BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 36 - 11 de abril de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

A partir do próximo dia 21 de abril estarei de férias por 15 dias e
não terei condições de preparar o Boletim neste período.

Quando regressar de férias, selecionarei as notícias do período em
questão e encaminharei as mesmas normalmente para todos os assinantes
do Boletim.

Entretanto, as notícias de uma fonte de informações específica,
a "Voz da Rússia", não ficam arquivadas, impossibilitando que eu faça
uma pesquisa posteriormente. Caso alguém se interesse em selecioná-
las e enviá-las para mim posteriormente, poderei incluí-las nos
Boletins quando eu retornar das férias.

Caso alguém, na ausência momentânea do Boletim, queira procurar as
notícias diretamente na Internet, posso repassar, sem qualquer
problema, os endereços das principais fontes de informações que eu
utilizo, basta me enviar um e-mail.

Que Deus nos abençoe.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
[email protected]


ÍNDICE

1 - O QUE ESPERA A RÚSSIA DO SUCESSOR DE JOÃO PAULO II?

2 - A Rússia submeteu 12 monumentos culturais para serem incluídos no
rol de herança mundial da UNESCO

3 - Igreja Ortodoxa Russa celebra a festa da Anunciação da Santíssima
Mãe de Deus

4 - DISCUSSÕES EM TORNO DE JOÃO PAULO II

5 - Sonho de reconciliação não realizado

6 - Ortodoxos se solidarizam

7 - UM FUNERAL CAPAZ DE REUNIR DESAFETOS

8 - CHRISTOPH SCHOENBORN: O ARCEBISPO DE VIENA

9 - Delegações das Igrejas cristãs no Vaticano

10 - UM MILHÃO DE FIÉIS JÁ VIRAM O CORPO DO PAPA

11 - DELEGAÇÃO ARMÊNIA COMPARECERÁ AO FUNERAL DO PAPA

12 - Caminho ao sepulcro

13 - Missa de exéquias em Terra Santa por João Paulo II

14 - Patriarca e cardeal do Líbano: Diálogo entre Islã e Ocidente é
possível

15 - ÁSIA/LÍBANO: "A exortação apostólica "Une Espérance nouvelle
pour le Liban" do Santo Padre fique sempre entre as nossas mão como
um tesouro" afirma o Presidente libanês Lahoud

16 - ÁSIA/IRAQUE: Para a Fides o Bispo Siriaco de Mosul, sequestrado
e sucessivamente libertado graças à intervenção de João Paulo
II: "Senti-me amado como um filho"

17 - Igreja Católica faz jus ao nome no enterro do papa


NOTÍCIAS


1 - O QUE ESPERA A RÚSSIA DO SUCESSOR DE JOÃO PAULO II?

