Uma indicação importante: a palavra BOI é usada para designar o animal e a totalidade de um mesmo grupo participante.

 

A Lenda

               Catirina, filha de um empregado de fazenda, estava grávida e teve um desejo: queria, porque queria, comer certas peças de carne do boi. Era a língua, o fígado, o coração, mas tudo precisamente do boi mais bonito da fazenda, do boi mais bonito e mais valioso pertencente ao seu patrão.
               Desesperado com o dilema – seu filho nasceria com a boca torta, ou ele seria desleal e desonesto para com o patrão –, Pai Francisco, o homem que gerou a criança, roubou e matou o boi desejado pela esposa. Foragido, facilmente é apontado como o responsável pelo ato e, sendo procurado pelos vaqueiros da fazenda, é localizado e preso, confessando tudo o que fizera. Então, o Amo, senhor da fazenda, chama um veterinário, que corresponde ao pajé da tribo indígena, hoje, e o veterinário consegue reviver o boi, que volta a urrar com alegria, para delírio de todos da fazenda, principalmente o estupefato Pai Francisco, cujo crime simplesmente desapareceu, com a reaparição do boi, que venceu a própria morte.


Pai Francisco e Mãe Catirina - outra provável origem

               Em seu começo, Caprichoso e Garantido brincavam à luz de velas e lamparinas, em terreiros de chão batido e com um casal de negros encenando Pai Francisco e Mãe Catirina. Estava ainda viva, na memória do Nordeste e de todo o Brasil, a longa ocupação do Maranhão pelas tropas e cortesãos franceses; assim, os dois escravos negros que ali estavam, na representação dos folguedos do boi, representavam nada menos que Francisco I, rei de França, e Catarina de Médicis, sua mulher, que seria mãe de três outros reis e ordenaria o Massacre de São Bartolomeu, em 1572.


E Caprichoso e Garantido, como surgiram?

               Antigamente, toda pessoa que colocava um boi fazia-o para pagar uma promessa.
               Uma espécie de herança dos antigos sacrifícios bíblicos, em que se ofereciam as primícias de rebanhos e colheitas em sacrifício ao Senhor Deus, também belos exemplares bovinos eram oferecidos, isto é, "colocados" em pagamento de promessas feitas pelos devotos. Dessa forma, CAPRICHOSO foi o boi colocado por Roque e Antônio Cid, homens que, vindos de longe para se estabelecerem comercialmente em Pernambuco, fizeram tal voto, para instalar-se e prosperar naquelas novas terras. Já o boi GARANTIDO representou o pagamento de promessa feita por pessoas de grandes posses, a família de Lindolfo Monteverde, que combateu – e venceu – uma pertinaz enfermidade.
               
Ao nascerem, Caprichoso e Garantido não eram como são hoje, eram muito simples, brincavam em terreiros iluminados pela luz das lamparinas, tendo como ápice da festa um casal de negros: Pai Francisco e Mãe Catirina.
               
Até hoje a estrela azul e o coração vermelho resplandecem por todos os festivais, eventos considerados como "Monstros Sagrados do Folclore Amazonense".


Figuras centrais do Boi

               Tradicionalmente, o Boi era formado por:
               •
Um Amo, 2 Vaqueiros, 4 Índios, Caboclos, Pai Francisco, Mãe Catirina, Cazumbá, Lamparineiros, Padre, Sacristão, Pajé, Feiticeiro, Dr. da Cachaça, Dr. do Trovão, Dr. Curabem, Dr. Veterinário, 2 Rapazes, Tripa do Boi, Batuqueiros, D. Maria, a senhora da fazenda, e o Negro Velho.

               
Hoje, os vaqueiros formam um grupo de 40 brincantes e os índios se tornaram tribos inteiras.
               
No Boi de Parintins, hoje ocupam destaque principal:
               •
Pajé e Cunhã Poranga – representantes da cultura indígena;
               • Amo do Boi, Rainha do Folclore e Sinhazinha da Fazenda, representando o homem europeu;
               • P
ai Francisco e Mãe Catirina, representando o negro.


As Novas Figuras do Boi

               
Algumas figuras foram suprimidas e também algumas encenações.
               
Outras foram criadas em seu lugar, como: Cunhã-Poranga, Rainha do Folclore, Sinhazinha da Fazenda, Levantador de Toadas, Narrador, Capataz da Fazenda, Marujada, Alegorias, Rituais Indígenas, Tuxáuas Luxo e Originalidade, Tribos Masculinas e Femininas, Índias Guerreiras e Apresentador.


Mudanças na Estrutura

               
Muito mudou na estrutura dos Bois-Bumbáis. Dos antigos 30 brincantes de terreiro, hoje podemos encontrar de 3.000 a 3.500 em cada agremiação.
               
O Auto do Boi original foi substituído por volta da década de 70 por motivos da cultura amazonense, como lendas, mitos, tradições, usos e costumes.


O bumbódromo treme!

               
É possivel notar a vibração por uma razão particular: pelo menos metade da noite o espectador deve ficar quieto – sem cantar, sem se mexer. O regulamento manda: quando um Boi se apresenta, o público do outro Boi não pode se manifestar ou o Boi perde pontos.
               
É impressionante ver (numa apresentação de massas como o Festival) mais de quinze mil pessoas sentadas e quase imóveis enquanto outras quinze mil ali mesmo vibram, cantam e gritam.
               
As figuras principais do Boi, como a Cunhã-Poranga e o Pajé entram nesta parte central da apresentação. O clima é preparado de maneira a chegar em um ponto máximo que é o ritual: quando o Boi é ressucitado.

 

 

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