BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 37 -
15 de abril de 2005
MENSAGEM
Prezados
Irmãos em Cristo,
Este
número tem algumas notícias polêmicas, reitero que seleciono as
notícias
que de alguma forma são relacionadas com as Igrejas
Orientais
e as suas inclusões não significam um juízo de valor
positivo
sobre as mesmas, conforme está informado na nota de rodapé
de todos
os Boletins.
Informo
novamente que a partir do próximo dia 21 de abril estarei de
férias
por 15 dias e não terei condições de preparar o Boletim neste
período.
Que Deus
nos abençoe.
Saudações
Fraternais,
Luis
Felipe
[email protected]
ÍNDICE
1 -
Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa reafirma críticas ao Papa
2 -
ORTODOXOS ACONSELHAM
3 - O
Patriarca de Moscou advoga uma aproximação entre a Igreja
Ortodoxa
Russa e o Vaticano
4 -
"ESPERO SINCERAMENTE QUE O FUTURO PONTÍFICE ROMANO DÊ PROVAS DE
SABEDORIA
E DE TATO E MUDE SUA POLÍTICA NA RÚSSIA", AFIRMA ALEKSEJ II
5 -
Conferência analisa as relações entre a Igreja Ortodoxa Russa e o
Estado
6 -
Igreja russa luta pela devolução de seus templos históricos
7 - A
RÚSSIA, O VATICANO E O FACTOR POLACO
8 -
RÚSSIA: "O nosso santo dever é pedir a Deus, para que através da
eleição
do Colégio dos cardeais, o Espírito Santo mostre aquele que
estará no
timão do barco de Pedro e conduzirá o navio da Igreja rumo
ao
futuro, sobre as ondas tumultuadas do início do século XXI",
afirma o
Arcebispo Kondrusiewicz na mensagem aos fiéis em vista do
Conclave
9 -
Ortodoxos esperam melhorar relações com Vaticano
10 -
Papa: «Um anjo da paz», que «transcendeu religiões». Diz a
Igreja
Ortodoxa.
11 -
Igrejas ortodoxas rendem homenagens discretas a João Paulo II
12 -
Grécia volta a vender livro de quadrinhos sobre Jesus maconheiro
13 -
Continuar a obra
14 -
Deixem os pais serem pais
15 -
Igrejas do Oriente prestam tributo ao Papa ecuménico
16 -
Patriarca lembra que o Papa se desgastou para acolher cada homem
como um
irmão
17 - O
austríaco Christoph Schoenborn, um candidato moderado à
sucessão
18 - Mensagem
de pesar do Patriarca da Igreja Assíria oriental no
Iraque -
Também para os fiéis iraquianos, João Paulo II "Santo
Imediatamente"
19 -
Depois das celebrações para o Santo Padre, os cristãos no
Iraque,
orgulhosos de serem ligados a João Paulo II, encontram nova
esperança
para o seu futuro
20 -
IGREJA NO IRAQUE RECORDA JOÃO PAULO II E SEU EXEMPLO NA
CONSTRUÇÃO
DE UMA SOCIEDADE BASEADA NA PAZ E NO DIÁLOGO
21 - Os
fiéis egípcios em oração: que o novo Papa continue no caminho
do
diálogo inter-religioso
22 - JOÃO
PAULO II HOMENAGEADO EM TEERÃ COMO "UM HOMEM DE PAZ"
23 -
JORDÂNIA: Oração e expectativa pelo novo Papa, confiante que
falará em
favor da paz e da justiça
24 -
Índia: "Perdemos um grande Papa", afirma Bispo de Belthangady
25 - LUTO
NACIONAL ARMÊNIO
NOTÍCIAS
1 -
Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa reafirma críticas ao Papa
Agência
Ecclesia 14/04/2005
O
Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexis II, manifestou ontem o
desejo de
que a Igreja Católica "mude radicalmente" a sua política no
país e
nas antigas repúblicas soviéticas, acusando João Paulo II de
ter
colocado obstáculos no caminho ecuménico.
"Entre
as nossas duas Igrejas há complicações que apareceram no
período
em que a Igreja romana foi dirigida por João Paulo II", disse
em entre
vistas ao "Corriere de La Sera". Nesse sentido, o Patriarca
de
Moscovo refere que o próximo Papa deve reforçar o diálogo com os
ortodoxos.
Alexis II
diz não lamentar o facto de o Papa João Paulo II nunca ter
visitado
a Rússia, porque essa viagem só teria feito sentido se as
duas
partes se tivessem aproximado. "
As
visitas devem exprimir os resultados positivos e infelizmente isso
não se
verificou entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa", aponta.
O
Patriarca russo não deixa de destacar a importância que João Paulo
II,
considerando que a sua acção "reforçou a fé dos católicos no
mundo
inteiro".
Alexis II
opôs-se sempre a uma visita de João Paulo II à Rússia, algo
que o
Papa desejava profundamente fazer. O Patriarca Ortodoxo tem
insistido
na tese de "proselitismo católico" na Rússia e nas outras
onze
repúblicas da ex-União Soviética.
Acusando
católicos e protestantes de proselitismo, Alexis II pretende
que o
cristianismo na Rússia seja sinónimo exclusivo de Igreja
Ortodoxa.
problema está no facto de a identidade nacional da Rússia
se
misturar muito com a da Igreja Ortodoxa, havndo quem afirme ser
ortodoxo,
por ser russo, mas não acreditar em Deus.
2 -
ORTODOXOS ACONSELHAM
Correio
da Manhã (Portugal) 14/04/05
O
patriarca da Igreja Ortodoxa da Rússia, Alexis II, afirmou ontem
esperar
que o novo Papa tenha o "necessário tacto" para melhorar as
relações
entre as duas Igrejas. Alexis II, que não assistiu ao
funeral
de João Paulo II, manteve com o falecido Papa um longo
diferendo,
que acabou por inviabilizar o grande desejo do Sumo
Pontífice
de visitar a Rússia. Em entrevista ao `Corriere della
Sera', o
patriarca ortodoxo afirmou ter grande respeito por João
Paulo II
e pelas mudanças que imprimiu na Igreja Católica, mas fez
votos
para que o seu sucessor tenha "a necessária sabedoria e tacto"
para
melhorar as relações. "Acima de tudo, deve rejeitar claramente o
proselitismo",
afirmou Alexis II na entrevista. A Igreja Ortodoxa
Russa,
recorde-se, sempre acusou João Paulo II de querer estender a
influência
da Igreja Católica à Rússia.
3 - O
Patriarca de Moscou advoga uma aproximação entre a Igreja
Ortodoxa
Russa e o Vaticano
Voz da
Rússia 14/04/2005
O
patriarca de Moscou e de toda a Rússia, Aleksi II, advoga uma
aproximação
entre a Igreja Cristã Ortodoxa da Rússia e o Vaticano. Em
entrevista
ao jornal italiano "Corriere della Sera", ele manifestou a
esperança
de que o novo papa tente melhorar as relações com a Igreja
Cristã
Ortodoxa da Rússia e contribua para desenvolvimento das
relações
interconfessionais. Aleksi II sublinhou que para superar as
atuais
discrepâncias é necessário que o Vaticano renuncie à política
de
proselitismo entre os Cristãos do rito oriental e implantação de
suas
dioceses na Rússia.
4 -
"ESPERO SINCERAMENTE QUE O FUTURO PONTÍFICE ROMANO DÊ PROVAS DE
SABEDORIA
E DE TATO E MUDE SUA POLÍTICA NA RÚSSIA", AFIRMA ALEKSEJ II
Moscou,
13 abr (Radio Vaticano) - "Não lamento a falta da visita do
Papa, mas
os desencontros entre católicos e ortodoxos. Espero
sinceramente
que o futuro Pontífice romano dê prova de sabedoria e de
tato, e
mude sua política na Rússia": foi o que afirmou ao jornal
italiano
"Il Corriere della Sera", o Patriarca ortodoxo de Moscou e
de todas
as Rússia, Aleksej II.
