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HISTORIA - ROMA

2.3. ROMA - ORIGEM

       Na Antigüidade, a península Itálica era dividida em várias regiões, habitadas por diferentes povos. Foi em uma dessas regiões que Roma foi fundada e de onde, posteriormente, expandiu seus domínios, conquistando toda a península e outras áreas do mundo antigo.
       Vejamos, então, as características geográficas da península Itálica, os principais povos que a ocuparam e o surgimento de Roma.
       A península Itálica fica no sul da Europa, estendendo-se pela parte central do mar Mediterrâneo. Seu território lembra o formato de uma bota. Na Antigüidade, a península Itálica dividia-se em quatro regiões básicas:

       A península Itálica era habitada desde os tempos pré-históricos. Posteriormente, em diferentes épocas, diversos povos aí chegaram e se instalaram. Entre eles destacam-se:
       Por volta do II milênio a.C., os latinos, uma das tribos italiotas, chegaram à Itália central e instalaram-se na região do Lácio, nas proximidades do rio Tibre. Aí fundaram várias aldeias, entre elas Roma.
       Posteriormente, os etruscos invadiram e conquistaram a região do Lácio. Sob o domínio etrusco, Roma consolidou-se como cidade. A partir daí, expandiu seus domínio por toda a península Itália e, depois, por todo o mar Mediterrâneo, chegando até o Oriente Médio (vide anexo 7).
       A longa história política de Roma costuma ser dividida em três grandes períodos: Monarquia, República e Império.

2.4. A MONARQUIA

       Por volta do século VII a.C., os etruscos começaram a se destacar na região do Lácio. Eles impuseram seu domínio aos italiotas e a aldeia romana tornou-se uma cidade.
       Ao adquirir características de cidade, Roma iniciou um processo de organização política e social que resultou numa forma de governo chamada de monarquia.
       Durante a monarquia, Roma foi governada por um rei, pelo Senado e pela Assembléia Curial.
       O rei era o Chefe militar e religioso e juiz. No desempenho de suas funções, sofria a fiscalização da Assembléia Curial e do Senado.
       Conforme e tradição, Roma teve reis: Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco (o Antigo), Sérvio Túlio, Tarquínio (o Soberbo). Na verdade, devem ter existido muitos outros reis, dos quais não temos notícias históricas. Desses reis, os quatro primeiros eram italiotas e os três últimos, etruscos.
       O Senado era um conselho formado por velhos cidadãos, responsáveis pela chefia das grandes famílias (genos). A palavra "senado" vem do latim senex, que significa velho, ancião. As principais funções do Senado eram: propor novas leis e fiscalizar as ações do rei.
       A Assembléia Curial compunha-se de cidadãos que estavam agrupados em cúrias (conjunto de dez clãs ou genos). Seus membros eram soldados em condições de servir no exército. A Assembléia tinha como principais funções eleger altos funcionários, aprovar ou rejeitar leis, aclamar o rei etc.
       A sociedade romana estava dividida nas seguintes categorias: patrícios, clientes, plebeus e escravos.
       Os patrícios eram os cidadãos romanos, a classe dominante. Com cidadãos, desfrutavam de direitos políticos e podiam desempenhar altas funções públicas: no exército, na religião, na justiça, na administração etc. No plano econômico, os patrícios eram grandes proprietários de terras, de rebanhos e de escravos.
       Os clientes eram homens livres que se associavam aos patrícios, prestando-lhes diversos serviços pessoais em troca de auxílio econômico e proteção social.
       Os plebeus eram homens livres que se dedicavam ao comércio, ao artesanato e aos trabalhos agrícolas. A plebe representava a maioria da população romana. Constituía-se de imigrantes vindos, sobretudo, de regiões conquistadas pelos romanos. A princípio, os plebeus não tinham direitos de cidadão: não podiam exercer cargos públicos nem participar da Assembléia Curial.
       Os escravos eram, sobretudo, os prisioneiros de guerra. Trabalhavam nas mais diversas atividades, como serviços domésticos e trabalhos agrícolas. Desempenhavam as funções de capatazes, professores, artesãos etc. O escravo era considerado um mero bem material, uma propriedade do senhor. Por isso, o senhor tinha o direito de castigá-lo à vontade, de vendê-lo, de alugar seus serviços, de decidir sobre sua vida ou morte.
       Apesar dos diversos progressos que Roma vinha alcançando no período da Monarquia, durante o reinado de Tarquínio as famílias romanas poderosas (patrícios) não estavam satisfeitas com as medidas adotadas por esse rei etrusco em favor dos plebeus.
       Os patrícios, que formavam o Senado, queriam controlar diretamente o poder em Roma. Eles se rebelaram contra o rei, expulsando-o e estabelecendo uma nova organização política: a República.

