BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 30 -
21 de março de 2005
MENSAGEM
Prezados
Irmãos em Cristo,
Nessa
semana será lembrado o 90º aniversário do Genocído Armênio
(vide
notícia nº 11), que ceifou a vida de cercad de 1.500.000 de
cristãos
armênios. Que a lembrança deste triste acontecimento permita
que sejam
evitados novos crimes contra a humanidade.
Que Deus
nos abençoe.
Saudações
Fraternais,
Luis
Felipe
ÍNDICE
1 -
Católicos e ortodoxos sublinham em Moscou o papel da religião na
sociedade
da informação
2 -
Ecumenismo está a sofrer uma mudança radical
3 -
PREFEITO DE BELÉM ALERTA PARA O ÊXODO DOS CRISTÃOS DE BELÉM
4 -
Árabes cristãos de Israel organizam comité de acção
5 - PARA
CARDEAL SFEIR, RETIRADA DAS TROPAS SÍRIAS VAI UNIR POPULAÇÃO
LIBANESA
6 -
Patriarca maronita não acredita em guerra civil no Líbano
7 - Líder
maronita pede que o Hezbollah se desarme
8 - Líder
do Hezbolá rejeita proposta de desarmamento
9 -
Fidelidade e heroísmo maronita!
10 -
Cristãos no Iraque recuperam a esperança
11 -
90°ANIVERSÁRIO DO GENOCÍDIO ARMÊNIO
12 -
1600° ANIVERSÁRIO DO ALFABETO ARMÊNIO
13 -
RENOVAÇÃO ESPIRITUAL DA IGREJA
NOTÍCIAS
1 -
Católicos e ortodoxos sublinham em Moscou o papel da religião na
sociedade
da informação
Na
conferência de líderes religiosos e governamentais interveio o
arcebispo
Foley
MOSCOU,
domingo, 20 de março de 2005 (ZENIT.org ).- Representantes da
Santa Sé
e do Patriarcado ortodoxo de Moscou coincidiram em alertar
ante a
irreparável perda que constituiria a ausência da religião na
sociedade
da informação.
No
encontro, que levava por título «Religião e Igreja na Sociedade da
Informação»,
em Moscou, intervieram em 17 de março tanto o
representante
de João Paulo II, o arcebispo John P. Foley, presidente
do
Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.
Em sua
intervenção, Dom Foley reconheceu que «a sociedade de
informação
seria grandemente empobrecida sem a presença da religião e
da
Igreja. Religião é uma parte essencial da vida humana, e
negligenciar
ou mesmo negar a religião nos meios de comunicação é
negligenciar
ou negar uma parte da própria natureza humana».
«Como
crentes, estamos convencidos de que nosso destino é a vida
eterna
com Deus. Enquanto muitos nos meios de comunicação não podem
todos
necessariamente partilhar dessa crença, eles deveriam, pelo
menos
reconhecê-la, respeitá-la e reportá-la».
«Reconheçam,
respeitem e reportem --é o que a religião e a Igreja
devem
esperar dos meios de comunicação».
«Reconheçam:
Religião e a Igreja existem e também são uma importante
parte da
realidade social e pessoal; já vimos que a negação da
existência
da religião e da Igreja ou a tentativa de distanciá-las
violenta
a verdade e a natureza da pessoa humana e a organização da
sociedade
humana».
«Respeitem:
Enquanto alguns na mídia podem discordar de algumas
decisões
da Igreja ou alguns aspectos da religião, este desacordo
deve ser
respeitoso da sinceridade da crença dos adeptos da Igreja e
da religião
e também devem ser respeitosos das próprias
instituições».
«Reportem:
Desde que a religião e a Igreja formam esta parte
importante
das vidas de tantas pessoas e da própria sociedade, as
atividades
da religião e da Igreja devem ser noticiadas apuradamente
e
justamente. Aqueles que noticiam as atividades religiosas --mesmo
se não
são eles próprios crentes-- devem também ser adequadamente
informados
sobre a religião para que possam ser capazes de fazer
reportagens
inteligentes».
