BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 39 - 20 de abril de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Este Boletim mostra que em sua primeira homilía depois de eleito o
Papa Bento XVI se comprometeu em dialogar com todos os cristãos,
mostra também a repercussão da eleição do novo Papa entre as Igrejas
Orientais, especialmente as Ortodoxas.

Para um melhor conhecimento das idéias de Bento XVI sobre a unidade
entre o Ocidente e Ocidente é preciso ressaltar que o então professor
Ratizinger na conferência de Graz, em 1976, afirmava que "pode não
ser impossível hoje, do ponto de vista cristão, o que foi possível
durante um milênio" e que, a respeito da doutrina do primado, Roma
não pode pretender do Oriente mais do que foi formulado e praticado
no primeiro milênio", conforme pode ser visto na entrevista com o
metropolita ortodoxo Ioannis Zizioulas (notícia n. 14).

Também foram reproduzidas duas notícias relacionadas com o então
Cardeal Ratzinger e com o Oriente Cristão, que já foram divulgadas
neste Boletim (notícias n. 15 e 16).

Que Deus ilumine o novo Papa e que a Igreja Ortodoxa e a Igreja
Católica se aproximem cada vez mais da plena comunhão que foi vivida
no primeiro milênio da Cristandade.

Conforme já foi informado anteriormente, entrarei de férias e o
Boletim só retonará a partir de 09/05/2005.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
[email protected]


ÍNDICE

1 - Na 1ª missa, Bento XVI promete diálogo com outras religiões

2 - Patriarca de Constantinopla convida Bento XVI ao diálogo

3 - Igreja Ortodoxa Grega satisfeita com eleição de Ratzinger

4 - Escolha do novo papa atrai a atenção dos gregos

5 - Igreja Ortodoxa Sérvia espera progresso em diálogo com novo papa

6 - Patriarca da Igreja Ortodoxa russa deseja "ajuda de Deus" a papa

7 - MUDANÇA ENTRE RELAÇÕES ENTRE VATICANO E MOSCOVO?

8 - Rússia e China manifestam esperança em Bento XVI

9 - Arcebispo Antônio envia mensagem de congratulações a Sua
Santidade Bento XVI

10 - IGREJA ORTODOXA PRONTA PARA UNIR ESFORÇOS COM O ESTADO NA LUTA
CONTRA A DIFUSÃO DA AIDS

11 - Patriarcado de Moscovo assinou acordo de cooperação com os
Caminhos de Ferro

12 - Bispos maronitas comemoram escolha do novo papa

13 - Ecumenismo foi uma marca do pontificado João Paulo 2º buscou
aproximar a Igreja Católica do cisma milenar dos ortodoxos, foi o
primeiro papa a entrar numa mesquita e pediu desculpas aos judeus

14 - Quando Falamos do "Primado" nós nos referimos ao primado da
Igreja de Roma, exercido pelo Papa enquanto Bispo dessa Sé.

15 - Após entrega das relíquias, diálogo teológico católico-ortodoxo
será reiniciado. Segundo anuncia um arquimandrita da Igreja da Grécia.

16 - Ratzinger: "A Igreja não pode se reconhecer na
categoria `Ocidental'"


NOTÍCIAS


1 - Na 1ª missa, Bento XVI promete diálogo com outras religiões

Agência Estado e BBC 20/04/05

Em sua primeira homilia como papa, Bento XVI se comprometeu
oficialmente a uma abertura no diálogo com outros cristãos e também
com outras religiões, garantindo a continuidade da obra de seu
antecessor, João Paulo II. "O sucessor de Pedro assume como
compromisso primário trabalhar sem economizar energias na
reconstituição plena e visível da unidade dos seguidores de Cristo e
promover os contatos e entendimentos com os representantes das
diferentes igrejas e comunidades eclesiásticas."
Essa foi uma das afirmações mais fortes contidas na primeira homilia
do novo chefe da Igreja Católica, lida na missa rezada na manhã desta
quarta-feira na Capela Sistina, onde ocorreu o conclave que o elegeu
como sucessor de João Paulo II.
'Não tenha medo' - Em seu sermão, o novo pontífice recorda com afeto
seu predecessor, a quem atribui a graça de ter sido eleito
papa. "Parece que sinto sua mão forte apertar a minha, vejo seus
olhos sorridentes e ouço suas palavras, dirigidas a mim neste momento
especial: `Não tenha medo'", afirmou.
O pontífice afirmou ter ficado surpreso com sua eleição para
suceder "este grande papa" e que teve uma "sensação de inadequação"
diante da responsabilidade. Depois, pediu que o Senhor lhe dê forças
para ser "a pedra sobre a qual todos possam se apoiar com segurança".
O discurso do papa toca em diversos temas e pode ser visto como um
esboço de programa do pontificado que se inicia agora. Joseph
Ratzinger promete continuar a atuação do Concílio Vaticano 2º. "Os
documentos conciliares não perderam a atualidade, e seus ensinamentos
revelam-se pertinentes em relação às novas questões da Igreja e da
atual sociedade globalizada", disse ele em sua homilia em latim, lida
para os 114 cardeais que o elegeram e que estavam presentes à
celebração.
Da plena comunhão com Cristo, segundo o discurso de Ratzinger, nasce
qualquer outro elemento da vida da Igreja, em primeiro lugar
a "comunhão entre os fiéis, o compromisso de anunciar e testemunhar o
evangelho e o ardor da caridade para com todos, especialmente com os
pobres e pequenos".
Jovens - No final de seu sermão, o papa Bento XVI se dirigiu a todos -
chefes de Estado e de governo, pessoas de todas as categorias
sociais e especialmente jovens - que participaram dos funerais do
papa João Paulo II.
"Aquela intensa participação foi como um pedido de ajuda ao papa por
parte da atual humanidade que, conturbada por incertezas e temores,
questiona-se sobre seu futuro", disse Ratzinger, tocando num dos
aspectos mais marcantes do pontificado de Karol Wojtyla - a
capacidade de comunicar com todo mundo, não apenas com os católicos.
Ratzinger faz uma menção especial aos jovens, com os quais João Paulo
II manteve uma relação especial, confirmando sua presença na Jornada
Mundial da Juventude em agosto, em Colônia, Alemanha, sua terra
natal.
Dirigindo-se a todos, Bento XVI, "com simplicidade e afeto",
disse: "Garanto continuar a tecer com eles um bom diálogo, aberto e
sincero, em busca do verdadeiro bem do homem e da sociedade".


