BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 48 - 24 de junho de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Atendendo ao apelo do Papa Bento XIV (Notícias n. 4, 6 e 7), peço
orações para a reconciliação na Terra Santa.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
[email protected]


ÍNDICE

1 - Cardeal Kasper em Moscou: «pequenos passos» no diálogo com a
Igreja ortodoxa

2 - Rússia: Cardeal Kasper espera dar "pequenos passos" no diálogo
com a Igreja ortodoxa

3 - Vaticano avança no diálogo com a Rússia

4 - Papa vê «sinais positivos» na Terra Santa e pede orações

5 - Papa recebe participantes da ROACO

6 - PAPA PEDE RECONCILIAÇÃO NA TERRA SANTA

7 - Bento XVI vê "sinais positivos" para reconciliação em Terra Santa

8 - Bento XVI pede apoio à Igreja greco-católica na Ucrânia para
favorecer a «reconciliação» e a fraternidade com os ortodoxos

9 - Fundação Ajuda à Igreja que Sofre editou em Portugal livro sobre
os mártires e confessores da fé ucranianos

10 - O último Papa em perfeita comunhão com Constantinopla

11- Padre é indiciado por homicídio após crucifar religiosa

12 - Igreja Ortodoxa Russa em busca de aliados desde o Vaticano até
Nova Iorque

13 - NÚNCIO DO VATICANO DENUNCIA FALTA DE LIBERDADE RELIGIOSA NA
TURQUIA


NOTÍCIAS


1 - Cardeal Kasper em Moscou: «pequenos passos» no diálogo com a
Igreja ortodoxa
As esperanças do purpurado antes de seu encontro com o representante
do patriarcado

MOSCOU, quarta-feira, 22 de junho de 2005 (ZENIT.org ).- A visita do
cardeal Walter Kasper a Moscou busca dar «pequenos passos» no diálogo
com o patriarcado ortodoxo.

Mas, segundo constata o presidente do Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos, «os pequenos passos também te levam
à meta».

O purpurado alemão explicou os objetivos de sua visita à capital
russa antes de encontrar-se com o metropolitano Kirill de Smolensk e
Kaliningrado, presidente do Departamento para as relações
eclesiásticas externas do Patriarcado ortodoxo de Moscou, em uma
entrevista concedida ao semanário católico russo «Svet Evangelia» («A
luz do Evangelho»).

O metropolitano Kirill esteve presente durante a solene inauguração
do pontificado de Bento XVI e nessa ocasião teve com ele um encontro
de uma meia hora no qual ambos decidiram continuar o diálogo sobre os
principais problemas que se dão nas mútuas relações.

«Agora estamos tratando de continuar e aprofundar esse diálogo --
declara o cardeal Kasper--. Após sua eleição, o Papa declarou que é
sua principal prioridade. E agora estamos aqui para ver que novos
passos podemos dar».

«Queremos ver o que é que podemos fazer juntos, que possibilidades
há. Não serão passos cruciais, mas pequenos passos. Mas muitos
pequenos passos também te levam à meta. Há duas partes envolvidas
neste diálogo, e os passos deverão ser dados por ambos lados».

O cardeal declara, desmentindo interpretações de meios de
comunicação, que não se encontrará nesta visita com o patriarca
Alexis II, pois «não lhe pediu uma reunião, dado que o trabalho só
está começando. De maneira que não é necessário. Nosso objetivo é
discutir questões técnicas muito concretas».

Na entrevista, o cardeal Kasper assegura que neste processo de
diálogo está envolvida a Igreja católica na Rússia, pois «sem a
Igreja local o ecumenismo seria algo muito abstrato».

«Tive uma longa conversa com o arcebispo Tadeusz Kondrusiewicz. Está
informado e será informado depois. E todos os passos que demos até
agora foram dados com a Igreja local», acrescenta.

O purpurado não está discutindo os assuntos da Igreja greco-católica
da Ucrânia, pois «não é minha tarefa falar por outra Igreja. Eles têm
de fazer por eles mesmos». «Nesta questão, o novo Papa tem a mesma
posição de João Paulo II».