2.5. A REPÚBLICA

       Com a instalação da República, os patrícios montaram toda uma organização social e administrativa para exercer domínio sobre Roma e desfrutar os privilégios do poder.
       Embora a maioria da população fosse composta por plebeus, eles não tinham o direito de participar das decisões políticas. Tinham, entretanto, deveres a cumprir: lutar no exército, pagar pesados impostos etc.
       Os patrícios controlavam a quase totalidade dos altos cargos da República. Esses cargos eram exercidos por dois cônsules e outros importantes magistrados. Na chefia da República, os cônsules eram auxiliados pelo Senado, composto por 300 destacados cidadãos romanos. Havia, ainda, uma Assembléia dos Cidadãos, que era manobrada pelos ricos patrícios.
       A segurança de Roma dependia da existência de um exército forte e numeroso. Para manter esse exército era indispensável a participação de soldados plebeus, pois, como vimos, a plebe constituía a maior parte da população.
       Tomando consciência disso e cansados de tanta exploração, os plebeus recusaram-se a servir no exército. Isso representou um duro golpe na estrutura militar de Roma. Os plebeus iniciaram, então, uma longa luta política, de mais de um século, contra os patrícios. Antes dessas lutas, os plebeus não podiam participar das decisões políticas, exercer cargos da magistratura ou casar-se com patrícios.
       Para retornar ao serviço militar, os plebeus fizeram várias exigências aos patrícios.
       Entre as exigências feitas pelos plebeus, encontrava-se a criação de um Comício da Plebe, presidido por um tributo da plebe. A pessoa do tribuno da plebe seria inviolável. Ela teria também poderes especiais para cancelar quaisquer decisões do governo que prejudicassem os interesses da plebe. Em 470 a.C., os plebeus conseguiram que os patrícios reconhecessem a autoridade dos tribunos da plebe.
       Vejamos outras importantes conquistas obtidas pela plebe:

       As diversas conquistas, entretanto, não beneficiaram igualmente todos os membros da plebe. Os cargos públicos e os privilégios conquistados foram parar nas mãos de uma nobreza plebéia que desprezava o homem pobre do povo do mesmo modo que um elevado patrício.
       A luta política entre patrícios e plebeus não chegou a provocar a desestabilização do poder republicano. Prova disso é que a República romana expandiu notavelmente seu território através de várias conquistas militares.
       Os primeiros passos da expansão militar consistiram no domínio completo da península Itálica. Mais tarde, tiveram início as guerras contra Cartago, conhecidas como Guerras Púnicas, e posteriormente a expansão por diversas regiões do mundo antigo.
       As conquistas militares trouxeram a Roma a riqueza extraída dos países dominados. O estilo de vida romano, antes simples e modesto, evoluiu em direção ao luxuoso, ao requintado, ao exótico. A elevação do padrão e do estilo de vida romano refletia-se na construção das casas, nas roupas e na alimentação das classes dominantes. Mas o luxo e a riqueza eram privilégio apenas de uma pequena minoria de patrícios e de plebeu ricos.
       No plano cultural, as conquistas militares colocaram os romanos em contato com a cultura de outras civilizações. Nesse sentido, deve-se destacar a grande influência dos gregos sobre os romanos.
       A sociedade também sofreu modificações. Os ricos nobres romanos, em geral pertencentes ao Senado, tornaram-se donos de grandes faixas de terra (latifúndios), que eram cultivadas por numerosos escravos. Obrigados a servir no exército romano, muitos plebeus regressavam à Itália de tal modo empobrecidos que, para sobreviver, passavam a vender quase tudo o que possuíam. Sem as suas terras, inúmeros camponeses plebeus emigraram para a cidade, engrossando a massa de desocupados pobres e famintos.

