de Denise Severgnini |
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Em regra geral, os seres que nele habitam devem conformar-se com suas condições naturais. Tudo se faz em harmonia, mas alguns deslizes são acontecidos, as chamadas mutações. A partir destas afirmações, vamos contar a história de Nini, uma joaninha muito triste, mas que não expunha a ninguém o motivo de sua tristeza. Havia um
lindo jardim, tão lindo quanto os Era tudo tão colorido que o olfato e a visão mal tinham tempo de associarem-se, para informar ao cérebro tanta beleza. Mas nem a formosura do local, trazia encantamento para Nini. Passava seus dias sob a folha de Monstera que era sua morada. Chorava tão baixinho, que os demais animais que por ali passavam não percebiam seu pranto.
Os dois meninos-morcegos eram bastante levados, mas também possuíam bom coração, seus nomes Zico e Zica. Todos sabem que morcegos são animais de ótima audição. Não é à toa que usam a noite para procurar alimento. Nossos
amiguinhos gostavam de aventuras e atender às
recomendações de sua mamãe não estava em seus planos. - Meus filhos, não saiam durante o dia! dizia ela. - Sim, mamãe! - repetiam os meninos com os dedos cruzados às costas. Assim que mamãe-morcego pendurava-se nas vigas do teto para dormir, os safadinhos tomavam o rumo da rua. Nesta manhã voaram um bocadinho, mas logo ouviram lamentos vindos do jardim abaixo deles. - Que será isso? perguntou o menino morcego à sua irmã. - Zico,
parece que alguém está a chorar! - É verdade, Zica! Agora, estou a ouvir melhor! Vem ali, daquela planta com as folhas furadas. - Estou vendo, vamos até lá! Assim, os dois meninos desceram até a planta onde morava Nini. Ela estava inundada em lágrimas. Seus olhos mal se abriam de tão inchados. Os morceguinhos aproximaram-se despacito. Eles achegaram-se à folha, onde notaram a presença de Nini. A quantidade de lágrimas que escorriam de seus olhos era tamanha, que ambos precisaram sacudir suas asas, banhadas por elas.
- Eu...Eu... continuou a soluçar. - Para com este choro! disse Zico - Nós queremos te ajudar! O morceguinho estendeu um lenço para a joaninha que secou suas lágrimas. Alguns minutos depois, ela já estava recomposta para conversar com os meninos. - Agora que já estás calma, conta a nós, qual é o problema que te aflige. - Olhem para mim! Eu sou toda preta! exclamou chorosa. - Grande
coisa! disse Zico - Nós também - Mas vocês são morcegos! Eu sou uma joaninha e nasci sem as bolinhas vermelhas! Os dois meninos-morcegos compadeceram-se de Nini. Já haviam visto outras joaninhas com suas lustrosas asas pretas repletas de bolinhas vermelhas. - Já sei como podemos resolver isso! - exclamou Zico. - É verdade!? - Um sorriso surgiu no rosto de Nini. Será que finalmente ela poderia ser feliz como suas companheiras?
- Até breve, meus bons amigos! disse mais feliz. Os dois morceguinhos voaram até a cidade. Lá procuraram a livraria de Dona Traça. Fizeram algumas compras e retornaram para junto de Nini. - Que bom que vocês voltaram! Fiquei com medo que tivessem feito uma falsa promessa para mim! - Ora, Nini! Amigos não atraiçoam amigos! Nós empenhamos nossa palavra e aqui estamos para te ajudar. - Fecha bem
os teus olhos! - disse Zica. - Só - Farei o que dizem! A joaninha Nini cerrou seus olhos. Usou toda força que tinha para ter certeza de que não estava sonhando. Os meninos começaram a trabalhar na carapaça preta de joaninha. Uma hora depois, Zica segurava um grande espelho em suas mãos. - Pode abrir seus olhos, Nini! disse Zico. A joaninha
abriu lentamente pálpebras. - Milagre! exclamou feliz, - Como vocês conseguiram isso? - Muito simples! falou Zico - Passei cola Super Bonder em suas asas e Zica jogou confete vermelho sobre a cola. Afinal, é carnaval! - Que lindo! Eu estou muito feliz, meninos! Vocês dois serão meus amigos para sempre! Abraçaram-se
como verdadeiros amigos o fazem. E partiram. - Zico, tu notaste algumas coisa? - O que exatamente, Zica? - Nini, está tão feliz que mal se apercebeu... - De que, meu irmão? - Ela é preta com bolinhas vermelhas... - É mesmo! Joaninhas são vermelhas com bolinhas pretas!!!! É maravilhoso termos o poder de ajudar a um amigo que sofre. |
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