BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 49 -
29 de junho de 2005
MENSAGEM
Prezados
Irmãos em Cristo,
Comemoramos
hoje a festa dos Apóstolos Pedro e Paulo, duas pessoas
agiram de
modo diverso na missão de espalhar a Boa Nova de Jesus
Cristo,
mas que souberam manter a unidade, apesar de suas diferenças.
Que São
Pedro e São Paulo, que são comemorados tanto no Oriente como
no
Ocidente na mesma data, sejam grandes exemplos para os cristãos do
nosso
tempo.
Ressalto
que no final do Boletim está a resenha do livro "Os
Ortodoxos",
de Enrico Morini, recém lançado pelas Edições Paulinas.
Saudações
em Cristo,
Luis
Felipe
[email protected]
ÍNDICE
1 -
Solenidade de Pedro e Paulo, festa da unidade da Igreja, deseja o
Papa. Dá
as boas-vindas, com antecipação, a uma delegação do
patriarcado
de Constantinopla
2 - Papa
salienta compromisso com unidade cristã
3 - Papa
pede que seu ministério não seja obstáculo à unidade cristã
4 - Papa
assume liderança no caminho ecuménico
5 - PAPA
AGRACEDE EMPENHO DA R.O.A.C.O. TRABALHO DESEMPENHADO ENTRE
COMUNIDADES
CARENTES
6 - SANTA
SÉ APÓIA INTENÇÃO DA IGREJA ORTODOXA DE IMPLEMENTAR ENSINO
RELIGIOSO
NAS ESCOLAS
7 -
Moscovo, capital do ecumenismo. Vaticano e Conselho Ecuménico das
Igrejas
apostam numa aproximação à Igreja Ortodoxa na Rússia
8 -
Rússia: Católicos e ortodoxos devem "ultrapassar este impasse",
afirma
bispo russo
10 -
Centenário do Decreto sobre a liberdade religiosa na Rússia
11 -
PADRE QUE CRUCIFICOU RELIGIOSA É INDICIADO POR HOMICÍDIO
12 -
Fecham mosteiro ortodoxo por morte de religiosa em estranho
ritual
13 -
CATÓLICOS DA UCRÂNIA E POLÔNIA EMITEM MENSAGEM DE PERDÃO E
RECONCILIAÇÃO
ENTRE SI
14 -
Polónia/Ucrânia: Ajuda à Igreja que Sofre congratula-se com
declaração
de reconciliação de líderes religiosos
NOTÍCIAS
1 -
Solenidade de Pedro e Paulo, festa da unidade da Igreja, deseja o
Papa. Dá
as boas-vindas, com antecipação, a uma delegação do
patriarcado
de Constantinopla
CIDADE DO
VATICANO, domingo, 26 de junho de 2005 (ZENIT.org ).- A
solenidade
dos santos apóstolos Pedro e Paulo, fundadores da Igreja
de Roma,
que se celebrará na próxima quarta-feira, 29 de junho, será
a festa
da «unidade e catolicidade da Igreja», afirmou Bento XVI este
domingo.
O
pontífice, com evidente entusiasmo, constatou que o significado
desta
festa ficará sublinhado pela participação em Roma de «uma
delegação
especial enviada pelo patriarca ecumênico de
Constantinopla»,
Bartolomeu I, «primus inter pares» da Ortodoxia.
Escutaram
suas palavras, entre aplausos, dezenas de milhares de
peregrinos
que enchiam a praça de São Pedro, sob um tremendo sol,
para
rezar a oração mariana do Ângelus junto ao Papa.
O momento
culminante começará às 9d30 da manhã, quando o bispo de
Roma der
início à celebração eucarística na Basílica de São Pedro, no
Vaticano.
«Será uma
ocasião significativa para sublinhar a unidade e a
catolicidade
da Igreja», afirmou o sucessor de Pedro desde a janela
de seu
apartamento, «aos fiéis de Roma, que veneram os santos
apóstolos
Pedro e Paulo como seus especiais patronos, aos peregrinos
e todo o
povo de Deus a invocar sua celestial proteção sobre a Igreja
e seus
pastores».
No ano
passado, assistiu à eucaristia, presidida por João Paulo II, o
mesmo
Bartolomeu I, para comemorar os quarenta anos do histórico
abraço
que trocaram o Papa Paulo VI e o patriarca ecumênico
Atenágoras
I, em Jerusalém, em janeiro de 1964, enquanto acontecia o
Concílio
Ecumênico Vaticano II.