RIA "Novosti" 0/04/2005

Piotr Romanov, observador político da RIA "Novosti" A julgar pelas
publicações, o tema da morte de João Paulo II é ilimitado, só mudando
os matizes. Por exemplo, quanto mais se aproxima a hora dos funerais
do Papa tanto maior se torna o número dos palpites acerca do seu
sucessor e do novo pontificado. Na opinião de muitos sacerdotes, os
jornalistas antecipam-se com impaciência mas é preciso procurar
compreendê-los. Ao fim e ao cabo, se até Alexi II, Patriarca de
Moscovo e de toda a Rússia, primaz da Igreja Ortodoxa Russa (IOR),
qualificou o pontificado de João Paulo II como "toda uma época na
história moderna que exerceu grande influência sobre o decurso dos
acontecimentos mundiais", é claro até que ponto é importante a
questão do sucessor de Karol Wojtyla e à sua nova orientação.
Portanto, o que deseja a Rússia do futuro Sumo Pontífice? A questão
está longe de ser fácil, pelo menos porque a sociedade russa é
bastante heterogénea e inclui diversas correntes, às vezes
radicalmente opostas. Por um lado, existe a IOR que, dizendo sinceras
palavras de condolência ao Vaticano, só tem, no fundo, um único
sonho: que a Igreja irmã, a Igreja Católica, deixe em paz o rebanho
ortodoxo, ao menos por duas décadas, ou seja, até que a própria
Igreja Ortodoxa restabeleça as suas forças minadas pelo regime
soviético e possa fazer concorrência de igual para igual à Igreja
Católica pelas almas dos crentes. Podemos supor que qualquer
sucessor de João Paulo II, conhecido pela sua luta persistente pelo
ecumenismo e cuja influência pessoal ultrapassava a influência da
própria Igreja Católica, satisfará a direcção da IOR simplesmente
porque será mais fraco do que o anterior Papa. Por fim, será possível
começar de novo a discutir com ele as numerosas questões litigiosas
e, de facto, deixar passar o tempo. Por outro lado, na Rússia há
grande número de ateus, para quem o crescente papel da IOR na Rússia
inquieta e irrita. Por mais paradoxal que pareça, muitos deles
consideram o Vaticano quase como seu partidário, ao menos porque, na
sua opinião, a Igreja Católica é mais tolerante do que a Ortodoxa,
mais adequada às realidades e - o que é o principal - está longe
deles. Sob o ponto de vista de muitos ateus, a luta aberta e velada
entre o Vaticano e a IOR só fortalece as próprias posições do
ateísmo, o que é, naturalmente, uma verdade. Quanto mais tempo as
duas "irmãs" discutirem menos tempo e forças terão para a nova
evangelização, de cuja necessidade falou sempre João Paulo II.
Existe também um terceiro grupo de pessoas praticamente esquecido
que, aliás, espera com a mesma atenção as novidades do Vaticano: são
os chamados "católicos russos". É de notar que não se deve confundi-
los com o rebanho católico comum da Rússia. É um pequeno grupo que
crê firmemente nos seus ideais: há já muito que estas pessoas aspiram
à unificação entre as suas igrejas. Já desde os tempos do filósofo
russo Vladimir Soloviov que os seus adeptos vivem numa "terra de
ninguém" ou, dizendo abertamente, num campo minado entre as duas
Igrejas. Por um lado, eles defendem o direito de rezar segundo o rito
ortodoxo e na língua russa e, por outro, estar sob a subordinação do
Pontífice Romano como chefe da Igreja Cristã. Os "católicos russos"
depositam em cada novo Papa esperanças de que a sua situação melhore
de algum modo e que no campo neutro onde eles vivem com grande
dificuldade apareça, por fim, uma pequena mas própria ilha com um
solo firme e seguro. Por enquanto, tanto a IOR como o Vaticano lhes
estragam igualmente a vida. Não foi por acaso que no início do século
passado os desesperados "católicos russos" empreenderam uma tentativa
de registar a sua corrente, pelo menos, como crentes ortodoxos de
rito antigo. Enfim, existe mais uma importante parte interessada.
São os intelectuais russos orientados, em geral, para a eliminação de
todas as fronteiras, inclusive as religiosas, para a plena liberdade
de consciência e para a aproximação à cultura ocidental, cuja parte
inalienável é a Igreja Católica. Eles consideram que o novo Sumo
Pontífice deve dispor, pelo menos, de uma parte das qualidades que
eram inerentes ao seu antecessor, ou seja, ser tolerante e aberto a
todo o mundo, inclusive à Rússia. A Rússia faz parte do mundo
democrático e, por fim, do mundo cristão. Vivendo no século XXI, tudo
que acontece em Roma diz directamente respeito também a Moscovo.


2 - A Rússia submeteu 12 monumentos culturais para serem incluídos no
rol de herança mundial da UNESCO

Voz da Russia 07/04/05

A Rússia submeteu 12 monumentos culturais para serem incluídos no rol
de herança mundial da UNESCO. São um complexo de monumentos cristãos
ortodoxos dos séculos XVI a XIX levantados na ilha de Sviajsk do
Volga, a festa folclórica tártara "Sabantui", o adro da Igreja de
Kiji e monumentos arquitetônicos medievais na ilha de Solovski, entre
outros. Só em 1988 é que a Rússia aderiu à "Convenção de Herança
Mundial". Nesse entrementes, porém, o referido rol ficou acrescido de
13 obras-primas culturais e 8 monumentos naturais da Rússia. Tais
são, por exemplo, o Kremlin, o centro histórico de São Petersburgo, o
complexo de Vladimir e Suzdal, o lago Baikal e os vulcões da
península de Kamtchatka.


3 - Igreja Ortodoxa Russa celebra a festa da Anunciação da Santíssima
Mãe de Deus

Voz da Russia 07/04/05

No dia 7 de abril, a Igreja Cristã Ortodoxa da Rússia celebra a festa
da Anunciação da Santíssima Mãe de Deus. Depois da Divina Liturgia na
Catedral da Boa Nova do Kremlin, o patriarca Aleksi II, primaz de
Moscou e de toda a Rússia, soltará ao céu um bando de pombos sobre a
Praça da Catedral, conforme manda uma antiga tradição russa. Esse
serviço divino na Catedral da Anunciação é celebrado somente uma vez
ao ano: no Dia da Anunciação. Essa festa eclesiástica foi instituída
em recordação da Boa Nova trazida pelo arcanjo Gabriel à Virgem Maria
sobre o próximo nascimento de Jesus Cristo, Filho de Deus e Redentor
do Mundo.


