BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 34 - 04 de abril de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos,

Como já era esperado, o Papa João Paulo II faleceu no dia 02/04/05.
Este número do Boletim mostra a reação de cristãos orientais,
católicos, ortodoxos e não-calcedonianos aos momentos de sofrimento e
morte do Papa.

Rezemos pelo Papa em nossas orações e pelos Cardeais que escolherão o
próximo Papa. Particularmente, rezo para que o sucessor do Papa João
Paulo II trilhe com sucesso o caminho de aproximação com as demais
Igrejas e Comunidades cristãs, especialmente com a Igreja Ortodoxa e
com as Antigas Igrejas Orientais, para que um dia seja possível a
plena Comunhão entre os cristãos.

Saudações em Cristo,

Luis Felipe


ÍNDICE

1 - RÚSSIA: KIRILL REPRESENTARÁ OS ORTODOXOS NOS FUNERAIS DO PAPA

2 - MORTE DO PAPA: MOSCOVO FALA DE RECONCILIAÇÃO

3 - MORTE DO PAPA E PERSPECTIVAS DO CATOLICISMO NA RÚSSIA

4 - Igreja russa envia comunicado ao Vaticano

5 - Rússia lembra trajetória e papel histórico do papa

6 - Putin e Patriarca russo expressam seu pesar e elogiam o papa

7- Russos têm reações diversas à morte do papa

8 - Rússia será representada por primeiro-ministro no enterro do papa

9 - Presidente e primeiro-ministro da Romênia irão a funerais do papa

10 - Marovic e Draskovic vão ao Vaticano para funeral de João Paulo
II

11 - Os não-católicos prestam homenagem ao Papa morto

12 - TVS ÁRABES ACOMPANHAM DRAMA DE JOÃO PAULO II

13- Oriente Médio dá pouco destaque à saúde do papa

14 - TRISTEZA DE CRISTÃOS NA TERRA SANTA POR SAÚDE DO PAPA

15 - Milhares de cristãos rezam pelo papa no Santo Sepulcro

16 - Para árabes Papa foi "campeão da paz e da liberdade"

17 - Os cristãos no Iraque, mesmo com as dificuldades, ao lado do
Santo Padre na oração- Fala com Fides o Patriarca Caldeu de Baghdad
Emmnuel Delly

18 - O Bispo Caldeu de Mosul: "Os meninos da Primeira Comunhão rezam
para o Papa": para a Fides o depoimento de Mons. Paulos Faraj Rahoo

19 - Rosário, Via Crúcis, Santa Missa para o Santo Padre no começo da
Quaresma - Orações também por parte dos muçulmanos ppara o Papa,
símbolo de paz e unidade - Para Fides, Mons. Youssef Sarraf, Bispo
Caldeo do Cairo

20 - Comoção dos católicos iraquianos, amanhã celebração unitária com
os cristão Ortodoxos: fala com a Fides o Bispo Caldeo de Mosul

21 - Muitas noticias e mais de 70 fotografias na agência dos
católicos iraquianos: os testemunhos dos jovens católicos de Baghdad

22 - HOMENAGEM DA ASSEMBLÉIA IRAQUIANA AO PAPA

23 - O ortodoxo Alexander, Bispo de Baku, garante orações para o Papa

24 - Oração intensa dos jovens sírios: para a Fides o testemunho do
Bispo Sírio de Damasco

25 - Paulistanos oram pelo papa na Sé e recebem mensagem de D.Cláudio

26 - UCRÂNIA: Sem democracia não há liberdade religiosa


NOTÍCIAS


1 - RÚSSIA: KIRILL REPRESENTARÁ OS ORTODOXOS NOS FUNERAIS DO PAPA

MOSCOU, 3 (ANSA) - O número dois da Igreja Ortodoxa representará o
patriarca Alexis II nos funerais do papa João Paulo II, falecido no
sábado.
O anuncio foi realizado por Svevolod Chaplin, que tem um cargo abaixo
de Kirill, quem levou duas mensagens de condolências ao núncio
apostólico de Moscou, monsenhor Antonio Mennini, das autoridades da
Igreja Ortodoxa.
Kirill é o número dois do patriarcado e chefe das relações com as
outras igrejas, com funções de chanceler.
03/04/2005


2 - MORTE DO PAPA: MOSCOVO FALA DE RECONCILIAÇÃO

Vladimir Simonov, observador político da RIA "Novosti" 04/04/2005

João Paulo II deixou este mundo. Velas pela sua alma são acendidas na
Rússia tanto nas igrejas católicas como nos templos ortodoxos. Na
sua mensagem de condolências, o Presidente Vladimir Putin qualifica
João Paulo II como "destacada personalidade da época contemporânea" e
elogia o seu serviço ao nobre objectivo de "formação da sociedade nos
princípios do humanismo e da solidariedade". A política do Kremlin
mudou muito desde o Outono de 1978 em que o arcebispo de Cracóvia foi
eleito primaz dos católicos de todo o mundo. Os ideólogos de Leonid
Brejnev, que naquela altura se encontravam no poder, começaram a
suspeitar logo do representante da Polónia, vendo-o como um novo
instrumento do imperialismo. Se não levarmos em consideração a
teoria da conspiração, o intuição política não os enganou de facto.
Já numa das suas primeiras homilias João Pa
ulo II atacou com a cruz em riste a "cortina de ferro". Ele propôs à
humanidade "abrir a porta para receber Cristo". "Abram à sua força
salvadora as fronteiras dos Estados, sistemas políticos e económicos,
vastos espaços das civilizações e culturas" - exortou o Sumo
Pontífice. - Não tenham medo!". Pelo contrário, iisso infundia um
medo ainda maior aos governantes totalitários da Rússia. O
catolicismo tinha sido remetido à clandestinidade como se fosse uma
seita ilegal. As paróquias da Igreja Católica, desmanteladas na
década de 20, só foram restabelecidas em Abril de 1991, no auge
da "perestroika", quando a Rússia já tinha provado o sabor do outrora
proibido fruto da democracia. Dois anos antes, logo depois da queda
do muro de Berlim, o Papa deu a primeira audiência da história do
Vaticano ao líder de um Partido Comunista. Este líder foi Mikhail
Gorbachev. Muitos teólogos ocidentais apressaram-se então a
classificar este encontro como capitulação do ateísmo científico
perante a religião, na sua antiga rivalidade pelo direito de impor a
sua visão do mundo como a principal via de desenvolvimento da
humanidade. Claro que esta conclusão era errada em relação à Rússia.
As sete décadas de regime comunista introduziram na população
o "gene" do ateísmo. É interessante que, agora que o país mudou
irreconhecivelmente, a concepção do mundo própria dos ateus seja
considerada como mais um indício da liberdade de consciência. A
histórica visita de Gorbachev ao Vaticano deu, na realidade, início
ao renascimento da Igreja Católica na Rússia. Foi justamente nos anos
do pontificado de João Paulo II que Moscovo estabeleceu relações
diplomáticas oficiais com o Vaticano. Em Fevereiro de 2002 a Santa Sé
elevou o estatuto das missões católicas na Rússia, tendo-as
transformado de administrações apostólicas provisórias em verdadeiras
dioceses. Sob os auspícios do bispo Iossif Vert, actual presidente
da Conferência dos Bispos Católicos da Rússia, encontram-se 300
comunidades que agrupam mais de meio milhão de crentes, inclusive o
católico mais altamente colocado do país, Guerman Gref, ministro do
Desenvolvimento Económico. Iossif Vert é hoje um visitante bem-vindo
ao Kremlin, tal como o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexi II,
o mufti Gainutdin, o rabino Lazar e o metropolita Adrian, líder dos
cristãos ortodoxos de rito antigo. As autoridades russas consideram a
tolerância mútua entre as confissões religiosas como garantia da
unidade da Rússia e antídoto contra o extremismo religioso. "As
nossas relações com o Estado melhoraram visivelmente graças ao
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que protege não raro a Igreja
Católica contra os ataques" - reconhece Iossif Vert. Os católicos
têm de se defender, no fundamental, contra as recriminações da Igreja
Ortodoxa Russa, confissão religiosa predominante no país. Esta última
acusa os seus irmãos católicos de proselitismo, ou seja, de tentar
convencer os adeptos da igreja local e, além disso, no seu território
tradicional, a passar para a Igreja Católica. Outro pomo de
discórdia entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa Russa é a tensão que
cresce ao logo de décadas em torno dos greco-católicos da Ucrânia,
conhecidos ainda por uniatas ou ortodoxos de rito católico. Os
uniatas desejam criar o seu patriarcado em Kiev, capital da Ucrânia,
e empreendem diligências junto de Roma para que dê o seu
beneplácito. Estas divergências impediram João Paulo II de realizar
a sua ideia de visitar a Rússia e encontrar-se com o Patriarca de
Moscovo e de toda a Rússia, Alexi II. O chefe espiritual de 800
milhões de católicos, que efectuou 250 viagens internacionais,
faleceu sem rezar missa na Praça Vermelha de Moscovo. Porém, o lado
positivo destes dias de mágoa é a aproximação entre as pessoas. O
falecimento do Papa levou os hierarcas da Igreja Ortodoxa Russa a
encontrar sentidas palavras de reconciliação. Na sua mensagem de
condolências, Alexi II expressa a esperança de que "o novo período
que se iniciou na vida da Igreja Católica Romana ajude a renovar as
relações de respeito mútuo e de amor cristão fraternal entre as
nossas igrejas". Em face dos novos males que ameaçam a humanidade,
as duas maiores igrejas mundiais não têm direito de renunciar ao
diálogo, à ideia da unidade do cristianismo. Este é um dos legados do
grande justo que deixou o nosso mundo.