Mais
tarde, em 7 de dezembro de 1965, um dia antes de finalizar o
Concílio,
Paulo VI e Atenágoras I fizeram uma declaração conjunta com
a que
deploravam e lamentavam os mútuos «anátemas» --pronunciados em
1054--,
que deram origem ao cisma entre Igrejas do Oriente e
Ocidente.
Bento XVI
trocará este gesto enviando uma delegação especial à sede
do
patriarcado de Constantinopla, por ocasião da festa de Santo
André, em
30 de novembro, fundador da Igreja em Constantinopla e
irmão de
São Pedro, bispo de Roma
2 - Papa
salienta compromisso com unidade cristã
Shasta
Darlington, Reuters 29 de junho de 2005
O papa
Bento 16 deu na quarta-feira mais um passo para estreitar as
relações
da Santa Sé com a Igrejas Ortodoxa, ao pedir aos prelados
que o
visitavam que valorizem o que os une a Roma, em detrimentos das
milenares
diferenças.
O papa
alemão, cuja cautelosa abordagem teológica à unidade cristã
contrasta
com os gestos mais dramáticos de seu antecessor, João Paulo
2o.,
listou esses pontos de união em um discurso em homenagem a São
Pedro e
São Paulo, responsáveis pela introdução do Cristianismo em
Roma.
"Nesta
época de um mundo cheio de grande ceticismo e dúvidas, mas
cheio de
um desejo por Deus, novamente reconhecemos nossa missão
comum de
ajudar o mundo a crer", disse Bento 16, muito aplaudido
pelos
fiéis reunidos na basílica de São Pedro.
"E
oramos ao Senhor com todo nosso coração para que nos guie para a
total
unidade", acrescentou.
O
catolicismo romano tem mais de 1 bilhão de seguidores, enquanto os
ortodoxos
somam cerca de 300 milhões. Os dois ramos se separaram em
1054,
devido a diferenças sobre vários temas, inclusive sobre a
função do
papa.
A
reconciliação com os ortodoxos é uma prioridade de Bento 16, que
neste mês
enviou um representante à Rússia.
Ele
admitiu que as igrejas ortodoxas, que são mais descentralizadas,
discordam
do Vaticano a respeito da função de liderança do papa no
catolicismo,
mas diz que ambos os ramos estão "profundamente unidos"
em outros
aspectos.
"Confessamos
a fé nos apóstolos tal qual dada nas Escrituras e
interpretada
nos Grandes Conselhos", afirmou o papa, referindo-se às
importantes
assembléias religiosas que eram realizadas antes do
Grande
Cisma.
Antes de
ser eleito papa, em abril, o então cardeal Joseph Ratzinger
sugeriu
que ambos os lados olhassem para trás, para antes do Grande
Cisma, em
busca de modelos de colaboração.
O
vaticanista John Allen, biógrafo do papa, disse que a cerimônia de
quarta-feira
demonstrou o compromisso de Bento 16 com a
unidade.
"Está claro que ele está usando todas as oportunidades para
tentar
incentivar a causa da unidade. Ele está usando todas as
ferramentas
da caixa", afirmou.
A
delegação ortodoxa, cumprimentada pessoalmente pelo papa na
basílica
e mais tarde recebida em almoço, foi liderada pelo
metropolita
Ioannis, de Pérgamo, que é um importante teólogo
ortodoxo.
As
delegações ortodoxas tradicionalmente visitam Roma para a festa
dos
santos Pedro e Paulo, que é um dos pontos altos do calendário
cristão.
Seu principal prelado, o patriarca ecumênico Bartolomeu 1o.,
de
Constantinopla, se encontrou no ano passado com o papa João Paulo
2o..
Naquela
ocasião, o pontífice manifestou "desgosto e dor" pelo saque
católico
a Constantinopla (atual Istambul, na Turquia), durante a
Quarta
Cruzada, em 1204.
Durante
visita a Atenas, em 2001, João Paulo 2o. pediu a Deus que
perdoasse
os católicos por mil anos de pecados contra os ortodoxos.