«Não discutimos sobre os ucranianos, mas sobre o que a Santa Sé e a
Igreja ortodoxa russa podem fazer juntas na Europa e pela Europa,
pelos valores cristãos na Europa. É um campo de interesse comum»,
revela.

O cardeal espera que no próximo outono possa relançar-se o diálogo
internacional da Igreja católica com as Igrejas ortodoxas reabrindo o
trabalho da Comissão teológica mista, interrompido em 2001, na
reunião que aconteceu em Baltimore (Estados Unidos).


2 - Rússia: Cardeal Kasper espera dar "pequenos passos" no diálogo
com a Igreja ortodoxa

AIS 23/06/05

O Cardeal Walter Kasper está desde dia 20 de Junho na Rússia, numa
visita que surge na sequência do relanças das relações bilaterais
entre a Santa Sé e a Igreja ortodoxa russa. Esse desejo tinha sido
expresso em Maio pelo Papa Bento XVI durante uma visita apostólica a
Bari (Itália), onde o Santo Padre reiterou o seu "desejo de trabalhar
com toda a energia na reconstrução de uma total e visível unidade
entre todos os seguidores de Cristo".

O Patriarca ortodoxo Alexis II respondeu no final de Maio a este
apelo de Bento XVI, mostrando-se disponível para discutir os
problemas que subsistem nas relações entre as Igrejas católica e
ortodoxa e disse estar aberto à possibilidade de uma futura visita do
Papa à Rússia.

Antes do seu encontro com o Metropolita de Smolensk e Kaliningrado,
Cirilo, (que é o responsável pelas relações eclesiásticas externas do
Patriarcado de Moscovo), o Cardeal Kasper afirmou que
pretende "continuar e aprofundar" o diálogo iniciado na reunião entre
o metropolita ortodoxo e Bento XVI. Neste encontro, que decorreu na
solene inauguração do pontificado do actual Papa, foi acordado que o
diálogo sobre os principais problemas que as separam as Igrejas
católica e ortodoxa deveria continuar.
"Queremos ver o que podemos fazer juntos, que possibilidades há. Não
serão passos cruciais, mas pequenos passos. Mas muitos pequenos
passos também levam à meta", afirmou o Cardeal Kasper, citado pela
agência Zénit.

A alusão aos "pequenos passos" recorda uma expressão habitualmente
utilizada pela diplomacia do Vaticano, particularmente pelo Cardeal
Casaroli, nos tempos da "ostpolitik", quando se iniciaram as
negociações entre o Vaticano e os Governos soviéticos dos países do
leste europeu.

O prelado alemão acrescentou que nesta visita não está previsto um
encontro com o Patriarca Alexis II, uma vez que as negociações só
agora vão começar e porque irão ser discutidas "questões técnicas
muito concretas".

Os ortodoxos russos acusam a Igreja católica de praticar o
proselitismo na Rússia, Bielorússia e na Ucrânia, territórios
tradicionalmente ortodoxos, e criticaram a criação de quatro dioceses
católicas na Rússia em 2000.

Na opinião do Metropolita católico de Moscovo (rito latino), Mons.
Kondrusiewicz, os cristãos orientais e ocidentais também enfrentam
actualmente problemas comuns: o secularismo militante, o consumismo,
a indiferença religiosa, o relativismo e os actos contra a vida.


