BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 38 - 19 de abril de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Como estou saindo de férias e só retorno no dia 08/05, gostaria de me
adiantar e desejar a todos os irmãos ortodoxos que celebram a Páscoa
no dia 01/05, de acordo com o Calendário Juliano, uma Santa e Feliz
Páscoa.

Encaminho abaixo as principais fontes de informações que utilizo para
este Boletim:

http://www.zenit.org/portuguese/

http://www.acidigital.com/

http://www.ecclesia.pt/ae.htm

http://www.vaticanradio.org/portuguese/probra.htm#internacionais

http://www.fides.org/por/

http://www.ansa.it/ansalatinabr/index.shtml
(clicar no item "Notícias do Vaticano/Outras Notícias")

http://www.eclesiales.org/portugues/

http://br.news.yahoo.com/

http://pg.rian.ru/rian/index.cfm

http://port.pravda.ru/

http://www.armenia.com.br/frame.html

http://www.cao.org.br/

http://www.portasabertas.org.br/noticias/

http://www.vor.ru/Portuguese/worldPort.html
(notícias nos itens "Crônica da Rússia" e "Notícias de Moscou")

Caso alguém tenha disponibilidade para entrar no último site da lista
(A Voz da Rússia) com freqüência (ele é atualizado diariamente na
parte da tarde), tenho interesse em receber notícias relacionadas com
a Igreja Ortodoxa Russa, uma vez que este site não arquiva as
notícias, ao contrário dos demais.

Peço uma prece para os Cardeais que estão escolhendo o novo Papa no
Conclave.

Que Deus os ilumine.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
igrejasorientais@y...


ÍNDICE

1 - Os ritos orientais reunidos na missa de sufrágio por João Paulo II

2 - Igreja Ortodoxa Russa espera que o novo Papa respeite a tradição
cristã oriental

3 - Arcebispo católico de Moscou: João Paulo II, o Papa que amou a
Rússia

4 - Arcebispo russo: João Paulo II foi o Moisés que levou a Igreja ao
terceiro milênio

5 - RUSSOS NÃO ESPERAM MELHORES RELAÇÕES COM O VATICANO, SEGUNDO
PESQUISA

6 - Igreja Católica encanta os russos


7 - Encontro com o cardeal Lubomyr Husar: Distanciados de Moscou, mas
não inimigos

8 - Ortodoxos. A devoção pelas relíquias dos santos: Aquela comoção
que nos une

9 - De volta às fontes

10 - A Núbia cristã

11 - ETIÓPIA: Depois das condolências de todas as religiões pela
morte de João Paulo II, na Eparquia de Adigrat reza-se pela eleição
do novo Pontífice

12 - JORDÂNIA RECORDA JOÃO PAULO II COM CANTOS E ORAÇÕES

13 - LÍBANO: Líderes religiosos e jovens em marcha pela paz: "Amor, e
nunca mais a guerra civil"

14 - Testemunho do Patriarca Caldeu - Orações para o Iraque doente

15 - MORTE DO PAPA JOÃO PAULO II

16 - LUTO NACIONAL ARMÊNIO

17 - IGREJAS DO MUNDO INTEIRO REMEMORARÃO O GENOCÍDIO ARMÊNIO NO DIA
24 DE ABRIL

18 - Programação - 90o Aniversário do Genocídio Armênio


NOTÍCIAS


1 - Os ritos orientais reunidos na missa de sufrágio por João Paulo II

O patriarca libanês reconhece o diálogo promovido pelo Papa com o
mundo árabe

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 15 de abril de 2005 (ZENIT.org).- O
patriarca de Antioquia dos Maronitas, o cardeal libanês Pierre
Nasrallah Sfeir, presidiu esta quinta-feira, às 17h, na Basílica de
São Pedro, no Vaticano, a missa de réquiem por João Paulo II, no
sétimo dia do novenário, que reuniu as Igrejas católicas orientais.

A memória de João Paulo II provocou este excepcional acontecimento
litúrgico que reuniu também em torno ao altar da Confissão o cardeal
Ignace Moussa I Daoud, patriarca emérito de Antioquia dos Sírios,
prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, e o cardeal
Lubomyr Husar, arcebispo maior de Lviv (Leopoli) dos ucranianos.

Junto a eles se encontravam dois cardeais indianos Varkey
Vithayathil, C.SS.R., arcebispo maior de Ernakulam-Angamaly, de rito
siro-malabar, e o arcebispo maior de Trivandrum, Cyril Baselios
Malancharuvil, O.I.C., de rito malankar.

Orações dos fiéis se pronunciaram em malayalam, idioma do estado
indiano de Kerala, no qual os católicos são muito numerosos.

Participavam também na celebração bispos e prelados de igrejas
orientais católicas presentes em Roma.

A celebração esteve animada pelo coro de religiosos e religiosas
maronitas, assim como por coros dos colégios ucraniano e romano em
Roma. A abóbada de São Pedro ecoou o árabe, um dos idiomas
utilizados.

O cardeal Sfeir concluiu sua homilia convidando à oração para que
a «santidade», da qual «nosso inesquecível João Paulo II» «goza já no
céu», possa ser «reconhecida na terra».

O patriarca maronita agradeceu a João Paulo II que nomeara o cardeal
sírio Daoud como prefeito de uma congregação romana.

Reconheceu também seu serviço pela unidade da Igreja, do Oriente e do
Ocidente, pela unidade dos cristãos, e pelo diálogo entre religiões,
em particular com o mundo «árabe» e «muçulmano».


2 - Igreja Ortodoxa Russa espera que o novo Papa respeite a tradição
cristã oriental

Voz da Rússia 18/04/05

Os hierarcas da Igreja Cristã Ortodoxa da Rússia esperam que o novo
papa respeite a tradição ancestral dos praticantes do rito cristão
oriental - declarou em entrevista ao jornal italianoo "La Repubblica"
o metropolita Kirill, diretor do Departamento das Relações
Eclesiásticas Exteriores do Patriarcado de Moscou. Por outro lado,
criticou a atitude dos agentes de algumas ordens monásticas católicas
hoje chegados à Rússia, onde, na opinião desse alto dignitário,
muitas vezes desconsideram as tradições da Igreja Cristã Ortodoxa. O
metropolita lembrou que bas relações entre as Igrejas existe uma lei
moral, a qual pressupõe abandono do proselitismo e espírito de
cooperação.


3 - Arcebispo católico de Moscou: João Paulo II, o Papa que amou a
Rússia

Mensagem de Dom Tadeusz Kondrusiewicz na perspectiva do conclave

MOSCOU, sexta-feira, 15 de abril de 2005 (ZENIT.org ).- Devolvendo ao
mundo «a esperança perdida», João Paulo II foi «a consciência de
nossa época», afirma o arcebispo católico da Mãe de Deus em Moscou,
Dom Tadeusz Kondrusiewicz, em uma exortação aos fiéis com ocasião do
conclave, cujo início será na próxima segunda-feira.

João Paulo II reconhece em um chamado datado de 12 de abril passado
que, «como Papa eslavo», amou Rússia «de forma particular». «Quantos
gestos de boa vontade, sinais de respeito a nossa pátria, à Igreja
ortodoxa russa e à grande cultura russa mostrou durante seu
pontificado!», afirma.

«E nós, notamos isso? Soubemos apreciar seu alcance e seu valor?
Sustentamos a tensão do pontificado a que Europa respirasse com os
dois pulmões, o do Oriente e o do Ocidente? Utilizamos as ocasiões
que o Papa nos ofereceu incansavelmente nestes mais de vinte e seis
anos?», pergunta o arcebispo Kondrusiewicz a seus fiéis.

O metropolita, a quem João Paulo II consagrou há mais de 15 anos,
encontrou-se pela última vez com o Santo Padre em 8 de março passado,
uma ocasião na qual este lhe perguntou: «Como vai Moscou?».

«Foi a última pergunta do falecido, cabeça da Igreja universal, que
nos deixou como testamento...», explica Dom Kondrusiewicz.

