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HISTORIA - GRECIA

2. A HISTÓRIA

        É importante mostrar a história verdadeira desde o surgimento da Grécia até a queda de Roma, desse modo pode-se fazer um paralelo entre a realidade dos cidadãos e o que nos conta os mitos.
        Segue toda essa história, de modo resumido e de fácil compreensão, visto que a história Greco-Romana é demasiadamente complexa e cheia de detalhes que não fazem parte do objetivo final desse trabalho.

2.1. ORIGENS DA CIVILIZAÇÃO GREGA

        Os povos indo-europeus - aqueus, jônios, eólios, dórios - começaram a chegar à Grécia, em sucessivas levas, volta do ano 2000 a.C. Porém, muito antes da chegada desses povos, a maior ilha grega do mar Egeu - Creta - já era habitada. Nela desenvolve-se uma brilhante civilização: a civilização cretense.
        Por volta do ano 3000 a.C., enquanto no Oriente Médio, às margens dos rios Nilo, Tigre e Eufrates, os povos dedicavam-se à agricultura e à criação de animais, na ilha de Creta os habitantes dedicavam-se ao comércio marítimo e criaram uma cultura própria.
        Constituída por um povo alegre, festivo e amante da liberdade, a civilização cretense produziu obras notáveis na pintura, na escultura e na arquitetura, como os monumentais palácios, luxuosamente decorados.
        Expandindo-se pelo mar, os cretenses estabeleceram contato com outros núcleos urbanos. Do intenso contato entre cretenses e micênicos nasceu a civilização creto-micênica.
        Aproximadamente em 1400 a.C., Creta foi invadida pelos aqueus, que acabaram assimilando sua cultura. Quase dois Séculos depois, os dórios invadiram e ocuparam Creta. As cidades foram saqueadas e arrasadas, levando à decadência da civilização cretense.
        Desde seus primeiros povoamentos, havia em Creta pequenos governos locais. Séculos depois, a ilha foi unificada sob o comando de uma monarquia instalada na cidade de Cnossos.
        Os chefes que se sucederam nessa monarquia eram chamados de minos. Essa palavra deu origem à expressão civilização minóica, também utilizada para designar a civilização cretense.
        Minos vivia no grande palácio de Cnossos, cercado de muitas salas luxuosas, corredores, pátios e oficinas. Eram tantos os aposentos - mais de 1500 cômodos - que esse palácio ficou conhecido, nas lendas gregas, como o labirinto do Minotauro.
        A sociedade cretense era predominantemente urbana. As ruínas encontradas revelam cidades bem planejadas, com ruas, calçadas, sarjetas, lojas de comércio e casas luxuosas. Destacavam-se, entre elas, Cnossos, Faístos, Mália e Tilisso.
        A maior parte da população das cidades dedicava-se ao comércio marítimo ou às oficinas artesanais, vivendo modestamente e trabalhando para sustentar o luxo das classes altas.
        Parece, no entanto, que em Creta a vida das pessoas comuns era melhor que a de outras comunidades da Antigüidade. Vários aspectos demonstram isso:

        Os cretenses tinham uma economia rica e variada. Praticavam a agricultura, criavam animais e produziam delicadas peças em cerâmica ou metal (cobre, bronze, ouro e prata) nas inúmeras oficinas artesanais.
        Mas foi no comércio marítimo que os cretenses mais se destacaram. Através dele, toda a produção artesanal era vendida em diversas regiões do mundo antigo, como Egito e Mesopotâmia.
        Creta dominou o comércio nos mar Egeu e Mediterrâneo, criando o primeiro império comercial marítimo do qual temos conhecimento (aproximadamente dois mil anos antes dos fenícios). A esse império dá-se o nome de talassocracia, palavra composta dos termos gregos talassos, que significa mar, e cracia, que significa poder.
        Os povos indo-europeus estabeleceram-se em diferentes regiões da Grécia. Atraídos pelo esplendor da civilização cretense, esses povos foram aos poucos conquistando seu território, até dominá-la completamente (vide anexo 6).

2.2. EVOLUÇÃO POLÍTICA E ECONÔMICA

        A Grécia Antiga, na verdade, não possuía uma unidade política, ou seja, não constituía um Estado ou Império único. Era formada por diversas cidades independentes, com governos próprios. Algumas dessas cidades conseguiram impor seu domínio sobre as demais.
        Para facilitar o estudo da história da Grécia, que é longa e complexa, costuma-se dividi-la em quatro grandes períodos. Vejamos esses períodos que retratam o apogeu e decadência da civilização grega.

