BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 50 - 04 de julho de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Chegamos ao número 50 do nosso Boletim com dois importantes
acontecimentos: a visita à Roma da delegação do Patriarcado de
Constantinopla (notícias 1 a 8) e a confirmação de que o diálogo
teológico entre católicos e ortodoxos recomeçará no próximo outono
europeu (notícia 9).

Peço a Deus para que este Boletim seja veículo de muitas outras
notícias sobre a maior aproximação entre cristãos orientais e
ocidentais.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
[email protected]


ÍNDICE

1 - Bento XVI: "unidade que buscamos não é nem absorção nem fusão"

2 - Unidade dos cristãos "não é nem absorção nem fusão", esclarece
Bento XVI

3 - Bento XVI espera que o primado papal não seja visto como
obstáculo à unidade. É «princípio e fundamento da unidade dos bispos
e de todos os fiéis»

4 - BENTO XVI PEDE A UNIÃO DE CRISTÃOS

5 - Bento XVI pede reinício do diálogo teológico com os ortodoxos

6 - Papa mostra determinação no compromisso ecuménico

7 - BENTO XVI RECEBE DELEGAÇÃO DO PATRIARCADO ECUMÊNICO DE
CONSTANTINOPLA

8 - Roma e Constantinopla cada vez mais perto. Bento XVI aposta numa
aproximação à Igreja Ortodoxa

9 - No outono europeu reiniciará o diálogo teológico da Igreja
católica com as ortodoxas

10 - PATRIARCA ORTODOXO DE MOSCOU ACENDERÁ "CHAMA DA PAZ" BENEDITINA
QUE PERCORRERÁ PAÍSES EUROPEUS

11 - NA UCRÂNIA PROSSEGUE CONFLITO ENTRE ORTODOXOS E GREGO-CATÓLICOS

12 - Procissão religiosa ortodoxa Moscou-Minsk-Kiev chegou na capital
da Belarus

13 - IGREJA ARMÊNIA QUER MANTER DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO COM O IRÃ

14 - BISPOS ETÍOPES PUBLICAM NOTA, PEDINDO PAZ, TOLERÂNCIA E BOA
VONTADE

15 - IRAQUE: "Apesar das violências, os cristãos iraquianos estão em
pleno fermento: reconstroem igrejas, publicam jornais e sites na
Internet" diz Pe. Nizar Semaan à Fides


NOTÍCIAS


1 - Bento XVI: "unidade que buscamos não é nem absorção nem fusão"

Agência EFE 30/06/05

Bento XVI reiterou a uma delegação do Patriarcado Ecumênico de
Constantinopla seu compromisso para conseguir a união dos cristãos,
ressaltando que a unidade que os católicos buscam "não é nem absorção
nem fusão, mas respeito à versátil plenitude da Igreja".
O papa fez estas declarações no discurso que dirigiu aos bispos
metropolitanos de Pérgamo, Ioannis, e de Sassima, Gennadios, e ao
arquimandrita Bartolomeu, subsecretário do Sínodo de Bispo do
Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, que assistem no Vaticano aos
atos de festividade de São Pedro e de São Paulo.

Após agradecer a presença, o Pontífice ressaltou os passos dados em
direção à unidade, entre eles o abraço em Jerusalém em 1984 entre o
papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras, e a anulação das recíprocas
condenações de 1054, quando aconteceu o cisma que separou as igrejas
do Oriente e do Ocidente.

"Reitero o firme propósito de trabalhar com mais atenção na unidade.
Certamente é um caminho longo e difícil, marcado a princípio por
temores e nervosismo, mas cada vez se torna mais fácil e consciente",
disse o papa.

Joseph Ratzinger acrescentou que o caminho já rendeu frutos
consideráveis, e ofereceu garantias aos presentes de que apoiará o
patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, na retomada dos
trabalhos da Comissão Mista Internacional Católico-Ortodoxa.

O Pontífice afirmou que, se Cristo chama seus discípulos para
construir a unidade na caridade e na verdade e a separação prejudica
a credibilidade dos seguidores de Cristo na difusão do Evangelho, as
duas igrejas têm de analisar com clareza e boa vontade as
diferenças "com a íntima convicção de que elas podem ser resolvidas".

"A unidade que nós buscamos não é nem absorção nem fusão, mas
respeito à versátil plenitude da Igreja, que, conforme a vontade de
seu fundador, Jesus Cristo, tem de ser sempre uma, santa, católica e
apostólica", ressaltou.

Na quarta-feira, durante um missa em homenagem aos apóstolos Pedro e
Paulo, Bento XVI fez um apelo em favor da unidade dos cristãos e
afirmou que nos momentos atuais da História, "cheios de ceticismo e
dúvidas", é necessário que os seguidores de Cristo testemunhem juntos
e que essa unidade seja visível no mundo.

