capacidade. Na matemática, Arquimedes ensinou a calcular o número  e a determinar a área de figuras, como elipses, parábolas e cilindros (veja na página ao lado). Também bolou um sistema de numeração com o qual se podia escrever números gigantescos, inimagináveis em seu tempo, que chegavam a quantidades de até 80 quatrilhões. Nascido numa família de aristocratas, ele foi amigo do rei Heron, de Siracusa, na atual Sicília, cidade-estado grega então sob ameaça de Roma, o que explica o empenho do sábio em criar máquinas de guerra. Mas sua criatividade não foi páreo para a força bélica romana. Siracusa foi tomada e Arquimedes, morto durante a batalha final por um soldado invasor.(Flávio Dieguez)

(Revista Galileu Especial no. 1, page 10, Editora Globo, Abril de 2003)

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