4 - DISCUSSÕES EM TORNO DE JOÃO PAULO II

RIA "Novosti" 04/08/2005

Petr Romanov, observador político da RIA "Novosti" Ainda não
terminaram as cerimónias fúnebres do Papa João Paulo II, continuando
milhões de peregrinos a afluir ao Vaticano para dizer o último adeus
ao ex-Sumo Pontífice da Igreja Católica, e já o seu nome é alvo de
críticas. O jornal inglês Guardian publicou o artigo "O Papa tem as
mãos manchadas de sangue" assinado por um tal Terry Eaglton. No final
do artigo, o autor conclui: "Ele (Karol Wojtyla) foi um dos maiores
desastres para a Igreja cristã depois de Charles Darwin". Levei tempo
para encontrar no texto alguma coisa que me pudesse explicar o porquê
do "sangue" e, finalmente, encontrei: a Igreja Católica proíbe o uso
de preservativos e, por isso, o Papa favoreceu a propagação da SIDA
no planeta - afirma Terry Eaglton, acusando ainda o Papa de
intolerância para com as correntes esquerdistas no catolicismo. Não
sendo católico, devo, entretanto, observar que o Papa falecido não
foi transmissor da SIDA, ele seguia apenas as palavras do
Criador: "crescei e multiplicai-vos". Cada um de nós tem a sua missão
na Terra: o Papa devia e trazia às pessoas os mandamentos de Deus, e
o senhor Eaglton pode dedicar-se à distribuição de preservativos ou a
apregoar a fidelidade conjugal, o que também ajuda a evitar a SIDA,
como dizem os médicos. Também não corresponde à verdade a tese de
que Karol Wojtyla foi intolerante. A "Teologia da Libertação",
corrente esquerdista na Igreja Católica, causou, em tempos, muitas
discussões. Mas nenhum dos adeptos desta corrente foi excomungado nem
anatematizado. Mais do que isso, testemunho que, numa das suas
viagens ao Peru, o Papa João Paulo II visitou pessoalmente a chamada
comuna "Villa El Salvador", uma das mais conhecidas aplicações
práticas da "Teologia da Libertação", e abençoou os fundadores e
habitantes da comuna que, inspirados pelo Evangelho e não pela obra
de Marx, haviam conseguido vencer a pobreza. Na verdade, deve tratar-
se de uma outra coisa: em que medida a Igreja Católica, a par das
outras, é adequada às realidades actuais. Para quem defende os
casamentos homossexuais, Karol Wojtyla era conservador, embora o
seu "conservadorismo" fosse nada mais nada menos que o desejo de
observar os cânones cristãos. Neste contexto, considero mais exacta
uma outra tese: a eleição de um polaco como Sumo Pontífice após uma
série de Papas italianos foi por si só o primeiro sinal da reforma da
Igreja. Os apelos de João Paulo II ao ecumenismo e ao combate ao
comunismo e à pobreza, a sua tolerância para com as correntes opostas
dentro do catolicismo, até a sua conhecida paixão de viajar são uma
prova de que João Paulo II tinha uma atitude mais moderna em relação
aos novos desafios do que os seus antecessores. O Papa conseguiu
muita coisa. Em primeiro lugar, conseguiu reforçar a Igreja Católica
graças, em parte, ao seu prestígio pessoal e, em parte, ao "Opus
Dei", a chamada "diocese sem fronteiras", que, por iniciativa do
Papa, não só cimentou organicamente o catolicismo como também deu à
Igreja uma série de ideias novas. Também conseguiu o que queria na
sua terra natal, na Polónia, tendo contribuído para a criação
do "Solidariedade" e o derrube do regime comunista. O que não
conseguiu, entretanto, foi aproximar a Igreja Católica da Igreja
Ortodoxa Russa. Ao longo de séculos, a Igreja Ortodoxa Russa acusou,
com razão, a Igreja Católica de proselitismo na Rússia. Como prova,
gostaria de citar a frase do Grão-Mestre da Ordem da Assunção,
francesa, d´Alzon, proferida em Setembro de 1873: "Meus irmãos, não
desejais submeter a Rússia e fazer assim uma abundante colheita para
o celeiro do nosso Pai?... Com a ajuda de Deus, a colheita será bem
sucedida". Naquela altura, Deus não ouviu a Igreja Católica, mas as
tentativas neste sentido prosseguiram. No entanto, o mundo mudou.
Numa altura em que caiu a "cortina de ferro", em que mudam as
fronteiras entre os países, surge a Internet e o intercâmbio intenso
de ideias, o desejo da Igreja Ortodoxa Russa de restabelecer
as "fronteiras canónicas" anteriores com a Igreja Católica parece
anacrónico. Na Rússia democrática, tal como em qualquer outro país
democrático, cada cidadão decide por si próprio se quer frequentar ou
não a igreja e que igreja frequentar. Aqui todas e quaisquer
fronteiras são inoportunas, e o desejo da Igreja Ortodoxa Russa de
mantê-las a todo o custo evidencia a sua fraqueza. A Igreja Ortodoxa
Russa ainda não recuperou dos prejuízos causados pelo regime
soviético e ainda não está preparada para competir, em condições de
igualdade, com o Vaticano pelas almas das pessoas. O Vaticano, por
seu turno, parece pronto a aproveitar a fraqueza do seu concorrente.
Como resultado, a maior conquista ecuménica das duas "Igrejas irmãs"
nos últimos anos foi apenas o recente entendimento de editar
conjuntamente cem obras de teólogos dos finais do século XIX,
princípios do XX. Tudo bem, só que é preciso ir mais longe.
Infelizmente, sem Karol Wojtyla, as duas Igrejas irmãs terão ainda
mais dificuldades para avançar rumo à aproximação. O Vaticano
carecerá da paciência de João Paulo II e do seu conhecimento da alma
eslava, e a Igreja Ortodoxa Russa, do desejo. A sua convalescença,
como reconhecem até muitos sacerdotes ortodoxos, ainda está longe.