3 - MORTE DO PAPA E PERSPECTIVAS DO CATOLICISMO NA RÚSSIA

Piotr Romanov, observador político da RIA "Novosti" 04/04/2005

Parece que Moscovo foi o único lugar que o Papa não pôde visitar,
embora o tivesse desejado. A sua paciência era ilimitada, mas durante
a sua vida não chegou a ver mudanças na Igreja Ortodoxa Russa (IOR).
Ele próprio estava aberto a todo o mundo, inclusive aos russos. O
estabelecimento de contactos com as autoridades da nova Rússia
verificou-se muito mais simples do que com os hierarcas da IOR. Ele
chegou a receber Gorbachev, Eltsin e Putin. Este último, aliás,
enviou ao Vaticano uma mensagem de condolências algo diferente da
protocolar, mensagem muito sincera e calorosa que evidencia
claramente o enorme respeito por João Paulo II.
O polaco Karol Wojtyla foi o primeiro papa a entrar numa sinagoga, a
qualificar os judeus como irmãos mais velhos dos cristãos e a orar
junto do Muro das Lamentações. O chefe da Igreja Católica, que
visitou uma mesquita e esteve em quase todos os países do mundo,
inclusive onde a maioria dos habitantes são cristãos ortodoxos, só
não recebeu permissão de rezar em Moscovo. O Papa respeitava os
cânones cristãos e esperava as mudanças na IOR. Esperou até à morte.
Não tenho o direito de julgar as causas da intransigência dos
dirigentes da IOR. No entanto, os pretextos formais por eles
apresentados acerca da ocupação de templos da Igreja Ortodoxa por
católicos, diga-se a verdade, não convencem. Pelo menos, porque
iguais recriminações podem ser apresentadas em muitos casos também
pelo Vaticano, pois conforme mostra a História do século XX, tal
como, aliás, de alguns séculos anteriores, muitos templos mudaram
mais de uma vez de donos, embora continuassem a servir o mesmo Deus.
A própria vinda de João Paulo II a Moscovo ajudaria a eliminar metade
das divergências que se acumularam entre as duas Igrejas.
Estou quase certo de que a IOR não deixou entrar na Rússia o primeiro
Papa eslavo devido ao mesmo motivo pelo qual o Bureau Político do
Comité Central do Partido Comunista da União Soviética abafava as
transmissões das emissoras de rádio ocidentais: pelo medo das
comparações.
Acontece que a Igreja Católica teve, afinal, grande sorte, pois o seu
primaz era um homem que gozava do máximo prestígio moral e tinha um
enorme carisma, homem cuja influência ultrapassava em muitas vezes a
influência da própria Igreja Católica. A doente Igreja Ortodoxa
Russa, que ainda não se refez das décadas de perseguições no período
do poder soviético, não podia promover por mais que quisesse uma
figura igual a João Paulo II. Os hierarcas da IOR não podiam
simplesmente imaginar que o Papa falasse numa praça de Moscovo cheia
de gente e, menos ainda, no Templo de Cristo Salvador. Eles são
também pessoas com todas as fraquezas inerentes.
Daí, a sua reacção mórbida, não tanto religiosa como humana, a
quaisquer acções da Igreja Católica na Rússia embora, ao fim e ao
cabo, a concorrência se faça não em torno da extracção de petróleo ou
alumínio, mas em torno das almas humanas que, como se pressupõe num
país democrático, são livres na sua escolha. As palavras "pastor"
e "rebanho" não passam de figuras de estilo, pois trata-se de pessoas
e não de ovelhas. Pessoas que têm direito à escolha, ou seja, o
direito de entrar no templo que lhes parece mais atraente.
Penso que a Rússia perdeu a sua chance histórica de aproximação ao
catolicismo e, por conseguinte, em medida considerável, à cultura
ocidental. O último governante da Rússia que era a favor do
ecumenismo e preconizou a aproximação entre os cristãos ortodoxos e
católicos foi o czar Paulo I. O único Sumo Pontífice que conheceu tão
profundamente a Rússia, as suas contradições e preocupações
espirituais foi João Paulo II. Não era por acaso que, entre outras
imagens, o Papa orava também em frente de um ícone russo.
Praticamente não existem possibilidades de este homem, que quando
estudava na universidade era qualificado, provavelmente com razão,
por alguns brincalhões como "santo principiante", vir a ser
substituído no trono papal por um vulto da mesma grandeza.
O mais provável é que esta personalidade tão eminente, que não receou
proferir palavras de perdão pelos velhos pecados da Igreja Católica,
seja substituída por um cardeal católico comum, homem, sem dúvida,
bem instruído e merecedor, mas sem os dotes de Karol Wojtyla. Há
pessoas que não podem ser substituídas por ninguém.
E - o que já é certo - o novo Papa não será eslavo e, por isso, as
relações entre Moscovo e a Santa Sé voltarão a entrar na burocracia e
na rotina. As delegações farão visitas mútuas, realizarão
conversações, chegarão a alguns acordos e, ao mesmo tempo, não
avançarão nas suas relações.
Por outras palavras, o homem do século XXI como foi o saudoso João
Paulo II será substituído por um homem do passado século XX, do qual
será difícil esperar alguns progressos.
Em consequência disso, perderão todos, ou seja, o próprio Vaticano
cuja autoridade baixará inevitavelmente, o catolicismo em geral e os
católicos da Rússia. E, como é natural, a Igreja Ortodoxa Russa que
perderá um grande estímulo para o auto-aperfeiçoamento. E isso é
muito lamentável, pois, como reconhecem também muitos sacerdotes da
IOR, o caminho para o pleno restabelecimento não é curto.
Respondendo um dia à pergunta "Sua Santidade, alguma vez chora?" João
Paulo II disse: "Nunca abertamente".
Hoje grande parte da humanidade, sem distinção de crenças, chora
abertamente, embora cada qual à sua maneira. Em conjunto e sozinhos.
A sós consigo mesmo. Karol Wojtyla mereceu isso.


4 - Igreja russa envia comunicado ao Vaticano

da Folha Online 03/04/2005

A igreja ortodoxa russa, que manteve distantes relações com o
Vaticano durante o papado de João Paulo 2º, divulgou, neste domingo,
um comunicado ao Vaticano e disse esperar que "a memória do papa
sirva para criar boas relações entre as duas igrejas".

"O longo pontificado foi uma etapa importante para a história
contemporânea da Igreja Católica Romana", disse o patriarca de Moscou.

"Espero sinceramente que, no futuro, a memória do papa sirva para
instaurar boas relações entre nossas igrejas, e que contribua para
superar as dificuldade atuais".

A igreja ortodoxa russa acusou a Igreja Católica de proselitismo
mediante a presença de missionários católicos na Rússia. João Paulo
2º, que desempenhou um papel importante na queda do comunismo na
Europa, nunca visitou a Rússia durante seu pontificado.

Com agências internacionais


5 - Rússia lembra trajetória e papel histórico do papa

Moscou, 01/04/05 (EFE).- A lenta agonia do papa João Paulo II, sua
vida e seu papel histórico à frente da Igreja Católica dominam as
manchetes e noticiários da Rússia neste sábado.

"Hora de rezar", "Longo caminho para o céu", "Abandonando o
trono", "Estamos perdendo o papa", "O mundo se despede dele" e "Os
católicos rezam por um milagre" são algumas manchetes que destacam as
últimas horas de Karol Wojtyla, nome de batismo do papa.

As redes de televisão e as emissoras de rádio exibem os últimos
relatórios sobre o estado crítico do Papa e reportagens sobre as
preces dos católicos pelo mundo todo, enquanto a imprensa escrita
ressalta o legado do "reformista conservador", segundo expressão do
principal jornal russo de negócios, Kommersant.

O jornal destacou que durante os 26 anos de papado, João Paulo II
visitou 129 países, desculpou-se pela crueldade da Inquisição na
Idade Média e promoveu o diálogo com os judeus e muçulmanos.

A reportagem também lembrou o papel do Papa na queda do comunismo,
que pode ter sido o motivo do atentado que sofreu em 1981. Suspeita-
se que a KGB - serviço secreto soviético - estivesse por trás do
ataque.

Outros meios comentaram que o Papa polonês peregrinou pelos cinco
continentes, mas não pôde pisar na Rússia e na China. Na primeira,
devido à oposição do Patriarcado Ortodoxo de Moscou e na outra por
causa da negativa das autoridades comunistas.

Centenas de católicos compareceram neste sábado, pelo segundo dia
consecutivo, à Catedral da Virgem da Imaculada Conceição de Moscou
para rezar pela saúde de João Paulo II.