O Pontífice também disse que o Ministério de Pedro, ou seja, o
Governo do papa, é o que garante a unidade da Igreja de todas as
partes e de todos os tempos, "cuidando dessa forma para que ninguém
deslize em falsas autonomias, que facilmente se transformam em
problemas da Igreja e podem comprometer sua independência interna".

O papa defendeu nesta quinta-feira que seu Ministério não seja visto
como um obstáculo, mas como uma ajuda no caminho em direção à unidade
dos cristãos, que espera que aconteça o mais rápido possível.


2 - Unidade dos cristãos "não é nem absorção nem fusão", esclarece
Bento XVI

VATICANO, 30 Jun. 05 (ACI).- O Papa Bento XVI reiterou seu
compromisso de impulsionar a unidade dos cristãos e precisou que
esta "não é nem absorção nem fusão", ao receber aos membros da
delegação enviada a Roma por Bartolomeu I, Patriarca ecumênico de
Constantinopla, com motivo da solenidade dos Santos apóstolos Pedro e
Paulo.
"A unidade que procuramos não é nem absorção nem fusão, mas sim
respeito da plenitude multiforme da Igreja que, conforme à vontade de
seu fundador Jesus Cristo, deve ser sempre uma, santa, católica e
apostólica", indicou o Pontífice.
"Se for verdade que o Senhor chama com força a seus discípulos a
construir a unidade na caridade e na verdade; se for verdade que o
chamado ecumênico constitui um convite urgente a reedificar na
reconciliação e na paz a unidade gravemente danificada entre todos os
cristãos; se não podermos ignorar que a divisão faz menos eficaz a
santíssima causa da pregação do Evangelho a todas as criaturas como
podemos rechaçar a tarefa de examinar com claridade e boa vontade
nossas diferenças, as abordando com a convicção íntima de que temos
que resolve-las?", explicou.
O Papa sublinhou o "diálogo de caridade" entre católicos e
ortodoxos. "Nosso caminho é longo e não é fácil -disse Bento XVI ,
mas viu crescer a esperança de um sólido "diálogo da verdade" e de um
processo de clarificação histórica e teológica que já deu frutos
apreciáveis".
Do mesmo modo, advertiu a necessidade de unir nossas forças e não
poupar energias para que o diálogo teológico oficial, começado em
1980, entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas em seu
conjunto, se reinicie com vigor renovado".
O Santo Padre expressou seu "agradecimento ao patriarca Bartolomeu,
que trabalha para reativar os trabalhos da Comissão mista
internacional católica-ortodoxa. Asseguro-lhe que é minha firme
vontade apoiar e impulsionar essa ação. A investigação teológica, que
deve fazer frente a questões complexas e achar soluções não
redutivas, é um compromisso sério, ao que não podemos renunciar".
O Santo Padre pediu à delegação informar ao Patriarca de
seu "intenção de prosseguir com determinação firme a busca da plena
unidade entre todos os cristãos".
A delegação ecumênica tradicionalmente visita Roma em 29 de junho e
uma romana visita Istambul em 30 de novembro, festividade de Santo
André, padroeiro do patriarcado ecumênico.


3 - Bento XVI espera que o primado papal não seja visto como
obstáculo à unidade. É «princípio e fundamento da unidade dos bispos
e de todos os fiéis»

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 30 de junho de 2005 (ZENIT.org).-
Bento XVI espera que o primado do bispo de Roma não seja visto como
um obstáculo, mas como um apoio para a unidade plena entre as Igrejas
e confissões cristãs.

O Santo Padre confessou esse desejo antes de rezar a oração mariana
do Ângelus, na quarta-feira, com os fiéis reunidos na Praça de São
Pedro, muitos dos quais haviam assistido à missa em que outorgou o
Pálio a 32 arcebispos metropolitanos.

Dessa celebração eucarística, por ocasião da solenidade dos santos
Pedro e Paulo apóstolos, fundadores da diocese de Roma, participou
uma delegação do patriarcado ecumênico de Constantinopla, «primus
inter pares» entre as Igrejas ortodoxas.

«Como bispo de Roma, o Papa desempenha um serviço único e
indispensável para a Igreja universal: é o princípio e fundamento
perpétuo e visível da unidade dos bispos e de todos os fiéis»,
começou constatando o bispo da cidade eterna no dia de seus patronos.

«Sinal litúrgico da comunhão que une à Sé de Pedro e ao sucessor os
metropolitanos, e através deles, os demais bispos do mundo é o
Pálio», que acabava de impor.