3 - Vaticano avança no diálogo com a Rússia

Agência Ecclesia 23/06/05

Conclui-se hoje a visita à Rússia do Cardeal Kasper, presidente do
Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (CPPUC).
Enviado a Moscovo pelo Papa, na passada segunda-feira, este
responsável tinha como missão "continuar o diálogo com o Patriarcado
Ortodoxo, iniciado por ocasião da solene inauguração do pontificado
do Papa Bento XVI".
A visita do Cardeal Walter Kasper a Moscovo pretende procurar
dar «pequenos passos» no diálogo com o Patriarcado ortodoxo. Porém,
segundo o presidente do Conselho Pontifício, «os pequenos passos
também conduzem a uma meta».
«Existem duas partes envolvidas neste diálogo, e os passos deveriam
ser dados por todos», destaca o purpurado, numa entrevista ao
semanário russo "Svet Evangelia" ("A Luz do Evangelho"), e também
aproveita para desmentir alguns rumores da comunicação social.
«Não foi solicitada qualquer reunião com o Patriarca Alexis II, dado
que o trabalho se encontra na fase inicial. Aliás, pretendemos apenas
discutir questões técnicas e muito concretas», salienta o presidente
do CPPUC. A propósito, o purpurado alemão explica os objectivos da
sua visita à capital russa, antes de se encontrar com o metropolita
Kirill de Smolensk e Kaliningrado, presidente do Departamento para as
relações eclesiásticas externas do Patriarcado ortodoxo de Moscovo.
«Agora, estamos a tratar de aprofundar o diálogo. Depois da eleição,
o Santo Padre declarou que se tratava da sua principal prioridade. E
agora estamos aqui para ver que passos podemos dar», refere o Cardeal
Walter Kasper.
Na entrevista, também garante que neste processo prevê a Igreja
Católica na Rússia, pois «sem a Igreja local o ecumenismo seria algo
de muito abstracto». «Tive uma longa conversa com o Arcebispo Tadeusz
Kondrusiewicz. Está informado e será informado posteriormente. E
todos os passos que foram dados até agora, foram encetados com a
Igreja local», acrescenta.
O prelado refere, igualmente, que não está interessado em discutir os
assuntos da Igreja greco-católica da Ucrânia, por não se encontrar
incumbido «de falar por outra Igreja. É algo que eles próprios têm de
debater».
«Não discutiremos sobre os ucranianos, mas sobre o que a Santa Sé e a
Igreja Ortodoxa russa podem fazer juntas na Europa pelos valores
cristãos. Trata-se de uma área de interesse comum», revela.
O Cardeal espera que no Outono se possa reatar o diálogo
internacional da Igreja Católica com as Igrejas ortodoxas, retomando
o trabalho da Comissão Teológica Mista, interrompido em 2001, na
reunião que se realizou em Baltimore, EUA. O Patriarca Ortodoxo de
Moscovo tem respondido com cordialidade às tomadas de posição do novo
Papa, algo que não acontecia com João Paulo II: apesar de ter
visitado centenas de países, João Paulo II nunca se pôde deslocar à
Rússia, por oposição da Igreja Ortodoxa.
O seu sucessor encontra um clima de tensão, criado após o
desaparecimento da União Soviética: Moscovo acusa os católicos de
proselitismo em terras tradicionalmente ortodoxas, particularmente a
Bielorússia e a Ucrânia. Em 2000, a situação agravou-se após a
criação de quatro dioceses católicas na Rússia. Uma comissão mista
foi criada em 2004, após uma visita do Cardeal Walter Kasper,
presidente do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos
Cristãos, mas ainda não nenhum tipo de acordo sobre os diferendos
entre as duas Igrejas.
Logo após o início do seu pontificado, Bento XVI reafirmou a
necessidade de desenvolver a cooperação com a Igreja Ortodoxa da
Rússia ao receber no Vaticano o metropolita Kyrill, responsável pelo
Departamento das Relações com o Exterior do Patriarcado Ortodoxo de
Moscovo.
O Patriarca Ortodoxo da Rússia, Alexis II, felicitara o novo Papa
Bento XVI, aquando da sua eleição, revelando esperar um "diálogo
frutuoso" entre as duas Igrejas. O Patriarcado de Moscovo acolheu, de
facto, de uma forma muito optimista a eleição do Cardeal Joseph
Ratzinger, esperando melhorias substanciais no relacionamento mútuo
através da diminuição da "acção missionária católica" nos territórios
da antiga URSS.
A solução deste problema, contudo, não se afigura fácil: o Patriarca
Ortodoxo tem insistido na tese de "proselitismo católico" na Rússia e
nas outras onze repúblicas da ex-União Soviética. Acusando católicos
e protestantes de proselitismo, Alexis II pretende que o Cristianismo
na Rússia seja sinónimo exclusivo de Igreja Ortodoxa.


4 - Papa vê «sinais positivos» na Terra Santa e pede orações

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 23 de junho de 2005 (ZENIT.org ).-
Bento XVI percebe que nestes momentos acontecem «sinais positivos» na
Terra Santa, motivo pelo qual pediu orações e ajuda a suas populações
para que aconteça a reconciliação.

