BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 37 - 15 de abril de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Este número tem algumas notícias polêmicas, reitero que seleciono as
notícias que de alguma forma são relacionadas com as Igrejas
Orientais e as suas inclusões não significam um juízo de valor
positivo sobre as mesmas, conforme está informado na nota de rodapé
de todos os Boletins.

Informo novamente que a partir do próximo dia 21 de abril estarei de
férias por 15 dias e não terei condições de preparar o Boletim neste
período.

Que Deus nos abençoe.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
[email protected]


ÍNDICE


1 - Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa reafirma críticas ao Papa

2 - ORTODOXOS ACONSELHAM

3 - O Patriarca de Moscou advoga uma aproximação entre a Igreja
Ortodoxa Russa e o Vaticano

4 - "ESPERO SINCERAMENTE QUE O FUTURO PONTÍFICE ROMANO DÊ PROVAS DE
SABEDORIA E DE TATO E MUDE SUA POLÍTICA NA RÚSSIA", AFIRMA ALEKSEJ II

5 - Conferência analisa as relações entre a Igreja Ortodoxa Russa e o
Estado

6 - Igreja russa luta pela devolução de seus templos históricos

7 - A RÚSSIA, O VATICANO E O FACTOR POLACO

8 - RÚSSIA: "O nosso santo dever é pedir a Deus, para que através da
eleição do Colégio dos cardeais, o Espírito Santo mostre aquele que
estará no timão do barco de Pedro e conduzirá o navio da Igreja rumo
ao futuro, sobre as ondas tumultuadas do início do século XXI",
afirma o Arcebispo Kondrusiewicz na mensagem aos fiéis em vista do
Conclave

9 - Ortodoxos esperam melhorar relações com Vaticano

10 - Papa: «Um anjo da paz», que «transcendeu religiões». Diz a
Igreja Ortodoxa.

11 - Igrejas ortodoxas rendem homenagens discretas a João Paulo II

12 - Grécia volta a vender livro de quadrinhos sobre Jesus maconheiro

13 - Continuar a obra

14 - Deixem os pais serem pais

15 - Igrejas do Oriente prestam tributo ao Papa ecuménico

16 - Patriarca lembra que o Papa se desgastou para acolher cada homem
como um irmão

17 - O austríaco Christoph Schoenborn, um candidato moderado à
sucessão

18 - Mensagem de pesar do Patriarca da Igreja Assíria oriental no
Iraque - Também para os fiéis iraquianos, João Paulo II "Santo
Imediatamente"

19 - Depois das celebrações para o Santo Padre, os cristãos no
Iraque, orgulhosos de serem ligados a João Paulo II, encontram nova
esperança para o seu futuro

20 - IGREJA NO IRAQUE RECORDA JOÃO PAULO II E SEU EXEMPLO NA
CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE BASEADA NA PAZ E NO DIÁLOGO

21 - Os fiéis egípcios em oração: que o novo Papa continue no caminho
do diálogo inter-religioso

22 - JOÃO PAULO II HOMENAGEADO EM TEERÃ COMO "UM HOMEM DE PAZ"

23 - JORDÂNIA: Oração e expectativa pelo novo Papa, confiante que
falará em favor da paz e da justiça

24 - Índia: "Perdemos um grande Papa", afirma Bispo de Belthangady

25 - LUTO NACIONAL ARMÊNIO


NOTÍCIAS


1 - Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa reafirma críticas ao Papa

Agência Ecclesia 14/04/2005

O Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexis II, manifestou ontem o
desejo de que a Igreja Católica "mude radicalmente" a sua política no
país e nas antigas repúblicas soviéticas, acusando João Paulo II de
ter colocado obstáculos no caminho ecuménico.
"Entre as nossas duas Igrejas há complicações que apareceram no
período em que a Igreja romana foi dirigida por João Paulo II", disse
em entre vistas ao "Corriere de La Sera". Nesse sentido, o Patriarca
de Moscovo refere que o próximo Papa deve reforçar o diálogo com os
ortodoxos.
Alexis II diz não lamentar o facto de o Papa João Paulo II nunca ter
visitado a Rússia, porque essa viagem só teria feito sentido se as
duas partes se tivessem aproximado. "
As visitas devem exprimir os resultados positivos e infelizmente isso
não se verificou entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa", aponta.
O Patriarca russo não deixa de destacar a importância que João Paulo
II, considerando que a sua acção "reforçou a fé dos católicos no
mundo inteiro".
Alexis II opôs-se sempre a uma visita de João Paulo II à Rússia, algo
que o Papa desejava profundamente fazer. O Patriarca Ortodoxo tem
insistido na tese de "proselitismo católico" na Rússia e nas outras
onze repúblicas da ex-União Soviética.
Acusando católicos e protestantes de proselitismo, Alexis II pretende
que o cristianismo na Rússia seja sinónimo exclusivo de Igreja
Ortodoxa. problema está no facto de a identidade nacional da Rússia
se misturar muito com a da Igreja Ortodoxa, havndo quem afirme ser
ortodoxo, por ser russo, mas não acreditar em Deus.


2 - ORTODOXOS ACONSELHAM

Correio da Manhã (Portugal) 14/04/05

O patriarca da Igreja Ortodoxa da Rússia, Alexis II, afirmou ontem
esperar que o novo Papa tenha o "necessário tacto" para melhorar as
relações entre as duas Igrejas. Alexis II, que não assistiu ao
funeral de João Paulo II, manteve com o falecido Papa um longo
diferendo, que acabou por inviabilizar o grande desejo do Sumo
Pontífice de visitar a Rússia. Em entrevista ao `Corriere della
Sera', o patriarca ortodoxo afirmou ter grande respeito por João
Paulo II e pelas mudanças que imprimiu na Igreja Católica, mas fez
votos para que o seu sucessor tenha "a necessária sabedoria e tacto"
para melhorar as relações. "Acima de tudo, deve rejeitar claramente o
proselitismo", afirmou Alexis II na entrevista. A Igreja Ortodoxa
Russa, recorde-se, sempre acusou João Paulo II de querer estender a
influência da Igreja Católica à Rússia.

3 - O Patriarca de Moscou advoga uma aproximação entre a Igreja
Ortodoxa Russa e o Vaticano
Voz da Rússia 14/04/2005
O patriarca de Moscou e de toda a Rússia, Aleksi II, advoga uma
aproximação entre a Igreja Cristã Ortodoxa da Rússia e o Vaticano. Em
entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera", ele manifestou a
esperança de que o novo papa tente melhorar as relações com a Igreja
Cristã Ortodoxa da Rússia e contribua para desenvolvimento das
relações interconfessionais. Aleksi II sublinhou que para superar as
atuais discrepâncias é necessário que o Vaticano renuncie à política
de proselitismo entre os Cristãos do rito oriental e implantação de
suas dioceses na Rússia.