"Todos estamos preocupados com a piora do estado de saúde do papa,
mas como cristãos nos reunimos aqui, na 'Terceira Roma', para rezar
por ele", declarou ontem o arcebispo de Moscou, Tadeusz
Kondrusiewicz, antes de celebrar a missa.

O arcebispo, que no dia 8 de março visitou o papa no hospital Gemelli
de Roma para transmitir-lhe os melhores votos dos católicos da
Rússia, louvou "o valor" que, apesar da gravidade de seu estado, o
Pontífice vem demonstrando nestas últimas horas.

"Hoje, nestas horas de dor e sofrimento, tão difíceis para Vossa
Santidade, entrego seu destino às mãos da Divina Providência e peço
que elevem suas orações, reforçadas por bons ofícios e atos de
misericórdia", apontou Kondrusiewicz.

A Igreja Ortodoxa Russa, a Federação das Comunidades Judaicas da
Rússia e o Conselho dos Muftis, que dirige as organizações muçulmanas
do país, expressaram sua solidariedade com a Igreja Católica.

"Nestas dias tão difíceis para a Igreja Católico-Romana muitos na
Rússia e na Igreja Russa se solidarizam com ela e desejam boa saúde à
Vossa Santidade, o papa João Paulo II", declarou o padre Vsevolod
Chaplin, chefe adjunto do departamento de relações exteriores do
Patriarcado de Moscou.

Boruh Gorin, porta-voz da Federação das Comunidades Judaicas,
expressou "o enorme respeito e compaixão dos judeus da Rússia" em
função do crítico estado de saúde do Papa.

"Não houve, em toda a História, melhores relações entre as
comunidades católicas e judaica que durante o pontificado de João
Paulo II", declarou Gorin, segundo a agência russa Interfax.

O porta-voz também lembrou que o Pontífice teve o valor de condenar e
desculpar-se pela perseguição aos judeus nos tempos da Inquisição e
que foi o primeiro papa da história a visitar uma sinagoga.

"Consideramos João Paulo II uma das figuras religiosas mais
brilhantes da história da humanidade", acrescentou.

Ravil Gaynutdin, chefe do Conselho dos Muftis da Rússia, declarou que
os muçulmanos do país "rezam pelo alívio do sofrimento do papa"
e "lembram com palavras de respeito o primeiro chefe do Vaticano que
pediu perdão pelas cruzadas".

"Graças ao esforço pessoal do papa, o contato dos católicos com os
muçulmanos durante este pontificado se multiplicou consideravelmente,
inclusive na Rússia", afirmou o líder espiritual dos muçulmanos da
Federação Russa.EFE


6 - Putin e Patriarca russo expressam seu pesar e elogiam o papa

Moscou, 03/04/05 (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, o
Patriarca de Moscou, Alexis II, e os líderes das principais
confissões religiosas da Rússia expressaram neste domingo seu pesar
pela morte do papa e destacaram o papel histórico de João Paulo II.

"Morreu uma grande personalidade de nossos tempos, com cujo nome está
relacionada toda uma época histórica", disse Putin em um comunicado
no qual lembrou "o amor dos católicos do mundo inteiro e o respeito
de milhões de pessoas de todas as confissões" merecido pelo "papa
eslavo".

Ele também destacou "o polifacético serviço pastoral de João Paulo
II, que visava a criar relações internacionais mais justas, a
inculcar na sociedade os princípios do humanismo e da solidariedade e
a reforçar os critérios morais na vida do homem" O chefe da Igreja
Ortodoxa Russa, Alexis II, assinalou, por sua vez, que "o Pontificado
de Sua Santidade o papa João Paulo II marcou uma época na vida da
Igreja Católico-Romana e toda a história moderna".

Ele acrescentou que João Paulo II se destacou por sua "fidelidade ao
caminho escolhido", por "uma grande vontade de servir o cristão" e
pelo fato de "sua personalidade, suas idéias e suas obras terem
exercido uma grande influência sobre o andamento mundial".

Alexis II, cuja oposição -por velhas e novas discrepâncias entre o
Patriarcado e a Santa Sé- tornou impossível a visita que o papa
sempre sonhou com fazer à Rússia, expressou a esperança de que "a
nova etapa na vida da Igreja Católica permita renovar as relações de
respeito mútuo e de amor cristão" entre ambas as igrejas.

"Compartilho a dor de milhões de pessoas, católicos e de outras
religiões", declarou o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, o
primeiro líder comunista que se reuniu com o papa.

Segundo o artífice da "perestroika", o papa "deu uma grande
contribuição para o fim da Guerra Fria" ao não deixava passar
despercebido nem um único conflito no mundo, ao lutar contra a ameaça
nuclear e ao se ocupar tanto de "assuntos de segurança" como "de
pobreza".

O arcebispo católico de Moscou, Tadeusz Kondrusiewicz, em mensagem
aos fiéis destacou a contribuição do "papa polonês" para a queda
da "cortina de ferro".

"Ele se apresentou ao mundo como um reformador apoiado nos princípios
inamovíveis do Evangelho e conseguiu fazer com que a Igreja Católica
se abrisse ao mundo e começasse um frutífero diálogo com outras
confissões e religiões", ressaltou.

Também expressaram suas condolências por causa da morte do papa o
Grande Rabino da Rússia, Adolf Shayevich, o Departamento Espiritual
Central dos Muçulmanos da Rússia e a Igreja Budista deste país. EFE


7- Russos têm reações diversas à morte do papa

Por Maria Golovnina e Andrew Hurst 03/04/05

MOSCOU (Reuters) - Atuais e antigos líderes da Rússia saudaram o papa
João Paulo 2o como uma figura elevada, mas russos comuns disseram que
uma chance foi desperdiçada para reparar as barreiras entre os
católicos e a Igreja Ortodoxa Russa.
O ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, que se encontrou com o papa
em dezembro de 1989, dias antes de a queda do Muro de Berlim encerrar
a Guerra Fria, foi enfático em seus elogios.
"Creio que João Paulo 2o teve um grande impacto no fim da Guerra
Fria", disse Gorbachev no domingo. "Hoje a humanidade se despede de
uma grande figura, um homem excepcional."
"Ele tomou um incessante interesse pela vida na União Soviética e na
Rússia e apoiou as reformas democráticas que tiveram lugar no nosso
país", acrescentou.
Muitos russos reservaram palavras duras sobre as tensas relações
entre as Igrejas Católica e Ortodoxa, um legado do grande Cisma de
1054 entre os ramos Oriental e Ocidental do Cristianismo.
João Paulo 2o. visitou países de maioria ortodoxa como Grécia,
Bulgária, Romêna, Geórgia e Ucrânia, mas nunca foi convidado para
visitar a Rússia pelo patriarca orotodoxo Alexis 2o, que temia que
Roma estava tentando "roubar" os fiéis ortodoxos.
"Na minha opinião, o comportamento da hierarquia ortodoxa foi
escandaloso", disse Andrei Piontkovsky, analista do Centro de Estudos
Estratéicos. "O papa não queria se impor sem um acordo com a Igreja
Ortodoxa. O comportamento deles foi muito miserável e sectário",
acrescentou.
Declarações no domingo do presidente Vladimir Putin e de Alexis 2o
encobriram qualquer tensão e expressaram tristeza pela morte do papa.
"Foi com um sentimento de profunda tristeza que eu recebi as notícias
trágicas da morte do papa João Paulo 2o", disse Putin em um telegrama
ao cardeal Joseph Ratzinger no Vaticano.
Alexis 2o disse que "a personalidade do papa e seus trabalhos e
idéias tiveram um grande impacto no curso dos eventos mundiais".
Alguns jovens profissionais russos disseram que a Igreja Ortodoxa
pode ter motivo para se arrepender de nunca ter convidado o primeiro
pontífice eslavo da história a visitar a Rússia.
"Ele era um companheiro eslavo, um homem de espírito similar, e ele
provavelmente tinha mais sentimentos positivos pela Rússia que
qualquer outro possível sucessor, que não entenderia as sutilezas da
relação entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa", disse Anna, professora
universitária de filosofia, que não quis dar o sobrenome.
Mas para Mikhail Kotomin, editor que vive em Moscou, muitos russos
têm boas razões para ter sentimentos mistos sobre o papa por causa de
sua associação com a era Gorbachev, a qual para muitas pessoas traz
de volta as dolorosas memórias do colapso da União Soviética e a
caótica transição para o capitalismo.


8 - Rússia será representada por primeiro-ministro no enterro do papa

Agência EFE 04/04/05

O primeiro-ministro Mikhail Fradkov representará a Rússia no enterro
do papa João Paulo II, na próxima sexta-feira, no Vaticano, informou
nesta segunda-feira o ministério russo de Assuntos Exteriores.
A Igreja Ortodoxa Russa será representada pelo metropolita de
Smolensk e Kaliningrado, Cirilo, chefe do departamento de Relações
Exteriores do Patriarcado de Moscou.

A delegação dos católicos russos será liderada pelo arcebispo de
Moscou, Tadeusz Kondrusiewicz.