O pontífice discutiu a situação que a terra de Jesus vive ao receber
esta quinta-feira em audiência os participantes na assembléia geral
da Reunião de Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO), por suas
siglas em italiano, da qual formam parte a Catholic Near East Welfare
Association (surgida em 1928), a Missão Pontifícia para Palestina
(surgida em 1949), e agências da Alemanha, França, Suíça, Países
Baixos e Áustria.

O pontífice reconheceu que é necessário ter uma «solicitude»
particular por Jerusalém e a Terra Santa, «com quem todos os cristãos
têm uma dívida inesquecível».

«Alguns sinais positivos, que nos chegam nestes últimos meses, fazem
mais firme a esperança de que não tardará a chegar o dia da
reconciliação entre as diferentes comunidades que trabalham na Terra
Santa».

«Por este motivo, não deixamos de rezar com confiança», afirmou o
pontífice.

A ROACO depende da Congregação vaticana para as Igrejas Orientais,
que todos os anos convoca a coleta de Sexta-feira Santa a favor da
Terra Santa.


5 - Papa recebe participantes da ROACO

CNBB

Cidade do Vaticano, 23/6/2005 - O Papa Bento XVI recebeu hoje, pela
manhã, setenta pessoas que participam do encontro anual da Reunião
das Obras para a Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO). O encontro tem
como objetivo examinar a situação da Igreja greco-católica na Ucrânia
e a formação dos sacerdotes, seminaristas e religiosos das igrejas
católicas orientais.
Bento XVI afirmou que diante do individualismo imperante "é muito
importante que os cristãos ofereçam o testemunho de uma solidariedade
que supere todas as fronteiras, para construir um mundo em que todos
se sintam acolhidos e respeitados. Os que levam adiante esta missão
de modo pessoal ou comunitário são promotores do amor autêntico, amor
que livra o coração e leva a todas as partes aquela alegria que nada
pode tirar, porque vem do Senhor".
O Papa agradeceu a ajuda aos irmãos mais necessitados e "em
particular aos esforços por fazer tangível a caridade que une os
cristãos de tradição latina e os de tradição oriental. Intensificar
estes vínculos é fazer um serviço preciosíssimo à Igreja universal".
O Papa assinalou que a presença de quase quinhentos estudantes
orientais das Igrejas Católicas "é uma oportunidade que tem de ser
valorizada", cuidando "as instituições formativas nas mesmas igrejas
orientais" .


6 - PAPA PEDE RECONCILIAÇÃO NA TERRA SANTA

CIDADE DO VATICANO, 23 JUN (ANSA) - O papa Bento XVI nutre a
esperança de que "muito em breve chegue o dia da reconciliação entre
as diversas comunidades que convivem na Terra Santa" e com tal motivo
pede para os fiéis não pararem de "rezar com confiança".
Dessa forma Joseph Ratzinger se expressou em um discurso aos
participantes da Reunião das Obras em Ajuda às Igrejas Orientais
(Roaco), que recebeu em audiência na sala Clementina do Vaticano.
"Queridos membros do Roaco, Jerusalém e Terra Santa, para as quais
todos os cristãos têm uma dívida inesquecível, gozam desde sempre de
vossa louvável consideração", disse o Papa. "Alguns sinais positivos,
que nos chegam nestes meses, fortalecem a esperança que não demore
para chegar o dia da reconciliação entre as comunidades que convivem
na Terra Santa e pelo qual oramos com confiança".(ANSA)
23/06/2005