4 - "ESPERO SINCERAMENTE QUE O FUTURO PONTÍFICE ROMANO DÊ PROVAS DE
SABEDORIA E DE TATO E MUDE SUA POLÍTICA NA RÚSSIA", AFIRMA ALEKSEJ II

Moscou, 13 abr (Radio Vaticano) - "Não lamento a falta da visita do
Papa, mas os desencontros entre católicos e ortodoxos. Espero
sinceramente que o futuro Pontífice romano dê prova de sabedoria e de
tato, e mude sua política na Rússia": foi o que afirmou ao jornal
italiano "Il Corriere della Sera", o Patriarca ortodoxo de Moscou e
de todas as Rússia, Aleksej II.
Aleksej II foi que, na prática, impediu que João Paulo II pudesse
realizar a sua tão sonhada visita à Rússia. O Patriarca reconheceu,
no entanto, que Wojtyla "testemunhou o Cristianismo num mundo moderno
muito complicado".
"Somente a história poderá fazer uma avaliação completa e objetiva
sobre a atividade eclesial do Santo Padre" _ disse Aleksej II,
sublinhando que "as pregações, os ensinamentos, as palavras e os
sermões de Sua Santidade não somente revigoraram na fé, os católicos
nas várias partes do mundo, mas testemunharam o Cristianismo num
mundo moderno e complicado, ao qual se tenta impor a ideologia da
secularização, como se não houvesse alternativa.
"Nos últimos anos _ disse ainda _ vimos tanta gente reunir-se na
Praça São Pedro para fazer uma oração pelo próprio pastor e
preceptor. Aquela oração e o amor dos católicos são o melhor juízo
que se pode dar, sobre o serviço pastoral de João Paulo II" _
observou o Patriarca ortodoxo russo. (MZ)


5 - Conferência analisa as relações entre a Igreja Ortodoxa Russa e o
Estado

Voz da Rússia 12/04/2005

A Igreja Cristã Ortodoxa da Rússia pode contar com os bons ofícios do
Estado na implementação dos seus programas de grande envergadura
social - disse o patriarca de Moscou e de toda a Rússia, Aleksi II,
numa conferência convocada para analisar as relações entre a Igreja e
o Estado. Trata-se de apoio a prestar às obras de reconciliação, à
instituição da família, assim como a educação patriótica, ações
filantrópicas e recuperação da herança cultural.


6 - Igreja russa luta pela devolução de seus templos históricos

Missão Portas Abertas 14/4/2005

Membros da Igreja Old Believer (Velhos Crentes) de Samara não
receberam resposta do governo com relação ao seu pedido para a
devolução de um prédio usado como sua igreja antes de 1917. As
autoridades municipais comunicaram verbalmente à paróquia que eles
deveriam primeiro se encontrar com os representantes locais da Igreja
Ortodoxa Russa (Patriarcado de Moscou) para saber da posição do
arcebispo sobre o assunto. "Como advogada, eu sei que isto não é
legal", disse Irina Budkina, membro de uma paróquia da Igreja Old
Believer, ao Serviço de Notícias do Fórum 18, alegando que documentos
arquivados provam que a igreja foi construída em 1913-15 pela Igreja
Belokrinitsa Old Believer e depois confiscada: "Não há nenhuma
relação com o Patriarcado de Moscou." Em 2004, a administração da
cidade de Samara adquiriu a igreja depois que o ocupante anterior,
uma fábrica de artefatos mecânicos, fechou. Sergei Vurgraft,
secretário de imprensa da Igreja, disse ao Forum 18 que quando
paroquianos da Igreja Old Believer requisitaram os prédios
históricos, as autoridades locais prometeram várias vezes devolvê-
los "desde de que eles obtivessem a confirmação que a arquidiocese
local do Patriarcado de Moscou não se opusesse". Sabendo que isso é
inconstitucional, funcionários do governo normalmente fazem isso
oralmente, disse ela ao Fórum 18. Vurgaft queixou-se que em muitos
casos as autoridades locais se recusam a devolver os templos da
Igreja Old Believer devido a interesses comerciais. Em Moscou, disse
ele, a Igreja Belokrinitsa Old Believer teve pouco sucesso em
requisitar 3 igrejas utilizadas como restaurante, clube de boxe e
escritórios da União das Forças de Direita um partido político.
Tradução: Cláudia Veloso


7 - A RÚSSIA, O VATICANO E O FACTOR POLACO

RIA "Novosti" 13/04/05

Piotr Romanov, observador político da RIA "Novosti"

A primeira onda de interesse pelos acontecimentos no Vaticano já
passou. A segunda, como não é difícil supor, chegará quando se tornar
conhecido o nome do sucessor de João Paulo II. Este acontecimento
terá um sentido especial para a Rússia. É evidente que o novo Sumo
Pontífice não será oriundo da Polónia, mas o factor polaco tem sempre
determinado em grande medida as relações entre o Vaticano e Moscovo.
Existem várias causas, mas a principal consiste no facto de as
relações históricas bastante complexas entre os russos e polacos
terem transformado durante muitos séculos os sacerdotes polacos em
políticos. Ao longo da história, a igreja polaca foi mais que uma vez
um clube político-revolucionário antirusso e os clérigos assumiram as
funções de dirigentes políticos. Por fim, ao vir para a Rússia, os
padres polacos esqueciam não raro a sua missão religiosa,
subordinando-a aos interesses político-nacionais. O padre Quénard,
membro da Ordem francesa da Assunção, escreveu certa vez com
irritação: "Quanto aos polacos, desde Varsóvia a Vladivostok eles
identificam os interesses do catolicismo com os seus próprios".
Noutra nota ele observou com decepção: "Os polacos não desejam, via
de regra, dedicar-se ao proselitismo entre os russos se isso não
levar ao aumento da influência polaca". Claro que os desígnios
estratégicos globais do catolicismo na Rússia, alimentados pela Ordem
da Assunção, chocavam com os planos dos polacos, puramente egoístas
como pensavam os franceses. Outro padre francês, Boraine, observou
com irritação: "Os polacos são intriguistas experientes". Aliás,
todas estas citações foram tiradas do livro "Roma e Moscovo" de
Antoine Wenger, estudioso da história de Bizâncio e fervoroso
católico, especialista em assuntos russos. A eleição de um polaco
para o cargo de Papa encerrava desde o início elementos positivos e
negativos para o Vaticano e Moscovo. Por um lado, o Vaticano adquiria
traços suplementares universais, tão necessários à Igreja Católica.
Quanto a Moscovo, ela podia esperar que o novo Papa eslavo se
orientasse muito melhor do que os seus antecessores nos assuntos
russos. Por outro lado, no Vaticano pela primeira vez os recursos e
autoridade da igreja foram colocados em grande medida ao serviço de
um só país, a Polónia. E não podia ser, provavelmente, de outra
maneira. Mesmo que João Paulo II se tivesse oposto a isso, a própria
Polónia não teria desperdiçado a oportunidade de aumentar o seu peso
político à custa do trono papal. Enquanto em Varsóvia se mantinha o
regime comunista, que se desmoronou, aliás, com a activa participação
da Igreja Católica, a influência polaca no Vaticano não se notava
muito, mas quando o regime mudou, a Polónia aproveitou abertamente o
seu "parentesco" com o Vaticano. Quando os representantes da Polónia
discursavam na União Europeia em nome dos novos membros da
organização e realizavam conversações com Moscovo, quando o senhor
Kwasniewski partia para a Ucrânia a fim de "pacificar" as forças
desencadeadas pela "revolução laranja", por toda a parte o seguia a
autoridade do Sumo Pontífice. É culpada disso a Polónia? Não penso
que o seja. Se para o cargo de Papa for eleito, por exemplo, um
representante da América Latina, aumentará também o peso desta região
e no Vaticano a língua espanhola ouvir-se-á com mais frequência.
Durante os longos anos do último pontificado, a frequência da língua
polaca no Vaticano aborreceu muita gente e a "invasão polaca" de Roma
por motivo do falecimento do Papa só intensificou este efeito.
Portanto, não é difícil predizer a queda da influência polaca na
igreja e, por conseguinte, no mundo. Como é natural, é impossível
saber em que medida diminuirá o peso da Polónia devido à morte de
Karol Wojtyla. No entanto, não restam dúvidas de que as perdas serão
significativas. É fácil prever também que no Vaticano os polacos irão
lutar na retaguarda pela sua influência, mas a derrota é inevitável
por eles terem perdido o seu cabo de guerra. Quanto à Rússia, também
aqui haverá mudanças. Elas não se operarão dentro em breve, mas são
quase inevitáveis. Não está excluído que o arcebispo polaco Tadeus
Kondrusevic, principal representante do catolicismo na Rússia,
regresse ao seu país e que o seu lugar seja ocupado, por exemplo, por
um francês. Mudarão, provavelmente, também muitas atitudes do
Vaticano para com o diálogo com a Igreja Ortodoxa Russa (IOR). Só o
tempo mostrará em que sentido elas evoluirão: para melhor ou para
pior. Os polacos conheciam a Rússia, mas politizavam muitos aspectos,
o que não contribuía notoriamente para o diálogo. Portanto, os novos
representantes da Igreja Católica nas conversações com a IOR serão,
provavelmente, preferíveis para esta última. Também o Kremlin não
terá sérios problemas com as novas autoridades do Vaticano. Aliás,
nos últimos séculos o poder secular da Rússia tem sido muito mais
tolerante face ao catolicismo do que o IOR. Claro que antes de mais
nada ele tem defendido os interesses dos cristãos ortodoxos, mas, ao
mesmo tempo, tem encarado também com compreensão os interesses dos
católicos. Pelo menos, por ter sabido dar valor à assistência dos
especialistas estrangeiros que viviam na Rússia e eram, na sua
maioria, católicos. Aliás, a última questão que Piotr Stolypin, uma
das eminentes personalidades da Rússia pré-revolucionária, examinou
antes da sua morte foi a questão das relações entre os ortodoxos e
católicos. No dia da sua morte às mãos de um terrorista em Kiev, o
primeiro-ministro dera uma audiência a uma delegação francesa que lhe
pedira para interceder pelo padre Evrard, que a polícia russa
suspeitava erradamente de pertencer à Ordem dos Jesuítas. Ao estudar
pormenorizadamente a situação e ao pedir a palavra de honra do padre
Evrard de que ele só pregaria entre os seus compatriotas, Stolypin
autorizou o padre a ficar na Rússia. Nas suas memórias o padre Evrard
escreveu: "Irei sempre venerar a sua memória, pois ele era... um
homem honesto, franco e desinteressado, que tinha princípios
profundamente firmes no que dizia respeito à política e à religião".
Se Roma enviar "um novo padre Evrard" à Rússia e limitar um pouco o
entusiasmo dos padres polacos, se o Kremlin souber combinar com a
mesma habilidade que Stolypin os interesses do Estado russo, da IOR e
dos católicos, Moscovo e o Vaticano poderão coexistir de maneira
perfeitamente civilizada durante o novo pontificado.