Aleksej
II foi que, na prática, impediu que João Paulo II pudesse
realizar
a sua tão sonhada visita à Rússia. O Patriarca reconheceu,
no
entanto, que Wojtyla "testemunhou o Cristianismo num mundo moderno
muito
complicado".
"Somente
a história poderá fazer uma avaliação completa e objetiva
sobre a
atividade eclesial do Santo Padre" _ disse Aleksej II,
sublinhando
que "as pregações, os ensinamentos, as palavras e os
sermões
de Sua Santidade não somente revigoraram na fé, os católicos
nas
várias partes do mundo, mas testemunharam o Cristianismo num
mundo
moderno e complicado, ao qual se tenta impor a ideologia da
secularização,
como se não houvesse alternativa.
"Nos
últimos anos _ disse ainda _ vimos tanta gente reunir-se na
Praça São
Pedro para fazer uma oração pelo próprio pastor e
preceptor.
Aquela oração e o amor dos católicos são o melhor juízo
que se
pode dar, sobre o serviço pastoral de João Paulo II" _
observou
o Patriarca ortodoxo russo. (MZ)
5 -
Conferência analisa as relações entre a Igreja Ortodoxa Russa e o
Estado
Voz da
Rússia 12/04/2005
A Igreja
Cristã Ortodoxa da Rússia pode contar com os bons ofícios do
Estado na
implementação dos seus programas de grande envergadura
social -
disse o patriarca de Moscou e de toda a Rússia, Aleksi II,
numa
conferência convocada para analisar as relações entre a Igreja e
o Estado.
Trata-se de apoio a prestar às obras de reconciliação, à
instituição
da família, assim como a educação patriótica, ações
filantrópicas
e recuperação da herança cultural.
6 -
Igreja russa luta pela devolução de seus templos históricos
Missão
Portas Abertas 14/4/2005
Membros
da Igreja Old Believer (Velhos Crentes) de Samara não
receberam
resposta do governo com relação ao seu pedido para a
devolução
de um prédio usado como sua igreja antes de 1917. As
autoridades
municipais comunicaram verbalmente à paróquia que eles
deveriam
primeiro se encontrar com os representantes locais da Igreja
Ortodoxa
Russa (Patriarcado de Moscou) para saber da posição do
arcebispo
sobre o assunto. "Como advogada, eu sei que isto não é
legal",
disse Irina Budkina, membro de uma paróquia da Igreja Old
Believer,
ao Serviço de Notícias do Fórum 18, alegando que documentos
arquivados
provam que a igreja foi construída em 1913-15 pela Igreja
Belokrinitsa
Old Believer e depois confiscada: "Não há nenhuma
relação
com o Patriarcado de Moscou." Em 2004, a administração da
cidade de
Samara adquiriu a igreja depois que o ocupante anterior,
uma
fábrica de artefatos mecânicos, fechou. Sergei Vurgraft,
secretário
de imprensa da Igreja, disse ao Forum 18 que quando
paroquianos
da Igreja Old Believer requisitaram os prédios
históricos,
as autoridades locais prometeram várias vezes devolvê-
los
"desde de que eles obtivessem a confirmação que a arquidiocese
local do
Patriarcado de Moscou não se opusesse". Sabendo que isso é
inconstitucional,
funcionários do governo normalmente fazem isso
oralmente,
disse ela ao Fórum 18. Vurgaft queixou-se que em muitos
casos as
autoridades locais se recusam a devolver os templos da
Igreja
Old Believer devido a interesses comerciais. Em Moscou, disse
ele, a
Igreja Belokrinitsa Old Believer teve pouco sucesso em
requisitar
3 igrejas utilizadas como restaurante, clube de boxe e
escritórios
da União das Forças de Direita um partido político.
Tradução:
Cláudia Veloso
7 - A
RÚSSIA, O VATICANO E O FACTOR POLACO
RIA
"Novosti" 13/04/05
Piotr
Romanov, observador político da RIA "Novosti"
A
primeira onda de interesse pelos acontecimentos no Vaticano já
passou. A
segunda, como não é difícil supor, chegará quando se tornar
conhecido
o nome do sucessor de João Paulo II. Este acontecimento
terá um
sentido especial para a Rússia. É evidente que o novo Sumo
Pontífice
não será oriundo da Polónia, mas o factor polaco tem sempre
determinado
em grande medida as relações entre o Vaticano e Moscovo.
Existem
várias causas, mas a principal consiste no facto de as
relações
históricas bastante complexas entre os russos e polacos
terem
transformado durante muitos séculos os sacerdotes polacos em
políticos.
Ao longo da história, a igreja polaca foi mais que uma vez
um clube
político-revolucionário antirusso e os clérigos assumiram as
funções
de dirigentes políticos. Por fim, ao vir para a Rússia, os
padres
polacos esqueciam não raro a sua missão religiosa,
subordinando-a
aos interesses político-nacionais. O padre Quénard,
membro da
Ordem francesa da Assunção, escreveu certa vez com
irritação:
"Quanto aos polacos, desde Varsóvia a Vladivostok eles
identificam
os interesses do catolicismo com os seus próprios".
Noutra
nota ele observou com decepção: "Os polacos não desejam, via
de regra,
dedicar-se ao proselitismo entre os russos se isso não
levar ao
aumento da influência polaca". Claro que os desígnios
estratégicos
globais do catolicismo na Rússia, alimentados pela Ordem
da
Assunção, chocavam com os planos dos polacos, puramente egoístas
como
pensavam os franceses. Outro padre francês, Boraine, observou
com
irritação: "Os polacos são intriguistas experientes". Aliás,
todas
estas citações foram tiradas do livro "Roma e Moscovo" de
Antoine
Wenger, estudioso da história de Bizâncio e fervoroso
católico,
especialista em assuntos russos. A eleição de um polaco
para o
cargo de Papa encerrava desde o início elementos positivos e
negativos
para o Vaticano e Moscovo. Por um lado, o Vaticano adquiria
traços
suplementares universais, tão necessários à Igreja Católica.
Quanto a
Moscovo, ela podia esperar que o novo Papa eslavo se
orientasse
muito melhor do que os seus antecessores nos assuntos
russos.
Por outro lado, no Vaticano pela primeira vez os recursos e
autoridade
da igreja foram colocados em grande medida ao serviço de
um só
país, a Polónia. E não podia ser, provavelmente, de outra
maneira.
Mesmo que João Paulo II se tivesse oposto a isso, a própria
Polónia
não teria desperdiçado a oportunidade de aumentar o seu peso
político
à custa do trono papal. Enquanto em Varsóvia se mantinha o
regime
comunista, que se desmoronou, aliás, com a activa participação
da Igreja
Católica, a influência polaca no Vaticano não se notava
muito,
mas quando o regime mudou, a Polónia aproveitou abertamente o
seu
"parentesco" com o Vaticano. Quando os representantes da Polónia
discursavam
na União Europeia em nome dos novos membros da
organização
e realizavam conversações com Moscovo, quando o senhor
Kwasniewski
partia para a Ucrânia a fim de "pacificar" as forças
desencadeadas
pela "revolução laranja", por toda a parte o seguia a
autoridade
do Sumo Pontífice. É culpada disso a Polónia? Não penso
que o
seja. Se para o cargo de Papa for eleito, por exemplo, um
representante
da América Latina, aumentará também o peso desta região
e no
Vaticano a língua espanhola ouvir-se-á com mais frequência.
