BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 39 -
20 de abril de 2005
MENSAGEM
Prezados
Irmãos em Cristo,
Este
Boletim mostra que em sua primeira homilía depois de eleito o
Papa
Bento XVI se comprometeu em dialogar com todos os cristãos,
mostra
também a repercussão da eleição do novo Papa entre as Igrejas
Orientais,
especialmente as Ortodoxas.
Para um
melhor conhecimento das idéias de Bento XVI sobre a unidade
entre o
Ocidente e Ocidente é preciso ressaltar que o então professor
Ratizinger
na conferência de Graz, em 1976, afirmava que "pode não
ser
impossível hoje, do ponto de vista cristão, o que foi possível
durante
um milênio" e que, a respeito da doutrina do primado, Roma
não pode
pretender do Oriente mais do que foi formulado e praticado
no
primeiro milênio", conforme pode ser visto na entrevista com o
metropolita
ortodoxo Ioannis Zizioulas (notícia n. 14).
Também
foram reproduzidas duas notícias relacionadas com o então
Cardeal
Ratzinger e com o Oriente Cristão, que já foram divulgadas
neste
Boletim (notícias n. 15 e 16).
Que Deus
ilumine o novo Papa e que a Igreja Ortodoxa e a Igreja
Católica
se aproximem cada vez mais da plena comunhão que foi vivida
no
primeiro milênio da Cristandade.
Conforme
já foi informado anteriormente, entrarei de férias e o
Boletim
só retonará a partir de 09/05/2005.
Saudações
Fraternais,
Luis
Felipe
[email protected]
ÍNDICE
1 - Na 1ª
missa, Bento XVI promete diálogo com outras religiões
2 -
Patriarca de Constantinopla convida Bento XVI ao diálogo
3 -
Igreja Ortodoxa Grega satisfeita com eleição de Ratzinger
4 -
Escolha do novo papa atrai a atenção dos gregos
5 -
Igreja Ortodoxa Sérvia espera progresso em diálogo com novo papa
6 -
Patriarca da Igreja Ortodoxa russa deseja "ajuda de Deus" a papa
7 -
MUDANÇA ENTRE RELAÇÕES ENTRE VATICANO E MOSCOVO?
8 -
Rússia e China manifestam esperança em Bento XVI
9 -
Arcebispo Antônio envia mensagem de congratulações a Sua
Santidade
Bento XVI
10 -
IGREJA ORTODOXA PRONTA PARA UNIR ESFORÇOS COM O ESTADO NA LUTA
CONTRA A
DIFUSÃO DA AIDS
11 -
Patriarcado de Moscovo assinou acordo de cooperação com os
Caminhos
de Ferro
12 -
Bispos maronitas comemoram escolha do novo papa
13 -
Ecumenismo foi uma marca do pontificado João Paulo 2º buscou
aproximar
a Igreja Católica do cisma milenar dos ortodoxos, foi o
primeiro
papa a entrar numa mesquita e pediu desculpas aos judeus
14 -
Quando Falamos do "Primado" nós nos referimos ao primado da
Igreja de
Roma, exercido pelo Papa enquanto Bispo dessa Sé.
15 - Após
entrega das relíquias, diálogo teológico católico-ortodoxo
será reiniciado.
Segundo anuncia um arquimandrita da Igreja da Grécia.
16 -
Ratzinger: "A Igreja não pode se reconhecer na
categoria
`Ocidental'"
NOTÍCIAS
1 - Na 1ª
missa, Bento XVI promete diálogo com outras religiões
Agência
Estado e BBC 20/04/05
Em sua primeira
homilia como papa, Bento XVI se comprometeu
oficialmente
a uma abertura no diálogo com outros cristãos e também
com
outras religiões, garantindo a continuidade da obra de seu
antecessor,
João Paulo II. "O sucessor de Pedro assume como
compromisso
primário trabalhar sem economizar energias na
reconstituição
plena e visível da unidade dos seguidores de Cristo e
promover
os contatos e entendimentos com os representantes das
diferentes
igrejas e comunidades eclesiásticas."
Essa foi
uma das afirmações mais fortes contidas na primeira homilia
do novo
chefe da Igreja Católica, lida na missa rezada na manhã desta
quarta-feira
na Capela Sistina, onde ocorreu o conclave que o elegeu
como
sucessor de João Paulo II.
'Não
tenha medo' - Em seu sermão, o novo pontífice recorda com afeto
seu
predecessor, a quem atribui a graça de ter sido eleito
papa.
"Parece que sinto sua mão forte apertar a minha, vejo seus
olhos
sorridentes e ouço suas palavras, dirigidas a mim neste momento
especial:
`Não tenha medo'", afirmou.
O
pontífice afirmou ter ficado surpreso com sua eleição para
suceder
"este grande papa" e que teve uma "sensação de inadequação"
diante da
responsabilidade. Depois, pediu que o Senhor lhe dê forças
para ser
"a pedra sobre a qual todos possam se apoiar com segurança".
O
discurso do papa toca em diversos temas e pode ser visto como um
esboço de
programa do pontificado que se inicia agora. Joseph
Ratzinger
promete continuar a atuação do Concílio Vaticano 2º. "Os
documentos
conciliares não perderam a atualidade, e seus ensinamentos
revelam-se
pertinentes em relação às novas questões da Igreja e da
atual
sociedade globalizada", disse ele em sua homilia em latim, lida
para os
114 cardeais que o elegeram e que estavam presentes à
celebração.