3 - Papa
pede que seu ministério não seja obstáculo à unidade cristã
Agência
EFE [29 Junho 2005]
Bento XVI
pediu nesta quarta-feira que seu ministério petrino não
seja
visto como um obstáculo, mas como uma ajuda no caminho para a
unidade
dos cristãos.
Ele
ressaltou que o papa desenvolve um serviço "único e
indispensável"
à Igreja universal e pediu aos fiéis que rezem para
que ele
possa realizar com "fidelidade" seu ministério.
O papa
fez essas declarações na presença de mais de 20 mil pessoas
que
assistiram à reza do Ângelus na praça de São Pedro do Vaticano,
no dia em
que os fundadores da Igreja Católica Apostólica Romana, São
Pedro e
São Paulo, são homenageados.
Bento XVI
pediu perdão aos fiéis por ter chegado com 15 minutos de
atraso,
devido a missa e imposição de pálios aos novos arcebispos que
ele
presidiu hoje pela manhã no templo vaticano.
Joseph
Ratzinger também destacou a visita ao Vaticano de uma
delegação
do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla em representação
do
Patriarca Bartolomeu I.
As
Igrejas do Oriente e do Ocidente se separaram com o cisma de 1054,
com a
excomunhão do Papa Leão IX e do Patriarca Miguel Celurario.
Desde
então, passaram quase mil anos de incompreensões e de
desconfianças
recíprocas.
Os
ortodoxos não reconhecem a validade dos sacramentos católicos,
embora a
Igreja Católica admita, desde o Concílio Vaticano II, os
sacramentos
ortodoxos.
Os
ortodoxos acusam Roma de proselitismo e de tentar se expandir nos
territórios
quase exclusivamente ortodoxos.
4 - Papa
assume liderança no caminho ecuménico
Agência
Ecclesia 29/06/2005
Muito se
especulou sobre o que seria a dificuldade de suceder a João
Paulo II
no campo do ecumenismo. Tendo sido o Papa polaco aquele que
mais
avançou no diálogo com as Igrejas Cristãs, o receio de alguma
falha na
passagem de testemunho foi adensado quando a escolha dos
Cardeais
recaiu sobre Bento XVI, o homem que nos seus tempos de
prefeito
da Congregação para a Doutrina da Fé tinha promovido a
célebre
"Dominus Iesus", a Declaração sobre a unicidade e
universalidade
salvífica de Jesus Cristo e da Igreja Católica (2000).
Para
surpresa de muitos, desde o início do pontificado Bento XVI
escolheu
como missão primeira "a reconstituição da unidade plena e
visível
de todos os seguidores de Cristo" e já ninguém pode duvidar
que está
a cumprir essa promessa.
Após ter
recebido, no Vaticano, o secretário-geral do Conselho
Ecuménico
das Igrejas (CEI), pastor Samuel Kobia, o Papa enviou a
Moscovo o
Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício
para a
promoção da Unidade dos Cristãos, numa visita que, apesar da
falta de
resultados espectaculares, permitiu abrir caminhos para
entendimentos
futuros.
Hoje, no
Vaticano, a solenidade litúrgica de São Pedro e São Paulo,
apóstolos
fundadores da Igreja de Roma, foi aproveitada pelo Papa
para
reafirmar a importância do seu ministério enquanto garante
da
"unidade", assinalando que "como Bispo de Roma, o Papa
desenvolve
um
serviço único e indispensável à Igreja universal: é o visível e
perpétuo
princípio e fundamento da unidade dos Bispos e de todos os
fiéis".
Citando a
constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, o Papa
disse que
"na comunhão eclesiástica estão legitimamente as Igrejas
particulares,
com as suas próprias tradições, permanecendo íntegro o
primado
da Cátedra de Pedro, a qual preside na comunhão universal da
caridade,
protege a variedade legítima e zela para que aquilo que é
particular,
não só não corroa a unidade, mas a sirva".
O dia de
hoje contou com a habitual presença de uma delegação do
Patriarcado
Ecuménico de Constantinopla, um dos parceiros
privilegiados
do diálogo entre as Igrejas. O Papa disse à delegação
ortodoxa
que "o primado da Igreja que está em Roma e o do seu Bispo é
um
primado de serviço à comunhão católica", sendo a referência
central
para a unidade doutrinal e pastoral.
Bento XVI
não passou ao lado, por isso, de uma das grandes questões
no
ecumenismo, que se relaciona com a interpretação do exercício do
papado.