«Que seja a pergunta crucial de nosso exame de consciência! --exorta--
. Perguntemo-nos continuamente. Como vai Moscou? Como vive a
arquidiocese? Que podemos fazer nós, todos juntos e cada um por sua
parte, para melhorar as coisas? Vivemos de acordo com os princípios
morais do Evangelho e os ensinamentos da Igreja?».

«O Gólgota dos últimos meses de vida de João Paulo II foi um exemplo
claro de cumprimento da vontade de Deus --reconhece o prelado a seus
fiéis--, um modelo de como na debilidade se manifesta uma força
titânica do espírito, capaz de mudar o mundo. Seu silencioso
apagamento na alegria e na confiança em Maria foi uma pregação
incomparável ante o mundo inteiro».

«Sua enfermidade e sua morte uniram o mundo na oração e na
solidariedade. A morte do Papa se converteu em um tipo de exercício
espiritual de calibre e alcance sem precedentes», prossegue. «O povo
chorou e aplaudiu. As lágrimas de uma perda inconsolável culminaram
de sinais de gratidão».

«A devoção por João Paulo II, surgida imediatamente após sua morte e
impetuosamente difundida em todo o mundo nestes dias, sublinha as
verdadeiras dimensões da personalidade do falecido e permite esperar
em um rápido início do processo que leve ao reconhecimento de sua
valia», assinala.

«Sendo grave a perda, nós a contemplamos através do prisma da
Ressurreição --convida--, desejando ao desaparecido ponttífice que
seja grande no Reino dos Céus e se converta em nosso intercessor».

Mas a Igreja, como «organismo vivo, não pode permanecer sem a
cabeça». «Que responsabilidade e que cruz!», reconhece o arcebispo
Kondrusiewicz, aludindo à missão do Sumo Pontífice.

Daí que «nosso santo dever é o de orar a Deus, para que através da
eleição do Colégio dos Cardeais, o Espírito Santo mostre com quem
estará o timão da barca de Pedro e conduzirá a Igreja no futuro sobre
as águas tormentosas do início do século XXI», adverte.


4 - Arcebispo russo: João Paulo II foi o Moisés que levou a Igreja ao
terceiro milênio

MOSCOU, 15 Abr. 05 (ACI ).- O Arcebispo de Mãe de Deus de Moscou,
Dom. Tadeusz Kondrusiewicz, afirmou que João Paulo II "foi o Moisés
de nossa era, que conduziu a Igreja ao terceiro milênio", porque em
seu Pontificado a Igreja "percorreu um longo caminho de renovação e
desenvolvimento" seguindo "a doutrina do Concílio Vaticano II". Em
uma mensagem diante da proximidade do Conclave, o Prelado assinalou
que a Igreja se abriu "mais ao mundo, a outras religiões e
confissões", porque o Papa fez do Concílio e dos ensinamentos pós-
conciliares seu guia, renovando as formas de levar o Evangelho sem
renunciar ao fundo, à essência mesma da fé.
Segundo a agência Fides, Dom. Kondrusiewicz expressou que João Paulo
II foi "um Pontífice aberto aos homens e ao mundo, que recordou e
defendeu sem descanso a dignidade da pessoa humana, seus direitos e
liberdade".
Indicou que sua exortação inicial de "Não tenham medo! Abram as
portas a Cristo!", realizou-se principalmente com o
desmoronamento "dos regimes totalitários na Europa Oriental", graças
ao qual estas nações foram adquirindo os direitos fundamentais como
o "direito à liberdade de professar a fé".
O Prelado destacou o amor que o Papa teve pela nação russa. "No nome
de João Paulo II está ligada a restauração das estruturas da Igreja
Católica na Rússia", afirmou.
Posteriormente, o Arcebispo de Moscou chamou a apreciar "o alcance e
valor dos gestos de boa vontade" que o Santo Padre teve para a
Rússia, a Igreja Ortodoxa e para "a grande cultura russa".
Finalmente, exortou aos fiéis a "rezar a Deus" para que no
Conclave "o Espírito Santo mostre quem estará ao leme da barca de
Pedro" e conduza à Igreja "pelas ondas tumultuosas de princípios do
século XXI".


5 - RUSSOS NÃO ESPERAM MELHORES RELAÇÕES COM O VATICANO, SEGUNDO
PESQUISA

MOSCOU, 18 APR (ANSA) - Com o novo papa não haverão mudanças
significativas na difícil relação entre o Vaticano e o Patriarcado de
Moscou, de acordo com 59% dos russos. Melhoras são prováveis segundo
11% deles, enquanto 6% acreditam que a relação entre a hierarquia
católica e a ortodoxa piorarão.
É o que apontam os dados de uma pesquisa feita no início de abril
pelo Instituto 'Bashkirova e Partners', que entrevistou 1.500 pessoas
logo após a morte de João Paulo II.
Curiosamente os mais pessimistas sobre a possibilidade de
restabelecimento do diálogo entre o Vaticano e o Patriarcado são
russos declarados ortodoxos ou ateus. No entanto, 20% dos otimistas
são fiéis de outras religiões.


6 - Igreja Católica encanta os russos
30% se inclinam favoravelmente para Roma; há 5 anos eram 16%

MOSCOU, segunda-feira, 18 de abril de 2005 (ZENIT.org )
.- 30% dos católicos russos vêem favoravelmente a Igreja Católica,
enquanto que há cinco anos esta porcentagem não superava 16%. No
mesmo período, a proporção dos que têm opiniões negativas sobre a
Igreja de Roma passou de 9 a 5%.

Uma pesquisa realizada pela fundação «Opinião Pública»
(«Obshczestvennoe mnenie»), do qual informa a agência INTERFAX,
indica que 77% dos russos seguiram os funerais de João Paulo II e os
ritos de sepultamento.

A pesquisa foi realizada entre 9 e 10 de abril em 100 cidades das 44
divisões administrativas principais da Rússia, e participaram 1.500
pessoas.

«A morte de João Paulo II, chorada por milhões de pessoas em todos os
rincões do planeta, não deixou indiferentes tampouco os russos»,
sublinha INTERFAX.

A maior parte dos entrevistados, 51%, considera que a televisão
cobriu os acontecimentos ligados à morte e funerais do Papa «como era
necessário». Tão só 14% consideram que a cobertura dos meios foi
excessiva.

Uma terça parte dos russos (33%) confessou que se sentiu comovida ao
receber a notícia da morte de João Paulo II.

A porcentagem desta categoria é mais numerosa nas grandes cidades
(47%) e entre quem possui um nível de educação elevado (39%). De
todos modos, 63% asseguraram que escutaram as notícias sem nenhum
tipo de emoção particular.

Segundo a pesquisa, quase a metade da população russa (46%) considera
que o falecimento do Papa constitui uma perda para o mundo inteiro,
enquanto que só uma terça parte dos entrevistados (35%) opina que só
é significativa para os católicos.

Ao mencionar os méritos de João Paulo II, como pedia quem propunha a
pesquisa, os entrevistados mencionaram sobretudo suas atividades a
favor da paz e suas numerosas declarações contra a violência e o
terrorismo. Muitos dos entrevistados louvaram seus esforços para
reconciliar os povos e religiões.

Com freqüência, os entrevistados sublinhavam seus dotes pessoais e
sua humanidade. Alguns sublinharam que seus méritos só afetam a
Igreja Católica, enquanto que eram muitos mais numerosos os que
consideravam que seu serviço foi a favor de toda a humanidade.

A opinião segundo a qual a autoridade da Igreja Católica teria
aumentado durante os 26 anos de pontificado de João Paulo II é
compartilhada por 50% dos russos. Só 12% dos entrevistados pensam que
a atividade do Papa não se refletiu na autoridade da Igreja Católica.
Nenhum dos entrevistados, contudo, pensa que a autoridade da Igreja
tenha diminuído com o último pontificado.