8 - RÚSSIA: "O nosso santo dever é pedir a Deus, para que através da
eleição do Colégio dos cardeais, o Espírito Santo mostre aquele que
estará no timão do barco de Pedro e conduzirá o navio da Igreja rumo
ao futuro, sobre as ondas tumultuadas do início do século XXI",
afirma o Arcebispo Kondrusiewicz na mensagem aos fiéis em vista do
Conclave

Moscou (Agência Fides) - "O Pontífice que nos deixou foi uma pessoa
aberto aos homens e ao mundo, que recordou e defendeu sem cansaço a
dignidade da pessoa humana, os seus direitos e a liberdade", afirma
Dom Tadeusz Kondrusiewicz, Arcebispo da diocese da Mãe de Deus de
Moscou, na sua mensagem aos fiéis na iminência do Conclave.
"No tempo do pontificado de João Paulo II, a Igreja percorreu um
longo caminho de renovação e desenvolvimento, de acordo com a
Doutrina do Concílio Vaticano II e os ensinamentos pós-conciliares.
Esta se tornou mais aberta ao mundo, às outras religiões e
confissões... João Paulo II foi o Moisés da nossa era, que conduziu a
Igreja ao terceiro milênio", continua o Arcebispo Kondrusiewicz.
"O apelo do início do seu pontificado: "Não tenham medo! Abram as
portas a Cristo!", realizou-se na queda dos regimes totalitários,
primeiramente na Europa Oriental, cujos povos se encaminharam para a
democracia e adquiriram os direitos fundamentais, entre eles também o
direito à liberdade de professar a fé. Graças ao seu ministério,
muitas pessoas sentiram a exigência de colocar-se na busca dos
valores eternos. Por ser um Papa eslavo, ele amou a Rússia de modo
especial... Ao nome de João Paulo II, está relacionada a restauração
das estruturas da Igreja Católica na Rússia. Não devemos nos esquecer
da sua continua oração e preocupação". Pondo um quesito, o Arcebispo
pergunta: "Notamos e soubemos apreciar a vastidão e o valor dos
gestos de boa vontade, dos sinais de respeito à nossa Pátria, à
Igreja Ortodoxa Russa e à grande cultura russa que ele demonstrou
durante o seu pontificado?"
Por fim, dirigindo um convite aos fiéis, o Arcebispo conclui
destacando que "o nosso santo dever é pedir a Deus, para que através
da eleição do Colégio dos cardeais, o Espírito Santo mostre aquele
que estará no timão do barco de Pedro e conduzirá o navio da Igreja
rumo ao futuro, sobre as ondas tumultuadas do início do século XXI".
(AP) (13/4/2005 Agência Fides)