Mais do que considerar a sua missão enquanto Papa como um
obstáculo
à plena e visível unidade entre os Cristãos, o sucessor de
João
Paulo II avança: é o Papa quem deve estar na frente do caminho
ecuménico.
Por isso
mesmo, num dia tão simbólico como o de hoje, foi possível
ouvi-lo
rezar: "que o ministério petrino do Bispo de Roma não seja
visto
como obstáculo, mas sim como apoio para o caminho rumo à
unidade,
e nos ajude a realizar quantos antes o desejo de Cristo: Ut
unum sint
(que todos sejam um)".
Octávio
Carmo
5 - PAPA
AGRACEDE EMPENHO DA R.O.A.C.O. TRABALHO DESEMPENHADO ENTRE
COMUNIDADES
CARENTES
Cidade do
Vaticano, 23 jun (Rádio Vaticano) - Bento XVI recebeu em
audiência
hoje, na Sala Clementina, os participantes da Reunião das
Obras de
Ajuda às Igrejas Orientais _ R.O.A.C.O.
O Santo
Padre recordou que, nos tempos atuais, marcados pelo
individualismo,
é necessário que os cristãos ofereçam o testemunho de
uma
solidariedade que ultrapasse qualquer fronteira, para construir
um mundo
onde todos se sintam acolhidos e respeitados.
De acordo
com o Santo Padre, "as pessoas que realizam essa missão,
tornam-se
propagadoras do amor autêntico, amor que liberta o coração
e leva a
todos os lugares aquela alegria que ninguém poderá tirar,
porque
vem do Senhor".
O Santo
Padre agradeceu aos membros da R.O.A.C.O. pelo trabalho
desempenhado
entre as comunidades carentes e em especial, pelos
esforços
que realizam para tornar tangível a caridade que une os
cristãos
das tradições latina e oriental.
Para o
Papa, intensificar tais vínculos significa prestar um serviço
precioso
à Igreja Católica. Bento XVI exortou os membros da
R.O.A.C.O.
a continuarem alargando ainda mais, o próprio raio de ação.
O Santo
Padre agradeceu o compromisso das Igrejas locais que apóiam
financeiramente
as comunidades cristãs palestinas. "Todos os cristãos
têm uma
dívida para com Jerusalém e a Terra Santa" _ ressaltou.
O
Pontífice dirigiu palavras de agradecimento ao Arcebispo-mor de
L'viv dos
ucranianos, Cardeal Lubomyr Husar, reiterando seu apoio ao
reflorescimento
do Catolicismo na Ucrânia.
Bento XVI
que "a antiga e nobre herança" espiritual herdada pela
comunidade
greco-católica constitui um verdadeiro tesouro para o
progresso
do povo ucraniano. "O desenvolvimento contínuo da Igreja
Greco-católica
na Ucrânia é motivo de alegria e de esperança" _
comentou
o Santo Padre.
As
palavras do Papa soaram como um público reconhecimento de Bento
XVI aos
católicos uniatas ucranianos, em intenso crescimento após o
período
de escuridão, que sucedeu à abolição da Igreja, por ordem de
Stalin,
em 1946. (WM)
6 - SANTA
SÉ APÓIA INTENÇÃO DA IGREJA ORTODOXA DE IMPLEMENTAR ENSINO
RELIGIOSO
NAS ESCOLAS
Moscou,
24 jun (Rádio Vaticano) - O Núncio Apostólico na Rússia, Dom
Antonio Mennini,
expressou, numa carta, o apoio da Santa Sé
ao
"desejo da Igreja Ortodoxa de implementar o ensino religioso e
espiritual
nas escolas públicas russas".
Dom
Mennini recordou que a Santa Sé sempre lutou pelo ensino da
religião
nas escolas públicas em países como a Itália. A carta de Dom
Mennini é
uma resposta ao pedido de um Bispo ortodoxo, que solicitou
um
pronunciamento da Igreja Católica sobre a questão.