7 - Encontro com o cardeal Lubomyr Husar: Distanciados de Moscou, mas
não inimigos

Revista 30 Dias - Março de 2005

"Durante as eleições aflorou a tentação messiânica de dizer: `Este é
o candidato de Deus'. Mas isso já é passado." Entrevista com o
arcebispo maior da Igreja greco-católica

de Gianni Valente

"Talvez ainda seja cedo para avaliar quais serão os efeitos
geopolíticos a longo prazo da "revolução cor-de-abóbora" ucraniana,
mix de manifestações coloridas e pressões internacionais que no final
de 2004, durante a corrida presidencial, deixou manco Viktor
Yanukovich, candidato designado pela nomenklatura à sucessão do
presidente Kuchma que agradava ao poderoso vizinho russo, e pôs asas
nos pés de Viktor Yushchenko. Certamente, a mudança de relações de
forças geopolíticas poderá repercutir também na complicada geografia
religiosa do país. Mas se algo mudar no equilíbrio frágil de
nacionalismos e identidades confessionais que caracteriza toda a
região, o primeiro a perceber será o cardeal Lubomyr Husar, arcebispo
maior da Igreja greco-católica ucraniana, ou seja, chefe da maior
Igreja de rito oriental em comunhão com Roma. 30Dias o encontrou na
Universidade Teológica de Santa Sofia, em Via Boccea, posto avançado
dos greco-católicos ucranianos que surgiu na periferia oeste de Roma
por vontade do heróico cardeal Josyp Slipyj, sob o pontificado de
Paulo VI.

Quer dizer então, eminência, que na Ucrânia fizeram a "revolução cor-
de-abóbora"... Como é que o senhor viu tudo isso?
LUBOMYR HUSAR: Nós somos livres há menos de quinze anos, mas as
pessoas que ocupam posições de responsabilidade, e também todas as
outras, freqüentaram as escolas comunistas. Ou seja, cresceram num
sistema que favorecia um grupo reinante, uma espécie de oligarquia
separada do povo. Um sistema no qual a idéia era formar sujeitos
obedientes, não muito acostumados a tomar iniciativas. Nos últimos
anos, havia uma certa liberdade de expressão. Havia elementos de uma
sociedade democrática, por assim dizer, não muito desenvolvida. No
ano passado, um grupo de cerca de vinte famílias, não mais, que
controlavam 80% de todo o aparato nacional, apontou Yanukovich como
seu candidato. Durante a campanha eleitoral, víamos apenas ele,
enquanto todos os outros candidatos eram obscurecidos.
Enfim, uma espécie de candidato único...
HUSAR: Sim. Só que, desde o primeiro turno, começou a se difundir
entre o povo um descontentamento pelas manipulações do governo. Os
governantes pensavam: as pessoas ficam com um pouco de raiva e
depois, como sempre, tudo se acalma. No entanto, com a segunda
votação de 21 de novembro, a raiva explodiu. Mas tudo aconteceu de um
modo não violento e, eu diria, muito expressivo...
A Rádio Free Europe, analisando o voto, citou a Igreja greco-católica
como um dos bedrock supporters, os cabos eleitorais mais ativos do
vencedor Yushchenko.
HUSAR: Não. Nós, enquanto Igreja, procuramos não nos alinhar com
ninguém. Só dissemos que votar era importante e rezamos não por um ou
por outro dos candidatos, mas para que acontecessem eleições justas.
No início, o povo saiu às ruas não tanto a favor de Yushchenko, mas
contra a falsificação que via ser representada por Yanukovich. Depois
as coisas acabam se concretizando, não ficam pairando no ar, e assim
Yushchenko se tornou o símbolo dessa chamada revolução cor-de-
abóbora. Certamente, a maior parte de nossos fiéis era a favor dele.
Mas nas manifestações notou-se também a presença de sacerdotes e
freiras...
HUSAR: Pedimos explicitamente aos sacerdotes, até por meio de uma
instrução, que não entrassem na política. Quando recebemos a notícia
de que alguns sacerdotes faziam propaganda, dissemos a eles que
parassem. Mas, especialmente na parte ocidental do país, é comum o
povo perguntar ao sacerdote e, mais ainda, ao bispo em quem votar.
Assim, a tentação era muito grande... Mesmo assim, procuramos nos
manter neutros, na medida em que isso é possível numa situação como
essa.
No entanto, o senhor mesmo, em sua carta aos sacerdotes depois das
eleições, exortou-os a não serem apenas bons pastores, mas também
líderes cívicos.
HUSAR: Deve-se levar em conta que sobretudo a parte ocidental da
Ucrânia passou mais de duzentos anos sob várias ocupações. Durante
esse tempo tão longo, a I­greja era apenas o fator de con­sciência
nacional. Tantos os bispos quanto os sacerdotes, além de serem
pastores, tornavam-se também pontos de referência na vida civil. Nós
chamamos a atenção para essa tradição, mas apenas para convidar os
sacerdotes a encorajarem as pessoas a se lançarem no trabalho, a não
esperarem que tudo caia do céu. Quem sabe dirigindo essa vontade de
fazer alguma coisa, que nós vimos durante as eleições, para o dever
cotidiano que cabe a cada um.
O senhor teve encontros pessoais com Yushchenko, antes ou depois de
sua vitória?
HUSAR: Eu já o havia encontrado quando era primeiro ministro, pois,
durante uma visita a Leópolis, ele veio também a nossa igreja. Depois
da eleição, eu o vi no momento de oração ecumênica que se realizou em
24 de janeiro, no início do seu mandato. E depois, em 16 de
fevereiro, quando veio de novo visitar Kiev, eu o recebi na Catedral,
onde prestou homenagens aos chefes da nossa I­greja, meus
predecessores, que estão sepultados na cripta.
De que Igreja ele está próximo?
HUSAR: É ortodoxo.
Mas a ortodoxia na Ucrânia está dividida. Existe a Igreja Ortodoxa
ligada ao patriarcado de Moscou e a guiada por Filarete, que se
separou de Moscou e se autoproclamou Patriarca...
HUSAR: Não me parece que Yushchenko faça grandes distinções. Quando
ele está em Kiev, freqüenta a igreja de São Miguel, perto de sua
casa, que está sob Filarete. Mas quando vai visitar a mãe, que mora
num vilarejo próximo a Sumy, lá existe a igreja do patriarcado de
Moscou e ele, sem pestanejar, participa da sua liturgia. Certamente,
é uma pessoa de fé. Durante a oração de 24 de janeiro, observamos com
atenção a maneira como ele faz o sinal da cruz. E depois, todos
disseram: não é a primeira vez que ele o faz...
Sobre o resultado das eleições na Ucrânia, o certo é que o que esteve
em jogo tinha um sig­nificado geopolítico mais amplo. Por exemplo,
falou-se de um apoio aos militantes cor-de-abóbora por parte de
lobbies norte-americanos como o de Soros.
HUSAR: Seguramente, houve um apoio. De que tamanho, eu não saberia
dizer. Mas a Europa, por exemplo, só se deu conta de que estava
acontecendo alguma coisa importante depois do início dos protestos