2 - Patriarca de Constantinopla convida Bento XVI ao diálogo

AFP 20/04/05

ISTAMBUL, 20 abr (AFP) - O patriarca ecumênico de Constantinopla, a
maior autoridade da Igreja Ortodoxa, convidou nesta quarta-feira o
novo Papa Bento XVI a continuar o diálogo entre as Igrejas cristãs
iniciado por seu antecessor João Paulo II.

"Pensamos que o novo Papa, que é um grande teólogo (...), estima a
riqueza da teologia e a espiritualidade de nossa Igreja e que, por
isso, vai querer cooperar com ela e promover o diálogo teológico",
afirma Bartolomeu I, segundo uma tradução não-oficial do comunicado
publicado em grego pelo patriarcado.

O patriarca saudou "com alegria e esperança a eleição do cardeal
Ratzinger, conhecido por sua erudição e virtude", esperando que suas
iniciativas sirvam à "aproximação das Igrejas, do diálogo e do
sossego".

"O fato de o novo Papa vir da nação alemã, que viveu durante anos a
separação (...) e que hoje desempenha um grande papel na União da
Europa (...), oferece esperança e certeza de que poderá expressar a
importânica da união ou ao menos a cooperação pacífica na cristandade
e no mundo", acrescentou o comunicado.


3 - Igreja Ortodoxa Grega satisfeita com eleição de Ratzinger

Diário Digital / Lusa 19/04/2005

Um responsável da Igreja Ortodoxa Grega em Portugal congratulou-se
esta terça-feira com a eleição de Joseph Ratzinger como novo Papa,
que considerou «muito próximo da ortodoxia» e que será
a «continuação» do seu antecessor, João Paulo II.

«É com grande satisfação e alegria que acolhemos e saudamos os
católicos pela eleição do novo Papa», afirmou à agência Lusa o padre
Alexandre Bonito, porta-voz da Igreja Ortodoxa Grega, que em Portugal
reúne cerca de 300 mil fiéis, a maioria dos quais imigrantes.
Na opinião do padre Alexandre Bonito, Joseph Ratzinger será um
Papa «muito próximo da ortodoxia», que irá «continuar o diálogo
ecuménico desenvolvido por João Paulo II e o reforço da união das
duas igrejas», a católica e a ortodoxa.

Os ortodoxos gregos veriam com «uma certa apreensão» a eleição de um
Papa «que transformasse a Igreja, afastando-a mais da ortodoxia»,
disse o padre, salientando que Ratzinger «será a continuação de João
Paulo II, mais conservador, mantendo alguns princípios mais
ortodoxos».

Os cardeais reunidos no conclave desde segunda-feira elegeram Joseph
Ratzinger, que adoptou o nome de Bento XVI.


4 - Escolha do novo papa atrai a atenção dos gregos

EFE 19/04/2005

Atenas, 19 abr (EFE).- As televisões gregas interromperam seus
programas esta tarde para noticiar a eleição do cardeal Joseph
Retzinger como novo papa.

Apesar de 97% da população na Grécia praticar a religião ortodoxa, os
acontecimentos após a morte do papa João Paulo II chamaram a atenção
da opinião pública grega.

A comunidade católica na Grécia conta com apenas 50 mil católicos
gregos e o resto é composto por cerca de 300 mil católicos
estrangeiros residentes no país.

Existem 79 igrejas católicas na Grécia, a maioria delas nas ilhas de
Tinos e Siros.


5 - Igreja Ortodoxa Sérvia espera progresso em diálogo com novo papa

EFE 20/04/2005

Belgrado, 20 abr (EFE).- A Igreja Ortodoxa Sérvia (SPC) espera que o
novo papa, Bento XVI, contribua para o progresso do diálogo entre
ambas as igrejas, informa hoje, quarta-feira, a agência estatal
sérvia Tanjug, que entrevista um alto funcionário eclesiástico.

