Fraturas de quadril

Dr Imar Cris�gno Fernandes
    Por volta dos 90 anos, uma em cada 3 mulheres ter� sofrido uma fratura de quadril, com mortalidade de 20% nos primeiros 6 meses, e chance de 25% de se manter em tratamento a longo prazo (Jensen et Bagger, 1982) e menos de 50% de recupera��o completa (Chrischilles et coll, 1991).  � dif�cil dizermos quanto desta alta mortalidade � atribu�da � fratura e quanto ao estado de sa�de deteriorado que em geral precede a fratura.  Tamb�m 20-30% destes indiv�duos apresentar�o complica��es tromboemb�licas, circulat�rias ou respirat�rias, levando � morte nos pr�ximos 2 anos.  Tais fraturas geralmente resultam de quedas da pr�pria altura, embora possam mesmo ocorrer espontaneamente.  S�o geralmente bastante dolorosas e quase sempre levam � hospitaliza��o.  Assim, informa��es sobre a incid�ncia, custos e conseq��ncias, s�o melhores documentados do que para outros tipos de fraturas.  A regi�o mais afetada pelas fraturas � o colo femoral ou adjac�ncias.  A DMO do quadril atinge seu pico aos 18 anos de idade, e ent�o declina lentamente.  No colo do f�mur esta densidade cai em m�dia 58% nas mulheres e 39% nos homens entre os 20 e 90 anos de idade, enquanto na regi�o intertrocant�rica a queda � de 53% nas mulheres e 30% nos homens
     As fraturas osteopor�ticas, especialmente as de quadril, podem estar associadas a uma queda do estado funcional e da qualidade de vida, al�m de diminui��o da sobrevida (Levinson et Altkorn, 1999).  Entre aqueles pacientes que podiam deambular antes da fratura, apenas 25% recuperam sua mobilidade anterior.  Em torno de 50% requerem alguma forma de assist�ncia para deambular ap�s a fratura, e o restante nunca recupera sua habilidade para caminhar.  E assim, estes pacientes perdem a capacidade de cuidar deles pr�prios.  Observar que aproximadamente 30% das fraturas de quadril ocorrem em idosos masculinos. 
     A grande maioria das pacientes acima de 75 anos que apresentam fratura de quadril, e em conseq��ncia n�o t�m recupera��o integral (Jensen et coll, 1980), sofrem de quadros depressivos freq�entes, apesar de que poucos dados existem sobre a rela��o entre fraturas e altera��es psicol�gicas.  Atentar para o fato de que o controle cir�rgico precoce destas fraturas se associa com melhores resultados e menor morbidade peroperat�ria.  No entanto, no p�s-operat�rio � comum complica��es como pneumonia, insufici�ncia card�aca, infarto do mioc�rdio, arritmias card�acas, dist�rbios eletrol�ticos, infec��es do trato urin�rio, �lcera de dec�bito e tromboembolia.
     As fraturas de quadril est�o associadas com maior morbidade e mortalidade e maiores custos m�dicos do que todas as outras fraturas osteopor�ticas combinadas.  Os 300.000 casos ocorridos nos EUA em 1991 se associaram a um custo de U$ 5 bilh�es, a� inclu�das as despesas com cuidados extra-hospitalares (US Congress, Office of Technology Assessment, 1994).    Nos EUA as fraturas de quadril em homens levam a mais de 10.000 mortes/ano e um custo para a sa�de de U$ 3 bilh�es.
     De 1965 a 1983 a incid�ncia de fraturas de quadril na Su�cia aumentou em 109%, onde apenas 20% poderia se explicar pela idade (Hedlund et coll, 1987).  Na Austr�lia se prev� um aumento de 83% nos leitos hospitalares ocupados em conseq��ncia de fraturas femorais entre 1986 e 2011 (Lord et Sinnett, 1986).    Em 1986, 10% dos leitos hospitalares cir�rgicos na Finl�ndia eram ocupados por pacientes com 60 anos ou mais de idade com fraturas de quadril, e se esperava que este n�mero duplicaria no ano 2.000 (Simonen, 1986).
     Na B�lgica, a incid�ncia de fraturas de quadril aumentou substancialmente entre 1977 e 1982 (28%), e em 1981 houve 9.527 destas fraturas para uma popula��o total de 9.848.647 (Nagant de Deuxchaisnes et Devogelaer, 1988), onde 1.415.293 estavam sob risco, i.e, tinham mais de 65 anos de idade, e 855.497 estavam sob grande risco, por serem f�meas acima de 65 anos.  A incid�ncia de fraturas de quadril foi ent�o de 967/milh�o de habitantes/ano em 1981.
     Comparando a popula��o belga com a norte-americana (1981), poder�amos extrapolar para os EUA um n�mero te�rico de 219.121 fraturas de quadril, pr�ximo daquele de Cummings (Cummings et coll, 1986), que � de 210.000, ou o de Riggs,107 227.000.   Em rela��o � Inglaterra, Lewis em 1981 estimou em 40.000 o n�mero de fraturas de quadril, o que se fosse comparado � B�lgica em termos populacionais (1981) corresponderia a 39.485 fraturas.  Na Inglaterra, os pacientes com fratura de quadril ocupam 1/5 de todos os leitos ortop�dicos, com um custo de U$285 milh�es em 1988. 
     Isto nos mostra uma grande semelhan�a de incid�ncia em pa�ses no norte do planeta, com diferentes popula��es, e onde a gen�tica, o meio ambiente e os h�bitos alimentares s�o diversos.   Estas fraturas s�o raras entre as mulheres com densidade mineral �ssea na regi�o do colo do f�mur acima do percentil 70 do pico de massa �ssea, com a freq��ncia aumentando quando a DMO cai abaixo deste n�vel.
Fraturas de punho
    Acima de 80% das fraturas de punho, geralmente referidas imprecisamente como fraturas de Colles, ocorrem no r�dio distal.  No entanto, fraturas osteopor�ticas do punho podem tamb�m afetar a ulna ou a jun��o radioulnar.  A verdadeira fratura de Colles envolve o r�dio distal em torno de 1 � polegadas proximal ao punho e tem uma deformidade caracter�stica de angula��o dorsal, deslocamento radial e encurtamento.  A causa mais comum de fratura do punho � a queda sobre as m�os abertas.
     As fraturas de Colles s�o as fraturas mais comuns entre as mulheres brancas nos EUA e Norte da Europa at� a idade de 75 anos, quando sua freq��ncia � ultrapassada pelas fraturas de quadril (Melton et Riggs, 1983).    Lembrar que a incid�ncia de fraturas de punho aumenta rapidamente nos 5 anos seguindo a menopausa.  E que apenas 20% destes pacientes requerem hospitaliza��o.   J� que as fraturas de Colles aparecem mais cedo em rela��o �quelas de quadril, elas poderiam servir para identificar aqueles indiv�duos com maior risco para fratura de quadril.  Nas mulheres onde ocorreram fraturas de Colles, h� um discreto aumento de risco para subseq�ente fratura de quadril, enquanto que nos homens este risco � 6-7 vezes maior (Owen, 1982).
    "Healing is only one of the hopes that a patient focuses on a physician.  For many people, particularly as they get older, the doctor may be the only person who offers a caring relationship.    Often the doctor is not just a surrogate parent, but a whole surrogate family - someone who provides attention, affection, and appreciation."
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