Durante
os longos anos do último pontificado, a frequência da língua
polaca no
Vaticano aborreceu muita gente e a "invasão polaca" de Roma
por
motivo do falecimento do Papa só intensificou este efeito.
Portanto,
não é difícil predizer a queda da influência polaca na
igreja e,
por conseguinte, no mundo. Como é natural, é impossível
saber em
que medida diminuirá o peso da Polónia devido à morte de
Karol
Wojtyla. No entanto, não restam dúvidas de que as perdas serão
significativas.
É fácil prever também que no Vaticano os polacos irão
lutar na
retaguarda pela sua influência, mas a derrota é inevitável
por eles
terem perdido o seu cabo de guerra. Quanto à Rússia, também
aqui
haverá mudanças. Elas não se operarão dentro em breve, mas são
quase
inevitáveis. Não está excluído que o arcebispo polaco Tadeus
Kondrusevic,
principal representante do catolicismo na Rússia,
regresse
ao seu país e que o seu lugar seja ocupado, por exemplo, por
um
francês. Mudarão, provavelmente, também muitas atitudes do
Vaticano
para com o diálogo com a Igreja Ortodoxa Russa (IOR). Só o
tempo
mostrará em que sentido elas evoluirão: para melhor ou para
pior. Os
polacos conheciam a Rússia, mas politizavam muitos aspectos,
o que não
contribuía notoriamente para o diálogo. Portanto, os novos
representantes
da Igreja Católica nas conversações com a IOR serão,
provavelmente,
preferíveis para esta última. Também o Kremlin não
terá
sérios problemas com as novas autoridades do Vaticano. Aliás,
nos
últimos séculos o poder secular da Rússia tem sido muito mais
tolerante
face ao catolicismo do que o IOR. Claro que antes de mais
nada ele
tem defendido os interesses dos cristãos ortodoxos, mas, ao
mesmo
tempo, tem encarado também com compreensão os interesses dos
católicos.
Pelo menos, por ter sabido dar valor à assistência dos
especialistas
estrangeiros que viviam na Rússia e eram, na sua
maioria,
católicos. Aliás, a última questão que Piotr Stolypin, uma
das
eminentes personalidades da Rússia pré-revolucionária, examinou
antes da
sua morte foi a questão das relações entre os ortodoxos e
católicos.
No dia da sua morte às mãos de um terrorista em Kiev, o
primeiro-ministro
dera uma audiência a uma delegação francesa que lhe
pedira
para interceder pelo padre Evrard, que a polícia russa
suspeitava
erradamente de pertencer à Ordem dos Jesuítas. Ao estudar
pormenorizadamente
a situação e ao pedir a palavra de honra do padre
Evrard de
que ele só pregaria entre os seus compatriotas, Stolypin
autorizou
o padre a ficar na Rússia. Nas suas memórias o padre Evrard
escreveu:
"Irei sempre venerar a sua memória, pois ele era... um
homem
honesto, franco e desinteressado, que tinha princípios
profundamente
firmes no que dizia respeito à política e à religião".
Se Roma
enviar "um novo padre Evrard" à Rússia e limitar um pouco o
entusiasmo
dos padres polacos, se o Kremlin souber combinar com a
mesma
habilidade que Stolypin os interesses do Estado russo, da IOR e
dos
católicos, Moscovo e o Vaticano poderão coexistir de maneira
perfeitamente
civilizada durante o novo pontificado.
8 -
RÚSSIA: "O nosso santo dever é pedir a Deus, para que através da
eleição
do Colégio dos cardeais, o Espírito Santo mostre aquele que
estará no
timão do barco de Pedro e conduzirá o navio da Igreja rumo
ao
futuro, sobre as ondas tumultuadas do início do século XXI",
afirma o
Arcebispo Kondrusiewicz na mensagem aos fiéis em vista do
Conclave
Moscou
(Agência Fides) - "O Pontífice que nos deixou foi uma pessoa
aberto
aos homens e ao mundo, que recordou e defendeu sem cansaço a
dignidade
da pessoa humana, os seus direitos e a liberdade", afirma
Dom
Tadeusz Kondrusiewicz, Arcebispo da diocese da Mãe de Deus de
Moscou,
na sua mensagem aos fiéis na iminência do Conclave.
"No
tempo do pontificado de João Paulo II, a Igreja percorreu um
longo
caminho de renovação e desenvolvimento, de acordo com a
Doutrina
do Concílio Vaticano II e os ensinamentos pós-conciliares.
Esta se
tornou mais aberta ao mundo, às outras religiões e
confissões...
João Paulo II foi o Moisés da nossa era, que conduziu a
Igreja ao
terceiro milênio", continua o Arcebispo Kondrusiewicz.
"O
apelo do início do seu pontificado: "Não tenham medo! Abram as
portas a
Cristo!", realizou-se na queda dos regimes totalitários,
primeiramente
na Europa Oriental, cujos povos se encaminharam para a
democracia
e adquiriram os direitos fundamentais, entre eles também o
direito à
liberdade de professar a fé. Graças ao seu ministério,
muitas
pessoas sentiram a exigência de colocar-se na busca dos
valores
eternos. Por ser um Papa eslavo, ele amou a Rússia de modo
especial...
Ao nome de João Paulo II, está relacionada a restauração
das
estruturas da Igreja Católica na Rússia. Não devemos nos esquecer
da sua
continua oração e preocupação". Pondo um quesito, o Arcebispo
pergunta:
"Notamos e soubemos apreciar a vastidão e o valor dos
gestos de
boa vontade, dos sinais de respeito à nossa Pátria, à
Igreja
Ortodoxa Russa e à grande cultura russa que ele demonstrou
durante o
seu pontificado?"
Por fim,
dirigindo um convite aos fiéis, o Arcebispo conclui
destacando
que "o nosso santo dever é pedir a Deus, para que através
da
eleição do Colégio dos cardeais, o Espírito Santo mostre aquele
que
estará no timão do barco de Pedro e conduzirá o navio da Igreja
rumo ao
futuro, sobre as ondas tumultuadas do início do século XXI".
(AP)
(13/4/2005 Agência Fides)
9 -
Ortodoxos esperam melhorar relações com Vaticano
ALC
Notícias Abril 6, 2005
VARSÓVIA,
Polonia, O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexei II,
declarou
que depois do falecimento do papa João Paulo II espera que
melhorem
as relações com a Igreja Católica.
"Um
novo período está se abrindo na vida da Igreja Católica, no qual
há possibilidade
de relações mutuamente respeitosas e de amor cristão
fraterno
entre nossas igrejas", disse o patriarca.
O líder
ortodoxo expressou esse desejo em carta enviada, no domingo,
ao
cardeal Josef Ratzinger, que, no pontificado de João Paulo II, foi
prefeito
da Congregação para a Doutrina da Fé.
As
relações entre a Igreja Ortodoxa e a Católica têm sido tensas há
tempos na
Europa do Leste. Os ortodoxos acusam os católicos de
praticarem
proselitismo.
Nos 26
anos de pontificado João Paulo II visitou 129 países, entre
eles as
nações predominantemente ortodoxas da Bulgária, Geórgia,
Grécia,
Romênia e Ucrânia, porém não conseguiu visitar Moscou.
Os
dirigentes ortodoxos preocuparam-se em 2002, quando o papa quis
elevar o
status da Igreja Católica na Rússia, o que consideraram um
desafio à
Igreja Ortodoxa.
Essa
semana um dirigente do Patriarcado de Moscou criticou os que
dizem que
o papa foi impedido de visitar a Rússia por causa dos
ortodoxos
tradicionalistas.