2.5.1. A CRISE NA REPÚBLICA

       O fim da pequena propriedade e a consolidação do latifúndio, somados à utilização crescente de escravos no campo, obrigaram os camponeses e ex-pequenos proprietários a procurarem sobrevivência em Roma. Essa grande quantidade de homens livres empobrecia rapidamente, pois em Roma eles também não tinham condições reais de subsistência.
       Estima-se que por volta de 50 a.C. a população romana girava em torno de 900 mil a 1 milhão de habitantes. A superpopulação gerava uma série de problemas de abastecimento, saneamento, higiene e habitação. A grande maioria da população era pobre e vivia em bairros desprovidos de qualquer estrutura; a imensa massa miserável simplesmente perambulava pela cidade.
       Durante a segunda metade do século II a.C. a situação em Roma era insustentável e diversas revoltas isoladas agitavam a cidade e o campo (até algumas revoltas de escravos ocorreram). Tentado resolver esse problema, o governo de Roma instituiu a distribuição gratuita de trigo aos plebeus e permitiu seu ingresso gratuitamente nos circos das cidades (na realidade, uma espécie de arena ou anfiteatro construído para espetáculos esportivos religiosos, artísticos, musicais, lutas e combates). Era a política do "pão e circo", que procurava minimizar os conflitos sociais por meio de um paternalismo custeado pelo Estado. Entretanto, essa política apenas adiou a solução do problema, sem resolvê-lo.
       A situação crítica de Roma ameaçava a República e suas conquistas. Alguns políticos procuraram atenuar a crise da República propondo algumas reformas sociais, principalmente no campo.
       Tibério Graco, eleito tribuno da plebe em 133 a.C., procurou concretizar algumas reformas. Ele propôs melhor distribuição das terras públicas, através de uma reforma agrária. O Senado romano, em que a maioria era aristocrata, vetou a proposta. Apoiado pelos pequenos proprietários, em 132 a.C. Tibério renovou sua proposta, mas entrou em conflito com a aristocracia e acabou sendo assassinado.
       Novas propostas reformistas tentaram, em vão, ser aprovadas. Em 123 a.C. o irmão de Tibério, Caio Graco, foi eleito tribuno da plebe, com um extenso programa de reformas. Todavia, apenas a Lei Frumentária foi aprovada. De acordo com essa lei, o trigo deveria ser vendido à plebe com um preço abaixo do mercado. Insistindo na aprovação de seu programa, Caio Graco foi perseguido e entrou em luta contra a aristocracia, até que em 121 a.C. ele pediu para um escravo o matasse.
       Todas essas tentativas de estabelecer algumas reformas não alcançaram resultados concretos. As terras continuaram nas mãos dos patrícios; a situação crítica da população urbana e do campo continuou e a violência foi a arma usada contra elas.
       Procurando evitar a radicalização das conturbações políticas e sociais internas, Roma canalizou seus esforços em campanhas de expansão externa, procurando transferir as pressões sociais para a dominação de outros povos.
       Os permanentes conflitos militares, internos e externos, incentivaram o aparecimento de líderes políticos ligados ao exército. Chegando ao poder, eles estabeleceram governos despóticos, apoiados na fidelidade de suas tropas.
       Mário foi um desses generais vitoriosos. Foi eleito e reeleito cônsul de 107 até 100 a.C. e deu início a uma série de reformas no exército, no sentido de profissionalizá-lo e permitir a incorporação dos plebeus, pagando-lhes salários. Assim, o exército romano deixa de ser exclusividade de cidadãos convocados, tornando-se permanente e profissional.
       De 91 a 88 a.C. explodiram diversas revoltas de escravos e de povos submetidos à República (principalmente na Grécia e Ásia Menor). Contudo, as lutas mais importantes nesse período foram aquelas entre diversas facções políticas existentes em Roma, originando uma autêntica guerra civil. A situação se agravou ainda mais quando os generais Mário e Sila, antigos companheiros de batalhas, acabaram desencadeando em 88 a.C. um conflito entre seus exércitos, na disputa pelo poder.
