BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 32 - 29 de março de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos,

Conforme está mencionado na matéria nº 15 deste número, há quem
queira uma nova guerra civil no Líbano, o que pode ser comprovado
pelo terceiro atentado em regiões cristãs em um curto espaço de tempo.

Rezemos para que a paz prevaleça no Líbano.

Saudações em Cristo, que ressuscitou verdadeiramente!

Luis Felipe


ÍNDICE

1 - DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS CONTRA A IGREJA

2 - Organizadores da exposição "Cuidado, religião!" foram
reconhecidos culpados

3 - Museu russo é multado por controvertida mostra com tema religioso

4 - "Fiéis ortodoxos" pedem fim de organizações judaicas na Rússia

5 - Igreja Romena Ortodoxa ameaçada de demolição

6 - Israel aprova construção de 3.500 casas na Cisjordânia
(Patriarcado Greco Ortodoxo vendeu a companhias israelenses dois
enormes edifícios situados na entrada da Porta de Jaffa)

7 - Jerusalém recebeu pela primeira vez em três anos uma grande
quantidade de cristãos para a comemoração da Semana Santa. (Dois
hotéis que pertenciam à Igreja Greco Ortodoxa foram adquiridos por
US$ 155 milhões)

8 - Jordânia investiga venda de terras pela Igreja Ortodoxa Grega

9 - Milhares de peregrinos chegam a Jerusalém para a Semana Santa
(Procissão passa por Igrejas Orientais)

10 - Milhares de cristãos celebram a Páscoa em Jerusalém

11 - Páscoa sob toque de recolher no Iraque

12 - A PÁSCOA NO MUNDO...

13 - Explosão retoma medo da violência durante Páscoa em Beirute

14 - Libaneses esperam demissões após atentado de sábado

15 - Há quem queira a guerra civil no Líbano

16 - Lahoud pede união para salvar país

17 - Arménia: "Partilhamos os ideais cristãos europeus", afirma
especialista religioso

18 - COMUNIDADE ARMÊNIA EVOCARÁ DEVIDAMENTE OS 1,5 MILHÃO DE VÍTIMAS
DO GENOCÍDIO ARMÊNIO


NOTÍCIAS


1 - DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS CONTRA A IGREJA

Agência Novosti 25/03/2005

Vladimir Simonov, observador político da RIA "Novosti"

Na próxima segunda-feira um dos tribunais de Moscovo irá pronunciar o
seu veredicto sobre um processo que dividiu os intelectuais russos em
dois grupos hostis. Para muitos trata-se do "processo do século". Da
decisão do Tribunal vai depender, conforme afirma uma das partes, se
a Rússia continuará a existir como Estado laico ou se com o tempo
deslizará para a voragem do obscurantismo clerical. Os partidários do
grupo oposto consideram que nenhum intelectual tem o direito de
afrontar impunemente os sentimentos das pessoas que acreditam em
Deus.
A causa de tão acesa polémica foi o processo movido contra os
organizadores da exposição "Cuidado, religião!", realizada em Janeiro
de 2003 em Moscovo no Centro Andrei Sakharov, conhecido defensor dos
direitos humanos. O tríptico apresentando Cristo crucificado numa
cruz, numa estrela vermelha e numa suástica era, talvez, a obra menos
provocante. Um outro trabalho mostrava uma imagem do Salvador
inserida num anúncio da Coca-Cola. Num ícone em tamanho humano, os
visitantes podiam ainda meter a cabeça no buraco aberto no lugar da
face do santo.
Por mais chocantes que fossem as obras expostos, a intenção não era
ofender os sentimentos dos crentes - afirma o director do Centro
Andrei Sakharov, Yuri Samodurov, o principal dos três arguidos.
Segundo ele, o próprio lema da exposição "Cuidado, religião!" encerra
uma determinada dualidade. Por um lado, pode ser interpretado como um
apelo a uma atitude de maior respeito pela fé e pelos crentes. Mas
por outro, pode encerrar uma advertência sobre o perigo do
fundamentalismo religioso, independentemente da forma que se revista -
quer ortodoxo, quer muçulmano, o perigo da fusão entre a Religião e
o Estado, o perigo do obscurantismo clerical.
O autor do tríptico da crucificação de Cristo na cruz, na estrela e
na suástica insurge-se precisamente contra o fundamentalismo
religioso - sustenta o director do Centro Andrei Sakhharov.
Do ponto de vista da maioria, os raciocínios de Yuri Samodurov
apresentam-se bastante oportunos, tendo em consideração a influência
crescente da religião na vida actual da Rússia. Depois de setenta
anos de perseguições violentas contra a Igreja, quando os templos
eram feitos explodir ou transformados em cavalariças, a religião
ortodoxa vive hoje uma espécie de Renascença. Os hierarcas da Igreja
participam activamente nos eventos mais importantes do país e os
políticos de todos os escalões vão à igreja nas festividades
religiosas. À parte disso, face à inexistência de uma ideologia
nacional, à erosão dos princípios morais motivada pelas mudanças
bruscas sociais, a Igreja começa a intervir mais activamente como
guardião nacional dos valores da família e da moral cristã e, no
final das contas, como a força que cimenta a Nação.
Tudo isto só poderia merecer aplausos se a influência da Igreja não
se aproximasse do limite perigoso para um Estado laico - dizem
numerosos partidários de Yuri Samodurov. É sobre este perigo que
adverte a declaração "Pela Liberdade de Consciência", aprovada há
dias como resposta à acção contra Yuri Samodurov intentada pelas
organizações de defesa dos direitos humanos. Entre os adeptos do
director do Centro Andrei Sakharov, o processo contra Samodurov já é
qualificado como "processo de macaco", por analogia com as
perseguições judiciais dos adeptos da teoria da evolução de Charles
Darwin, registadas na Grã-Bretanha no século XIX. Defendendo o
carácter laico do Estado, os autores do documento invocam que "a
Religião é um assunto particular de cada pessoa", condenam os planos
de introduzir nas escolas aulas facultativas de ensino do Catecismo e
exigem até excluir do texto do hino nacional a palavra "Deus".
É compreensível esta reacção dos defensores dos direitos humanos.
Tudo o que se passa agora deve provocar neles uma grave sensação
de "dejá vu". As perseguições contra os artistas que desafiavam a
ideologia dominante eram um fenómeno característico dos tempos
comunistas. Vêm aqui à memória os anos de Nikita Khruschev: o ataque
de bulldozeres contra a exposição de arte vanguardista em Moscovo, a
perseguição a Boris Pasternak, autor de "O Doutor Jivago", que
publicou o seu romance "anti-soviético" no estrangeiro. Agora o
paradoxo consiste em que no processo judicial da exposição "Cuidado,
religião!" a força que procura restringir a liberdade de expressão
artística não é o comunismo, mas sim o seu antagonista, ou seja, a
Igreja. Para muitos intelectuais russos isto é um sinal preocupante
do crescente poder e influência da religião ortodoxa num Estado
laico, tal como a Constituição o estabelece.
Por outro lado, a fantasia criativa dos artistas também não deve
ultrapassar o limite a partir do qual já estão em questão os direitos
de outras pessoas, nomeadamente dos crentes. Uma liberdade que
espezinhe a liberdade de outrem deixa de ser liberdade. Portanto, o
Tribunal de Moscovo encontra-se perante um problema
extraordinariamente complicado, mas frequente na actual realidade
russa que é: encontrar um equilíbrio entre os interesses dos
defensores da liberdade de expressão e dos defensores da liberdade de
religião.
Dá-se a impressão que nesta contenda o Estado gravita mais para o
lado da Igreja. A Procuradora de Estado - uma mulher jovem de mini-
saia e botas de salto alto, a nova imagem da Témis russa - insistiu
em que os arguidos fossem reconhecidos culpados da "instigação da
discórdia nacional e religiosa". O projecto de veredicto que ela
sugeriu impressiona pela sua crueldade. A acusação exigiu três anos
de prisão para Yuri Samodurov e dois anos para cada um dos dois
outros acusados: a funcionária do Centro Andrei Sakharov, Liudmila
Vassilovskaia, e a pintora Anna Mikhaltchuk. Algo sinistro encerra
também a outra exigência da Procuradora - isto é, depois do processo,
destruir todos os quadros exibidos na controversa exposição.
Queimar tudo aquilo que constitui, na opinião da acusação,
precisamente o corpo de provas? Isto é algo novo - afirmam com
indignação conhecidos defensores russos dos direitos humanos. Para
além disso, se Yuri Samodurov for reconhecido culpado, terá de se
despedir do cargo de director do Centro Andrei Sakharov. Acontece que
ele exerce este cargo com a benção da viúva do académico Sakharov,
Elena Bonner, também ela uma figura de destaque no movimento russo de
defesa dos direitos humanos.
Ao ponderar sobre as peripécias do processo judicial, Elena Bonner
citou as palavras do seu marido: "Para mim a liberdade de religião
faz parte da liberdade geral de convicções. Se eu vivesse num Estado
clerical, seguramente interviria em defesa do ateísmo, dos hereges e
dos representantes de outras religiões".
A elite intelectual da Rússia, apesar de dividida, está na
expectativa da decisão judicial, que deverá ser pronunciada a 28 de
Março. O veredicto pode vir a ser um importante indicador dos ânimos
sociais que prevalecem hoje no antigo país do ateísmo generalizado.


