BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 30 - 21 de março de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Nessa semana será lembrado o 90º aniversário do Genocído Armênio
(vide notícia nº 11), que ceifou a vida de cercad de 1.500.000 de
cristãos armênios. Que a lembrança deste triste acontecimento permita
que sejam evitados novos crimes contra a humanidade.

Que Deus nos abençoe.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe


ÍNDICE

1 - Católicos e ortodoxos sublinham em Moscou o papel da religião na
sociedade da informação

2 - Ecumenismo está a sofrer uma mudança radical

3 - PREFEITO DE BELÉM ALERTA PARA O ÊXODO DOS CRISTÃOS DE BELÉM

4 - Árabes cristãos de Israel organizam comité de acção

5 - PARA CARDEAL SFEIR, RETIRADA DAS TROPAS SÍRIAS VAI UNIR POPULAÇÃO
LIBANESA

6 - Patriarca maronita não acredita em guerra civil no Líbano

7 - Líder maronita pede que o Hezbollah se desarme

8 - Líder do Hezbolá rejeita proposta de desarmamento

9 - Fidelidade e heroísmo maronita!

10 - Cristãos no Iraque recuperam a esperança

11 - 90°ANIVERSÁRIO DO GENOCÍDIO ARMÊNIO

12 - 1600° ANIVERSÁRIO DO ALFABETO ARMÊNIO

13 - RENOVAÇÃO ESPIRITUAL DA IGREJA


NOTÍCIAS


1 - Católicos e ortodoxos sublinham em Moscou o papel da religião na
sociedade da informação

Na conferência de líderes religiosos e governamentais interveio o
arcebispo Foley

MOSCOU, domingo, 20 de março de 2005 (ZENIT.org ).- Representantes da
Santa Sé e do Patriarcado ortodoxo de Moscou coincidiram em alertar
ante a irreparável perda que constituiria a ausência da religião na
sociedade da informação.

No encontro, que levava por título «Religião e Igreja na Sociedade da
Informação», em Moscou, intervieram em 17 de março tanto o
representante de João Paulo II, o arcebispo John P. Foley, presidente
do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

Em sua intervenção, Dom Foley reconheceu que «a sociedade de
informação seria grandemente empobrecida sem a presença da religião e
da Igreja. Religião é uma parte essencial da vida humana, e
negligenciar ou mesmo negar a religião nos meios de comunicação é
negligenciar ou negar uma parte da própria natureza humana».

«Como crentes, estamos convencidos de que nosso destino é a vida
eterna com Deus. Enquanto muitos nos meios de comunicação não podem
todos necessariamente partilhar dessa crença, eles deveriam, pelo
menos reconhecê-la, respeitá-la e reportá-la».

«Reconheçam, respeitem e reportem --é o que a religião e a Igreja
devem esperar dos meios de comunicação».

«Reconheçam: Religião e a Igreja existem e também são uma importante
parte da realidade social e pessoal; já vimos que a negação da
existência da religião e da Igreja ou a tentativa de distanciá-las
violenta a verdade e a natureza da pessoa humana e a organização da
sociedade humana».

«Respeitem: Enquanto alguns na mídia podem discordar de algumas
decisões da Igreja ou alguns aspectos da religião, este desacordo
deve ser respeitoso da sinceridade da crença dos adeptos da Igreja e
da religião e também devem ser respeitosos das próprias
instituições».

«Reportem: Desde que a religião e a Igreja formam esta parte
importante das vidas de tantas pessoas e da própria sociedade, as
atividades da religião e da Igreja devem ser noticiadas apuradamente
e justamente. Aqueles que noticiam as atividades religiosas --mesmo
se não são eles próprios crentes-- devem também ser adequadamente
informados sobre a religião para que possam ser capazes de fazer
reportagens inteligentes».

Por sua parte, o patriarcado de Moscou, segundo reportou RIA Novosti,
referiu que «os meios de comunicação seculares procuram (até chamando
atenção) evitar mencionar qualquer ponto de vista religioso ou que
pretende dar uma visão compreensiva do mundo».

«Homens de notícias e seus chefes estão deliberadamente reduzindo o
número de informações positivas sobre a religião. Eles estão
prestando mais atenção à interpretação populista da religião, que
concerne não em bases de valores espirituais, mas em decoração
interior, na dieta, e em cantar e dançar», acrescentou o
representante ortodoxo.