9 - Presidente e primeiro-ministro da Romênia irão a funerais do papa

Bucareste, 04/04/05 (EFE).- O presidente romeno, Traian Basescu, e o
primeiro-ministro deste país balcânico, Calin Popescu Tariceanu,
representarão a Romênia nos funerais do papa João Paulo II,
informaram nesta segunda-feira fontes oficiais da presidência e do
governo.

Basescu e Tariceanu assinaram nesta segunda-feira o livro de
condolências da Nunciatura Apostólica da Santa Sé em Bucareste.

"Sua Santidade foi um verdadeiro Athleta Christi e um criador da
História. Foi o horizonte da liberdade, esperança e crença para os
reféns do comunismo, da pobreza e dos abusos", declarou Tariceanu.

O chefe do governo afirmou que os romenos nunca esquecerão a visita a
esta terra feita em 1999 pelo Bispo de Roma, a primeira de um papa a
um país de maioria religiosa ortodoxa.

O patriarca Teoctist, de 90 anos, hierarca supremo da Igreja Ortodoxa
Romena, confirmou nesta segunda-feira que dirigirá pessoalmente o
grupo de altos prelados que estarão presentes no enterro do papa,
apesar dos problemas de saúde que lhe afligem ultimamente.

Teoctist fez uma homenagem a João Paulo II por seu desejo de
aproximar as igrejas do oriente e do ocidente, assim como por ter
reconhecido "o manancial apostólico do cristianismo na Romênia"
devido ao apóstolo André.

Dezenas de milhares de romenos devem assistir a missas em homenagem a
João Paulo II nas igrejas católicas, ortodoxas e católicas de rito
bizantino (unidas com Roma) de toda Romênia, .EFE


10 - Marovic e Draskovic vão ao Vaticano para funeral de João Paulo
II

Belgrado, 04/04/05 (EFE).- O presidente e o ministro de Exteriores da
Sérvia e Montenegro, Svetozar Marovic e Vuk Draskovic,
respectivamente, vão ao Vaticano para assistir ao funeral de João
Paulo II, de acordo com anúncio oficial feito nesta segunda-feira.

O livro de condolências na embaixada do Vaticano em Belgrado foi
assinado por altos funcionários de cargos estatais, representantes
diplomáticos estrangeiros e líderes religiosos.

Entre os primeiros que compareceram esta manhã à legação estava o
Patriarca Pavle, da Igreja Ortodoxa Sérvia, que expressou suas
condolências aos fiéis e sacerdotes católicos pela morte do papa.
EFE


11 - Os não-católicos prestam homenagem ao Papa morto

AFP 03/04/05

PARIS, 3 abr (AFP) - Budistas, judeus, muçulmanos ou protestantes, os
líderes anônimos de diferentes comunidades não-católicas prestaram
homenagem no domingo à excepcional figura do Papa João Paulo II,
sublinhando em particular seus esforços para aproximar os povos e as
confissões.

Em Jerusalém, Cairo, Jacarta ou Pequim são inúmeros os depoimentos
provenientes de diferentes igrejas, organizações oficiais ou
privadas, bem como dos governos, apesar de serem países nos quais os
católicos representam uma pequena minoria.

De seu exílio em Dharamshala, na Índia, o chefe espiritual dos
budistas tibetanos, o Dalai Lama, saudou o "grande líder espiritual"
que era João Paulo II e expressou "profundo reconhecimento" com os
esforços pela paz por parte do Papa, com quem se reuniu oito vezes.

A maioria dos não-católicos destaca em suas homenagens o diálogo
intercomunitario, a ação ecumênica e a aproximação entre os povos.

"Um homem de paz, um amigo do povo judeu, que reconhecia sua
singularidade e fazia de tudo pela reconciliação entre os povos",
sublinhou o premier israelense Ariel Sharon, enquanto os dois grandes
rabinos de Israel, o sefaradita Sholomo Amar e o "ashkenazi" Yona
Metzger, bem como as comunidades judaicas dos Estados Unidos ou
Europa, também lhe prestaram homenagem.

João Paulo II era "um amigo do povo judeu" que "denunciava sem cessar
o anti-semitismo e condenava o terrorismo", destacou o grande rabino
Metzger.

Os israelenses observam uma emocionada recordação da visita em março
de 2000 feita pelo Papa a Jerusalém, estabelecendo relações
diplomáticas com o Estado hebreu em 1993.

"Perdemos uma figura religiosa muito importante que dedicou sua vida
à paz e à justiça para todos", declarou o presidente da Autoridade
Palestina, Mahmud Abbas.

Os dois principais canais de televisão árabes, Al-Jazeera e Al-
Arabiya, fizeram uma cobertura quase contínua da agonia e morte do
Papa, provocando a ira dos islamitas.

Em Jacarta, o presidente Bambang Yudhoyono, bem como os principais
líderes religiosos da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo,
lamentaram a "imensa perda".

No restante do mundo muçulmano, também se multiplicaram as mensagens,
vindas do presidente afegão Hamid Karzai ao paquistanês Pervez
Musharraf.

Na Índia, país que só conta com 2% de cristãos, o governo decretou
três dias de luto nacional e o Japão budista e "shintoista" saudou os
esforços do Papa pela paz.

Na Alemanha, a Igreja protestante assegurou que compartilhava "a dor
com os irmãos e irmãs católicos".

O chefe da igreja ortodoxa grega, o patriarca Bartolomeu I, saudou
um "visionário" que tudo fez pela aproximação das Igrejas.

As únicas reservas vieram da China e da Rússia.

O governo chinês apresentou suas condolências desejando que suas
relações com o Vaticano melhorem no futuro.

China e o Vaticano não mantêm relações diplomáticas, já que a Santa
Sé reconhece Taiwan e apóia os católicos chineses fiéis ao Papa,
vítimas de perseguições.

Saudando a memória do Papa, a Igreja ortodoxa russa, que denuncia
o "proselitismo" dos missionários católicos na Rússia, desejou uma
melhora de suas relações com o Vaticano.


12 - TVS ÁRABES ACOMPANHAM DRAMA DE JOÃO PAULO II

Por Remigio Beni

CAIRO, 1 (ANSA) - As Tvs árabes, em especial a Al-Jazira do Qatar,
seguem atentamente o que está acontecendo no Vaticano em um sinal de
respeito e homenagem a figura de um líder religioso que trabalhou
para aproximar cristãos e muçulmanos.
A Tv Al-Jazira, por mais de 20 minutos, acompanhou a transmissão
italiana da missa presidida pelo cardeal Camillo Ruini.
João Paulo II foi amado e lembrado no mundo árabe, mesmo contrário à
guerra contra o Iraque, e por ter defendido os direitos do povo
palestino. Ele deixou um sinal nesta região do mundo com as suas
visitas no Oriente Médio e, em particular, no Santo Sepulcro e no
Cairo, onde esteve em fevereiro de 2000, depois de ter ficado muito
tempo sem visitar o Egito.
"Aqui no Cairo, os fiéis nas igrejas se prepararam e passamos a noite
passada orando", disse à ANSA o sacerdote Gresh. "A lembrança de João
Paulo II e do seu encontro no estádio do Cairo ainda está viva",
completou.
Em sua visita, na época, o encontro reuniu mais de 20 mil pessoas,
entre cristãos e católicos (os "coptos-ortodoxos", uma espécie de
patriarcado, no Egito representam uma minoria religiosa, entre seis e
oito milhões de pessoas). Já os fiéis da igreja "copto-católica" são
em menor número, um pouco mais de 200 mil.
Vários muçulmanos foram lembrados pela figura do Papa, porém não para
assistir à missa, mas em um encontro que reuniu delegações de vários
países e com os líderes religiosos do Islam, um deles o grande Imam
da mesquita de Al Azhar, Sheikh Tantaui.
"Para o Iraque, ele dizia sempre que a guerra era injusta e ameaçava
a relação entre cristãos e islamitas. E quando o mundo começou a
atacar os muçulmanos, o Papa disse, portanto, que não era possível
fazer isso com os cristãos e, sobretudo, com os católicos", disse à
Tv Al-Jazira Antoine Do, integrante da comissão episcopal para o
diálogo islâmico-cristão.
01/04/2005