9 - Ortodoxos esperam melhorar relações com Vaticano

ALC Notícias Abril 6, 2005

VARSÓVIA, Polonia, O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexei II,
declarou que depois do falecimento do papa João Paulo II espera que
melhorem as relações com a Igreja Católica.
"Um novo período está se abrindo na vida da Igreja Católica, no qual
há possibilidade de relações mutuamente respeitosas e de amor cristão
fraterno entre nossas igrejas", disse o patriarca.
O líder ortodoxo expressou esse desejo em carta enviada, no domingo,
ao cardeal Josef Ratzinger, que, no pontificado de João Paulo II, foi
prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
As relações entre a Igreja Ortodoxa e a Católica têm sido tensas há
tempos na Europa do Leste. Os ortodoxos acusam os católicos de
praticarem proselitismo.
Nos 26 anos de pontificado João Paulo II visitou 129 países, entre
eles as nações predominantemente ortodoxas da Bulgária, Geórgia,
Grécia, Romênia e Ucrânia, porém não conseguiu visitar Moscou.
Os dirigentes ortodoxos preocuparam-se em 2002, quando o papa quis
elevar o status da Igreja Católica na Rússia, o que consideraram um
desafio à Igreja Ortodoxa.
Essa semana um dirigente do Patriarcado de Moscou criticou os que
dizem que o papa foi impedido de visitar a Rússia por causa dos
ortodoxos tradicionalistas.
O diretor de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, Vsevolod
Chaplin, disse que a visita do papa a Moscou não se realizou "porque
tampouco se cumpriu o nosso desejo de que a Igreja Católica não
realize atividade missionária em nosso país e não compita conosco em
território russo".
"Nossa hierarquia espera, há tempo, que o lugar do papa João Paulo II
seja ocupado por algum dos cardeais ocidentais, que são mais
progressistas com respeito a Moscou, ainda que não tão populares como
o papa polonês". disse Chaplin.
O bispo da Igreja Ortodoxa Russa, Hilarion Alfeyev, disse que uma
declaração conjunta dos primados das Igreja Católica e Ortodoxa sobre
tais temas pode abrir uma nova página nas relações as duas
denominações.
O patriarca ecumênico Bartolomé, de Constantinopla, que pretende
participar do funeral do papa, disse que a morte de João Paulo II foi
uma perda, não somente para a Igreja Católica, mas para toda a
cristandade.
O metropolitano Sawa, da Igreja Ortodoxa autônoma da Polônia, anotou
que as visitas do papa aos países predominantemente ortodoxos
contribuíram para a melhor relação entre as igrejas. O arcebispo
Christodoulos, da Igreja Ortodoxa da Grécia, que recebeu João Paulo
II em Atenas, em 2001, também pretende assistir os funerais do papa.
A Igreja Ortodoxa Russa estará representada na cerimônia pelo seu
diretor de Relações Exteriores, o metropolitano Kirill


10 - Papa: «Um anjo da paz», que «transcendeu religiões». Diz a
Igreja Ortodoxa.

Presbiterianos criticam «marianismo muito forte»

Portugal Diário 03/04/2005

O porta-voz da Igreja Ortodoxa Grega em Portugal, padre Alexandre
Bonito, classificou hoje João Paulo II como "um anjo da Paz" e "um
Papa que transcendeu o âmbito do catolicismo e da própria
religião". "Era uma personalidade muito forte, que influenciou toda
a humanidade. Ele foi até o Papa dos não crentes", disse Alexandre
Bonito à Agência Lusa. Alexandre Bonito destacou "o intenso diálogo"
desenvolvido por João Paulo II em relação às outras confissões
religiosas, nomeadamente a Igreja Ortodoxa Grega, ligada ao
patriarcado de Constantinopla. "A importância de João Paulo II
ultrapassa o âmbito dos católicos, o que não existia no passado",
acrescentou. Segundo aquele padre, a Igreja Ortodoxa Grega tem
centenas de milhares de fiéis em Portugal, a maioria dos quais
imigrantes do Leste europeu. Um responsável da Igreja Presbiteriana
elogiou hoje o papel de João Paulo II na "promoção do diálogo entre o
cristianismo e as outras religiões", mas criticou o "marianismo muito
forte" do seu pontificado. "O seu pontificado ficou marcado por uma
linha de renovação e abertura da Igreja, mas houve também um aspecto
um pouco negativo: um marianismo muito forte, que muitas vezes
ofuscava a figura de Cristo", disse à Agência Lusa o pastor José
Manuel Leite, secretário das relações ecuménicas da Igreja
Presbiteriana. José Manuel Leite realçou, contudo, que
estava "solidário com todo o luto dos católicos" e, apesar
das "diferenças" com o Vaticano, "toda a Igreja está de luto". João
Paulo II "é um irmão que se perde", acrescentou. Aquele pastor
protestante salientou também que João Paulo II foi "um papa
verdadeiramente peregrino", "era mediático" e "sabia lidar bem com a
comunicação social". Segundo José Manuel Leite, a Igreja
Presbiteriana tem cerca de três mil fiéis em Portugal.


11 - Igrejas ortodoxas rendem homenagens discretas a João Paulo II

03/04/2005 AFP Fonte - JB

MOSCOU - As igrejas ortodoxas renderam, neste domingo, uma homenagem
discreta à memória do papa João Paulo II, que morreu nesse sábado,
deixando patente suas divergências com o Vaticano apesar da
aproximação defendida pelo Sumo Pontífice.
''O pontificado de sua Santidade João Paulo II foi uma época
memorável na vida da Igreja Católica romana e para toda a história
contemporânea'', escreveu o patriarca de Moscou e de todas as
Rússias, Alexis II, em uma carta transmitida ao Vaticano.
Ele também expressou seu desejo de que ''o novo período que se inicia
na Igreja Católica romana ajude a retomar as relações de respeito
mútuo e amor cristão fraternal entre as duas Igrejas'', o que
ressalta as divergências que persistem entre a Santa Sé e o patriarca
ortodoxo russo.
''Espero sinceramente que mais adiante a lembrança do morto sirva
para instaurar boas relações entre nossas Igrejas e para superar as
dificuldades atuais'', segundo um comunicado do patriarca assinado
pelo chefe do departamento de Relações Exteriores.
Na Sérvia, passadas 15 horas depois da morte do papa, a Igreja
ortodoxa não tinha se manifestado a respeito e nas missas celebradas
neste domingo no país não lhe foram feitas nenhuma homenagem.
O patriarca Maxim da Igreja ortodoxa búlgara expressou por televisão,
depois de quase 18 horas de silêncio, ''as sinceras condolências'' e
enfatizou os esforços do Sumo Pontífice ''a favor da paz na Europa''.
Estas reações sutis demonstram uma vez mais as tensões existentes
entre ortodoxos e católicos. O patriarca russo acusa, efetivamente,
de proselitismo ao Vaticano e sempre foi contrário a uma visita ´do
papa à Rússia, do mesmo modo que as igrejas ortodoxas da Sérvia e
Bulgária. Todas as visitas que João Pablo II fez à Bulgária foram em
resposta a convites do governo búlgaro e não da Igreja.
Em Istambul, o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I,
expressou com muito mais ênfase suas condolências pela morte de ''um
visionário que lutou pela aproximação de católicos e ortodoxos''.
''Expressamos nossa profunda tristeza por parte do patriarca
ecumênico pelo descanso de nosso querido irmão na paz de Cristo e
compartilhamos o luto dos milhões de irmãos e irmãs de todo o
mundo'', declarou o patriarca em uma mensagem escrita.
Na Romênia, os ortodoxos, através de seu patriarca Teoctist, renderam
uma homenagem mais emotiva ao papa, apesar das divergências histórias
entre as duas correntes. Já em Atenas, os ortodoxos, tradicionalmente
antipapistas, expressaram seus pêsames aos católicos por escrito em
uma declaração do chefe da Igreja Ortodoxa Grega, Monsenhor
Christodoulos, que ressaltou o papel político desempenhado por João
Paulo II.