5 - Sonho de reconciliação não realizado

O GLOBO 02/04/2005

Durante seu Pontificado, João Paulo II estendeu a mão a judeus,
muçulmanos e cristãos de outras igrejas. Mas fracassou em suas
tentativas de reconciliação com a Igreja Ortodoxa Russa. Por objeções
de Moscou, não realizou o sonho de visitar a Rússia e reatar laços
rompidos em 1054, devido a uma disputa sobre a autoridade papal. A
Igreja Ortodoxa Russa acusa a Igreja Católica de invadir seu
tradicional território ao enviar padres para converter fiéis. O
patriarca Alexei II, líder dos ortodoxos russos, recusou-se a receber
o Pontífice, apesar de recentes tentativas de aproximar os dois lados
e reduzir a tensão entre eles. Mas em fevereiro, quando João Paulo II
foi hospitalizado, Alexei II enviou a ele uma carta dizendo que orava
fraternalmente por sua recuperação. As duas igrejas já formaram um
grupo de trabalho para discutir suas diferenças, porém os ortodoxos
russos se recusam a receber o líder dos católicos enquanto o Vaticano
não renunciar a seus esforços de expandir em seus domínios, na Europa
Oriental e na Ásia.


6 - Ortodoxos se solidarizam

Jornal do Brasil 02/04/2005

MOSCOU - Milhares de católicos acudiram ontem à Catedral da Virgem da
Imaculada Conceição de Moscou para rezar pela saúde de João Paulo II.
- Como cristãos, nos reunimos aqui, na ''Terceira Roma'', para rezar
por sua saúde - declarou o arcebispo de Moscou, Tadeusz
Kondrusiewicz.
A Igreja Ortodoxa Russa e a Federação das Comunidades Judias da
Rússia expressaram sua solidariedade à Igreja Católica, assim como a
Federação das Comunidades Judias.
Boruh Gorin, porta-voz da federação, demonstrou o respeito e a
compaixão que os judeus sentem pelo papa:
- Na história não houve melhores relações entre as comunidades
católicas e judias que durante este pontificado.
A imprensa do país lembrou ontem que o João Paulo II peregrinou pelos
cinco continentes, mas não pôde ir à Rússia nem à China, a primeira
pela oposição do patriarcado ortodoxo de Moscou e a outra pela recusa
das autoridades comunistas.


7 - UM FUNERAL CAPAZ DE REUNIR DESAFETOS

O GLOBO 07/04/2005

Governantes rivais e vários líderes religiosos estarão sob o teto da
Basílica de São Pedro

CIDADE DO VATICANO. Poucos eventos no mundo seriam capazes de reunir
tantos governantes inimigos, bem como líderes de religiões que têm
séculos de rivalidade, como o funeral do Papa João Paulo II, o que
reflete seu esforço para reconciliar e aproximar povos e crenças ao
longo de 26 anos de pontificado. Na Basílica de São Pedro estarão
amanhã monarcas católicos e muçulmanos, ou desafetos como os
presidentes George W. Bush, dos EUA, e Mohammad Khatami, do Irã. Os
dois deverão se sentar perto um do outro. O funeral de três horas
que terá início às 10h (5h em Brasília) já é considerado o maior da
História, com a presença de quatro reis, cinco rainhas e pelo menos
70 presidentes e primeiros-ministros, além de 14 líderes de outras
religiões. No local estarão o premier palestino, Ahmed Qorei, e o
presidente de Israel, Moshe Katsav. Ou ainda o presidente sírio,
Bashar al-Assad, outro desafeto de Bush. Mobilizados com a
preparação da Páscoa judaica, nenhum dos rabinos-chefes de Israel
estará presente. Mas eles enviarão o diretor-geral de seu escritório
comum. Já o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexei II - que nunca
aceitou se encontrar com João Paulo II - disse que poria de lado
quase mil anos de separação entre cristãos do Ocidente e do Oriente
(no Grande Cisma de 1054) e enviaria uma delegação. E pela primeira
vez um líder da Igreja Anglicana irá ao funeral de um Pontífice: na
Inglaterra, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, confirmou
presença. A comitiva do presidente Lula será ecumênica. Ele convidou
representantes das religiões católica, judaica, protestante, islâmica
e até a ialorixá (mãe de santo) baiana Areonilthes da Conceição
Chagas, conhecida como "Mãe Nitinha", da Casa Branca Engenho Velho.
Segundo assessores, o presidente Lula considerou importante convidar
representantes de diferentes religiões.