O cardeal alemão Joseph Ratzinger "é um eminente teólogo católico
romano, conhecido não só na Igreja Católica Romana, mas no mundo todo
cristão", declarou à Tanjug o arcebispo Amfilohije.

O arcebispo Amfilohije destacou que a delegação da SPC que fez uma
visita oficial ao Vaticano há dois anos também teve uma reunião
oficial com Ratzinger.

"Então tivemos longas e muito construtivas discussões teológicas
sobre o papel da cristandade no mundo contemporâneo e sobre o assunto
do diálogo entre as Igrejas Ortodoxa e Católica Romana", assinalou o
representante ortodoxo.

O arcebispo acrescentou que nessa reunião trataram também de todos os
problemas existentes hoje entre ambas as Igrejas, sobretudo do
assunto da união como um dos principais obstáculos para a Igreja
ortodoxa para um diálogo são. EFE


6 - Patriarca da Igreja Ortodoxa russa deseja "ajuda de Deus" a papa

EFE 20/04/05

Moscou, 20 abr (EFE).- O Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexis
II, felicitou hoje, quarta-feira, o papa Bento XVI por sua eleição e
desejou que tenha a "ajuda de Deus na alta missão de representante da
Igreja Católica Romana".

"Confio com toda sinceridade que o pontificado de Sua Santidade
ficará marcado pelo desenvolvimento de boas relações entre nossas
Igrejas e por um frutífero diálogo ortodoxo-católico", diz a mensagem.

Alexis II destacou que "o êxito deste diálogo é uma das tarefas mais
importantes para todo o mundo cristão".

"Nossas Igrejas, com seu prestígio e influência, devem unir os
esforços na difusão dos valores cristãos na humanidade moderna",
escreveu em sua mensagem o Patriarca.

"O mundo secular, que perde os referentes espirituais, requer com
imperativo inaudito nosso testemunho conjunto", ressaltou Alexis II.

Por último, o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa expressou a
esperança de que o novo papa "contribuirá para o cumprimento desta
missão".EFE


7 - MUDANÇA ENTRE RELAÇÕES ENTRE VATICANO E MOSCOVO?

Pravda 19/04/2005

O Patriarca de Moscovo e Primaz de Toda a Rússia da Igreja Ortodoxa
Russa, Alexis II, espera que sob o novo Papa Benedicto XVI, as
relações entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa da
Rússia, sejam melhores do que sob o pontificado do Papa João Paulo
II.

Alexis II tinha escrito esse desejo na nota de condolências na
ocasião da morte do último.

Olga SELYANINA
PRAVDA.Ru


8 - Rússia e China manifestam esperança em Bento XVI

Agência Ecclesia 20/04/2005

O Patriarca Ortodoxo da Rússia, Alexis II, felicitou hoje o novo Papa
Bento XVI, revelando esperar um "diálogo frutuoso" entre as duas
Igrejas.
"Espero sinceramente que o Pontificado de vossa Santidade seja
marcado pelo desenvolvimento de boas relações entre as nossas duas
Igrejas, por um diálogo frutuoso entre Ortodoxos e Católicos", disse
na sua mensagem.
O Patriarcado de Moscovo acolheu, de facto, de uma forma muito
optimista a eleição do Cardeal Joseph Ratzinger, esperando melhorias
substanciais no relacionamento mútuo através da diminuição da "acção
missionária católica" nos territórios da antiga URSS.
Também a China felicitou hoje a Igreja Católica pela escolha do novo
Papa, o alemão Joseph Ratzinger, e apelou ao Vaticano para
criar "condições favoráveis" à normalização das relações diplomáticas
entre Pequim e a Santa Sé.
"Enviamos as nossas felicitações pela escolha de Ratzinger como novo
Papa", refere um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros
(MNE) enviado à imprensa, em reacção à eleição do novo chefe da
Igreja Católica.
No comunicado, o MNE chinês indica que a Associação Patriótica
Católica Chinesa "enviou um telegrama de felicitações em nome de
todos os católicos da China" ao Vaticano.
O Vaticano é o único Estado na Europa que mantém relações
diplomáticas com Taiwan em detrimento da China comunista. A
normalização das relações, do ponto de vista da China, passa pelo
corte de relações da Santa Sé com Taiwan.
Embora o Partido Comunista (68 milhões de membros) se declare
oficialmente ateu, a Constituição chinesa permite a existência de
cinco Igrejas oficiais, entre elas a Católica, que tem 5,2 milhões de
fiéis. Segundo fontes do Vaticano, a Igreja Católica "clandestina"
conta mais de 8 milhões de fiéis, que são obrigados a celebrar missas
em segredo, nas suas casas, sob o risco de serem presos.
A China e a Rússia foram dois dos países que João Paulo II não
conseguiu visitar, constituindo dossiês muito complicados para o
Pontificado de Bento XVI.