O diretor
de Relações Exteriores do Patriarcado de Moscou, Vsevolod
Chaplin,
disse que a visita do papa a Moscou não se realizou "porque
tampouco
se cumpriu o nosso desejo de que a Igreja Católica não
realize
atividade missionária em nosso país e não compita conosco em
território
russo".
"Nossa
hierarquia espera, há tempo, que o lugar do papa João Paulo II
seja
ocupado por algum dos cardeais ocidentais, que são mais
progressistas
com respeito a Moscou, ainda que não tão populares como
o papa
polonês". disse Chaplin.
O bispo
da Igreja Ortodoxa Russa, Hilarion Alfeyev, disse que uma
declaração
conjunta dos primados das Igreja Católica e Ortodoxa sobre
tais
temas pode abrir uma nova página nas relações as duas
denominações.
O
patriarca ecumênico Bartolomé, de Constantinopla, que pretende
participar
do funeral do papa, disse que a morte de João Paulo II foi
uma
perda, não somente para a Igreja Católica, mas para toda a
cristandade.
O
metropolitano Sawa, da Igreja Ortodoxa autônoma da Polônia, anotou
que as
visitas do papa aos países predominantemente ortodoxos
contribuíram
para a melhor relação entre as igrejas. O arcebispo
Christodoulos,
da Igreja Ortodoxa da Grécia, que recebeu João Paulo
II em
Atenas, em 2001, também pretende assistir os funerais do papa.
A Igreja
Ortodoxa Russa estará representada na cerimônia pelo seu
diretor
de Relações Exteriores, o metropolitano Kirill
10 -
Papa: «Um anjo da paz», que «transcendeu religiões». Diz a
Igreja
Ortodoxa.
Presbiterianos
criticam «marianismo muito forte»
Portugal
Diário 03/04/2005
O
porta-voz da Igreja Ortodoxa Grega em Portugal, padre Alexandre
Bonito,
classificou hoje João Paulo II como "um anjo da Paz" e "um
Papa que
transcendeu o âmbito do catolicismo e da própria
religião".
"Era uma personalidade muito forte, que influenciou toda
a
humanidade. Ele foi até o Papa dos não crentes", disse Alexandre
Bonito à
Agência Lusa. Alexandre Bonito destacou "o intenso diálogo"
desenvolvido
por João Paulo II em relação às outras confissões
religiosas,
nomeadamente a Igreja Ortodoxa Grega, ligada ao
patriarcado
de Constantinopla. "A importância de João Paulo II
ultrapassa
o âmbito dos católicos, o que não existia no passado",
acrescentou.
Segundo aquele padre, a Igreja Ortodoxa Grega tem
centenas
de milhares de fiéis em Portugal, a maioria dos quais
imigrantes
do Leste europeu. Um responsável da Igreja Presbiteriana
elogiou
hoje o papel de João Paulo II na "promoção do diálogo entre o
cristianismo
e as outras religiões", mas criticou o "marianismo muito
forte"
do seu pontificado. "O seu pontificado ficou marcado por uma
linha de
renovação e abertura da Igreja, mas houve também um aspecto
um pouco
negativo: um marianismo muito forte, que muitas vezes
ofuscava
a figura de Cristo", disse à Agência Lusa o pastor José
Manuel
Leite, secretário das relações ecuménicas da Igreja
Presbiteriana.
José Manuel Leite realçou, contudo, que
estava
"solidário com todo o luto dos católicos" e, apesar
das
"diferenças" com o Vaticano, "toda a Igreja está de luto".
João
Paulo II
"é um irmão que se perde", acrescentou. Aquele pastor
protestante
salientou também que João Paulo II foi "um papa
verdadeiramente
peregrino", "era mediático" e "sabia lidar bem com a
comunicação
social". Segundo José Manuel Leite, a Igreja
Presbiteriana
tem cerca de três mil fiéis em Portugal.
11 -
Igrejas ortodoxas rendem homenagens discretas a João Paulo II
03/04/2005
AFP Fonte - JB
MOSCOU -
As igrejas ortodoxas renderam, neste domingo, uma homenagem
discreta
à memória do papa João Paulo II, que morreu nesse sábado,
deixando
patente suas divergências com o Vaticano apesar da
aproximação
defendida pelo Sumo Pontífice.
''O
pontificado de sua Santidade João Paulo II foi uma época
memorável
na vida da Igreja Católica romana e para toda a história
contemporânea'',
escreveu o patriarca de Moscou e de todas as
Rússias,
Alexis II, em uma carta transmitida ao Vaticano.
Ele
também expressou seu desejo de que ''o novo período que se inicia
na Igreja
Católica romana ajude a retomar as relações de respeito
mútuo e
amor cristão fraternal entre as duas Igrejas'', o que
ressalta
as divergências que persistem entre a Santa Sé e o patriarca
ortodoxo
russo.
''Espero
sinceramente que mais adiante a lembrança do morto sirva
para
instaurar boas relações entre nossas Igrejas e para superar as
dificuldades
atuais'', segundo um comunicado do patriarca assinado
pelo
chefe do departamento de Relações Exteriores.
Na
Sérvia, passadas 15 horas depois da morte do papa, a Igreja
ortodoxa
não tinha se manifestado a respeito e nas missas celebradas
neste
domingo no país não lhe foram feitas nenhuma homenagem.
O
patriarca Maxim da Igreja ortodoxa búlgara expressou por televisão,
depois de
quase 18 horas de silêncio, ''as sinceras condolências'' e
enfatizou
os esforços do Sumo Pontífice ''a favor da paz na Europa''.
Estas
reações sutis demonstram uma vez mais as tensões existentes
entre
ortodoxos e católicos. O patriarca russo acusa, efetivamente,
de
proselitismo ao Vaticano e sempre foi contrário a uma visita ´do
papa à
Rússia, do mesmo modo que as igrejas ortodoxas da Sérvia e
Bulgária.
Todas as visitas que João Pablo II fez à Bulgária foram em
resposta
a convites do governo búlgaro e não da Igreja.
Em
Istambul, o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I,
expressou
com muito mais ênfase suas condolências pela morte de ''um
visionário
que lutou pela aproximação de católicos e ortodoxos''.
''Expressamos
nossa profunda tristeza por parte do patriarca
ecumênico
pelo descanso de nosso querido irmão na paz de Cristo e
compartilhamos
o luto dos milhões de irmãos e irmãs de todo o
mundo'',
declarou o patriarca em uma mensagem escrita.
Na
Romênia, os ortodoxos, através de seu patriarca Teoctist, renderam
uma
homenagem mais emotiva ao papa, apesar das divergências histórias
entre as
duas correntes. Já em Atenas, os ortodoxos, tradicionalmente
antipapistas,
expressaram seus pêsames aos católicos por escrito em
uma
declaração do chefe da Igreja Ortodoxa Grega, Monsenhor
Christodoulos,
que ressaltou o papel político desempenhado por João
Paulo II.
12 -
Grécia volta a vender livro de quadrinhos sobre Jesus maconheiro
Por
Karolos Grohmann 13/04/05
ATENAS
(Reuters) - Um tribunal grego revogou na quarta-feira a
proibição
de venda de um livro de quadrinhos austríaco que retrata
Jesus
Cristo como um surfista que fuma maconha e bebe com Jimi
Hendrix.
O
cartunista austríaco Gerhard Haderer foi condenado por um tribunal
grego por
"blasfêmia pública de má-fé" no início deste ano e recebeu
sentença
de prisão de seis meses com sursis em função de sua versão
sobre a
vida de Cristo.
Mas um
tribunal de apelações de Atenas decidiu que o livro não é
blasfemo
e revogou a condenação de Haderer, disse à Reuters sua
advogada,
Maria Marazioti.
"Ganhamos.
O livro não é mais proibido, Haderer está livre, e o livro
já pode
ser vendido legalmente", disse ela. "É uma decisão
fantástica."