8 - CHRISTOPH SCHOENBORN: O ARCEBISPO DE VIENA

O GLOBO 07/04/2005

CHRISTOPH SCHOENBORN: O arcebispo de Viena nasceu em 1945 em Skalsko,
atualmente na República Tcheca. Estudou teologia, filosofia,
psicologia e cristianismo eslavo e bizantino. Ordenado em 1970,
licenciou-se e doutorou-se em teologia. Em 1991 foi nomeado bispo de
Sutri e bispo auxiliar de Viena, tornando-se arcebispo em 1995 no
rastro de um escândalo de abuso sexual envolvendo seu antecessor, que
ele criticou, gerando desconforto entre muitos prelados. Cardeal
desde 1998, é um ativo defensor da reaproximação com a Igreja
Ortodoxa. Tem contra si o fato de ser novo demais, o que poderia
significar um papado tão longo quanto o de João Paulo II.


9 - Delegações das Igrejas cristãs no Vaticano

Agência Ecclesia 07/04/2005

Várias delegações de Igrejas cristãs Ortodoxas e Protestantes estão
já no Vaticano para o funeral do Papa.
As Igrejas Ortodoxas contam com 16 delegações: Patriarcado ecuménico
de Constantinopla, Greco-Ortodoxo de Alexandria e de toda a África,
Greco-Ortodoxo de Jerusalém, de Moscovo, Ucrânia, Geórgia, Sérvia,
Roménia, Finlândia, Bulgária, República Checa e Eslováquia, Chipre,
Grécia, Polónia, Albânia, EUA.
As Igrejas Anglicana, Luterana, Vetero-Católica, Reformadas,
Baptistas, Menonitas e dos Discípulos de Cristo estão presentes com
uma representação do mais alto nível, através do Conselho Ecuménico
das Igrejas, presidida pelo secretário-geral, Samuel Kobia, e da
Conferência das Igrejas Europeias.


10 - UM MILHÃO DE FIÉIS JÁ VIRAM O CORPO DO PAPA

O GLOBO 06/04/05

Nas intermináveis filas, pessoas com roupas exóticas chamavam
atenção. Era o caso de um indiano de batina preta, que parecia um
cardeal, mas exibia na cabeça um turbante. Cyril Mar Baselios, chefe
da Igreja Católica Autônoma Malankara, veio a Roma com um pequeno
séquito. Contou que João Paulo II foi duas vezes à Índia, onde os
católicos representam apenas 5% da população, e que é lembrado com
carinho em seu país, especialmente em Calcutá, terra de Madre Teresa.


11 - DELEGAÇÃO ARMÊNIA COMPARECERÁ AO FUNERAL DO PAPA

www.armenia.com.br 06/04/2005

Yerevan (Armenpress) - Uma delegação armênia, encabeçada pelo
Primeiro-ministro Andranik Margarian partirá para o Vaticano em
07/04, para comparecer ao funeral do Papa João Paulo II. Farão parte
da delegação o Embaixador da Armênia na Itália, Ruben Chugaian, o
Embaixador da Armênia para França e o Vaticano, Eduard Nalbandian, o
vice-Ministro das Relações Exteriores Armen Baibudarian, assim como o
Patriarca Supremo e Catholicós de Todos os Armênios, Karekin II, que
estará acompanhado pelo Patriarca de Constantinopla, Arcebispo Mesrob
Mutafian, o Primaz da Diocese da Igreja Apostólica Armênia, região
Leste dos Estados Unidos, Arcebispo Khajag Barsamian e o Reverendo
Padre Gueghard Vahuni.