Da plena
comunhão com Cristo, segundo o discurso de Ratzinger, nasce
qualquer
outro elemento da vida da Igreja, em primeiro lugar
a
"comunhão entre os fiéis, o compromisso de anunciar e testemunhar o
evangelho
e o ardor da caridade para com todos, especialmente com os
pobres e
pequenos".
Jovens -
No final de seu sermão, o papa Bento XVI se dirigiu a todos -
chefes de
Estado e de governo, pessoas de todas as categorias
sociais e
especialmente jovens - que participaram dos funerais do
papa João
Paulo II.
"Aquela
intensa participação foi como um pedido de ajuda ao papa por
parte da
atual humanidade que, conturbada por incertezas e temores,
questiona-se
sobre seu futuro", disse Ratzinger, tocando num dos
aspectos
mais marcantes do pontificado de Karol Wojtyla - a
capacidade
de comunicar com todo mundo, não apenas com os católicos.
Ratzinger
faz uma menção especial aos jovens, com os quais João Paulo
II
manteve uma relação especial, confirmando sua presença na Jornada
Mundial
da Juventude em agosto, em Colônia, Alemanha, sua terra
natal.
Dirigindo-se
a todos, Bento XVI, "com simplicidade e afeto",
disse:
"Garanto continuar a tecer com eles um bom diálogo, aberto e
sincero,
em busca do verdadeiro bem do homem e da sociedade".
2 -
Patriarca de Constantinopla convida Bento XVI ao diálogo
AFP
20/04/05
ISTAMBUL,
20 abr (AFP) - O patriarca ecumênico de Constantinopla, a
maior
autoridade da Igreja Ortodoxa, convidou nesta quarta-feira o
novo Papa
Bento XVI a continuar o diálogo entre as Igrejas cristãs
iniciado
por seu antecessor João Paulo II.
"Pensamos
que o novo Papa, que é um grande teólogo (...), estima a
riqueza
da teologia e a espiritualidade de nossa Igreja e que, por
isso, vai
querer cooperar com ela e promover o diálogo teológico",
afirma
Bartolomeu I, segundo uma tradução não-oficial do comunicado
publicado
em grego pelo patriarcado.
O
patriarca saudou "com alegria e esperança a eleição do cardeal
Ratzinger,
conhecido por sua erudição e virtude", esperando que suas
iniciativas
sirvam à "aproximação das Igrejas, do diálogo e do
sossego".
"O
fato de o novo Papa vir da nação alemã, que viveu durante anos a
separação
(...) e que hoje desempenha um grande papel na União da
Europa
(...), oferece esperança e certeza de que poderá expressar a
importânica
da união ou ao menos a cooperação pacífica na cristandade
e no
mundo", acrescentou o comunicado.
3 -
Igreja Ortodoxa Grega satisfeita com eleição de Ratzinger
Diário
Digital / Lusa 19/04/2005
Um
responsável da Igreja Ortodoxa Grega em Portugal congratulou-se
esta
terça-feira com a eleição de Joseph Ratzinger como novo Papa,
que
considerou «muito próximo da ortodoxia» e que será
a
«continuação» do seu antecessor, João Paulo II.
«É com
grande satisfação e alegria que acolhemos e saudamos os
católicos
pela eleição do novo Papa», afirmou à agência Lusa o padre
Alexandre
Bonito, porta-voz da Igreja Ortodoxa Grega, que em Portugal
reúne
cerca de 300 mil fiéis, a maioria dos quais imigrantes.
Na
opinião do padre Alexandre Bonito, Joseph Ratzinger será um
Papa
«muito próximo da ortodoxia», que irá «continuar o diálogo
ecuménico
desenvolvido por João Paulo II e o reforço da união das
duas
igrejas», a católica e a ortodoxa.
Os
ortodoxos gregos veriam com «uma certa apreensão» a eleição de um
Papa «que
transformasse a Igreja, afastando-a mais da ortodoxia»,
disse o
padre, salientando que Ratzinger «será a continuação de João
Paulo II,
mais conservador, mantendo alguns princípios mais
ortodoxos».
Os
cardeais reunidos no conclave desde segunda-feira elegeram Joseph
Ratzinger,
que adoptou o nome de Bento XVI.
4 -
Escolha do novo papa atrai a atenção dos gregos
EFE
19/04/2005
Atenas,
19 abr (EFE).- As televisões gregas interromperam seus
programas
esta tarde para noticiar a eleição do cardeal Joseph
Retzinger
como novo papa.
Apesar de
97% da população na Grécia praticar a religião ortodoxa, os
acontecimentos
após a morte do papa João Paulo II chamaram a atenção
da
opinião pública grega.
A
comunidade católica na Grécia conta com apenas 50 mil católicos
gregos e
o resto é composto por cerca de 300 mil católicos
estrangeiros
residentes no país.
Existem
79 igrejas católicas na Grécia, a maioria delas nas ilhas de
Tinos e
Siros.
5 -
Igreja Ortodoxa Sérvia espera progresso em diálogo com novo papa
EFE 20/04/2005
Belgrado,
20 abr (EFE).- A Igreja Ortodoxa Sérvia (SPC) espera que o
novo
papa, Bento XVI, contribua para o progresso do diálogo entre
ambas as
igrejas, informa hoje, quarta-feira, a agência estatal
sérvia
Tanjug, que entrevista um alto funcionário eclesiástico.