Haderer,
que não compareceu ao tribunal, ainda não tinha sido
informado
da decisão judicial, segundo a advogada. "Estou tentando
entrar em
contato com ele para lhe dar a boa notícia", ela falou.
O livro
que retrata Cristo em tom de brincadeira foi posto à venda na
Grécia
por pouco tempo em 2002, mas alguns dias depois de começar a
ser
vendido por quatro livrarias de Atenas a Igreja Ortodoxa Grega
conseguiu
que fosse retirado das livrarias, com mandado judicial
provisório.
Na época,
a Igreja disse que o livro zombava da fé cristã ortodoxa e
de Jesus
Cristo.
"Isso
nunca teria acontecido se vivêssemos numa sociedade realmente
democrática",
disse Athina Khouri, da editora grega Oxy, que lançou o
livro no
país. "Nossa posição é que não deve haver obstáculo à
liberdade
de expressão."
"The
Life of Jesus" já foi traduzido para 10 línguas.
Dezenas
de cartunistas gregos manifestaram apoio a seu colega,
dizendo
que a primeira decisão judicial prejudicou a imagem de seu
país.
Uma
petição assinada por 1.000 pessoas, incluindo artistas
internacionais
e a escritora Elfriede Jelinek, ganhadora do Prêmio
Nobel de
Literatura em 2004, exigiu a revogação imediata da proibição.
13 -
Continuar a obra
O Dia
14/04/2005
Padre
Jesus Hortal, Reitor da PUC-Rio
Como será
o novo Papa? Se me fazem essa pergunta, só tenho uma
resposta:
não sei. O máximo que posso fazer é dizer como eu gostaria
que
fosse. Alguém que continue a obra fantástica de João Paulo II, em
favor da
paz e do entendimento entre os povos e os diversos credos
religiosos.
O Papa
Wojtyla conseguiu, sem armas, sem violência, apenas com a
força da
verdade, derrubar a separação entre o Oriente e o Ocidente.
O muro de
Berlim caiu para nunca mais ser erguido. Mas existem outros
muros, às
vezes menos visíveis, mas não menos reais. O maior é o que
divide o
Norte desenvolvido do Sul subdesenvolvido, faminto e
miserável.
João Paulo II lutou, publicou três encíclicas sociais,
lançou
apelos à solidariedade mundial, empenhou-se no combate à
pobreza.
Mas não conseguiu atingir a meta do ideal cristão, da
fraternidade
universal. Se o novo Papa conseguir derrubar também esse
muro,
haverá um futuro promissor de paz e de fraternidade entre os
povos.
Na
ansiada reconciliação entre Oriente e Ocidente, ficou incompleto o
reencontro
com os cristãos orientais (os "ortodoxos"). João Paulo II
também
buscou isso, mas não conseguiu. Será sonhar muito pensar num
novo Papa
que avance mais por esse caminho?
A atuação
de João Paulo II também foi decisiva no diálogo inter-
religioso.
Os dois encontros de oração em Assis, com líderes das mais
variadas
crenças, foram uma semente.
De modo
especial, ele se preocupou com as duas grandes religiões
monoteístas,
judaísmo e islamismo. O enfrentamento entre o mundo
islâmico
e o cristão é cada dia mais patente e ameaçador. Por que não
eleger,
então, um Papa que provenha de país com forte presença
muçulmana,
como muitas nações africanas?
14 -
Deixem os pais serem pais
The New
York Times 10/04/05
Nicholas
D. Kristof, do The New York Times
Essa é
minha profecia sobre o próximo papa: ele permitirá que homens
casados
se tornem padres.
É
simplesmente uma questão de sobrevivência: por todo o mundo, a
Igreja
Católica está ficando sem padres. Nos EUA, havia um padre para
cada 800
católicos em 1965, enquanto hoje existe um para cada 1.400
católicos
- e a idade média é de quase 60 anos. Em toodos os EUA, com
65
milhões de católicos, apenas 479 padres foram ordenados em 2002.
O
resultado é que a Igreja Católica está perdendo terreno em todo o
mundo
para as igrejas evangélicas e especialmente as pentecostais. No
Brasil,
que tem mais católicos do que qualquer outro país, os
pentecostais
estão crescendo tão rapidamente que podem superar os
católicos
nas próximas décadas.
Ninguém
entende mais a desesperada necessidade de clero do que os
próprios
cardeais. De fato, o próprio João Paulo 2o abriu o terreno
para o
fim da obrigatoriedade do celibato.
Poucas
pessoas percebem isso, mas existem hoje por volta de 200
padres
católicos sob uma dispensa especial dada pelo Vaticano para
pastores
de suas denominações - episcopais, luterano e etc - que já
são
casados e desejavam se converter ao catolicismo romano
(tipicamente
porque sentem que suas igrejas estão amolecendo ao
ordenar
mulheres ou gays).
"Não
chega a ser uma questão", o padre John Gremmels, um desses
padres
casados, em Fort Worth, me disse do seu status como um pai do
jeito
tradicional.
O
Vaticano também permite que católicos do leste, em lugares como a
Ucrânia e
Romênia, tenham padres casados. Isso é parte de um antigo
acordo:
eles seriam católicos e aceitariam a autoridade do papa,
ficando
de fora da Igreja Ortodoxa, e em troca poderiam ter um clero
casado e
rituais na língua local.
Pesquisas
mostram que 70% dos católicos americanos acreditam que os
padres
deveriam poder se casar. David Gibson, autor de "The Coming
Catholic
Church", cita o cardeal Roger Mahony dizendo que é razoável
levantar
a questão e acrescentando: "Nós tivemos um clero casado
desde o
primeiro dia, desde São Pedro".
É verdade
que São Pedro, o primeiro papa, era casado, e muitos dos
apóstolos
e primeiros papas. Mas então os cristãos começaram a
colocar
mais ênfase na castidade, com Tertuliano descrevendo as
mulheres
como "os portões do inferno".
Orígenes
de Alexandria, o grande filósofo cristão do século três,
castrou a
si mesmo. E Hugo de Lincoln, um bispo do século 12 que
depois
foi canonizado, alegou que um ser celeste o favoreceu ao
descer
dos céus e o castrar, o tornando muito mais em paz.
Na Idade
Média, a igreja estava atolada em corrupção e a tendência
era os
padres deixarem seus bens para seus filhos. Então, nos séculos
11 e 12
as regras do celibato foram formalizadas.
É claro,
a igreja às vezes se adapta a cultura local. A cristandade é
mais
dinâmica na África, mas o clero africano freqüentemente reclama
que
tentativas de atrair padres esbarram na ênfase cultural de se ter
filhos.
Na África central há alguns anos, um padre italiano me falou
sobre os
filhos de um bispo local. Eu achava que ele falava
metaforicamente
sobre os paroquianos, mas o missionário balançou a
cabeça.
"Não,
ele tem uma mulher", o padre falou do bispo. "O celibato é algo
que vai
contra a cultura daqui. Na verdade, se acharmos um padre que
se mantém
apenas com uma mulher, nós o promovemos a bispo".
Ordenar
mulheres também seria uma forma excelente de fornecer uma
nova
fonte de clero. João Paulo escreveu rigorosamente sobre a
dignidade
e igualdade da mulher, até mesmo apoiando o orgasmo
feminino.
Um de seus sucessores como papa certamente aplicará esses
preceitos
de igualdade na igreja e permitirá a ordenação das
mulheres.
Mas talvez não no próximo papado.
É
freqüentemente conhecido que o papa João Paulo 2o escolheu todos
menos
três dos cardeais que escolherão o próximo papa, mas isso não
necessariamente
significa outro papa conservador. Apesar de tudo, o
papa Pio
12 escolheu todos menos dois dos cardeais que em 1958
escolheram
o seu sucessor, o bem mais aberto papa João 23.