Após saudar a delegação procedente de Constantinopla,
perguntou: «como não recordar que o primado da Igreja que está em
Roma e de seu bispo é um primado de serviço à comunhão católica?».

«A partir do duplo acontecimento do martírio de Pedro e Paulo, todas
as Igrejas começaram a olhar para a de Roma como ponto de referência
central para sua unidade doutrinal e pastoral», recordou.

Citando a constituição «Lumen Gentium» (n. 13), do Concílio Vaticano
II, declarou: «na comunhão eclesial existem legitimamente igrejas
particulares com tradições próprias, sem detrimento do primado da
cátedra de Pedro, que preside à universal assembléia da caridade,
protege as legítimas diversidades e vigia para que as
particularidades ajudem a unidade e de forma alguma a prejudiquem».

Por isso, desejo que «o ministério petrino do bispo de Roma não seja
visto como obstáculo, mas como apoio ao caminho no caminho da
unidade».

Após rezar o Ângelus, o Papa almoçou na Casa de Santa Marta (onde
aconteceu o conclave) junto a vários membros da Cúria romana com a
delegação do patriarcado ecumênico de Constantinopla.


4 - BENTO XVI PEDE A UNIÃO DE CRISTÃOS

CIDADE DO VATICANO, 30 JUN (ANSA) - O papa Bento XVI disse hoje que
tem "determinação firme" para avançar na plena unidade entre os
cristãos, ao receber a delegação do Patriarcado Ecumênico de
Constantinopla.
Ao saudar o papa Bartolomeu, o Papa se referiu ao propósito
de "continuar com a firme determinação na busca da plena unidade
entre todos os cristãos". "Queremos juntos continuar o caminho da
comunhão, dar juntos novos passos e gestos, que conduzam para superar
as incompreensões e divisões".
Bento XVI também enfatizou a importância da habitual participação de
uma delegação ortodoxa nas celebrações de Pedro e Paulo, fundadores
da Igreja de Roma, e de uma delegação católica nos festejos de
Andrés, padre da Igreja de Constantinopla.
Além disso, o Papa destacou a necessidade de unir forças e de não
economizar energias para que o diálogo teológico oficial, iniciado em
1980, entre a Igreja Católica e as igrejas ortodoxas em seu conjunto,
retome um vigor renovado. (ANSA)
30/06/2005


5 - Bento XVI pede reinício do diálogo teológico com os ortodoxos

Parado desde o ano 2000 por causa de diferenças sobre os católicos
orientais

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 30 de junho de 2005 (ZENIT.org ).-
Bento XVI pediu esta quinta-feira, ao receber uma delegação do
patriarcado ecumênico de Constantinopla, o reinício do diálogo
teológico oficial com as Igrejas ortodoxas, bloqueado desde o ano
2000.

A delegação, guiada pelo metropolita de Pérgamo Ioannis (Zizioulas),
participou em 29 de junho da missa da solenidade dos santos Pedro e
Paulo, presidida pelo Papa na Basílica de São Pedro.

«Vive-se a necessidade de unir as forças e não economizar energias
para que o diálogo teológico oficial, começado em 1980, entre a
Igreja católica e as Igrejas ortodoxas em seu conjunto, reinicie-se
com renovado vigor», afirmou o Papa na audiência que concedeu a seus
hóspedes ortodoxos.

O diálogo teológico oficial realiza-se através de uma Comissão Mista
Internacional Católico-Ortodoxa, da qual formam parte representantes
da Igreja católica e de diferentes Igrejas ortodoxas.

O trabalho da Comissão está bloqueado desde a reunião celebrada no
ano 2000 em Baltimore (Estados Unidos), pois surgiram claras divisões
ao discutir o tema previsto para essa ocasião: «Implicações
teológicas e canônicas do uniatismo», termo com o qual os ortodoxos
se referem aos cristãos de países de tradição ortodoxa em união com o
Papa.

Na audiência, o Papa agradeceu o patriarca de Constantinopla,
Bartolomeu I, pois «está-se entregando para reativar o trabalho da
Comissão».

«É minha firme vontade apoiar e alentar este trabalho --assegurou o
pontífice--. A busca teológica, que tem de enfrentar questões
complexas e encontrar soluções que não sejam redutivas, é um
compromisso sério, do qual não podemos eximir-nos».

«Se não podemos ignorar que a divisão faz menos eficaz a santíssima
causa da pregação do Evangelho a toda criatura, como podemos eximirmo-
nos da tarefa de examinar com clareza e boa vontade nossas
diferenças, enfrentando-as com a íntima convicção de que sejam
resolvidas», perguntou o Papa.

