BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 31 - 24 de março de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Desejo a todos os cristãos que vão comemorar a ressurreição de Cristo
neste Domingo uma Santa e Feliz Páscoa.

Peço uma oração pelos cristãos que vivem em países da maioria não
cristã, especialmente para os que vivem no Iraque, Líbano e na Terra
Santa, para que eles possam celebrar a Páscoa em paz.

Que Deus nos abençoe.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe


ÍNDICE

1 - Rússia: "Barco-capela" é sinal importante de cooperação ecuménica

2 - Todo o mundo poderá acompanhar as obras de restauro da Igreja da
Transfiguração

3 - Igreja Ortodoxa Russa celebra a festa do Triunfo do Cristianismo
Ortodoxo

4 - PATRIARCADO RUSSO PROTESTA POR PROSELITISMO CATÓLICO

5 - O codex sinaiticus muda evangelhos?

6 - Chamado da Santa Sé a favor dos cristãos da Terra Santa

7 - Coleta em favor da Terra Santa, na Sexta-feira Santa

8 - Soberania do Líbano é necessária para a liberdade dos cristãos

9 - Bomba mata 3 em região cristã do Líbano e aumenta tensões

10 - NO DOMINGO DE RAMOS, PATRIARCA DE BAGDÁ FAZ APELO PARA QUE SE
VENÇA O MEDO


NOTÍCIAS


1 - Rússia: "Barco-capela" é sinal importante de cooperação ecuménica

Ais Notícias 22-03-2005

Em Outubro de 2004 foi inaugurado o terceiro "barco-capela",
o "Werenfried", que, tal como os seus antecessores, irá
disponibilizar serviços religiosos às populações localizadas junto ao
rio Volga. Para Peter Humeniuk, da Ajuda à Igreja que Sofre, este é
um importante sinal de cooperação entre a organização e a Igreja
Ortodoxa Russa.
Peter Humeniuk, responsável pela relações ecuménicas da Ajuda à
Igreja que Sofre, esteve recentemente na Rússia e considera que a
inauguração deste terceiro "barco-capela" em Volgogrado "é sinal
importante de boa cooperação entre a nossa organização e a Igreja
Ortodoxa Russa".
"Milhares de fiéis celebraram a Festa da Epifania dentro do próprio
barco e no ancoradouro", referiu Peter Humeniuk que informou que a
primeira viagem do "Werenfried" deverá acontecer proximamente,
durante a Primavera ou no início do Verão, quando as condições
climatéricas permitirem a navegação no Rio Volga.
Sobre outros projectos de colaboração entre a Igreja Ortodoxa e a
Ajuda à Igreja que Sofre, Humeniuk indicou o auxílio à formação de
sacerdotes e o financiamento de um sanatório para crianças em fase
terminal em São Petersburgo.
Quanto à situação actual da Igreja Ortodoxa na Rússia, o responsável
da organização considera que "desde a década de noventa, a Igreja
Ortodoxa teve um desenvolvimento considerável e é agora uma
instituição forte que tem dado maior relevância à sua presença nos
meios de comunicação social que, na sua maioria e tal como acontece
no Ocidente, são seculares e orientados para o lucro".


2 - Todo o mundo poderá acompanhar as obras de restauro da Igreja da
Transfiguração

Voz da Rússia 22/03/2005

Todo o mundo poderá acompanhar as obras de restauro da Igreja da
Transfiguração, de 22 cúpulas, que se ergue na ilha de Kiji, no lago
Ónega. Esse espécime único da arquitetura em madeira, construído sem
um único prego, foi incluído pela UNESCO em sua "Lista de Herança
Mundial". Daqui a pouco, será instalada em frente dessa igreja uma
câmera WEB, para todos os interessados poderem acompanhar os
trabalhos ao vivo. Para não desmontar aquele milagre arquitetônico,
foi decidido dividir a construção em vários segmentos. Depois, cada
um será levantado por macacos especiais, devendo nesse meio tempo as
toras apodrecidas ser substituídas por novas. Em 2014, a Igreja da
Transfiguração completará 300 anos.