9 - Arcebispo Antônio envia mensagem de congratulações a Sua
Santidade Bento XVI

www.ecclesia.com.br 20/04/2005

Sua Eminência, Arcebispo Antônio, presidente do Consistório da Igreja
Ortodoxa Ucraniana dos EUA envia mensagem de congratulações em nome
dos hierarcas, clero e fiéis, a Sua Santidade Bento XVI, por ocasião
de sua eleição como bispo do santo Trono da Velha Roma e Patriarca do
Ocidente.
O texto da mensagem, datado de 19 de abril de 2005, lê-se como segue.
"Como membros da comunidade cristã Ortodoxa do mundo, os cristãos
ortodoxos ucranianos acompanharam com suas orações os eventos que
culminaram com a eleição de Sua Santidade como bispo do santo Trono
da Sé de Roma e Patriarca do Ocidente.
Sua beatitude Metropolita Constantino, primaz da Igreja Ortodoxa
Ucraniana dos Estados Unidos da América, S. Eminência Arcebispo
Vsevolod, da Eparquia de Chicago e este, que abaixo assina, Arcebispo
de New York e Washington - DC e da Eparquia Oriental, asseguramos
nossas preces pessoais, do nosso venerável clero e fiéis devotos sob
nosso cuidado pastoral e administrativo. Que a Graça do Santíssimo
Espírito, Doador da Vida, guie Sua Santidade no labor que ora inicia,
o mesmo Espírito Santo, que o chamou a realizar.
Num tempo em que a onda do secularismo lança-se de encontro à Santa
Igreja, buscando configurá-la aos padrões de uma sociedade
secularizada, nós, os bispos, clero e fiéis da Igreja Ortodoxa
Ucraniana dos Estados Unidos da América, rezamos para que, como o
santo apóstolo Pedro, Sua Santidade possa confirmar seus irmãos da
Santa Igreja de Roma na fé, cooperando com o Santíssimo Espírito na
restauração da unidade, do que, seu predecessor, de santa memória,
chamou os 'dois pulmões' da Igreja de Cristo".
Antonio - Arcebispo, Igreja Ortodoxa Ucraniana dos EUA
Trad. Pe. André


10 - IGREJA ORTODOXA PRONTA PARA UNIR ESFORÇOS COM O ESTADO NA LUTA
CONTRA A DIFUSÃO DA AIDS

Moscou, 19 abr (Rádio Vaticano) - A Igreja Ortodoxa russa está pronta
a "unir esforços com o Estado", na luta contra a difusão da AIDS, que
está aumentando em todos os países ex-soviéticos.
Todavia, o Patriarcado ortodoxo é contrário a toda e qualquer forma
de propaganda exortando ao uso do preservativo, por não considerá-lo
como "o remédio indicado para evitar a propagação dessa enfermidade".
É o que se lê numa declaração de Pe. Mikhail Prokopenko, feita ontem,
falando em nome do Patriarcado de Moscou, durante uma conferência
internacional sobre o problema da AIDS.
''A AIDS é uma enfermidade muito grave deste nosso tempo, e as
instituições religiosas devem cooperar com os organismos do Estado
para debelar essa doença" _ disse Pe. Prokopenko, acrescentando,
todavia, que a "propaganda para o uso do preservativo induz a uma
perigosa ilusão: a de poder viver no pecado e, ao mesmo tempo, sentir-
se seguro".
Segundo Pe. Prokopenko, a questão da AIDS tem não apenas aspectos de
saúde e políticos, "mas também aspectos morais". "O caminho rumo à
salvação passa, portanto, por uma revisão de certos comportamentos,
diante de Deus, na consciência de que a Igreja jamais voltará a
costas para aqueles que sofrem" _ concluiu Pe. Prokopenko. (AF)


11 - Patriarcado de Moscovo assinou acordo de cooperação com os
Caminhos de Ferro

Ria Novosti - "NOVYE IZVESTIA" 20/04/05

O Patriarca de Moscovo e de toda a Rússia, Alexi II, acaba de assinar
um acordo com os Caminhos de Ferro da Rússia (CFR). Desta forma, a
Igreja Ortodoxa Russa passa a ser monopolista "espiritual" num dos
meios de transporte mais usado pelos cidadãos, informa o "Novye
Izvestia".
O acordo de cooperação entre a Igreja e os CFR que, como informou a
Serviço de Imprensa do Patriarcado, irá abranger um "período de tempo
não definido", prevê a recuperação em todo o território da Rússia da
actividade das capelas nos terminais ferroviários, bem como das
carruagens-igrejas móveis e o desenvolvimento da actividade
missionária nos comboios de longo curso. Os sacerdotes ortodoxos,
juntamente com os funcionários dos CFR, tencionam lutar contra
as "estruturas pseudo-religiosas, que representam perigo para a
sociedade". Tal significa que irão ser expulsas dos comboios as
pessoas que distribuam folhetos apelando à participação em diferentes
seitas.
No entanto não nos devemos esquecer que a actual Rússia, ao contrário
da Rússia até 1917, é um país em que os crentes e os ateus, os
budistas e os muçulmanos, os católicos e os protestantes, têm
direitos iguais. Coloca-se a questão: não levará a actividade da
Igreja Ortodoxa ao surgimento de uma censura espiritual sobre rodas?
Em nenhuma das religiões tradicionais existe a prática de estabelecer
acordos com os ministérios ou com tais estruturas como os Caminhos de
Ferro.
No entanto, a Igreja Ortodoxa começou ainda no início dos anos 90 a
fazer acordos a nível federal e regional. Em 1996, foi estabelecido
um acordo de cooperação com o Ministério do Interior visando a
actividade conjunta no que se refere à reabilitação de reclusos e
manutenção da ordem. Em 1999, foi assinado um acordo com a Academia
das Ciências. Existe um outro acordo com o Ministério da Cultura e
com o Ministério da Justiça. Para além disso, o Patriarcado possui
entendimentos com todos os ramos das Forças Armadas.