12 - Grécia volta a vender livro de quadrinhos sobre Jesus maconheiro

Por Karolos Grohmann 13/04/05

ATENAS (Reuters) - Um tribunal grego revogou na quarta-feira a
proibição de venda de um livro de quadrinhos austríaco que retrata
Jesus Cristo como um surfista que fuma maconha e bebe com Jimi
Hendrix.
O cartunista austríaco Gerhard Haderer foi condenado por um tribunal
grego por "blasfêmia pública de má-fé" no início deste ano e recebeu
sentença de prisão de seis meses com sursis em função de sua versão
sobre a vida de Cristo.
Mas um tribunal de apelações de Atenas decidiu que o livro não é
blasfemo e revogou a condenação de Haderer, disse à Reuters sua
advogada, Maria Marazioti.
"Ganhamos. O livro não é mais proibido, Haderer está livre, e o livro
já pode ser vendido legalmente", disse ela. "É uma decisão
fantástica."
Haderer, que não compareceu ao tribunal, ainda não tinha sido
informado da decisão judicial, segundo a advogada. "Estou tentando
entrar em contato com ele para lhe dar a boa notícia", ela falou.
O livro que retrata Cristo em tom de brincadeira foi posto à venda na
Grécia por pouco tempo em 2002, mas alguns dias depois de começar a
ser vendido por quatro livrarias de Atenas a Igreja Ortodoxa Grega
conseguiu que fosse retirado das livrarias, com mandado judicial
provisório.
Na época, a Igreja disse que o livro zombava da fé cristã ortodoxa e
de Jesus Cristo.
"Isso nunca teria acontecido se vivêssemos numa sociedade realmente
democrática", disse Athina Khouri, da editora grega Oxy, que lançou o
livro no país. "Nossa posição é que não deve haver obstáculo à
liberdade de expressão."
"The Life of Jesus" já foi traduzido para 10 línguas.
Dezenas de cartunistas gregos manifestaram apoio a seu colega,
dizendo que a primeira decisão judicial prejudicou a imagem de seu
país.
Uma petição assinada por 1.000 pessoas, incluindo artistas
internacionais e a escritora Elfriede Jelinek, ganhadora do Prêmio
Nobel de Literatura em 2004, exigiu a revogação imediata da proibição.


13 - Continuar a obra

O Dia 14/04/2005

Padre Jesus Hortal, Reitor da PUC-Rio

Como será o novo Papa? Se me fazem essa pergunta, só tenho uma
resposta: não sei. O máximo que posso fazer é dizer como eu gostaria
que fosse. Alguém que continue a obra fantástica de João Paulo II, em
favor da paz e do entendimento entre os povos e os diversos credos
religiosos.
O Papa Wojtyla conseguiu, sem armas, sem violência, apenas com a
força da verdade, derrubar a separação entre o Oriente e o Ocidente.
O muro de Berlim caiu para nunca mais ser erguido. Mas existem outros
muros, às vezes menos visíveis, mas não menos reais. O maior é o que
divide o Norte desenvolvido do Sul subdesenvolvido, faminto e
miserável. João Paulo II lutou, publicou três encíclicas sociais,
lançou apelos à solidariedade mundial, empenhou-se no combate à
pobreza. Mas não conseguiu atingir a meta do ideal cristão, da
fraternidade universal. Se o novo Papa conseguir derrubar também esse
muro, haverá um futuro promissor de paz e de fraternidade entre os
povos.
Na ansiada reconciliação entre Oriente e Ocidente, ficou incompleto o
reencontro com os cristãos orientais (os "ortodoxos"). João Paulo II
também buscou isso, mas não conseguiu. Será sonhar muito pensar num
novo Papa que avance mais por esse caminho?
A atuação de João Paulo II também foi decisiva no diálogo inter-
religioso. Os dois encontros de oração em Assis, com líderes das mais
variadas crenças, foram uma semente.
De modo especial, ele se preocupou com as duas grandes religiões
monoteístas, judaísmo e islamismo. O enfrentamento entre o mundo
islâmico e o cristão é cada dia mais patente e ameaçador. Por que não
eleger, então, um Papa que provenha de país com forte presença
muçulmana, como muitas nações africanas?


14 - Deixem os pais serem pais

The New York Times 10/04/05

Nicholas D. Kristof, do The New York Times

Essa é minha profecia sobre o próximo papa: ele permitirá que homens
casados se tornem padres.

É simplesmente uma questão de sobrevivência: por todo o mundo, a
Igreja Católica está ficando sem padres. Nos EUA, havia um padre para
cada 800 católicos em 1965, enquanto hoje existe um para cada 1.400
católicos - e a idade média é de quase 60 anos. Em toodos os EUA, com
65 milhões de católicos, apenas 479 padres foram ordenados em 2002.

O resultado é que a Igreja Católica está perdendo terreno em todo o
mundo para as igrejas evangélicas e especialmente as pentecostais. No
Brasil, que tem mais católicos do que qualquer outro país, os
pentecostais estão crescendo tão rapidamente que podem superar os
católicos nas próximas décadas.
Ninguém entende mais a desesperada necessidade de clero do que os
próprios cardeais. De fato, o próprio João Paulo 2o abriu o terreno
para o fim da obrigatoriedade do celibato.
Poucas pessoas percebem isso, mas existem hoje por volta de 200
padres católicos sob uma dispensa especial dada pelo Vaticano para
pastores de suas denominações - episcopais, luterano e etc - que já
são casados e desejavam se converter ao catolicismo romano
(tipicamente porque sentem que suas igrejas estão amolecendo ao
ordenar mulheres ou gays).
"Não chega a ser uma questão", o padre John Gremmels, um desses
padres casados, em Fort Worth, me disse do seu status como um pai do
jeito tradicional.
O Vaticano também permite que católicos do leste, em lugares como a
Ucrânia e Romênia, tenham padres casados. Isso é parte de um antigo
acordo: eles seriam católicos e aceitariam a autoridade do papa,
ficando de fora da Igreja Ortodoxa, e em troca poderiam ter um clero
casado e rituais na língua local.
Pesquisas mostram que 70% dos católicos americanos acreditam que os
padres deveriam poder se casar. David Gibson, autor de "The Coming
Catholic Church", cita o cardeal Roger Mahony dizendo que é razoável
levantar a questão e acrescentando: "Nós tivemos um clero casado
desde o primeiro dia, desde São Pedro".
É verdade que São Pedro, o primeiro papa, era casado, e muitos dos
apóstolos e primeiros papas. Mas então os cristãos começaram a
colocar mais ênfase na castidade, com Tertuliano descrevendo as
mulheres como "os portões do inferno".
Orígenes de Alexandria, o grande filósofo cristão do século três,
castrou a si mesmo. E Hugo de Lincoln, um bispo do século 12 que
depois foi canonizado, alegou que um ser celeste o favoreceu ao
descer dos céus e o castrar, o tornando muito mais em paz.
Na Idade Média, a igreja estava atolada em corrupção e a tendência
era os padres deixarem seus bens para seus filhos. Então, nos séculos
11 e 12 as regras do celibato foram formalizadas.
É claro, a igreja às vezes se adapta a cultura local. A cristandade é
mais dinâmica na África, mas o clero africano freqüentemente reclama
que tentativas de atrair padres esbarram na ênfase cultural de se ter
filhos. Na África central há alguns anos, um padre italiano me falou
sobre os filhos de um bispo local. Eu achava que ele falava
metaforicamente sobre os paroquianos, mas o missionário balançou a
cabeça.
"Não, ele tem uma mulher", o padre falou do bispo. "O celibato é algo
que vai contra a cultura daqui. Na verdade, se acharmos um padre que
se mantém apenas com uma mulher, nós o promovemos a bispo".
Ordenar mulheres também seria uma forma excelente de fornecer uma
nova fonte de clero. João Paulo escreveu rigorosamente sobre a
dignidade e igualdade da mulher, até mesmo apoiando o orgasmo
feminino. Um de seus sucessores como papa certamente aplicará esses
preceitos de igualdade na igreja e permitirá a ordenação das
mulheres. Mas talvez não no próximo papado.
É freqüentemente conhecido que o papa João Paulo 2o escolheu todos
menos três dos cardeais que escolherão o próximo papa, mas isso não
necessariamente significa outro papa conservador. Apesar de tudo, o
papa Pio 12 escolheu todos menos dois dos cardeais que em 1958
escolheram o seu sucessor, o bem mais aberto papa João 23.
Como o meu colega do New York Times, Peter Steinfels, escreve em "A
People Adrift", seu livro sobre católicos: "Hoje, a igreja católica
romana nos EUA está na beira de ou um declínio irreversível ou de uma
total transformação". Encarando essa questão em todo o mundo,
perdendo terreno para os pentecostais, o próximo papa será forçado a
escolher a transformação.