2.2.1. O PERÍODO HOMÉRICO

        As principais fontes históricas de informações sobre o período entre a invasão dórica e a organização das génos foram os poemas atribuídos a Homero, Ilíada e Odisséia. O primeiro trata da Guerra de Tróia e do modo de vida dos gregos naquele momento; a Odisséia fala do retorno dos heróis da guerra e da viagem de Ulisses.
        Com a invasão dórica, ocorreu um retrocesso da produção material e cultural da região. O ativo comércio desapareceu e as cidades foram abandonadas. Houve um retorno ao campo e à vida rural; a sociedade voltou a organizar-se em padrões mais simples.
        A sociedade grega neste período homérico passou a se organizar em génos (ou gens, espécie de clãs), por isso a chamamos de sociedade gentílica. A génos era uma comunidade formada por uma grande família, chefiada pelo patriarca. Esses agrupamentos sociais conseguiam assegurar sua sobrevivência mediante uma atividade coletiva, ou seja, o trabalho, os bens e a produção eram propriedade de todos.
        A sociedade gentílica desapareceu por diversos motivos. Naquele período a produção coletiva não foi capaz de acompanhar o aumento da população, gerando a fome. Diante desse quadro, os chefes de família e seus descendentes diretos acabaram acumulando as melhores terras, formando uma pequena aristocracia comandada pelo basileu (uma espécie de chefe militar-religioso), que foi se desenvolvendo com o tempo.
        A maioria empobrecida voltou-se para a atividade artesanal ou então deslocou-se para outras regiões em busca de novas terras. Toda essa grave situação gerou inúmeras disputas por terras entre as tribos, dando condições para o restabelecimento da escravização das tribos vencidas.
        Esse processo de desagregação das sociedades gentílicas e de reunião das génos resultou na formação das cidades-Estados gregas.

2.2.2. O PERÍODO ARCAICO

        O período Arcaico compreende do século VII ao século VI a.C.
        Com o fim da vida comunitária dos genos, teve início uma nova organização social e introduziu-se o modo de produção escravista.
        A maior parte dos trabalhos braçais era realizada por homens escravizados, o que possibilitou a liberação de uma parte da população para atividades menos penosas, como o comércio. Com o predomínio do modo de produção escravista, o trabalho produtivo foi considerado desprezível pelo homem livre.
        No período Arcaico, as famílias que possuíam as melhores terras produziam mais do que precisavam para si. Passaram, então, a trocar os produtos que sobravam. Isso deu impulso ao comércio entre diversas regiões gregas, e o artesanato também cresceu.
        Em conseqüência, diversas aldeias (antigos genos) tornaram-se cidades. Cada uma dessas cidades era como um país, pois tinha independência. Estamos falando da pólis, as cidades-Estados gregas.
        As cidades-Estados possuíam uma zona urbana e uma rural. Na área urbana, desenvolveu-se o artesanato, produzindo-se artigos como vidro, cerâmica, móveis, tecidos, armas etc. Na área rural, a população dedicava-se à criação de cabras, ovelhas, porcos e cavalos e ao cultivo de oliveiras, videiras, trigo e cevada.
        Assim, a Grécia Antiga não era um Estado único, com um governo para todos os gregos. Era, na verdade, um conjunto de diversas cidades-Estados, que tinham suas próprias leis, seu sistema de governo e seus costumes.
        O que unia as diversas cidades gregas eram alguns elementos culturais, como a língua (apesar dos dialetos regionais), as crenças religiosas, a proximidade geográfica e o sentimento comum de que eram bem diferentes dos bárbaros (povos que não falavam a língua grega).
        O mundo grego possuía diversas cidades-estados, como Messênia, Corinto, Tebas, Megara, Erétria, Argos e Olímpia. As que mais se destacaram foram Esparta e Atenas, pela liderança que exerceram entre os gregos.
        Esparta localizava-se na península do Peloponeso, na região da Lacônia. Tinha boas terras para o cultivo da vinha e da oliveira. Fundada pelos dórios, desde suas origens Esparta foi uma cidade militarista e oligárquica.
        O Estado espartano tinha como principal objetivo fazer de seus cidadãos um modelo ideal de soldado, bem treinado fisicamente, corajoso e totalmente obediente às leis e às autoridades.
        A sociedade espartana dividia-se em três categorias principais:

        Analisando a situação dessas categorias sociais, podemos perceber que somente os periecos, dominando o comércio e o artesanato, podiam enriquecer, desfrutando de conforto material e considerável liberdade. Os esparciatas, por sua vez cumpriam obrigações tão pesadas em relação ao Estado que acabavam se tornando escravos de suas próprias instituições militaristas. Quanto aos hilotas, sua vida não passava de opressão e miséria.
        Esparta era uma diarquia, isto é, era governada por dois reis, pertencentes a famílias diferentes e, muitas vezes, rivais. Entre suas funções destacavam-se os serviços de caráter militar e religioso.
        A administração política era exercida pelos seguintes órgãos:
        Atenas situa-se na parte central da planície da Ática, a cinco quilômetros do mar Egeu. O centro original da cidade ficava numa colina chamada acrópole (do grego ákros = alta, e pólis = cidade), o lugar mais protegido contra possíveis ataques de inimigos.
        Por causa das terras pouco férteis e do litoral próximo, os atenienses foram buscar alimentos no mar, tornando-se, assim, excelentes pescadores e marinheiros. Com o tempo, dominaram grande parte do comércio marítimo pelo Mediterrâneo.
        A sociedade ateniense dividia-se em três principais categorias:
        A monarquia em Atenas foi poderosa até meados do século VIII a.C. O rei governava, acumulando as funções de sacerdote, juiz e chefe militar.
        Depois, o poder em Atenas passou a ser exercido por uma oligarquia de nobres Esses nobres, chamados arcontes, formavam o Arcontado e eram eleitos eupátridas. Entre suas principais funções destacava-se o comando do exército, da justiça e da administração pública.
        Enquanto os nobres atenienses se tornavam donos da maior parte das terras cultiváveis, mandando e desmandando em quase tudo, os pequenos proprietários empobreciam e suas dívidas aumentavam. Os nobres passaram a apoderar-se das próprias pessoas dos devedores, fazendo-os escravos.
        Diante de tantos abusos da nobreza, grande número de atenienses (comerciantes, artesãos, camponeses) começou a exigir reformas sociais. Nos séculos VII e VI a.C., surgiram reformadores como Drácon e Sólon. Drácon impôs leis escritas acabando com as vendetas (guerras entre famílias por vinganças). Sólon libertou todos os cidadãos transformados em escravos. Essas reformas sociais fazem parte de um longo processo que culminou na criação de um novo regime político: a democracia ateniense.
        O criador da democracia em Atenas foi Clístenes, que ficou no poder de 510 a 507 a.C. Ele implantou uma série de regras sociais que introduziram o regime democrático. A principal delas dizia o seguinte: Toda os cidadãos têm o mesmo direito perante as leis. Essa igualdade de direitos é o que chamamos isonomia.
        Na democracia ateniense, entretanto, apenas os eupátridas, que constituíam 10% da população, eram considerados cidadãos. Conseqüentemente, os 90% restantes da população (escravo, estrangeiros, mulheres e crianças) não tinham direitos políticos, sendo, assim, excluídos da vida democrática.
        Podemos concluir, portanto, que a democracia ateniense era elitista (porque só uma minoria tinha direitos),patriarcal (porque excluía as mulheres) e escravista (porque eram os escravos que sustentavam a riqueza dos senhores).
        No século V a.C., Atenas atingiu grande esplendor sob a liderança de Péricles (499 a 429 a.C.), que durante quinze anos foi sucessivamente reeleito para o governo, ocupando o cargo de estratego, isto é, chefe do poder executivo.