12 - Bispos maronitas comemoram escolha do novo papa

EFE 20 de abril de 2005

Os bispos maronitas -católicos de rito oriental- reunidos nesta
quarta-feira sob a presidência do patriarca da Antioquia, Nasrala
Sfeir, comemoraram a eleição do cardeal Joseph Ratzinger como novo
papa.
Os prelados destacaram em comunicado feito público no final da
reunião que Bento XVI foi o braço direito de João Paulo II e que é
conhecido por sua obra humanitária e seus valores, e lhe desejaram
uma longa vida a serviço da igreja.
Os bispos maronitas pediram aos fiéis que rezem para que Deus ajude o
papa em sua missão e que as igrejas repiquem os sinos no próximo
domingo ao meio-dia durante quinze minutos, já que esse dia será o
começo de seu pontificado.
A igreja maronita é cristã, com liturgia própria, embora renda
obediência ao papa de Roma.


13 - Ecumenismo foi uma marca do pontificado João Paulo 2º buscou
aproximar a Igreja Católica do cisma milenar dos ortodoxos, foi o
primeiro papa a entrar numa mesquita e pediu desculpas aos judeus

Primeira Leitura 04/04/2005

Apesar de ser insistentemente referido como um conservador, João
Paulo 2º foi um inovador de muitas maneiras, inclusive em relação à
tradição católica. Uma delas se traduz no grande esforço que ele
empreendeu durante seu pontificado para consolidar o diálogo da
Igreja Católica com outras religiões. Outros também promoveram o
ecumenismo, mas nenhum papa foi tão incisivo em suas ações de
aproximação com as demais crenças. João Paulo 2º produziu a primeira
encíclica sobre ecumenismo (Ut Unum Sint) e foi o primeiro Sumo
Pontífice a entrar numa mesquita, em maio de 2001, ao visitar
Damasco, capital da Síria.
No interior da mesquita de Omayyad, disse: "Por todas as vezes, que
muçulmanos e cristãos ofenderam um ao outro, nós precisamos pedir
perdão". Também pediu perdão aos judeus tanto pela secular
perseguição ao esse povo quanto pelo Holocausto. Ele também promoveu
o primeiro conselho interreligioso, uma reunião de representantes de
mais de 20 crenças, em 1986, na cidade de Assis, na Itália. Em 1999,
enquanto se desenrolavam os conflitos na Chechênia, no Kosovo e no
Timor Leste, que, em graus diversos, tinham um fundo religioso, o
Vaticano promoveu uma nova reunião para recriminar justamente o uso
da religião para fins políticos.
Claro que esse movimento não se deu sem contradições ou resistências.
Enquanto o primeiro conselho teve como tema uma questão
verdadeiramente universal - a paz mundial -, o segundo, apesar de
também tratar da mesma questão, tinha como título "No Limiar do
Terceiro Milênio", uma referência explícita à era cristã. Não à toa,
poucas religiões foram representadas por suas figuras de proa. Não
foi o caso, porém, dos católicos ortodoxos, que foram capitaneados
pelo patriarca ecumênico Bartolomeu 1º, chefe da Igreja Ortodoxa de
Istambul e considerado o "primeiro entre pares" (os ortodoxos não têm
um único líder religioso).
Justifica-se que assim tenha sido. Desde o início de seu pontificado,
João Paulo 2º deu prioridade à reaproximação com o cisma dos
ortodoxos, que se separaram de Roma formalmente, depois de anos de
desentendimentos, em 1054, quando o papa Leão 9º e o patriarca Miguel
1º, de Istambul, excomungaram um ao outro. Em 1999, Bartolomeu 1º
recebeu uma calorosa recepção do papa, que prometeu devolver-lhe a
visita, indo a "Constantinopla e Nova Roma", como se referem os
textos eclesiásticos à hoje capital da Turquia. Essa segunda viagem a
Istambul, porém, jamais aconteceu.
João Paulo 2º esteve na cidade em 1979, em visita ao então patriarca
Dimitrios 1º, e afirmou ali seu objetivo de reunificar os católicos,
o que também foi mencionado em sua primeira encíclica Redemptor
Hominis. Dimitrios retribuiu a visita, uma evento de suprema
importância histórica, considerando-se as hostilidades entre as duas
igrejas. As relações, porém, não seguiram uma crescente melhora.
Divergências entre os próprios ortodoxos e entre estes e os católicos
romanos levaram a novas tensões entre Leste e Oeste, em especial pelo
esforço de expansão da Igreja Católica na Rússia pós-comunista.
O objetivo da reunificação, portanto, continua distante, se é que
algum dia poderá ser alcançado. Da mesma maneira, os gestos do papa
em relação a outras religiões tiveram leituras diversas. Ao mesmo
tempo em que muitos judeus se sentiram gratos pelos pedidos de
desculpa de João Paulo 2º, outros chegaram a manifestar ceticismo em
relação às suas intenções. Os muçulmanos também tiveram reações
duais. Alguns hindus se sentiram ofendidos pela defesa, feita na
própria Índia, do direito de cada indivíduo de mudar de fé, se assim
se convencer. Tratava-se, obviamente, das palavras do líder de uma
igreja, a Igreja Católica.


