BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 27 -
03 de março de 2005
ÍNDICE
1 - O
hino Akathistos - A doce vitoria de Maria (Entrevista com o
Patriarca
Bartolomeu I)
2 -
PATRIARCA RUSSO DESEJA MELHORAS AO PAPA
3 -
Embaixadores de seis países ortodoxos entregam ao Papa um ícone
de Maria.
Nas igrejas ortodoxas se reza por sua saúde, assegura um
diplomata
4 -
Igreja Ortodoxa da Rússia se despede das relíquias de Ielizaveta
e Varvara
5 - O
problema do património continua a ser um entrave à unificação
da Igreja
Ortodoxa
6 -
ORTODOXOS RUSSOS NEGAM TRADIÇÃO DE PAPAI NOEL
7 -
Kasper e a fé indivisível do Oriente e do Ocidente
8 -
Tradição e pragmatismo. A análise do reitor da Universidade de
Ciências
Humanas de Moscou
9 -
Moldávia: Liberdade religiosa em jogo nas próximas eleições
10 -
Bispos libaneses alertam para crise política no país
12 -
Bispo iraquiano considera que o medo dos cristãos está
desaparecendo.
Confia em que a democracia se instaure finalmente
13-
Cristãos iraquianos recuperam a confiança
14 - Os
cristãos iraquianos: "Não queremos que falte a nossa oração
pelo
Santo Padre"
15 -
CRISTÃOS PROTESTAM, EM IGREJA NO CAIRO, CONTRA CONVERSÃO FORÇADA
AO
ISLAMISMO
16 -
INICIA-SE HOJE, EM BEIRUTE, O SÍNODO EXTRAORDINÁRIO DOS BISPOS
ARMÊNIOS
CATÓLICOS
NOTÍCIAS
1 - O
hino Akathistos - A doce vitoria de Maria (Entrevista com o
Patriarca
Bartolomeu I)
Revista
30Dias – Dezembro de 2004
É
considerado o mais belo hino mariano de todos os tempos. Há quinze
séculos,
os cristãos das Igrejas de tradição bizantina o repetem para
agradecer
à Virgem e pedir que sejam preservados na fé dos Apóstolos.
30Dias
pediu a Bartolomeu I, patriarca ecumênico de Constantinopla,
que
comentasse o Akathistos. Entrevista de Gianni Valente
A ti,
como a General
invencível,
elevo cantos de vitória,
eu, que
sou tua Cidade,
ó Mãe de
Deus.
E como
possuis a força irresistível,
liberta-me
dos perigos de toda
espécie,
a fim de que te
proclame:
Ave, Virgem e Esposa!
Jamais
cessaremos de celebrar-te
com os
devidos hinos,
ó Mãe de
Deus,
e de
dizer: Ave, Virgem e Esposa!
O
Incorpóreo, assim que conheceu
a ordem
que lhe foi dada,
dirigiu-se
com solicitude à
morada de
José e disse àquela
que não
conhecia matrimônio:
"Aquele
que em sua descida
inclina
os céus
é todo e
imutavelmente encerrado em teu seio.
Eu,
contemplando-o feito escravo em teu ventre,
fico
estático e exclamo:
Ave,
Virgem e Esposa!".
PARTE
NARRATIVA
1. O mais
excelso dos Anjos foi enviado do Céu
para
dizer "Ave" à Mãe de Deus.
À sua
incorpórea saudação
vendo-te
nEla feito homem,
Senhor,
em êxtase
ficou,
aclamando
a Mãe assim:
"Ave,
por Ti a alegria resplandece;
Ave, por
Ti a dor se extingue.
Ave,
salvação de Adão decaído;
Ave,
resgate do pranto de Eva.
Ave, cume
sublime para o intelecto humano;
Ave,
abismo profundo aos olhos dos Anjos.
Ave, em
Ti foi elevado o trono do Rei;
Ave, Tu
carregas Aquele que o todo sustenta.
Ave, ó
estrela que o Sol antecipa;
Ave, ó
ventre do Deus que se encarna.
