RELICÁRIO

José Cardoso

17 Nov 2003


Tantas vezes pelas noites, contorcendo-se em berçários, te sentisses ultrajada, como a estar sendo tocada, em sonhos imaginários, com um fogo a queimar por dentro, num estágio violento, que se tornava calvário, a te deixar desprovida, qual peça desprotegida, de tesouro relicário......
Só, em tua intimidade, te vias na puberdade, com aquilo incomodando, mais e mais te devorando, tendo o corpo a suar frio, na pele forte arrepio, a mente a imaginar, um modo de aplacar, essa coisa que domina, que vicia e contamina, a qual chamam de paixão, força estranha que alucina, carregada de tesão......
Jogando fora os pudores, relembras de teus amores, das entregas incontidas, saborosas e irrestritas, às quais já vivenciasses, em gozos extasiasses, de maneiras tão vibrantes, em espasmos galopantes, que faziam apetecer, com o desejo a envolver, tamanho era o prazer......
Não suportando a pressão, dessa ardente sensação, teu corpo acaricias, e solitária sacias, essa vontade sem nexo, que se apodera do sexo, e lhe deixa transtornada, louca para ser amada, fazendo-a gemer baixinho, a suplicar por carinho.....
Agilizas os teus dedos, passeando nos segredos, de tua gruta molhada, por seivas lubrificada, que se agita em volúpia, à medida que é tocada, imaginando estar sendo, pelo macho penetrada, até que um grande furor, explode no interior, de teu ninho do amor, sobre a cama desfaleces, com o orgasmo que tivesses, e agora saciada, podes dormir sossegada......
Mas não é isso que tu queres, pensamentos são céleres, internamente consomem, vais te levantar agora, pois pra amar não existe hora, saia desse quarto afora, o tesão não irá embora, vá a caça de teu homem......



(Repasse com os devidos créditos)





 



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Publicado em: 19.03.2005 Atualizado em:  17.04.2005   

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