3 - Igreja Ortodoxa Russa celebra a festa do Triunfo do Cristianismo
Ortodoxo

Voz da Rússia 21/03/2005

Na Sé de Cristo Redentor, em Moscou, o patriarca da Igreja Cristã
Ortodoxa da Rússia, Aleksi II, celebrou um ofício divino em homenagem
à festa do Triunfo do Cristianismo Ortodoxo. À cerimônia assistiram
diplomatas de vários países, entre os quais os embaixadores da Grécia
e Chipre. No Dia do Triunfo do Cristianismo Ortodoxo, comemorado no
primeiro domingo da Quaresma, um preito de honra especial é rendido
aos que tenham prestado os mais relevantes serviços à propagação da
fé em Cristo pela Terra afora.


4 - PATRIARCADO RUSSO PROTESTA POR PROSELITISMO CATÓLICO

MOSCA, 23 (ANSA) - O patriarcado ortodoxo de Mosca protestou hoje com
o Vaticano por causa da "atividade missionária dos católicos do rito
grego no sul da Ucrânia".
Em uma carta enviada ao cardeal Walter Kasper, o metropolita Kirill -
número dois da igreja ortodoxa russa - exprime "angústia" para o fato
de, durante uma recente reunião em Leopoli uma ordem religiosa grego-
católica - os "Redentores" -, ter sido dadda como prioridade "a
atividade missionária nas regiões tradicionalmente ortodoxas do sul
da Ucrânia".
"Esta intenção expressada pela ordem suscita a nossa inquietude",
sublinha o metropolita na carta - endereçada ao presidente do
Conselho pontifício para a unidade do cristianismo -, divulgada pela
agência de notícias Itar- tass.
"A Igreja ortodoxa russa - afirma o número dois do patriarcado -
considera esta atividade uma forma de proselitismo que representa uma
nova fonte de tensão no contato entre as duas igrejas e
conseqüentemente de eliminar algumas tendências positivas no
desenvolvimento dessas relações".
O suposto proselitismo católico nos países da ex-URSS e a situação na
Ucrânia ocidental, onde vive uma massiva comunidade católica,
atrapalharam por anos as relações entre o Patriarcado ortodoxo e o
Vaticano e até agora impediram o Papa de fazer uma desejada visita à
Rússia.
23/03/2005


5 - O codex sinaiticus muda evangelhos?