2.2.3. PERÍODO CLÁSSICO

        O período conhecido como Grécia Clássica corresponde ao apogeu da cultura grega (principalmente de Antenas), interrompido pela conquista macedônica, mas abrange também acontecimentos como as guerras externas (contra os persas) e internas (Atenas x Esparta).
        Os conflitos entre os persas e os gregos (as guerras greco-pérsicas ou médicas) ocorreram basicamente em razão do expansionismo persa, que já havia atingido a Ásia Menor e ameaçava a Grécia e seus domínios na região.
        Os persas e os medos são povos de origem indo-européia, de características seminômades, que se estabeleceram na Ásia (no atual território do Irã) por volta de 2000 a.C.
        Em 559 a.C., chefiados por Ciro, os persas venceram os medos, após anos de submissão, e partiram a conquista dos assírios, já em franca decadência.
        Esse foi o início da formação de um grande império que atingiu na Ásia Menor, Egito, Fenícia, Mesopotâmia e parte da Grécia.
        Dario assumiu o poder (521-484 a.C.) e comandou a expansão e construção do império Persa. Ele centralizou a administração do império criando várias áreas administrativas (satrapias) gerenciadas pelos sátrapas ("os olhos e os ouvidos do rei"), fez com que fossem construídas inúmeras vias de comunicação e concentrou o poder em suas mãos.
        As guerras contra a Grécia começaram devido à política expansionista de Dario I.
        As guerras tiveram início quando a cidade de Mileto, localizada na Ásia Menor, revoltou-se contra o domínio persa e buscou a ajuda de Atenas. Dario I, rei da Pérsia, aproveitou-se do fato para declarar guerra a Atenas, iniciando a primeira guerra média (os gregos chamavam os persas de medos, por isso o nome médicas). Essa guerra foi vencida por Atenas, sob a liderança de Milcíades, na batalha de Maratona (490 a.C.).
        A derrota persa enfraqueceu o Império, que só teve condições de iniciar a segunda guerra em 480 a.C., com o filho de Dario, Xerxes. Na primeira derrotados. No ano seguinte voltaram a atacar Atenas, alcançando a vitória e destruindo parte da cidade; mas sua frota foi incendiada em Salamina. Graças a uma aliança de outras cidades gregas lideradas por Esparta, o exército persa foi derrotado quando se retirava por terra.
        Com a justificativa de se prevenir de novos ataques externos, Atenas organizou uma grande aliança marítima entre diversas cidades gregas, chamada de Confederação de Delos. O acordo estabelecia a independência política e ,militar das cidades, mas elas eram obrigadas a contribuir com navios, dinheiro e soldados. Levaram então a guerra às costas da Ásia, e os persas perderam suas possessões na Ásia Menor. Como centro da Confederação, Atenas foi muito beneficiada, impulsionando sua economia e cultura. Começava assim a hegemonia ateniense e seu período de apogeu.
        A cidade de Atenas atingiu seu apogeu no século V a.C. durante o governo de Péricles. No seu governo de 461 a 429 a.C., o escravismo chegou ao auge, dando condições econômicas para o desenvolvimento da cidade.
        As reformas políticas de Péricles ampliaram a democracia ateniense, permitindo uma maior participação dos cidadãos mais pobres nas assembléias e nas decisões de governo. Com relação à política externa, ele conseguiu estabelecer um grande tratado de paz com a Pérsia.
        A cidade foi reurbanizada e embelezada; foram construídos grandes monumentos; a produção artística e literária da época é fantástica. Por tudo isso, o século V a.C. é conhecido como a idade de ouro.
        Para se contrapor à hegemonia de Atenas, baseada na Confederação de Delos, esparta organizou várias cidades na Liga do Peloponeso. Essa luta pelo poder na região acabou desencadeando a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.).
        Após inúmeras batalhas entre as duas alianças lideradas por Esparta e Atenas, finalmente os espartanos saíram vitoriosos em 404 a.C., com a invasão e destruição de Atenas. Isso significou o fim da hegemonia de Atenas e, conseqüentemente, da democracia ateniense. A aristocracia, aliada dos espartanos, voltou ao poder; Esparta assumiu a liderança política da Grécia.
        O domínio espartano não durou muito. Os conflitos internos eram constantes, enfraquecendo o poder de Esparta. Em 371 a.C. ela teve que enfrentar Tebas, sendo derrotada.
        Até 362 a.C. a cidade-Estado de Tebas manteve fragilmente seu poder. Nesse ano foi derrotada por uma coligação de várias cidades gregas liderada por Antenas e Esparta. Esses conflitos internos acabaram enfraquecendo o mundo grego e decretando o fim da pólis. Em 338 a.C. Filipe II, rei da Macedônia, região ao norte da Grécia, conquistou Tebas, iniciando o domínio macedônico.

2.2.4. PERÍODO HELENÍSTICO

        O período Helenístico compreende do século III ao século I a.C.
        Depois de tantos anos de guerras internas, as cidades gregas estavam fracas e empobrecidas. Aproveitando-se do declínio e da fragilidade das cidades gregas, o rei Filipe da Macedônia preparou um poderoso exército para conquistar a Grécia.
        A Batalha de Queronéia (338 a.C.) foi o marco decisivo da vitória dos macedônios sobre os gregos. Em 336 a.C., o sucessor de Filipe, seu filho Alexandre Magno, assumiu o trono, dando continuidade à expansão militar macedônica.
        Alexandre sufocou definitivamente as revoltas das cidades gregas (Tebas e Atenas) e, depois, partiu com um poderoso exército de mais de 40 mil homens em direção ao Oriente. Obteve brilhantes vitórias militares na Ásia Menor, no Egito, na Mesopotâmia, na Pérsia e em regiões da Índia até o vale do rio Indo. Em dez anos, Alexandre Magno transformou o Império Macedônio em um dos maiores de toda a Antigüidade.
        Em 323 a.C., Alexandre morreu na Babilônia, vítima de uma violenta febre provocada pela malária. O Império Macedônio foi dividido entre os principais generais que o acompanharam nas campanhas de conquista: Seleuco, Ptolomeu e Antígono. Com o tempo, esses generais tornaram-se reis das regiões que comandavam e passaram a disputar áreas do antigo Império Macedônio. Posteriormente, a maioria dos territórios acabou sendo dominada, pouco a pouco, pelos romanos.

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