Ave, por
Ti se renova a criação;
Ave, por
Ti o Criador é criança.
Ave,
Esposa não desposada!".
2. Bem
sabia Maria
que era
Virgem consagrada e assim
a Gabriel
dizia:
"A
tua singular mensagem
parece
incompreensível à minha alma:
do ventre
de virgem
um parto
prediz, exclamando:
'Aleluia!'"
3.
Desejava a Virgem
entender
o mistério
e ao
núncio divino perguntava:
"Poderá
o virginal seio meu
dar à luz
um menino?
Dize-me!"
E Aquele,
reverente,
aclamando-a
disse assim:
"Ave,
guia para o superno conselho;
Ave,
prova de arcano mistério.
Ave,
primeiro prodígio de Cristo;
Ave,
compêndio de suas verdades.
Ave, ó
escada celeste que desce do Eterno;
Ave, ó
ponte que carregas os homens ao céu.
Ave, dos
coros dos Anjos cantado portento;
Ave, das
hordas dos demônios odiado flagelo.
Ave, que
deste a Luz inefável;
Ave, que
o 'modo' a ninguém revelaste.
Ave, que
transcendes a ciência dos doutos;
Ave, que
resplandeces ao coração dos que
crêem.
Ave,
Esposa não desposada!".
4. A
Virtude do Altíssimo
ofuscou e
fez Mãe
a Virgem
que não conhecera núpcias:
esse
seio, fecundado pelo alto,
tornou-se
como campo fértil para todos,
que
querem colher salvação
cantando
assim:
"Aleluia!".
5. Com o
Senhor em seu ventre,
apressada,
Maria
subiu e
falou a Isabel.
O pequeno
no seio da mãe
ouviu a
virginal saudação,
exultou,
e pulando de alegria
cantava à
Mãe de Deus:
"Ave,
ó galho de santo Rebento;
Ave, ó
ramo de Fruto ilibado.
Ave, que
cultivas o divino Cultor;
Ave, que
dás vida ao Autor da vida.
Ave,
campo que frutificas riquíssimas graças;
Ave,
altar que carregas plenitude de dons.
Ave, um
pasto ameno Tu fazes germinar;
Ave, um
pronto refúgio preparas para os fiéis.
Ave, de
súplicas incenso acolhido;
Ave,
perdão suave do mundo.
Ave,
clemência de Deus pelo homem;
Ave,
confiança do homem com Deus.
Ave,
Esposa não desposada!".
6. Com o
coração tumultuado
entre
pensamentos contrários
o sábio
José oscilava:
até agora
mirando-te intacta
suspeita
segredos esponsais, ó ilibada!
Quando
Mãe te soube
do
Espírito Santo, exclamou:
"Aleluia!".
7. Os
pastores ouviram
os coro
dos Anjos
ao Cristo
descido entre nós.
Correndo
para ver o Pastor,
vêem-no
como cordeirinho inocente
alimentar-se
no seio da Virgem,
à qual
elevam o canto:
"Ave,
ó Mãe do Cordeiro Pastor,
Ave, ó
recinto de rebanho fiel.
Ave, que
defendes das feras malignas,
Ave, Tu
que abres as portas do céu.
Ave, por
Ti com a terra exultam os céus,
Ave, por
Ti com os céus tripudia a terra.
Ave, Tu
és dos Apóstolos a voz perene,
Ave, dos
Mártires és a coragem indômita.
Ave,
poderoso sustento de fé,
Ave,
estandarte resplandecente de graça.
Ave, por
Ti foi despojado o inferno,
Ave, por
Ti nos vestimos de glória.
Ave,
Virgem e Esposa!".
8.
Observando a estrela
que
guiava ao Eterno,
seguiram-lhe
os Magos o fulgor.
Foi para
eles segura lucerna
indo
encontrar o Poderoso,
o Senhor.
Ao Deus
inalcançável chegando,
o aclamam
bem-aventurados:
"Aleluia!".
9.
Contemplaram os Magos
nos
braços maternos
o
Artífice sumo do homem.