Como o
meu colega do New York Times, Peter Steinfels, escreve em "A
People
Adrift", seu livro sobre católicos: "Hoje, a igreja católica
romana
nos EUA está na beira de ou um declínio irreversível ou de uma
total
transformação". Encarando essa questão em todo o mundo,
perdendo
terreno para os pentecostais, o próximo papa será forçado a
escolher
a transformação.
15 -
Igrejas do Oriente prestam tributo ao Papa ecuménico
Agência
Ecclesia 14/04/05
As
Igrejas católicas do Oriente prestaram hoje tributo a João Paulo
II na
sétima missa nonvendiali em sufrágio do Papa falecido. A
cerimónia
em rito oriental foi presidida pelo Patriarca de Antioquia
dos
Maronitas, Sua Beatitude Pierre Sfeir Nasrallah.
"João
Paulo II comprometeu-se seriamente no ecumenismo e não com
menor
empenho dedicou-se às Igrejas Orientais católicas", disse o
Patriarca
libanês, considerando que a atenção do Papa sempre
foi
"para toda a Igreja".
Na
Basílica de São Pedro, o Patriarca Sfeir homenageou o Papa que foi
ao
encontro "de todas as pessoas que acreditam em Cristo", de modo
especial
as que não estão em comunhão com a Igreja Católica, no
Oriente.
"Nunca
deixou de promover o diálogo entre os cristãos de diversas
denominações,
mostrando ao mesmo tempo um total respeito para com
eles,
fossem Ortodoxos ou Protestantes, considerando-os sempre irmãos
em
Cristo", acrescentou.
O
Patriarca libanês não esqueceu o empenho do Papa na pacífica
resolução
de vários conflitos surgidos na sua região, destacando as
visitas
ao Líbano, Síria, Palestina e Israel. "João Paulo II
demonstrou
abertura para com os fiéis das religiões não cristãs",
precisou
o Cardeal Sfeir, "mas isso não o impediu de dirigir-lhes
severas
observações quando neste ou naquele país os direitos humanos
eram
totalmente ignorados" com posições que classificou
de
"corajosas" e dotadas de "espírito de rectidão e lealdade".
Octávio
Carmo
16 -
Patriarca lembra que o Papa se desgastou para acolher cada homem
como um
irmão
VATICANO,
14 Abr. 05 (ACI) .- Ao presidir a sétima Missa do novenário
em
sufrágio ao Papa João Paulo II, Sua Beatitude o Cardeal Pierre
Nasrallah
Sfeir, Patriarca de Antioquia dos Maronitas, recordou que o
Pontífice
"afirmava firmemente que cada ser humano devia ser acolhido
como um
irmão". Na Eucaristia celebrada segundo o rito oriental, o
Patriarca
assinalou que João Paulo II "não se poupou pelo quarto de
século de
seu Pontificado para que o mandato de Cristo se realize,
considerando
seus irmãos a todos aqueles que crêem em Cristo".
O Cardeal
Nasrallah recordou a atitude de João Paulo II de acolher a
todos com
caridade. "O mandato de Cristo de confirmar os irmãos
confiado
a Pedro foi plenamente acolhido pelo Papa João Paulo II
desde o
início de seu Pontificado", indicou.
Também
recordou que "ao início de cada ano oferecia suas diretivas
pelas
semanas de oração pela unidade dos cristãos. O Pontifício
Conselho
para a Promoção da Unidade dos Cristãos encontrou total
disponibilidade
e ânimo. Empreendeu uma série de viagens que lhe
permitiram
abrir-se com extrema simplicidade e afeto a todos seus
irmãos,
mantendo a abertura de seu predecessor o Papa Paulo VI".
Recordando
a posição da Igreja com respeito ao ecumenismo afirmou
que esta
"acolhe com esperança o compromisso ecumênico como
imperativo
da consciência cristã guiada pela fé e iluminada pela
caridade".
O Cardeal
Nasrallah precisou que "João Paulo II se comprometeu
seriamente
com as Igrejas orientais católicas, dando-lhes um número
no código
de direito canônico. Acompanhou de perto as dificuldades
que a
igreja oriental devia enfrentar em um contexto histórico e
geográfico
complexo".
Sobre a
gestão diplomática do Papa, disse que "sua abertura não lhe
impediu
de elevar a voz quando os direitos humanos eram violados.
Estabeleceu
relações diplomáticas com países que negavam à religião
cristã o
direito a manifestar a própria fé".
Finalmente,
indicou que "agora a oração nos renova e é a oração dos
filhos
que invocam para ele, o Bom Pastor, a recompensa eterna na
casa do
Pai. É oração ao Onipotente e Misericordioso Senhor e Pai
para que
obtenha logo a nosso inesquecível pai e pastor o
reconhecimento
em terra daquela santidade da que já goza no céu".
17 - O
austríaco Christoph Schoenborn, um candidato moderado à
sucessão
AFP
14/04/05
CIDADE DO
VATICANO, 14 Abr (AFP) - O cardeal Christoph Schoenborn,
arcebispo
de Viena, um homem moderado, partidário das boas relações
com
outras religiões, é mencionado regularmente como um dos possíveis
sucessores
de João Paulo II.
Conciliador,
modesto e aberto, o cardeal Schoenborn se define
como
"conservador em questões religiosas e liberal em matéria
social".
Aos 60 anos, poderia ser uma solução de compromisso entre
conservadores
e liberais no Conclave que escolherá o próximo Papa.
Ao mesmo
tempo, a idade do presidente da Conferência Episcopal
Austríaca
pesará contra ele, já que muitos desejam um pontificado
curto
depois dos 26 anos de João Paulo II.
Este
teólogo, que abraçou a Igreja Católica aos 18 anos, diz que é
indispensável
que os homens casados possam exercer o sacerdócio, mas
é contra
a ordenação da mulher, a contracepção, o aborto, a clonagem
terapêutica
e a eutanásia.
Schoenborn,
um poliglota, é muito ligado ao cardeal alemão Joseph
Ratzinger,
que preside a influente Congregação para a Doutrina da Fé.
Na linha
de um ilustre predecessor, Franz Koenig, monsenhor
Schoenborn
manifestou o desejo de abertura em relação à Igreja do
Oriente.
Membro da Fundação Pró-Oriente desde 1984, o austríaco
considera
que Viena é uma ponte ecumênica entre Ocidente e Oriente.
Em 1997,
Schoenborn viajou a Moscou e Istambul, onde se reuniu,
respectivamente,
com o patriarca ortodoxo Alexis II e com o patriarca
de
Constantinopla, Bartolomeu I.
Segundo
seu porta-voz, Erich Leitenberger, monsenhor Schoenborn
insiste
"na herança judia" do catolicismo e é "muito apreciado"
pelos
muçulmanos.
Nascido
em 22 de janeiro de 1945 numa família de aristocratas da
monarquia
austro-húngara, em Skalsko, entrou para a Igreja em 1963 e
foi
ordenado sacerdote em dezembro de 1970, em Viena. Sua família
produziu
uma dezena de bispos e cardeais no transcurso dos séculos.
Christoph
Schoenborn cursou estudos de teologia em Viena, no
Instituto
Católico de Paris, onde foi formado pelo grande teólogo
Yves
Congar, e em Ratisbona (Alemanha).
Doutor em
teologia em 1974 com uma tese sobre "O ícone de Cristo",
deu aulas
depois em Friburgo (Suíça).
Membro da
Comissão Internacional de Teólogos de 1981 a 1991, foi
nomeado
em 1987 secretário da redação do catecismo mundial.