Por sua
parte, o patriarcado de Moscou, segundo reportou RIA Novosti,
referiu
que «os meios de comunicação seculares procuram (até chamando
atenção)
evitar mencionar qualquer ponto de vista religioso ou que
pretende
dar uma visão compreensiva do mundo».
«Homens
de notícias e seus chefes estão deliberadamente reduzindo o
número de
informações positivas sobre a religião. Eles estão
prestando
mais atenção à interpretação populista da religião, que
concerne
não em bases de valores espirituais, mas em decoração
interior,
na dieta, e em cantar e dançar», acrescentou o
representante
ortodoxo.
Então, a
maioria das reportagens dos meios refere-se à quaresma como
uma mera
parte da rotina do dia-a-dia e focam a atenção nos pratos
típicos
da quaresma relacionados aos costumes do povo, apontou Padre
Vsevolod
para exemplificar seu ponto, informa RIA Novosti.
À frente
da conferência internacional estava Leonid Reiman, Ministro
de
Tecnologias de Informação e Comunicações.
Proeminente
entre os conferencistas estavam Farid Asadullin,
analítico
de informação co-diretor da Muftiyyate Russa; Sanshei Lama,
porta-voz
da sangha Budista Tradicional da Rússia; Baruch Borin,
chefe de
PR para a Federação das Comunidades Judaicas de Rússia, e
Pastor
Constantine Andreyev, da Igreja Luterana Evangélica Russa.
Também
Dom Foley, entre os representantes católicos se encontraram o
Núncio
Apostólico de Moscou, arcebispo Antonio Mennini, o arcebispo
da Mãe de
Deus em Moscou, Tadeusz Kondrusiewicz, diretor do Centro de
Informação
da Conferência dos Bispos Católicos da Rússia, Victor
Khroul,
Editor Chefe da Rádio Católica de Moscou "Dar" Peter
Sakharov.
2 -
Ecumenismo está a sofrer uma mudança radical
Agência
Ecclesia 18/03/05
O
presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos
Cristãos
considera que o ecumenismo já não pode avançar nos moldes
traçados
ao longo do século XX. "O movimento ecuménico está a sofrer
uma
mudança radical", disse o Cardeal Walter Kasper durante uma
visita
aos EUA.
O homem
do Vaticano para o ecumenismo explicou que esta é uma
dimensão
"central" na vida da Igreja porque corresponde "à vontade de
Cristo",
mas explicou que os cristãos de todo o mundo são hoje
confrontados
"com uma situação caótica gerada por uma nova
fragmentação".
"O
entusiasmo dos anos 60 e 70 do dissipou-se por agora. Temos de
preparar-nos
para um caminho muito mais comprido", alertou.
Para o
futuro, o Cardeal Kasper propõe "um procedimento ecuménico de
consenso",
o qual consistiria em ouvir "todos os que escutaram a
Palavra
de Deus nos séculos passados e todos os que as que ouvem
hoje,
connosco".
Octávio
Carmo
3 -
PREFEITO DE BELÉM ALERTA PARA O ÊXODO DOS CRISTÃOS DE BELÉM
Belém, 19
março de 2005 (Rádio Vaticano) - Alerta para o êxodo dos
cristãos
de Belém: a fuga dos cristãos da Terra Santa, iniciada com a
Intifada
palestina, quatro anos atrás, continua inexorável.
O sinal
de alarme foi dado ontem, pelo Prefeito de Belém, o palestino
Hanna
Nasser, em uma entrevista a um jornal local: "Lanço um apelo a
todo o
mundo cristão, para que se faça algo rapidamente, para
proteger
a cidade santa de Belém" _ disse o greco-ortodoxo Nasser,
nomeado
Prefeito sete anos atrás, pelo então Presidente palestino,
Yasser
Arafat.