Então, a maioria das reportagens dos meios refere-se à quaresma como
uma mera parte da rotina do dia-a-dia e focam a atenção nos pratos
típicos da quaresma relacionados aos costumes do povo, apontou Padre
Vsevolod para exemplificar seu ponto, informa RIA Novosti.

À frente da conferência internacional estava Leonid Reiman, Ministro
de Tecnologias de Informação e Comunicações.

Proeminente entre os conferencistas estavam Farid Asadullin,
analítico de informação co-diretor da Muftiyyate Russa; Sanshei Lama,
porta-voz da sangha Budista Tradicional da Rússia; Baruch Borin,
chefe de PR para a Federação das Comunidades Judaicas de Rússia, e
Pastor Constantine Andreyev, da Igreja Luterana Evangélica Russa.

Também Dom Foley, entre os representantes católicos se encontraram o
Núncio Apostólico de Moscou, arcebispo Antonio Mennini, o arcebispo
da Mãe de Deus em Moscou, Tadeusz Kondrusiewicz, diretor do Centro de
Informação da Conferência dos Bispos Católicos da Rússia, Victor
Khroul, Editor Chefe da Rádio Católica de Moscou "Dar" Peter
Sakharov.


2 - Ecumenismo está a sofrer uma mudança radical

Agência Ecclesia 18/03/05

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos
Cristãos considera que o ecumenismo já não pode avançar nos moldes
traçados ao longo do século XX. "O movimento ecuménico está a sofrer
uma mudança radical", disse o Cardeal Walter Kasper durante uma
visita aos EUA.
O homem do Vaticano para o ecumenismo explicou que esta é uma
dimensão "central" na vida da Igreja porque corresponde "à vontade de
Cristo", mas explicou que os cristãos de todo o mundo são hoje
confrontados "com uma situação caótica gerada por uma nova
fragmentação".
"O entusiasmo dos anos 60 e 70 do dissipou-se por agora. Temos de
preparar-nos para um caminho muito mais comprido", alertou.
Para o futuro, o Cardeal Kasper propõe "um procedimento ecuménico de
consenso", o qual consistiria em ouvir "todos os que escutaram a
Palavra de Deus nos séculos passados e todos os que as que ouvem
hoje, connosco".

Octávio Carmo


3 - PREFEITO DE BELÉM ALERTA PARA O ÊXODO DOS CRISTÃOS DE BELÉM

Belém, 19 março de 2005 (Rádio Vaticano) - Alerta para o êxodo dos
cristãos de Belém: a fuga dos cristãos da Terra Santa, iniciada com a
Intifada palestina, quatro anos atrás, continua inexorável.
O sinal de alarme foi dado ontem, pelo Prefeito de Belém, o palestino
Hanna Nasser, em uma entrevista a um jornal local: "Lanço um apelo a
todo o mundo cristão, para que se faça algo rapidamente, para
proteger a cidade santa de Belém" _ disse o greco-ortodoxo Nasser,
nomeado Prefeito sete anos atrás, pelo então Presidente palestino,
Yasser Arafat.
O êxodo dos residentes cristãos da cidade na qual nasceu Jesus teve
início 4 anos atrás. A crise econômica provocada pela Intifada, o
caos em que os territórios palestinos têm vivido, submetidos a
ataques de grupos armados, a fuga dos turistas e peregrinos e as
ameaças levaram cerca de um décimo dos 20 mil cristãos de Belém _ que
representam um terço da população total _ à emigração.
A cidade que viveu momentos de bem-estar econômico, no auge das
peregrinações de 1999 e 2000, em coincidência com a passagem do
milênio e com a visita do Papa à manjedoura, caiu na pobreza, ao
perder repentinamente o fluxo de turistas e visitantes estrangeiros.
O Prefeito Nasser acusou também as medidas de segurança impostas por
Israel, a construção do muro de segurança, por parte de Israel, e as
dificuldades de locomoção para os peregrinos como responsáveis pelo
maciço êxodo. "Os israelenses falam de paz, de fim da violência e de
atitudes de confiança, mas na prática, continuam com sua política
agressiva" _ disse o Prefeito. (CM)