Último Segundo 08:36 21/03

Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel

JERUSALÉM - Certas notícias são como folhas ao vento que chamam
atenção, mas não se sabe o que significam. Não se pode dar uma
informação sobre o Codex Sinaiticus sem o respeito de ser mais
completa possível. O Codex pode conter dados que mudarão a visão
atual do judaísmo e do cristianismo.
É a mais velha Bíblia conhecida em existência. O mais importante
manuscrito. Ele está em grego. Foi escrito no quarto século, por
volta do ano 310, por determinação do imperador Constantino, o Grande.
Imperador romano por herança, foi quem construiu a nova capital,
Constantinópolis, dedicada à Virgem Maria. Criou o império cristão
com sua fé e comando. Mas só foi batizado ao morrer. Dos seus dias
ainda se pode ver a igreja de Hagia Sofia, em Istambul.
Filho de Helena, que seu pai, imperador, divorciara para casar com
Teodora, fez de sua mãe monarca, com todos os poderes. E ela se
tornou cristã devota a quem se atribui a construção da primeira
Igreja da Natividade, em Belém, hoje, cidade palestina, e igreja na
colina da Ascensão, a Igreja de Santo Sepulcro, em Jerusalém, séculos
depois dos eventos narrados nos Evangelhos.
O nome do Codex deriva do local onde é conservado, o mosteiro de Sta.
Catarina, no Egito, no deserto do Sinai. Um dos mais antigos
existentes com milenar ordem monástica, ele foi construído entre os
anos 527 e 565 na base do que a sua tradição diz ser o Monte Sinai,
aquele onde Moisés teria visto o fogo queimando um arbusto, sinal de
Elohim, Deus.
E recebido os Mandamentos onde uma capela marca o local. Em outro
canto estão os ossos de Catarina, santa e mártir cristã. É um lugar
santo sob a guarda de monges grego-ortodoxos há mais de mil e
quinhentos anos. Visitá-lo foi inesquecível.
É verdade que não existe consenso sobre qual seria o Monte Sinai da
Revelação. Mas não se discute a tradição registrada na Bíblia. Fé é
crença. A crença ainda é a de que os Mandamentos foram revelados no
Monte Sinai e deram a base moral e ética das fés monoteísticas.
Foi um erudito alemão, Constantine Tischendorff, que descobriu, em
meados do século 19, que existia o manuscrito no Mosteiro. Ele se
apropriou de partes que levou para a Alemanha e Rússia. Nunca foi bem
explicado. O Codex ficou dividido em quatro segmentos: Sta.
Catharina; biblioteca da Universidade de Leipzig, Alemanha;
Biblioteca Nacional Russa e Biblioteca Britânica de Londres.
A Biblioteca de Leipzig está na universidade do mesmo nome, cuja
inauguração foi no ano de 1543. A Biblioteca Nacional Russa fica em
São Petersburgo que já foi Leningrado, salva de ameaças de
revolucionários em 1917. E conta com 33 milhões de itens. A
Biblioteca de Londres guarda 150 milhões de itens. É das mais
completas e universais em existência.
O projeto Codex visa a uma interpretação atualizada do conteúdo. E
colocá-lo no web para ser visto por qualquer conectado ao internet.
Especialistas da Europa, Grã-Bretanha, Rússia e Estados Unidos já
começaram a trabalhar. Recorrerão a tantos outros quanto necessários
para desvendar todo os seus mistérios. As partes serão, óbvio,
reunidas num só volume, porém, virtual. Haverá traduções para línguas
correntes. E comentários interpretativos e explicativos.
O Codex é uma versão das principais escritas sagradas. É a mais
antiga a ter preservado num só volume o que viria a ser o Novo
Testamento. Sua riqueza em conteúdos é incomparável. E deve abrir
novos conhecimentos sobre a história do cristianismo. Explicar a
estrutura do Velho e do Novo Testamento.
Manuscrito por três escribas que fizeram correções que agora, com as
novas possibilidades de leitura, poderão ser identificadas em
abrangência e significado. A reunião das partes será feita sem tocar
em nenhuma. Seria perigoso. Poderá transformar páginas em poeira. A
idéia é a de se aplicar tecnologias para conservá-las intactas, como
ainda estão. Mas existe grande ansiedade nos meios diretamente
interessados, os científicos como os teológicos, do muito que
aprenderão.


6 - Chamado da Santa Sé a favor dos cristãos da Terra Santa

Por ocasião da coleta de Sexta-Feira da Paixão

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de março de 2005 (ZENIT.org).-
A Congregação para as Igrejas Orientais lançou um chamado a todos os
católicos do mundo para que ajudem concretamente os cristãos na Terra
Santa.

O prefeito da instituição vaticana, o cardeal Ignace Moussa I Daoud,
recordou esta segunda-feira que os Papas «estabeleceram que na Sexta-
feira Santa, enquanto toda a Igreja contempla o rosto de Cristo que
sofre, não faltará a lembrança da oração e uma "coleta de caridade"
para apoiar as "pedras vivas" que nos lugares santos continuam
celebrando e vivendo a fé cristã».

«Todos os anos --explicou em declarações a «Rádio Vaticano»--, dirijo
ao início da Quaresma uma carta a todos os bispos da Igreja Católica
e aos núncios apostólicos de todo o mundo para que, com generosidade
espiritual e material, aproximem-se de seus irmãos católicos e dos
que pertencem a outras Igrejas e comunidades cristãs [da Terra Santa,
ndr.], que sofrem seriamente por sua fidelidade a Cristo e à Igreja,
e sentem a tentação de abandonar sua terra natal por causa da falta
de paz».

Em sua mensagem escrita no ano 2005, Sua Beatitude Ignace Moussa I
Daoud recorda a visita que depois de Páscoa do ano passado realizou à
Terra Santa e declara que esta região «tem de experimentar que o Papa
está sempre perto e abarca toda a Igreja neste abraço de
solidariedade».

