Com tantas barreiras para conceder a cidadania aos descendentes de alemães, quem será que vai preservar a cultura alemã no futuro?

 

Seleções de textos publicados na Deutsche Welle abordando o envelhecimento e a redução da população alemã.

Alemanha | 06.01.2003

República senil favorece a juventude

Há mais mortes que nascimentos na Alemanha. Há anos. Em pouco tempo, os anciães constituirão a grande maioria da população alemã. Isto causará uma catástrofe demográfica de dimensões inusitadas. Os políticos e os cidadãos sempre ignoraram o problema: agora, parece demasiado tarde para encontrar uma solução.

 

Segundo os prognósticos das Nações Unidas, a população alemã diminui em cerca de 200 mil pessoas a cada ano. Para melhor exemplificar o que significa tal número abstrato, o semanário Die Zeit lançou mão de um artifício, em artigo publicado recentemente. Sugeriu que se tome um mapa da Alemanha e, a cada ano, se apague uma cidade que tenha em torno de 200 mil habitantes. No ano de 2050, existiriam então 47 cidades-fantasmas no território alemão. E todas de médio porte, como Lübeck, Magdeburg, Erfurt ou Kassel.

A população alemã envelhece e se reduz a olhos vistos. De uma forma tão rápida, que até mesmo uma imigração maciça ou uma explosão repentina do número de nascimentos não solucionariam o problema. Serviriam apenas de paliativo, retardando um pouco o processo. Para evitar o rápido envelhecimento da população da Alemanha, calculam os especialistas da ONU, seria necessária uma imigração anual de 3,4 milhões de pessoas jovens. Isto significaria o acolhimento de cerca de 160 milhões de estrangeiros até o ano 2050: o dobro da atual população alemã.

Velhice é tabu

Apesar da gravidade da situação, o problema ainda é praticamente ignorado pelos políticos e pela própria população. Die Zeit cita Rainer Münz, professor de Demografia na Universidade Humboldt de Berlim, segundo o qual o assunto só será realmente levado em conta quando seus alunos atuais estiverem sentados em cadeiras de roda e já não exista ninguém para empurrá-los.

O tema da velhice é um verdadeiro tabu, talvez um dos últimos que restam aos alemães. Não se pergunta a idade, ninguém fala dela. Velhos são sempre os outros. Todos os aposentados sentem-se mais jovens do que realmente são. Isto pode ser interpretado como uma prova de vitalidade. Mas também pode ser uma perda coletiva do senso de realidade.

O desapreço aos velhos assume formas bizarras. Alguns bancos não concedem empréstimos a pessoas de mais de 68 anos. Cientistas de renome têm de emigrar, por exemplo para os Estados Unidos, se quiserem continuar pesquisando depois de atingir a idade de aposentadoria – 65 anos. Os desempregados que tenham ultrapassado a idade de 58 anos não são incluídos nas estatísticas de desemprego.

Discriminação etária

Um estudo da Fundação Bertelsmann, citado no artigo de Die Zeit, constatou que nenhum outro país industrializado tem tão poucos empregados com mais de 55 anos de idade como a Alemanha. Somente um terço dos homens alemães entre 60 e 64 anos tem emprego. Nos Estados Unidos, a metade dos homens nesta faixa etária está empregada.

Na maioria dos países industrializados existem leis que controlam tal tipo de discriminação etária. Não, na Alemanha. Na cidade de Colônia, há uma organização que trata do tema. E ela não encontra apoio sequer dos sindicatos. Pois, foi dos próprios sindicatos que partiram os inúmeros modelos de aposentadoria precoce, a fim de abrir novas vagas para os desempregados jovens.

A incúria da classe política em relação ao assunto tem também um fundo histórico. Expressões do tipo "política populacional" ou "política demográfica" evocam na memória coletiva dos alemães a recordação da demência racial dos nazistas. E isto faz com que as autoridades alemãs sempre evitem falar abertamente da questão. Ao contrário, por exemplo, dos Estados Unidos – o único país industrializado com crescimento populacional. Lá, os políticos citam claramente a taxa de fertilidade dos americanos e vêem os jovens como garantia da força e do dinamismo do país.