12 - Caminho ao sepulcro

VATICANO, 08 Abr. 05 (ACI) Ao final da Eucaristia, o Cardeal Camillo
Ruini, Vigário de Roma, primeiro, e logo "os patriarcas e arcebispos
maiores e metropolitanos das Igrejas metropolitanas "sui iuris"
católicas orientais, foram ao ataúde e, dianteo altar, rezaram a
súplica das Igrejas Orientais do Ofício de Defuntos da liturgia
bizantina. Todos os presentes rezaram em silêncio e posteriormente o
Cardeal Ratzinger asperjou o ataúde com água benta enquanto o coro
cantava um responso".
"No momento do traslado do féretro à basílica vaticana, os fiéis
cantaram o Magnificat. As pessoas que tinham presenciado antes do
funeral a deposição do corpo do defunto Pontífice no féretro,
acompanharam-no até as grutas vaticanas através da porta chamada da
Santa Marta. O Camarlengo, cardeal Eduardo Martínez Somalo, presidiu
o rito da sepultura".
"O ataúde de cipreste com os restos mortais do João Paulo II se atou
com laços vermelhos, sobre os que se imprimiram os selos da Câmara
Apostólica, da Prefeitura da Casa Pontifícia, do Escritório para as
Celebrações Litúrgicas do Supremo Pontífice e do Capítulo Vaticano. O
féretro de cipreste se introduziu em outro de zinco e se soldou e
fechou e sobre ele se imprimiram os selos dos escritórios
mencionados. Na tampa figuravam a cruz e o brasão do defunto
Pontífice".
"O notário do Capítulo da basílica vaticana redigiu a ata da
sepultura e a leu diante dos presentes".


13 - Missa de exéquias em Terra Santa por João Paulo II

JERUSALÉM, 07 Abr. 05 (ACI ).- Centenas de pessoas assistiram à missa
de exéquias do Papa João Paulo II , celebrada o dia de ontem na
Basílica do Santo Sepulcro pelo Arcebispo Michel Sabah, Patriarca
Latino de Jerusalém e Dom Pierbattista Pizzaballa, Custódio de Terra
Santa.
Em sua homilia Dom Pizzaballa ressaltou que "particularmente no
Oriente Médio, o Papa João Paulo II foi uma voz livre, a voz da
autoridade e o apoio vigoroso aos fracos, aos últimos, aos pobres e
aos que são desprezados".
Ao recordar sua visita a Terra Santa no ano 2000, o Custódio
franciscano anotou que "os gestos que o Papa realizou durante aquela
peregrinação histórica no ano 2000, constituem um marco na viagem
espiritual da Igreja para estreitar os laços com o judaísmo e o
Islã", e adicionou que também lembrarão ao Santo Padre por seu
esforço para gerar o diálogo ecumênico e interreligioso.
Entre os assistentes à missa estiveram o Cônsul Geral da Espanha em
Jerusalém, José María Ferré, e o embaixador da União Européia no
Israel, o também espanhol, Ramiro Cibrián-Uzal.
Assistiram também numerosos membros da Igreja Ortodoxa, assim como o
representante para o culto cristão do Ministério do Interior do
Israel.
De outro lado e em que pese a que foram convidados, não assistiram o
Patriarca da Igreja Grego-Ortodoxa, Irineos I; o representante mais
importante do Islã em Jerusalém, o mufti Akram Sabri; o grande rabino
asquenazi do Israel, Yona Metzeger; nem o sefardí, Shlomo Amar.
Durante a celebração, destacou-se um episódio ocorrido durante a
peregrinação do Karol Wojtyla a Terra Santa quando, logo depois de
visitar a Basílica do Santo Sepulcro, pediu voltar para rezar sozinho
aonde está a rocha que marca o Monte Calvário.
A comunidade cristã em Terra Santa despediu com esta Eucaristia ao
Pontífice, adiantando-se -segundo a tradição- dois dias a Roma.


14 - Patriarca e cardeal do Líbano: Diálogo entre Islã e Ocidente é
possível
Segundo a dramática experiência de seu país

ROMA, sexta-feira, 8 de abril de 2005 (ZENIT.org ).- O maior problema
de hoje é o terrorismo, mas se pode derrotá-lo demonstrando que é
possível a convivência muçulmana e cristã, considera o patriarca
maronita Sua Beatitude Nasrallah Pierre Sfeir.

Líder da comunidade cristã mais numerosa do Líbano, o cardeal que
participará na eleição do novo Papa considera que seu país pode ser
um exemplo de convivência entre as diferentes comunidades.

Nesta entrevista concedida a Zenit, reconhece que neste sentido há
sinais de esperança, em particular após o atentado do antigo primeiro-
ministro Rafik al-Hariri.

«Inclusive os drusos e os sunitas apoiaram o que a Igreja maronita
pede desde sempre, ou seja, a retirada da ocupação Síria e o direito
à independência, à soberania e à liberdade», constata com satisfação.