O êxodo
dos residentes cristãos da cidade na qual nasceu Jesus teve
início 4
anos atrás. A crise econômica provocada pela Intifada, o
caos em
que os territórios palestinos têm vivido, submetidos a
ataques
de grupos armados, a fuga dos turistas e peregrinos e as
ameaças
levaram cerca de um décimo dos 20 mil cristãos de Belém _ que
representam
um terço da população total _ à emigração.
A cidade
que viveu momentos de bem-estar econômico, no auge das
peregrinações
de 1999 e 2000, em coincidência com a passagem do
milênio e
com a visita do Papa à manjedoura, caiu na pobreza, ao
perder
repentinamente o fluxo de turistas e visitantes estrangeiros.
O
Prefeito Nasser acusou também as medidas de segurança impostas por
Israel, a
construção do muro de segurança, por parte de Israel, e as
dificuldades
de locomoção para os peregrinos como responsáveis pelo
maciço
êxodo. "Os israelenses falam de paz, de fim da violência e de
atitudes
de confiança, mas na prática, continuam com sua política
agressiva"
_ disse o Prefeito. (CM)
4 -
Árabes cristãos de Israel organizam comité de acção
Agência
Ecclesia 21/03/2005
Dirigentes
leigos e universitários dos cristãos do sector árabe de
Israel
anunciaram a criação de comité de acção na sequência de
confrontos
entre druzos e cristãos, noticiou sexta-feira a imprensa
israelita.
Esta foi
a mais recente de uma série de reuniões que teve lugar em
Haifa,
após os motins ocorridos em Fevereiro passado na aldeia mista
(druzos e
cristãos) de Maghar, na Galileia.
Os
incidentes tiveram lugar após ter sido espalhado na aldeia, por um
rapaz druzo
de 16 anos, o boato de que alguns cristãos tinham
publicado
na Internet fotografias falsas de raparigas druzas nuas. A
publicação
das fotos não foi até hoje provada.
No
decorrer dos incidentes de Maghar, os bairros onde habitam os
cristãos
foram atacados com explosivos e foram incendiados
automóveis.
Oito pessoas ficaram
feridas
no motim, que só terminou com a fuga em massa da população
cristã.
No
decorrer dos encontros realizados em Haifa, na "Christian House",
a
população árabe cristã considerou que os seus líderes religiosos
não
exercem qualquer acção para a defesa civil da sociedade cristã, e
que
portanto os líderes laicos e universitários deverão assumir essa
função.
Em Israel
vivem cerca de 117 mil árabes cristãos, que representam
apenas
1,7 por cento da população total e menos de 9 por cento da
totalidade
dos árabes de Israel. São, portanto, uma minoria dentro de
outra
minoria.
Ao
convocar membros das outras comunidades religiosas para a reunião
formativa
do comité, os árabes frisaram que não têm qualquer intenção
de
libanizar o sector árabe, nem de assumir posições contrárias ao
seu grupo
étnico (árabe) ou ao Estado de Israel.
Exigem
sim que o Estado instaure um inquérito sobre os acontecimentos
de
Fevereiro, que os culpados sejam castigados e que seja paga às
vítimas
uma compensação material pelos danos sofridos.
Diário do
Minho
5 - PARA
CARDEAL SFEIR, RETIRADA DAS TROPAS SÍRIAS VAI UNIR POPULAÇÃO
LIBANESA
Beirute,
18 março de 2005 (Rádio Vaticano) - O Patriarca maronita do
Líbano,
Cardeal Nasrallah P. Sfeir, considera que a partida das
tropas
sírias do país irá remover o maior fator de divisão da
população
libanesa. Uma divisão muito visível nas recentes marchas
rivais
relativas à presença da Síria no território.
"Como
a Síria está deixando o Líbano _ operação que teve início no
último
dia 10 de março _, o nosso país não tem razões para estar
dividido.