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,739751,00.html

Alemanha | 16.01.2005

Falta de crianças alarma políticos

Alemanha tem mais baixa taxa de natalidade da UE

Representantes das classes política, empresarial e dos trabalhadores buscam solução para um problema que se reflete no futuro da Alemanha: o envelhecimento da população e a baixa taxa de natalidade.

 

O problema não é novo: com uma média de 1,3 filho por mulher, a Alemanha tem o menor índice de natalidade da União Européia. A população envelhece a olhos vistos, gerando já agora problemas e projetando perspectivas sombrias para o sistema previdenciário e o mercado de trabalho no país.

O ano de 1964 foi o que registrou o maior número de nascimentos no país: 1,36 milhão. De lá para cá, o número de crianças que vêm ao mundo por ano reduziu-se quase à metade. Das mulheres nascidas em 1940, apenas um décimo ficou sem filhos. Entre as nascidas em 1965, essa proporção subirá para um terço.

De uns dias para cá, no entanto, o tema "família" conquistou as manchetes nos meios de comunicação, reproduzindo um uníssono incomum. Governo e oposição, empregadores e sindicatos lamentam o clima hostil à formação de prole na Alemanha, exigem e sugerem medidas para facilitar aos casais – e em especial às mulheres – melhores condições para conciliar vida familiar e profissão.

Na segunda-feira (17/01), o presidente Horst Köhler – que, ao assumir o cargo em julho de 2004 manifestou preocupação com a baixa taxa de natalidade e declarou a família tema central de seu mandato – recebe em Berlim a ministra da Família, Renate Schmidt, o presidente da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DHK), Ludwig Georg Braun, e o presidente da Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB), Michael Sommer, para tratar do problema e esboçar soluções.

"Sem igual no mundo"

O grande número de casais sem filhos na Alemanha é "sem igual no mundo", lamentou a ministra Schmidt ao jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung. "Além disso, pessoas com filhos têm a impressão de que crianças não são desejadas nesta sociedade". Esta afirmação da política social-democrata reflete uma sensação reinante no país. Em pesquisa recente realizada pelas revistas Eltern (Pais) e Eltern for Family, 75% dos casais sem filhos consultados disseram considerar o clima na Alemanha hostil às crianças.

"Na Alemanha, ter filhos não é sexy", comentou Marie-Luise Lewicki, redatora-chefe da Eltern, os resultados da pesquisa. Quatro entre dez consultados alegaram renunciar a filhos por motivos profissionais, 34% apontaram o receio de perda da liberdade individual como principal motivo e 29%, os altos custos representados pela educação de filhos.

Flexibilização no mercado de trabalho

A dificuldade em conciliar vida familiar e atividade profissional na Alemanha é incontestada. A ministra Schmidt chega a dizer que elas são "as piores do mundo". É justamente neste ponto que se concentram as reivindicações e sugestões de políticos, empregadores e sindicalistas.

Schmidt, que vem se batendo por melhores condições para mães de crianças pequenas – mais creches, jardins de infância e outras formas de assistência –, alegra-se agora por contar com o apoio aberto do chanceler federal Gerhard Schröder. Depois que ele e sua esposa, Doris, adotaram uma menina de três anos na Rússia, as questões familiares adquiriram prioridade para o chefe de governo.

Angela Merkel, presidente da União Democrata Cristã (CDU), anunciou para este ano uma reformulação da política de seu partido – o maior da oposição – para a família. Merkel exige transformações na sociedade, que deve por um lado se tornar mais capaz de aceitar mulheres que queiram se dedicar a uma profissão ao lado da educação dos filhos e, por outro, deixar de menosprezar as que optem por ser donas de casa e mães.

O presidente da Confederação dos Empregadores, Dieter Hundt, lançou um apelo às empresas no sentido de criarem mais jardins de infância próprios, bem como de facilitarem licenças a mães com filhos doentes. É também às empresas que se dirige Ursula Engelen-Kefer, vice-presidente da DGB. Ela apela aos empresários para criarem melhores condições de assistência às crianças. "Só assim se pode aproveitar o potencial de mulheres com boa formação profissional."

 

(lk)

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1460233,00.html

 

Alemanha | 03.05.2004

Problemas demográficos exigem pacote de medidas

Proporção de jovens diminui na população

A Alemanha tem cada vez menos habitantes e de idade mais avançada. Estudo de instituto berlinense aponta problemas demográficos estruturais, que afetam o país como um todo, e esboça soluções.