Sabendo
que Ele era o Senhor
mesmo sob
o aspecto de servo,
pressurosos
entregaram-lhe os dons,
dizendo à
Mãe bem-aventurada:
"Ave,
ó Mãe do Astro perene,
Ave, ó
aurora de místico dia.
Ave, a
forja dos erros Tu apagas,
Ave,
resplandecendo conduzes ao
Deus
verdadeiro.
Ave, o
odioso tirano derrubaste do trono,
Ave, o
Cristo nos doas clemente Senhor.
Ave, és
aquela que resgata dos ritos cruéis,
Ave, és
Tu quem nos salva das obras de fogo.
Ave,
destróis o culto do fogo,
Ave,
extingues a chama dos vícios.
Ave, guia
de ciência aos que crêem,
Ave,
alegria de todos os povos.
Ave,
Virgem e Esposa!".
10.
Pregoeiros de Deus
se
tornaram os Magos
no
caminho de volta.
Cumpriram
o teu vaticínio
e Te
pregavam, ó Cristo,
a todos,
não preocupados com Herodes,
o
estulto, incapaz de cantar:
"Aleluia!".
11.
Irradiando ao Egito
o
esplendor da verdade,
as trevas
do erro esmagaste:
que os
ídolos então, ó Senhor,
enfraquecidos
por força divina caíram;
e os
homens, salvos,
aclamavam
a Mãe de Deus:
"Ave,
desforra do gênero humano,
Ave,
derrota do reino do inferno.
Ave, que
pisar o engano e o erro,
Ave, que revelas
a fraude dos ídolos.
Ave, mar
que engoles o grande Faraó,
Ave,
rocha que derramas as Águas de Vida.
Ave,
coluna de fogo que guias na escuridão,
Ave,
defesa do mundo mais ampla
que
nuvens.
Ave,
doadora de maná celeste,
Ave,
ministra de santas delícias.
Ave,
mística terra prometida,
Ave,
fonte de leite e de mel.
Ave,
Virgem e Esposa!".
12.
Estava já para deixar
este
mundo falaz
Simão,
inspirado ancião.
Como
criança a ele foste dado,
mas em Ti
reconheceu o Senhor perfeito,
e
admirando surpreso
a eterna
sabedoria exclamou:
"Aleluia!".
PARTE
TEMÁTICA
13. De
natureza as leis
inovou o
Criador,
aparecendo
entre nós, seus filhinhos:
florescido
do ventre de Virgem,
conserva-o
como era desde sempre, inviolado:
e nós que
admiramos o prodígio
cantamos
à Santa:
"Ave,
ó flor de vida ilibada,
Ave,
coroa de casta conduta.
Ave, que
mostras a sorte futura,
Ave, que
revelas a vida dos Anjos.
Ave,
magnífica planta que alimentas os fiéis,
Ave, bela
árvore umbrosa que a
todos
proteges.
Ave, que
no ventre carregas o
Guia dos
errantes,
Ave, que
despertas para a luz Quem
liberta
os escravos.
Ave, que
suplicas ao Juiz justo,
Ave,
perdão para todos os transviados.
Ave,
veste para os despidos de graça,
Ave, Amor
que vences todo anseio.
Ave,
Virgem e Esposa!".
14. Esse
parto admirando,
nos
distanciamos do mundo
e ao céu
voltamos a mente.
Surgiu
por ele entre nós,
em
humilde humano semblante o Altíssimo,
para
conduzir ao cume
aqueles
que alegres o aclamam:
"Aleluia!".
15. Era
tudo aqui na terra,
e de si
todos os céus
enchia o
Deus Verbo infinito:
não já
uma troca de lugares,
mas um
doce rebaixar-se de Deus para o homem
foi
nascer de Virgem,
Mãe que
todos aclamamos:
"Ave,
sede de Deus, o Infinito,
Ave,
porta de sacro mistério.
Ave,
doutrina incerta para os ímpios,
Ave, dos
pios certíssimo orgulho.
Ave, ó
trono mais santo que o trono querúbico,
Ave, ó
cátedra mais bela que a cátedra seráfica.