O
Arcebispo da Arquidiocese moscovita da Mãe de Deus, Dom Tadeusz
Kondrusiewicz,
afirmara que o ensino religioso era importante na
Rússia,
mas com um enfoque especial à história da religião. O fato
provocou
irritação em alguns líderes ortodoxos russos, que têm a
intenção
de focalizar o ensino religioso na ortodoxia. (WM)
7 -
Moscovo, capital do ecumenismo. Vaticano e Conselho Ecuménico das
Igrejas
apostam numa aproximação à Igreja Ortodoxa na Rússia
Agência
Ecclesia 24/06/2005
A cidade
de Moscovo tornou-se, por estes dias, a capital do
ecumenismo.
O Cardeal Walter Kasper e o pastor Samuel Kobia,
respectivamente
presidente do Conselho Pontifício para a promoção da
Unidade
dos Cristãos (CPPUC) e secretário-geral do Conselho Ecuménico
das
Igrejas (CEI) estiveram na Rússia ao longo desta semana, em
visitas
que revelam alguma abertura ao diálogo ecuménico, por parte
da Igreja
Ortodoxa russa.
A
delegação protestante sai desta ronda negocial com maior motivos de
optimismo,
apesar de um documento sobre o compromisso ecuménico do
Patriarcado
moscovita ter criticado "as derivações laicistas que se
registam
numa parte significativa do mundo protestante".
Apesar
das críticas, o pastor Kobia foi recebido pelo Patriarca
Alexis
II, algo que não aconteceu com o Cardeal Kasper. Mais
importante
ainda, Alexis II assegurou o empenho ecuménico do
Patriarcado
Ortodoxo e a sua "plena participação" no interior do CEI.
Samuel
Kobia manifestou-se satisfeito pelos resultados conseguidos
por esta
visita e afirmou mesmo que a Igreja Ortodoxa russa era um
dos
motores do movimento pela unidades dos cristãos, apesar das
tensões
entre Moscovo e o Vaticano. A Igreja Ortodoxa conseguiu obter
direito
ao veto dentro do CEI e assegurou lugares de oração separados
para as
diferentes confissões, aquando de encontros ecuménicos.
Apesar de
recusar aos ortodoxos a possibilidade de participar "em
serviços
ecuménicos ou inter-confessionais", a tradicionalmente
fechada
Igreja Ortodoxa russa admite "a possibilidade de colaboração
com os
não-ortodoxos, por exemplo na ajuda aos marginalizados e na
defesa
dos inocentes".
Passos
lentos
O Cardeal
Walter Kasper esteve em Moscovo até 23 de Junho numa visita
que,
segundo comunicado oficial do Vaticano, pretendia "continuar o
diálogo
com o Patriarcado Ortodoxo, iniciado por ocasião da solene
inauguração
do pontificado do Papa Bento XVI".
O
presidente do CPPUC revelou-se esperançado em dar "pequenos passos"
no
diálogo com a Igreja Ortodoxa, mas a questão do proselitismo e as
dificuldades
na Ucrânia voltaram a vir ao de cima.
Alexis II
fez anunciar que consideraria inadmissível a deslocação da
sede da
Igreja Greco-Católica para Kiev. Bento XVI, por seu lado,
aproveitou
a audiência concedida aos membors da ROACO, associação das
obras de
assistência nas Igrejas católicas orientais, para falar
directamente
aos ucranianos, para pedir "a reconciliação e a
fraternidade
entre os cristãos da amada Ucrânia", considerando que
nesse
país "a herança espiritual da qual a comunidade greco-católica
é guardiã
constitui um verdadeiro tesouro para o progresso de todo o
povo
ucraniano".
Os
ortodoxos russos acusam a Igreja católica de praticar o
proselitismo
na Rússia, Bielorússia e na Ucrânia, territórios
tradicionalmente
ortodoxos, e criticaram a criação de quatro dioceses
católicas
na Rússia em 2000.
"Queremos
ver o que podemos fazer juntos, que possibilidades há. Não
serão
passos cruciais, mas pequenos passos. Mas muitos pequenos
passos
também levam à meta", afirmou o Cardeal Kasper, citado pela
agência
Zenit.
A alusão
aos "pequenos passos" recorda uma expressão habitualmente
utilizada
pela diplomacia do Vaticano, particularmente pelo Cardeal
Casaroli,
nos tempos da "ostpolitik", quando se iniciaram as
negociações
entre o Vaticano e os Governos soviéticos dos países do
Leste
europeu.