15 - Igrejas do Oriente prestam tributo ao Papa ecuménico

Agência Ecclesia 14/04/05

As Igrejas católicas do Oriente prestaram hoje tributo a João Paulo
II na sétima missa nonvendiali em sufrágio do Papa falecido. A
cerimónia em rito oriental foi presidida pelo Patriarca de Antioquia
dos Maronitas, Sua Beatitude Pierre Sfeir Nasrallah.
"João Paulo II comprometeu-se seriamente no ecumenismo e não com
menor empenho dedicou-se às Igrejas Orientais católicas", disse o
Patriarca libanês, considerando que a atenção do Papa sempre
foi "para toda a Igreja".
Na Basílica de São Pedro, o Patriarca Sfeir homenageou o Papa que foi
ao encontro "de todas as pessoas que acreditam em Cristo", de modo
especial as que não estão em comunhão com a Igreja Católica, no
Oriente.
"Nunca deixou de promover o diálogo entre os cristãos de diversas
denominações, mostrando ao mesmo tempo um total respeito para com
eles, fossem Ortodoxos ou Protestantes, considerando-os sempre irmãos
em Cristo", acrescentou.
O Patriarca libanês não esqueceu o empenho do Papa na pacífica
resolução de vários conflitos surgidos na sua região, destacando as
visitas ao Líbano, Síria, Palestina e Israel. "João Paulo II
demonstrou abertura para com os fiéis das religiões não cristãs",
precisou o Cardeal Sfeir, "mas isso não o impediu de dirigir-lhes
severas observações quando neste ou naquele país os direitos humanos
eram totalmente ignorados" com posições que classificou
de "corajosas" e dotadas de "espírito de rectidão e lealdade".

Octávio Carmo


16 - Patriarca lembra que o Papa se desgastou para acolher cada homem
como um irmão

VATICANO, 14 Abr. 05 (ACI) .- Ao presidir a sétima Missa do novenário
em sufrágio ao Papa João Paulo II, Sua Beatitude o Cardeal Pierre
Nasrallah Sfeir, Patriarca de Antioquia dos Maronitas, recordou que o
Pontífice "afirmava firmemente que cada ser humano devia ser acolhido
como um irmão". Na Eucaristia celebrada segundo o rito oriental, o
Patriarca assinalou que João Paulo II "não se poupou pelo quarto de
século de seu Pontificado para que o mandato de Cristo se realize,
considerando seus irmãos a todos aqueles que crêem em Cristo".
O Cardeal Nasrallah recordou a atitude de João Paulo II de acolher a
todos com caridade. "O mandato de Cristo de confirmar os irmãos
confiado a Pedro foi plenamente acolhido pelo Papa João Paulo II
desde o início de seu Pontificado", indicou.
Também recordou que "ao início de cada ano oferecia suas diretivas
pelas semanas de oração pela unidade dos cristãos. O Pontifício
Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos encontrou total
disponibilidade e ânimo. Empreendeu uma série de viagens que lhe
permitiram abrir-se com extrema simplicidade e afeto a todos seus
irmãos, mantendo a abertura de seu predecessor o Papa Paulo VI".
Recordando a posição da Igreja com respeito ao ecumenismo afirmou
que esta "acolhe com esperança o compromisso ecumênico como
imperativo da consciência cristã guiada pela fé e iluminada pela
caridade".
O Cardeal Nasrallah precisou que "João Paulo II se comprometeu
seriamente com as Igrejas orientais católicas, dando-lhes um número
no código de direito canônico. Acompanhou de perto as dificuldades
que a igreja oriental devia enfrentar em um contexto histórico e
geográfico complexo".
Sobre a gestão diplomática do Papa, disse que "sua abertura não lhe
impediu de elevar a voz quando os direitos humanos eram violados.
Estabeleceu relações diplomáticas com países que negavam à religião
cristã o direito a manifestar a própria fé".
Finalmente, indicou que "agora a oração nos renova e é a oração dos
filhos que invocam para ele, o Bom Pastor, a recompensa eterna na
casa do Pai. É oração ao Onipotente e Misericordioso Senhor e Pai
para que obtenha logo a nosso inesquecível pai e pastor o
reconhecimento em terra daquela santidade da que já goza no céu".


17 - O austríaco Christoph Schoenborn, um candidato moderado à
sucessão

AFP 14/04/05

CIDADE DO VATICANO, 14 Abr (AFP) - O cardeal Christoph Schoenborn,
arcebispo de Viena, um homem moderado, partidário das boas relações
com outras religiões, é mencionado regularmente como um dos possíveis
sucessores de João Paulo II.

Conciliador, modesto e aberto, o cardeal Schoenborn se define
como "conservador em questões religiosas e liberal em matéria
social". Aos 60 anos, poderia ser uma solução de compromisso entre
conservadores e liberais no Conclave que escolherá o próximo Papa.

Ao mesmo tempo, a idade do presidente da Conferência Episcopal
Austríaca pesará contra ele, já que muitos desejam um pontificado
curto depois dos 26 anos de João Paulo II.

Este teólogo, que abraçou a Igreja Católica aos 18 anos, diz que é
indispensável que os homens casados possam exercer o sacerdócio, mas
é contra a ordenação da mulher, a contracepção, o aborto, a clonagem
terapêutica e a eutanásia.

Schoenborn, um poliglota, é muito ligado ao cardeal alemão Joseph
Ratzinger, que preside a influente Congregação para a Doutrina da Fé.

Na linha de um ilustre predecessor, Franz Koenig, monsenhor
Schoenborn manifestou o desejo de abertura em relação à Igreja do
Oriente. Membro da Fundação Pró-Oriente desde 1984, o austríaco
considera que Viena é uma ponte ecumênica entre Ocidente e Oriente.

Em 1997, Schoenborn viajou a Moscou e Istambul, onde se reuniu,
respectivamente, com o patriarca ortodoxo Alexis II e com o patriarca
de Constantinopla, Bartolomeu I.

Segundo seu porta-voz, Erich Leitenberger, monsenhor Schoenborn
insiste "na herança judia" do catolicismo e é "muito apreciado" pelos
muçulmanos.

Nascido em 22 de janeiro de 1945 numa família de aristocratas da
monarquia austro-húngara, em Skalsko, entrou para a Igreja em 1963 e
foi ordenado sacerdote em dezembro de 1970, em Viena. Sua família
produziu uma dezena de bispos e cardeais no transcurso dos séculos.

