
Elogio da distância
Na
fonte dos teus olhos
vivem os fios dos pescadores do lago da loucura.
Na fonte dos teus olhos
o mar cumpre a sua promessa.
Aqui,
coração
que andou entre os homens, arranco
do corpo as vestes e o brilho de uma jura:
Mais
negro no negro, estou mais nu.
Só quando sou falso sou fiel.
Sou tu quando sou eu.
Na
fonte dos teus olhos
ando à deriva sonhando o rapto.
Um
fio apanhou um fio:
separamo-nos enlaçados.
Na
fonte dos teus olhos
um enforcado estragula o braço.
Paul Celan
(trad. de João Barrento)