Octávio
Carmo
8 -
Rússia: Católicos e ortodoxos devem "ultrapassar este impasse",
afirma
bispo russo
AIS
28/06/05
"Hoje,
15 anos após o colapso do comunismo, o diálogo ecuménico entre
católicos
e ortodoxos tem estado envolto num certo silêncio. Devemos
fazer um
esforço concertado para ultrapassar este impasse", defende
Mons.
Joseph Werth, Bispo da Diocese da Transfiguração do Senhor,
localizada
na região de Novosibirsk.
Em
entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre, o prelado russo, que ocupa
também o
cargo de presidente da Conferência Episcopal Russa,
acrescentou
que os católicos são ainda uma pequena minoria que
representa
apenas 1% de uma população de 145 milhões de habitantes.
"Actualmente,
existem apenas 4 paróquias greco-católicas registadas
na
Rússia, mas várias outras estão já em processo de registo",
explicou
Mons. Joseph Werth.
A Igreja
Ortodoxa tem-se oposto à criação de novas paróquias
católicas
em territórios tradicionalmente ortodoxos. Esta questão
será
certamente abordada nas reuniões entre os representantes do
Vaticano
e da Igreja Ortodoxa Russa.
9 - O
Patriarca de Moscou e Toda a Rússia e a Igreja Ortodoxa Russa
no
Estrangeiro (Sínodo de Laurus) publicam seus primeiros documentos
em
conjunto.
Fonte:
www.ecclesia.com.br 24/06/05
(Site
Oficial de ROCOR (L) - Vertograd: Moscou)
O
Patriarcado de Moscou e a Igreja Ortodoxa Russa no Estrangeiro -
Sínodo do
Metropolita Laurus (também conhecido como ROCOR (L) segundo
as siglas
em inglês, publicaram os primeiros documentos desenvolvidos
durante
as sessões das Comissões conjuntas em prol de uma aproximação
entre
ambas as igrejas. No dia 21 de junho foram publicados
simultaneamente
estes quatro documentos nos web sites oficiais da
ROCOR (L)
e do Patriarcado de Moscou.
Sobre o
trabalho das Comissões do Patriarcado de Moscou e a Igreja
Ortodoxa
Russa no Estrangeiro;
Sobre a
Atitude da Igreja Ortodoxa com respeito aos Heterodoxos e com
respeito
às Organizações Inter-confessionais;
Sobre a
Relação entre a Igreja e o Estado;
Comentário
acerca do Documento Conjunto das Comissões do Patriarcado
de Moscou
e a Igreja Russa no Estrangeiro sob o título: "Sobre a
Relação
entre a Igreja e o Estado."
As
atividades do Metropolita Sérgio (fundador do Sergianismo) foram
qualificadas
como como "Podvig" segundo o quarto documento: "Um ponto
de vista
crítico acerca do documento anterior [A Declaração do
Metropolita
Sérgio oferecendo lealdade ao Poder Soviético--Vd] não
equivale
a condenar S. Beatitude, o Patriarca Sérgio, e não expressa,
de
maneira nenhuma, um intento de manchar a sua pessoa ou mitigar o
podvig
[esta palavra só aparece no texto em russo] de seu serviço
patriarcal
em anos difíceis da vida da Igreja na União Soviética."
O
documento também afirma: "Depois do Concilio da Igreja de 1945
[concilio
do Patriarcado de Moscou convocado por Stalin, que elegeu
um
patriarca, descuidando a opinião da maioria dos bispos--Vd], uma
porção
significativa do clero e laicato 'não satisfeita' entrou na
jurisdição
do Patriarcado de Moscou". [...]
Fonte:
VERTOGRAD - Periódico Ortodoxo
Newsletter
No. 10, Lunes 24 de Junio de 2005. 8:30 P.M.
10 -
Centenário do Decreto sobre a liberdade religiosa na Rússia
Voz da
Rússia 29/06/05
Em
Velikiy Novgorod, antiga cidade da Rússia, acontecem os eventos
solenes
em homenagem ao Centenário do Decreto do Imperador Nicolai II
sobre a
liberdade religiosa. Este documento declarou a igualdade de
direitos
dos representantes de todas as confissões religiosas,
inclusive
os adeptos dos velhos ritos, que receberam permissão para
construir
seus próprios templos e se ocupar das atividades sociais.