7 - Bento XVI vê "sinais positivos" para reconciliação em Terra Santa

VATICANO, 23 Jun. 05 (ACI ) .- O Papa Bento XVI assegurou hoje
que "alguns sinais positivos" nos últimos meses permitem ver com
esperança "o dia da reconciliação entre as diversas comunidades que
trabalham em Terra Santa".
Depois de destacar que "todos os cristãos têm uma dívida inesquecível
com Jerusalém e Terra Santa", o Santo Padre afirmou que "alguns
sinais positivos que nos chegam nestes últimos meses, fazem mais
sólida a esperança em que não demorará para chegar o dia da
reconciliação entre as diversas comunidades que trabalham em Terra
Santa".
Por esta razão, disse o Papa durante o discurso aos 70 participantes
no encontro anual da Reunião das Obras para a Ajuda às Igrejas
Orientais (ROACO), "não cessamos de rezar com confiança por isso".
Nestes dias, a ROACO examinou a situação da Igreja grego-católica em
Ucrânia e a formação dos sacerdotes, seminaristas e religiosos das
Igrejas católicas orientais.
Na sua intervenção, Bento XVI afirmou que diante do individualismo
imperante "é muito importante que os cristãos ofereçam o testemunho
de uma solidariedade que supere todas as fronteiras, para construir
um mundo no que todos se sintam acolhidos e respeitados".
O Santo Padre agradeceu a ajuda que brinda a ROACO aos irmãos mais
necessitados "e em particular os esforços por fazer tangível a
caridade que une aos cristãos de tradição latina e aos de tradição
oriental. Intensificar estes vínculos é fazer um serviço muito
precioso à Igreja universal".
Ao referir-se à Igreja grego-católica ucraniana,
cujo "desenvolvimento contínuo, depois do triste inverno do regime
comunista, é motivo de alegria e de esperança", disse: "Sustentem seu
caminho eclesiástico e favoreçam tudo o que ajude à reconciliação e à
fraternidade entre os cristãos da amada Ucrânia".
Igualmente, o Pontífice sublinhou que a presença de quase 500
estudantes orientais das Igrejas católicas "é uma oportunidade que
deve ser valorizada", cuidando "as instituições formativas nas
próprias Igrejas orientais".
"Junto à ajuda material, deve-se incentivar a formação, que por uma
parte aprofunde na genuína tradição local, tendo em conta o progresso
orgânico das Igrejas orientais e por outra, que se complete a
atualização desejada pelo Concílio Vaticano II", concluiu.


8 - Bento XVI pede apoio à Igreja greco-católica na Ucrânia para
favorecer a «reconciliação» e a fraternidade com os ortodoxos

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 23 de junho de 2005 (ZENIT.org ).-
Bento XVI pediu esta quinta-feira ajuda aos católicos de rito
oriental da Ucrânia, que saíram dos difíceis anos da perseguição
comunista, para promover a reconciliação com os cristãos dessas
terras, em sua maioria ortodoxos.

O Santo Padre fez este chamado ao receber os participantes na
assembléia geral da Reunião de Obras de Ajuda às Igrejas Orientais
(ROACO, por suas siglas em italiano), comitê de agências de vários
países que se comprometem a ajudar em todos os níveis os católicos
orientais.

Além da Catholic Near East Welfare Association (com sede nos Estados
Unidos), aprovada pelo Papa Pio XI em 1928, e da Missão Pontifícia
para Palestina (Estados Unidos), criada em 1949, formam parte da
ROACO agências que recolhem ajudas na Alemanha, França, Suíça, Países
Baixos e Áustria.

«Nestes dias, haveis examinado em particular a situação da Igreja
greco-católica na Ucrânia», constatou o pontífice ao dirigir um
discurso aos presentes, entre quem se encontrava o cardeal Ignace
Moussa Daoud, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, e o
arcebispo maior de Lvov, o cardeal Lubomyr Husar.

O bispo de Roma reconheceu que o «desenvolvimento contínuo, após o
triste inverno do regime comunista», da Igreja greco-católica é
um «motivo de esperança, pois a antiga e nobre herança espiritual que
a comunidade greco-católica custodia constitui um autêntico tesouro
para o progresso de todo o povo ucraniano».

«Portanto, digo-vos: apoiai seu caminho eclesial e favorecei tudo o
que ajuda a reconciliação e a fraternidade entre os cristãos da
querida Ucrânia», exortou.

«Desde os inícios do anúncio cristão --recordou--, as comunidades
cristãs necessitadas e pobres experimentaram formas de apoio por
parte das mais afortunadas».