Ave, que
conjugas grandezas opostas,
Ave, que
és Virgem e Mãe numa só.
Ave, por
Ti foi perdoada a culpa,
Ave, por
Ti foi aberto o paraíso.
Ave, ó
chave do reino de Cristo,
Ave,
esperança de eternos tesouros.
Ave,
Virgem e Esposa!".
16.
Admiraram-se os Anjos
pelo
evento sublime
da tua
Encarnação divina:
pois o
Deus inacessível a todos
viam
feito acessível, homem,
habitar
entre nós
e por
cada um ouvir-se aclamar:
"Aleluia!".
17. Os
oradores brilhantes
como
peixes estão mudos
por Ti,
Mãe de Deus:
de todo
incapazes de dizer
a maneira
pela qual Virgem e Mãe Tu és.
Mas nós,
que admiramos o mistério
cantamos
com fé:
"Ave,
sacrário de eterna Sabedoria,
Ave,
tesouro de sua Providência.
Ave, que
os doutos revelas ignorantes,
Ave, que
aos oradores impões o silêncio.
Ave, por
Ti são estultos doutores sutis,
Ave, por
Ti desfalecem autores de mitos.
Ave, que
despedaças as tramas de todos
os sofistas.
Ave, que
nos elevas de funda ignorância,
Ave, para
todos és farol de ciência.
Ave,
barca de quem ama salvar-se,
Ave,
porto a quem zarpa para a Vida.
Ave,
Virgem e Esposa!".
18. Para
salvar a criação,
o Senhor
do mundo
de bom
grado desceu a este mundo.
Como Deus
era nosso Pastor,
mas quis
aparecer entre nós como Cordeiro:
com o
humano atraía os humanos,
como Deus
o aclamamos:
"Aleluia!".
19. Tu,
defesa de virgens,
Mãe
Virgem és,
e de
todos os que recorrem a Ti:
que tal
te fez o Senhor
de toda a
terra e do céu, ó ilibada,
habitando
teu ventre
e
convidando-nos todos a cantar:
"Ave,
coluna de sacra pureza,
Ave,
porta de eterna salvação.
Ave,
início de nova progênie,
Ave,
doadora de bens divinos.
Ave, que
deste vida aos nascidos na vergonha,
Ave,
deste sabedoria aos sem juízo.
Ave, ó
Tu, que aniquilaste o grande sedutor,
Ave, ó
Tu, que dos castos nos doas o Autor.
Ave, Tu,
ventre de núpcias divinas,
Ave, que
unes os fiéis ao Senhor.
Ave, de
virgens alma nutriz,
Ave, que
as almas levas ao Esposo.
Ave,
Virgem e Esposa!".
20. Cede
em verdade todo canto
que
presuma igualar
tuas
inúmeras graças.
Mesmo que
te oferecêssemos hinos
por cada
grãozinho de areia, Senhor,
nunca
estaríamos à altura de teus dons
que deste
a quem canta:
"Aleluia!".
21. Como
tocha ardente
para quem
jaz nas sombras
contemplamos
a Virgem santa,
que
acendeu a luz divina
e guia à
ciência de Deus todos,
resplandecendo
às mentes
e por
cada um é louvada com o canto:
"Ave,
ó raio de Sol divino,
Ave, ó
facho de Luz perene.
Ave,
clareias como relâmpago as mentes,
Ave, como
trovão os inimigos espantas.
Ave, para
nós és a fonte dos sacros Mistérios,
Ave, que
és a fonte das Águas abundantes.
Ave, em
Ti representas a antiga piscina,
Ave, que
limpas as manchas de nossos pecados.
Ave, ó
fonte que as almas purifica,
Ave, ó
cálice que derramas letícia.
Ave, ó
fragrância do crisma de Cristo,
Ave, vida
do sacro banquete.
Ave,
Virgem e Esposa!".
22.
Anular querendo
toda
dívida antiga,
entre
nós, o Redentor do homem
desceu e
habitou em pessoa:
entre nós
que havíamos perdido a graça.
Destruiu
o escrito da dívida,
e todos o
aclamam:
"Aleluia!".