11 -
PADRE QUE CRUCIFICOU RELIGIOSA É INDICIADO POR HOMICÍDIO
Bucareste,
23 jun (Rádio Vaticano) - Pe. Daniel Corogeanu e quatro
religiosas
do Mosteiro de Tanacu (noroeste da Romênia) _ todos
ortodoxos
_ foram indiciados pelo assassinato de uma religiosa,
crucificada
sob a alegação de que "estava possuída pelo demônio",
informou
nesta quinta-feira, o Bispo ortodoxo de Husi, norte do país.
Os cinco
religiosos foram excluídos da ordem monástica.
"Por
causa dos graves acontecimentos ocorridos no mosteiro da
Santíssima
Trindade de Tanacu, o sacerdote Daniel Corogeanu será
excluído
da ordem" _ afirmou o Bispo Corneliu Barladeanu, num
comunicado.
"As quatro freiras, cúmplices do assassinato, também
foram
excluídas" _ acrescentou.
Acusados
de seqüestro e homicídio, Pe. Corogeanu e as quatro
religiosas
foram detidos na quarta-feira à noite, por ordem da
promotoria
de Vaslui.
Ir.
Irina, de 23 anos, morreu no último dia 15, depois de ter sido
atada a
uma cruz, amordaçada e privada de água e alimentos durante
vários
dias.
Pe.
Corogeanu, de 29 anos, assegura que sua atitude foi correta do
ponto de
vista religioso e que cumpriu sua missão "de lutar contra o
demônio".
As
revelações sobre a morte de Ir. Irina provocaram um escândalo e
desencadearam
um forte debate na Romênia, sobre as práticas medievais
toleradas
pela Igreja Ortodoxa. (MZ)
12 -
Fecham mosteiro ortodoxo por morte de religiosa em estranho
ritual
BUCAREST,
24 Jun. 05 (ACI).- A Igreja Ortodoxa na Romênia decidiu
enclausurar
definitivamente o monastério onde uma religiosa morreu
aparentemente
em um estranho ritual de "exorcismo".
O
responsável pela província ortodoxa de Vaslui, Corneliu Barladeanu,
indicou
que o monge que praticou o ritual foi suspenso
indefinidamente
do exercício sacerdotal e excluído da vida monástica.
A
religiosa falecida foi identificada como Maricica Irina Cornici, de
23 anos
de idade. Teria sido atada a uma cruz. Uma segunda autópsia
determinará
se morreu por asfixia ou inanição.
Em meio de
um dos piores escândalos que enfrentou a Igreja Ortodoxa,
Barladeanu
explicou que agora analisam a possibilidade de submeter a
exames
psicológicos a todos os que pretendam ingressar na vida
monástica.
13 -
CATÓLICOS DA UCRÂNIA E POLÔNIA EMITEM MENSAGEM DE PERDÃO E
RECONCILIAÇÃO
ENTRE SI
Varsóvia,
22 jun (Rádio Vaticano) - "Conscientes da responsabilidade
de
construir a comunidade do Cenáculo", os bispos da
Polônia
"acolheram a mensagem de perdão e de reconciliação entre os
fiéis da
Igreja Greco-católica na Ucrânia e os fiéis da Igreja romano-
católica
na Polônia".
A notícia
foi confirmada pelo próprio Episcopado polonês, numa nota
oficial
publicada ontem, terça-feira. Ao término da sua assembléia
geral,
domingo passado, foi publicada uma carta conjunta ucraniano-
polonesa,
de perdão e de reconciliação. A carta, intitulada "A paz
entre as
nações é possível" era assinada pelo Cardeal Jozef Glemp,
Arcebispo
de Varsóvia e Primaz da Igreja na Polônia, e Lubomyr Husar,
Arcebispo-mor
de L'viv dos ucranianos.
A carta,
que se refere aos fatos bélicos e pós-bélicos do último
conflito
mundial, repete a histórica mensagem de reconciliação e de
perdão
recíproco que os bispos poloneses, nos dias conclusivos do
Concílio
Vaticano II, dirigiram aos co-irmãos alemães.