Em 1991,
foi nomeado bispo de Viena antes de assumir em 1993 a
direção
da Conferência Episcopal Austríaca. Em 1995, sucedeu
monsenhor
Groer como arcebispo de Viena. É cardeal desde 1998.
18 -
Mensagem de pesar do Patriarca da Igreja Assíria oriental no
Iraque -
Também para os fiéis iraquianos, João Paulo II "Santo
Imediatamente"
Bagdá
(Agência Fides)- O Patriarca Mar Addi II, chefe da antiga
Igreja
Assíria oriental no Iraque, participa da dor da comunidade
católica
e enviou ao Vaticano uma mensagem de pesar pela morte de
João
Paulo II. "Acolhemos a notícia da morte do Santo Padre com uma
dor profunda
na nossa alma, mas nutrimos sempre a esperança da
Ressurreição.
O Santo Padre João Paulo II foi um bom discípulo do
Senhor
Jesus Cristo e um Bom Pastor para a Igreja Católica, e também
um ponto
de referência para os não-católicos. A sua morte é uma perda
para toda
a humanidade. Sabemos que ele está ao lado dos santos no
Reino de
Deus, porque nós acreditamos na Ressurreição."
Em Bagdá
e Mossul, as Igrejas cristãs celebraram os ritos fúnebres
para o
Papa e a cerimônia realizada na Igreja de S. José em Bagdá
representou
um sinal de unidade entre os fiéis católicos e ortodoxos.
Os fiéis
disseram que, deste modo, tentaram colocar em prática um dos
tantos
ensinamentos que o Papa João Paulo II deixou. Também a Agência
local
ankawa.com publicou fotografias do funeral em S. Pedro, sob o
título"Santo
imediatamente".
(A.E.)
(Agência Fides 11/4/2005).
19 -
Depois das celebrações para o Santo Padre, os cristãos no
Iraque,
orgulhosos de serem ligados a João Paulo II, encontram nova
esperança
para o seu futuro
Bagdá
(Agência Fides) - Fazer memória das grandes obras realizadas
por João
Paulo II para olhar para o futuro com renovada fé e
esperança:
é o que está vivendo nesses dias a comunidades cristã no
Iraque,
marcada pelar dor e pelas dificuldades do presente, mas
dirigida
ao novo milênio confiando na Providência. O evento da morte
do Santo
Padre, as solenes liturgias e as grandes manifestações de
honra
prestadas em todo o mundo, e também no Iraque, serviram para
despertar
os corações aflitos dos cristãos iraquianos, que hoje se
sentem
portadores de uma grande responsabilidade: de testemunhar a
mensagem
de Cristo, como fez João Paulo II.
Foi o que
declarou à Fides Mons. Pyoss Qasha, pároco da Igreja sírio-
católica
de S. José em Bagdá, onde nos dias passados foi celebrada
uma Santa
Missa em sufrágio do Papa, na presença do Núncio Apostólico
em Bagdá
e de expoentes da Igreja ortodoxa.
O Mons.
Qasha faz votos para que a situação da Igreja no Iraque
melhore,
notando como, depois da morte do Santo Padre, os fiéis
voltaram
a participar com maior intensidade da Santa Missa. "Hoje, os
fiéis
iraquianos sentem-se mais orgulhosos de serem ligados a João
Paulo II,
um grande homem do nosso tempo. Sabemos que ainda hoje suas
vidas são
duras, vivem entre dificuldades econômicas e riscos de
atentados.
Mas, no entanto, participam da Santa Missa e mandam seus
filhos às
lições de catecismo. Na nossa paróquia e na diocese,
estamos
organizando atividades para os jovens: esperamos em um
despertar
pastoral da comunidade, que poderá coincidir em uma era de
paz, de
estabilidade e de harmonia para o Iraque."
O Mons.
Qasha conclui: "Além disso, procuramos dar atenção às
famílias
mais pobres, ajudando-as com bens materiais, medicamentos,
alimentos
e roupas. Nós, sacerdotes, queremos estar ao lado de nossa
gente,
para demonstrar assim o amor de Deus". (AE) (Agência Fides
13/04/2005)
20 -
IGREJA NO IRAQUE RECORDA JOÃO PAULO II E SEU EXEMPLO NA
CONSTRUÇÃO
DE UMA SOCIEDADE BASEADA NA PAZ E NO DIÁLOGO
Bagdá, 12
abr (Radio Vaticano) - O Iraque também chora a morte de
João
Paulo II, que jamais pôde visitar aquele país do Golfo. Quem
fala das
relações entre a atribulada comunidade cristã iraquiana e o
Papa é o
Arcebispo dos caldeus de Mossul, Dom Paulos Faraj Rahho,
numa
entrevista concedida à agência AsiaNews.
Sobretudo
depois do atentado perpetrado contra o Arcebispado, em 7 de
dezembro
de 2004 _ narrou o Arcebispo _ o Pontífice tornou-se um
ponto de
referência indispensável.
"Logo
após a explosão _ explicou ele _ somente a foto do Santo Padre
permaneceu
intacta; os fiéis da Arquidiocese leram este sinal como a
confirmação
da constante oração do Papa pelo Iraque."
Dom
Rahho, que se encontrou com João Paulo II em 2001, por ocasião do
Sínodo
caldeu, disse que aprendeu com o Papa, a importância da
abertura
aos jovens, "futuro da Igreja".
A partir
de 1993, o Arcebispo instituiu a "Semana dos Jovens", um
encontro
que se realiza duas vezes por ano, em Mossul, norte do
Iraque.
No último
dia 8, dia do funeral do Papa, Dom Paulos Faraj Rahho
celebrou
a santa missa no Mosteiro de São Jorge, de Mossul. Com ele,
concelebrou
o Arcebispo siro-católico de Mossul, Dom Basile Georges
Casmoussa.
Numerosos
fiéis participaram da celebração eucarística, assim como
dois
bispos ortodoxos, um bispo assírio e o pastor da igreja ortodoxa
armênia
de Mossul. (MZ)
21 - Os
fiéis egípcios em oração: que o novo Papa continue no caminho
do
diálogo inter-religioso
Cairo
(Agência Fides) - "Todos os fiéis cristãos rezam na expectativa
do novo
Papa", afirma à Fides Dom Youssef Sarraf, Bispo Caldeu do
Cairo.
Mas
também a atenção da comunidade civil permanece alta: o jornal "Al
Ahram"
publicou uma página sobre os cardeais e sobre as modalidades
da
eleição do Pontífice. Dom Sarraf disse à Fides: "Temos fé no
Espírito
Santo, que vai escolher um Papa semelhante aos discípulos de
Jesus.
Esperamos que o novo Papa continue na estrada do diálogo inter-
religioso
com o islã e com as outras religiões: é importante para nós
que
vivemos no mundo islâmico. Principalmente, esperamos que trabalhe
para a
comunhão entre a Igreja Católica e Ortodoxa, muito desejada
pelos
fiéis egípcios. Hoje, a celebração das festas de Natal e Páscoa
são
realizadas em datas diferentes, de acordo com o calendário
católico
ou ortodoxo. Nós, cristãos no mundo oriental, queremos
permanecer
unidos com a cruz e a ressurreição de Jesus Cristo.
Devemos
ser hoje testemunhas da Igreja dos primeiros discípulos".
(A.E.)
(Agência Fides 13/4/2005).
22 - JOÃO
PAULO II HOMENAGEADO EM TEERÃ COMO "UM HOMEM DE PAZ"
Teerã, 11
abr (Rádio Vaticano) - João Paulo II foi homenageado na
oração da
última sexta-feira, em Teerã, onde o ex-presidente, Akbar
Hashemi
Rafsanjani, um dos homens mais poderosos do Irã, o definiu
como
"um homem de paz".