«Neste momento, caracterizado com freqüência por impulsos para o
individualismo, resulta ainda mais necessário que os cristãos
ofereçam o testemunho de uma solidariedade que supere toda fronteira
para construir um mundo dentro do qual todos se sintam acolhidos e
respeitados», sublinhou o sucessor de Pedro.

Deste modo, seguiu dizendo, os cristãos se converterão em «difusores
de amor autêntico», amor que liberta e que leva por toda parte essa
alegria que "ninguém pode tirar", pois procede do Senhor».

O Papa agradeceu em particular a ajuda que a ROACO oferece para a
formação de sacerdotes, religiosos e seminaristas das Igrejas
católicas do Oriente que estudam em Roma (cerca de quinhentos) e em
seus países de origem.


9 - Fundação Ajuda à Igreja que Sofre editou em Portugal livro sobre
os mártires e confessores da fé ucranianos

AIS 22/06/2005

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre editou recentemente um novo livro
sobre os mártires e confessores da fé ucranianos, intitulado "Igreja
de Mártires - Os novos santos da Ucrânia".
Neste documento, coligido pela Universidade Católica Ucraniana, é
apresentada a vida e os testemunhos de 17 mártires e confessores da
fé ucranianos. Entre os quais encontra-se o testemunho do Metropolita
greco-católico Josyf Slipj, que durante 18 anos foi mantido
prisioneiro pelos soviéticos nos campos de trabalho (gulags) da
Sibéria.
"No século XX, a Ucrânia não só enfrentou um curto reinado de terror
nazi, como também sobressaiu como um dos países que carregou o peso
de uma prolongada tentativa de erradicação da fé cristã pela espada",
escreve no prefácio deste livro Marko Tomashek, responsável pelo
Departamento de Projectos da Europa de Leste da Ajuda à Igreja que
Sofre


10 - O último Papa em perfeita comunhão com Constantinopla

Revista 30 Dias - Maio de 2005

Perfil do santo Papa cuja memória se celebra em 19 de abril, dia da
eleição de Bento XVI