23. Com
hinos a teu parto
o
universo te canta
como
templo vivo, ó Rainha!
Pondo em
teu ventre morada
Quem tudo
em sua mão contém, o Senhor,
toda
santa te fez e gloriosa
e nos
ensina a louvar-te:
"Ave,
ó 'tenda' do Verbo de Deus,
Ave,
maior do que o 'Santo dos Santos'.
Ave,
'Arca' de Espírito dourada,
Ave,
'tesouro' inesgotável de vida.
Ave,
diadema precioso dos santos soberanos,
Ave, dos
pios sacerdotes nobre orgulho.
Ave, Tu
és para a Igreja como torre poderosa,
Ave, Tu
és para o Império como forte muralha.
Ave, por
Ti elevamos troféus,
Ave, por
Ti caem vencidos os inimigos.
Ave,
remédio de meus membros,
Ave,
salvação de minha alma.
Ave,
Virgem e Esposa!".
24. Grande
e ínclita Mãe,
Genitora
do sumo entre os Santos,
Santíssimo
Verbo,
dignai-te
acolher o canto!
Preserva-nos,
todos, de toda desventura!
Do
castigo que paira
Tu
libertas a nós que gritamos:
"Aleluia!"
Quando os
bárbaros assediavam Constantinopla, seus cidadãos
invocavam
a ajuda de Maria, à qual a cidade era consagrada. E depois
de
experimentarem sua proteção, agradeciam a ela com cantos e
vigílias
em seu nome. Durante toda a noite, o povo cantava de pé o
Akathistos,
grande hino à mãe de Deus, de autoria desconhecida.
Quando o
Império Bizantino ruiu, o patriarca Jorge Scholarios dirigiu-
se a
Maria dizendo que os fiéis não a importunariam mais para que
salvasse
a cidade, mas continuariam a invocá-la para que os
preservasse
sempre na fé dos Padres.
Ainda
hoje, os cristãos das Igrejas do Oriente pertencentes à
tradição
bizantina dirigem suas súplicas e seus agradecimentos a
Maria por
meio do Akathistos. Durante quinze séculos, a recitação
individual
e comunitária do hino funcionou como instrumento precioso
para
preservá-los na fé simples dos apóstolos: o único tesouro que
vale,
ainda hoje, quando já não existem impérios cristãos.
Na
entrevista a seguir, 30Dias pediu a Bartolomeu I, patriarca
ecumênico
de Constantinopla, que comentasse aquele que muitos
consideram
o mais belo hino de todos os tempos. Um hino no qual são
contemplados
também todos os mistérios que a liturgia reapresenta no
tempo de
Natal.
GIANNI
VALENTE: Sua Santidade, o que é para o senhor o
Akathistos?
BARTOLOMEU
I: É um dos hinos mais belos e mais usados da Igreja
Ortodoxa,
que comove profundamente a alma de todo fiel. Nos santos
mosteiros,
ele é lido todos os dias durante o ofício das completas, e
a maior
parte dos monges e muitos leigos devotos o conhecem de cor e
o recitam
intimamente, nas circunstâncias felizes ou dolorosas da
vida. É,
sobretudo, uma oração de louvor, que exprime com força os
sentimentos
de maravilhamento, devoção, esperança, confiança e
caridade
de cada alma pela Toda Santa Mãe de Deus.
Aquilo
que o hino Akathistos é para todo fiel ortodoxo é também
para nós,
pessoalmente. Seu caráter não está limitado no tempo. É
verdade
que, segundo a tradição, foi composto e cantado pela primeira
vez num
momento histórico concreto, durante uma vigília, pelo povo de
Constantinopla
de pé (akathistos significa, precisamente, "não
sentado"),
como ato de agradecimento pelo fato de que a cidade -
então
soberana - havia sido salva da invasão dos inimigos. Mas o
coração
devoto de cada fiel percebe que essa oração vale em todas as
circunstâncias,
felizes ou tristes, tanto pessoais quanto
comunitárias.