--Então é otimista ante o futuro do Líbano?

--Sua Beatitude Sfeir: Claro, a Providência atua. Todos acreditavam
que os cristãos e os muçulmanos não podiam falar o mesmo idioma, e,
contudo, viu-se que não só falamos o mesmo idioma, mas também podemos
viver em concórdia.

--Que João Paulo II fez pelo Líbano?

--Sua Beatitude: Em 1978, foi eleito Papa e o Líbano estava em plena
guerra. Escreveu imediatamente uma carta a todos os episcopados do
mundo para que tivessem em conta a situação do Líbano e seguiu
prestando atenção por nosso pequeno país, intervindo cada vez que
piorava a situação.

Tinha o coração no Líbano. Karol Wojtyla dizia que o Líbano era como
a Polônia, apertada entre dois poderes. Polônia entre Alemanha e
Rússia [na Segunda Guerra Mundial, ndr]; o Líbano entre Israel e
Síria.

Sempre tivemos a certeza de que o Santo Padre conhecia a situação do
Líbano melhor que os próprios libaneses.

Sua obra foi providencial. Com sua morte perdemos um defensor da
causa do Líbano.

--Qual é a situação da comunidade cristã?

--Sua Beatitude Sfeir: Há 18 comunidades católicas no Líbano. A
Igreja maronita é a maior, mas muitos deixaram o país, foram-se aos
Estados Unidos, Canadá, Austrália, México e a outras nações. A
emigração começou durante a guerra e continua ainda hoje.

Foram-se ao menos por dois motivos. Em primeiro lugar, porque falta
trabalho e eram pessoas com estudos; em segundo lugar, porque o clima
político era deprimente e opressivo.

A presença dos cristãos no Líbano é muito importante, pois nos
encontramos no Oriente Médio, perto de Jerusalém, um lugar no qual os
cristãos podem encontrar a possibilidade de praticar sua fé
livremente.

--Quais são os maiores problemas que a Igreja e o mundo terão de
enfrentar?

--Sua Beatitude Sfeir: No século passado, as maiores ameaças foram o
regime nazista e o comunismo. Hoje, o problema maior que se deve
enfrentar é o terrorismo islâmico.

O terrorismo islâmico alimenta-se de injustiça e pobreza. Para
combater o terrorismo, há que superar as injustiças e acabar com a
pobreza.

--Que a Igreja Católica pode fazer?

--Sua Beatitude Sfeir: A Igreja já está fazendo muito. Sobretudo tem
de convencer os demais países e instituições internacionais para que
empreendam a senda de justiça e paz, reforçando e difundindo os
valores cristãos.

É muito importante a defesa da família, ameaçada por ideologias que
favorecem sua divisão e a homossexualidade.

--Roma está cheia de fiéis que vieram a oferecer sua última saudação
a João Paulo II. O que o senhor sente?

--Sua Beatitude Sfeir: Não se havia visto uma manifestação de carinho
assim, com tantos jovens que vieram de tantos países do mundo à
Basílica de São Pedro. Horas de fila para render homenagem ao Papa.
Isto significa que o povo escutou com atenção o ensinamento e as
palavras do pontífice, e teve um grande apreço por sua denúncia das
violências e as injustiças.

--Que se pode fazer para ajudar o Líbano?

--Sua Beatitude Sfeir. O Santo Padre fez muito pelo Líbano e temos de
seguir em sua mesma linha, ou seja, trabalhar para que o país volte a
ser como era antes da guerra.

Como disse em várias ocasiões João Paulo II, o Líbano mais que um
país é uma mensagem de liberdade e uma mensagem de convivência, tanto
para o Ocidente como para o Oridente.

Neste contexto, a Europa e o mundo podem fazer muito para que o
Líbano volte a ser um exemplo de convivência entre cristãos e
muçulmanos. Necessitamos de aprender a conviver entre cristãos e
muçulmanos. Precisamos aprender a conviver entre diversas culturas e
povos.


15 - ÁSIA/LÍBANO: "A exortação apostólica "Une Espérance nouvelle
pour le Liban" do Santo Padre fique sempre entre as nossas mão como
um tesouro" afirma o Presidente libanês Lahoud

Beirut (Agência Fides)- O Líbano estava representado ao funeral de
João Paulo II pelo Presidente Emile Lahoud, pelo premier Omar Karame
e pelo Presidente do Parlamento Nabih Berri
O Presidente Lahoud afirmou que a "Exortação apostólica "Une
Espérance nouvelle pour le Liban" do Santo Padre fique sempre entre
as nossas mãos como um tesouro preciosos. As gerações futuras lembrem
o amor do Santo Papa João Paulo II, por todos nós, principalmente
pelos jovens, e por todo o nosso país".(A.E.) (Agência Fides 8/4/2005)