14 - Quando Falamos do "Primado" nós nos referimos ao primado da
Igreja de Roma, exercido pelo Papa enquanto Bispo dessa Sé.

Entrevista com Ioannis Zizioulas, metropolita Ortodoxo de Pérgamo
Joannis Zizioulas, metropolita de Pérgamo, na Turquia, é um dos
teólogos ortodoxos mais respeitados, sobretudo no Ocidente. "E um dos
mais originais e profundos teólogos da nossa época", já escrevia
sobre ele no início da década de 1980 o padre Yves Congar. Ao longo
dos anos, esse homem de Igreja de maneiras corteses e aristocráticas
continuou sua leitura aguda e penetrante da tradição dos Padres
gregos, aprofundando sua percepção que baseia toda a realidade e vida
da Igreja no sacramento da eucaristia.
Zizioulas participou várias vezes do debate teológico sobre o
primado, definido por ele "condicio sine qua non da catolicidade da
Igreja". No Simpósio Romano do final de maio, sua conferência sobre
as recentes discussões entre os teólogos ortodoxos em torno do
primado esteve entre as mais assistidas e debatidas.

Como mudou nos últimos tempos a abordagem da questão do primado
petrino por parte dos teólogos ortodoxos?

JOANNIS ZIZIOULAS: Quero lembrar que tradicionalmente o primado do
bispo de Roma, tal como se estruturou ao longo dos séculos, tem sido
considerado pela Igreja Ortodoxa uma espécie de imperialismo
religioso, não conforme à tradição sinodal da Igreja, que prevê que
membros do episcopado, enquanto sucessores dos apóstolos, exerçam
colegialmente o ministério da autoridade. Nas últimas décadas,
surgiram oportunidades para reconsiderar a questão numa perspectiva
nova, aberta pela eclesiologia de comunhão indicada também pelo
Concílio Vaticano II.

A seu ver, que traços dessa eclesiologia podem abrir novos cenários à
querela secular sobre o primado?

ZIZIOULAS: Numa eclesiologia de comunhão, toda Igreja local é Igreja
em sentido pleno, em virtude da eucaristia por ela celebrada segundo
o mandato confiado por Jesus aos apóstolos e seus sucessores. Sob
esse aspecto, todos os bispos são iguais: as Igrejas locais por eles
guiadas são Igrejas em sentido pleno, quaisquer que sejam suas
dimensões ou o número de seus fiéis. Por isso, nenhuma instituição,
como os sínodos, os concílios ou o primado deveriam funcionar de
maneira a comprometer ou eliminar a plenitude da Igreja local.
De que forma e dentro de que limites as Igrejas Ortodoxas poderiam
reconhecer o exercício de um primado universal?

ZIZIOULAS: Segundo a Tradição, o bispo de Roma é o primeiro bispo de
toda a Igreja. A dificuldade a respeito do primado petrino está no
fato de que ele implica uma jurisdição universal pela qual o papa
pode interferir na Igreja local. Mas, se pudermos encontrar um
caminho para acolher o primado universal do papa que não comporte
danos à plenitude da Igreja local, nós poderemos aceitá-lo.

Se a Igreja Ortodoxa não pode reconhecer a jurisdição universal do
bispo de Roma, como seria definido concretamente o reconhecimento de
seu primado por parte dos ortodoxos?

ZIZIOULAS: Sobre isso, as coisas ainda precisam ser avaliadas. No meu
ponto de vista, em primeiro lugar, o bispo de Roma não deveria fazer
nada sem os outros bispos. Deveria sempre consultá-los. Além disso,
não deveria interferir na vida normal das outras dioceses e das
outras Igrejas. Ele é o bispo de sua Igreja. Pode ter uma influência
moral e, canonicamente, pode ter o poder de convocar os sínodos e de
se exprimir como porta-voz de toda a Igreja. Mas não pode fazer nada
de forma solitária. Não representa toda a Igreja enquanto indivíduo.
Só pode ser guardião do depositum dei em comunhão com os outros
bispos.

Que critérios deveriam inspirar as relações entre o papa e os outros
bispos?

ZIZIOULAS: Em primeiro lugar, o próprio papa é um bispo e todos os
bispos são sacramentalmente iguais a ele, receberam a mesma graça.
Enquanto bispo, ele mesmo é o chefe de uma Igreja local. O próprio
primado não pertence a ele, mas a sua Igreja. Quando falamos do
primado, nós nos referimos ao primado da Igreja de Roma, que é
exercido pelo papa enquanto bispo daquela sé.

O bispo de Roma fundamenta seu primado no fato de ser sucessor do
apóstolo Pedro...