E é recitado todos os dias, com um sentimento claro de
sua
atualidade. Para a alma do fiel, que põe toda a sua confiança no
socorro
da Toda Santa Mãe de Deus, não importa a conjuntura histórica
graças à
qual o hino foi escrito, mas tão-somente a fé na ajuda que
vem da
Sempre Virgem Maria e a esperança segura de que, como
aconteceu
naquela época, hoje também a mesma ajuda é concedida a
todos os
que a invocam. Efetivamente, na última estrofe do
Akathistos,
os fiéis rezam fortemente à Toda Santa que os liberte a
todos de
qualquer mal. Dessa forma, expressa-se claramente a
confiança
em sua eficácia que têm os fiéis de todos os tempos.
GIANNI
VALENTE: O que foi que inspirou o hino Akathistos?
BARTOLOMEU
I: O Akathistos pertence à categoria de hinos
chamados
"Kontakia". É composto, como se sabe, por vinte e quatro
unidades,
que se chamam "Oikoi" (estrofes), formando um acróstico
alfabético.
Metade delas - as ímpares, segundo a numeração - começam
com uma
exposição poética, que descreve um acontecimento, seguida por
seis
ações de graças à Toda Santa Mãe de Deus, cheias de admiração e
louvor
por ela, que se concluem com a exclamação doxológica: "Ave,
Virgem e
Esposa!".
A outra
metade das estrofes - as pares, segundo a numeração -
são
compostas por um conjunto de versos que termina com a exclamação
de louvor
"Aleluia!".
Cada
estrofe é inspirada por um acontecimento da vida da Toda
Santa Mãe
de Deus ou até, algumas vezes, pelos fatos da vida de Jesus
Cristo,
por ela gerado, ou de outros personagens ligados a eles, para
exaltar a
participação dela ou a de Jesus Cristo em determinado
episódio
e sua importância para a salvação dos homens.
Tudo
começa com a Anunciação à Mãe de Deus por parte do Arcanjo.
Depois se
descreve o maravilhamento da Toda Santa e seu diálogo com
ele.
Anuncia-se a concepção do embrião em seu ventre por obra do
Espírito
Santo. Depois se conta a visita de Maria a Isabel, a dúvida
de José,
a adoração dos pastores, a visita dos Magos, a oferta dos
dons e o
louvor dos magos à Virgem Maria, sua fuga de Herodes...
GIANNI
VALENTE: Os pastores e os Magos são as primeiras
testemunhas
do nascimento de Jesus do seio daquela menina judia. Como
é contada
a história deles?
BARTOLOMEU
I: A sétima estrofe nos introduz no evento que se deu
com o
nascimento de Cristo na gruta de Belém, testemunhado pelo hino
dos anjos
que maravilhou os pastores. Os pastores, segundo o
hinógrafo,
pensando de modo humano, acorreram para ver o Deus
encarnado
como um pastor majestoso, mas, em vez do semblante de
pastor,
eles o vêem como Cordeiro imaculado alimentado pelo seio de
Maria, e
exaltam a ela com estas palavras: "Ave, por ti o inferno foi
despojado".
A oitava
e a nona estrofes se referem ao caminho dos Magos
conduzidos
pela estrela e à oferta de dons reais que fazem ao Verbo
de Deus
que assumiu a forma de servo. O hinógrafo põe nos lábios dos
Magos
palavras de grande admiração pela Mãe de Deus: "Ave, Mãe da
estrela
que não se põe"; "Ave, tu és aquela que resgata dos ritos
cruéis";
"Ave, tu fizeste cessar o culto do fogo". Na décima estrofe
conta-se
que os Magos, não dando atenção ao vaniloqüente Herodes,
voltaram
à Babilônia e ali começaram a anunciar Jesus Cristo.
GIANNI
VALENTE: "Com o humano atraía os humanos." É o que se lê
na décima
oitava estrofe do hino. Como se descreve no Akathistos essa
atração
despertada pela humanidade de Jesus Cristo?