O cardeal lança desta forma um chamado «para que cristãos, judeus e
muçulmanos, no recíproco respeito, demonstrem ao mundo inteiro que a
fé no único Deus não só é possível, mas traz paz e prosperidade».


7- Coleta em favor da Terra Santa, na Sexta-feira Santa

Carta do Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais

BRASÍLIA, segunda-feira, 21 de março de 2005 (ZENIT.org ).-
Publicamos a seguir a carta recebida pelo cardeal Geraldo Majella
Agnelo, arcebispo de Salvador (BA) e presidente da CNBB (Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil), enviada pelo cardeal Prefeito da
Congregação para as Igrejas Orientais, Ignace Moussa Daoud. O texto
foi divulgado pela CNBB esta segunda-feira.

* * *

CONGREGATIO PRO
ECCLESIIS ORIENTALIBUS

Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor
Cardeal Geraldo Majella AGNELO
Arcebispo de São Salvador da Bahia

Eminência Reverendíssima,

Desejo uma vez mais dirigir-me ao senhor em favor da Terra Santa, que
ocupa hodiernamente amplo espaço nos meios de comunicação social, e
no coração de toda a Igreja, em razão da triste situação em que se
encontram os seus habitantes. Este Dicastério acompanha com especial
atenção o drama da Comunidade cristã que está diminuindo
continuamente pela falta de paz e de estabilidade. Tal Comunidade tem
necessidade cada vez maior de ajuda por parte de todas as dioceses e
instituições eclesiásticas.

A Coleta da «Sexta-Feira Santa», como bem sabe o senhor, visa
promover, nos fiéis cristãos, o amor pela Terra do Senhor, a fim de
que a Igreja possa lá sobreviver, sentir-se amada e apoiada pela
solidariedade de cada cristão, e continue a dar testemunho de fé
n'Aquele que naquela Terra nasceu, pregou o Evangelho, morreu e
ressuscitou.

O Santo Padre João Paulo II manifesta constantemente a Sua paterna
proximidade aos cristãos da Terra Santa. Na audiência aos
participantes na Assembléia da «Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas
Orientais» (R.O.A.C.O.), dia 24 de junho de 2004, ressaltou a
importância de tal Coleta: «A comunhão solidária, que une todos os
crentes em Cristo, é a Coleta pela Terra Santa", tradicionalmente
recolhida na Sexta-Feira Santa em todo o mundo. Os meus veneráveis
Predecessores sempre recomendaram a todas as Comunidades cristãs
cuidar com atenção da Igreja Mãe de Jerusalém. É necessário
perseverar, rezando intensamente pela paz dos Povos que vivem na
Terra de Jesus. Aos cristãos tão provados pela incessante violência e
por outros inúmeros problemas que produzem empobrecimento econômico,
conflito social, desalento humano e cultural, não venha a faltar o
apoio de toda a Igreja Católica».

A Congregação para as Igrejas Orientais, fazendo eco às palavras de
Sua Santidade, renova o apelo «pro Terra Sancta», que tive a alegria
de visitar pessoalmente, nos dias 13 a 19 de abril de 2004. Fiz-me
peregrino em Jerusalém, Belém e nos Santuários da Galiléia, detendo-
me em oração nos lugares da nossa redenção. Encontrei a Hierarquia, o
clero, os religiosos e os fiéis das Igrejas católicas e ortodoxas que
lá desempenham a sua missão. Na inesquecível peregrinação tive
ocasião de «receber e dar esperança», e de oferecer um sinal de
fraterna proximidade aos nossos irmãos tão provados pelo conflito que
aflige toda aquela região. A paz no mundo passa por Jerusalém «Cidade
da Paz», aquela «Cidade Santa» e «Capital do monoteísmo», como a
chamou o Papa Paulo VI na «Nobis in animo» (25 de março de 1974). Por
isso, cabe a cada cristão atuar em prol daquela paz desejada, dom
especial de Deus que deve empenhar as nossas orações, os nossos
esforços e a nossa solidariedade.