13- Oriente Médio dá pouco destaque à saúde do papa

Paulo Cabral, do Cairo - 02 de abril, 2005

O papa João Paulo 2º é admirado no Oriente Médio como um incentivador
do diálogo entre as religiões mas, numa região com forte
predominância muçulmana e cristãos independentes da igreja de Roma, o
fim de um papado não é um tema que consiga entrar no dia-a-dia das
pessoas.
A mídia árabe não ignora o que acontece com o papa e os dois
principais jornais distribuidos em toda a região - o Al-Hyatt e o Al-
Asharq Al-Awsat - publicaram neste sábado uma página inteira cada um
sobre o tema, mas fica claro que ele não tem a estatura de principal
assunto do dia.
As pequenas comunidades católicas romanas no Oriente Médio se uniram
aos cristãos ocidentais em orações para o papa, mas não há notícias
sobre cerimônias organizadas por outras denominações ou religiões
para homenagear o pontífice.
É esperado que os governos de países árabes emitam notas de
condolências caso o papa venha mesmo a morrer, mas até agora estas
nações se mantiveram silenciosas sobre o tema.
"Quando o papa visitou os países árabes tivemos muitos diálogos
interessantes. Sob o papado dele, conseguimos chegar a um acordo para
aumentar os contatos entre nossas religiões", disse o presidente da
Comissão de Diálogo Interreligioso da Universidade Islâmica de Al-
Azhar, no Cairo, Ali Al-Samman.
Contatos
A Universidade de Al-Azhar é considerada um dos principais centros de
teologia muçulmana sunita do mundo árabe e as decisões emitidas pelos
líderes da universidade tem influência bem além das fronteiras
egípcias.
Religiosos concordam que os contatos entre muçulmanos e católicos se
ampliaram nos últimos anos mas ainda há questões - não só
contemporâneas, mas também históricas - influenciando o entendimento
entre as duas religiões.
Recentemente, a Universidade de Al-Azhar pediu que Vaticano emita uma
pedido de desculpas pelos "crimes cometidos contra os muçulmanos
durante as cruzadas", do século 11 aos século 13. O Vaticano ainda
não se manifestou oficialmente sobre o pedido.
Em 2001, o papa fez uma visita ao Oriente Médio - passando por Egito,
Síria, Israel e Cisjordânia - que foi considerada um marco.
Na capital síria, Damasco, João Paulo 2º se tornou o primeiro sumo
pontífice católico a visitar uma mesquita, quando entrou no templo de
Ummayad. Em toda a viagem, as aparições do papa foram acompanhadas
por multidões, formadas tanto por cristãos quanto por fiéis de outras
religiões.
O xeque Abdel Naser Khatib - um libanês-brasileiro que é um dos
líderes religiosos no Vale do Bekaa, no leste do Líbano - diz que
João Paulo 2º pode ser considerado um dos batalhadores pelo
entendimento entre as religiões.
"O importante é nossas religiões entenderem que temos apenas um Deus
e que uma fé complementa a outra. O papa João Paulo 2º fez um grande
trabalho nesse sentido e nossa esperança é que, depois do papado
dele, este trabalho continue", disse.
O papa também agradou a opinião pública árabe por sua posição
fortemente contrária à guerra no Iraque e pelas declarações críticas
a atitudes israelenses, emitidas pelo Vaticano durante seu papado.
Coptas
O Egito tem uma minoria cristã (cerca de 5% da população de 76
milhões de pessoas), mas os cristão egípcios são da denominação
copta, que rompeu com a igreja de Roma no século 5.
Os coptas têm o seu própria papa - atualmente Shenouda 3º - e a sede
da igreja fica na cidade de Alexandria.
"Nós coptas, nestes últimos anos, começamos a nos interessar mais a
respeito do que acontece no cristianismo em todo o mundo e obviamente
em Roma", disse o professor de francês Gammal Melek.
"Nós vemos o papa João Paulo 2º como uma personalidade muito sábia.
Durante séculos os coptas e católicos romanos viveram em isolamento
total e isso só começou a mudar nos últimos anos", disse.
Católicos
A comunidade católica romana no Cairo - como na maioria dos países do
Oriente Médio - é formada praticamente apenas pelos estrangeiros que
vivem na região.
"Nas paróquias católicas aqui no Cairo as pessoas estão orando pelo
papa como em vários outros lugares do mundo, mas minha impressão
pessoal é de que existe uma distância ainda grande entre os coptas e
os católicos", opinou a professora francesa Bernadette Lucelle, uma
católica que mora há cinco anos no Egito.
O assunto é considerado delicado pelos religiosos católicos no país.
Os padres católicos procurados pela BBC Brasil preferiram não falar
sobre como andam as relações entre a religião deles e as outras
existentes no Egito.


14 - TRISTEZA DE CRISTÃOS NA TERRA SANTA POR SAÚDE DO PAPA

JERUSALÉM, 1 (ANSA) - As igrejas de Jerusalém e Belém se encheram
hoje de cristãos, tanto palestinos como peregrinos de todo o mundo,
que oraram pelo papa João Paulo II, enquanto os fiéis da Terra Santa
seguiam atentamente as notícias vindas do Vaticano.
O Patriarcado Latino (Católico) de Jerusalém se tornou um centro
informativo sobre a saúde do papa, para onde vão fiéis e sacerdotes
procurando as últimas notícias e os eventuais rituais funerários,
caso o Pontífice faleça.
"Nosso objetivo é poder recitar orações por ele e por sua saúde, até
domingo, em todas as igrejas católicas da Terra Santa", explicou o
padre Shawki, porta-voz do Patriarco.
O premier palestino, Mahmud Abbas (Abu Ala), respondendo hoje a
perguntas da imprensa, disse palavras favoráveis ao Pontífice,
lembrando sua visita ao campo de refugiados da Cisjordânia de
Deheishe, perto de Belém, em março de 2000.
"O Papa fez muito pelo diálogo entre católicos e ortodoxos e sempre
teve muito respeito por ele. Rezo ao Senhor para que o devolva vivo
aos fiéis", exprresou Markos, um dos sacerdotes ortodoxos gregos que
custodiam o local onde, segundo a tradição, fica a pedra de mármore
onde foi enterrado de Jesus.
O padre Shawki acrescentou que, se o Papa falecer, será celebrada uma
missa para todos os fiéis no Santo Sepulcro.
01/04/2005


15 - Milhares de cristãos rezam pelo papa no Santo Sepulcro

Agência EFE 02/04/05

Milhares de cristãos concentram-se neste sábado para rezar pelo papa
João Paulo II ante o Santo Sepulcro de Jerusalém, aberto aos fiéis
durante todo o dia e parte da

Cristãos palestinos, peregrinos, freis franciscanos e também gregos-
ortodoxos, armênios e coptos oraram hoje pela alma do Pontífice, que
agoniza em Roma.

Todos os conventos da Terra Santa realizaram uma missa especial pelo
papa João Paulo II, um dos pontífices mais comprometidos com a
presença cristã e a paz na terra de Jesus.

Os ofícios religiosos pelo papa se realizaram em todos os santuários,
entre eles o Santo Sepulcro, o Cenáculo, a Getsêmani em Jerusalém; a
Natividade de Belén; a Anunciação de Nazaré e a Igreja de Cafarnaum
em Tiberíades.

João Paulo II estava ligado intimamente à Terra Santa, como
demonstrou na histórica visita que fez em 2000 e na qual seguiu os
passos de Jesus com mais de 200.000 peregrinos.

Paralelamente às orações para a recuperação do Pontífice, a Igreja
começou a verificar o protocolo para o caso de ele morrer nas
próximas horas.

Os funerais de João Paulo II acontecerão no Santo Sepulcro, e as
principais autoridades israelenses e palestinas serão convidadas,
além dos hierarcas das diferentes confissões, judias, muçulmanas e
cristãs.


16 - Para árabes Papa foi "campeão da paz e da liberdade"

EFE

Por Heba Helmy Cairo, 03/04/05 (EFE).- O mundo árabe uniu-se neste
domingo às mostras de pesar pela morte do Papa João Paulo II,
considerado "campeão da paz e da liberdade" pelos Governos e
autoridades religiosas da região.

Esse sentimento foi refletido nas palavras do grande imã de Al Azhar
do Cairo e líder espiritual do islã sunita, Mohammed Sayed Tantaui,
que descreveu a morte do Pontífice como "uma grande perda, já que era
um ícone da paz e do amor".

Tantaui disse que a morte de João Paulo II é lamentada por todos os
egípcios - tanto os integrados à igreja ortodoxa commo à fé de Maomé -
e ressaltou a postura "moderada" do Pontífice diante das causas
palestina e iraquiana e seus esforços para apoiar o amor e a amizade
entre muçulmanos e cristãos.

Reação semelhante teve o presidente egípcio, Hosni Mubarak, para quem
o Papa era "um defensor das causas árabes", especialmente a
palestina. Assim como Tantaui, Mubarak destacou que o papa era "um
ícone da paz".

Neste domingo, os templos cristãos celebraram missas em memória do
papa no Cairo, onde o porta-voz da Igreja Católica Romana, Rafik
Greish, afirmou que o Pontífice merece a admiração de todos por
trabalhar durante 26 anos "para que o amor reinasse no mundo".

Greish afirmou que o papa "sempre se alinhou com os palestinos em sua
causa e se opôs à guerra do Iraque". Além disso, o porta-voz
ressaltou o papel do Pontífice na queda do comunismo e
na "restauração dos valores religiosos na Europa".

Em comunicado assinado pelo papa da Igreja Copta, Shenuda III, e pelo
Comitê de Igrejas de Oriente Medio, João Paulo II é considerado "um
homem que serviu ao mundo para conseguir a paz, a segurança e a
liberdade".

O secretário-geral da Liga Árabe, Amro Musa, destacou o empenho de
João Paulo II - a quem considerou como "clérigo único" - em promover
o diálogo entre as religiões.

Moussa, como outros dirigentes árabes, ressaltou o interesse
particular que o Papa mostrou pela pacificação do Oriente Médio e
seus esforços para que essa paz se baseasse "nos princípios de
igualdade, justiça e liberdade".

No Líbano, país árabe com maior proporção de cristãos, o governo
decretou neste domingo três dias de luto oficial.