2 - Organizadores da exposição "Cuidado, religião!" foram
reconhecidos culpados

Agência Novosti 29/03/2005

"KOMMERSANT"

Ontem o Tribunal de Moscovo tomou uma decisão sem precedentes ao
reconhecer culpados os organizadores da exposição "Cuidado,
religião!" de "incitação à discórdia religiosa e étnica", escreve o
jornal "Kommersant".
O tribunal condenou o director do Museu e Centro Social Sakharov,
Yuri Samodurov, e uma técnica do centro, Liudmila Vassilopvskaia à
multa de 100 mil rublos cada (1 dólar equivale a 27,83 rublos). A
terceira pessoa envolvida, a pintora Anna Mikhaltchuk, foi absolvida
por falta de provas.
A exposição "Cuidado, religião!" foi inaugurada no Museu e Centro
Sakharov a 14 de Janeiro de 2003, apresentando trabalhos de 40
pintores sobre temas religiosos. Entre as obras patentes encontrava-
se por exemplo um anúncio da Coca-Cola com a imagem de Jesus Cristo
por cima, um trabalho acompanhado da legenda "Não adores outros
deuses", mostrando um ícone de Cristo em tamanho natural com uma
abertura no local do rosto para que cada pessoa pudesse introduzir a
cabeça e fazer-se fotografar. Algum tempo depois, a Procuradoria
Geral iniciou um processo penal contra os organizadores da exposição,
tendo o procurador pedido três anos de prisão para Samodurov e dois
anos de prisão para Vassilovskaia e Mikhaltchuk.
O tribunal aplicou a pena de multa por ter levado em consideração
a "participação activa dos arguidos na actividade cultural e de
defesa de direitos humanos".
Os representantes da Igreja consideram justa a decisão do tribunal.
Segundo declarou o vice-presidente do Departamento de Relações
Exteriores do Patriarca, arcipreste Vsevolod Tchaplin, "não vale a
pena de pôr estas pessoas na cadeia, fazendo delas mártires, mas por
outro lado é muito importante que tenham sido processadas". Isto deve
fazer com que de futuro "não sejam organizadas exposições que
ultrajem os sentimentos dos crentes".
Terminado o julgamento, Samodurov disse que considera o processo
puramente político e irá apresentar recurso.


3 - Museu russo é multado por controvertida mostra com tema religioso

BBC 28/03/2005

Um tribunal de Moscou decidiu que os organizadores de uma exposição
de arte são culpados de incitar ódio religioso e impôs como pena uma
multa de cerca de US$ 3,6 mil.
A mostra "Cuidado! Religião" foi montada em janeiro de 2003 pelo
Museu Sakharov - nome em homenagem ao dissidente da era soviética,
Andrei Sakharov.
A Igreja Ortodoxa Russa condenou o diretor do museu, Yuri Samodurov,
e sua colega, Lyudmila Vasilovskaya.
O tribunal considerou a mostra "abertamente insultuosa e blasfema".
"Insulto"
Entre as peças em exposição estava uma imagem de um santo com um
buraco no lugar da cabeça, onde os visitantes poderiam colocar seu
próprio rosto.
Também havia um logotipo da Coca-Cola com a face de Jesus ao lado,
com as palavras: "Este é o meu sangue".
Uma escultura de uma igreja feita com garrafas de vodca também fazia
parte da exposição.
As peças foram alvo de vandalismo poucos dias depois de aberta a
mostra, mas as acusações contra os autores da depredação acabaram
sendo abandonadas.
Samodurov, um destacado ativista pelos direitos humanos na Rússia,
insistiu que não tinha a intenção de insultar os fiéis. Ele afirmou
que o caso contra ele foi absurdo e um desafio direto à liberdade de
consciência e expressão.
Seus partidários disseram que o caso destacou também o crescente
poder e influência da Igreja Ortodoxa na Rússia que é, em termos
constitucionais, um Estado laico.
Um terceiro réu - um artista que contribuiu para a mostra - foi
absolvido no julgamento.
Os advogados dos outros réus disseram que vão apelar da sentença,
recorrendo à Corte Européia para Direitos Humanos se necessário.