Bento XVI declarou que «a unidade que buscamos não é absorção nem
fusão, senão o respeito da multiforme plenitude da Igreja, que,
segundo a vontade de seu fundador, Jesus Cristo, deve ser sempre una,
santa, católica e apostólica».

Por último, o bispo de Roma manifestou a riqueza que as Igrejas do
Oriente contribuem, em particular as ortodoxas, à própria Igreja
católica.

Citando o decreto do Concílio Vaticano II, «Unitatis redintegratio»
(número 17), afirmou: «Não admira, por isso, que alguns aspectos do
mistério revelado sejam por vezes apreendidos mais convenientemente e
postos em melhor luz por um que por outro. Nestes casos, deve dizer-
se que aquelas várias fórmulas teológicas, em vez de se oporem, não
poucas vezes se completam mutuamente».


6 - Papa mostra determinação no compromisso ecuménico

Agência Ecclesia 30/06/2005

Bento XVI confirmou hoje a sua "firme determinação" de empenhar-se
pela "plena unidade" entre todos os cristãos.
Recebendo uma delegação do Patriarcado Ortodoxo de Constantinopla, o
Papa assinalou que o diálogo ecuménico "é um caminho longo, não
fácil, marcado desde o início por receios e hesitações".
Após agradecer os esforços de Bartolomeu I, Patriarca ecuménico,
Bento XVI desejou o restabelecimento dos trabalhos da comissão mista
internacional católico-ortodoxa encarregada do diálogo teológico
entre as duas Igrejas. Segundo o Papa, é fundamental alimentar
um "diálogo de verdade", baseado numa clarificação teológica e
histórica.
"É necessário unir as nossas forças e não poupar energias, a fim de
que o diálogo oficial entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas,
começado em 1980, possa ser retomado com vigor renovado", apontou.
O Papa, que não esconde as diferenças que separam estas Igrejas,
procurou descansar os seus interlocutores aos afirmar que "a unidade
procurada pela Igreja Católica não é nem absorção nem fusão, mas o
respeito por uma Igreja Cristã multiforme". Nesse sentido, deixou um
convite a todos os cristãos para que "dêem, em conjunto, novos passos
e promover novos gestos que possam permitir a superação das
incompreensões e as divisões que ainda as separam".
Ontem, no Vaticano, a solenidade litúrgica de São Pedro e São Paulo,
apóstolos fundadores da Igreja de Roma, fora aproveitada pelo Papa
para reafirmar a importância do seu ministério enquanto garante
da "unidade", assinalando que "como Bispo de Roma, o Papa desenvolve
um serviço único e indispensável à Igreja universal: é o visível e
perpétuo princípio e fundamento da unidade dos Bispos e de todos os
fiéis".
Citando a constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, o Papa
disse que "na comunhão eclesiástica estão legitimamente as Igrejas
particulares, com as suas próprias tradições, permanecendo íntegro o
primado da Cátedra de Pedro, a qual preside na comunhão universal da
caridade, protege a variedade legítima e zela para que aquilo que é
particular, não só não corroa a unidade, mas a sirva".
Nesse mesmo dia, Bento XVI disse à delegação ortodoxa que "o primado
da Igreja que está em Roma e o do seu Bispo é um primado de serviço à
comunhão católica", sendo a referência central para a unidade
doutrinal e pastoral.


7 - BENTO XVI RECEBE DELEGAÇÃO DO PATRIARCADO ECUMÊNICO DE
CONSTANTINOPLA

Cidade do Vaticano, 30 jun (Rádio Vaticano) - Bento XVI recebeu em
audiência, esta manhã, uma delegação do Patriarcado Ecumênico de
Constantinopla.
"Prosseguir com firme determinação, na busca da plena unidade entre
todos os cristãos". Com essas palavras, o Papa reiterou seu
compromisso de trabalhar pela unidade dos cristãos, superando as
incompreensões e as divisões do passado.
Queremos continuar juntos no "caminho da comunhão e realizar juntos
novos passos e gestos, que conduzam a superar as permanentes
incompreensões e divisões". "Para restabelecer a comunhão e a unidade
_ advertiu o Santo Padre _ é preciso não impor outras dificuldades
além das coisas necessárias."
O Papa ressaltou a experiência do "diálogo da caridade" inaugurado
por Paulo VI e pelo Patriarca Atenágoras. E não deixou de recordar os
gestos de seu venerado predecessor, João Paulo II, para reiterar o
firme compromisso de trabalhar sem cessar em vista da plena unidade.
Os resultados obtidos nos últimos dez anos, prosseguiu, devem,
portanto, levar católicos e ortodoxos a prosseguir no caminho do
ecumenismo.
"Certamente _ constatou o Santo Padre _ o nosso caminho é longo e
difícil, marcado, no início, por temores e hesitações, mas depois,
cada vez menos dificultoso e mais consciente."
O Papa expressou seus sentimentos de reconhecimento ao Patriarca
Bartolomeu I, que está se prodigalizando para reativar os trabalhos
da comissão mista internacional católico-ortodoxa.
"A unidade que buscamos _ concluiu Bento XVI _ não é nem absorção nem
fusão, mas respeito pela multiforme plenitude da Igreja a qual,
conformemente à vontade de seu fundador Jesus Cristo, deve ser sempre
una, santa, católica e apostólica." (RL)


