NAVEGANTES

José Cardoso

17 Jul 2002



De meu corpo faz teu barco, iça a vela em mar aberto, de meu cheiro a maresia que te embriaga a razão......
Navegue-me ardentemente, de meu falo faz teu leme, de minha boca a rota a orientar sedução....
Flutue neste oceano com tua boca voraz, lança âncora em meu sexo e nele permaneças até extrair-me gemidos de puro prazer....
Sugue-me todos os poros, me acaricie o peito, e com tua língua marota me encharque de saliva, qual onda a beijar a areia, durante o entardecer....
Sacie essa tua sede, nos líquidos de minhas águas, sorva gulosamente cada gota cristalina.....
Arrebata meus desejos, sussurre em meus ouvidos, palavras despudoradas, diz que me ama e me quer, diz que eu sou o seu tesão, e você quem me domina....
Como em um porto seguro, traz teu barco ao meu encontro, use as mãos como amarras e te aportes em meu eriçado e viril membro, fazendo-me delirar ao sentir o calor aconchegante de tua úmida e voraz gruta.....
Como as ondas quebradeiras, me cavalgue insanamente, suba e desça num repente, como as marolas do mar.....
No rebolar de teu corpo sinto fortes contrações, e com o mastro embebido inventamos posições, como ilhas flutuantes que nunca estão no lugar.....
E como a visão singela, do sol penetrando o mar, nossos corpos se encaixam na volúpia de amar.....
Proa e popa unificadas, num ritual prazeroso, tua fenda preenchida por meu sexo volumoso, e como a bruma das ondas que a areia vem beijar, nossos líquidos se misturam no momento de gozar.....
Qual correnteza das águas que mais parecem espasmos, nossos corpos regozijam em duradouros orgasmos.....
Navegantes nos tornamos, sem rumo e sem direção, mútua entrega abençoada glorificando a paixão....




(Repasse com os devidos créditos)




 



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Publicado em: 19.03.2005 Atualizado em:  17.04.2005   

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