4 - "Fiéis ortodoxos" pedem fim de organizações judaicas na Rússia

Agência EFE 25/03/2005

Generais, acadêmicos, deputados e até um ex-campeão de xadrez, entre
5.000 "fiéis ortodoxos", querem a proibição das organizações judaicas
na Rússia, em um claro desafio ao presidente do país, Vladimir Putin,
que prometeu combater o anti-semitismo.
Esta nova solicitação à Procuradoria Geral é na verdade uma cópia
modificada e ampliada de uma mensagem semelhante, assinada por 20
deputados dos grupos parlamentares comunista e nacionalista (Ródina)
em dezembro passado.
Essa primeira cobrança foi feita às vésperas da viagem do presidente
Putin para as comemorações dos 60 anos da libertação do campo nazista
de Auschwitz, onde centenas de milhares de judeus foram exterminados.
O judaísmo, alegaram na ocasião, é uma religião que "incentiva entre
os judeus o ódio em relação ao resto da população do país", de modo
que o grupo exige a proibição tanto da religião como das organizações
judaicas.
Em seu discurso em Auschwitz, o presidente russo admitiu que na na
Rússia, "país que tanto fez para a derrota do fascismo", há focos de
anti-semitismo e xenofobia.
"A Rússia sempre vai combater casos semelhantes com toda a força da
lei", disse Putin na ocasião.
Quase imediatamente, a Duma (câmara baixa do Parlamento) aprovou uma
resolução condenando "focos anti-semitas", sem mencionar os autores
da polêmica mensagem à Procuradoria, que se apressou em revogá-la.
Apesar de as organizações judaicas terem pedido medidas contra os
signatérios do documento, a Justiça não fez nada para cumprir a
promessa de Putin de "combater casos semelhantes com toda a força da
lei".
Conseqüentemente, o pedido revisado, modificado e ampliado em sua
forma, mas não no conteúdo, apareceu novamente classificando as
organizações judaicas de "extremistas" e as acusando de "semear o
ódio e a hostilidade" e de "humilhar as pessoas por suas crenças
religiosas".
Entre as 5.000 assinaturas daqueles que se chamam de "fiéis
ortodoxos", destacam-se as do escritor Vasyl Belov, do pintor
Viacheslav Klikov, do acadêmico Igor Shafarevich, do general Leonid
Ivashov e do ex-campeão mundial de xadrez Boris Spasski.
Desta vez, o grupo tenta se apresentar como vítima e, após dizer que
a Rússia vive um "conflito étnico", pede que a Procuradoria
esclareça "qual parte o iniciou".
Quanto ao anti-semitismo, "fiéis ortodoxos" pede que se esclareça
se "as ações dos acusados (de atos contra judeus) não são uma
autodefesa diante da agressão daqueles que os acusam".
"Apesar das declarações de líderes do país condenando este horrível
fenômeno, o anti-semitismo beligerante contagia facilmente a
consciência das pessoas", disse o rabino da Rússia, Adolf Shaevich.
O rabino afirmou que "a doença do anti-semitismo não tem nada a ver
com o comportamento dos judeus".
Shaevich lembrou as freqüentes referências na imprensa em relação ao
grande número de judeus que fizeram grandes fortunas depois da queda
do comunismo.
Além disso, em uma declaração especial, chamou todas as organizações
judaicas a enfrentarem o anti-semitismo.
"O silêncio nesta situação é mais que uma covardia, é um crime em
relação às centenas de milhares de médicos, professores, cientistas e
engenheiros que são a maioria absoluta da população judaica da Rússia
e que sacrificam seu trabalho e talento para este país que amam",
disse.
Por enquanto, a Procuradoria Geral não quer comentar o pedido e as
medidas que poderá tomar.
O Kremlin também matém silêncio, e se limita a dizer que a
Constituição proíbe que a presidência e o governo intervenham nos
assuntos da Justiça.
Segundo o jornal digital Grani.ru, em 9 de maio, quando os líderes de
mais de 60 países se reunirão em Moscou para comemorar os 60 anos da
derrota do nazismo, Putin terá uma boa oportunidade de "mostrar ao
mundo inteiro o respeito da Rússia pelas vítimas do Holocausto e de
afastar os neonazistas ortodoxos".
EFE


5 - Igreja Romena Ortodoxa ameaçada de demolição

Missão Portas Abertas - 29/03/2005

As autoridades locais insistiram que um diácono deve demolir uma
Igreja Romena Ortodoxa construída por ele em sua vila natal de
Malajnica, no leste da Sérvia. Eles argumentam que são necessárias a
permissão de planejamento e a permissão separada da Igreja Ortodoxa
Sérvia, apesar de nenhumas das duas serem requisitadas pela lei. A
polícia também tem questionado o diácono sobre suas atividades
religiosas. "Eu fui convidado para ir à delegacia para responder
perguntas sobre onde e quando eu realizava serviços religiosos", o
sub-diácono Bojan Aleksandrovic disse ao Forum 18 News Service de
Malajnica no dia 5 de março. "Todas as perguntadas eram relacionadas
às regras e jurisdição da Igreja Ortodoxa, ao invés de se
relacionarem à lei civil".

Aleksandrovic disse que ele recebera uma promessa pessoal do ministro
da Religião da Sérvia, Milan Radulovic, em uma reunião no começo de
fevereiro, de que a igreja não seria demolida. "Desde então eu não
recebi nenhum documento escrito a respeito disso", Aleksandrovic
acrescentou, "e o caso está agora na Suprem Corte da Sérvia".

Complicando a situação está a contínua recusa do governo sérvio em
reconhecer a diocese da Igreja Ortodoxa Romena na Sérvia - a qual tem
agora 39 paróquias. O estado a reconhece apenas como um vicariato, o
status que ela tinha até fevereiro de 1997, quando o Santo Sínodo
Ortodoxo Romeno a elevou ao status de diocese, e a observa como sendo
confinada aos romenos étnicos, na região de Banat no norte da
província de Vojvodina, um pouco distante de Malajnica.

Aleksandrovic construiu a pequena igreja e adicionou uma casa
paroquial no ano passado, em sua propriedade particular e começou a
usá-la para cultos no outono. No dia 4 de dezembro de 2004, o bispo
Daniil (Stoenescu) - que lidera a diocese romena na Sérvia - doou os
sinos da igreja.

Aleksandrovic foi obrigado a construir sem permissão de planejamento,
porque essa área é definida por lei como sendo rural e não urbana e
as autoridades não podem dar nenhuma permissão de planejamento; desta
forma todas as casas na vila foram construídas sem qualquer
permissão. Ainda no dia 20 de janeiro de 2005, o conselho de Negotin
(a quem a jurisdição da vila pertence) emitiu a Aleksandrovic uma
ordem de demolir a igreja, o campanário e a casa paroquial dentro de
15 dias, Ele teve permissão de contestar a ordem no tribunal.

Aleksandrovic inicialmente tentou procurar permissão de construção,
aproximando-se do conselho de Negotin em novembro de 2003 (que não
respondeu por diversos meses). Rajko Korica, vice-ministro de
Investimentos Financeiros, finalmente escreveu a Aleksandrovic em
abril de 2004 informando-o de que ele deveria entrar em contato com o
Ministério da Religião para obter a permissão de construção.
Entretanto, o Ministério da Religião respondeu que não poderia
autorizar a emissão de tal permissão, e que ela deve vir das
autoridades locais (neste caso o conselho de Negotin). De qualquer
forma, a aprovação deveria ser primeiro obtida com a diocese ortodoxa
sérvia, dentro da qual o local de templo está para ser construído.
Uma vez que Malajnica está na diocese sérvia de Timok, Aleksandrovic
precisaria da permissão do bispo sérvio Justin (Stefanovic).
No dia 16 de junho de 2004, o conselho de Negotin enviou a
Aleksandrovic, por um emissário, a conclusão da administração do
conselho de casos públicos e de construção, datada do dia 30 de abril
de 2004, de que o procedimento havia sido repensado. A conclusão
anotou que o conselho havia escrito ao bispo Justin, pedindo sua
aprovação para a construção da igreja. "Eles receberam uma resposta,
o documento nº 4 de 14 de janeiro de 2004, com a informação de que
Bojan Aleksandrovic não é um clérigo da diocese de Timok e, por causa
disso, ele tem o direito de pedir para construir uma igreja. Uma vez
que [Aleksandrovic] questiona a ordem da igreja, ele não recebe a
bênção do bispo Justin." O conselho deu a Aleksandrovic 30 dias para
encontrar uma solução com o ministro da Religião para o conflito com
a diocese sérvia e seu padre local, que é descrito como sendo "o
único representante legal da diocese de Timok e, portanto, o único
que pode decidir sobre a igreja proposta".

Aleksandrovic contestou a rejeição do conselho de seu direito de
construir, mas o distrito de Zajecar rejeitou sua apelação no dia 7
de dezembro de 2004, como sendo infundada. Ele apresentou um apelo
contra isso na Suprema Corte no dia 5 de janeiro.

Em um caso separado, e porque apenas organizações e não indivíduos
podem apresentar tais apelos, a Associação para Cultura de
Romenos/Vlachs dos Romenos Ortodoxos Sérvios, em Malajnica, recorreu
à conclusão do conselho de Negotin na corte constitucional. Mas no
dia 13 de janeiro a corte rejeitou o pedido, declarando que a
conclusão não era um ato público (era uma conclusão, e não uma
decisão), e portanto não estava dentro das competências da corte.
Até se a vila tivesse status urbano (o que não é o caso) a procura do
conselho de Negotin pela permissão do ministro da Religião para
aprovar o novo lugar de culto é estranha. Aleksandra Rackov, do
Ministério de Investimentos Financeiros disse ao Forum 18, no dia 4
de março em Belgrado, que a Lei de Planejamento e Construção não
requer nenhuma permissão especial da liderança ortodoxa sérvia, ou do
ministro da Religião, para qualquer edifício, incluindo lugares de
culto.