ZIZIOULAS: Nas Igrejas do Oriente, todos podem reconhecer que,
segundo a Tradição da Igreja, o bispo de Roma é o primeiro bispo. Mas
o fato de fundamentar seu primado na sucessão de Pedro já é uma
questão problemática. O reconhecimento dessa posição primacial nos
primeiros séculos nada mais era que um fato consumado, uma tradição
que podia estar também relacionada à importância da cidade de Roma do
ponto de vista político. Obviamente, os bispos de Roma sempre
consideraram seu papel na Igreja ligado à sucessão de Pedro. Ao passo
que, na Igreja bizantina, essa não era a razão pela qual o papa era
reconhecido como primeiro entre os bispos. Existia uma taxis, uma
ordem estabelecida, segundo a qual a primeira sé era a de Roma, a
segunda, a de Alexandria, a terceira, a de Antioquia. Depois havia a
de Constantinopla, que se tornou segunda, ou foi considerada até
mesmo à altura da sé de Roma, segundo o que se estabeleceu nos
concílios ecumênicos. Seja como for, isso era aceito como um fato
consumado, sem que houvesse uma teoria definida a respeito da
sucessão de Pedro.

Na célebre conferência de Graz, em 1976, o então professor Joseph
Ratzinger afirmava que "pode não ser impossível hoje, do ponto de
vista cristão, o que foi possível durante um milênio" e que, a
respeito da doutrina do primado, Roma não pode pretender do Oriente
mais do que foi formulado e praticado no primeiro milênio". O senhor
acha que hoje a abordagem dessa temática por parte dos católicos
ainda está de acordo com essa famosa "fórmula Ratzinger"?

ZIZIOULAS: Acho que, no momento atual, a Igreja de Roma não leva em
conta essa fórmula. Nos encontros de diálogo com os ortodoxos, os
representantes católicos tendem a deixar de lado a perspectiva
indicada pela experiência de unidade do primeiro milênio. Isso é uma
pena, obviamente. Mas nós hoje temos de buscar um caminho para nos
encontrarmos sobre outras bases, e estas podem ser indicadas pela
eclesiologia de comunhão.

Nos últimos dez anos, o diálogo teológico oficial encalhou em torno
das querelas sobre o uniatismo. Que condições há para esperar que
comece a discussão sobre uma questão tão difícil quanto a do primado?

ZIZIOULAS: Mas o problema do uniatismo está também estreitamente
ligado ao do primado. Sobre isso não há dúvidas. Espero, inclusive,
que o diálogo teológico possa voltar a caminhar encarando justamente
a questão do primado. Dentro desse contexto, e relacionando­se com
ele, a discussão estagnada sobre o uniatismo talvez também possa ter
um novo andamento. Essa discussão não pode ser encarada como um
problema distinto, como ocorreu nos últimos dez anos, mas, sim, como
parte do diálogo amplo sobre a eclesiologia.

As vezes se tem a impressão de que no imaginário coletivo, também por
influência da mídia, a Igreja inteira seja identificada com o Papa e
suas iniciativas.

ZIZIOULAS: Isso pode ser um perigo, pois pode dar a impressão de que
no universo inteiro só existe uma diocese, com um só bispo universal,
o que não ajuda a eclesiologia de comunhão a se tornar base para um
possível reconhecimento do primado da Igreja de Roma pqr parte das
Igrejas do Oriente. Pode também dar a impressão de que a Igreja não é
uma realidade doada por Deus, mas feita pelos eclesiásticos. Ao passo
que, se reconhecermos a eucaristia como base da nossa eclesiologia,
reconheceremos que a Igreja vem de Deus como um dom. Que não somos
nós que a fazemos.

Fonte: Revista 30 Dias - Ano XXI - Nº 6 - Julho 2003, páginas 22-24


15 - Após entrega das relíquias, diálogo teológico católico-ortodoxo
será reiniciado. Segundo anuncia um arquimandrita da Igreja da Grécia.

Fonte: Zenit 25/11/2004

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 25 de novembro de 2004
(ZENIT.org ).- Quando João Paulo II entregar as relíquias dos santos
Gregório Nacianceno e João Crisóstomo, doutores da Igreja do Oriente,
ao patriarca ecumênico Bartolomeu I, será relançado o diálogo
teológico entre as Igrejas ortodoxas e a católica, afirma um
representante ortodoxo.

O arquimandrita Ignatios Sotiriadis, da Igreja ortodoxa grega,
reconheceu esta quinta-feira em declarações a «Rádio Vaticano»
que, «para nós, o significado deste acontecimento é muito especial,
pois a entrega destas relíquias significa que se cria mais uma ponte
entre as Igrejas irmãs de Constantinopla e Roma, entre a Igreja
católica e a ortodoxa».

O patriarca ecumênico de Constantinopla, «primus inter pares» entre
as Igrejas ortodoxas, chegará esta sexta-feira a Roma em visita de
dois dias de duração.

A entrega das relíquias acontecerá em uma cerimônia ecumênica na
basílica de São Pedro, no sábado.

Um comunicado publicado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da
Unidade dos Cristãos revelou que este gesto acontece após o patriarca
se encontrar com João Paulo II em 29 de junho deste ano em Roma e o
convidar para visitar Istambul.