O problema não é que os libaneses estejam divididos, mas
que
alguém tenha provocado essa situação", disse o Patriarca em
visita
aos Estados Unidos.
Tendo em
vista as eleições previstas para maio, o Cardeal Sfeir
considera
que a alteração constitucional que permitiu ao Presidente
Lahoud
permanecer no poder "foi feita contra a vontade do povo
libanês,
apenas porque a Síria assim o quis". (SP)
6 -
Patriarca maronita não acredita em guerra civil no Líbano
Agência
EFE 18/03/2005
Nações
Unidas, 18 mar (EFE).- Depois de se reunir em Nova York com o
secretário-geral
da ONU, Kofi Annan, o patriarca maronita do Líbano,
o cardeal
Nasrala Sfeir, afirmou hoje, sexta-feira, que seu país não
voltará a
uma guerra civil.
"A
população libanesa já teve bastante guerra... Aprendeu e está
decidida
a não deixar nunca mais que uma guerra aconteça entre eles
mesmos",
declarou à imprensa.
Sfeir, um
grande crítico da ocupação militar síria no Líbano, afirmou
que
conversou com Annan sobre a aplicação da resolução 1559 adotada
em
setembro pelo Conselho de Segurança, que segundo sua opinião, não
difere do
acordo de Taif.
Tal
acordo, assinado em 1990 e que pôs fim a 15 anos de guerra civil
no Líbano
(1975-90), prevê a retirada por períodos das tropas sírias.
"Para
alguns libaneses, a retirada completa das tropas da Síria do
Líbano
corresponde à resolução 1559, para outros ao acordo de Taif",
explicou.
A
resolução 1559, promovida por EUA e França, exige a
retirada
"imediata" e o desarmamento das milícias em solo libanês, em
referência
ao grupo radical xiita Hisbolá.
O cardeal
disse ser a favor da integração do Hisbolá ao processo
político
libanês. Ele disse que após a retirada de Israel do sul do
Líbano,
em maio de 2000, o país "deve se dedicar a outros problemas
que
enfrenta".
O grupo
Hisbolá figura na lista de organizações terroristas do
Departamento
de Estado americano, mas o presidente George W. Bush
afirmou
que se o grupo depuser as armas poderá ser aceito como
partido
político.
Sfeir
também discutiu com Annan a necessidade de as próximas eleições
parlamentares,
previstas para meados de maio, serem realizadas
numa
"atmosfera de liberdade", por isso apoiou a exigência de Annan
de a
retirada total da Síria ser realizada antes das eleições.
O cardeal
disse que os dois falaram sobre o envio de observadores da
ONU para
supervisionar as eleições, mas negou que tenham discutido o
envio de
uma força de intervenção do organismo, que cubra o vácuo
deixado
pelas tropas da Síria que se retirarem.
Sfeir
chegou a Nova York vindo de Washington, onde se reuniu com o
presidente
Bush e com quem concordou na necessidade de "o Líbano
recuperar
sua independência e liberdade".EFE
7 - Líder
maronita pede que o Hezbollah se desarme
NOVA
YORK, 18 Março de 2005 (AFP) - O patriarca da igreja maronita, o
cardeal
Nasrallah Sfeir, pediu nesta sexta-feira à milícia libanesa
Hezbollah
que se desarme depois da promessa síria de se retirar do
país.
Sfeir,
que se converteu numa das principais figuras da oposição no
Líbano,
deu uma série de declarações depois de um encontro com o
secretário-geral
da ONU, Kofi Annan, em Nova York, para analisar a
situação
libanesa.
"Eles
formaram um grupo que combateu para libertar o sul do Líbano da
ocupação
israelense", disse Sfeir sobre o Hezbollah, que pressionou
as forças
israelenses a deixarem essa região em 2000, depois de 22
anos.
"Agora
que aquele objetivo foi alcançado, não há mais razões para que
continuem
armados", considerou.
