Auto-Retrato

 

 

 

 

 

O Mineiro com a Pá ao Ombro, desenhado por Vincent no Borinage durante o Verão de 1879. Em 24 de Setembro do ano seguinte escreve a Theo: " Os carvoeiros e os tecelões são ainda uma raça um tanto à parte dos outros trabalhadores e artífices, e sinto por eles uma grande simpatia, e considerar-me-ia feliz se um dia pudesse desenhá-los de modo a que estes tipos ainda inéditos, ou quase, fossem dados a conhecer. O homem do fundo do abismo, de profundis, é o carvoeiro; o outro, com a ar de sonhador, quase visionário, quase sonâmbulo, é tecelão. Há já quase dois anos que vivo com eles e aprendi a conhecer um pouco o seu carácter original."

 

 

 

Sorrow (1882)

 

 

"Aparentemente, nada mais simples do que pintar camponeses, trapeiros e outros operários, mas nada, nenhum tema, na arte de pintar, é tão difícil como essas personagens comuns."

Os Comedores de Batatas

 

Logo no primeiro esboço de Os Comedores de Batatas, Vincent estabelece as grandes linhas da sua pesquisa: pôr em evidência os matizes do interior obscuro da cabana, tornar sensível a obscuridade, no espírito daquilo que os seus mestres-Cormon, Rembrandt, Hals- haviam emprendido.

"Quis fazer de maneira a ter-se a ideia de que esta gente humilde que, à luz do seu candeeiro come as batatas tirando-as ao mesmo tempo da travessa, foi quem cavou a terra em que as batatas foram cultivadas; este quadro evoca, pois, o trabalho manual e sugere que estes camponeses mereceram honestamente aquilo que comem." A Theo, Abril de 1885.

 

 

 

 

Mulher Sentada no "Café du Tambourin"

 

"Gosto muito mais de pintar os olhos da pessoas do que catedrais." Com estas palavras comentava a arbitrariedade temática entre os impressionistas, uma afirmação que parece referir-se às catedrais de Rouen, de Monet, à série de quadros desta sé em todas as horas do dia. Van Gogh, preferia, pois, pintar retratos. A "Mulher sentada no Café do Tambourin", de Fevereiro de 1887, não é, portanto, nenhum retrato de uma bêbeda anónima e desleixada numa taberna qualquer, mas sim um relato concreto. Trata-se de Agostina Segatori, anteriormente modelo, entre outros, de Camile Corot e Edgar Degas.

 

 

 

 

Os mestres da escola japonesa popular com Hokusai à cabeça, fascinam Vincent a ponto de influenciarem o seu estilo e lhe inspirarem O Actor.

"Invejo os japoneses pela extraordinária, límpida claridade que têm todos os seus trabalhos. Nunca é aborrecido e nunca parece ser feito muito à pressa. É tão simples como respirar, e desenham uma figura com um par de traços seguros, com uma tal leveza, como se fora assim tão simples, como abatoar os botões de seus casacos."

 

 

Pessegueiro em flor ( Recordação de Mauve)

 

 

 

 

Vista da planície de Crau, perto de Arles, com o Mont Majour ao fundo (1888)

"Uma planície sem fim- do alto duma colina, vista da perspectiva a voo de pássaro- videiras, searas ceifadas. Tudo isto é multiplicado até ao infinito e estende-se como a superfície do mar até ao horizonte limitado pelas colinas de Crau..."

 

 

 

Barcos de Saintes-Maries (1888)

 

"Passei uma semana em Saintes- Maries... Na praia de areia, muito plana, pequenos barcos verdes, encarnados, azuis, tão bonitos na forma e cor que faziam pensar em flores. Um homem só navega neles. Estas barcas mal vão ao mar-alto. Elas partem quando não há vento e voltam a terra logo que ele sopre forte."

 

 

 

A Casa Amarela (casa de Vincent) (1888)

 

"Agora temos aqui um calor intenso, glorioso, sem vento, isto é mesmo para mim. Um sol, uma luz que à falta de melhor nome só posso chamar amarela, amarelo baço de enxofre, ouro baço de limão. Oh, como é lindo o amarelo!"

 

 

" A minha casa aqui pintada por fora de amarelo-manteiga e tem persianas em verde-forte; fica, rodeada de sol, numa praça, onde também há um parque verde com plâtanos, aloendros, acácias. Por dentro é pintada de branco e o chão é de azulejos vermelhos. E por cima, o céu de azul luminoso. Lá dentro posso com efeito viver e respirar e pensar e pintar."

 

O quarto de dormir em Arles (1888)

 

"Desta vez é muito simplesmente o meu quarto, aqui tem de ser só a cor a fazer tudo; dando através da simplificação um maior estilo às coisas, deverá sugerir a ideia de calma ou muito naturalmente de sono. Em resumo, a presença do quadro deve acalmar a cabeça, ou melhor, a fantasia".

 

 

 

 

Os girássois são o emblema de Vincent.

Em 28 de Agosto, Vincent escreve a Theo que em Os Girassóis "a pintura é muito mais simples".

 

 

 

 

 

"No meu quadro do Café de noite, tentei expressar que o Café é um lugar onde alguém se pode arruinar, enlouquecer ou cometer crime. Pelos contrastes das tonalidades de um rosa delicado e vermelho-sangue e vermelho-escuro, de um verde suave Luís XV e verde veronês contra um amarelo-esverdeado e azul-esverdeado forte- tudo isto numa atmosfera do rubro de fogo infernal e um amarelo baço de enxofre- quis exprimir o poder tenebroso duma taberna."

 

 

 

"Um café à noite, visto de fora. Na esplanada estão sentadas pequenas figuras a beber. Uma enorme lanterna amarela ilumina a esplanada, a frontaria da casa, o passeio, e lança luz até ao empedrado da rua que recebe uma tonalidade rosa-violeta. As fachadas das casas da rua, que se prolonga sob um céu estrelado, são em azul-escuro ou violeta; em frente uma árvore verde. Aí tens um quadro da noite sem preto, só com azul bonito, e com violeta e verde, e neste ambiente o sítio iluminado torna-se num amarelo baço de enxofre e verde-limão."

 

 

A noite estrelada (Ciprestes e aldeia)

 

"A visão das estrelas faz-me sempre sonhar, tão simplesmente como me fazem sonhar os pontos negros que representam no mapa cidades e aldeias(...). Se apanhamos o comboio para nos dirigirmos a Tarascon ou Ruão, apanhamos a morte para ir a uma estrela."

 

 

Campo de trigo com corvos

 

Pretende-se que é mesmo a última tela pintada por Vincent, mas não há na sua correspondência qualquer alusão ao facto.

 

 

 

Van Gogh

Van Gogh Museum

Van Gogh

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