8 - Roma e Constantinopla cada vez mais perto. Bento XVI aposta numa
aproximação à Igreja Ortodoxa

Agência Ecclesia 01/07/2005

O caminho para a comunhão entre Roma e Constantinopla foi, esta
semana, cimentado com novos gestos que vincam a vontade de Católicos
e Ortodoxos em assumir o compromisso de caminhar rumo à unidade "na
caridade e na verdade".
A celebração de São Pedro e São Paulo, as traves mestras da Igreja
primitiva, foi a ocasião para que Bento XVI e o Patriarcado ecuménico
de Constantinopla trocassem impressões sobre a possibilidade de
reiniciar o diálogo teológico entre as duas Igrejas, após 12 anos de
interrupção. O líder da delegação enviada por Bartolomeu I abriu
caminho ao entendimento, anunciando que "as Igrejas Ortodoxas
responderam positivamente ao pedido de nomearem dois delegados para a
comissão internacional".
Bento XVI pedirá à delegação chefiada pelo metropolita Ioannis, de
Pérgamo (Zizioulas), que o diálogo teológico oficial, começado em
1980, entre a Igreja católica e as Igrejas Ortodoxas no seu
conjunto "se reinicie com renovado vigor". O diálogo teológico
oficial realiza-se através de uma Comissão Mista Internacional
Católico-Ortodoxa, da qual fazem parte representantes da Igreja
católica e de diferentes Igrejas Ortodoxas.
Apesar de todos reconhecerem a importância deste diálogo, a sua
verdadeira dimensão requer um olhar sobre a história: a separação das
duas comunidades cristãs foi consumada em 1054 e só conheceu
melhorias nas últimas quatro décadas. O problema fundamental é mesmo
de carácter teológico: o primado de Pedro.
O Patriarca Bartolomeu I é considerado o primus inter pares e líder
espiritual dos 200 milhões de cristãos ortodoxos, mas não é o "Papa"
da Igreja Ortodoxa, dado que nela os bispos têm todos o mesmo lugar e
a primazia de Constantinopla é apenas honorífica.
Bento XVI, teólogo de referência, sabe muito bem quais são as
diferenças que separam as duas Igrejas e não foge ao tema. No
Vaticano falou do primado do Papa "como um primado de serviço à
comunhão católica (universal)" e assegurou que a unidade que procura
desde o início do seu pontificado, entre todos os cristãos, não
é "nem absorção, nem fusão".
Bartolomeu I foi sempre um parceiro de diálogo privilegiado de João
Paulo II, bem ao contrário do Patriarca Ortodoxo de Moscovo, Alexis
II. A maneira calorosa como a delegação do Patriarcado ecuménico foi
recebido no Vaticano contrasta, tremendamente, com a frieza que
marcou, na semana passada, a recepção do Cardeal Walter Kasper,
presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, em
Moscovo.
João Paulo II apresentou ao Patriarcado de Constantinopla, druante o
seu pontificado, um pedido público de desculpas pelo ataque dos
cruzados em 1204 e devolveu as relíquias de São João Crisóstomo e de
São Gregório de Nazianzo, Doutores da Igreja.
No dia 1 de Julho de 2004, o Papa polaco e o Patriarca Ortodoxo de
Constantinopla assinavam no Vaticano uma declaração comum onde
assumiam "a plena vontade de continuar no caminho rumo à plena
comunhão entre nós, em Cristo". Apesar dos "muitos passos positivos"
que as duas partes assinalavam, a declaração comum não esconde os
obstáculos que o caminho ecuménico tem encontrado desde o histórico
encontro entre Paulo VI e Atenágoras I, em Jerusalém, no ano de 1964,
em que se levantaram as excomunhões recíprocas.

Octávio Carmo


9 - No outono europeu reiniciará o diálogo teológico da Igreja
católica com as ortodoxas

Segundo revela o cardeal Walter Kasper

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 4 de julho de 2005 (ZENIT.org ).-
No próximo outono europeu reiniciará o diálogo teológico
internacional entre as Igrejas ortodoxas e a católica, revelou o
cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos.