Apraz-me, enfim, expressar ao senhor e a seus diretos Colaboradores o
cordial agradecimento de Sua Santidade, juntamente com os sentimentos
do mais vivo reconhecimento meu e desta Congregação, que entende
representar a gratidão da Igreja universal e daquela porção do Povo
de Deus que vive na Terra de nosso Salvador.
Expressando de meus sentimentos de fraterna comunhão, subscrevo-me
devotadamente no Senhor


† Ignace Moussa Card. Daoud
Patriarca emérito de Antioquia dos Siros, Prefeito

† Antonio Maria Vegliò
Secretário


8 - Soberania do Líbano é necessária para a liberdade dos cristãos

Segundo se constata em uma coletiva de imprensa na Câmara dos
Deputados da Itália

ROMA, quarta-feira, 23 de março de 2005 (ZENIT.org ).- A liberdade de
todos os libaneses, e em particular dos cristãos, assim como sua
sobrevivência, depende do regresso da soberania e da independência,
afirmaram esta quarta-feira especialistas em uma coletiva de imprensa
celebrada na Câmara dos Deputados da Itália.

No encontro, no qual participaram expoentes de diferentes partidos
italianos, organizado a pedido do jornal «L'opinione», advogou pela
libertação dos prisioneiros políticos libaneses, encerrados nas
prisões do Líbano e Síria.

Roger Bou Chaine, representante de «Forças Libanesas», interveio para
explicar que desde o assassinato do antigo primeiro-ministro, Rafiq
Hariri, em 14 de fevereiro de 2005, «parece que uma revolução» se
estendeu pelo país para pedir de forma pacífica o fim dos trinta anos
de ocupação síria do Líbano.

Em 2 de setembro de 2004, aprovou-se a Resolução da ONU 1559 que pede
o respeito da soberania e da integridade territorial, da unidade e da
independência política do Líbano, e a imediata retirada de todas as
forças estrangeiras que ainda se encontram no país.

O expoente libanês declarou que este despertar tem suas origens nos
apelos dos bispos maronitas, sob a presidência do patriarca
Nassrallah Sfeir, lançados a partir de 20 de setembro de 2001».

Os bispos maronitas reagiram em particular ante o fenômeno
da «emigração massiva da juventude libanesa em geral e da cristã em
particular, pois uns 10.000 jovens, em sua maioria cristãos, em uma
população de 3,5 milhões de pessoas, deixavam o país cada mês ao
final dos anos noventa».

«Israel saiu do sul do Líbano... não chegou talvez o momento de o
Líbano ampliar efetivamente sua própria soberania a seus
territórios? --perguntavam os bispos-- Não chegou a horaa de o
exército sírio empreender o deslocamento de soldados em preparação de
um retorno definitivo, em conformidade com os acordos de Taef?».

Em declarações a Zenit, Tony Assaf, pesquisador do Observatório
Geopolítico Médio-Oriente, com sede em Roma, explica que «para a
liberdade e a sobrevivência dos libaneses em geral, e de todas as
religiões, em particular da cristã, é necessário o regresso da
soberania e independência».

«O apelo de 2001 dos bispos foi a faísca de todo este despertar que
suscitou uma oposição política no Líbano», segue declarando.

Assaf reconhece que, ainda que não existam dados estatísticos, a
emigração de libaneses, em particular de cristãos, continua. «Se
retornar a soberania e a situação do Líbano se normalizar, muitos
voltarão --acrescenta--. Pode-se voltar à situação dde antes da
guerra, de convivência entre cristãos, muçulmanos, drusos, etc.».

A guerra neste país concluiu em 1991 depois de quinze devastadores
anos de conflito civil. Em torno a 40% dos menos de quatro milhões de
habitantes do Líbano são cristãos, em sua maioria católicos de rito
maronita. A maioria da população é muçulmana.