Christoph Schoenborn cursou estudos de teologia em Viena, no
Instituto Católico de Paris, onde foi formado pelo grande teólogo
Yves Congar, e em Ratisbona (Alemanha).

Doutor em teologia em 1974 com uma tese sobre "O ícone de Cristo",
deu aulas depois em Friburgo (Suíça).

Membro da Comissão Internacional de Teólogos de 1981 a 1991, foi
nomeado em 1987 secretário da redação do catecismo mundial.

Em 1991, foi nomeado bispo de Viena antes de assumir em 1993 a
direção da Conferência Episcopal Austríaca. Em 1995, sucedeu
monsenhor Groer como arcebispo de Viena. É cardeal desde 1998.


18 - Mensagem de pesar do Patriarca da Igreja Assíria oriental no
Iraque - Também para os fiéis iraquianos, João Paulo II "Santo
Imediatamente"

Bagdá (Agência Fides)- O Patriarca Mar Addi II, chefe da antiga
Igreja Assíria oriental no Iraque, participa da dor da comunidade
católica e enviou ao Vaticano uma mensagem de pesar pela morte de
João Paulo II. "Acolhemos a notícia da morte do Santo Padre com uma
dor profunda na nossa alma, mas nutrimos sempre a esperança da
Ressurreição. O Santo Padre João Paulo II foi um bom discípulo do
Senhor Jesus Cristo e um Bom Pastor para a Igreja Católica, e também
um ponto de referência para os não-católicos. A sua morte é uma perda
para toda a humanidade. Sabemos que ele está ao lado dos santos no
Reino de Deus, porque nós acreditamos na Ressurreição."
Em Bagdá e Mossul, as Igrejas cristãs celebraram os ritos fúnebres
para o Papa e a cerimônia realizada na Igreja de S. José em Bagdá
representou um sinal de unidade entre os fiéis católicos e ortodoxos.
Os fiéis disseram que, deste modo, tentaram colocar em prática um dos
tantos ensinamentos que o Papa João Paulo II deixou. Também a Agência
local ankawa.com publicou fotografias do funeral em S. Pedro, sob o
título"Santo imediatamente".
(A.E.) (Agência Fides 11/4/2005).


19 - Depois das celebrações para o Santo Padre, os cristãos no
Iraque, orgulhosos de serem ligados a João Paulo II, encontram nova
esperança para o seu futuro

Bagdá (Agência Fides) - Fazer memória das grandes obras realizadas
por João Paulo II para olhar para o futuro com renovada fé e
esperança: é o que está vivendo nesses dias a comunidades cristã no
Iraque, marcada pelar dor e pelas dificuldades do presente, mas
dirigida ao novo milênio confiando na Providência. O evento da morte
do Santo Padre, as solenes liturgias e as grandes manifestações de
honra prestadas em todo o mundo, e também no Iraque, serviram para
despertar os corações aflitos dos cristãos iraquianos, que hoje se
sentem portadores de uma grande responsabilidade: de testemunhar a
mensagem de Cristo, como fez João Paulo II.
Foi o que declarou à Fides Mons. Pyoss Qasha, pároco da Igreja sírio-
católica de S. José em Bagdá, onde nos dias passados foi celebrada
uma Santa Missa em sufrágio do Papa, na presença do Núncio Apostólico
em Bagdá e de expoentes da Igreja ortodoxa.
O Mons. Qasha faz votos para que a situação da Igreja no Iraque
melhore, notando como, depois da morte do Santo Padre, os fiéis
voltaram a participar com maior intensidade da Santa Missa. "Hoje, os
fiéis iraquianos sentem-se mais orgulhosos de serem ligados a João
Paulo II, um grande homem do nosso tempo. Sabemos que ainda hoje suas
vidas são duras, vivem entre dificuldades econômicas e riscos de
atentados. Mas, no entanto, participam da Santa Missa e mandam seus
filhos às lições de catecismo. Na nossa paróquia e na diocese,
estamos organizando atividades para os jovens: esperamos em um
despertar pastoral da comunidade, que poderá coincidir em uma era de
paz, de estabilidade e de harmonia para o Iraque."
O Mons. Qasha conclui: "Além disso, procuramos dar atenção às
famílias mais pobres, ajudando-as com bens materiais, medicamentos,
alimentos e roupas. Nós, sacerdotes, queremos estar ao lado de nossa
gente, para demonstrar assim o amor de Deus". (AE) (Agência Fides
13/04/2005)


20 - IGREJA NO IRAQUE RECORDA JOÃO PAULO II E SEU EXEMPLO NA
CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE BASEADA NA PAZ E NO DIÁLOGO

Bagdá, 12 abr (Radio Vaticano) - O Iraque também chora a morte de
João Paulo II, que jamais pôde visitar aquele país do Golfo. Quem
fala das relações entre a atribulada comunidade cristã iraquiana e o
Papa é o Arcebispo dos caldeus de Mossul, Dom Paulos Faraj Rahho,
numa entrevista concedida à agência AsiaNews.
Sobretudo depois do atentado perpetrado contra o Arcebispado, em 7 de
dezembro de 2004 _ narrou o Arcebispo _ o Pontífice tornou-se um
ponto de referência indispensável.
"Logo após a explosão _ explicou ele _ somente a foto do Santo Padre
permaneceu intacta; os fiéis da Arquidiocese leram este sinal como a
confirmação da constante oração do Papa pelo Iraque."
Dom Rahho, que se encontrou com João Paulo II em 2001, por ocasião do
Sínodo caldeu, disse que aprendeu com o Papa, a importância da
abertura aos jovens, "futuro da Igreja".
A partir de 1993, o Arcebispo instituiu a "Semana dos Jovens", um
encontro que se realiza duas vezes por ano, em Mossul, norte do
Iraque.
No último dia 8, dia do funeral do Papa, Dom Paulos Faraj Rahho
celebrou a santa missa no Mosteiro de São Jorge, de Mossul. Com ele,
concelebrou o Arcebispo siro-católico de Mossul, Dom Basile Georges
Casmoussa.
Numerosos fiéis participaram da celebração eucarística, assim como
dois bispos ortodoxos, um bispo assírio e o pastor da igreja ortodoxa
armênia de Mossul. (MZ)


21 - Os fiéis egípcios em oração: que o novo Papa continue no caminho
do diálogo inter-religioso

Cairo (Agência Fides) - "Todos os fiéis cristãos rezam na expectativa
do novo Papa", afirma à Fides Dom Youssef Sarraf, Bispo Caldeu do
Cairo.
Mas também a atenção da comunidade civil permanece alta: o jornal "Al
Ahram" publicou uma página sobre os cardeais e sobre as modalidades
da eleição do Pontífice. Dom Sarraf disse à Fides: "Temos fé no
Espírito Santo, que vai escolher um Papa semelhante aos discípulos de
Jesus. Esperamos que o novo Papa continue na estrada do diálogo inter-
religioso com o islã e com as outras religiões: é importante para nós
que vivemos no mundo islâmico. Principalmente, esperamos que trabalhe
para a comunhão entre a Igreja Católica e Ortodoxa, muito desejada
pelos fiéis egípcios. Hoje, a celebração das festas de Natal e Páscoa
são realizadas em datas diferentes, de acordo com o calendário
católico ou ortodoxo. Nós, cristãos no mundo oriental, queremos
permanecer unidos com a cruz e a ressurreição de Jesus Cristo.
Devemos ser hoje testemunhas da Igreja dos primeiros discípulos".
(A.E.) (Agência Fides 13/4/2005).