4 - Árabes cristãos de Israel organizam comité de acção

Agência Ecclesia 21/03/2005

Dirigentes leigos e universitários dos cristãos do sector árabe de
Israel anunciaram a criação de comité de acção na sequência de
confrontos entre druzos e cristãos, noticiou sexta-feira a imprensa
israelita.
Esta foi a mais recente de uma série de reuniões que teve lugar em
Haifa, após os motins ocorridos em Fevereiro passado na aldeia mista
(druzos e cristãos) de Maghar, na Galileia.
Os incidentes tiveram lugar após ter sido espalhado na aldeia, por um
rapaz druzo de 16 anos, o boato de que alguns cristãos tinham
publicado na Internet fotografias falsas de raparigas druzas nuas. A
publicação das fotos não foi até hoje provada.
No decorrer dos incidentes de Maghar, os bairros onde habitam os
cristãos foram atacados com explosivos e foram incendiados
automóveis. Oito pessoas ficaram
feridas no motim, que só terminou com a fuga em massa da população
cristã.
No decorrer dos encontros realizados em Haifa, na "Christian House",
a população árabe cristã considerou que os seus líderes religiosos
não exercem qualquer acção para a defesa civil da sociedade cristã, e
que portanto os líderes laicos e universitários deverão assumir essa
função.
Em Israel vivem cerca de 117 mil árabes cristãos, que representam
apenas 1,7 por cento da população total e menos de 9 por cento da
totalidade dos árabes de Israel. São, portanto, uma minoria dentro de
outra minoria.
Ao convocar membros das outras comunidades religiosas para a reunião
formativa do comité, os árabes frisaram que não têm qualquer intenção
de libanizar o sector árabe, nem de assumir posições contrárias ao
seu grupo étnico (árabe) ou ao Estado de Israel.
Exigem sim que o Estado instaure um inquérito sobre os acontecimentos
de Fevereiro, que os culpados sejam castigados e que seja paga às
vítimas uma compensação material pelos danos sofridos.

Diário do Minho


5 - PARA CARDEAL SFEIR, RETIRADA DAS TROPAS SÍRIAS VAI UNIR POPULAÇÃO
LIBANESA

Beirute, 18 março de 2005 (Rádio Vaticano) - O Patriarca maronita do
Líbano, Cardeal Nasrallah P. Sfeir, considera que a partida das
tropas sírias do país irá remover o maior fator de divisão da
população libanesa. Uma divisão muito visível nas recentes marchas
rivais relativas à presença da Síria no território.
"Como a Síria está deixando o Líbano _ operação que teve início no
último dia 10 de março _, o nosso país não tem razões para estar
dividido. O problema não é que os libaneses estejam divididos, mas
que alguém tenha provocado essa situação", disse o Patriarca em
visita aos Estados Unidos.
Tendo em vista as eleições previstas para maio, o Cardeal Sfeir
considera que a alteração constitucional que permitiu ao Presidente
Lahoud permanecer no poder "foi feita contra a vontade do povo
libanês, apenas porque a Síria assim o quis". (SP)


6 - Patriarca maronita não acredita em guerra civil no Líbano

Agência EFE 18/03/2005

Nações Unidas, 18 mar (EFE).- Depois de se reunir em Nova York com o
secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o patriarca maronita do Líbano,
o cardeal Nasrala Sfeir, afirmou hoje, sexta-feira, que seu país não
voltará a uma guerra civil.

"A população libanesa já teve bastante guerra... Aprendeu e está
decidida a não deixar nunca mais que uma guerra aconteça entre eles
mesmos", declarou à imprensa.

Sfeir, um grande crítico da ocupação militar síria no Líbano, afirmou
que conversou com Annan sobre a aplicação da resolução 1559 adotada
em setembro pelo Conselho de Segurança, que segundo sua opinião, não
difere do acordo de Taif.

Tal acordo, assinado em 1990 e que pôs fim a 15 anos de guerra civil
no Líbano (1975-90), prevê a retirada por períodos das tropas sírias.

"Para alguns libaneses, a retirada completa das tropas da Síria do
Líbano corresponde à resolução 1559, para outros ao acordo de Taif",
explicou.

A resolução 1559, promovida por EUA e França, exige a
retirada "imediata" e o desarmamento das milícias em solo libanês, em
referência ao grupo radical xiita Hisbolá.

O cardeal disse ser a favor da integração do Hisbolá ao processo
político libanês. Ele disse que após a retirada de Israel do sul do
Líbano, em maio de 2000, o país "deve se dedicar a outros problemas
que enfrenta".