O
Hezbollah foi teoricamente a única milícia que obteve a permissão
de
continuar armada depois do final da guerra civil no país (1975-
1990),
por ser considerada dentro do Líbano como um movimento de
resistência.
8 - Líder
do Hezbolá rejeita proposta de desarmamento
AFP 19 de
março de 2005
O líder
do Hezbolá libanês, Hassan Nasralá, voltou a se negar neste
sábado a
aceitar o desarmamento do seu movimento, depois de um apelo
feito
pelo chefe da Igreja Maronita, o cardeal Nasralá Sfeir, de
visita
aos Estados Unidos.
"Eu
gostaria que o tema não tivesse sido tratado desta maneira",
disse o
xeque Nasralá a respeito das declarações feitas por monsenhor
Sfeir em
Nova York, após se reunir com o secretário-geral da ONU,
Kofi
Annan.
"Dois
emissários do cardeal me visitaram antes de sua partida a
Washington,
eu lhes disse que não era o momento para tomar posições
decisivas
nesta questão", explicou.
O chefe
da Igreja maronita pediu nesta sexta-feira o desarmamento da
milícia
libanesa Hezbolá depois da promessa síria de se retirar do
país.
Sfeir, que se tornou uma das principais figuras da oposição no
Líbano,
fez uma série de declarações após se encontrar com Kofi Annan
para
analisar a situação libanesa.
9 -
Fidelidade e heroísmo maronita!
Diário
Popular 20/03/2005
Muito se
enganam os que confundem árabes e muçulmanos. Os bósnios,
por
exemplo, são eslavos, não árabes, mas são muçulmanos. Já os
indonésios,
de raízes étnicas inconfundíveis, também professam a fé
do Islã,
sem por isso serem árabes. Além, é claro, do exemplo mais
evidente
da falta de relação automática entre arabismo e
maometanismo:
os turcos, povo de raça mongólica, aparentado com os
hunos,
foram os grandes responsáveis pela segunda onda de expansão
islâmica,
na Idade Média, derrubando o Império de Constantinopla e
avançando
sobre a Europa com suas naus, nas águas de Lepanto.
De outro
lado, se nem todos os muçulmanos são árabes, a recíproca
também é
verdadeira. E, dentre os árabes, encontramos numerosos
cristãos.
Antes mesmo de Maomé e sua pregação, vemos a Cruz plantada
nas
nações arábicas.
Sobressai-se
nesse diapasão, o grande e aguerrido Líbano. Quarenta
por cento
de sua população é cristã, de maioria católica inclusive!
Dos
católicos, alguns seguem o rito ocidental romano, outros os ritos
orientais
bizantino (os melquitas), siríaco e armênio, mas número
esmagador
(somado aos que estão na diáspora), liga-se ao rito
maronita,
originado de uma comunidade monástica dos primeiros séculos
da Era
Cristã.
Conservando
seus costumes próprios, suas legítimas tradições locais,
tendo uma
disciplina canônica característica (com sacerdotes casados,
por
exemplo), língua litúrgica que não o latim, mas o aramaico falado
por
Jesus, e modos peculiares de celebrar a Missa e demais
cerimônias,
o católico maronita é, sem embargo, fidelíssimo ao papa.
Para
manter sua fidelidade, sofreu a perseguição dos islamitas, e
mesmo de
outros cristãos - num tempo em que os demais orientais
separaram-se
de Roma, permanecendo só a Igreja Maronita unida ao Sumo
Pontífice.
O
maronita é o símbolo do Líbano. Firme como o cedro que é heráldico
dessa
nação! Em uma região que esqueceu Cristo para seguir o Corão,
permanece
seguro a testemunhar a fé católica, ainda que com seu
sangue.
Há na alma do maronita aquela maravilhosa conjugação entre a
beleza da
cultura árabe e os valores do cristianismo (somados à
legendária
disposição desbravadora dos fenícios, seus antepassados).