populares. Por isso, eu não julgo a partir do dinheiro que foi
enviado (com certeza, alguma coisa foi enviada), mas a partir da
surpresa que registrei naqueles vieram para checar as eleições como
observadores. Eu mesmo encontrei os ob­servadores poloneses, que
chegaram bem no dia de Natal, fazendo um sacrifício que para eles não
era pequeno.
A seu ver, que perspectiva deve ser privilegiada hoje com relação à
Rússia?
HUSAR: Não sei se é o sentimento geral, mas muitos são favoráveis a
uma convivência tranqüila com os vizinhos russos, querem negociar com
eles de igual para igual na economia, na cultura, na vida religiosa.
Alguns têm um grande ressentimento, mas isso seguramente não é geral.
Ouço no rádio muitas observações de russos que moram na Ucrânia
oriental. Até eles dizem: não queremos construir uma Rússia na
Ucrânia. Nós somos cidadãos deste país. Queremos apenas viver como
bons vizinhos da Rússia. Se esse desejo de relações de igual para
igual for respeitado pelos russos, como eu acredito, não haverá
dificuldades excessivas.
O mandado de prisão, confirmado pelos juízes russos, contra a nova
primeira-ministra Yulia Thimoshenko não parece ser um bom começo...
HUSAR: Eu não a conheço. Encontrei-a apenas uma vez, mas quando fazia
parte do governo; trabalhou bem. É uma mulher muito inteligente,
muito ativa. Têm medo dela porque ela sabe como funcionam os chamados
grupos oligárquicos.
O fato é que as eleições puseram em evidência uma rachadura no país,
que é também geográfica.
HUSAR: Quase todos os países têm suas divisões: norte e sul na
Itália, prussianos e bávaros na Alemanha... No Natal, a Universidade
da nossa cidade, Leópolis, convidou mais de dois mil estudantes das
regiões orientais. Passaram o Natal com nossos estudantes, hóspedes
de suas famílias. Muitos desses estudantes do leste ficaram muito
impressionados com essa convivência e já convidaram os nossos para
irem encontrá-los. A diferença cultural e lingüística seguramente é
grande, mas foi fomentada pelos políticos. Não tenho nenhum medo de
que aconteça uma verdadeira rachadura no país, desde que o novo
governo se comporte bem.
O mapa religioso da Ucrânia é muito complexo. As outras Igrejas,
diante das eleições, se expuseram até mais do que vocês...
HUSAR: A Igreja do patriarcado de Moscou tomou o lado de Yanukovich
oficialmente, ainda que, ao que parece, muitos sacerdotes não tenham
seguido suas indicações. Já o patriarcado de Kiev estava claramente
alinhado a Yushchenko. De vez em quando aflora a tentação messiânica
de dizer: "Este é o candidato de Deus". Mas isso já é passado. O novo
presidente, em sua visita à Rússia, encontrou o patriarca de Moscou,
Aléxis, que lhe pediu que tratasse todas as Igrejas da mesma forma. E
Yushchenko respondeu que essa paridade de tratamento, sem
discriminações, já está estabelecida na nossa Constituição.
No passado, falou-se na Ucrânia de pressões do poder político para
unificar os diversos grupos religiosos e favorecer o aparecimento de
uma Igreja nacional, com forte caráter chauvinista. A nova
presidência também agirá nessa linha?
HUSAR: Espero que não haja nenhuma pressão política para uma
unificação forçada. Faço votos de que se crie um Conselho dos Chefes
das Igrejas, ao qual o presidente possa se dirigir quando tiver
necessidade de consultar-se.
Mas esse Conselho já existia na Ucrânia...
HUSAR: O que existia era manipulado demais pelo Estado e nós saímos
dele. Dissemos: queremos ser livres diante do governo. Quando o
presidente precisar, convoque-nos como representantes das Igrejas e
não como seus vassalos. Recusamos subscrever certos documentos
produzidos por aquele Conselho e assinados por outras Igrejas.
Documentos que eram de claro caráter político.
Como são as relações da Igreja greco-católica com Filarete?
HUSAR: São bastante boas.
Ter relações com Filarete, que é considerado cismático e não é
reconhecido por nenhuma das Igrejas ortodoxas, não corre o risco de
parecer uma afronta direta às Igrejas ortodoxas que preservam
zelosamente a validade canônica de sua sucessão apostólica?
HUSAR: Temos de fazer uma distinção. A sucessão apostólica existe
também na Igreja de Filarete. Não há reconhecimento canônico de seu
patriarcado. Mas o patriarcado de Moscou, depois que foi formado, em
1589, durante 150 anos também não foi canonicamente reconhecido pelo
patriarcado de Constantinopla. No entanto, existia.
O fato é que Filarete se tornou o ponto de referência de muita gente
estranha: seitas religiosas, pseudo-bispos que andam por aí...
HUSAR: Ele é um político de velha data, dos tempos soviéticos. Até
certo momento, ele negava a nossa existência. Mas falei com ele há
dez dias, e foi um colóquio muito amigável e até importante...
Na eclesiologia oriental, os acontecimentos políticos incidem nas
estruturas da Igreja. O senhor também, numa carta importante, frisou
que o reconhecimento do status patriarcal para sua Igreja seria a
resposta adequada à consolidação da independência da Ucrânia. Este
novo desligamento da Ucrânia da influência russa poderá favorecer o
reconhecimento da Igreja greco-católica como patriarcado?
HUSAR: Tudo depende do que a pessoa quer. Aqueles que têm medo da
nossa existência como patriarcado temem que ela possa fechar o
caminho para certas ingerências. Aqueles que são mais arraigados na
tradição eclesial oriental, fora de qualquer instrumentalização
política, vêm nesse reconhecimento um passo natural e não o temem.
Porque nós, sendo reco­nhecidos como patriarcado, não seríamos
certamente uma raridade extraterrestre.
E Yushchenko? Deve ter uma opinião a esse respeito...
HUSAR: Ele olha para o que é útil ao nosso país. Nunca falei disso
com ele, devemos falar sem dúvida. Pelo que li e ouvi, acho que ele
será favorável, pois vê nisso um fato positivo para o país.
Portanto, de certa forma, ele poderia ser um protetor político.
HUSAR: Sim. Sua eleição poderia levar a conseqüências políticas
positivas.
Há quem sustente a idéia de uma autoproclamação unilateral do
patriarcado: no i­nício, talvez não houvesse o reconhecimento de Roma,
mas, depois, com o tempo, as coisas poderiam se ajustar. Como o
senhor vê isso?
HUSAR: Já me sugeriram isso também. Eu sou absolutamente contrário a
essa maneira de proceder. A lei existe e é preciso respeitá-la. Um
verdadeiro patriarcado é uma coisa sagrada, uma coisa que diz
respeito à vida da Igreja. E sobre essas coisas, proceder de modo
político, procurar forçar a mão, não é certamente fonte de bênçãos.