Se as autoridades sérvias decidirem demolir o edifício, será dada a
mesma explicação que o governo macedônio usou em outubro de 2004 para
demolir o monastério ortodoxo sérvio de São João Cristóvão.

A doação dos sinos à igreja de Malajnica em dezembro provocou
imediatamente uma resposta da rival Igreja Ortodoxa Sérvia. "Ninguém
me informou do que poderia acontecer", o bispo sérvio Justin foi
citado pela imprensa local como tendo declarado isso. "Eu considero
isso como um chamado ao separatismo, o que poderia interromper a vida
em conjunta de vários séculos entre vlachs e sérvios nesta área". O
bispo reclamou ao Ministério de Relações Exteriores da União da
Sérvia e Montenegro, já que o bispo Daniil tem um passaporte
diplomático romeno.

O ministro da Religião Radulovic põe a culpa do problema de Malajnica
na "relação indefinida" entre as igrejas sérvias e romenas. Ele
acredita que a ordem de demolição foi decretada sem a permissão do
bispo Justin.

A Igreja Ortodoxa Romena tem estada presente na Sérvia por vários
séculos. Quando o Santo Sínodo Romeno elevou o vicariato ao estado de
diocese em 1997, o bispo Daniil foi instalado como bispo com sua
cadeira em Vrsac (cidade da Sérvia). Os governos sérvios e iugoslavos
nunca reconheceram a diocese, já que ela não foi criada em acordo com
a Igreja Ortodoxa Sérvia e com os cânones da igreja. O estado deixou
que as igrejas sérvias e romenas encontrassem a solução do problema,
e ele seguirá qualquer decisão tomada.

De acordo com o censo de 2002, 34.576 romenos étnicos e 40.046 vlachs
vivem na Sérvia. Muitos vlachs se consideram etnicamente romenos. A
maioria dos romenos e vlachs da Sérvia pertence à Igreja Ortodoxa
Romena. Além dos romenos na região de Banat, outro centro de romenos
e vlachs está na região de Timok, perto da fronteira oriental da
Sérvia com a Romênia e a Bulgária. Os romenos em Banat podem
pertencer livremente à Igreja Ortodoxa Romena, mas apenas a igreja
sérvia existe em Timok, com cultos na velha igreja Slanovic, o que
romenos - e até muitos sérvios - não conseguem entender.

Nos últimos oito anos, o bispo romeno Daniil tem visitado a área de
Timok sem pedir permissão ou informas o bispo sérvio Justin, como é
de costume entre igrejas ortodoxas irmãs. Como resultado dessas
visitas, alguns romenos étnicos querem cuidados pastorais da igreja
romena, ao invés da sérvia. Apesar de ser primariamente uma questão
canônica, isso tem levantado várias questões políticas.

Em 2002 o governo sérvio introduziu Educação Religiosa nas escolas
primárias e secundárias. A igreja Ortodoxa Sérvia foi especificamente
mencionada nas regulamentações estabelecendo a matéria, mas não as
igrejas ortodoxas russas, romenas e búlgaras, que também têm
paróquias na Sérvia. O vigário ortodoxo romeno Mojse Janosh disse ao
Forum 18 que se os ortodoxos romenos estivessem preparados para
trabalhar como um vicariato e não como uma diocese, eles poderiam
trabalhar nas escolas e o governo sérvio iria pagar os salários aos
professores como fazem aos professores e padres ortodoxos sérvios.
Ele acrescentou que a igreja continua a usar o vicariato para regular
o seguro de saúde e pensão de seus clérigos porque o governo sérvio
se recusa a reconhecer a diocese.

O ministro romeno de Relações Exteriores expressou várias vezes
preocupação com o tratamento da Igreja Ortodoxa Romena na Sérvia,
notando no dia 10 de janeiro que sua embaixada em Belgrado tem
mantido constante contato com Aleksandrovic desde o mês anterior
sobre o caso de sua igreja em Malajnica.

No dia 21 de janeiro, um dia depois que a ordem de demolição foi
emitida - o ministro romeno de Relações Exteriores expressou
um "profundo pesar" sobre a maneira como as autoridades têm se
comportado, especialmente porque a permissão de planejamento não é
requerida na vila, e fez representações através de canais
diplomáticos. "O Ministério de Relações Exteriores expressa sua
convicção de que a situação será classificada de acordo com a lei e
com as aspirações justas de uma parte da comunidade local", foi
declarado.

Tradução: Daila Fanny


6 - Israel aprova construção de 3.500 casas na Cisjordânia
(Patriarcado Greco Ortodoxo vendeu a companhias israelenses dois
enormes edifícios situados na entrada da Porta de Jaffa)

Agência EFE 21/03/2005

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, aprovou a construção de
3.500 casas na Cisjordânia para sustentar a criação da Grande
Jerusalém, segundo publica nesta segunda-feira o jornal israelense
Yediot Aharonot.
Esse projeto imobiliário viola o estabelecido no Mapa do Caminho, que
estipula a suspensão de assentamentos em terras palestinas. O
assentamento judaico de Maaleh Adumim seria unido à parte palestina
de Jerusalém.
O plano de paz elaborado pelo Quarteto de Madri exige que Israel
suspenda a construção de assentamentos em terras palestinas nas quais
será estabelecido o futuro Estado da Palestina.
Em fevereiro, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP),
Mahmoud Abbas, advertiu o premier israelense que queria Jerusalém
Oriental como capital do futuro Estado palestino, por isso pediu ao
Estado judeu que contivesse sua política de anexar terras ao redor da
cidade santa.
O negociador palestino, Saeb Erekat, denunciou o projeto e disse que
ele "tenta determinar o futuro de Jerusalém com assentamentos e não
mediante negociações".
"Mediante a expansão de assentamentos na Cisjordânia, surge a
impressão de que ele tenta trocar a retirada de Gaza por Grande
Israel, afirmou o ministro de Planejamento, Gasan Al Hatib.
Na Cidade Velha de Jerusalém, Israel também vai ganhando terreno com
a compra de praticamente toda porta de Jaffa por 155 milhões de
dólares.
O ambiente na Cidade Velha está agitado após divulgada a notícia de
que o Patriarcado Greco Ortodoxo vendeu a companhias israelenses os
hotéis Imperial e Petra, dois enormes edifícios situados na entrada
da Porta de Jaffa, até agora povoada por palestinos cristãos.
Os palestinos temem que o estabelecimento dos judeus na Porta de
Jaffa seja acompanhado da aquisição da rua de David, que leva
diretamente ao Muro das Lamentações, e os palestinos cristãos sejam
retirados de seu bairro.
EFE


7 - Jerusalém recebeu pela primeira vez em três anos uma grande
quantidade de cristãos para a comemoração da Semana Santa. (Dois
hotéis que pertenciam à Igreja Greco Ortodoxa foram adquiridos por
US$ 155 milhões)

Agência EFE 26/03/2005

Cerca de 15 mil peregrinos cristãos de todo o mundo e a comunidade
palestina católica tomaram conta durante sete dias da cidade velha de
Jerusalém, animada como não se via desde o início da Intifada em 2000
pela multidão que lotava suas ruas.

Os mercadores árabes decidiram expor seus artigos no exterior de suas
lojas diante da avalanche de visitantes, num número superior a 1999,
ano anterior ao levante palestino contra a ocupação israelense.