       Sila saiu vitorioso e, ao voltar das lutas contra Mitridates (rei do Ponto, antigo país da Ásia Menor que havia assumido posições anti-romanas) no Oriente, em 82 a.C., proclama-se ditador perpétuo. Restringindo os poderes do tribuno da plebe e aumentando seus próprios poderes e os do Senado, ele deu início a um governo de forte conteúdo autoritário. Ao concentrar todos os poderes em suas mãos, Sila criou uma oposição entre os nobres insatisfeitos. Isolado e doente ele se vê obrigado a renunciar em 79 a.C., morrendo no ano seguinte.
       Com o fim da ditadura de Sila, as disputas políticas foram reiniciadas. Esse quadro de instabilidade política facilitava o surgimento de revoltas da plebe e de escravos; a mais conhecida delas ocorreu na Campânia, onde eclodiu uma revolta de escravos liderados por Espártaco, em 70 a.C. nessas lutas políticas e militares, internas e externas, destacaram-se os generais Crasso, Pompeu e Júlio César.
       Procurando resolver os problemas políticos, em 60 a.C. o poder da República foi dividido entre os três generais (triunvirato). No entanto, Júlio César, o conquistador da Gália (atual França), fortalecia-se cada vez mais, aumentando seu prestígio entre os soldados e a população romana.
       Com a morte de Crasso, em 53 a.C., estabeleceu-se um conflito entre Júlio César e Pompeu. Diante do fortalecimento de César, o Senado aliou-se a Pompeu, elegendo-o cônsul único e retirou os poderes de César sobre a Gália. Júlio César não obedeceu às ordens do Senado e invadiu com seu exército a cidade de Roma. Começava, assim, a ditadura de César.
       Durante seu governo, Júlio César acumulou diversos cargos, centralizando o poder em suas mãos. Para lutar contra a aristocracia e o Senado, César se apoiou nos soldados e nos membros da Assembléia Popular.
       Ele anulou os poderes do Senado, das Assembléias e tribunos; fez uma nova divisão das terras, procurando o apoio da plebe urbana; obrigou os latifúndios a empregar um número determinado de trabalhadores livres; criou novas colônias; concedeu cidadania a muitas províncias; e limitou os poderes dos governadores provinciais. O enfraquecimento da aristocracia patrícia, algumas populares e o pleno controle das forças militares fortaleceram significativamente os poderes de César. Assim, gradativamente, a República caminhava para seu fim, mas Júlio César se recusava a assumir a condição de rei ou imperador.
       O Senado começou a conspirar contra César, até que em 44 a.C. ele foi assassinado por um grupo de senadores (entre eles Brutus).
       O assassinato de Júlio César não significou o retorno da aristocracia ao poder. Marco Antônio e Lépido, generais aliados de César, impediram com suas tropas que o Senado tomasse o poder.
       Em 45 a.C. as disputas políticas pelo legado de César obrigaram a uma nova divisão do poder. Assim, Marco Antônio, Lépido e Otávio iniciaram o segundo triunvirato, dividindo seus poderes por região: Otávio ficou com o Ocidente; Marco Antônio com o oriente; e Lépido com a África e a Espanha.
       Otávio afastou Lépido do poder em 36 a.C. e tornou único governante do Ocidente, entrando em conflito com Marco Antônio, que de seu lado, fortalecia seu poder no Ocidente aliado a Cleópatra, rainha do Egito.
       Em 31 a.C. Otávio entra em guerra contra Marco Antônio, vencendo-o na batalha de Ácio. Marco Antônio acabou se suicidando junto com Cleópatra, e Otávio assume definitivamente o poder em Roma. A vitória de Otávio significou o fim da República romana dominada pela aristocracia patrícia e o início do Império Romano: novas forças políticas são incorporadas e as instituições modificadas.