8 - Ortodoxos. A devoção pelas relíquias dos santos: Aquela comoção
que nos une

Revista 30 Dias Março de 2005

Entrevista com o cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Montreal. Quando
era secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos
Cristãos, teve a oportunidade de acompanhar muitos bispos ortodoxos
nos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. Hoje conta...

de Gianni Cardinale

No dia 27 de novembro do ano passado quando o patriarca de
Constantinopla Bartolomeu I veio a Roma para receber solenemente do
Papa parte das relíquias de São Gregório Nazienzo e de São João
Crisóstomo, numa entrevista à Rádio Vaticano disse: "Considero este
fato como o mais importante do meu serviço patriarcal nestes últimos
13 anos". Uma frase em alguns aspectos surpreendente, que revela a
grande importância dada pela ortodoxia à veneração dos mártires e dos
santos.
Mas uma afirmação que não surpreende o cardeal canadense Marc
Ouellet, 60 anos, sulpiciano, desde novembro de 2002 arcebispo de
Quebéc, entrevistado por 30Dias no mês de janeiro em Roma, vindo por
ocasião da Plenária da Pontifícia Comissão da América Latina da qual
é membro.

Eminência, parece que na ortodoxia a veneração das relíquias têm um
lugar mais importante do que entre nós católicos...
MARC OUELLET: Com efeito, pode-se ter a impressão de que entre os
ortodoxos o culto das relíquias tenha um sentido mais intenso do que
na Igreja Católica de hoje. Isso faz-me recordar alguns episódios dos
quais fui testemunha quando eu era secretário do Pontifício Conselho
para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Era março de 2002. Eu
acompanhava uma delegação da Igreja Ortodoxa Grega que visitava as
Basílicas de São Pedro e de São Paulo em Roma. Tratava-se de um grupo
de bispos guiados pelo metropolita de Attica Panteleimon que viera à
Roma em agradecimento pela histórica visita que João Paulo II fizera
em Atenas em maio de 2001, por ocasião da sua peregrinação jubilar
nas pegadas do apóstolo Paulo.
O que o impressionou daquela visita ao túmulo dos apóstolos?
OUELLET: Estávamos nas Grutas Vaticanas acompanhados também pelo
delegado da Fábrica de São Pedro, o bispo Vittorio Lanzani. Quando
chegamos sob a altar da confissão vimos a urna onde estão conservados
os pálios de lã. Dom Lanzani explicou aos prelados gregos que ali
atrás encontrava-se o túmulo do apóstolo Pedro. Então o metropolita
Panteleimon perguntou onde se encontravam, exatamente, as relíquias
de Pedro. Dom Lanzani explicou que se encontravam em correspondência
ao lastro de mármore verde à direita da urna dos pálios. Na hora não
entendi o porquê da pergunta de Panteleimon. Mas foi um instante.
Recordo ainda com admirada maravilha que então os bispos gregos
tiraram seus grandes chapéus pretos e um a um ajoelharam-se pousando
a própria fronte nua no lastro de mármore verde, atrás do qual
encontra-se o túmulo de São Pedro. E rezaram.
E como foi a visita à Basílica de São Paulo Fora dos Muros?
OUELLET: Quando chegamos na laje de mármore branco que cobre o túmulo
do Apóstolo das Gentes, os bispos gregos pediram para que os
deixássemos a sós. Depois um deles me disse que, neste caso, cada
bispo deitava-se no chão de modo que a cruz peitoral entrasse na
fresta que se encontra no lastro de mármore de modo que a cruz
pudesse tocar fisicamente o lugar da inumação de São Paulo. Estes
episódios impressionaram-me e comoveram-me muito na ocasião assim
como hoje. Por isso não me surpreendo que o patriarca Bartolomeu
considere o recebimento das memórias de Gregório e João como o
momento mais alto do seu mandato de patriarca de Constantinopla.
O L'Osservatore Romano de 10-11 de janeiro publicou um artigo de D.
Walter Brandmüller, presidente do Pontifício Comitê de Ciências
Históricas, no qual afirma-se que não há provas de que as relíquias
de Gregório Nazienzo e de João Crisóstomo te­nham sido subtraídas
fraudulentamente durante a Quarta Cruzada.
OUELLET: Não quero entrar nestas polêmicas. O fato é que estas
relíquias estavam em Constantinopla e agora encontravam-se em Roma.
Mas isso faz-me recordar um outro episódio ligado à visita dos bispos
gregos em 2002.
Qual?
OUELLET: Recordo que em um certo momento foram mostradas à delegação
algumas relíquias que efetivamente foram subtraídas de Constantinopla
e trazidas a Roma por ocasião da famigerada Quarta Cruzada. E eu
fiquei com muita vergonha. Mas o metropolita Panteleimon tocou-me na
túnica e disse-me: ficamos muito contentes que estas relíquias tenham
sido conservadas aqui; muitas relíquias foram perdidas, estas, ao
invés não, e é um bem, pois assim podemos venerá-las hoje. Estas
palavras - nas quais talvez não faltasse uma pitada de sabedoria
diplomática - me aliviaram do constrangimento. E deram--me conforto.
Eminência, uma última pergunta sobre as perspectivas do ecumenismo.
Às vezes ouve-se dizer que os católicos fariam excessivas concessões
à ortodoxia enquanto que esta não faria nenhuma concessão à Igreja de
Roma.
OUELLET: Entendo essas perplexidades. Mas creio que de qualquer modo
deve ser sempre a Igreja de Roma, que preside na caridade, a cumprir
o primeiro passo. Deve ser sempre ela a procurar obedecer
humildemente aos mandamento de Jesus de que os irmãos sejam uma só
família.

Breve biografia do cardeal Marc Ouellet: Aluno e amigo de von
Balthasar

O cardeal Marc Ouellet, 60 anos, sulpiciano, foi ordenado sacerdote
em 1968. Lecionou filosofia no Seminário Maior de Bogotá. Em 1974
obteve a licenciatura em filosofia na Pontifícia Universidade de São
Tomás de Aquino. Em 1983 obteve o doutorado em Teologia dogmática
junto à Pontifícia Universidade Gregoriana, com uma tese sobre Hans
Urs von Balthasar, do qual se tornou um grande amigo. Em 1984 foi
nomeado reitor do Seminário Maior de Manizales na Colômbia, em 1990
reitor do Seminário Maior de Montreal, e em 1994 reitor do St.
Joseph's Seminary de Edmonton. Em 1996-97 foi professor no Instituto
João Paulo II da Pontifícia Universidade Lateranense de Roma,
tornando-se, em 1997, titular da cátedra de Teologia Dogmática. Em
março de 2001 foi eleito bispo e secretário do Pontifício Conselho
para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Seu lema escolhido foi: "Ut
unum sint". É arcebispo de Quebéc desde novembro de 2002 e recebeu a
púrpura no consistório de 2003.


9 - De volta às fontes

Valdemar Menezes

O POVO (Ceará) [18 Abril 01h40min 2005]

O que se vai passar a partir de hoje na Capela Sistina não interessa
apenas aos católicos, mas ao mundo inteiro, tendo em vista a
influência moral e política da Igreja Católica Romana, no cenário
mundial. Em primeiro lugar é preciso lembrar que o papa é, antes de
tudo, bispo de Roma, sucessor do primeiro chefe da comunidade cristã
romana - o apóstolo Pedro. Por isso, ele precisa conhecer sua diocese
e falar a língua de seus diocesanos, o italiano.

Em segundo lugar, ele é Patriarca do Ocidente, isto é, chefe da
Igreja Latina - a Católica Romana. Trata-se do único patriarcado
ocidental, os outros localizam-se no Oriente. No início eram cinco
patriarcados - que remontam aos apóstolos - formando a PPentarquia:
Roma, Constantinopla, Antioquia, Alexandria e Jerusalém. Cada uma
dessas igrejas tendo identidade própria, e chefe próprio (patriarca)
assistido pelo corpo de bispos.

A linhagem episcopal começou com os apóstolos. Os sucessores destes
ordenaram os seguintes, numa linha ininterrupta que vem até hoje.
Essa sucessão apostólica é condição essencial para se reconhecer a
legitimidade do sacerdócio de uma igreja cristã. Os protestantes, por
exemplo, romperam com a sucessão apostólica (só a Igreja Anglicana
conserva ainda uma sucessão apostólica que vem da linha de bispos
ordenados quando estava unida à Igreja Romana). Embora algumas
correntes protestantes tenham bispos, esses são apenas nominais, não
estão ligados à linhagem apostólica. Por isso, a recomposição da
unidade da Igreja Romana com os protestantes é mais difícil do que
com as igrejas ortodoxas, que mantiveram a linhagem apostólica de
sucessão e quase a mesma estrutura eclesial.

A diferença principal entre a Igreja Romana e a Igreja Ortodoxa é que
esta manteve a estrutura (nem todas as igrejas orientais) de um
sínodo de bispos, que governa a Igreja junto com o patriarca, tendo
poder deliberativo. Esse tipo de assembléia desapareceu na Igreja
Romana (só foi restaurada após o Concílio Vaticano II, mas apenas com
caráter consultivo). Quando o papa de Roma (outros patriarcas também
têm título de papa) começou a reivindicar um poder jurisdicional
universal sobre os outros patriarcas e igrejas do Oriente, estes não
aceitaram e houve o rompimento entre essas igrejas e a de Roma, em
1054.

Até então, o bispo de Roma e patriarca do Ocidente era
considerado ''o primeiro entre iguais'', uma instância a que as
outras igrejas recorriam, por deferência, para que desse a última
palavra quando ocorriam pendências entre as igrejas. Tinha uma
autoridade moral, por abrigar o túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo,
mas não jurídica, sobre as demais.

O fato de o papa de Roma ter assumido depois o papel de ''bispo
universal'' fez com que seu título original de patriarca do Ocidente
ficasse ofuscado. Seu poder tornou-se monárquico absoluto, não mais
repartido com o sínodo. Este continuou a ter um papel central nas
outras igrejas, dividindo o governo com o patriarca.

A grande indagação, hoje, tanto para as alas mais progressistas da
Igreja, como para as igrejas rompidas com Roma, é se o novo papa vai
seguir a sugestão de João Paulo II no sentido de rediscutir o primado
do papa a fim de se encontrar uma forma de exercício desse primado
que seja aceitável pelas outras igrejas, ao mesmo tempo em que
mantenha o papel de sinal visível da unidade das igrejas cristãs.
Isto é, voltar a uma estrutura eclesial semelhante à do 1º Milênio.

No âmbito interno, isto é, de seu próprio patriarcado (Igreja
latina), espera-se que o novo papa dê mais autonomia às conferências
episcopais nacionais e devolva ao sínodo dos bispos o antigo poder
deliberativo. Isso, dentro da estrutura eclesial Romana.