O cardeal
alemão Joseph Ratzinger "é um eminente teólogo católico
romano,
conhecido não só na Igreja Católica Romana, mas no mundo todo
cristão",
declarou à Tanjug o arcebispo Amfilohije.
O
arcebispo Amfilohije destacou que a delegação da SPC que fez uma
visita
oficial ao Vaticano há dois anos também teve uma reunião
oficial
com Ratzinger.
"Então
tivemos longas e muito construtivas discussões teológicas
sobre o
papel da cristandade no mundo contemporâneo e sobre o assunto
do
diálogo entre as Igrejas Ortodoxa e Católica Romana", assinalou o
representante
ortodoxo.
O
arcebispo acrescentou que nessa reunião trataram também de todos os
problemas
existentes hoje entre ambas as Igrejas, sobretudo do
assunto
da união como um dos principais obstáculos para a Igreja
ortodoxa
para um diálogo são. EFE
6 -
Patriarca da Igreja Ortodoxa russa deseja "ajuda de Deus" a papa
EFE
20/04/05
Moscou,
20 abr (EFE).- O Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexis
II,
felicitou hoje, quarta-feira, o papa Bento XVI por sua eleição e
desejou
que tenha a "ajuda de Deus na alta missão de representante da
Igreja
Católica Romana".
"Confio
com toda sinceridade que o pontificado de Sua Santidade
ficará
marcado pelo desenvolvimento de boas relações entre nossas
Igrejas e
por um frutífero diálogo ortodoxo-católico", diz a mensagem.
Alexis II
destacou que "o êxito deste diálogo é uma das tarefas mais
importantes
para todo o mundo cristão".
"Nossas
Igrejas, com seu prestígio e influência, devem unir os
esforços
na difusão dos valores cristãos na humanidade moderna",
escreveu
em sua mensagem o Patriarca.
"O
mundo secular, que perde os referentes espirituais, requer com
imperativo
inaudito nosso testemunho conjunto", ressaltou Alexis II.
Por
último, o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa expressou a
esperança
de que o novo papa "contribuirá para o cumprimento desta
missão".EFE
7 -
MUDANÇA ENTRE RELAÇÕES ENTRE VATICANO E MOSCOVO?
Pravda
19/04/2005
O
Patriarca de Moscovo e Primaz de Toda a Rússia da Igreja Ortodoxa
Russa,
Alexis II, espera que sob o novo Papa Benedicto XVI, as
relações
entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa da
Rússia,
sejam melhores do que sob o pontificado do Papa João Paulo
II.
Alexis II
tinha escrito esse desejo na nota de condolências na
ocasião
da morte do último.
Olga
SELYANINA
PRAVDA.Ru
8 -
Rússia e China manifestam esperança em Bento XVI
Agência
Ecclesia 20/04/2005
O
Patriarca Ortodoxo da Rússia, Alexis II, felicitou hoje o novo Papa
Bento
XVI, revelando esperar um "diálogo frutuoso" entre as duas
Igrejas.
"Espero
sinceramente que o Pontificado de vossa Santidade seja
marcado
pelo desenvolvimento de boas relações entre as nossas duas
Igrejas,
por um diálogo frutuoso entre Ortodoxos e Católicos", disse
na sua
mensagem.
O
Patriarcado de Moscovo acolheu, de facto, de uma forma muito
optimista
a eleição do Cardeal Joseph Ratzinger, esperando melhorias
substanciais
no relacionamento mútuo através da diminuição da "acção
missionária
católica" nos territórios da antiga URSS.
Também a
China felicitou hoje a Igreja Católica pela escolha do novo
Papa, o
alemão Joseph Ratzinger, e apelou ao Vaticano para
criar
"condições favoráveis" à normalização das relações diplomáticas
entre
Pequim e a Santa Sé.
"Enviamos
as nossas felicitações pela escolha de Ratzinger como novo
Papa",
refere um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros
(MNE)
enviado à imprensa, em reacção à eleição do novo chefe da
Igreja
Católica.
No
comunicado, o MNE chinês indica que a Associação Patriótica
Católica
Chinesa "enviou um telegrama de felicitações em nome de
todos os
católicos da China" ao Vaticano.
O
Vaticano é o único Estado na Europa que mantém relações
diplomáticas
com Taiwan em detrimento da China comunista. A
normalização
das relações, do ponto de vista da China, passa pelo
corte de
relações da Santa Sé com Taiwan.
Embora o
Partido Comunista (68 milhões de membros) se declare
oficialmente
ateu, a Constituição chinesa permite a existência de
cinco
Igrejas oficiais, entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de
fiéis.
Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica "clandestina"
conta
mais de 8 milhões de fiéis, que são obrigados a celebrar missas
em
segredo, nas suas casas, sob o risco de serem presos.
A China e
a Rússia foram dois dos países que João Paulo II não
conseguiu
visitar, constituindo dossiês muito complicados para o
Pontificado
de Bento XVI.
9 -
Arcebispo Antônio envia mensagem de congratulações a Sua
Santidade
Bento XVI
www.ecclesia.com.br
20/04/2005
Sua
Eminência, Arcebispo Antônio, presidente do Consistório da Igreja
Ortodoxa
Ucraniana dos EUA envia mensagem de congratulações em nome
dos
hierarcas, clero e fiéis, a Sua Santidade Bento XVI, por ocasião
de sua
eleição como bispo do santo Trono da Velha Roma e Patriarca do
Ocidente.