BARTOLOMEU
I: Há duas referências a isso no Akathistos. A
primeira
se encontra na décima quarta estrofe, e diz que o altíssimo
Deus se
manifestou neste mundo como humilde homem, querendo puxar
para o
alto "aqueles que alegres o aclamam: 'Aleluia!'". A segunda se
encontra
na décima oitava estrofe, e diz assim: "Para salvar a
criação,
o Senhor do mundo de bom grado desceu a este mundo. Como
Deus, era
nosso Pastor, mas quis aparecer entre nós como Cordeiro:
com o
humano atraía os humanos, como Deus lhe aclamamos: 'Aleluia!'".
Acreditamos
que o compositor do Akathistos, levando em conta a
Tradição
ortodoxa, exprima com essas palavras a fé de que o Deus
Verbo se
encarnou e se fez homem para reconduzir a humanidade a Deus,
dado que
o homem, por suas forças, não era capaz de restaurar a
relação
que tinha com Deus antes da queda. Não acreditamos que se
refira a uma
impressão sentimental do homem, provocada pelo elemento
humano de
Jesus Cristo. Exprime muito mais uma realidade ontológica:
Jesus, o
Deus-Homem Jesus, assumindo o elemento humano, cura todas as
suas
imperfeições, o faz renascer, tornar-se um novo Adão, e quem se
une a Ele
se renova, sendo libertado da corrupção hereditária que
provém do
pecado original, e assim passa "da morte à vida". E isso
levando
em conta que a morte é a principal conseqüência da corrupção
hereditária,
à qual estão submetidos todos os homens, depois que sua
vivificante
relação com Deus se interrompeu pela desobediência do
casal dos
progenitores.
Deve-se
notar como na décima quarta estrofe o hinógrafo nos
chama a
elevarmo-nos das coisas mundanas para as celestes, pois foi
para isso
que Deus desceu à terra: para atrair, ou seja, puxar para
si, para
sua altura, aqueles que crêem nele, por meio de uma graça
que torna
experimentável sua presença atrativa na terra, doando a
todos os
que a acolhem a fé e a experiência da vida espiritual.
Também na
décima oitava estrofe, o hinógrafo sublinha que Deus,
segundo
seu querer, veio à terra como homem para salvar o mundo,
oferecendo
seu convite por meio do Deus-Homem, semelhante aos homens,
que é
capaz de realizar o que os simples homens não poderiam obter.
Certamente,
aqueles que amam a Cristo experimentam em sua pessoa uma
ternura e
uma beleza carregada de atração, mas nós acreditamos que o
hinógrafo
- conformando-se também a sua época, muito amante das
discussões
dogmáticas - exprima verdades dogmáticas, e não
sentimentalismos.
GIANNI
VALENTE: No Natal, o Mistério que faz todas as coisas se
torna uma
criança, indefesa como todas as crianças. Jesus menino
precisa
de Maria e José, duas criaturas também humanamente indefesas
diante de
Herodes e da maldade do mundo. Com que observações se
descreve
a fuga para o Egito no Akathistos?
BARTOLOMEU
I: A fuga para o Egito não é contada logo e por
extenso
no Akathistos. A décima primeira estrofe lembra que Cristo
fez
resplandecer no Egito a luz da verdade, e aqueles que por meio do
Salvador
foram libertados dos ídolos aclamam a Mãe de Deus, partícipe
da Divina
Economia, com diversas saudações cheias de admiração e
louvor. A
maior parte dessas saudações aludem a eventos da história
do povo
hebraico no Egito, que simbolizam ou prefiguram a
contribuição
da Mãe de Deus à Divina Economia. Assim, a
saudação
"Ave, mar que engoles o grande Faraó", alude à passagem dos
hebreus
pelo Mar Vermelho e ao afogamento dos Egípcios que os
perseguiam.
Considera-se que aquele evento prefigura a Mãe de Deus
porque -
como canta uma estrofe - "o mar, depois da passagem de
Israel,
se fechou novamente; a Imaculada, depois do parto do Emanuel,
permaneceu
incorrupta".