No que tange ao conjunto das igrejas cristãs (pré-calcedonianas e
ortodoxas) seria restaurar a antiga relação de igualdade entre os
patriarcados. O papa de Roma falaria em nome de todas as igrejas,
quando isso se fizesse necessário e fosse pedido pela igreja
universal reunida para ouvi-lo. Mas manteria seu poder jurídico
apenas sobre a Igreja Romana, respeitando a autonomia jurídica das
demais, mantendo contudo o seu status de primeira igreja, encarregada
de ''presidir a caridade'' - de acordo com a antiga fórmula
prevalecente durante todo o 1º milênio cristão.

Por isso, seria de grande importância a eleição de um papa que
tivesse conhecimento da História da Igreja, num sentido mais amplo do
que tem sido dada a conhecer ao clero latino, e experiência nas
relações com as igrejas do Oriente. Como papa eslavo, João Paulo II
estava mais próximo dessas igrejas, assim como esteve também da
tradição judaica por seus laços de convivência. Que o próximo tenha
também esse perfil.

Valdemar Menezes é Editor Sênior do O POVO


10 - A Núbia cristã

Revista 30 Dias Janeiro de 2005

A presença da Igreja no Sudão remonta ao século IV
de Lorenzo Cappelletti
Nos últimos tempos fala-se muito de nova evangelização e de raízes
cristãs da Europa, e fala-se também que o território europeu e a
bacia do mediterrâneo formam o âmbito da mais antiga evangelização.
Porém esquece-se que o cristianismo desde os primeiros séculos,
enquanto era pouco ou nada difuso no coração da Europa, já tinha
alcançado não só a Armênia e a Mesopotâmia, mas também remotas
regiões do lado oriental do Mar Cáspio, muitas vezes graças a
comunidades nestorianas e jacobitas. Assim como, já tinha subido o
Nilo até Philae, uma ilha na metade do percurso desse rio, no
território nubiano setentrional, onde se encontra uma sede episcopal
que remonta ao século IV. Depois, a partir do século VI, outras
igrejas e sedes episcopais, nesses casos muitas vezes de tendência
monofisita, foram se formando também em zonas centrais e meridionais
da Núbia (atual Sudão), que, portanto não só conta com raízes
cristãs, mas com o sangue derramado pelos mártires, como se pode ler
no livro do padre Renato Kizito Sesana.
Trata-se de noções acessíveis, possíveis de serem procuradas nos
mapas geográficos de um manual muito difuso como La storia della
Chiesa, de Joseph Lortz, ou em outros mapas de comentários
correspondentes como do Atlante Universale della storia della Chiesa,
organizado por Hubert Jedin e outros. Naturalmente, às vezes, é muito
difícil localizar tais igrejas. Mas foi o que sempre aconteceu também
no Ocidente e na Europa. Lembro de um livro do padre Jiry Vesely, de
alguns anos atrás, sobre a evangelização de Cirilo e Metódio entre os
morávios, búlgaros e tchecos, chamado Scrivere sull'acqua. Também
hoje encontram-se desconhecidos catequistas africanos "escrevendo na
água", a fim de que alguém possa renascer da água e do Espírito, que
é o que conta.


11 - ETIÓPIA: Depois das condolências de todas as religiões pela
morte de João Paulo II, na Eparquia de Adigrat reza-se pela eleição
do novo Pontífice

Adigrat (Agência Fides)- Também na Etiópia reza-se pela eleição do
novo Pontífice. "Desde de que foi divulgada a triste notícia da morte
do Papa, os fiéis da Eparquia de Adigrat iniciaram a rezar e a dar
graças a Deus pelo dom de João Paulo II, pelo repouso eterno da sua
alma e para que o Espírito Santo inspire a Igreja para a eleição de
um digno 264º sucessor de Pedro como Vigário de Cristo", afirma um
comunicado enviado à Agência Fides pela Eparquia de Adigrat, na
Etiópia setentrional.
Em Adigrat, a morte de João Paulo II suscitou viva emoção e criou a
ocasião de um encontro ecumênico e inter-religioso. "Em 9 de abril,
todas as paróquias da Eparquia celebraram Missas em sufrágio do Santo
Padre. Em especial, na catedral do Santo Salvador, a Missa presidida
pelo Bispo de Adigrat, Dom Abuna Tesfaselaise Medhin, da qual
participaram milhares de leigos católicos, foi seguida por
representantes de três grupos religiosos, junto a funcionários da
administração local", lê-se no comunicado. "Representantes da Igreja
ortodoxa etíope, evangélica e da comunidade muçulmana, testemunharam
do profundo apreço da exemplar vida de João Paulo II".
"Ao Agapé que seguiu a Missa, o Administrador do leste Tigrai e os
representantes das três religiões expressaram sua compartilha da dor
em nível mundial pela morte de João Paulo II e fizeram votos que a
Igreja católica tenha um líder espiritual que possa receber os
desafios que João Paulo II deixou", afirma-se no comunicado.
Na sua homilia, o Bispo disse que o "Papa João Paulo II permanece em
nossos corações e será recordado pelas nobres pedras miliares que
semeou através do seu extraordinário comportamento em levar paz e
reconciliação, tolerância, solidariedade com os excluídos, tornando-
se voz para quem não a tem, na defesa da dignidade dos seres humanos,
sem alguma discriminação de ordem religiosa, racial ou de opinião.
Assim como Cristo, o Santo Padre viveu como uma pessoa que se importa
com todos. Hoje recomendamos a sua alma para que possa conhecer a
glória de Cristo".
"Esta experiência emotiva e espiritual de pesar e gratidão,
compartilhada por todas as religiões e pelos homens de boa vontade,
foi vivida em todas as outras Eparquias, Vicariatos e Prefeituras
Apostólicas na Etiópia", conclui o comunicado.
Na Etiópia, num total de 68 milhões de habitantes, os católicos são
494mil (Fonte: Anuário Estatístico da Igreja 2002). O resto da
população é dividido entre ortodoxos, muçulmanos, animistas e outras
religiões. (L.M.) (Agência Fides 18/4/2005)


12 - JORDÂNIA RECORDA JOÃO PAULO II COM CANTOS E ORAÇÕES

Amã, 14 abr (Radio Vaticano) - Orações, cantos e reflexões: assim, a
Jordânia recordou o Papa João Paulo II, numa cerimônia em que os
máximos representantes das várias Igrejas cristãs, ao lado de
expoentes muçulmanos, membros do corpo diplomático e fiéis se
reuniram em Betânia, às margens do rio Jordão, onde Jesus recebeu o
Batismo, das mãos de João Batista.
Betânia é um dos locais visitados pelo Papa João Paulo II durante sua
estada no país, em março de 2000. Foi a primeira etapa da
peregrinação jubilar à Terra Santa, e adquiriu, portanto, uma
importância especial, em virtude de sua visita.
"Aqui o Papa parou para rezar pela unidade das Igrejas e pelo diálogo
com as outras religiões" - explicou à agência de notícias ANSA, Dom
Fernando Filoni, Núncio Apostólico na Jordânia e no Iraque.
O momento de oração em memória de João Paulo II contou também com a
projeção de um documentário sobre a viagem do Papa à Jordânia, e
cantos executados pelo coral do Conservatório de Música Nacional.
5% da população jordaniana professa o Cristianismo. (CM)


13 - LÍBANO: Líderes religiosos e jovens em marcha pela paz: "Amor, e
nunca mais a guerra civil"

Beirute (Agência Fides) - Manifestação pela paz em Beirute, em
memória das vítimas da guerra civil: em 13 de abril, todos os líderes
religiosos cristãos e muçulmanos, com centenas de jovens libaneses,
marcharam pacificamente pelas ruas da capital, reunindo-se diante do
monumento nacional de Beirute, aonde depuseram ramos de oliveira em
sinal de paz. O slogan era: "Amor, e nunca mais guerra civil". A
manifestação se insere numa série de iniciativas inter-religiosas,
sobretudo para sensibilizar jovens e crianças.
Muitos cidadãos libaneses estavam presentes também na noite de ontem,
14 de abril, na Basílica de São Pedro, em Roma, aonde as Igrejas
orientais celebraram uma Santa Missa para os "novenários" de João
Paulo II. A celebração foi uma ocasião de encontro e intensa e oração
pelos sacerdotes e seminaristas árabes, e todos os fiéis da área
médio-oriental de Roma. Foi transmitida ao vivo por algumas TV's
árabes, via satélite. Na homilia, o Cardeal Nasrallah Sfeir,
Patriarca Maronita de Beirute, destacou o amor do Papa João Paulo II
por todas as Igrejas orientais.