 

Relatos sobre o envelhecimento e a diminuição da população na Alemanha repetem-se nas matérias da imprensa do país com a regularidade de uma ladainha. A necessidade de adequar o sistema social à realidade demográfica foi um dos argumentos a que o governo mais recorreu nos prolongados debates sobre seu programa de reformas.

A questão, porém, nunca tinha sido analisada de modo tão abrangente como no recente estudo Alemanha 2020 - o futuro demográfico da nação, realizado pelo Instituto de Estudos sobre a População Mundial e o Desenvolvimento Global, de Berlim.

Os especialistas rastrearam o país de norte a sul, de leste a oeste, e submeteram 440 municípios em zonas urbanas e rurais a um crivo de 22 fatores demográficos, com o fim de avaliar suas perspectivas de desenvolvimento. Levantaram-se dados como o número de filhos por mulher, a taxa de habitantes com menos de 20 anos, facilidades para as famílias com filhos pequenos, além de fatores econômicos e culturais.

Desequilíbrio generalizado

Os resultados apontam para "um claro desnível entre o leste e o oeste, mas também entre o norte e o sul", segundo Reiner Klingholz, diretor do instituto. Tudo indicaria que o desenvolvimento será muito diferente de região para região, sendo que as fronteiras dos estados federados entre si não desempenham nenhum papel neste contexto.

Quase todas as cidades têm problema. "O Leste do país - o que não é de se admirar - tem grandes problemas, mas também no Oeste está se dando um desenvolvimento semelhante, que continuará nas próximas décadas", prognostica Klingholz.

No território da antiga Alemanha Ocidental, as zonas mais problemáticas encontram-se ao longo da antiga fronteira com a República Democrática Alemã, bem como em regiões tradicionalmente industriais que perderam seu significado, tais como o Sarre e o vale do Ruhr.

Melhores perspectivas no sul

A maioria dos municípios com notas ruins no estudo concentra-se nos chamados novos estados, ou seja, no território que constituía a antiga Alemanha Oriental: de 13, nove ficam naquela parte do país. Só a cidade de Hoyerswerda, na Saxônia, perdeu um terço de sua população após a reunificação, em 1990.

Os estados de Baden-Württemberg e da Baviera, ambos no sul, têm a maior parte dos municípios com boa avaliação: 19 de um total de 20. Lidera o ranking Eichstätt, cidade bávara situada às portas de Ingolstadt, onde está estabelecida a montadora Audi. Klingholz vê aí uma tendência típica de concentração de pessoas jovens e bem qualificadas numa região que oferece empregos bem remunerados.

Influência relativa da política para a família

Uma conclusão surpreendente do estudo é que não basta que o Estado tome providências de infra-estrutura que facilitem a vida das famílias com filhos pequenos. O maior índice de fertilidade (1,92 filho por mulher, enquanto a média nacional é de 1,37) é o de Cloppenburg, cidade da Baixa Saxônia que não consegue oferecer jardim-de-infância para todas as crianças em idade pré-escolar. Já Gera, no Leste, que tem vagas suficientes, apresenta um índice abaixo da média alemã.

Indiscutível é que há necessidade de medidas, ou melhor, todo um pacote delas: horário de trabalho que possa ser conciliado com a vida em família, adaptação das condições de trabalho à idade cada vez mais avançada da mão-de-obra, redução do tempo gasto com os estudos e a formação profissional são apenas algumas das recomendações dos especialistas.

Stuttgart - modelo a ser seguido

Grande importância neste contexto caberia às medidas de integração de imigrantes. Pois a verdade é que a Alemanha precisa de pessoas vindas de fora. Para manter uma população estável, seria preciso que cada mulher tivesse em média 2,1 filhos. Desde 1972 o número de nascimentos no país não consegue superar o de óbitos ao ano. As previsões partem de uma redução da população em 660 mil indivíduos até 2020.

Ines Possemeyer, da revista GEO, que participou do estudo, aponta a capital de Baden-Württemberg como exemplo positivo de como pode funcionar a integração de estrangeiros. Um em cada quatro habitantes de Stuttgart é proveniente de outro país. Ao todo 175 nações estão representadas na população. A prefeitura, que vê nessas pessoas um potencial positivo para a cidade, instituiu todo um programa que facilita aos que vêm de fora a integração no cotidiano da cidade.