Era uma das propostas de Bento XVI à delegação do patriarcado
ecumênico de Constantinopla que esteve no Vaticano nos dias 29 e 30
de julho, por ocasião da solenidade dos santos Pedro e Paulo.

Em declarações a «Rádio Vaticano» esse sábado, o cardeal Kasper
confirma que a delegação comunicou «oficialmente que no outono
poderemos retomar o diálogo internacional com todas as Igrejas
ortodoxas».

O diálogo teológico oficial, que acontece através de uma Comissão
Mista Internacional católico-ortodoxa, da qual formam parte
representantes da Igreja católica e de diferentes Igrejas ortodoxas,
estava bloqueado desde a reunião celebrada no ano 2000 em Baltimore
(Estados Unidos), por causa das divisões surgidas sobre o tema
daquele encontro.

O tema, «Implicações teológicas e canônicas do uniatismo», referia-se
ao termo com o qual os ortodoxos falam dos cristãos de países de
tradição ortodoxa em união com o Papa.

O purpurado alemão visitou entre 20 e 23 de junho Moscou e ali
recebeu a disponibilidade da Igreja ortodoxa russa para participar
deste diálogo.

O tema que o diálogo teológico entre católicos e ortodoxos enfrentará
em um primeiro momento será «Igreja, o que significa, na realidade?»,
revela o purpurado.

«Portanto, falaremos da comunidade eclesial e neste contexto
discutiremos a questão neurálgica com a ortodoxia, ou seja, o primado
do ministério petrino», explica, em referência à concepção do papel
do bispo de Roma.

«Neste âmbito, depois, será possível também reiniciar a questão da
Igreja "uniata" --revela--. Creio que neste momento estes são os
aspectos que há que considerar. Não será uma discussão fácil, mas
finalmente discutiremos abertamente os problemas que existem entre
nós».

Pelo que se refere a sua viagem a Moscou, o cardeal Kasper explica
que «a atmosfera foi cordial e cortês; não a definiria calorosa, mas
seguramente fraternal».

«Raciocinamos sobre os âmbitos nos quais podemos colaborar, sobretudo
no campo social e cultural, e sobre como podemos oferecer um
testemunho comum contra o atual secularismo. Aqui há possibilidade de
encontro», indica.

«Dizemos também que seria desejável que se verificassem encontros
entre mosteiros, considerando a grande importância que na Igreja
ortodoxa tem o monaquismo», acrescenta.

«As perspectivas são totalmente positivas», conclui.


10 - PATRIARCA ORTODOXO DE MOSCOU ACENDERÁ "CHAMA DA PAZ" BENEDITINA
QUE PERCORRERÁ PAÍSES EUROPEUS

Moscou, 1º jul (Rádio Vaticano) - O Patriarca Ortodoxo de Moscou,
Aleksej II, acenderá, neste sábado, a "chama da paz" levada por
beneditinos.
A comitiva que levará a chama beneditina a vários países europeus,
partiu hoje, de Núrcia, no coração da Itália, com destino a Moscou,
capital da Rússia.
A delegação é acompanhada pelo Arcebispo de Spoleto-Núrcia, Dom
Riccardo Fontana, e pelo Prefeito de Núrcia, cidade natal de São
Bento, além de outras autoridades beneditinas.
Está previsto para este sábado, um encontro na sede do Patriarcado
Ortodoxo russo, com o Metropolita ortodoxo Kyrill, com o Arcebispo da
Arquidiocese moscovita da "Mãe de Deus", Dom Tadeusz Kondrusiewicz, e
com o Núncio Apostólico na Rússia, Dom Antonio Mennini.
O Patriarca Ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias, Aleksej II,
acenderá a chama da paz neste sábado, numa cerimônia que se realizará
no mosteiro de São Sergio Radonetz, o santo mais venerado na Rússia.
Depois de passar pela Alemanha, a chama da paz chegará, no dia 6 de
julho, a Roma, onde será abençoada por Bento XVI. (WM)


11 - NA UCRÂNIA PROSSEGUE CONFLITO ENTRE ORTODOXOS E GREGO-CATÓLICOS

Aleksei Makarkin, vice-director-geral do Centro de Tecnologias
Políticas - RIA "Novosti" 04/07/5