14 - Testemunho do Patriarca Caldeu - Orações para o Iraque doente

Revista 30 Dias - Março de 2005

"Hoje o Iraque precisa muito das suas orações, das orações dos caros
leitores e, da nossa parte, nós iraquianos devemos apenas agradecer a
todos por essas orações, por tudo o que fazem para o bem do nosso
país"
de Emmanuel III Delly
Encontramos o patriarca caldeu Emmanuel III Delly na sua recente
vinda a Roma, primeira visita depois da sua eleição em dezembro de
2003. Temos certeza de que o Papa doente ficou muito contente ao
receber o abraço deste fiel e inteligente pastor. Emmanuel III Delly
visitou o Papa em 19 de fevereiro passado. Na audiência com o
Patriarca caldeu, que durou cerca de meia hora, o Papa mostrou-se
atento e fez algumas perguntas específicas so­bre a situação do país e
sobre a vida da comunidades cristãs iraquianas.
Ao pedido de 30Dias para que contasse, do seu ponto de vista único, o
que está realmente acontecendo no Iraque, o Patriarca confiou-nos
este testemunho, que de comum acordo aqui publicamos.

Antes de tudo agradeço de coração à revista 30Dias, que está fazendo
o bem não somente à Itália, mas ao mundo todo e, de modo particular,
à Igreja, divulgando a doutrina cristã. Dar Cristo às pessoas, essa é
a missão de 30Dias, essa deveria ser. Claro, deve-se inte­ressar de
tudo, mas o único inte­resse deveria ser o de dar Cristo às almas e
então o Senhor abençoará essa revista, que está fazendo e fará o bem,
não somente aos leitores italianos, mas aos de todo o mundo. Eu peço
ao Senhor para que abençoe o diretor da revista, os seus
colaboradores e a própria revista, de modo que seja um meio para dar
a graça não apenas ao mundo, mas a toda a humanidade.
Tenho certeza de que vocês vieram encontrar o Patriarca dos Caldeus
no mundo, Emmanuel III Delly, para perguntar-lhe sobre a situação no
Iraque. Muitos jornalistas vêm para o Iraque e perguntam-me: "Como
estão os cristãos iraquianos?". Eu logo respondo: "Essa pergunta não
me agrada. Por que não perguntam como estão os iraquianos? Porque
tudo o que acontece aos cristãos acontece também aos muçulmanos, que
são nossos irmãos, e o que acontece aos muçulmanos acontece também
aos cristãos. Portanto, perguntem-me como estão os iraquianos".
Então, atualmente o Iraque está doente e precisa de medicamentos
econômicos, de medicamentos espirituais, de medicamentos para todas
as doenças de que está sofrendo. Da nossa parte temos uma grande
esperança: de que esses medicamentos cheguem e façam bem ao Iraque,
para poder se curar e então fazer o bem aos outros países, próximos e
mais afastados. O Iraque é um país rico, um país que, especialmente
nos últimos anos, teve o olhar da humanidade dirigido para si.
Agradeço a todo o mundo pelas orações recitadas pelo Iraque. O Iraque
estaria muito pior sem as orações dos amigos, orações elevadas por
tantas almas ao Senhor para que olhasse o nosso país, conservando-o e
encaminhando-o para o bem. O Iraque e os iraquianos sofreram muito,
todos do mesmo modo, cristãos e muçulmanos, de qualquer religião. Com
efeito devemos considerar que a religião é para o Senhor, mas a
pátria é para todos. Portanto, o Iraque é para todos os iraquianos.
Todos nós iraquianos devemos estar unidos e colaborar para o
progresso deste país e para a sua liberdade: uma verdadeira liberdade
de religião, de cultura, de economia; liberdade em tudo para todos os
iraquianos. O Iraque precisa, especialmente hoje, das suas orações,
das orações dos caros leitores e, da nossa parte, nós iraquianos
devemos apenas agradecer a todos por estas orações, por tudo o que
fazem pelo bem do nosso país.
No Iraque temos quase 800 mil cristãos; destes, quase 600 mil são
católicos. Cerca de 80% dos católicos são do rito caldeu (caldeu
significa católico). No país estão presentes também outras Igrejas:
sírio-católicos, armênio-católicos, melquitas, uma pequena presença
de maronitas, pouquíssimos sírio-ortodoxos, armênio-ortodoxos e
também os chamados nestorianos, que hoje não são mais chamados assim,
mas Santa Igreja Católica Apostólica do Oriente. Portanto os
católicos são 80% dos cristãos que vivem no Iraque. Em Bagdá, nós
caldeus, temos 28 paróquias, dois seminários, um menor e um maior;
também temos religiosos e religiosas, as Filhas de Maria Imaculada e
as Filhas do Sagrado Coração. Também temos os monges caldeus da Ordem
de Santo Antônio. Temos muitas vocações, mas agora infelizmente
diminuíram por causa da emigração que já havia no passado e que hoje
alcançou o auge. Uma emigração que não é causada pela discriminação,
que não há, nem pelas perseguições, que também não há, mas
principalmente pelas causas sociais, econômicas ou para a
reunificação dos núcleos familiares de iraquianos residentes no
exterior. Com efeito, acontece que iraquianos que vivem nos Estados
Unidos ou na Austrália chamam para si pais ou irmãos, os quais deixam
o país para viver no exterior. Nos últimos anos a emigração aumentou
muito por causa do medo e da instabilidade e principalmente por causa
da guerrilha. Por esta razão foram muitos os que deixaram o Iraque. A
maioria dos emigrantes é muçulmana, porque os muçulmanos são muito
mais numerosos do que os cristãos. Atualmente, nestes últimos meses,
muitas pessoas, muçulmanos e cristãos, deixaram o país também por
causa do aumento do banditismo, bandos que raptam e seqüestram por
dinheiro. Raptam filhos, irmãos e irmãs e depois pedem um resgate, e
isso realmente assusta muita gente. É verdade, atacaram também as
igrejas, mas não só as igrejas. Também as mesquitas foram objeto de
ataques, assim como os lugares de oração dos xiitas. Também é verdade
que seqüestraram um bispo e um sacerdote. Mas raptaram também muitos
religiosos muçulmanos: Mullah, Ulema e outros... muitas pessoas que
ainda não sabemos onde estão e pelas quais estamos fazendo de tudo
para que sejam libertadas. Portanto, não há um ataque à I­greja porque
odeiam a Igreja, mas apenas porque no país há um grande caos. Há
bandos que seqüestram por dinheiro, outros que aterrorizam a
população, tanto muçulmana como cristã. Talvez essas ações nasçam por
outras razões, por exemplo, razões políticas, mas eu não as conheço.
Não sei se os americanos devem deixar o país ou não. É verdade, uma
ocupação é uma ocupação e ninguém quer ser ocupado por outros, e
rezamos a Deus para todos sejam libertados, para salvar o que de
qualquer modo nos pertence justa e verdadeiramente.
As eleições fizeram bem ao povo e serviram para saber qual é a sua
vontade. Muitos sunitas votaram; outros não votaram, e têm as suas
razões. Também alguns cristãos não votaram e têm as suas razões.
Quase todos os xiitas votaram, assim obtiveram a maioria. Não votar e
ficar fora do governo é sempre uma perda. Nós dissemos às
pessoas: "Votem, se quiserem entrar no Parlamento. Mesmo que não
cheguem ao governo, vocês poderão ser a oposição". Muitos sunitas
ouviram também este conselho de seus amigos, de pessoas que amam o
Iraque e foram votar; porém muitos não deram ouvido ao convite. Ao
invés, 95% dos xiitas votaram e por isso hoje são a maioria dos
eleitos. E no futuro Parlamento também serão a maioria quando tiverem
de colocar as coisas em ordem, redigir uma Constituição permanente.
Da nossa parte, esperamos que seja uma Constituição justa que
assegure uma absoluta liberdade de religião, de cultura, para todos
os iraquianos, sem distinções nem discriminações, como disse
precedentemente, a religião é para Deus enquanto que a pátria é para
todos.
Enfim, gostaria de concluir dizendo que nada pode ajudar mais o
Iraque doente do que a oração. Rezemos todos pela cura do Iraque; e
aproveito a ocasião para agradecer de modo particular ao nosso Santo
Padre, o qual, há tantos anos, não cessa de rezar pelo Iraque, e
todos os seus colaboradores, que rezam por nós, pela paz, a
tranqüilidade e a estabilidade do país. Agradeço a todos os
italianos, aos quais dirijo uma saudação particular porque morei 14
anos na Itália, como estudante, por isso o seu país tornou-se quase a
minha segunda pátria. Agradeço aos leitores, agradeço a todos os que
rezaram, rezam e pedem orações por nós para que o Senhor nos dê
segurança e paz. E peço ao Senhor, pela intercessão de nossa Mãe
Celeste, Maria, a bênção para todos vocês.