A cidade velha de Jerusalém é dividida em quatro bairros: muçulmano,
judeu, cristão e armênio. Os dois últimos estão ficando cada vez
menores, por causa do êxodo da minoria cristã e da compra das
propriedades por judeus e muçulmanos.

Os preços dispararam, como demonstra a última aquisição pelos
israelenses da palestina Porta de Jaffa, que pertencia à Igreja greco-
ortodoxa. São dois hotéis que foram adquiridos por 155 milhões de
dólares e provocaram um escândalo fenomenal que ainda não se
encerrou.

Os maometanos investem em Jerusalém com a ajuda inestimável da Arábia
Saudita e da própria União Européia, que destina importantes fundos a
organismos da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

A expansão e os conflitos entre muçulmanos e judeus pela posse da
cidade velha encurralaram durante estes últimos três anos a
comunidade cristã local e inclusive os freis franciscanos,
transformados em meros guardiães dos lugares santos que estão sob sua
custódia desde o século XIII.

A chegada em massa a Jerusalém de cristãos em procissão no último
Domingo de Ramos foi contemplada por judeus e muçulmanos como um
fenômeno que acreditavam estar enterrado e cuja existência puderam
ratificar ao longo de toda a Semana Santa, sobretudo nas celebrações
da Quinta e da Sexta-Feira Santas.

Os muçulmanos consideram a Mesquita de Omar como o terceiro lugar
sagrado do Islã, após Meca e Medina. Para os judeus, toda a cidade é
o centro da religião, com seu ponto principal no Muro das
Lamentações, a única parede que restou do antigo Templo, destruído
pelos romanos há cerca de 2 mil anos.

Onde na época de Jesus ficava o Templo, que muitos judeus ultra-
ortodoxos planejam reconstruir, foram construídas pelos omíadas (660-
750) as mesquitas de Al Aqsa e Omar numa planície conhecida como
a "Esplanada dos Mesquitas", mas que para os muçulmanos é o "Nobre
Santuário".

Em Jerusalém também fica a Basílica do Santo Sepulcro, construída no
lugar onde se acredita que ocorreram a crucificação, o enterro e a
ressurreição de Jesus. É o templo mais sagrado do cristianismo e
atualmente abriga os ofícios religiosos dos cristãos.

As Igrejas consideram como locais santos a Via Dolorosa - que Jesus
percorreu antes de ser crucificado e que hoje fica entre o mercado e
as ruelas da cidade amuralhada -, e o Jardim do Getsêmani, na ladeira
do Monte das Oliveiras, onde Jesus orou antes de ser preso.

A presença de peregrinos em Jerusalém, além de animar os cristãos
palestinos, é uma importante fonte de renda para israelenses e
palestinos e reforça o ambiente de calma que reina na região desde a
cúpula de Sharm el-Sheikh, na península do Sinai, no dia 8 de
fevereiro.

O padre Artemio Vitores, Vigário da Custódia dos Santos Lugares,
lembrou à EFE: "A Terra Santa é um patrimônio das três religiões
monoteístas e os cristãos têm direitos porque Jerusalém é também
nossa raiz e nossa essência".


8 - Jordânia investiga venda de terras pela Igreja Ortodoxa Grega

Por Suleiman al-Khalidi 28/03/2005

AMÃ (Reuters) - Autoridades jordanianas interrogaram o chefe da
Igreja Ortodoxa Grega na segunda-feira, por causa de uma venda de
terras em Jerusalém que irritou fiéis árabes.
O patriarca Irineos I foi convocado a depor em Amã por pressão do
Parlamento jordaniano e de líderes cristãos. Jornais afirmaram
recentemente que o patriarca vendeu terras da igreja em Jerusalém
Oriental, porção árabe da cidade, a um investidor judeu, e que
realizou outras vendas multimilionárias de propriedades da igreja.
Ele foi interrogado pelo ministro do Interior, Samir Habashneh, em
Amã. "O patriarca foi interrogado pelo ministro do Interior sobre a
venda de terra que consolida o domínio de colonos judeus em Jerusalém
e colabora para a 'judaização' da cidade sagrada", disse Audeh
Quawas, um influente deputado cristão ortodoxo.
A Jordânia aprova a nomeação do patriarca ortodoxo grego, de acordo
com uma lei de 1958, que lhe dá grande poder sobre a eleição da
principal autoridade da igreja.
Num acordo de paz com Israel, em 1994, a Jordânia manteve o controle
de templos muçulmanos e cristãos, mesmo tendo perdido a Cisjordânia e
Jerusalém Oriental para Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
"Há apelos populares e religiosos para anular as vendas de terras e
revogar o reconhecimento dado ao patriarca pela Jordânia", disse
Quawas, que integra o recém-criado comitê chefiado pelo ministro da
Justiça para investigar o caso.
O patriarca acusou aqueles que o criticam de tentar dividir a Igreja.
Seu porta-voz atribuiu o escândalo a adversários que tentam derrubar
o patriarca.
Há mais palestinos cristãos na Jordânia que na Cisjordânia e em Gaza.
Na sexta-feira, centenas de cristãos ortodoxos jordanianos fizeram
manifestações contra a suposta venda de terras e pressionaram o
governo a defender os direitos de propriedade árabes.
O governo sinalizou disposição em tomar providências contra o
patriarca se as acusações se comprovarem verdadeiras.
"A Jordânia sustenta a posição de que essa questão deve ser resolvida
de forma a garantir os direitos árabes e a evitar vendas ilegais de
terras da igreja", disse o porta-voz do governo Asma Khader.
A Jordânia encara as compras de terras por judeus como uma tentativa
de Israel de controlar Jerusalém Oriental, que os palestinos querem
como capital de seu futuro Estado.
A Igreja Ortodoxa Grega é dona de grandes áreas de terras em
Jerusalém.
Reportagem adicional de Dina al-Wakeel)


9 - Milhares de peregrinos chegam a Jerusalém para a Semana Santa
(Procissão passa por Igrejas Orientais)

Agência EFE 24/03/2005

Cerca de 15 mil peregrinos do mundo inteiro estão na cidade velha de
Jerusalém para as cerimônias da quinta-feira Santa, que não poderão
ser assistidas pelos cristãos palestinos de Gaza e da Cisjordânia.

O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, ordenou na última terça-
feira o fechamento total desses territórios durante as festas
judaicas do Purim. Por isso, os cristãos de Belém, Nablus, Jericó e
de outras cidades palestinas não poderão participar das procissões.

O ambiente tranqüilo vivido neste ano na Terra Santa favoreceu, no
entanto, que milhares de peregrinos cristãos chegassem à cidade,
situação diferente da dos últimos três anos, quando a Semana Santa
ficou reduzida a procissões de freis, freiras e de palestinos
cristãos de Jerusalém.

A ordem franciscana é a responsável por lembrar hoje a última ceia de
Jesus Cristo no Cenáculo.

No início da manhã, o Patriarca Latino, monsenhor Michel Sabah,
lavará os pés de doze pessoas no Santo Sepulcro, como fez Jesus com
seus discípulos antes da ceia.

Durante a tarde, uma procissão de freis franciscanos se dirigirá ao
Cenáculo, hoje propriedade do Estado de Israel, onde Jesus realizou a
última ceia junto com os doze apóstolos.

Esta é a única vez no ano em que os franciscanos podem entrar no
Cenáculo, de onde foram expulsos por Solimão, o Magnífico, em 1550.

No Cenáculo, localizado em pleno coração da cidade velha de
Jerusalém, serão lidas passagens do Evangelho em diferentes línguas.

Depois, a procissão seguirá para a igreja armênia de Santiago, onde a
tradição lembra o martírio de Santiago, o Maior, cuja cabeça é
venerada nesse templo e seu corpo em Santiago de Compostela (Espanha).