 

lk

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1186594,00.html

 

Economia | 01.01.2004

Helgoland: a ilha deserta do futuro?

Mais de 500 mil pessoas visitam Helgoland todo ano, mas a população jovem da ilha está evadindo para o continente, em busca de melhores chances de formação e trabalho.

 

Helgoland, uma pequena ilha no Mar do Norte, corre seu maior risco de extinção desde que os ingleses passaram a usá-la para testes de bombardeio após a Segunda Guerra Mundial.

Metade dos habitantes da ilha, um destino de viagem predileto de excursionistas alemães atraídos pela natureza e pelas ofertas duty free, tem mais de 50 anos. Menos de um quarto tem uma idade inferior a 30 anos. Além do mais, a ilha perde 30 pessoas por ano: sua população diminuiu de 1950 para 1650 habitantes durante última década.

"A maior causa é o êxodo da juventude", explicou o prefeito Frank Botter à DW-WORLD. "Eles vão embora para estudar, pois não podem obter aqui na ilha o certificado de 2º grau que precisam para entrar na faculdade – para isso eles têm que ir para o continente e geralmente não voltam mais."

Reduzidas chances de formação

A escola mais próxima que oferece o certificado de 2º grau para quem queira cursar a universidade fica a duas horas de ferry boat da ilha. Um problema típico das ilhas do Mar do Norte são os gastos com que os pais têm que arcar, caso queiram enviar seus filhos para estudar no continente.

Os custos médios são de pelo menos 7200 euros por ano, avalia Botter, cuja própria filha freqüentou quatro anos uma escola fora da ilha. Em cooperação com outras ilhas, o prefeito de Helgoland está tentando conseguir que os governos federal e estadual reembolsem os custos escolares dos pais com filhos estudando no continente.

Arregaçando as mangas

Reagindo à diminuição da população, os políticos de Helgoland iniciaram uma ofensiva para convencer os jovens a permanecer na ilha e para atrair outras pessoas. Diante dos altos preços no mercado imobiliário de Helgoland, a prefeitura planeja investir 2,3 milhões de dólares para construir moradia barata para jovens famílias e trabalhadores.

Ao contrário do que acontece no continente, a demanda geralmente supera a oferta de empregos de baixa qualificação. A ilha em si, com uma área de apenas um quilômetro quadrado, só tem 52 desempregados. O meio milhão de turistas que invadem Helgoland, vindos todos os dias de cidades como Bremen e Hamburgo, traz mais de 85 milhões de euros para a ilha. Embora a florescente indústria de turismo gere muitos empregos, eles tendem a ser no setor de prestação de serviço, ou seja, pouco atraentes para quem abandona Helgoland em busca de qualificação profissional.

Procurados: mais empregadores – e um dentista

O renomado laboratório internacional de pesquisa marinha, com seus 170 funcionários, é o maior empregador da ilha. Helgoland também está negociando a possibilidade de sediar na ilha postos da guarda costeira da União Européia e da guarda alemã de fronteiras, além de agências de proteção ambiental, o que proporcionaria à ilha novos empregos e atrairia famílias jovens.

Um outro problema é o isolamento geográfico da Helgoland. O único dentista da ilha acabou de se aposentar, o que significa que pacientes com dor de dente são obrigados a esperar um dos quatro ferry boats que partem da ilha durante o inverno. Isso com certeza não contribui para atrair gente nova para lá.

Um símbolo germânico

Helgoland é símbolo da tradição e cultura alemãs há mais de cem anos. No entanto, embora a ilha tenha sido povoada há dois mil anos atrás, ela só foi incorporada à Alemanha em 1890, após ter passado pelas mãos de ingleses e dinamarqueses.

"Helgoland é associada à grande tradição de poetas e pensadores que costumavam viajar à ilha na virada de século", confirma Manfred Augener, editor do jornal local Pinneberger Zeitung. Durante a Segunda Guerra, Hitler transformou a ilha num importante porto naval, o que justifica a dimensão arrasadora dos bombardeios aliados. "Houve os bombardeios, a ocupação e depois – o que é pior – os ingleses tentaram destruir a ilha completamente com os seus testes 'big bang'", afirma Augener. A ilha só começou a ser repovoada em 1952.