15 - MORTE DO PAPA JOÃO PAULO II

Informativo Armênia - Abril 2005

O passamento do chefe supremo da Igreja Católica Romana comoveu
profundamente o planeta inteiro. Como divulgado amplamente, o
presidente Kotcharian e altas autoridades religiosas armênias
expressaram sinceras condolências. Os dois catolicosses apostólicos,
Karekin II (de Etchmiadzin) e Aram I (de Antelias), acompanhados de
suas comitivas, assim como o patriarca armênio de Constantinopla
Mesrob Mutafian, compareceram à cerimônia fúnebre no Vaticano. E o
governo armênio se fez aí representar pelo primeiro-ministro Antranik
Markarian. É natural supor que, dentre os armênios, os que mais
choraram a perda do papa João Paulo II foram os cerca de 300 mil
armênios católicos que existem no mundo, 150 mil dos quais na própria
Armênia. Estes estiveram representados nas exéquias do sumo pontífice
romano na pessoa do seu supremo pastor espiritual, o patriarca Nersês
Bedros XIX, de Bzomar, no Líbano, o qual se fez acompanhar de demais
hierarcas e de religiosas da comunidade de N. S. da Imaculada
Conceição. Irmanamo-nos a todos eles na esperança da vida eterna, e
com eles oramos resquiescat in pace.


16 - LUTO NACIONAL ARMÊNIO

Informativo Armênia - Abril 2005

O 90° aniversário do Genocídio será comemorado em toda a extensão do
mundo armênio com fervor inédito. De um extremo a outro da Diáspora,
e particularmente na Armênia, 24 de abril deste ano será revestido de
um significado histórico sem precedente. Manifestações públicas,
palestras, simpósios, exposições, publicações, concertos, ofícios
religiosos... mobilizarão multidões em sinal de respeito às vítimas
do Genocídio de 1915, em clamor uníssono contra a desumana barbárie,
e para que nunca mais tal crime se repita. Um dos momentos
culminantes desses eventos todos terá lugar em Erevan, onde 1,5
milhão de pessoas marcharão em silêncio até o Memorial dos Mártires
na colina do Dzidzernagapert para aí depositarem 1,5 milhão de cravos
e acenderem 1,5 milhão de velas em memória de cada uma das vítimas da
monstruosa hecatombe. Enquanto a consciência dolorida do povo armênio
se prepara para esses atos de reverência cívico-espiritual, Ancara
persiste em sua impenitência: a sessão do parlamento turco de 13 de
abril adota medidas de contra-ataque às "alegações armênias sobre o
genocídio", o primeiro-ministro Erdogan recorre de novo à manobra
dilatória de propor a "criação de uma comissão de estudo" sobre os
eventos de 1915, e a mídia do país conduz orquestrada e contumaz
ofensiva negacionista. Essa postura quase sacrílega da Turquia
incitará os armênios ainda mais a perseverar imperturbáveis, sem
rancor, com dignidade, no tributo que renderão aos seus mártires.


17 - IGREJAS DO MUNDO INTEIRO REMEMORARÃO O GENOCÍDIO ARMÊNIO NO DIA
24 DE ABRIL

www.armenia.com.br 16/04/05

As Igrejas que são membros do Conselho Mundial das Igrejas (CMI)
foram convidadas a celebrar no domingo, dia 24 de abril, o 90.o
aniversário do Genocídio Armênio. Esta forma de rememoração do
trágico massacre de 1,5 milhão de armênios na Turquia e a deportação
de outro milhão de seus lares ancestrais foi recomendada no mês de
fevereiro passado pelo Comitê Central do CMI. Nesta recomendação, o
Comitê Central enfatizou "a necessidade de reconhecimento público do
Genocídio Armênio, e a necessidade de a necessidade de a Turquia de
lidar com esta parte sombria de sua história".


18 - Programação - 90o Aniversário do Genocídio Armênio
www.armenia.com.br 16/04/05

18 DE ABRIL (2ªFEIRA)
→ Abertura da Exposição "90 Anos do Genocídio Armênio" - Esta
exposição estará aberta até 01.05.2005 Espaço Cultural - Conjunto
Nacional - Av. Paulista, 2073

23 DE ABRIL (SÁBADO)
→ 20h Ato Ecumênico na Igreja Armênia Católica São Gregório "O
Iluminador", organizado pelas Igrejas Armênias com a presença de
autoridades eclesiásticas e de representantes das diversas igrejas
sediadas em São Paulo.
→ 21h Após Ato Ecumênico, vigília junto ao monumento aos
Mártires,
organizado pelo Grupo de Escoteiros Sardarabad.

24 DE ABRIL (DOMINGO)
→ Missa e culto nas Igrejas Armênias.
→ 12h30min Peregrinação ao Monumento aos Mártires Armênios, na
Praça
Armênia.
→ 13h30min Ato Solene da re-inauguração do Memorial Armênia, na
Estação Armênia do Metro, com a presença de autoridades
governamentais e diretores da Cia.do Metro.

25 DE ABRIL (2ª FEIRA)
→ 19h Ato Cívico diante do Khatchkar no pátio da Assembléia
Legislativa do Estado de São Paulo.
→ 20h Ato Solene no Plenário da Assembléia Legislativa do
Estado de
São Paulo.
→ Lançamento do carimbo dos Correios e Telégrafos , em
homenagem aos
Mártires Armênios de 1915.

26 DE ABRIL (3ª FEIRA)
→ De 20 às 21h Será apresentada uma entrevista alusivo ao
genocídio
pela NGT (Nova Geração de TV), canal 48 UHF (canal aberto e não TV à
cabo)

28 DE ABRIL (5ª FEIRA)
→ 20h30min Apresentação dos alunos do Externato José Bonifácio
(Hay
Azkain Turian Varjaran) no Centro Armênio - Av. Santos Dumont, 55

10 DE MAIO (3ª FEIRA)
→ 10h Apresentação do documentário "Armênia traída, genocídio
negado" - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciênciass Humanas da USP
(FFLCH),sala 261-Av. Prof. Luciano Gualberto,403.

16 DE MAIO (2ª FEIRA)
→ 19h30min A Câmara Municipal de São Paulo homenageará em
Sessão
Solene os Mártires Armênios do Genocídio de 1915, e apresentará a
Moção do Vereador Gilberto Natalini (PSDB-SP), reconhecendo o
Genocídio Armênio e através do envio de cópia da Moção ao Exmo. Sr.
Presidente da República, sejam adotadas providências junto ao
Congresso Nacional, visando o Reconhecimento do Genocídio pelo
governo do Brasil - Viaduto Jacareí, 100

24 DE MAIO (3ª FEIRA)
→ 10h Mesa redonda sobre o tema "Aspectos Jurídicos e
Históricos do
Genocídio Armênio"
Participação de aluno, convidados, professores de diferentes áreas.
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH)
Av. Prof. Luciano Gualberto, 403

Maiores informações:

Consulado da República da Armênia: 3255-7707 / Igreja Apostólica
Armênia do Brasil - 3326-0758 / Igreja Central Evangélica Armênia -
3227-6969 / Igreja Armênia Católica - 3227-6703.


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