16 - ÁSIA/IRAQUE: Para a Fides o Bispo Siriaco de Mosul, sequestrado
e sucessivamente libertado graças à intervenção de João Paulo
II: "Senti-me amado como um filho"

Baghdad (Agência Fides) - Mons. Basile Georges Casmoussa Bispo de
Mosul que no passado mês de fevereiro foi libertado após um dia de
sequestro, graças à imediata intervenção Santo Padre João Paulo II,
conta com comoção que "todas a igrejas em Mosul, mas também nos
campos e nas pequenas aldeias perto de Mosul reza-se pelos Santo
Padre. Estas comunidades são constituídas por gente simples mas
animada por uma fé fervente, cheia de amor pelo Sumo Pontífice.
Mons. Basile conta que visitou uma escola onde crianças de 5 a 7 anos
estavam a rezar frente a uma foto de João Paulo II. Frente a esses
espectáculo - continua o Bispo de i Mosul - "eu nãão pude segurar as
lágrimas, mesmo porque naquela hora pensei a como o Papa empenhou-se
imediatamente para a minha libertação, lançando um apelo aos meus
sequestrados para que me libertassem imediatamente. Monsenhor Basile
lembra com comoção a intervenção de Sua: "Me senti amado como um
filho" repete o Eclesiástico. (A.E.) (Agência Fides 7/4/2005)


17 - Igreja Católica faz jus ao nome no enterro do papa

Tom Heneghan

Reuters 08/04/2005

O catolicismo romano nunca pareceu tão universal - o significado
original de "católico" - quanto nesta sexta-feira, quando fez as
últimas homenagens ao papa João Paulo II, um dos maiores nomes dos 2
mil anos de história da Igreja.
A cerimônia fúnebre na Basílica de São Pedro foi puramente romana,
cantada no antigo latim da cidade em rituais que evoluíram ali ao
longo de séculos de celebrações religiosas.
Mais que nunca, porém, a mensagem do papa realmente foi "urbi et
orbi" (à cidade e ao mundo), seja pela presença de todos os países e
crenças representadas no funeral, seja pelas centenas de milhões de
pessoas que assistiram ao enterro pela televisão em todo o planeta.
"Pela primeira vez na história, João Paulo II foi realmente um pai
universal para todo o mundo", disse o cardeal de Bruxelas, Godfried
Danneels, sobre o papado "globalizado" do pontífice.
O polonês Karol Wojtyla deu uma nova definição ao ministério de São
Pedro, que foi o primeiro dos 264 papas da Igreja, voltando-o "não
apenas à Igreja Apostólica Romana, mas ao mundo", como disse o
cardeal de Londres, Cormac Murphy-O'Connor.
A globalização se refletia na praça São Pedro. Ali, havia bandeiras
da Polônia e do México, do Taiwan e do Líbano, entre outras. As
orações foram feitas em dez línguas, incluindo espanhol, português,
inglês, filipino e suaíli.
Entre os líderes religiosos estava o chefe espiritual dos cristãos
ortodoxos, o patriarca Bartholomew, o líder anglicano, o arcebispo de
Canterbury Rowan Williams, e o secretário-geral do rabinato
israelense, Oded Viner.
Do lado secular, cinco reis, seis rainhas e pelo menos 70 presidentes
e primeiro-ministro foram à cerimônia. Os muçulmanos se destacaram.
Estavam lá o rei Abdullah, da Jordânia, o presidente do Irã, Mohammad
Khatami, e o do Afeganistão, Hamid Karzai.
A delegação dos Estados Unidos incluía o presidente George W. Bush e
seus antecessores Bill Clinton e George Bush. A Grã-Bretanha enviou o
príncipe Charles e o premiê Tony Blair.
"De Bush a Khatami ¿ o último milagre de Karol", afirmava a manchete
do jornal italiano La Stampa.
O nível das delegações foi muito mais alto que no último grande
funeral papal, o do papa Paulo VI, em 1978. "Se havia judeus e
muçulmanos lá, eles não eram proeminentes", disse o especialista John-
Peter Pham, da Universidade James Madison, na Virgínia.
Segundo ele, a presença da igreja ortodoxa foi inédita, mesmo que a
igreja ortodoxa russa só tenha mandado um representante. "Até meados
dos anos 1990, os ortodoxos costumavam se afastar de eventos nos
quais estivessem presentes católicos ocidentais."
A presença popular também foi muito menor para reverenciar o austero
Paulo VI, cujo enterro aconteceu no meio das férias de verão, em
agosto. "Os romanos não voltaram por Paulo VI, mas olhe só quanta
gente veio de toda a Europa por João Paulo II", disse Pham.


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