Segundo o presidente do Líbano, o pró-sírio Émile Lahoud, "apesar do
Líbano ser um país pequeno, foi sempre especial para o Pontífice, que
em várias ocasiões rezou por ele e pressionou a comunidade
internacional a ajudar a preservar sua existência e sua coexistência".

João Paulo II, que visitou o país em 1997, descreveu o Líbano
como "uma nação com uma nobre missão e uma interação de diversas
culturas e religiões".

O primeiro-ministro, Omar Karami, e o chefe do Parlamento, Nabih
Berri, renderam homenagem ao papa por seu trabalho em favor da paz no
Líbano e no mundo.

O presidente da vizinha Síria, Bachar al Assad, enviou uma mensagem
de condolências ao Vaticano, em que expressou "profunda tristeza pela
morte de quem dedicou sua vida à virtude, à paz e à justiça no mundo".

Na Jordânia, um país de maioria muçulmana mas que conta com uma
importante minoria de cristãos - em sua maioria de origem palestina -
, a imprensa e os meios de comunicação oficiais renderam homenagem ao
papa.

A televisão jordaniana o lembrou "como um grande homem que deixou
sinais impressionantes com relação à paz e à estabilidade no mundo
inteiro".

As manifestações de tristeza pela morte do papa João Paulo II não
aconteceram somente nos países árabes com importantes comunidades
cristãs mas também no Golfo Pérsico, onde a totalidade da população é
muçulmana.

O Chefe de Estado dos Emirados Árabes Unidos, xeque califa Ben Zayed
Al-Nahyan, destacou a contribuição do Pontífice a um maior
entendimento entre o islã e o cristianismo.

"Estamos muito tristes pela morte do papa João Paulo II e em nome do
governo e do povo dos Emirados Árabes Unidos expressamos nosso pesar
aos membros da Igreja Católica no mundo todo", disse o emir, segundo
a agência local WAM.

Em um editorial, o jornal saudita Arab News disse que os muçulmanos
do Oriente Médio sentem particularmente o falecimento do papa.

"Sua morte será lamentada não só por centenas de milhões de católicos
de todo o mundo, mas também pelo resto das crenças cristãs e dos
seguidores de outras religiões", diz o texto.

O jornal kuwaitiano Arab Times ressaltou que o Pontífice era "uma
pessoa afável, que contribuiu imensamente para promover a paz e a
harmonia comum".

Todas as reações sucedem à comoção que a morte do papa causou nas
televisões árabes, que interromperam sua programação para emitir
documentários sobre a vida de João Paulo II, onde destacaram que o
ele sempre trabalhou pelo entendimento entre as diferentes
civilizações e religiões do planeta. EFE jam jjt/ca


17 - Os cristãos no Iraque, mesmo com as dificuldades, ao lado do
Santo Padre na oração- Fala com Fides o Patriarca Caldeu de Baghdad
Emmnuel Delly

Baghdad (Agência Fides) - Todos os cristão iraquianos estão ao lado
do Santo Padre. O Patriarca
Caldeu de Baghdad Emmanuel Delly fez para Fides a seguinte
declaração: "Estamos muito tristes com estas notícias sobre o Santo
Padre. Participamos de seu sofrimento com a oração, o fizemos com as
laudas desta manhã e com a Santa Missa. Oremos ao Senhor para que lhe
dê força. Todos os fieis vivem esse momento e rezam fortemente: os
Bispos, os sacerdotes, os religiosos e os leigos. Nós cristãos
iraquianos, mesmo com nossas dificuldades, continuamos a rezar,
estamos ao lado do Santo Padre". (AE) (Agência Fides 1/4/2005)


18 - O Bispo Caldeu de Mosul: "Os meninos da Primeira Comunhão rezam
para o Papa": para a Fides o depoimento de Mons. Paulos Faraj Rahoo

Mosul (Agência Fides) - Mesmo na área de Mosul, no norte do Iraque, a
comunidade cristã está em apreensão e em fervente oração para Santo
Padre .O Bispo Caldeu de Mosul, Mons. Paulos Faraj Rahho, contou, num
colóquio com a Fides: "Ontem celebrei a Primeira Comunhão de muitos
meninos na cidade de Talkef, no norte de Mosul. Após a celebração
ouvi a notícia do agravamento da saúde do Papa. Fiquei muito abalado.
Ficamos com os fieis a rezar na Igreja e todos os meninos rezaram
para o Papa.
Hoje pela manhã celebramos a Oração das Laudas todos juntos, rezando
de modo especial para a saúde do Santo Padre. Acompanhamos as
notícias através dos mass media e toda a comunidade de Mosul está em
apreensão e em oração. Já nos dias de Páscoa na zona de Mosul vieram
muitos cristãos de todo o Iraque, principalmente de Baghdad, para
celebrar a festividade da Ressurreição com tranquilidade. E a
comunidade cristã sempre rezou para o Papa, com grande afecto.". (AE)
(Agência Fides 1/4/2005)


19 - Rosário, Via Crúcis, Santa Missa para o Santo Padre no começo da
Quaresma - Orações também por parte dos muçulmanos ppara o Papa,
símbolo de paz e unidade - Para Fides, Mons. Youssef Sarraf, Bispo
Caldeo do Cairo

O Cairo (Agência Fides) - A comunidade cristã no Egipto está vivendo
o começo da Quaresma, visto que celebram a Páscoa nos primeiros dias
de maio, em comunhão com a comunidade Copta ortodoxa, muito numerosa
no Egipto. Mons. Youssef Sarraf, Bispo Caldeo do Cairo, declarou para
Fides: "Os fieis cristãos no Egipto oferecem a oração do Rosário, a
Via Crúcis e a Santa Missa para o Santo Padre. Vamos rezar para que
Deus o acompanhe em seu sofrimento e não o abandone. Junto connosco
também rezam os fieis muçulmanos que reconhecem o Papa como uma
grande guia espiritual. No Egipto cristãos e muçulmanos rezam para o
Papa para que seja feita a vontade de Deus para ele. Os fieis o amam.
Os muçulmanos o respeitam e o admiram. João Paulo II conquistou o
coração de todos, foi um símbolo de unidade e de paz. Nessa época de
Quaresma que estamos vivendo vamos intensificar as vigílias de oração
para o Papa" -
(AE) (Agência Fides 2/4/2005)


20 - Comoção dos católicos iraquianos, amanhã celebração unitária com
os cristão Ortodoxos: fala com a Fides o Bispo Caldeo de Mosul

Mosul (Agência Fides) - Os cristão iraquianos rezam e choram pelo
Papa, e lembram seu grande empenho pela paz. Mons. Paulos Faraj
Rahho, Bispo Caldeo de Mosul, disse para a Agência Fides "Os sinos da
catedral Caldea de Mosul tocaram poucos minutos após o anúncio da
morte do Santo Padre. Essa manhã após a Santa Missa dedicada ao Papa,
os sinos tocaram de novo em todas as Igrejas de Mosul, em sinal de
luto, conforme uma antiga tradição do nosso país, quando uma pessoa
querida e importante morre. Amanhã haverá uma Santa Missa unitária em
sufrágio do Santo Padre celebrada pela comunidade de católicos
Caldeus, Assírios e Latinos e com a participação de representantes da
Igreja Ortodoxa, no mosteiro de S. Jorge em Mosul às 4:30 hora local.
Os sinos das nossas igrejas tocarão ainda no dia do enterro do Papa,
em contemporânea com Roma para manifestar o sentido de unidade
profunda. Ontem, ao celebrar algumas Primeiras Comunhões, disse aos
meninos que o Santo Padre estará sempre entre nós e que ele continua
a rezar para todos nós. Todos os fieis choraram por ele". (AE)
(Agência Fides 3/4/2005)


21 - Muitas noticias e mais de 70 fotografias na agência dos
católicos iraquianos: os testemunhos dos jovens católicos de Baghdad

Mosul (Agência Fides) - Grande relevo às noticias do Vaticano na
agência dos católicos iraquianos que no web http://ankawa.com, em
língua árabe, relatam muitos artigos e intervenções sobre o Papa,
contam suas últimas palavras, a grande multidão na Praça São Pedro,
os aplausos e os silêncios dos numerosos fieis. O Portal também
publica mais de 70 fotografias da noite em que o Papa voltou ao céu.
Lê-se entre as notícias: "Os fieis iraquianos, ainda feridos pela
situação no nosso país, acreditam que o Papa está junto connosco com
a sua prece", são referidos comentários de católicos iraquianos que
estão a rezar em Baghdad. Dallala, católica Caldea disse: "O Papa foi
um homem de paz e estará sempre nas nossa memória". Moayad, um jovem,
compôs uma poesia sobre o papa. Um outro jovem, Namir sabri, mostra
uma fotografia do Papa e fala dele com carinho. Sammem yusf diz
que "o Santo Padre amava os jovens e será sempre um jovem nas nossas
mentes". Temos fé no Senhor e sabemos que também o novo Papa será
para nós iraquianos um mensageiro de paz. (AE) (Agência Fides
3/4/2005)