O texto
da mensagem, datado de 19 de abril de 2005, lê-se como segue.
"Como
membros da comunidade cristã Ortodoxa do mundo, os cristãos
ortodoxos
ucranianos acompanharam com suas orações os eventos que
culminaram
com a eleição de Sua Santidade como bispo do santo Trono
da Sé de
Roma e Patriarca do Ocidente.
Sua
beatitude Metropolita Constantino, primaz da Igreja Ortodoxa
Ucraniana
dos Estados Unidos da América, S. Eminência Arcebispo
Vsevolod,
da Eparquia de Chicago e este, que abaixo assina, Arcebispo
de New
York e Washington - DC e da Eparquia Oriental, asseguramos
nossas
preces pessoais, do nosso venerável clero e fiéis devotos sob
nosso
cuidado pastoral e administrativo. Que a Graça do Santíssimo
Espírito,
Doador da Vida, guie Sua Santidade no labor que ora inicia,
o mesmo
Espírito Santo, que o chamou a realizar.
Num tempo
em que a onda do secularismo lança-se de encontro à Santa
Igreja,
buscando configurá-la aos padrões de uma sociedade
secularizada,
nós, os bispos, clero e fiéis da Igreja Ortodoxa
Ucraniana
dos Estados Unidos da América, rezamos para que, como o
santo
apóstolo Pedro, Sua Santidade possa confirmar seus irmãos da
Santa
Igreja de Roma na fé, cooperando com o Santíssimo Espírito na
restauração
da unidade, do que, seu predecessor, de santa memória,
chamou os
'dois pulmões' da Igreja de Cristo".
Antonio -
Arcebispo, Igreja Ortodoxa Ucraniana dos EUA
Trad. Pe.
André
10 -
IGREJA ORTODOXA PRONTA PARA UNIR ESFORÇOS COM O ESTADO NA LUTA
CONTRA A
DIFUSÃO DA AIDS
Moscou,
19 abr (Rádio Vaticano) - A Igreja Ortodoxa russa está pronta
a
"unir esforços com o Estado", na luta contra a difusão da AIDS, que
está
aumentando em todos os países ex-soviéticos.
Todavia,
o Patriarcado ortodoxo é contrário a toda e qualquer forma
de
propaganda exortando ao uso do preservativo, por não considerá-lo
como
"o remédio indicado para evitar a propagação dessa enfermidade".
É o que
se lê numa declaração de Pe. Mikhail Prokopenko, feita ontem,
falando
em nome do Patriarcado de Moscou, durante uma conferência
internacional
sobre o problema da AIDS.
''A AIDS
é uma enfermidade muito grave deste nosso tempo, e as
instituições
religiosas devem cooperar com os organismos do Estado
para
debelar essa doença" _ disse Pe. Prokopenko, acrescentando,
todavia,
que a "propaganda para o uso do preservativo induz a uma
perigosa
ilusão: a de poder viver no pecado e, ao mesmo tempo, sentir-
se
seguro".
Segundo
Pe. Prokopenko, a questão da AIDS tem não apenas aspectos de
saúde e
políticos, "mas também aspectos morais". "O caminho rumo à
salvação
passa, portanto, por uma revisão de certos comportamentos,
diante de
Deus, na consciência de que a Igreja jamais voltará a
costas
para aqueles que sofrem" _ concluiu Pe. Prokopenko. (AF)
11 -
Patriarcado de Moscovo assinou acordo de cooperação com os
Caminhos
de Ferro
Ria
Novosti - "NOVYE IZVESTIA" 20/04/05
O
Patriarca de Moscovo e de toda a Rússia, Alexi II, acaba de assinar
um acordo
com os Caminhos de Ferro da Rússia (CFR). Desta forma, a
Igreja
Ortodoxa Russa passa a ser monopolista "espiritual" num dos
meios de
transporte mais usado pelos cidadãos, informa o "Novye
Izvestia".
O acordo
de cooperação entre a Igreja e os CFR que, como informou a
Serviço
de Imprensa do Patriarcado, irá abranger um "período de tempo
não
definido", prevê a recuperação em todo o território da Rússia da
actividade
das capelas nos terminais ferroviários, bem como das
carruagens-igrejas
móveis e o desenvolvimento da actividade
missionária
nos comboios de longo curso. Os sacerdotes ortodoxos,
juntamente
com os funcionários dos CFR, tencionam lutar contra
as
"estruturas pseudo-religiosas, que representam perigo para a
sociedade".
Tal significa que irão ser expulsas dos comboios as
pessoas
que distribuam folhetos apelando à participação em diferentes
seitas.
No
entanto não nos devemos esquecer que a actual Rússia, ao contrário
da Rússia
até 1917, é um país em que os crentes e os ateus, os
budistas
e os muçulmanos, os católicos e os protestantes, têm
direitos
iguais. Coloca-se a questão: não levará a actividade da
Igreja
Ortodoxa ao surgimento de uma censura espiritual sobre rodas?
Em
nenhuma das religiões tradicionais existe a prática de estabelecer
acordos
com os ministérios ou com tais estruturas como os Caminhos de
Ferro.
