
MADALENA À LUZ DA LAMPARINA
de Georges de La Tour
Queria hoje que a erva fosse branca para pisar os sinais visíveis do vosso sofrimento: não veria sob a vossa mão tão jovem a forma dura, sem reboco, da morte. Num dia discricionário, outros, apesar de menos ávidos do que eu, hão-de retirar-vos a camisa de estopa, ocupar a vossa alcova. Mas, quando partirem. hão-de esquecer-se de apagar a lamparina e um pouco de óleo derramar-se-á pelo punhal da labareda sobre a impossível solução.
René Char
(tradução de Margarida Vale de Gato)