Em seguida, a procissão chegará à casa do máximo sacerdote Anás, no
bairro armênio da cidade antiga de Jerusalém, para depois se dirigir
à Igreja síria de São Marcos.

No final do dia, será lembrada a "Oração do Horto" ou "Hora Santa",
em Getsêmani.

Como é tradição, na Igreja das Nações acontecerá uma belíssima
cerimônia com cânticos polifônicos de palestinos cristãos.

A Igreja foi erguida junto ao Horto de Getsêmani, onde ainda há
oliveiras da época, que são protegidas por cercas do fervor dos
peregrinos, já que as provas do carbono 14 certificaram sua
existência milenar.

Os ofícios da Quinta-feira Santa recriam a ceia de Páscoa, feita por
Jesus como judeu - conhecida como Seder, em hebreu -, na qual ele
tomou o pão e o cálice e instituiu a Eucaristia com as
palavras: "Bebei dele todos; Porque isto é o meu sangue, o sangue do
novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos
pecados".

Depois da ceia, Jesus e os apóstolos foram orar no horto de
Getsêmani, ao pé do Monte das Oliveiras, onde Judas tinha combinado
um sinal com os soldados: "O que eu beijar é esse; prendei-o".

Nesse local acontece a chamada Agonia de Getsêmani, na qual Jesus
pede: "Afasta de mim este cálice".

O ato mais importante das celebrações da Semana Santa é a Via Crucis
da Sexta-feira Santa, procissão que reproduz o trajeto que Jesus
Cristo percorreu pela Via Dolorosa até o local de sua Crucificação,
no Santo Sepulcro.


10 - Milhares de cristãos celebram a Páscoa em Jerusalém

27/03/2005 - Agência Estado

Jerusalém - Milhares de cristãos de todo o mundo se rreuniram nos
locais sagrados de Jerusalém para celebrar com orações e cânticos o
Domingo de Páscoa. O patriarca latino de Jerusalém, Michel Sabbah, o
máximo representante católico na chamada Terra Santa, celebrou a
missa na Igreja do Santo Sepulcro, construída no monte onde, segundo
a tradição cristã, Jesus teria sido crucificado.
Cerca de 20 sacerdotes armênios cobertos com batas pretas
acompanhavam o cura católico, que emergiu do sepulcro com uma chama e
acendeu várias velas levadas por fiéis, que iluminaram por algum
momento o teto pintado da cúpula, da era dos cruzados.
A cerimônia de Páscoa põe em evidência as diferença das doutrinas
cristãs: os católicos acreditam que Jesus Cristo foi enterrado no
local onde hoje ocupa o Santo Sepulcro, enquanto que muitos
protestantes afirmam que ele foi sepultado no Tumba do Jardim de
Getsêmani.
A recente calma no conflito entre israelenses e palestinos atraiu
muito mais peregrinos estrangeiros a Jerusalém para a Semana Santa de
2005 que em anos anteriores. Mesmo assim, nada parecido com os vários
milhares que vinham antes do início da intifada de 2000.
Os católicos que chegavam em grupos, muitos deles missionários da
Espanha e França, disseram que haviam incluído o papa em suas orações
de domingo.
Como parte dos atuais esforços de aliviar as restrições aos turistas
impostas à população palestina, o Exército anunciou hoje que cerca de
8.200 palestinos da Cisjordânia e 250 da Faixa de Gaza poderão obter
permissão diária para ingressar em Jerusalém ou Nazaré durante as
celebrações de Páscoa.
No entanto, já que este ano a Páscoa coincide com o festival judaico
do Purim, os militares israelenses impuseram restrições de viagens
gerais aos palestinos entre quarta-feira e domingo.
AE-AP


11 - Páscoa sob toque de recolher no Iraque

BAGDÁ, domingo, 27 de março de 2005 (ZENIT.org ).- Os cristãos do
Iraque viveram ou se preparam para viver (dependendo do rito ao que
pertencem) a Páscoa pelo segundo ano consecutivo sob toque de
recolher.

Por este motivo, dado que se impede de sair de casa à noite,
privilegiaram-se as celebrações durante a manhã ou à luz do dia.

Algumas famílias não foram às igrejas por medo, pois os atentados
atingem todos, sem distinção.

O bispo auxiliar caldeu de Bagdá, Dom Shlemon Warduni, em declarações
a «Rádio Vaticano», confessou: «Pedimos ao Senhor ressuscitado que
nos dê verdadeiramente essa paz e essa segurança que deu aos
discípulos quando não sabiam o que fazer».

«Muitas vezes nós tampouco sabemos o que fazer, mas nos dirigimos a
Ele, na cruz, e Ele nos dá alento --acrescenta o prelado--. Estamos
seguros de que ressuscitaremos com Ele, e nos deu a força para viver
estas festas em união com todos vós, com os cristãos de todo o mundo».

«Sem esta esperança nós já estaríamos acabados».


12 - A PÁSCOA NO MUNDO...

Roma, 26 março (Rádio Vaticano) - A Páscoa no mundo... Na região
senegalesa de Casamance, os fiéis vivem a Páscoa sob o signo da
esperança. As igrejas estão sempre repletas de fiéis, demonstrando
assim, o clima de paz que vem se difundindo na região, como
testemunha Dom Maixent-Coly, Bispo de Ziguinchor, capital da Baixa
Casamance, região do sudeste do Senegal, palco de um conflito que se
arrasta por duas décadas e que agora, parece finalmente ter sido
superado.
No Sudão, a semana santa transcorre entre momentos de medo e de
esperança. Na quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU decidiu
enviar uma missão de 10 mil homens ao território sudanês, para
garantir o respeito do acordo de paz assinado em janeiro, entre o
governo de Cartum e os rebeldes do sul desse país africano.
Ainda na África, Dom John Baptiste Odama, Bispo de Gulu, principal
cidade do norte de Uganda, lançou _ em sua mensagem pascal _ um
fervoroso apelo aos comandantes da rebelião, para que façam um
esforço para negociar um fim pacífico para a guerra em curso. A
população do norte de Uganda sofre, há 18 anos, os ataques dos
rebeldes do Exército de Resistência do Senhor.

Por último, o Iraque, onde os fiéis vivem a segunda Páscoa
consecutiva, em regime de "toque de recolher". Os católicos celebram
os ritos da semana santa numa situação de calma aparente, mas na
verdade, num estado de contínua tensão e preocupação, pelo temor de
novas violências e atentados. (AF)