No
entanto, a Igreja Ortodoxa começou ainda no início dos anos 90 a
fazer
acordos a nível federal e regional. Em 1996, foi estabelecido
um acordo
de cooperação com o Ministério do Interior visando a
actividade
conjunta no que se refere à reabilitação de reclusos e
manutenção
da ordem. Em 1999, foi assinado um acordo com a Academia
das
Ciências. Existe um outro acordo com o Ministério da Cultura e
com o
Ministério da Justiça. Para além disso, o Patriarcado possui
entendimentos
com todos os ramos das Forças Armadas.
12 -
Bispos maronitas comemoram escolha do novo papa
EFE 20 de
abril de 2005
Os bispos
maronitas -católicos de rito oriental- reunidos nesta
quarta-feira
sob a presidência do patriarca da Antioquia, Nasrala
Sfeir,
comemoraram a eleição do cardeal Joseph Ratzinger como novo
papa.
Os
prelados destacaram em comunicado feito público no final da
reunião
que Bento XVI foi o braço direito de João Paulo II e que é
conhecido
por sua obra humanitária e seus valores, e lhe desejaram
uma longa
vida a serviço da igreja.
Os bispos
maronitas pediram aos fiéis que rezem para que Deus ajude o
papa em
sua missão e que as igrejas repiquem os sinos no próximo
domingo
ao meio-dia durante quinze minutos, já que esse dia será o
começo de
seu pontificado.
A igreja
maronita é cristã, com liturgia própria, embora renda
obediência
ao papa de Roma.
13 -
Ecumenismo foi uma marca do pontificado João Paulo 2º buscou
aproximar
a Igreja Católica do cisma milenar dos ortodoxos, foi o
primeiro
papa a entrar numa mesquita e pediu desculpas aos judeus
Primeira
Leitura 04/04/2005
Apesar de
ser insistentemente referido como um conservador, João
Paulo 2º
foi um inovador de muitas maneiras, inclusive em relação à
tradição
católica. Uma delas se traduz no grande esforço que ele
empreendeu
durante seu pontificado para consolidar o diálogo da
Igreja
Católica com outras religiões. Outros também promoveram o
ecumenismo,
mas nenhum papa foi tão incisivo em suas ações de
aproximação
com as demais crenças. João Paulo 2º produziu a primeira
encíclica
sobre ecumenismo (Ut Unum Sint) e foi o primeiro Sumo
Pontífice
a entrar numa mesquita, em maio de 2001, ao visitar
Damasco,
capital da Síria.
No
interior da mesquita de Omayyad, disse: "Por todas as vezes, que
muçulmanos
e cristãos ofenderam um ao outro, nós precisamos pedir
perdão".
Também pediu perdão aos judeus tanto pela secular
perseguição
ao esse povo quanto pelo Holocausto. Ele também promoveu
o
primeiro conselho interreligioso, uma reunião de representantes de
mais de
20 crenças, em 1986, na cidade de Assis, na Itália. Em 1999,
enquanto
se desenrolavam os conflitos na Chechênia, no Kosovo e no
Timor
Leste, que, em graus diversos, tinham um fundo religioso, o
Vaticano
promoveu uma nova reunião para recriminar justamente o uso
da
religião para fins políticos.
Claro que
esse movimento não se deu sem contradições ou resistências.
Enquanto
o primeiro conselho teve como tema uma questão
verdadeiramente
universal - a paz mundial -, o segundo, apesar de
também
tratar da mesma questão, tinha como título "No Limiar do
Terceiro
Milênio", uma referência explícita à era cristã. Não à toa,
poucas
religiões foram representadas por suas figuras de proa. Não
foi o
caso, porém, dos católicos ortodoxos, que foram capitaneados
pelo
patriarca ecumênico Bartolomeu 1º, chefe da Igreja Ortodoxa de
Istambul
e considerado o "primeiro entre pares" (os ortodoxos não têm
um único
líder religioso).
Justifica-se
que assim tenha sido. Desde o início de seu pontificado,
João
Paulo 2º deu prioridade à reaproximação com o cisma dos
ortodoxos,
que se separaram de Roma formalmente, depois de anos de
desentendimentos,
em 1054, quando o papa Leão 9º e o patriarca Miguel
1º, de
Istambul, excomungaram um ao outro. Em 1999, Bartolomeu 1º
recebeu
uma calorosa recepção do papa, que prometeu devolver-lhe a
visita,
indo a "Constantinopla e Nova Roma", como se referem os
textos
eclesiásticos à hoje capital da Turquia. Essa segunda viagem a
Istambul,
porém, jamais aconteceu.
João
Paulo 2º esteve na cidade em 1979, em visita ao então patriarca
Dimitrios
1º, e afirmou ali seu objetivo de reunificar os católicos,
o que
também foi mencionado em sua primeira encíclica Redemptor
Hominis.
Dimitrios retribuiu a visita, uma evento de suprema
importância
histórica, considerando-se as hostilidades entre as duas
igrejas.
As relações, porém, não seguiram uma crescente melhora.
Divergências
entre os próprios ortodoxos e entre estes e os católicos
romanos
levaram a novas tensões entre Leste e Oeste, em especial pelo
esforço
de expansão da Igreja Católica na Rússia pós-comunista.