Bartolomeu I perguntou ao mesmo tempo ao Papa se as relíquias dos
santos que se encontram na basílica vaticana podiam regressar à sede
de Constantinopla. Ao encontro seguiu uma troca de correspondência
cujo resultado culminou com este acontecimento ecumênico.

«A entrega das relíquias --indica o comunicado vaticano-- é um sinal
profundo que anima a percorrer o caminho da unidade: os restos
mortais dos dois santos patriarcas de Constantinopla que trabalharam
por salvaguardar a unidade entre Oriente e Ocidente, venerados em sua
terra de origem, acolhidos com grande honra na Igreja de Roma, que
durante muitos séculos os conservaram e veneraram com amor,
encaminham-se de novo para o Oriente, graças a um gesto de divisão
espiritual que nutre e fortifica a comunhão entre as sedes de Roma e
Constantinopla».

João Paulo II pediu que as relíquias fossem colocadas em duas urnas
de cristal custodiadas em dois relicários de alabastro. Quando
chegarem a Istambul serão depositadas em uma capela do patriarca e na
festividade de Santo André serão instaladas definitivamente na igreja
patriarcal de São Jorge.

No regresso a Istambul para celebrar a festa de Santo André (30 de
novembro), patrono do patriarcado ecumênico, Bartolomeu I estará
acompanhado por uma delegação da Santa Sé da qual formam parte o
cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos, o bispo Brian Farrel LC, secretário
do mesmo dicastério, o arcebispo Edmond Farhat, núncio apostólico na
Turquia e monsenhor Johan J. Bonny.

Pelo que se refere às relações entre católicos e ortodoxos, o
arquimandrita Sotiriadis afirma: «O problema que fica por superar é
o "uniatismo"». Com esta expressão se refere aos católicos de rito
oriental que vivem em terras da Europa do Leste, de maioria ortodoxa.

«Este problema há que ser superado, mas se decidiu que o diálogo
ecumênico, como diálogo teológico, recomeçará após a entrega destas
insignes relíquias ao patriarca ecumênico e após a festa de Santo
André».

«As discussões começarão com o ministério petrino (ou do Papa, ndr) e
depois se verão as demais questões», sublinha.

«Eu creio que nossos chefes religiosos, eclesiásticos, nossos
superiores das Igrejas ainda não se sentaram em torno a uma mesa-
redonda, talvez a portas fechadas, para discutir sobre um processo
veloz de reaproximação das Igrejas».

«Desde meu ponto de vista, houve grandes gestos, fotos foram tiradas
e presentes trocados. Agora se necessita de um ecumenismo mais
espiritual, ou seja, um ecumenismo de base. Agora têm de falar os
povos, os sacerdotes, as paróquias, as pessoas entre si. É necessário
converter-se em amigos e não falar como diplomatas, mas como irmãos».

O arquimandrita crê que o futuro da unidade passa pela senda
traçada «por todos nossos teólogos ortodoxos e por todos nossos
historiadores, assim como por insignes teólogos do Ocidente, da
Igreja católica, como o cardeal Joseph Ratzinger, que fala de uma
unidade ou uma reunificação segundo os modelos históricos do primeiro
milênio».


16 - Ratzinger: "A Igreja não pode se reconhecer na
categoria `Ocidental'"

Fonte: Revista 30 Dias - Novembro de 2004

"Substancialmente, a Igreja não pode se reconhecer na
categoria `Ocidental'. Seria equivocado histórica, empírica e
teologicamente. Historicamente, sabemos que o cristianismo nasceu do
cruzamento da Europa, Ásia e África, e isso indica também algo da sua
essência interna [...]. No seu início, a expansão do cristianismo
dirigia-se do mesmo modo para o Oriente, rumo à China, Índia, Pérsia
e Arábia e ao Ocidente. Infelizmente, depois no nascimento do Islã,
grande parte desta cristandade oriental desapareceu. Mas não
completamente, pois existem elementos desta cristandade histórica que
testemunham a sua universalidade, e mesmo a cristandade européia
divide-se em ocidental e oriental [...]. De modo empírico, não só
temos esta grande herança histórica, mas o cristianismo está
presente, com minorias de força espiritual reconhecida, em todos os
continentes. O eixo da cristandade desloca-se cada vez mais para os
novos continentes, rumo à África, Ásia, América Latina. A Europa
ainda é uma fonte essencial para o desenvolvimento do cristianismo,
todavia, começa a isolar-se justamente com a discussão sobre a sua
identidade. Teologicamente, pois a Igreja, pela sua essência, deveria
transcender as culturas, ser o fato de que não está ligada a uma
cultura determinada, mas que ajuda o êxodo da prisão de uma cultura e
a comunicação das culturas". Palavras do cardeal Joseph Ratzinger,
prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, no decorrer de um
encontro-diálogo com o professor Ernesto Galli della Loggia,
realizado no Palácio Colonna, em Roma, no dia 25 de outubro de 2004.
O debate foi moderado pelo engenheiro Gaetano Rebecchini, presidente
do Centro de Orientação Política, a fundação que organizou o evento.


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