2.6. O IMPÉRIO ROMANO - APOGEU E DECADÊNCIA

       Com o Império Romano, instaurado por Otávio em 27 a.C., os conflitos políticos e sociais internos cessaram. Durante o Império o sistema escravista se ampliou e se consolidou, possibilitando seu crescimento, até que no século III d.C. começou a se esgotar, levando o Império ao fim em 476 d.C.
       Otávio concentrou em suas mãos todos os poderes do Império: tornou-se augusto (título dado aos deuses; significa divino e sagrado), passando a se chamar Otávio Augusto; ponitífice (chefe religioso); tribuno vitalício; princeps senatus (primeiro senador e cidadãos); e, finalmente, imperador.
       De posse de todo os poderes, ele empreendeu uma série de reformas que aumentaram sua popularidade:

       Sua política externa se baseou em dois parâmetros: na consolidação das antigas fronteiras, fortalecendo as posições do Império na península Ibérica, no norte da África e na Ásia Menor, avançando os limites até o rio Eufrates; e na expansão das conquistas, principalmente à Europa central, mas as expedições chefiadas por Tibério e Drusso foram contidas pelos germanos; assim, os limites do Império permaneceram na região ocidental do rio Reno.
       Otávio Augusto morreu em 14 d.C., deixando o Império estruturado e pacificado, dando condições para seu desenvolvimento posterior. Entretanto, como não havia uma regra para sua sucessão, desencadeou-se uma grande disputa pelo título de imperador. Finalmente Tibério sucedeu Augusto, assumindo o título de imperador.
       O período que se estendeu entre a morte de Otávio Augusto (14 d.C.) e a de Cômodo (192 d.C.) também é chamado de Alto Império. Ao longo desse período a expansão do Império se reduziu ainda mais; a política externa se concentrou quase exclusivamente na manutenção das fronteiras.
       Durante boa parte do período imperial, as relações com as províncias melhoraram. Algumas províncias chegaram mesmo a enriquecer, fortalecendo nas regiões segmentos sociais ascendentes. Alguns líderes provinciais chegaram até a se tornar imperadores.
       A economia imperial se sustentou basicamente na escravidão. Com parte da mão-de-obra escrava vinha das regiões conquistadas, a interrupção das conquistas começou a criar um certo problema para a manutenção da escravidão.
       Em oposição à prosperidade econômica e relativa paz social, a vida política durante o Império foi bastante agitada. Após a morte do primeiro imperador, o Império Romano teve uma sucessão de imperadores prepotentes - alguns loucos, como Calígula e Nero, entre outros -, envolvidos em lutas e intrigas palacianas. De qualquer maneira, o Império continuou se desenvolvendo durante as quatro dinastias que sucederam Otávio Augusto (júlio claudiana - 14 a 68 -, a dos Flávios ou flaviana - 69 a 96 -, a dos antoninos - 96 a 192 - e a dos Severos - 193 a 235).
       O Império cessou suas conquistas e atingiu sua maior extensão durante o reinado de Trajano (98-117). Na realidade o Império romano havia conquistado praticamente quase todo o mundo ocidental conhecido naquele momento (por isso, alguns históriadores chamam-no de "Império mundial").
       Apesar de o comércio e o tráfico de escravos permanecerem ativos, o fim das conquistas acabou encarecendo o preço do escravo. Assim, o capital empregado para a compra de escravos aumentava significativamente, elevando também o preço dos produtos agrícolas. Como geralmente o sistema escravista impede o desenvolvimento técnico e o número de escravos era cada vez menor por causa do seu alto preço, a tendência da produção agrícola foi de queda acentuada, encarecendo os alimentos. De outro lado, a produção artesanal, baseada na mão-de-obra escrava, também ficava impedida de crescer.
       Além disso, no século III d.C. o quadro econômico do Império foi agravado por outros problemas. O inchamento da máquina militar, produzido pela necessidade crescente de manter um grande exército protegendo as fronteiras, consumia boa parte dos recursos do Estado. O mesmo fato se repetia com a enorme burocracia organizada e mantida nas províncias. Assim, o déficit público aumentava e o governo emitia mais moedas, desvalorizando-as e gerando alta do custo de vida. A tendência da economia do Império era de estagnação.
       A primeira medida tomada pelos latifundiários para solucionar, o problema da produção agrícola foi estabelecer o arrendamento de terras. Nesse sistema, o camponês e o ex-escravo recebiam um pedaço de terra que deveria ser pago em produtos e com trabalho gratuito alguns dias por semana nas terras do proprietário. Na realidade, a produção e a relação de trabalho no campo começavam a se transformar com a instituição do colonato.