O grupo Hisbolá figura na lista de organizações terroristas do
Departamento de Estado americano, mas o presidente George W. Bush
afirmou que se o grupo depuser as armas poderá ser aceito como
partido político.

Sfeir também discutiu com Annan a necessidade de as próximas eleições
parlamentares, previstas para meados de maio, serem realizadas
numa "atmosfera de liberdade", por isso apoiou a exigência de Annan
de a retirada total da Síria ser realizada antes das eleições.

O cardeal disse que os dois falaram sobre o envio de observadores da
ONU para supervisionar as eleições, mas negou que tenham discutido o
envio de uma força de intervenção do organismo, que cubra o vácuo
deixado pelas tropas da Síria que se retirarem.

Sfeir chegou a Nova York vindo de Washington, onde se reuniu com o
presidente Bush e com quem concordou na necessidade de "o Líbano
recuperar sua independência e liberdade".EFE


7 - Líder maronita pede que o Hezbollah se desarme

NOVA YORK, 18 Março de 2005 (AFP) - O patriarca da igreja maronita, o
cardeal Nasrallah Sfeir, pediu nesta sexta-feira à milícia libanesa
Hezbollah que se desarme depois da promessa síria de se retirar do
país.
Sfeir, que se converteu numa das principais figuras da oposição no
Líbano, deu uma série de declarações depois de um encontro com o
secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em Nova York, para analisar a
situação libanesa.

"Eles formaram um grupo que combateu para libertar o sul do Líbano da
ocupação israelense", disse Sfeir sobre o Hezbollah, que pressionou
as forças israelenses a deixarem essa região em 2000, depois de 22
anos.

"Agora que aquele objetivo foi alcançado, não há mais razões para que
continuem armados", considerou.

O Hezbollah foi teoricamente a única milícia que obteve a permissão
de continuar armada depois do final da guerra civil no país (1975-
1990), por ser considerada dentro do Líbano como um movimento de
resistência.

8 - Líder do Hezbolá rejeita proposta de desarmamento

AFP 19 de março de 2005

O líder do Hezbolá libanês, Hassan Nasralá, voltou a se negar neste
sábado a aceitar o desarmamento do seu movimento, depois de um apelo
feito pelo chefe da Igreja Maronita, o cardeal Nasralá Sfeir, de
visita aos Estados Unidos.
"Eu gostaria que o tema não tivesse sido tratado desta maneira",
disse o xeque Nasralá a respeito das declarações feitas por monsenhor
Sfeir em Nova York, após se reunir com o secretário-geral da ONU,
Kofi Annan.
"Dois emissários do cardeal me visitaram antes de sua partida a
Washington, eu lhes disse que não era o momento para tomar posições
decisivas nesta questão", explicou.
O chefe da Igreja maronita pediu nesta sexta-feira o desarmamento da
milícia libanesa Hezbolá depois da promessa síria de se retirar do
país. Sfeir, que se tornou uma das principais figuras da oposição no
Líbano, fez uma série de declarações após se encontrar com Kofi Annan
para analisar a situação libanesa.


9 - Fidelidade e heroísmo maronita!