Por tudo
isso, pelo saudável patriotismo libanês, pela capacidade de
ser ponte
entre Roma e o Oriente, e pelo amor apaixonado à Santíssima
Virgem, é
que, com o sacrifício da própria vida, pôde o maronita
sobreviver
e continuar sua gloriosa epopéia até no Brasil.
Quem diz
maronitismo, diz, ao mesmo tempo, Igreja Católica, Líbano e
martírio.
Heróico é esse povo, dotado de sabedoria ímpar, consagrado
a Nossa
Senhora e ao Santo Padre - mesmo quando, durante séculos sem
comunicação
com a Europa por causa dos ataques muçulmanos, não sabia
quem era
o papa reinante, vindo a sabê-lo por notícias dos cruzados.
Ainda que
de rito romano, não me furto de expressar meus laços de
fraterna
amizade com o catolicismo libanês da Igreja Maronita, e de a
ela
manifestar minha gratidão por muitos santos e beatos. Também de
honrá-la
publicamente por manter-se inabalável a defender a verdade,
junto ao
trono de Pedro, aos pés do Romano Pontífice, suportando as
adversidades
com a coragem que lhe é típica, quase obrigatória, bem
ao estilo
libanês - cansado, nos dias de hoje, da ilegal ocupação
síria!
Para a
Europa laicista, enlouquecida pelo novo iluminismo, o Líbano
maronita
pode ser um espelho de coerência absoluta com suas virtudes
naturais
e sobrenaturais.
Rafael
Vitola Brodbeck
Advogado,
escritor e pensador católico
10 -
Cristãos no Iraque recuperam a esperança
Agência
Ecclesia 21/03/2004
Dois anos
depois do rebentamento da guerra no Iraque, a população
cristã no
país começa a recuperar a esperança no futuro. Milhares de
fiéis
encheram ontem as igrejas de Bagdad e do resto do Iraque para
participar
nas cerimónias do Domingo de Ramos, que marcam o início da
Semana
Santa.
O
Patriarca Caldeu de Bagdad, Emanuel III Delly, constata que "os
nossos
fiéis não tiveram medo e vieram às igrejas em maior número do
que no
passado, dando um grande testemunho de fé".
Esta
participação é considerada pela principal figura da Igreja no
Iraque
como "um sinal, pequeno, de uma progressiva normalização do
país".
"Muitos
vêm rezar pela paz e a segurança. Os problemas não faltam,
mas
estamos no bom caminho para reconstruir o Iraque", refere à
agência
Sir.
As
procissões dos Ramos, apesar deste optimismo, decorreram apenas
dentro
das igrejas e nos adros, por motivos de segurança e para
evitar
"possíveis ultrajes aos nossos símbolos de fé", segundo o
Patriarca.
Desde 1918 não há procissões cristãs nas ruas da capital
iraquiana.
As
cerimónias da Semana Santa ainda serão condicionadas pela falta de
segurança,
com as igrejas a encerrarem ao anoitecer, antecipando
várias
celebrações. Os cristãos no Iraque são uma minoria, cerca de
3% dos 26
milhões de habitantes, mas representam uma das comunidades
mais
antigas e respeitadas do Cristianismo.
11 -
90°ANIVERSÁRIO DO GENOCÍDIO ARMÊNIO
Informativo
ARMÊNIA - Fevereiro/2005
No
próximo "24 de abril", a Armênia e a Diáspora estarão rememorando
com
respeito e dignidade a monstruosa hecatombe que, há 90 anos,
ceifou a
vida de 1,5 milhão de seus compatriotas que viviam sob o
jugo do
Império Turco Otomano. Preparativos nesse sentido estão sendo
ultimados
pelo governo armênio e pelos líderes das principais
comunidades
armênias através do mundo. Os programas incluem eventos
cívicos e
culturais, manifestações públicas e ofícios religiosos em
todas as
igrejas. A assembléia anual do Conselho Mundial de Igrejas
(Genebra,
Suíça), por iniciativa do seu atual presidente, o
catolicosse
apostólico armênio Aram I, apelou a todas as igrejas-
membros,
de todas as confissões, para que "comemorem em 24 de abril
de 2005 o
Dia da Memória do Genocídio Armênio". A tônica deste 90°
aniversário
será a "universalização do reconhecimento do genocídio
armênio",
a fim de que nunca mais se perpetre tamanho crime contra a
humanidade.