Na Transcarpátia está a agravar-se o conflito entre as comunidades
rtodoxa e católica de rito bizantino. O pároco da catedral ortodoxa
de Exaltação da Cruz, protopresbítero Dimitri Sidor, acusou as
comunidades grego-latinas de "expansão sem precedentes na cidade de
Ujgorod, baluarte da ortodoxia naquela região". Em particular, os
fiéis ortodoxos estão apreensivos com os planos de construção de um
conjunto de igrejas grego-católicas perto da já referida catedral da
Exaltação da Cruz. Segundo assinalam, tal decisão poderá "agravar as
controvérsias inter-religiosas naquela cidade". Cumpre recordar que
o conflito entre os ortodoxos e grego-católicos (uniatas) da Ucrânia
tem uma historia de muitas décadas. Em 1946, por indicação de
Estaline, a igreja grego-católica foi interdita, tendo passado a
actuar na clandestinidade. Foi legalizada só nos anos da perestroika
que coincidiram com a partilha dos bens pertencentes à Igreja.
Algumas paróquias passaram a ser patrocinadas pela igreja grego-
latina, outras passaram a pertencer à igreja ortodoxa de rito
bizantino pela força ou depois de sérios conflitos. Na Ucrânia
ocidental, a Transcarpátia tinha sido até recentemente a única região
onde a Ortodoxia mantinha firme as suas posições, correndo agora o
risco de perdê-las. Note-se que, em 2004, na Ucrânia estavam
registradas 10.310 paróquias da Igreja Ortodoxa Ucraniana e 3.328
paróquias da igreja grego-latina. Normalmente, os ortodoxos reagem a
tal expansão por meio de piquetes e outras acções de protesto,
inclusive apelos enérgicos às autoridades locais. Mas neste caso,
tais medidas não seriam muito convincentes para a mentalidade dos
europeus (a Ucrânia pertence ao Conselho da Europa). Não se trata de
expulsão de paroquianos, mas sim de obras de construção de novas
igrejas grego-latinas, para as quais as autoridades já concederam
terrenos. Entretanto, para a Europa contemporânea e secularizada, os
argumentos das "raízes históricas da ortodoxia apostólica" parecem
profundamente arcaicos por "não corresponderem às normas do direito
contemporâneo e aos princípios da livre iniciativa e da concorrência
de produtos, ideologias e religiões". É talvez por isso que, neste
caso, os ortodoxos optaram por uma via extraordinária, tendo
anunciado a intenção de erguer um templo no centro da cidade, em
frente da catedral grego-católica. Deste modo, trata-se de uma medida
de resposta, em plena harmonia com as normas democráticas. Se os
poderes municipais derem uma resposta negativa, poderão ser
criticados por "discriminação de uma confissão religiosa". Mais do
que isso, a igreja que os crentes ortodoxos pretendem construir terá
o nome do venerado Aleksei (Kabaliuk), uma figura de relevo na
Transcarpátia. Nascido numa família de católicos de rito bizantino,
ele, enquanto jovem, passou a pertencer à Igreja Ortodoxa, tornou-se
sacerdote e desempenhou um importante papel no ressurgimento da
Igreja Ortodoxa naquela região. Por causa da sua actividade
missionária, foi alvo de numerosas perseguições por parte dos poderes
hungaro-austríacos, que suspeitavam os ortodoxos de "simpatias
políticas em relação à Rússia". Antes da Primeira Guerra Mundial, o
padre Aleksi foi condenado a pena de prisão, mas, depois de posto em
liberdade, não deixou de ser um incontestável líder dos ortodoxos até
morrer em 1947. O padre Alexi, visto como herói pela comunidade
ortodoxa, foi canonizado em 2001. No entanto, para os grego-
católicos, ele é um "herege" e opositor irreconciliável. E evidente
que qualquer conflito religioso pode vir a ter consequências nefastas
para os cristãos que, em detrimento de oração, se vêem envolvidos em
brigas utilizadas por diversas forças políticas. Assim, nas recentes
presidenciais ucranianas, a maior parte dos "uniatas" (católicos de
rito bizantino) manifestaram apoio do candidato Viktor Yuschenko,
enquanto os ortodoxos se solidarizaram com Viktor Yanukovitch. No
entanto, quando o conflito já foi demasiado longe, tais medidas de
resposta empreendidas pelos ortodoxos da Transcarpátia são
perfeitamente lógicas e justificadas.


12 - Procissão religiosa ortodoxa Moscou-Minsk-Kiev chegou na capital
da Belarus

Voz da Rússia 30/06/05

A procissão religiosa ortodoxa Moscou-Minsk-Kiev, dedicada ao 60o ano
da Grande Vitória, chegou nesta quinta-feira a capital da Belarus. Os
participantes desta marca religiosa trazem consigo o Fogo Sagrado de
Jerusalém e uma coleção única de ícones milagrosos. Nessa longa
viagem eles partiram com a benção do patriarca da Igreja Ortodoxa
Russa Alexi II. A procissão saiu do Kremlin de Moscou em 24 de maio,
Dia da Escrita Eslava e Cultura. Na capital da Belarus os
participantes da marcha chegam na véspera do 61o aniversário da
libertação de Minsk dos invasores nazi-fascistas. A procissa se
encerra em Kiev, como se supõe, em 28 de julho na festa de São
Vladimir