de Lorenzo Cappelletti

Os meios de comunicações chamaram a atenção para o fato de que a
eleição do papa Bento XVI caiu no dia em que a Igreja celebra a
memória do papa São Leão IX (cujo nome secular era Bruno, ou Brunone,
da família alsaciana dos condes de Egisheim-Dagsburg). Alguns
lembraram que se trata de um dos muitos papas de origem alemã da
época medieval, mas não se foi além disso. De qualquer forma, esse
santo papa, a princípio, não parecia evocar qualquer coisa que
merecesse um aprofundamento, nem pelo nome nem pelo número ordinal
que o acompanha. E o pouco de seu pontificado que alguns conhecem, ou
seja, o fato de que Leão IX era o papa reinante no momento do cisma
com os gregos, em julho de 1054, na realidade é "incrível, mas...
falso". De fato, quando o cisma se realizou, Leão já havia morrido
meses antes, em 19 de abril de 1054. A ele, portanto, nada pode ser
ligado.
Quem não desconhece a história medieval não apenas sabe disso, mas
lembra desse papa também muitas outras coisas interessantes que
gostamos de considerar não casuais, e que realmente nos levam a
considerá-lo, ao lado de São Bento, protetor do atual papa.
Antes de mais nada, é preciso lembrar justamente sua devoção a São
Bento, apesar de nunca ter sido beneditino; ao santo atribui sua cura
quando, jovem, encontrava-se gravemente doente no castelo de sua
família. É o episódio que inicia sua biografia: Vita Leonis IX (PL
143, 470-471).
Em segundo lugar, é interessante notar que Brunone, aparentado com o
imperador Henrique III e por ele designado ao trono pontifício, como
era costume e, de certa forma, direito na época, "declarou ao
imperador que só poderia aceitar o novo encargo se os romanos o
elegessem seu bispo unanimemente", escrevia o jesuíta Friedrich
Kempf, grande historiador da Igreja medieval (Storia della Chiesa,
dirigida por H. Jedin, vol. IV, p. 460). Tanto que correu a Roma
vestido humildemente de peregrino e, só depois de ser eleito pelo
clero e pelo povo romano, em 2 de fevereiro de 1049, tomou posse da
Sé de Pedro. "Leão não tinha como objetivo nenhuma reviravolta
constitucional, mas tinha plena consciência da independência do
ordenamento jurídico eclesiástico e, por isso, também de sua posição"
(id., ibid.).
Era tão consciente dessa independência que acreditou ter de lutar em
primeiro lugar contra a simonia, com afinal já fizera como bispo de
Toul. Mas não o fez sozi­nho: "Atribuiu grande importância aos
cardeais, e reuniu em torno de si um grupo de amigos e conselheiros"
(M. Parisse, Leone IX, in: Dizionario storico del papato, dirigido
por Ph. Levillain, vol. II, p. 854).
Do ponto de vista dogmático, foi sua a condenação de erros acerca da
doutrina eucarística. Interveio contra as teses de Bérenger de Tours
(para o qual o pão e o vinho eucarístico eram apenas símbolo do Corpo
e do Sangue do Senhor), afirmando que Cristo é, ou melhor, está
contido no sacramento ou sob as espécies sacramentais. Mas a
intervenção de Leão IX foi muito discreta. Estando a discussão
teológica ainda aberta, "foram os teólogos que a levaram adiante,
enquanto Roma se limitou a supervisionar seu andamento" (Storia della
Chiesa, dirigida por H. Jedin, vol. IV, p. 605). Sem impulsividade e
intransigência, enfrentou também o problema do clero concubinário
(cf. M. Parisse, Leone IX, in: Dizionario storico del papato,
dirigido por Ph. Levillain, vol. II, p. 853).
Mas voltamos, enfim, ao cisma de 1054, do qual partimos: não apenas
não deve ser imputado ao Papa, mas parece mesmo que a missão
diplomática a que se deve sua abertura tenha sido enviada por ele a
Constantinopla com finalidades amigáveis. "As relações entre Roma e o
Oriente ainda eram amigáveis", escreve padre Justo Collantes, "embora
já se estivesse trabalhando pela nefasta ruptura que se consumaria
após a morte do Papa" (La fede della Chiesa cattolica, p. 918, nota
14). Infelizmente, Leão nesse meio tempo se empenhara, com a
concordância de Bizâncio e a ajuda de alemães e italianos, contra
aquele bando de mercenários que eram os normandos do centro-sul da
Itália. Eles o fizeram prisioneiro em junho de 1053 e não o soltaram
enquanto não reconheceu seus domínios. Voltando a Roma em março de
1054, morreu no dia 19 de abril seguinte. Que São Leão IX proteja e,
ao lado do rebanho, reze pelo papa Bento XVI segundo o pedido
expresso por este: "Rezai por mim, para que eu aprenda a amar cada
vez mais o Seu rebanho - vós, a Santa Igreja, cada um de vós
individualmente e todos vós juntos. Rezai por mim, para que eu não
fuja, por receio, diante dos lobos. Rezai uns pelos outros, para que
o Senhor nos carregue e nós aprendamos a carregar-nos uns aos
outros".


11- Padre é indiciado por homicídio após crucifar religiosa

Da France Presse 23/06/2005

BUCARESTE (Romênia) - O padre Daniel Corogeanu e quatro freiras do
mosteiro de Tanacu (noroeste da Romênia) foram indiciados pela morte
de uma religiosa crucificada sob alegação de que "estava possuída
pelo diabo". A informação partiu nesta quinta-feira do bispo de Husi
(norte), Corneliu Barladeanu.

Os cinco religiosos também foram excluídos da ordem monástica. "Por
causa dos graves acontecimentos ocorridos no mosteiro de Santa
Trinidade de Tanacu, o sacerdote Daniel Corogeanu foi excluído da
ordem", afirmou o bispo em um comunicado. "As quatro freiras,
cúmplices do assassinato, também foram expulsas", acrescentou.

Acusados de seqüestro e homicídio, o padre Corogeanu e as quatro
religiosas foram detidos na quarta-feira à noite por ordem da
promotoria de Vaslui. A irmã Irina, de 23 anos, morreu no último dia
15 depois de ter sido presa a uma cruz, amordaçada e privada de água
e alimentos durante vários dias.