22 - HOMENAGEM DA ASSEMBLÉIA IRAQUIANA AO PAPA

BAGDÁ, 3 (ANSA) - A Assembléia Nacional iraquiana homenageou hoje o
papa João Paulo II, que morreu sábado aos 84 anos de idade, enquanto
o governo provisório analisa o envio de uma delegação para os
funerais do Papa.
O deputado Dari al Fiad pediu, quando estava para começar a sessão,
uma homenagem ao Papa que, disse, "sempre acompanhou de perto os
grandes sofrimentos do povo iraquiano".
Pascal Warda, ministro dos Iraquianos no Exílio e Imigração, disse à
ANSA que foi proposto envio de uma delegação aos funerais de Karol
Wojtyla.
"Tive a sorte de ter me encontrado quatro vezes com ele e, em cada
uma delas, tive a certeza dele ter sido enviado pelo Senhor para
salvar a humanidade dos sofrimentos da guerra", disse.
Cristãos e muçulmanos do Iraque se uniram em oração quando começou a
agonia do Papa e na quinta-feira, dia sagrado para os islâmicos, João
Paulo II foi homenageado nas mesquitas.
O patriarca caldeu (natural da Caldeia, atual Curdistão) de Bagdá,
Emmanuel Delly, manifestou hoje em uma conversa com a ANSA sua
tristeza e lembrou o seu último encontro com o Pontífice.
"Me perguntou sobre o Iraque, pelos pobres filhos da Mesopotâmia" (o
atual Iraque), disse o patriarca que assegurou que continuará pedindo
a Karol Wojtyla que "interceda diante do senhor" pelo destino de
Bagdá.
Delly anunciou que na quinta-feira presidirá uma missa em memória do
Pontífice.
O Iraque tem uma população católica de 750 mil pessoas, a maioria de
fé caldeia, sobre um total de 24 milhões de habitantes.
03/04/2005


23 - O ortodoxo Alexander, Bispo de Baku, garante orações para o Papa

Baku (Agência Fides) - Padre Jan Kapla Superior da "Missio sui iuris"
de Baku contou para a Fides que Alexander, o Bispo ortodoxo de Baku,
preocupou-se de pedir informações sobre a sua saúde, manifestou-me
sua proximidade e garantiu suas orações. "Jornalistas e simples
cidadãos, fieis e não fieis pedem-me notícias sobre as condições de
saúde do Papa. As autoridades civis e muitos fieis muçulmanos também
o fizeram. O Papa está muito perto da figura dos idosos e dos
sofredores, que na comunidade azerbaijana são numerosos : eles
compartilham com o Santo Padre sua condição de sofrimento", concluiu
(PA) (Agência Fides 2/4/2005)


24 - Oração intensa dos jovens sírios: para a Fides o testemunho do
Bispo Sírio de Damasco

Damasco (Agência Fides) - Comoção na comunidade cristã de Damasco,
especialmente entre os jovens. Mons. Goregorios Elias Tabè, Bispo de
Damasco dos Sírios, disse para a Fides: "Estávamos a rezar para o
Papa quando nos chegou a noticia de sua morte. A recebemos com dor
mas também com a esperança de que o Senhor abriu para ele as portas
do Céu e que certamente ele está com Jesus e Maria. Foi um santo
Papa, um mestre que nos ensinou como poder estar perto dos doentes e
de todas as pessoas que sofrem. Ontem celebramos a Santa Missa junto
com todos os católicos de diferentes rituais, Siriacos, Caldeos,
Latinos, com a presença do Núncio Apostólico Mons. Giovanbattista
Morandini. Continuamos a rezar para ele durante as celebrações das
Laudas, dos Vespros e da Santa Missa, mantendo viva a esperança da
Ressurreição. Aqui todos os fieis, e mesmo os não cristãos,
acompanham as noticias de Roma na TV e nos jornais. De modo especial
os jovens sírios lembram quando o Papa visitou nosso país. Uma
presença forte que deixou uma lembrança em todos, especialmente nos
jovens que hoje rezam intensamente para ele"
(AE) (Agência Fides 3/4/2005)


25 - Paulistanos oram pelo papa na Sé e recebem mensagem de D.Cláudio

Por Maurício Savarese 03/04/2005

SÃO PAULO (Reuters) - Paulistanos lotaram a Catedral da Sé para orar
pela alma do papa João Paulo 2o., morto no sábado. Representantes de
outras religiões também expressaram palavras de afeto ao pontífice,
durante cultos neste domingo.
O arcebispo de São Paulo, cardeal dom Cláudio Hummes, considerado um
dos principais sucessores de João Paulo 2o., não participou da missa.
O substituto dele na cerimônia, o bispo auxiliar dom Benedito Beni
dos Santos, afirmou que Hummes estafa afônico por causa de uma forte
gripe e ficou em repouso por orientação médica.
Durante a missa, à qual compareceram aproximadamente 1,2 mil pessoas,
a participação de dom Cláudio ocorreu por meio de uma mensagem, lida
pelo presidente da cerimônia.
"Louvamos a Deus porque este papa foi dos maiores da história desta
Igreja", dizia o texto do cardeal arcebispo. "João Paulo 2o. (...)
marcou profundamente, de forma extraordinária e construtiva, a
história da Igreja e do mundo em seu longo pontificado. Será sempre
lembrado por seu dinamismo apostólico, sua sabedoria pastoral e seu
amor ao povo, de quem sempre quis estar próximo."
Hummes deve decidir nesta segunda-feira quando viajará para o
Vaticano para comparecer ao funeral do pontífice, segundo a
assessoria do arcebispo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
convidou Hummes para viajar com ele no avião presidencial, mas não
está certa uma data para a viagem. "Amanhã deveremos entrar em
contato com Brasília para saber quando o presidente vai viajar para o
Vaticano. Se ele (Lula) for na quinta-feira, d. Cláudio viajará
antes", informou a assessoria.
Não se sabe se o arcebispo retorna ao país antes do conclave que
elegerá o novo papa, a ser realizado em até 20 dias após a morte de
João Paulo 2o.
O sentimento pela possibilidade de dom Cláudio ser escolhido novo
papa foi misto entre os religiosos paulistanos presentes na Catedral
da Sé neste domingo.
"Dom Cláudio é muito conhecido na cúria romana. Ele tem 10 cargos lá.
É um grande pastor em uma das maiores arquidioceses do mundo. Ele
fala diversas línguas e é necessário que um papa fale muitos idiomas.
Na minha opinião, ele é um dos melhores candidatos. O Brasil merece",
sacramentou dom Benedito.
O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), dom Odílio Sherer, preferiu evitar o tom de campanha em favor
de Hummes.
"As fofocas correm, mas isso aí pode mudar tudo. A gente não se
orienta por aí. Alguns foram colocados em grande evidência nesses
últimos tempos, entre os quais o dom Cláudio. Mas isso não significa
muito no conclave", minimizou o religioso.
"Não adianta torcida. Torcida funciona ao contrário nesse caso."
ORTODOXOS E EVANGÉLICOS
A trajetória do papa também foi lembrada por membros de outras
religiões em São Paulo. As diferenças entre a Igreja Católica Romana
e a Ortodoxa Antioquina foram minimizadas pelo padre Valério Lopes,
substituto do arcebispo Damaskinos Mansour.
Segundo ele, para os fiéis das duas comunidades o que vale é a
maneira como se vivencia a fé.
"Não importa a sua religião, eu acho que você deve ter uma e viver
esta uma tão intensamente e tão profundamente de tal maneira que você
não tenha tempo para falar mal da fé do outro", disse o representante
da Igreja Ortodoxa em São Paulo.
Sobre a morte do papa João Paulo 2o., ele afirmou que "o povo (da
Igreja Ortodoxa) sentiu muito, pois essa diferença entre as igrejas é
mais vista pela hierarquia e pelos padres do que pelo povo, que serve
a Deus. Se o líder é bom, ele segue esse líder. O papa foi um líder
mundial, fazendo os dois pulmões da Igreja, o ocidental e o oriental,
respirarem juntos".
No templo da Igreja Universal do Reino de Deus na região de Santo
Amaro, a maioria dos fiéis mostrou-se resistente em falar sobre a
morte do papa.
Segundo o pastor Paulo Franco, a "posição da igreja (sobre a morte) é
neutra".
Mas a dona-de-casa Denise Cotardi, 45, expressou pesar pelo
ocorrido. "Balança o ser humano. Não é porque eu sou evangélica que
eu vou deixar de gostar dele. Acho que o próximo papa não será como o
João Paulo 2o., ele viajou para outros países e foi completamente
diferente dos outros", disse Cotardi.
"Há atritos entre católicos e evangélicos, mas, como o assunto se
tratava da saúde do papa, todos se reuniram em uma só fé em favor da
saúde dele", observou o estudante Denis Marcel de Oliveira, 18, que
trabalha para a Rádio Aleluia em Franca, no interior paulista.
Durante o papado de João Paulo 2o. (1978-2005), o número de católicos
no Brasil caiu de 89 por cento da população (Censo de 1980) para 73,8
por cento. Nesse mesmo período, as religiões evangélicas passaram de
6,2 por cento para 15,4 por cento.
(Reportagem adicional de Alice Assunção e Denis Eduardo Serio)


26 - UCRÂNIA: Sem democracia não há liberdade religiosa

Missão Portas Abertas 03/04/05

Algumas semanas depois de se tornar presidente no que se apelidou
de "Revolução Laranja", Viktor Yushchenko proporcionou uma importante
mudança nas relações igreja-estado. Surpreendendo seus ouvintes em
uma visita a Zhytomyr na região central da Ucrânia em 8 de fevereiro,
ele anunciou que dentre as agências governamentais que seriam
abolidas estava o Comitê do Estado para Assuntos Religiosos,
incluindo seu escritório local. Mais de 150 funcionários trabalhando
com assuntos religiosos seriam então cortados. "O governo trabalhará
abertamente com todas as religiões", garantiu Yushchenko, prometendo
igual tratamento para todos os tipos de fé e o fim da interferência
do estado na vida interna das comunidades religiosas. "Não é nosso
objetivo criar deliberadamente obstáculos para uma ou outra fé ou
igreja". Ele reforçou que cada indivíduo deve escolher por conta
própria a fé que seguirá.