13 - IGREJA ARMÊNIA QUER MANTER DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO COM O IRÃ

www.armenia.com.br 01/07/05

Yerevan (Armenpress) - O Reverendo Yeznig Petrossian, responsável
pelo Departamento de Relações Inter-Igrejas e Religiosas da Sede da
Igreja Armênia em Etchmiadzin, visitou o Centro Cultural Iraniano em
29/06, que é filiado à Embaixada do Irã em Yerevan, onde teve um
encontro com Reza Atufi, responsável pelo Centro Cultural. Durante o
encontro foram verificadas as perspectivas de se iniciar um diálogo
inter-religioso entre a Igreja Armênia e a República Islâmica do Irã.


14 - BISPOS ETÍOPES PUBLICAM NOTA, PEDINDO PAZ, TOLERÂNCIA E BOA
VONTADE

Adis-Abeba, 29 jun (Rádio Vaticano) - As recentes eleições políticas
na Etiópia foram um "importante passo avante rumo à democracia e à
participação ativa do povo etíope". É o que dizem os bispos desse
país africano que, com um documento publicado nesta terça-feira,
apelam em favor da "paz, da tolerância e da boa vontade". Para além
dessa nota positiva de otimismo, os bispos etíopes lamentam também os
episódios de violência ocorridos depois das legislativas de 15 de
maio, que deixaram um saldo de pelo menos 36 civis mortos pela
repressão desencadeada pela polícia. Na mensagem, assinada por 11
bispos e responsáveis pela Igreja etíope, os signatários convidam os
políticos "a elevarem a qualidade de vida das pessoas, criando um
clima de respeito recíproco". Os resultados das eleições,
contestados pela oposição e pelos protestos de rua, por presumíveis
fraudes, ainda não foram divulgados. Deveriam ser anunciados dia 8 de
julho próximo, mas segundo fontes locais, essa data poderia ainda
adiada. (PL)


15 - IRAQUE: "Apesar das violências, os cristãos iraquianos estão em
pleno fermento: reconstroem igrejas, publicam jornais e sites na
Internet" diz Pe. Nizar Semaan à Fides

Bagdá (Agência Fides)- "Vivemos uma situação certamente difícil. O
terrorismo parece onipresente e onipotente. Todos os dias, há
atentados com mortos e feridos. Não podemos negar isso, mas não
podemos esconder, ao mesmo tempo, que a maior parte dos iraquianos
quer sair desta situação e está trabalhando para criar um País
melhor" - diz à Agência Fides Pe. Nizar Semaan, saccerdote siríaco de
Mosul, no norte do Iraque.
"Não obstante a violência, depois da queda do regime, a comunidade
cristã no norte do Iraque está em forte fermento: Igrejas e edifícios
sagrados estão sendo reconstruídos; jornais e revistas são
publicados; estão sendo experimentadas novas tecnologias, como
Internet, em atividades pastorais e de comunicação" - diz Pe.
Nizar. "Na minha aldeia, Karakosh, cujos 25 mil habitantes são
cristãos, um centro rádio católico está sendo construído, enquanto 3
mil crianças e jovens, assistidos por 200 catequistas, farão
catecismo durante o verão".
"Todas estas atividades são a demonstração de que os cristãos
iraquianos querem permanecer em seu País. Por que reconstruir uma
igreja e ir embora?" diz Pe. Nizar. "Certo, muitos cristãos foram
obrigados a fugir. Mas isto aconteceu em Bagdá, aonde a situação é
mais difícil. A maior parte das pessoas que foram para o exterior não
vendeu suas casas e continua a voltar ao Iraque" - destaca o
sacerdote.
"Além da insegurança, o outro grande problema que o Iraque enfrenta é
o fornecimento de eletricidade e água. Infelizmente, a maior parte
dos iraquianos tem acesso a estes serviços somente poucas horas por
dia, o que determina uma situação dramática, especialmente no verão,
quando a temperatura chega a 50 graus" - recorda o sacerdote
iraquiano.
"Entendo que haja contínuas sabotagens nas infra-estruturas, mas,
francamente, dois anos depois da queda do regime e da posse da nova
administração, poderia haver um esforço maior para garantir
continuamente água e eletricidade aos iraquianos" - diz Pe. Nizar,
que ressalta que melhorar as condições de vida da população é útil
para a pacificação do País: "Diante destas dificuldades, é fácil para
os terroristas afirmar que o governo não mantém suas promessas".
(L.M.) (Agência Fides 28/6/2005)


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