Diário Popular 20/03/2005

Muito se enganam os que confundem árabes e muçulmanos. Os bósnios,
por exemplo, são eslavos, não árabes, mas são muçulmanos. Já os
indonésios, de raízes étnicas inconfundíveis, também professam a fé
do Islã, sem por isso serem árabes. Além, é claro, do exemplo mais
evidente da falta de relação automática entre arabismo e
maometanismo: os turcos, povo de raça mongólica, aparentado com os
hunos, foram os grandes responsáveis pela segunda onda de expansão
islâmica, na Idade Média, derrubando o Império de Constantinopla e
avançando sobre a Europa com suas naus, nas águas de Lepanto.
De outro lado, se nem todos os muçulmanos são árabes, a recíproca
também é verdadeira. E, dentre os árabes, encontramos numerosos
cristãos. Antes mesmo de Maomé e sua pregação, vemos a Cruz plantada
nas nações arábicas.
Sobressai-se nesse diapasão, o grande e aguerrido Líbano. Quarenta
por cento de sua população é cristã, de maioria católica inclusive!
Dos católicos, alguns seguem o rito ocidental romano, outros os ritos
orientais bizantino (os melquitas), siríaco e armênio, mas número
esmagador (somado aos que estão na diáspora), liga-se ao rito
maronita, originado de uma comunidade monástica dos primeiros séculos
da Era Cristã.
Conservando seus costumes próprios, suas legítimas tradições locais,
tendo uma disciplina canônica característica (com sacerdotes casados,
por exemplo), língua litúrgica que não o latim, mas o aramaico falado
por Jesus, e modos peculiares de celebrar a Missa e demais
cerimônias, o católico maronita é, sem embargo, fidelíssimo ao papa.
Para manter sua fidelidade, sofreu a perseguição dos islamitas, e
mesmo de outros cristãos - num tempo em que os demais orientais
separaram-se de Roma, permanecendo só a Igreja Maronita unida ao Sumo
Pontífice.
O maronita é o símbolo do Líbano. Firme como o cedro que é heráldico
dessa nação! Em uma região que esqueceu Cristo para seguir o Corão,
permanece seguro a testemunhar a fé católica, ainda que com seu
sangue. Há na alma do maronita aquela maravilhosa conjugação entre a
beleza da cultura árabe e os valores do cristianismo (somados à
legendária disposição desbravadora dos fenícios, seus antepassados).
Por tudo isso, pelo saudável patriotismo libanês, pela capacidade de
ser ponte entre Roma e o Oriente, e pelo amor apaixonado à Santíssima
Virgem, é que, com o sacrifício da própria vida, pôde o maronita
sobreviver e continuar sua gloriosa epopéia até no Brasil.
Quem diz maronitismo, diz, ao mesmo tempo, Igreja Católica, Líbano e
martírio. Heróico é esse povo, dotado de sabedoria ímpar, consagrado
a Nossa Senhora e ao Santo Padre - mesmo quando, durante séculos sem
comunicação com a Europa por causa dos ataques muçulmanos, não sabia
quem era o papa reinante, vindo a sabê-lo por notícias dos cruzados.
Ainda que de rito romano, não me furto de expressar meus laços de
fraterna amizade com o catolicismo libanês da Igreja Maronita, e de a
ela manifestar minha gratidão por muitos santos e beatos. Também de
honrá-la publicamente por manter-se inabalável a defender a verdade,
junto ao trono de Pedro, aos pés do Romano Pontífice, suportando as
adversidades com a coragem que lhe é típica, quase obrigatória, bem
ao estilo libanês - cansado, nos dias de hoje, da ilegal ocupação
síria!
Para a Europa laicista, enlouquecida pelo novo iluminismo, o Líbano
maronita pode ser um espelho de coerência absoluta com suas virtudes
naturais e sobrenaturais.
Rafael Vitola Brodbeck
Advogado, escritor e pensador católico


10 - Cristãos no Iraque recuperam a esperança

Agência Ecclesia 21/03/2004

Dois anos depois do rebentamento da guerra no Iraque, a população
cristã no país começa a recuperar a esperança no futuro. Milhares de
fiéis encheram ontem as igrejas de Bagdad e do resto do Iraque para
participar nas cerimónias do Domingo de Ramos, que marcam o início da
Semana Santa.
O Patriarca Caldeu de Bagdad, Emanuel III Delly, constata que "os
nossos fiéis não tiveram medo e vieram às igrejas em maior número do
que no passado, dando um grande testemunho de fé".
Esta participação é considerada pela principal figura da Igreja no
Iraque como "um sinal, pequeno, de uma progressiva normalização do
país".
"Muitos vêm rezar pela paz e a segurança. Os problemas não faltam,
mas estamos no bom caminho para reconstruir o Iraque", refere à
agência Sir.
As procissões dos Ramos, apesar deste optimismo, decorreram apenas
dentro das igrejas e nos adros, por motivos de segurança e para
evitar "possíveis ultrajes aos nossos símbolos de fé", segundo o
Patriarca. Desde 1918 não há procissões cristãs nas ruas da capital
iraquiana.
As cerimónias da Semana Santa ainda serão condicionadas pela falta de
segurança, com as igrejas a encerrarem ao anoitecer, antecipando
várias celebrações. Os cristãos no Iraque são uma minoria, cerca de
3% dos 26 milhões de habitantes, mas representam uma das comunidades
mais antigas e respeitadas do Cristianismo.