A mensagem
de recíproco perdão ucraniano-polonês será apresentada
também em
L'viv, no dia 26 de junho, por ocasião do Congresso
Eucarístico
dos Greco-católicos ucranianos. (MZ)
14 -
Polónia/Ucrânia: Ajuda à Igreja que Sofre congratula-se com
declaração
de reconciliação de líderes religiosos
AIS
27/06/05
Durante
uma missa celebrada no passado dia 19 em Varsóvia, o Cardeal
Lubomyr
Husar, líder da Igreja Greco-Católica Ucraniana, e o
Arcebispo
Jozef Michalik of Przemysl, presidente da Conferência
Episcopal
Polaca, leram uma declaração conjunta de reconciliação e
perdão
mútuo entre os povos Polaco e Ucraniano.
Nesta
declaração assinada conjuntamente, os líderes religiosos
declaram:
"Representantes de duas nações irmãs, a Polónia e a
Ucrânia,
encontraram-se para terminar um compromisso sagrado de
reconciliação...
Vamos ultrapassar as visões políticas e as
circunstâncias
históricas, os nossos ritos religiosos e até as nossas
nacionalidades,
ucraniana e polaca".
"Vamos
lembrar-nos, acima de tudo, que somos todos filhos de Deus
(...) E
de forma a tornar as nossas orações mais sinceras, vamos
dizer uns
aos outros «nós perdoamo-vos e pedimo-vos que nos perdoem",
acrescentam
os prelados.
Para
Marko Tomashek, director do Departamento Europa de Leste III da
Ajuda à
Igreja que Sofre, este acto de reconciliação "encontra ecos
nos
primeiros anos da organização, quando o Pe. Werenfried pregava
incessantemente
pela paz e perdão entre antigos inimigos".
O
assistente eclesiástico internacional da Ajuda à Igreja que Sofre,
Joaquín
Alliende referiu também que o Pe. Werenfried (1913-
2003)
"ficaria muito satisfeito de ver os frutos do seu esforço de
décadas
para auxiliar as Igrejas Católicas de ambos os países".
Na
opinião de Marko Tomashek, este acto é mais um elo na cadeia de
reconciliação
que está a atravessar lentamente a Europa do Ocidente
até ao
Leste.
"A
Ajuda à Igreja que Sofre vê esta nova reconciliação entre a Igreja
Católica
Polaca e a Igreja Greco-Católica Ucraniana como um primeiro
passo
para a futura reconciliação entre a Igreja da Polónia e a
Igreja
Ortodoxa na Ucrânia e na Rússia", conclui este responsável.
LIVRO
Os
Ortodoxos, de Enrico Morini
Editora:
PAULINAS (www.paulinas.org.br)
O
conhecimento da história da Igreja e a urgência ecumênica de um
diálogo
entre cristãos, baseado na percepção de como a fé e a vida
cristã
são compreendidas pelas diversas igrejas e tradições cristãs,
tornam
obrigatória e de primeira importância uma maior familiaridade
com as
Igrejas Orientais de um modo geral, bem assim como, em
particular,
com as Igrejas Ortodoxas.
Pode-se
dizer que o estudo de Enrico Morini sobre a Ortodoxia, vem
preencher
essa lacuna, e o faz de maneira ampla e bem documentada.
Escrito
para os cristãos do Ocidente, os ortodoxos começa por
estabelecer
alguns contrastes, que serão aprofundados e mais bem
analisados
no decorrer do volume.
Antes,
porém, se volta para a história, que explica a divisão
oficialmente
consumada em 1054, com o grande cisma, mas que, na
realidade,
é resultado de um complexo de dificuldades e de tensões
que
remontam ao surgimento do cristianismo como religião oficial do
Império e
se nutriram, durante séculos, das distâncias culturais
entre o
mundo grego e o mundo latino, que só fizeram se acentuar com
o passar
do tempo e as disputas de poder.
Passa-se,
então, à análise da ortodoxia. Primeiro nos seus aspectos
mais
exteriores, da organização eclesiástica e dos antagonismos mais
aparentes,
com interessantes observações sobre os diferentes
comportamentos
dos cristãos ocidentais e orientais em face dos judeus
e dos
muçulmanos, levando a uma definição geopolítica da ortodoxia.
Finalmente,
focalizam-se os aspectos mais profundos da identidade
cristã,
tal como é vivida pela tradição oriental, em contraste com a
latina.
Essa identidade ortodoxa, como diz o autor, pode constituir
um
caminho de superação das dicotomias que travam hoje a pastoral
ocidental,
num mundo em que prevalece a liberdade das pessoas na
unidade
do Espírito.
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