O objetivo
da reunificação, portanto, continua distante, se é que
algum dia
poderá ser alcançado. Da mesma maneira, os gestos do papa
em
relação a outras religiões tiveram leituras diversas. Ao mesmo
tempo em
que muitos judeus se sentiram gratos pelos pedidos de
desculpa
de João Paulo 2º, outros chegaram a manifestar ceticismo em
relação
às suas intenções. Os muçulmanos também tiveram reações
duais.
Alguns hindus se sentiram ofendidos pela defesa, feita na
própria
Índia, do direito de cada indivíduo de mudar de fé, se assim
se
convencer. Tratava-se, obviamente, das palavras do líder de uma
igreja, a
Igreja Católica.
14 -
Quando Falamos do "Primado" nós nos referimos ao primado da
Igreja de
Roma, exercido pelo Papa enquanto Bispo dessa Sé.
Entrevista
com Ioannis Zizioulas, metropolita Ortodoxo de Pérgamo
Joannis
Zizioulas, metropolita de Pérgamo, na Turquia, é um dos
teólogos
ortodoxos mais respeitados, sobretudo no Ocidente. "E um dos
mais
originais e profundos teólogos da nossa época", já escrevia
sobre ele
no início da década de 1980 o padre Yves Congar. Ao longo
dos anos,
esse homem de Igreja de maneiras corteses e aristocráticas
continuou
sua leitura aguda e penetrante da tradição dos Padres
gregos,
aprofundando sua percepção que baseia toda a realidade e vida
da Igreja
no sacramento da eucaristia.
Zizioulas
participou várias vezes do debate teológico sobre o
primado,
definido por ele "condicio sine qua non da catolicidade da
Igreja".
No Simpósio Romano do final de maio, sua conferência sobre
as
recentes discussões entre os teólogos ortodoxos em torno do
primado
esteve entre as mais assistidas e debatidas.
Como
mudou nos últimos tempos a abordagem da questão do primado
petrino
por parte dos teólogos ortodoxos?
JOANNIS
ZIZIOULAS: Quero lembrar que tradicionalmente o primado do
bispo de
Roma, tal como se estruturou ao longo dos séculos, tem sido
considerado
pela Igreja Ortodoxa uma espécie de imperialismo
religioso,
não conforme à tradição sinodal da Igreja, que prevê que
membros
do episcopado, enquanto sucessores dos apóstolos, exerçam
colegialmente
o ministério da autoridade. Nas últimas décadas,
surgiram
oportunidades para reconsiderar a questão numa perspectiva
nova,
aberta pela eclesiologia de comunhão indicada também pelo
Concílio
Vaticano II.
A seu ver,
que traços dessa eclesiologia podem abrir novos cenários à
querela
secular sobre o primado?
ZIZIOULAS:
Numa eclesiologia de comunhão, toda Igreja local é Igreja
em
sentido pleno, em virtude da eucaristia por ela celebrada segundo
o mandato
confiado por Jesus aos apóstolos e seus sucessores. Sob
esse
aspecto, todos os bispos são iguais: as Igrejas locais por eles
guiadas
são Igrejas em sentido pleno, quaisquer que sejam suas
dimensões
ou o número de seus fiéis. Por isso, nenhuma instituição,
como os
sínodos, os concílios ou o primado deveriam funcionar de
maneira a
comprometer ou eliminar a plenitude da Igreja local.
De que
forma e dentro de que limites as Igrejas Ortodoxas poderiam
reconhecer
o exercício de um primado universal?
ZIZIOULAS:
Segundo a Tradição, o bispo de Roma é o primeiro bispo de
toda a
Igreja. A dificuldade a respeito do primado petrino está no
fato de
que ele implica uma jurisdição universal pela qual o papa
pode
interferir na Igreja local. Mas, se pudermos encontrar um
caminho
para acolher o primado universal do papa que não comporte
danos à
plenitude da Igreja local, nós poderemos aceitá-lo.
Se a
Igreja Ortodoxa não pode reconhecer a jurisdição universal do
bispo de
Roma, como seria definido concretamente o reconhecimento de
seu
primado por parte dos ortodoxos?
ZIZIOULAS:
Sobre isso, as coisas ainda precisam ser avaliadas. No meu
ponto de
vista, em primeiro lugar, o bispo de Roma não deveria fazer
nada sem
os outros bispos. Deveria sempre consultá-los. Além disso,
não deveria
interferir na vida normal das outras dioceses e das
outras
Igrejas. Ele é o bispo de sua Igreja. Pode ter uma influência
moral e,
canonicamente, pode ter o poder de convocar os sínodos e de
se
exprimir como porta-voz de toda a Igreja. Mas não pode fazer nada
de forma
solitária. Não representa toda a Igreja enquanto indivíduo.
Só pode
ser guardião do depositum dei em comunhão com os outros
bispos.
Que
critérios deveriam inspirar as relações entre o papa e os outros
bispos?
ZIZIOULAS:
Em primeiro lugar, o próprio papa é um bispo e todos os
bispos
são sacramentalmente iguais a ele, receberam a mesma graça.
Enquanto
bispo, ele mesmo é o chefe de uma Igreja local. O próprio
primado
não pertence a ele, mas a sua Igreja. Quando falamos do
primado,
nós nos referimos ao primado da Igreja de Roma, que é
exercido
pelo papa enquanto bispo daquela sé.
O bispo
de Roma fundamenta seu primado no fato de ser sucessor do
apóstolo
Pedro...