11 - 90°ANIVERSÁRIO DO GENOCÍDIO ARMÊNIO

Informativo ARMÊNIA - Fevereiro/2005

No próximo "24 de abril", a Armênia e a Diáspora estarão rememorando
com respeito e dignidade a monstruosa hecatombe que, há 90 anos,
ceifou a vida de 1,5 milhão de seus compatriotas que viviam sob o
jugo do Império Turco Otomano. Preparativos nesse sentido estão sendo
ultimados pelo governo armênio e pelos líderes das principais
comunidades armênias através do mundo. Os programas incluem eventos
cívicos e culturais, manifestações públicas e ofícios religiosos em
todas as igrejas. A assembléia anual do Conselho Mundial de Igrejas
(Genebra, Suíça), por iniciativa do seu atual presidente, o
catolicosse apostólico armênio Aram I, apelou a todas as igrejas-
membros, de todas as confissões, para que "comemorem em 24 de abril
de 2005 o Dia da Memória do Genocídio Armênio". A tônica deste 90°
aniversário será a "universalização do reconhecimento do genocídio
armênio", a fim de que nunca mais se perpetre tamanho crime contra a
humanidade.
SUIÇA - Durante a assembléia anual do Conselho Mundial de Igrejas, em
Genebra, o presidente deste órgão inter-eclesiástico, o catolicosse
Aram I (chefe supremo da sede catolicossal apostólica armênia de
Cilícia, no Líbano) discorreu sobre os graves desafios do mundo atual
e a necessidade de arrependimento e reconciliação humana. Na ocasião,
referiu-se ao drama de seu próprio povo como exemplo de tragédias a
lembrar: "Há 90 anos, quando o Império Otomano decidiu sacrificar os
armênios, perpetrou-se o primeiro genocídio sistemático do século". O
catolicosse Aram I, figura de proa do ecumenismo contemporâneo,
deverá visitar o Brasil em fevereiro de 2006, quando presidirá a
assembléia do CMI em Porto Alegre.


12 - 1600° ANIVERSÁRIO DO ALFABETO ARMÊNIO

Informativo ARMÊNIA - Março/2005

Os dois supremos dignitários da Igreja Apostólica Armênia, Karekin II
(portador do título "catolicosse de todos os armênios" e sediado em
Etchmiadzin, na Armênia) e Aram I ("catolicosse da Cilícia",
localizado em Antelias, no Líbano) publicaram encíclicas promulgando
2005 "ano do 1600° aniversário da criação do alfabeto armênio". Ambas
mensagens catolicossais incitam a renovar o amor pela língua e
literatura armênias e convidam as instituições culturais, literárias
e religiosas da Armênia e da Diáspora a celebrarem o acontecimento.
Chefes eclesiásticos das igrejas católica e evangélica armênias
também conclamam seus fiéis a se associarem às comemorações. Criado
pelo monge Mesrob Mashdots, em 305, o alfabeto gerou a floração da
literatura armênia e tornou-se pilar da identidade nacional e
garantia de sua perpetuidade.
CINGAPURA - A festa será em novembro, mas os precaviddos organizadores
preferem que a notícia se espalhe desde já. A Igreja São Gregório
Iluminador, em Cingapura, uma das mais antigas da Diáspora,
comemorará seu 170° aniversário. Construída em 1835, no auge da
presença armênia nessa cidade, a igreja acha-se hoje praticamente
inativa, porém zelosamente preservada graças aos cuidados do comitê
local de curadores. Interessados em comparecer à festa, ou simples
curiosos, podem informar-se mediante [email protected]


13 - RENOVAÇÃO ESPIRITUAL DA IGREJA

Informativo ARMÊNIA - Março/2005

Um primeiro encontro de estudo, patrocinado conjuntamente pelos
catolicosses Karekin II, de Etchmiadzin, e Aram I, de Antelias, sobre
o tema "O imperativo de renovação da Igreja Armênia", realizou-se
durante 4-6 de março, em Etchmiadzin, com a participação de um grupo
seleto de membros do alto clero. Entre os assuntos abordados
figuravam: a atual situação canônica da Igreja; educação cristã geral
e nas escolas públicas; a missão evangelizadora da Igreja; práticas
litúrgicas; formação do clero; reativação da vida monástica; relações
ecumênicas; Igreja e questões sociais; relações entre Igreja e
Estado. Uma comissão permanente, com representantes dos dois
catolicossados, deverá dar seguimento ao estudo.

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