Talvez essa seja a situação contemporânea.
Ser fraco ou ser forte.
Mas que coisa mais débil, onde se mede a força, digamos
"imperial", de alguém ou onde se refugia uma situação que obriga a uma atitude
diversa da necessidade.
O conceito de força não é páreo para a maioria das pessoas
condizentes com a sensibilidade do Amor ao próximo,
mesmo que essas pessoas não saibam julgar essas
situações nos termos dessas palavras.
A força se apresenta em varias situações: ao acordar pra se
levantar da cama, ao se cumprimentar alguém sem ter a mínima vontade de falar
ou de se estar ali naquela companhia, ao se aceitar algo que
sabe-se não condizer com a realidade pessoal de quem aceita...
Poderíamos relatar varias situações, mas a verdade é que
provar da força, emitindo-a ou absorvendo-a faz parte de nossos dias sendo na
rua,
nas leituras, nos sentimentos, nas defesas territoriais e em
todos os patamares da vida.
Geralmente os homens fracos são comparados a seres frágeis,
que falam com resignação e não oferecem perigo iminente aos fortes,
sendo que esses últimos oferecem o oposto. No entanto, nem
sempre é essa a verdade.
Nas profundezas de nós mesmos é que podemos sentir a estreita
ponte que separa uma realidade de outra, sendo a dor das decisões a causadora de
grande,
as vezes a esmagadora dor em nosso peito. No momento desses
impasses seriamos capazes, se pudéssemos canalizar essa força,
de mover montanhas. A pressão que se encontra entre uma
decisão em contrapartida com outra, pode variar ao infinito. Mas no centro dessa
pressão
não há variação, existe apenas o ser, mais ou menos esmagado
por ela, obrigado a vivê-la, pura e simplesmente.
Uma vida de decisões então, poderia explicar o rumo de tudo,
sempre dependendo de que lado da decisão a pressão está mais forte,
mesmo que imperceptivelmente, e lógico, podendo existir
várias paredes de pressão agindo ao mesmo tempo.
O que será que dói mais: sofrer um soco em uma combate de
ringue que leve a lona ou ir a lona? Nessa relação abominável que se impõem ao
ser,
está a vida. Lutas, lutas e mais lutas, onde a exteriorização
da pressão interna causa os distúrbios; inicialmente a nível intimo,
no entanto podendo chegar a proporções imensas, talvez
planetárias.
A frase "Que a força esteja com você", muito empregada em um
famoso filme de cinema relata o medo existente em todos que,
ao desejar isso ao semelhante deixa a mostra o medo intimo, a
sensação de não a tê-la, apresentando a dúvida de si mesmo para o outro ser que,
acreditando estar sendo incentivado, segue forte nessa
distorção de visão.
Talvez a solução mundial para a paz não seja o trabalho com a
força de um ser que tem provar constantemente que é o melhor,
pois isso sempre implicará em afirmar que existe um pior,
gerando uma relação burra de objetivos, pois não podemos ser o melhor o tempo
todo.
Talvez devêssemos ser nosso centro, ao invés de gerar
pressões opostas, gerarmos forças sempre de dentro para fora.
Bom, é claro que se a pressão que gerarmos for de encontro ao
de outrem continuará havendo um conflito, mas não é isso que quero dizer.
Coloco que se não formos os causadores de nossas explosões
internas já estaremos livres de grande peso,
com mais energia para suportar as inevitáveis pressões que
vem de fora. Mas se explodimos por dentro antes mesmo que soframos
com o que "ainda" não nos chocou, puxa vida, que morte triste
- psicológica, as vezes até física.
Pelo contrário, se conseguirmos existir expandindo nossas
forças para fora e deixando passar as forças externas por nós,
como se fossem leve brisa, talvez estivéssemos descobrindo a
tão procurada fórmula da eterna juventude ou, porque não dizer,
da imortalidade, claro, enquanto estivermos vivos!
Viver é complicado, para quem acredita nisso.
Estando sempre no nosso centro, montaremos nossas realidades
e sobre o que é inevitável, montaremos nosso caminho.
Sobre os objetivos, ora, quem os conhece com certeza? Não
precisamos deles, porque talvez eles possam não existir.
Helio 06/12/2004