O
Presidente do Parlamento, Gholamali Haddad Adel, por sua vez,
homenageou
o Papa, participando da santa missa na igreja católica
siro-caldéia
de São José, na capital, onde, falando com os
jornalistas,
Rafsanjani destacou "os esforços de João Paulo II, para
difundir
a paz e a justiça no mundo".
Participaram
da cerimônia, deputados das minorias cristã, judaica e
zoroastrista,
o corpo diplomático, sacerdotes e fiéis locais.
A missa
foi concelebrada por bispos dos três ritos católicos
presentes
no Irã: latino, siro-caldeu e armênio.
Os
católicos no Irã, cujas instituições religiosas atravessaram
momentos
difíceis no primeiro período após a revolução islâmica de
1979, são
mais de 10 mil. (CM)
23 -
JORDÂNIA: Oração e expectativa pelo novo Papa, confiante que
falará em
favor da paz e da justiça
Amã
(Agência Fides) - O Mons. Raymon Moussalli, sacerdote caldeu na
Jordânia,
disse à Fides que "os fiéis estão em oração, na expectativa
pelo novo
Papa, confiando que será um Bom Pastor, como o Mestre da
nossa
Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo, cheio de paz e amor". Os
católicos
na Jordânia esperam que o "novo Pontífice possa
principalmente
trazer a paz e a justiça entre os povos muçulmanos e
judeus
nesta região do mundo". O Mons. Moussalli continuou: "Nós
todos
confiamos que o novo Papa fará ouvir a sua voz em favor da paz
e da
justiça". O sacerdote recordou a situação de tensão e conflito
no
Oriente Médio e no Iraque, e em especial a situação dos refugiados
iraquianos
em Amã, que deixaram seu país e desejam uma vida
tranqüila.
(A.E.)
(Agência Fides 14/4/2005).
24 -
Índia: "Perdemos um grande Papa", afirma Bispo de Belthangady
Ais
Notícias 12-04-2005
Em
entrevista concedida à Ajuda à Igreja que Sofre, D. Lawrence
Mukkuzhy,
Bispo de Belthangady (no sudoeste da Índia) lamentou a
morte de
João Paulo II e recordou as visitas do Papa à Índia.
D.
Lawrence Mukkuzhy, Bispo siro-malabar da Diocese de Belthangady,
falou à
Ajuda à Igreja que Sofre da importância do legado de João
Paulo II
na Índia e sobre as relações inter-religiosas no estado de
Kerala.
Os
cristãos siro-malabares pertencem à tradição ritual oriental
caldeia e
são herdeiros da evangelização do apóstolo São Tomé. Esta
Igreja
recuperou a sua ligação à Santa Sé em 1930, com o Papa Pio XI.
Em todo o
mundo contam-se actualmente cerca de 3 milhões de cristãos
siro-malabares
que na Índia têm uma enorme vitalidade, gerando cerca
de 70%
das vocações para o sacerdócio.
P: Qual a
importância de João Paulo II para a Índia?
R: Os
indianos lembrá-lo-ão pelo amor e pelo interesse que dedicou à
Índia,
país onde esteve por duas vezes (1986 e 1999). Na última
visita eu
era já bispo, já tinha sido nomeado por ele. Foi um tempo
de grande
felicidade e rejuvenescimento para a Igreja na Índia. Nessa
altura,
alguns fanáticos hindus criaram alguns problemas por o Papa
ter dito
que Jesus era o Filho de Deus e o Salvador.
P: Quais
são os principais desafios para a sua diocese?
R: A
minha diocese abrange três distritos da província de Karnataka e
a maioria
da população é constituída por imigrantes do estado de
Kerala. A
maioria dos habitantes são hindus ou muçulmanos e os
cristãos
são apenas 25 mil. A crença no hinduísmo é muito forte nesta
região.
A
prioridade é reunir os cristãos siro-malabares e ajudar esta Igreja
a
crescer. Abrimos 20 novos centros missionários onde vêm famílias de
regiões
remotas e iniciámos com elas o nosso trabalho missionário. Os
problemas
com que estas pessoas se deparam vêm do facto de serem
imigrantes
e de terem de se adaptar a uma nova região, linguagem e
cultura.
Os sacerdotes têm assim de traduzir a liturgia e o
catequismo
para outras línguas e dialectos (existem 6 línguas
diferentes
em Kerala). Construímos algumas escolas e estamos a
desenvolver
programas sociais que aproximam a comunidade à Igreja.
P: Em que
situação se encontra o diálogo inter religioso?
R: Nesta
diocese esse diálogo é positivo e cordial. Para os indianos
a
mensagem de Madre Teresa foi uma grande bênção e a Igreja é
estimada
por muita gente por causa dela.
Inaugurámos
recentemente uma igreja dedicada à Madre Teresa e, só por
causa
desse facto, vieram muitos hindus à sua inauguração que
procuravam
instituições que dessem continuidade ao trabalho
desenvolvido
por Madre Teresa.
Por outro
lado, as pessoas olham, por exemplo, o bispo como mediador
na
resolução de conflitos entre hindus e muçulmanos e eu sou muitas
vezes
chamado a intervir porque conheço a realidade em que vivem e
porque
sei falar as seis línguas que se usam nesta região. Mas as
relações
são habitualmente cordiais.
P: E
quanto às relações entre o Estado e a Igreja?
A relação
é muito boa. O novo Governo é sensível à fé católica e,
portanto,
não existe qualquer problema.
P: Que
mensagem gostaria de transmitir aos benfeitores da Ajuda à
Igreja
que Sofre?
R: Em
primeiro lugar, gostaria de agradecer à vossa instituição
porque,
desde que cá vim pela primeira vez no ano 2000, a Ajuda à
Igreja
que Sofre tem-me auxiliado a construir esta nova diocese. Tive
muitas
ansiedades e dificuldades no início, mas recebi a vossa ajuda
em vários
projectos: na aquisição de bicicletas para o trabalho
pastoral,
na tradução da Bíblia para as línguas locais, na construção
do novo
centro missionário, na formação
25 - LUTO
NACIONAL ARMÊNIO
http://www.yevrobatsi.org
24 de
abril é dia de Luto Nacional Armênio em todo o mundo. Desde
antes, e
sobretudo a partir de 24 de abril de 1915, os armênios
radicados
no Império Otomano foram vítimas de sofrimento supremo, de
violação
absoluta de seus direitos, de crime total.
Durante
90 anos a Turquia vem perpetuando esse genocídio, negando-se
a
reconhecê-lo.
O mundo
civilizado jamais aceitará que um Estado apague a memória de
seus
crimes, sob pena de vê-los repetirem-se.
"A
questão armênia... é uma questão que concerne a toda a humanidade"
(Armin T.
Wegner, enfermeiro e fotógrafo alemão, testemunha do
Genocídio
de 1915).
Se
possível, traduzam ou adaptem este texto em alguma outra língua e
enviem-no
a seus amigos, para que estes, por sua vez, o enviem a
outros...
-------------------------------------------------------------------
O
organizador deste clipping não pode se responsabilizar pela
veracidade
e correção das notícias divulgadas e a inclusão das mesmas
no
clipping não significa um juízo de valor positivo sobre as
notícias.
Este
clipping está em conformidade com o disposto no Art. 46, I, 'a'
da Lei n.
9.610/98.
A
assinatura deste clipping é gratuita e pode ser feita através do
envio de
e-mail para: [email protected]
ou
[email protected]
Para
cancelar assinatura:
[email protected]
A
assinatura e o cancelamento da Assinatura deste Boletim também pode
ser feita
no endereço:
http://br.groups.yahoo.com/group/igrejasorientaisnoticias/
Para
comentários e sugestões basta enviar e-mail para:
[email protected]