SUIÇA -
Durante a assembléia anual do Conselho Mundial de Igrejas, em
Genebra,
o presidente deste órgão inter-eclesiástico, o catolicosse
Aram I
(chefe supremo da sede catolicossal apostólica armênia de
Cilícia,
no Líbano) discorreu sobre os graves desafios do mundo atual
e a
necessidade de arrependimento e reconciliação humana. Na ocasião,
referiu-se
ao drama de seu próprio povo como exemplo de tragédias a
lembrar:
"Há 90 anos, quando o Império Otomano decidiu sacrificar os
armênios,
perpetrou-se o primeiro genocídio sistemático do século". O
catolicosse
Aram I, figura de proa do ecumenismo contemporâneo,
deverá
visitar o Brasil em fevereiro de 2006, quando presidirá a
assembléia
do CMI em Porto Alegre.
12 -
1600° ANIVERSÁRIO DO ALFABETO ARMÊNIO
Informativo
ARMÊNIA - Março/2005
Os dois
supremos dignitários da Igreja Apostólica Armênia, Karekin II
(portador
do título "catolicosse de todos os armênios" e sediado em
Etchmiadzin,
na Armênia) e Aram I ("catolicosse da Cilícia",
localizado
em Antelias, no Líbano) publicaram encíclicas promulgando
2005
"ano do 1600° aniversário da criação do alfabeto armênio". Ambas
mensagens
catolicossais incitam a renovar o amor pela língua e
literatura
armênias e convidam as instituições culturais, literárias
e
religiosas da Armênia e da Diáspora a celebrarem o acontecimento.
Chefes
eclesiásticos das igrejas católica e evangélica armênias
também
conclamam seus fiéis a se associarem às comemorações. Criado
pelo
monge Mesrob Mashdots, em 305, o alfabeto gerou a floração da
literatura
armênia e tornou-se pilar da identidade nacional e
garantia
de sua perpetuidade.
CINGAPURA
- A festa será em novembro, mas os precaviddos organizadores
preferem
que a notícia se espalhe desde já. A Igreja São Gregório
Iluminador,
em Cingapura, uma das mais antigas da Diáspora,
comemorará
seu 170° aniversário. Construída em 1835, no auge da
presença
armênia nessa cidade, a igreja acha-se hoje praticamente
inativa,
porém zelosamente preservada graças aos cuidados do comitê
local de
curadores. Interessados em comparecer à festa, ou simples
curiosos,
podem informar-se mediante [email protected]
13 -
RENOVAÇÃO ESPIRITUAL DA IGREJA
Informativo
ARMÊNIA - Março/2005
Um
primeiro encontro de estudo, patrocinado conjuntamente pelos
catolicosses
Karekin II, de Etchmiadzin, e Aram I, de Antelias, sobre
o tema
"O imperativo de renovação da Igreja Armênia", realizou-se
durante
4-6 de março, em Etchmiadzin, com a participação de um grupo
seleto de
membros do alto clero. Entre os assuntos abordados
figuravam:
a atual situação canônica da Igreja; educação cristã geral
e nas
escolas públicas; a missão evangelizadora da Igreja; práticas
litúrgicas;
formação do clero; reativação da vida monástica; relações
ecumênicas;
Igreja e questões sociais; relações entre Igreja e
Estado.
Uma comissão permanente, com representantes dos dois
catolicossados,
deverá dar seguimento ao estudo.
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