O prefeito Botter espera que a população da ilha chegue a 1700 habitantes, o que seria considerado um verdadeiro sucesso. Para o jornalista Augener, os políticos de Helgoland estão começando a levar a sério a crise pela qual está passando a ilha. "As pessoas começaram a entender que o turismo não pode ser a única possibilidade. É preciso oferecer mais às pessoas, eles têm que se esforçar mais para mantê-las aqui." – adverte ele.

Isso seria uma chave para a sobrevivência da ilha a longo prazo. "Se a juventude não vier" – prevê o prefeito Botter – "algum dia a ilha vai apagar as luzes."

 

Daryl Lindsey / Kristine Ziwica (sm)

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1047480,00.html

Alemanha | 08.03.2004

Alemãs não priorizam a maternidade

 
 

Uma a cada três alemãs prefere não ter filhos. Carreira, estudo e casamento têm uma importância maior. Mas a falta de infra-estrutura, como creches e jardins de infância, também pesa na decisão de abdicar à maternidade.

 

Cerca de 72% das alemãs entre 30 e 39 anos trabalham e têm em média 1,5 filho. Bem menos do que algumas gerações atrás. Mulheres na faixa dos 70 anos tiveram em média 2,2 filhos e menos da metade trabalhava quando os filhos eram pequenos.

Hoje a formação profissional e a carreira têm um papel de destaque na vida da alemã moderna. São poucas as que abrem mão de uma participação econômica ativa na sociedade para ter filhos. O que normalmente acontece é que a maioria opta pela independência financeira e para alcançar tal propósito é preciso estudar e investir na profissão ou em determinado trabalho.

País sem crianças?

Neste contexto, conciliar a maternidade fica difícil em um país que não dispõe de creches e jardins de infância suficientes. "Quando perguntamos para as jovens entre 16 e 24 anos, cerca de 90% dizem que só pensa em administrar carreira com a educação de filhos mais tarde", revelou Uta Meier, da Universidade de Giesen. Segundo a especialista em família, o que acaba ocorrendo é que quando surge o desejo de ter filhos já é tarde.

O temor de que a presença de uma criança interfira na estabilidade do casamento também contribuiu para o adiamento da maternidade, salientou Meier. Segundo uma pesquisa realizada com o sexo masculino, os homens também tem certo temor de ter filhos, e isto acaba se refletindo na decisão feminina.

Cerca de 44% das alemãs com formação universitária não têm filhos. Meier estima que esta porcentagem irá aumentar nos próximos anos. Uma das causas é, sem dúvida, a falta de infra-estrutura social. "Se analisarmos a situação na Suécia vamos constatar a diferença. O país escandinavo conta com uma educadora para cada cinco crianças. Aqui na Alemanha existe uma educadora para cada 15 ou 20 crianças".

Clichês sem fundamento

Muitos casais optam de forma consciente em não ter filhos. A psicóloga Susie Reinhardt é casada há 12 anos com Guido Bertling. Ela confessa que nunca se empolgou com a maternidade. Autora do livro Frauenleben ohne Kinder (Vida de mulheres sem filhos), Reinhardt condena aqueles que acusam os casais sem filhos de serem egoístas, só pensarem em dinheiro e luxo. "Isto não é prioridade. No meu caso, eu simplesmente não quis ser mãe".

Assim como há mulheres que renegam a maternidade, existem casos opostos, de mulheres que têm muitos filhos. Como Hulda Maessen, mãe de 12 crianças hoje com idade entre 9 e 30 anos. Para ela, casa cheia é sinônimo de alegria. Seis anos atrás, Hulda conheceu seu atual marido, Hubert, que não teve medo de assumir uma família extramamente grande.

Ambos exemplos são interessantes mas não refletem a situação da maioria. Uma a cada três mulheres que vivem na Alemanha não tem filhos. Apenas 2% dos casais têm 4 ou mais rebentos. Nem o salário família pago pelo Estado, de 154 euros mensais para cada um dos três primeiros filhos e 179 euros mensais a partir do quarto é atrativo o suficiente para encorajar as alemãs a optarem pela maternidade.

 

 

(ms)

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1132618,00.html

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