ZIZIOULAS:
Nas Igrejas do Oriente, todos podem reconhecer que,
segundo a
Tradição da Igreja, o bispo de Roma é o primeiro bispo. Mas
o fato de
fundamentar seu primado na sucessão de Pedro já é uma
questão
problemática. O reconhecimento dessa posição primacial nos
primeiros
séculos nada mais era que um fato consumado, uma tradição
que podia
estar também relacionada à importância da cidade de Roma do
ponto de
vista político. Obviamente, os bispos de Roma sempre
consideraram
seu papel na Igreja ligado à sucessão de Pedro. Ao passo
que, na
Igreja bizantina, essa não era a razão pela qual o papa era
reconhecido
como primeiro entre os bispos. Existia uma taxis, uma
ordem
estabelecida, segundo a qual a primeira sé era a de Roma, a
segunda,
a de Alexandria, a terceira, a de Antioquia. Depois havia a
de Constantinopla,
que se tornou segunda, ou foi considerada até
mesmo à
altura da sé de Roma, segundo o que se estabeleceu nos
concílios
ecumênicos. Seja como for, isso era aceito como um fato
consumado,
sem que houvesse uma teoria definida a respeito da
sucessão
de Pedro.
Na
célebre conferência de Graz, em 1976, o então professor Joseph
Ratzinger
afirmava que "pode não ser impossível hoje, do ponto de
vista
cristão, o que foi possível durante um milênio" e que, a
respeito
da doutrina do primado, Roma não pode pretender do Oriente
mais do
que foi formulado e praticado no primeiro milênio". O senhor
acha que
hoje a abordagem dessa temática por parte dos católicos
ainda
está de acordo com essa famosa "fórmula Ratzinger"?
ZIZIOULAS:
Acho que, no momento atual, a Igreja de Roma não leva em
conta
essa fórmula. Nos encontros de diálogo com os ortodoxos, os
representantes
católicos tendem a deixar de lado a perspectiva
indicada
pela experiência de unidade do primeiro milênio. Isso é uma
pena,
obviamente. Mas nós hoje temos de buscar um caminho para nos
encontrarmos
sobre outras bases, e estas podem ser indicadas pela
eclesiologia
de comunhão.
Nos
últimos dez anos, o diálogo teológico oficial encalhou em torno
das
querelas sobre o uniatismo. Que condições há para esperar que
comece a
discussão sobre uma questão tão difícil quanto a do primado?
ZIZIOULAS:
Mas o problema do uniatismo está também estreitamente
ligado ao
do primado. Sobre isso não há dúvidas. Espero, inclusive,
que o
diálogo teológico possa voltar a caminhar encarando justamente
a questão
do primado. Dentro desse contexto, e relacionandose com
ele, a
discussão estagnada sobre o uniatismo talvez também possa ter
um novo
andamento. Essa discussão não pode ser encarada como um
problema
distinto, como ocorreu nos últimos dez anos, mas, sim, como
parte do
diálogo amplo sobre a eclesiologia.
As vezes
se tem a impressão de que no imaginário coletivo, também por
influência
da mídia, a Igreja inteira seja identificada com o Papa e
suas
iniciativas.
ZIZIOULAS:
Isso pode ser um perigo, pois pode dar a impressão de que
no
universo inteiro só existe uma diocese, com um só bispo universal,
o que não
ajuda a eclesiologia de comunhão a se tornar base para um
possível
reconhecimento do primado da Igreja de Roma pqr parte das
Igrejas
do Oriente. Pode também dar a impressão de que a Igreja não é
uma
realidade doada por Deus, mas feita pelos eclesiásticos. Ao passo
que, se
reconhecermos a eucaristia como base da nossa eclesiologia,
reconheceremos
que a Igreja vem de Deus como um dom. Que não somos
nós que a
fazemos.
Fonte:
Revista 30 Dias - Ano XXI - Nº 6 - Julho 2003, páginas 22-24
15 - Após
entrega das relíquias, diálogo teológico católico-ortodoxo
será
reiniciado. Segundo anuncia um arquimandrita da Igreja da Grécia.
Fonte:
Zenit 25/11/2004
CIDADE DO
VATICANO, quinta-feira, 25 de novembro de 2004
(ZENIT.org
).- Quando João Paulo II entregar as relíquias dos santos
Gregório
Nacianceno e João Crisóstomo, doutores da Igreja do Oriente,
ao
patriarca ecumênico Bartolomeu I, será relançado o diálogo
teológico
entre as Igrejas ortodoxas e a católica, afirma um
representante
ortodoxo.
O
arquimandrita Ignatios Sotiriadis, da Igreja ortodoxa grega,
reconheceu
esta quinta-feira em declarações a «Rádio Vaticano»
que,
«para nós, o significado deste acontecimento é muito especial,
pois a
entrega destas relíquias significa que se cria mais uma ponte
entre as
Igrejas irmãs de Constantinopla e Roma, entre a Igreja
católica
e a ortodoxa».
O
patriarca ecumênico de Constantinopla, «primus inter pares» entre
as
Igrejas ortodoxas, chegará esta sexta-feira a Roma em visita de
dois dias
de duração.
A entrega
das relíquias acontecerá em uma cerimônia ecumênica na
basílica
de São Pedro, no sábado.
Um
comunicado publicado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da
Unidade
dos Cristãos revelou que este gesto acontece após o patriarca
se
encontrar com João Paulo II em 29 de junho deste ano em Roma e o
convidar
para visitar Istambul.