22 - JOÃO PAULO II HOMENAGEADO EM TEERÃ COMO "UM HOMEM DE PAZ"

Teerã, 11 abr (Rádio Vaticano) - João Paulo II foi homenageado na
oração da última sexta-feira, em Teerã, onde o ex-presidente, Akbar
Hashemi Rafsanjani, um dos homens mais poderosos do Irã, o definiu
como "um homem de paz".
O Presidente do Parlamento, Gholamali Haddad Adel, por sua vez,
homenageou o Papa, participando da santa missa na igreja católica
siro-caldéia de São José, na capital, onde, falando com os
jornalistas, Rafsanjani destacou "os esforços de João Paulo II, para
difundir a paz e a justiça no mundo".
Participaram da cerimônia, deputados das minorias cristã, judaica e
zoroastrista, o corpo diplomático, sacerdotes e fiéis locais.
A missa foi concelebrada por bispos dos três ritos católicos
presentes no Irã: latino, siro-caldeu e armênio.
Os católicos no Irã, cujas instituições religiosas atravessaram
momentos difíceis no primeiro período após a revolução islâmica de
1979, são mais de 10 mil. (CM)


23 - JORDÂNIA: Oração e expectativa pelo novo Papa, confiante que
falará em favor da paz e da justiça

Amã (Agência Fides) - O Mons. Raymon Moussalli, sacerdote caldeu na
Jordânia, disse à Fides que "os fiéis estão em oração, na expectativa
pelo novo Papa, confiando que será um Bom Pastor, como o Mestre da
nossa Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo, cheio de paz e amor". Os
católicos na Jordânia esperam que o "novo Pontífice possa
principalmente trazer a paz e a justiça entre os povos muçulmanos e
judeus nesta região do mundo". O Mons. Moussalli continuou: "Nós
todos confiamos que o novo Papa fará ouvir a sua voz em favor da paz
e da justiça". O sacerdote recordou a situação de tensão e conflito
no Oriente Médio e no Iraque, e em especial a situação dos refugiados
iraquianos em Amã, que deixaram seu país e desejam uma vida
tranqüila.
(A.E.) (Agência Fides 14/4/2005).


24 - Índia: "Perdemos um grande Papa", afirma Bispo de Belthangady

Ais Notícias 12-04-2005

Em entrevista concedida à Ajuda à Igreja que Sofre, D. Lawrence
Mukkuzhy, Bispo de Belthangady (no sudoeste da Índia) lamentou a
morte de João Paulo II e recordou as visitas do Papa à Índia.
D. Lawrence Mukkuzhy, Bispo siro-malabar da Diocese de Belthangady,
falou à Ajuda à Igreja que Sofre da importância do legado de João
Paulo II na Índia e sobre as relações inter-religiosas no estado de
Kerala.
Os cristãos siro-malabares pertencem à tradição ritual oriental
caldeia e são herdeiros da evangelização do apóstolo São Tomé. Esta
Igreja recuperou a sua ligação à Santa Sé em 1930, com o Papa Pio XI.
Em todo o mundo contam-se actualmente cerca de 3 milhões de cristãos
siro-malabares que na Índia têm uma enorme vitalidade, gerando cerca
de 70% das vocações para o sacerdócio.
P: Qual a importância de João Paulo II para a Índia?
R: Os indianos lembrá-lo-ão pelo amor e pelo interesse que dedicou à
Índia, país onde esteve por duas vezes (1986 e 1999). Na última
visita eu era já bispo, já tinha sido nomeado por ele. Foi um tempo
de grande felicidade e rejuvenescimento para a Igreja na Índia. Nessa
altura, alguns fanáticos hindus criaram alguns problemas por o Papa
ter dito que Jesus era o Filho de Deus e o Salvador.
P: Quais são os principais desafios para a sua diocese?
R: A minha diocese abrange três distritos da província de Karnataka e
a maioria da população é constituída por imigrantes do estado de
Kerala. A maioria dos habitantes são hindus ou muçulmanos e os
cristãos são apenas 25 mil. A crença no hinduísmo é muito forte nesta
região.
A prioridade é reunir os cristãos siro-malabares e ajudar esta Igreja
a crescer. Abrimos 20 novos centros missionários onde vêm famílias de
regiões remotas e iniciámos com elas o nosso trabalho missionário. Os
problemas com que estas pessoas se deparam vêm do facto de serem
imigrantes e de terem de se adaptar a uma nova região, linguagem e
cultura. Os sacerdotes têm assim de traduzir a liturgia e o
catequismo para outras línguas e dialectos (existem 6 línguas
diferentes em Kerala). Construímos algumas escolas e estamos a
desenvolver programas sociais que aproximam a comunidade à Igreja.
P: Em que situação se encontra o diálogo inter religioso?
R: Nesta diocese esse diálogo é positivo e cordial. Para os indianos
a mensagem de Madre Teresa foi uma grande bênção e a Igreja é
estimada por muita gente por causa dela.
Inaugurámos recentemente uma igreja dedicada à Madre Teresa e, só por
causa desse facto, vieram muitos hindus à sua inauguração que
procuravam instituições que dessem continuidade ao trabalho
desenvolvido por Madre Teresa.
Por outro lado, as pessoas olham, por exemplo, o bispo como mediador
na resolução de conflitos entre hindus e muçulmanos e eu sou muitas
vezes chamado a intervir porque conheço a realidade em que vivem e
porque sei falar as seis línguas que se usam nesta região. Mas as
relações são habitualmente cordiais.
P: E quanto às relações entre o Estado e a Igreja?
A relação é muito boa. O novo Governo é sensível à fé católica e,
portanto, não existe qualquer problema.
P: Que mensagem gostaria de transmitir aos benfeitores da Ajuda à
Igreja que Sofre?
R: Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à vossa instituição
porque, desde que cá vim pela primeira vez no ano 2000, a Ajuda à
Igreja que Sofre tem-me auxiliado a construir esta nova diocese. Tive
muitas ansiedades e dificuldades no início, mas recebi a vossa ajuda
em vários projectos: na aquisição de bicicletas para o trabalho
pastoral, na tradução da Bíblia para as línguas locais, na construção
do novo centro missionário, na formação


25 - LUTO NACIONAL ARMÊNIO

http://www.yevrobatsi.org

24 de abril é dia de Luto Nacional Armênio em todo o mundo. Desde
antes, e sobretudo a partir de 24 de abril de 1915, os armênios
radicados no Império Otomano foram vítimas de sofrimento supremo, de
violação absoluta de seus direitos, de crime total.

Durante 90 anos a Turquia vem perpetuando esse genocídio, negando-se
a reconhecê-lo.

O mundo civilizado jamais aceitará que um Estado apague a memória de
seus crimes, sob pena de vê-los repetirem-se.

"A questão armênia... é uma questão que concerne a toda a humanidade"
(Armin T. Wegner, enfermeiro e fotógrafo alemão, testemunha do
Genocídio de 1915).

Se possível, traduzam ou adaptem este texto em alguma outra língua e
enviem-no a seus amigos, para que estes, por sua vez, o enviem a
outros...


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