13 - Explosão retoma medo da violência durante Páscoa em Beirute

Por Lin Noueihed 27/03/2005

BEIRUTE (Reuters) - Uma explosão em um subúrbio cristão no leste de
Beirute ofuscou as celebrações da Páscoa neste domingo e provocou
temores da volta do passado violento do Líbano.
Forças de segurança libanesas retiraram destroços e metal retorcido
deixados pela explosão de sábado, a terceira em oito dias no centro
cristão do país, onde o ressentimento contra a Síria ainda é alto.
O patriarca Nasrallah Butrous Sfeir, líder espiritual dos cristãos
maronitas do Líbano e crítico do domínio da Síria sobre o país, disse
aos fiéis na missa de Páscoa que os libaneses devem escolher agora
entre a liberdade e a violência.
"O feriado neste ano não é animador", disse. "Os incidentes...colocam
(as pessoas) em encruzilhadas: ou a independência, soberania e
liberdade -- e é isso o que a maioria dos libaneses qqueira isso -- ou
tumultos e dificuldades."
A explosão feriu oito pessoas, disseram fontes de agências de
segurança, a maioria trabalhadores do sul da Ásia.
As fontes disseram que 25 quilos de material altamente explosivo
foram detonados entre um carro e uma mecânica de automóveis na zona
industrial de Sad al-Boushrieh.
Figuras da oposição contra a Síria culparam as agências de segurança
libanesas apoiadas por Damasco. Isso recuperou memórias da guerra
civil libanesa (1975-1990). Eles disseram que os ataques não vão
impedir sua campanha contra a Síria.
A oposição libanesa exortou no sábado os chefes da segurança do país
a renunciarem para permitir uma investigação internacional sobre a
morte do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri em uma explosão em 14
de fevereiro. A oposição acusa a Síria de envolvimento no episódio.
Um relatório da ONU afirma que a investigação libanesa tem muitas
falhas e pede um inquérito internacional. Na manhã de domingo ainda
havia fumaça preta saindo das janelas e água escorrendo pelas paredes
do prédio atingido pela explosão. Bombeiros trabalharam durante toda
a noite para combater o fogo em quatro edifícios.
Moradores culparam a Síria, dizendo o país quer mostrar que o Líbano
está entrando no caos depois da retirada de suas tropas.
"Os inimigos do Líbano fizeram isso, os que não querem a
independência do Líbano", disse Ohaness Melketessian, nos escombros
de sua carpintaria destruída. "Vamos ver mais disso", disse.
Na terça-feira, uma explosão matou três pessoas em uma cidade cristã
ao norte de Beirute, dias depois que outro ataque feriu 11 em um
bairro cristão a leste da capital.
O presidente do Líbano pró-Síria, Emile Lahoud, disse no domingo, ao
deixar uma missa de Páscoa, para os libaneses permanecerem unidos.


14 - Libaneses esperam demissões após atentado de sábado

EFE 27/03/2005

Por Kathy Seleme Beirute, 27 mar (EFE).- Os libaneses estão à espera
da demissão dos chefes da Segurança do país, exigida pela oposição
após o atentado de ontem em Beirute, o terceiro em menos de duas
semanas.

Membros da segurança viajaram neste domingo para a região de Sad
Bauchrie, no cinturão industrial de Beirute, onde ontem à noite um
carro-bomba explodiu, deixando seis pessoas feridas, segundo os
últimos números do juiz encarregado das investigações, Jean Fahd.

O magistrado disse também que a carga dos explosivos era de 30
quilos, e não de 50, como a polícia assegurou em um primeiro momento,
quando também elevava para oito o número de feridos.

Nesta manhã, o local do ataque continuava interditado e se
assemelhava a um campo batalha, com vários prédios e casas destruídos.

A polícia só permitiu a passagem dos donos das empresas danificadas
pelo fogo para que pudessem avaliar seus danos.

O atentado deste sábado à noite é o terceiro contra um bairro cristão
em menos de duas semanas.

Os dois anteriores, ocorridos em New Yeide e em Kaslik, causaram três
mortes e deixaram 15 feridos.

"Estes fatos repercutem e nos colocam diante de duas alternativas. Ou
nos encaminhamos em direção à liberdade, à independência e à
soberania, que é o que deseja a maioria dos libaneses, ou em direção
aos distúrbios, provocados por aqueles que não querem o bem do
Líbano", disse neste domingo o patriarca maronita Nasrallah Sfeir.

Poucos minutos após o atentado, a oposição acusou a Síria e os
serviços de segurança sírio-libaneses de estarem por trás do ataque.

"Esperávamos estes atentados uma vez iniciada a retirada dos soldados
sírios", afirmou o general exilado Michel Aun à rádio Oriente.

"A libertação do Líbano é irreversível e a unidade nacional é
intocável. Esperamos que muito em breve se descubram quem são os
defensores da ocupação síria e as pessoas que dependem dos serviços"
sírio-libaneses, acrescentou Aun.

Neste ambiente de crescente tensão e violência, os meios de
comunicação locais acreditam que em breve serão divulgadas as
primeiras demissões.

A rede de televisão NTV, considerada próxima ao presidente Émile
Lahoud, mudou sua linha editorial e há 48 horas iniciou uma violenta
campanha contra o procurador do Estado e ministro da Justiça, Adnan
Adum, e os chefes dos serviços de Segurança, acusando-os
de "corrupção e negligência".

O jornal Al Mustaqbal assegurou neste domingo que o presidente
começou a preparar o terreno para a demissão destes e de outras
autoridades.

Por sua vez, o jornal Ad Diyar ressaltou que estas demissões são a
melhor forma de debilitar o poder que a Síria exerce sobre o Líbano.

"Damasco perderá a influência após a destituição dos chefes de
segurança, e também com as investigações internacionais relativas ao
assassinato de Hariri", escrevia o jornal.

A ONU divulgou nesta quinta-feira um relatório em que culpou a Síria
pela instabilidade que o Líbano começou a viver nos meses anteriores
ao atentado a Hariri.

Em meio à crise, o Exército sírio prosseguiu com sua retirada gradual
e desocupou neste sábado à noite outra importante posição em
Majdalun, a cinco quilômetros da cidade de Baalbeck, no vale de Bekaa.

Quinze caminhões sírios e três reboques de canhões de artilharia
deslocaram-se em direção à cidade síria de Homs e saíram de Bekaa,
onde permanecem 10 mil soldados sírios.

A posição foi tomada pouco depois pelos libaneses, que içaram a
bandeira nacional e fotos de Hariri, enquanto dançavam e cantavam de
alegria. EFE alg dgr/sc


15 - Há quem queira a guerra civil no Líbano

Último Segundo 27/03/05

Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel
([email protected] )

O patriarca Sfeir, maior autoridade da seita cristã maronita do
Líbano, foi ouvido fazendo um apelo ao seu "rebanho" e ao povo em
geral para que resistam às provocações visando lançar o país na
guerra civil. Sfeir deu a maior divulgação a um encontro com a
liderança do Hizbolá, grupo xiita que domina o sul libanês, numa
primeira vez em anos. O Hizbolá defende a presença síria, contra a
qual se opõem os cristãos e os drusos.
O patriarca se referia a ataques terroristas no bairro maronita de
Beirute, a capital. Vários deles em dias recentes. Ele colocou as
opções diante de seu povo entre construir um país livre e democrático
ou recair na guerra que se estendeu durante cerca de 20 anos com
grande destruição de bens e vidas. O conflito entre os seguidores da
fé muçulmana e a cristã resultou em saída maciça de maronitas.
As tensões entre os grupos se acentuaram com o assassinato por homem-
bomba do líder político e muçulmano secular Hariri, um bilionário que
vinha promovendo a reconstrução de Beirute, cidade conhecida como a
Paris do Mediterrâneo pela sua beleza e rica vida noturna, muito
destruída na guerra civil.
Ele deixara a função de chefe do governo para a qual pretendia
concorrer novamente em eleições marcadas para maio próximo. Era
contrário à continuação da presença de tropas e serviço secreto sírio
no país.
Os sírios haviam entrado há décadas sob a justificativa de contribuir
para a pacificação. E foram ficando. Os maronitas acusam os sírios da
autoria. Americanos e israelenses concordam. As Nações Unidas
investigaram o crime e saíram em apoio às pressões sobre Damasco para
retirar suas tropas. Ao que se informa, os sírios estão saindo. Mas
não suficientemente rápido nem se sabe qual será o destino dos
serviços secretos que sabem de tudo e são os principais suspeitos em
tudo.
O patriarca, mais do que cardeal, tem, claro, alto prestígio por sua
coerente posição anti-Síria. Mas só os próximos dias dirão se basta
para evitar que os atos terroristas contra alvos cristãos escalem num
conflito que seria o pior para o país.