       Para maioria da população romana a vida se tornou muito difícil, principalmente nas cidades. A carestia, o empobrecimento, a insegurança e a violência provocaram uma forte movimentação populacional das cidades para o campo, ou seja, um êxodo urbano. Essa movimentação aumentou o número de pessoas em busca de terra, trabalho e proteção e esvaziou as cidades.
       Tentando fugir da grande exploração dos proprietários e dos altos impostos cobrados pelo Estado em crise, em geral os trabalhadores mudavam-se constantemente. É preciso considerar também que a maioria dos camponeses acabava endividada com os proprietários, pois não conseguia pagar as terras arrendadas.
       Para impedir os constantes deslocamentos e a fuga dos camponeses endividados, os trabalhadores foram impedidos de deixar as vilas (nome dado às grandes propriedades rurais). Nelas eles teriam proteção e a subsistência da família, mas em troca deveriam ficar nas terras até a morte. Dessa maneira, o colonato foi se transformando em uma espécie de servidão.
       Como se vê, durante a crise econômica, que levou o sistema escravista ao colapso, as estruturas do Império foram se transformando profundamente. Já estavam sendo geradas nesse processo algumas características básicas de uma nova estrutura econômica e social, com a ruralização da economia, o arrendamento de terras e o trabalho servil. Esse novo quadro econômico-social, ao se encontrar e misturar com as sociedades de povos vindos da Europa central e oriental, acabaria formando o feudalismo.
       Durante o século III o Império viveu um período de instabilidade política, refletindo o início da crise econômica. Inúmeros imperadores se sucederam, com permanência passageira no governo. O fortalecimento do exército possibilitou que cada general, unidade ou província lutasse pelo poder, desencadeando novamente uma luta incessante entre seus líderes. Os conflitos entre os militares ameaçavam esfacelar o Império e enfraqueciam o poder central. Essa fase de profunda instabilidade política ficou conhecida como "anarquia militar".
       Tal enfraquecimento permitiu que povos limítrofes (como persa e mauritanos) e bárbaros, principalmente os germanos, iniciassem a penetração no território romano.
       Os romanos denominavam bárbaros os povos que não falavam latim ou grego, sendo por isso considerados "incivilizados".
       As primeiras "invasões bárbaras" foram na realidade pacíficas, produto da penetração de povos germânicos nos limites do Império. Os germânicos eram povos que viviam no norte da Europa (germânicos ocidentais, entre os quais suevos, lombardos, teutônicos e francos) e na Europa oriental (germânicos orientais, caso dos gordos, visigodos, vândalos, burgúndios, etc.).
       Os germânicos ocidentais foram praticamente empurrados para as regiões dominadas pelo Império Romano em virtude das dificuldades de sobrevivência (problemas climáticos e falta de terras férteis) e da invasão de outros povos, como os celtas.
       Os primeiros contatos possibilitaram a convivência entre bárbaros germânicos e romanos. Os germânicos viveram como colonos e muito chegaram a prestar serviços militar. O exército romano contou com tropas compostas e lideradas por germânicos. Muitos participaram também da administração civil do Império Romano.
       A partir do século V, as penetrações bárbaras adquirem um caráter mais violento e belicoso, principalmente com as invasões dos germânicos orientais e de outros povos bárbaros de origem oriental.
Apesar do quadro de instabilidade política, interna e externa, e de decadência econômica, no final do século III a crise foi relativamente superada. Os imperadores desse período conseguiram reorganizar o exército, repelir as primeiras invasões bárbaras (os alanos, no norte da Itália, e os godos, na Macedônia) e solucionar alguns problemas internos.
       O imperador Diocleciano (284-305) surgiu nesse contexto de eventual recuperação do império. Inicialmente, para facilitar a administração do extenso Império, ele o dividiu administrativamente em quatro partes (tetrarquia).
       Para reforçar as fronteiras do Império, ele reintroduziu o alistamento obrigatório e admitiu o alistamento de alguns povos bárbaros. Muitos bárbaros germânicos, como já foi dito, chegaram a chefiar e constituir tropas inteiras.
       Os imperadores que sucederam Diocleciano continuaram essa política de aumento deliberado do exército, inchando a administração pública e contribuindo para agravar, ainda mais, a crise financeira.