O padre Corogeanu, de 29 anos, assegura que sua atitude foi correta
do ponto de vista religioso e que cumpriu com sua missão "de lutar
contra o diabo". As revelações sobre a morte de irmã Irina causaram
escândalo e vivo debate na Romênia sobre as práticas medievais
toleradas pela igreja ortodoxa.


12 - Igreja Ortodoxa Russa em busca de aliados desde o Vaticano até
Nova Iorque

Ria Novosti 23/05/2005

GAZETA

A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) fez valer nestes últimos dias a sua
capacidade de chegar a acordo com interlocutores "difíceis", como são
a Igreja Ortodoxa Russa no Estrangeiro (IORE) e a Igreja Católica,
bem como manter os contactos com uma das mais influentes uniões
interconfessionais - o Conselho Mundial das Igrejas (CMI).
Nesta semana foram publicados quatro documentos de conciliação, que
descrevem em pormenor como são abordados os problemas na IOR e na
IORE. Este evento coincidiu com a visita a Moscovo do cardeal Walter
Casper, o principal interlocutor no diálogo entre a IOR e o Vaticano,
e duma delegação do CMI. Ontem, o metropolita Kirill, responsável do
Patriarcado de Moscovo pelos contactos religiosos externos, debateu
com o emissário do Vaticano o problema do proselitismo católico na
Ucrânia e na Federação Russa.
O principal obstáculo à conciliação da IOR e da IORE depois de 80
anos da separação é a posição em relação à declaração de 1927 do
Metropolita Serguiy, em que este reconheceu o poder dos bolcheviques
no país e a participação da Igreja Ortodoxa Russa em organizações
ecuménicas internacionais. Nos documentos recentemente aprovados
refere-se que a renúncia da Igreja à declaração de 1927 já é um facto
consumado e, por conseguinte, "tal abre o caminho à plena comunhão
fraterna"
No que concerne às relações ecuménicas da IOR, conforme o secretário
das relações inter-ortodoxas do Patriarcado de Moscovo, arcipreste
Nikolai Balachov, agora estão a ser determinados os limites e as
esferas da cooperação desejada e justificada com os cristãos de
outras confissões".
Na opinião dos analistas, esta diplomacia reflecte a luta entre dois
grupos na Igreja, que determina o pano de fundo da política interna
da Igreja. "As vertentes católica e protestante da política da IOR e
as relações com outras igrejas canónicas competem ao metropolita
Kirill - comenta Maksim Chevtchenko, director do Centro de Pesquisas
Estratégicas Religiosas e Políticas do Mundo Contemporâneo. -
As "pazes" com a IORE não passam além duma acção publicitária, ao
passo que as acções do Departamento de Contactos Religiosos Externos
constituem a política real. A união com a IORE levará à inclusão no
bispado dos adversários dos católicos e ecumenistas, que lutam pelo
poder nos interesses de um grupo bastante reduzido. Mas o metropolita
Kirill desenvolve as suas actividades nos interesses da Igreja e da
Rússia".


13 - NÚNCIO DO VATICANO DENUNCIA FALTA DE LIBERDADE RELIGIOSA NA
TURQUIA

ANCARA, 23 JUN (ANSA) - O núncio do Vaticano na Turquia, o libanês
Edmond Farhat, declarou à ANSA que "na Turquia, que se define uma
democracia laica, a liberdade religiosa existe apenas no papel" já
que "é sancionada na constituição, mas não é aplicada de fato".
"Existem faltas na aplicação das leis para o exercício de outras
religiões, processos que duram décadas, estranhos atrasos,
reticências e resistências que levam a pensar em uma estratégia para
não consentir aos cristãos a mesma liberdade que as religiões não-
cristãs gozam na Europa", acrescentou o Monsenhor Farhat.
"Na Turquia existe um medo do cristianismo institucional não muito
diferente daquele existente em outros países muçulmanos", afirmou o
núncio apostólico.
O núncio também falou sobre a influência da União Européia no
processo da liberdade religiosa na Turquia. "A UE está fazendo muito
pela liberdade religiosa na Turquia. Mas não é suficiente, é preciso
colocar a liberdade religiosa não como uma condição, mas como um
direito", conclui Farhat.(ANSA)
23/06/2005


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