16 - Lahoud pede união para salvar país

EFE 27 de Março de 2005

O presidente do Líbano, Émile Lahoud, pró-Síria, pediu aos libaneses
neste domingo que se unam para salvar o país, enquanto o patriarca
maronita (católico do Oriente) Nasrallah Sfeir pediu à população que
não perca a confiança, apesar dos recentes atentados contra bairros
cristãos. "Devemos ficar todos unidos, porque a união faz milagres",
declarou Lahoud, cristão, após ter assistido à missa de Páscoa e ter
se reunido com o prelado.
O presidente condenou o atentado com carro-bomba de sábado à noite em
Sad Bauchrie, bairro da periferia de Beirute, em que oito pessoas
ficaram feridas e disse estar aliviado porque o atentado não ocorreu
durante o dia, momento em que haveria "um número maior de vítimas".
Foi o terceiro atentado contra um bairro cristão em menos de duas
semanas. O primeiro ocorreu em Nova Yeide e deixou três mortos, e o
segundo foi em Kaslik, onde 11 pessoas ficaram feridas.
Em tom de desabafo, Sfeir disse que a Páscoa da Ressurreição "não
trouxe alegria aos fiéis, que precisam que seu presente e futuro
sejam garantidos". E completou dizendo que "estes eventos repercutem
sobre todos e nos põe ante duas alternativas: ou caminhamos em
direção à liberdade, à independência e à soberania, que é o que a
maioria dos libaneses deseja, ou em direção aos distúrbios,
provocados por aqueles que não querem o bem do Líbano", disse o
patriarca. Sfeir também pediu que sejam mantidas as relações
de "irmandade" com Síria, país que a oposição acusa de estar por trás
dos atentados


17 - Arménia: "Partilhamos os ideais cristãos europeus", afirma
especialista religioso

Ais Notícias 28-03-2005

Vahram Soghomonyan, que integra uma organização não-governamental
armena para a promoção da tolerância religiosa, defende a integração
do seu país na União Europeia e a partilha dos valores cristãos na
Europa.
Vahram Soghomonyan trabalha numa ONG dedicada à cooperação
democrática e é também especialista em assuntos religiosos.
Participou recentemente no curso "Relações Públicas em Instituições
da Igreja", promovido pela Ajuda à Igreja que Sofre, que reuniu cerca
de duas dezenas de jornalistas e relações públicas vindos de países
da antiga União Soviética como a Rússia, Ucrânia, Bielorrússia ou a
Arménia, permitindo a partilha de experiências entre profissionais da
comunicação da Igreja
"Este curso permitiu-me conhecer a experiência de outros países, que
pelo seu passado socialista, se depararam com problemas de liberdade
religiosa", referiu Soghomonyan em entrevista à Ajuda à Igreja que
Sofre. "A organização de que faço parte, que é financiada pela Open
Society, tem-se ocupado de um projecto para a promoção da tolerância
religiosa na Arménia. Organizamos mesas-redondas entre várias
organizações religiosas e a Igreja Apostólica", acrescentou.
Sobre a cooperação entre a Igreja Apostólica Arménia e a Igreja
Católica, Soghomonyan recordou a experiência ecuménica da visita de
João Paulo II à Arménia em 2001, por ocasião do 1700º aniversário da
adopção do cristianismo como religião oficial. Segundo este
especialista, "existem tradicionalmente boas relações com a Igreja
Católica e a Igreja Apostólica armena, que tem costumes próprios e se
identifica com a própria identidade nacional, é bastante aberta e
liberal".
A Igreja Apostólica Armena deve a sua designação aos apóstolos
Bartolomeu e Tadeu, que evangelizaram a Arménia nos primeiros séculos
do cristianismo. No ano 301, a Arménia - então governada pelo Rei
Tiridates - seria a primeira nação a declarar-se crisstã. Desde o ano
451 até 1996, a Igreja armena esteve separada da Igreja Católica, até
a assinatura, por parte de João Paulo II e Karekin I, de um acordo
teológico indicando a partilha de crença.
Actualmente as relações entre o Estado e a Igreja, estão novamente
normalizadas após décadas de perseguição ao clero por parte do regime
soviético, que terminou com a independência do país em 1991.
"A Igreja está numa fase de renascimento, após o colapso da União
Soviética. As pessoas estão a aproximar-se da Igreja, mas tivemos um
problema em relação ao reduzido número de sacerdotes, que está a ser
ultrapassado pela formação. Foi permitido que a Igreja Apostólica
educasse as crianças na escola", referiu Vahram Soghomonyan,
recordando que esta posição é defendida pela maioria dos arménios
apostólicos (que hoje representam cerca de 90% da população).
Quanto aos principais desafios que se deparam actualmente aos jovens
cristãos armenos, Soghomonyan destacou a questão da integração da
Arménia na União Europeia que, defendeu, "assenta nos mesmos ideais
cristãos que são defendidos pela maioria dos armenos".
Soghomonyan sublinhou ainda que existe na Arménia "uma espécie de
vazio espiritual nos países do pós-socialismo", aproveitado por
pequenos grupos religiosos, na sua maioria estrangeiros, que fazem a
sua propaganda junto da sociedade. "O nosso objectivo principal é
fazer com que esta «competição» seja mais aberta, que todos sejam
tolerados e que as comunidades religiosas não se confrontem entre
si", concluiu.



18 - COMUNIDADE ARMÊNIA EVOCARÁ DEVIDAMENTE OS 1,5 MILHÃO DE VÍTIMAS
DO GENOCÍDIO ARMÊNIO

www.armenia.com.br 28/03/2005

A Comunidade Armênia do Brasil irá homenagear os 1,5 milhão de
vítimas do Genocídio Armênio, por ocasião do 90.o aniversário dos
nefastos acontecimentos organizados e perpetrados pelas autoridades
turco-otomanas entre 1915 e 1923.
Com essa finalidade, foi criada uma Comissão especial da Comunidade,
que reúne as instituições, organizações e denominações religiosas da
coletividade armênia de São Paulo, para que sejam planejados e
estruturados todos os eventos solenes que se desenrolarão durante o
mês de abril vindouro.
Apresentamos, a seguir, algumas das atividades que já estão
confirmadas pela Comissão Organizadora:
23 de abril, sábado, 20h00: Ato ecumênico na Igreja Católica Armênia
São Gregório, o Iluminador, que terá a participação das Igrejas
Armênias e outras Igrejas co-irmãs, com o auspício do Cardeal
Arcebispo de São Paulo, Dom Cláudio Hummes.
24 de abril, domingo, 12h30: Após as Missas e Cultos nas Igrejas
Armênias, procissão dos fiéis até o Monumento dos Mártires Armênios,
onde serão depositadas as coroas de flores das instituições e
organizações das comunidades, assim como será realizado Réquiem em
memória das vítimas do Genocídio e a seguir, ato popular.
25 de abril, segunda-feira, 19h00: Concentração popular diante da
Cruz de Pedra (Khatchkar) erguida na pátio da Assembléia Legislativa
do Estado de São Paulo, no Ibirapuera. A seguir, será realizada uma
Sessão Solene no Plenário da Assembléia Legislativa, que contará com
a presença de altas autoridades civis e eclesiásticas. Orador do dia:
Prof. Dr. Dalmo Dallari. Durante a Sessão Solene, será realizada a
cerimônia de lançamento de um carimbo especial pelos Correios (EBCT).
Oportunamente, informaremos aos nossos leitores o calendário de
outros eventos alusivos aos 90 anos do Genocídio Armênio. Aguardem.

ERRATA: Na mensagem do Boletim Oriente Cristão nº 30 foi informado
que o 90º Aniversário do Genocício Armênio seria lembrado naquela
semana, quando na verdade ele será lembrado no dia 24 de abril,
conforme matéria acima.


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