       Constantino assumiu em 312, nesse quadro de evidente decadência, e manteve-se como único imperador até 337. As crescentes dificuldades financeiras do Império e as crises do sistema escravista enfraqueciam seu governo; as fronteiras se tornavam cada vez mais vulneráveis às penetrações bárbaras.
       Diante da evidente decadência de Roma, Constantino mudou, em 330, a capital do império para a cidade de Constantinopla (atual Istambul), no Mediterrâneo oriental. O lado oriental do Império não sofria com a crise econômica, pois sua economia não estava baseada exclusivamente na escravidão e era menos atingido pelas invasões bárbaras.
       Em 395 o imperador Teodósio dividiu o Império entre seus dois filhos; Honório ficou com o Império Romano do Ocidente e Arcádio com o Império Romano do Oriente.
       O Império do ocidente continuou em decadência, sendo invadido por diversos povos bárbaros. Em 476 o chefe germano Odoacro invadiu e conquistou Roma, decretando o fim do maior império já conhecido pelo Ocidente e, conseqüentemente, da Idade Antiga.
       De outro lado, o Império do Oriente continuou se desenvolvendo, vindo a constituir o florescente Império Bizantino. Ele desapareceria somente em 1453, com a conquista de Constantinopla pelos turcos-otomanos.
       Com a expansão do Império, a cultura romana foi absorvendo diversos elementos de outras culturas. Durante o século III, em razão das sucessivas crises, as religiões de modo geral se expandiram pelo Império, entre elas uma religião proveniente do Oriente Médio - o cristianismo, que recebe esse nome por reconhecer Jesus Cristo como filho de deus e seu fundador.
O cristianismo surgiu na Palestina, entre o povo hebreu, e tem origem na religião judaica. Inicialmente era apenas um movimento dentro do judaísmo, mas se espalhou por toda a região da Ásia Menor e depois pelo Mediterrâneo. O marco que separa o judaísmo do cristianismo é dado pelo nascimento de Jesus Cristo, ano zero de nosso calendário.
       As pregações de Cristo na Palestina se difundiram rapidamente. Por causa de suas idéias sobre a salvação da alma, igualdade entre os homens, caridade, justiça divina, condenação da riqueza e proteção aos pobres e desprotegidos, Jesus Cristo foi perseguido e morto na cruz, uma condenação comum na época, destinada aos ladrões e criminosos. Após sua morte, os apóstolos (discípulos e seguidores que haviam convivido com Cristo), como Paulo, Pedro e João, continuaram divulgando os princípios e as idéias cristãs.
       Esses princípios foram muito difundidos entre a população pobre e os escravos na cidade de Roma. Alguns princípios do cristianismo questionavam a ordem imperial romana; os cristãos por exemplo, recusavam-se a cultuar o imperador como um deus. Talvez esse fato tenha servido de motivo para iniciar a perseguição contra os cristãos e sua religião.
       Nero desencadeou perseguições terríveis, levando milhares de cristãos à morte através da crucificação, de torturas, fogueiras e, principalmente, no circo, onde as pessoas se divertiam vendo-os serem devorados por animais ferozes. No entanto, foi Diocleciano quem realizou a maior e mais violenta perseguição, os cristãos. Por causa da perseguição, os cristãos passaram a manter seus encontros religiosos na clandestinidade. Uma vasta rede caldestina de bispos, padres e adeptos se formou de maneira solidária na clandestinidade; a idéia da Igreja "una e indivisível" começava a surgir.
       Durante o século III, como já foi dito, a crise política e econômica proporcionou a divulgação de inúmeras religiões, mas foi o cristianismo que mais se vulgarizou entre ricos e pobres.
       A sucessão de Diocleciano desencadeou uma guerra entre os militares, e o general Constantino saiu vitorioso, com um grande apoio dos cristãos. Em 313, pelo Edito de Milão, ele concedeu liberdade de culto aos cristãos, reconheceu fim às perseguições. Dessa forma, Constantino obteve o apoio dos cristãos para reorganizar o Império.
       A política de proteção aos cristãos desenvolvida por Constantino beneficiou-se com isenção de impostos; sacerdotes, bispos e padres receberam funções administrativas e judiciárias, e os bens confiscados. Em 325 ele comandou uma reunião de bispos cristãos (Concílio) com a intenção de aproximar estado e religião e de preservar a unidade entre os religiosos.
       Em 380 o imperador Teodósio aconselhado pelo bispo de Milão, tornaria o cristianismo religião oficial do Estado romano. Ele aboliu definitivamente os cultos pagãos, em 392, e o cristianismo tornou-se a religião obrigatória.

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