Bartolomeu
I perguntou ao mesmo tempo ao Papa se as relíquias dos
santos
que se encontram na basílica vaticana podiam regressar à sede
de
Constantinopla. Ao encontro seguiu uma troca de correspondência
cujo
resultado culminou com este acontecimento ecumênico.
«A
entrega das relíquias --indica o comunicado vaticano-- é um sinal
profundo
que anima a percorrer o caminho da unidade: os restos
mortais
dos dois santos patriarcas de Constantinopla que trabalharam
por
salvaguardar a unidade entre Oriente e Ocidente, venerados em sua
terra de
origem, acolhidos com grande honra na Igreja de Roma, que
durante
muitos séculos os conservaram e veneraram com amor,
encaminham-se
de novo para o Oriente, graças a um gesto de divisão
espiritual
que nutre e fortifica a comunhão entre as sedes de Roma e
Constantinopla».
João
Paulo II pediu que as relíquias fossem colocadas em duas urnas
de
cristal custodiadas em dois relicários de alabastro. Quando
chegarem
a Istambul serão depositadas em uma capela do patriarca e na
festividade
de Santo André serão instaladas definitivamente na igreja
patriarcal
de São Jorge.
No
regresso a Istambul para celebrar a festa de Santo André (30 de
novembro),
patrono do patriarcado ecumênico, Bartolomeu I estará
acompanhado
por uma delegação da Santa Sé da qual formam parte o
cardeal
Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a
Promoção
da Unidade dos Cristãos, o bispo Brian Farrel LC, secretário
do mesmo
dicastério, o arcebispo Edmond Farhat, núncio apostólico na
Turquia e
monsenhor Johan J. Bonny.
Pelo que
se refere às relações entre católicos e ortodoxos, o
arquimandrita
Sotiriadis afirma: «O problema que fica por superar é
o
"uniatismo"». Com esta expressão se refere aos católicos de rito
oriental
que vivem em terras da Europa do Leste, de maioria ortodoxa.
«Este
problema há que ser superado, mas se decidiu que o diálogo
ecumênico,
como diálogo teológico, recomeçará após a entrega destas
insignes
relíquias ao patriarca ecumênico e após a festa de Santo
André».
«As
discussões começarão com o ministério petrino (ou do Papa, ndr) e
depois se
verão as demais questões», sublinha.
«Eu creio
que nossos chefes religiosos, eclesiásticos, nossos
superiores
das Igrejas ainda não se sentaram em torno a uma mesa-
redonda,
talvez a portas fechadas, para discutir sobre um processo
veloz de
reaproximação das Igrejas».
«Desde
meu ponto de vista, houve grandes gestos, fotos foram tiradas
e
presentes trocados. Agora se necessita de um ecumenismo mais
espiritual,
ou seja, um ecumenismo de base. Agora têm de falar os
povos, os
sacerdotes, as paróquias, as pessoas entre si. É necessário
converter-se
em amigos e não falar como diplomatas, mas como irmãos».
O
arquimandrita crê que o futuro da unidade passa pela senda
traçada
«por todos nossos teólogos ortodoxos e por todos nossos
historiadores,
assim como por insignes teólogos do Ocidente, da
Igreja
católica, como o cardeal Joseph Ratzinger, que fala de uma
unidade
ou uma reunificação segundo os modelos históricos do primeiro
milênio».
16 -
Ratzinger: "A Igreja não pode se reconhecer na
categoria
`Ocidental'"
Fonte:
Revista 30 Dias - Novembro de 2004
"Substancialmente,
a Igreja não pode se reconhecer na
categoria
`Ocidental'. Seria equivocado histórica, empírica e
teologicamente.
Historicamente, sabemos que o cristianismo nasceu do
cruzamento
da Europa, Ásia e África, e isso indica também algo da sua
essência
interna [...]. No seu início, a expansão do cristianismo
dirigia-se
do mesmo modo para o Oriente, rumo à China, Índia, Pérsia
e Arábia
e ao Ocidente. Infelizmente, depois no nascimento do Islã,
grande
parte desta cristandade oriental desapareceu. Mas não
completamente,
pois existem elementos desta cristandade histórica que
testemunham
a sua universalidade, e mesmo a cristandade européia
divide-se
em ocidental e oriental [...]. De modo empírico, não só
temos esta
grande herança histórica, mas o cristianismo está
presente,
com minorias de força espiritual reconhecida, em todos os
continentes.
O eixo da cristandade desloca-se cada vez mais para os
novos
continentes, rumo à África, Ásia, América Latina. A Europa
ainda é
uma fonte essencial para o desenvolvimento do cristianismo,
todavia,
começa a isolar-se justamente com a discussão sobre a sua
identidade.
Teologicamente, pois a Igreja, pela sua essência, deveria
transcender
as culturas, ser o fato de que não está ligada a uma
cultura
determinada, mas que ajuda o êxodo da prisão de uma cultura e
a
comunicação das culturas". Palavras do cardeal Joseph Ratzinger,
prefeito
da Congregação para a Doutrina da Fé, no decorrer de um
encontro-diálogo
com o professor Ernesto Galli della Loggia,
realizado
no Palácio Colonna, em Roma, no dia 25 de outubro de 2004.
O debate
foi moderado pelo engenheiro Gaetano Rebecchini, presidente
do Centro
de Orientação Política, a fundação que organizou o evento.
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