Yushchenko destacou mais de uma vez sua opinião de que o estado deve
ser neutro com relação às religiões. "Minha política de governo se
baseia no fato de que ninguém neste recinto pode apontar o dedo para
você e dizer que igreja você deve freqüentar," explicou ele para um
grupo de pessoas na cidade de Donetsk no leste do país logo após
tomar posse. "Eu estou falando acima de tudo de um estado secular.
Não temos nada com isso - é um direito de cada pessoa escolher. Deve
ter pessoas aqui que freqüentam sinagogas, outras vão a mesquitas,
outras a uma igreja ortodoxa, outras a uma igreja católica. Nenhum
deles deve ser privilegiado em relação aos outros."

Ampliando isso, e citando explicitamente a autoridade de Yushchenko,
o primeiro ministro Mykola Tomenko insistiu em março que os recursos
do estado não poderiam mais ser usados para financiar a construção de
locais para cultos de qualquer fé. "Se a comunidade quer uma nova
igreja em sua vila, eles devem levantar os recursos para isso," disse
ele.

A decisão de Yushchenko de acabar com a interferência do estado nos
assuntos religiosos é um forte sinal para toda a região. Não se sabe
quão longe estão outras antigas repúblicas soviéticas que continuam
usando o estilo soviético das agências de governo para controlar as
religiões de sucumbir aos ventos que vem da Ucrânia. Dois países
vizinhos, Bielorússia e Moldávia, têm agências para assuntos
religiosos que estão ansiosas para implementar uma política
discriminatória que favorece o Patriarcado de Moscou, protegendo o
dos grupos ortodoxos e não-ortodoxos rivais. Outros locais -
especialmente no Azerbaijão, Usbequistão e Turcomenistão - comitês
para assuntos religiosos poderosos procuram suprimir comunidades
religiosas desfavorecidas. Poucas destas agências governamentais - e
a polícia secreta que fica por trás delas - estão prestes a conseguir
controlar as comunidades religiosas, ainda há esperança na Moldávia,
onde ocorreram eleições livres.

Na Ucrânia, o sentimento geral de que o antigo modelo comunista para
a relação igreja-estado foi finalmente deixado de lado é o maior
ganho da revolução laranja na área da religião. Tem se tornado claro
que não só o estado deve ficar livre da influência da Igreja como a
Igreja não deve se aliar aos interesses do governo ou dos partidos
políticos. Algumas congregações religiosas - mesmo igrejas inteiras -
que não perceberam isto antes do começo da revolução perderam muito
aos olhos de seus próprios membros, enquanto aquelas que participaram
dos protestos na Praça da Independência em Kiev contra a fraude nos
resultados das eleições passaram no teste com triunfo.

A diversidade de religiões e denominações presentes da Praça da
Independência ilustrou como na Ucrânia de hoje o estado só pode ser
neutro com relação às instituições religiosas. Logo irá se ver como é
mais fácil falar sobre isso do que colocar em prática. Em 4 de
fevereiro, dia em que o governo tomou posse, atritos ocorreram entre
partes em conflito da Igreja Ortodoxa Autônoma da Ucrânia quando um
grupo violentamente tomou locais em Kiev ocupados por um grupo rival.
Os órgãos do governo, no entanto, não interviram, errando na
distinção entre o dever do estado de ser neutro em conflitos internos
da igreja e o dever de responder prontamente a atos violentos
cometidos por qualquer cidadão.

O esforço do novo presidente e de seu governo em manter a
neutralidade parece ser sincero e mesmo nasceu do sofrimento (o clero
e os membros da Igreja Ortodoxa da Ucrânia do Patriarcado de Moscou
abertamente fizeram campanha contra Yushchenko durante as eleições).
Ainda resta pelo menos um desafio para alcançar o objetivo: a cisão
dentro da Igreja Ortodoxa da Ucrânia. Muitos dentro das diferentes
jurisdições Ortodoxas têm pedido ao estado para intermediar a
unificação de seus grupos. Como as diferentes comunidades têm
diferentes idéias de como essa unidade pode ser alcançada, existe um
conflito de conceitos o qual oficiais do governo - que geralmente não
conseguem entender a natureza da igreja - terão dificuldade para
resolver.

Poucos líderes religiosos da Ucrânia irão lamentar a extinção do
Comitê do Estado para Assuntos Religiosos, o instrumento da antiga
tradição comunista de controlar organizações religiosas. Por outro
lado, muitos analistas estão preocupados com a ausência (mesmo que
temporária) de um órgão que tenha uma função de coordenar e mediar as
relações entre organizações religiosas e o estado. Se esta
preocupação é resultado da inércia de formas antigas de pensamento ou
é uma necessidade real que poderia ser alcançada por outras
estruturas mediadoras será logo esclarecido.

Não é a primeira vez que a Ucrânia tenta esquecer o modelo soviético
de controle repressivo sobre a atividade de organizações religiosas.
A primeira tentativa de acabar com o Comitê ocorreu logo depois da
independência da Ucrânia em 1991, mas ele foi rapidamente
restabelecido. Desde então seu trabalho tem mostrado um nível maior
de liberdade religiosa comparado com o regime soviético e ao mesmo
tempo mantendo a tradição de controle administrativo na esfera
religiosa para o benefício do regime do então presidente Leonid
Kuchma.

No entanto, o principal bastião destas tradições de controle
administrativo não está em estruturas como estas, mas nas funções que
lhes são dadas. A Rússia não tem no governo nenhum Conselho para
Assuntos Religiosos, mas o grau de subordinação da Igreja Ortodoxa ao
estado e o alcance da discriminação das leis são muito maiores do que
na Ucrânia. Tudo depende não dos títulos formais das estruturas
mediadoras, mas nas tarefas que o governo lhes concede.

Como os quase 15 anos da independência da Ucrânia mostram, a melhor
garantia de liberdade religiosa é o pluralismo religioso,
confessional e denominacional do país e a paridade de força das
principais comunidades religiosas. Estes fatores não permitem que
renasça o antigo modelo onde a Igreja era um instrumento do estado.
No entanto, a paridade de força e a ausência de uma religião que
exerça um monopólio óbvio são características específicas da Ucrânia
em contraste com outras ex-repúblicas soviéticas (não considerando as
repúblicas do Báltico).

Então enquanto o movimento da Ucrânia Laranja de abolir a agência
governamental que controlava as comunidades religiosas é admirável e
um exemplo para outros estados seguirem, implementar uma mudança como
esta está longe de ser algo simples.

É provável que o exemplo ucraniano de dar liberdade aos grupos
religiosos encoraje toda a região pós -soviética não como um modelo a
ser imitado diretamente, mas somente no sentido de encorajar a
democracia geral. Um modelo como este não pode ser imposto
mecanicamente em outros países. O exemplo ucraniano, se tiver
sucesso, facilitará a procura de seus vizinhos por formas de
administração do estado que não permitam os flagrantes de abusos dos
direitos humanos que inflamaram revoluções não-violentas primeiro na
Geórgia e depois na Ucrânia. Em outras palavras, estes países
ajudaram a aumentar o nível de respeito pelo ser humano.

Eu devo ser realista. A esperança por mudanças democráticas - que
tragam mais liberdade para as comunidades religiosas e menos
interferência do estado - é maior na Bielorússia e na Moldávia, que
compartilham idéias parecidas com as da Ucrânia. Na Bielorússia, um
segmento democrático da população olha para a Europa, enquanto para a
Moldávia o exemplo da Romênia é encorajador. Infelizmente a esperança
por mais democracia e liberdade genuína para as comunidades
religiosas são provavelmente pouco realísticos na Ásia Central num
futuro próximo - estes estados têm estilos de governo completamente
diferentes.

Porém aquilo que se mostrou verdadeiro para a Ucrânia será para
todos: sem um respeito amplo pelos direitos humanos e governos
confiáveis, será pouco provável que comunidades religiosas possam
escapar dos esforços do governo de controlá-las.

O professor Myroslav Marynovych é vice-reitor da Universidade
Católica da Ucrânia <http://www.ucu.edu.ua> em Lviv e diretor do
Instituto de Religião e Sociedade desta Universidade.

Tradução: Cláudia Veloso

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