9 - Bomba mata 3 em região cristã do Líbano e aumenta tensões

Por Nadim Ladki Qua, 23 Mar - 10h00

BEIRUTE (Reuters) - Uma violenta explosão atingiu na quarta-feira um
shopping center de uma região do Líbano que é reduto da oposição à
Síria, matando três pessoas e levando o país mais perto de uma
situação caótica poucas semanas antes das eleições gerais.
A bomba, a segunda a atingir uma área comercial cristã do país nos
últimos cinco dias, também parecia ter por objetivo alimentar as
desavenças surgidas depois do assassinato, no mês passado, do ex-
primeiro-ministro Rafik al-Hariri.
Líderes da oposição cristã acusaram agências de segurança ligadas à
Síria pela explosão. Os oposicionistas vêm exigindo a renúncia dos
chefes da área de segurança do Líbano e uma investigação
internacional sobre a morte de Hariri.
"Ficou claro para todos que o regime de segurança e seus
colaboradores foram os responsáveis por aterrorizar as pessoas que se
uniram em apoio às demandas da oposição", disse em um comunicado a
oposição cristã.
O teto do shopping, localizado na área costeira de Kaslik, 20
quilômetros ao norte de Beirute, ruiu e as paredes ficaram
danificadas na violenta explosão. Equipes de emergência vasculhavam o
local em busca de outras vítimas.
Janelas de lojas e prédios próximos ficaram destruídas e vidro
quebrado cobria a rua em que há butiques, joalherias e boates.
Membros das forças de segurança disseram que a explosão foi provocada
por uma poderosa bomba colocada dentro do shopping e detonada quando
o estabelecimento estava fechado.
Segundo a polícia, duas pessoas mortas eram de origem asiática e a
terceira foi localizada nos escombros do local 12 horas após a
explosão.
Membros da oposição cristão que correram ao local do atentado
disseram que a explosão visava desestabilizar o país e conclamaram
seus simpatizantes a não alimentarem o sectarismo.
Pressões internacionais lideradas pelos EUA e manifestações
encabeçadas pela oposição obrigaram a Síria a anunciar a retirada de
seus soldados do Líbano. O país já diminuiu o número de militares
estacionados ali e enviou muitos deles para o leste libanês.
A crise atual é a pior desde que o Líbano colocou fim a sua guerra
civil (1975-1990).
Em um incidente anterior, um carro-bomba explodiu em um bairro
cristão de Beirute na manhã de sábado, ferindo 11 pessoas.
"Temos medo de que isso continue acontecendo. O país está fora de
controle. Ninguém sabe quem entra no Líbano e quem sai do país",
disse George Aki, um libanês que ajudava o filho a varrer os vidros
quebrados da calçada em frente a seu salão de beleza.
A explosão, ocorrida à 1h30 (hora local), aconteceu em meio a um
acirramento das tensões detonado pelo assassinato, em 14 de abril, de
Hariri, em um outro atentado a bomba.
(Com reportagem de Lin Nueihed)


10 - NO DOMINGO DE RAMOS, PATRIARCA DE BAGDÁ FAZ APELO PARA QUE SE
VENÇA O MEDO

Bagdá, 21 mar (Rádio Vaticano) - Grande participação do povo, ontem,
nas igrejas de Bagdá e em todo o Iraque, para a cerimônia do Domingo
de Ramos. Foi o que informou ao Sir (Serviço de Informações
Religiosas) o Patriarca caldeu da cidade, Dom Emmanuel III Delly.
"As igrejas estavam lotadas", diz o Patriarca. O povo foi às
paróquias e participou da procissão dos ramos. As procissões foram
feitas dentro das igrejas e nos pátios, por motivo de segurança, mas
também por respeito àqueles que não crêem e para evitar eventuais
agressões aos símbolos da fé católica. O Patriarca recordou que as
procissões pelas ruas da cidade não se realizam desde o ano 1918.
O Patriarca Delly destaca, entre outras coisas, que ''é uma
comunidade cheia de fé que está se preparando para a Páscoa. Os
nossos fiéis, apesar de tudo, não têm medo. Lotaram suas igrejas mais
do que nos anos passados, dando um grande testemunho de fé. Esta
afluência e participação dos fiéis_ concluiu Dom Delly _ é "um sinal,
pequeno, mas progressivo da normalização no Iraque''. (MZ)




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