A
saudação "Ave, pedra que deste de beber a todos os que têm
sede de
vida" alude, por sua vez, à pedra da qual brotou água
vivificante
para os hebreus no deserto, graças à oração de Moisés, e
também à
palavra do Senhor, que disse à Samaritana que possuía a água
viva. Tal
como da pedra brotou água vivificante, da mesma forma
Cristo
veio da Virgem, como nova água viva e vivificante. Assim
também, a
saudação que se dirige à Mãe de Deus como "coluna ardente
que guia
a todos que estão nas trevas", e aquela na qual ela é
exaltada
como "defesa do mundo, mais ampla que nuvens", comparam a
Toda
Santa à coluna ardente e à nuvem que guiavam o povo hebreu no
deserto,
como relatado no Livro do Êxodo (Êx 13,21). Enfim, o "alegra-
te,
alimento que sucedeu o maná" e o "alegra-te, mística terra
prometida,
fonte de leite e mel" se referem a fatos bem conhecidos do
Antigo
Testamento.
Dessa
forma, muito episódios da história do povo eleito
prefiguram,
segundo o compositor do Akathistos e também outros
grandes
poetas de Bizâncio, a poderosa ação da Toda Santa Mãe de Deus
que se
seguiria.
GIANNI
VALENTE: Diante do acontecimento do Natal e do mistério
da
maternidade de Maria, o hino Akathistos descreve duas atitudes,
duas
reações diferentes. De um lado, estão os pastores, os anjos, os
Magos. Do
outro, aqueles que são definidos como "oradores"
ou
"sofistas" ("por ti desfalecem os autores dos mitos, [...]
despedaças
as tramas de todos os sofistas"), aqueles que pensam
apoderar-se
do Mistério...
BARTOLOMEU
I: Os pastores, os anjos, os Magos e os fiéis em
geral
admiram e reconhecem o evento da Divina Economia e glorificam
por ele a
Deus e à Toda Santa Mãe de Deus, Sua cooperadora. Os sábios
deste
mundo - que querem submeter as ações de Deus ao pensamento
humano -
não conseguem se maravilhar e se abandonar a esse evento.
Estão
preocupados em explicar e entender os eventos da Divina
Economia,
que, porém, superam o conhecimento dos sábios, ao passo que
resplandecem
diante do coração dos fiéis, como é cantado na terceira
estrofe.
Nós, os fiéis, então, "admirando o mistério da encarnação de
Deus,
cantamos com fé": "Ave, tu que mostras carentes de sabedoria os
filósofos;
Ave, pois se tornaram estultos os sutis pensadores"
(estrofe
17). Aquilo que para a mente é incompreensível é tornado
próximo
pela fé - substância de coisas esperadas, prova de coisas não
vistas -,
que torna o coração seguro de sua existência real e não
imaginária.
GIANNI
VALENTE: Jesus é fonte de vida e de perdão para os
pecadores,
doa-lhes a graça perdida. Mas Maria também está envolvida
nessa
obra, como "perdão para todos os transviados", "veste para os
despidos
de graça", pois foi ela quem Lhe deu a carne. Como se
expressa,
no Akathistos, a obra de Maria nesse inimaginável socorro à
condição
humana, decaída depois do pecado original?
BARTOLOMEU
I: De fato, o sublime amor de Deus pelos homens
escolheu
uma forma de salvação que não podia ser prevista pela mente
do homem,
acostumado a pensar Deus em sua imensidão. A kenosis, ou
seja, o
esvaziamento de Deus, sua manifestação como homem, era
inimaginável.
Ainda mais inconcebível era e é sua concepção no ventre
de uma
mulher, e a própria existência de uma mulher digna de acolher
a
divindade dentro de seu corpo e de se tornar Mãe do Deus encarnado.
Isso
constituía escândalo ou estultícia, e para muitos o representa
ainda
hoje. A lógica humana atribui a Deus as qualidades que imagina
que o
homem forte possua ou tenha de possuir; portanto, não a
humildade,
o rebaixamento, o amor até o sacrifício de si.
Apesar
disso, o inimaginável - que, no entanto, havia sido
profetizado
- aconteceu. Por um lado, encontrou-se uma mulher de tal
pureza
que pudesse ser digna de conceber, de dar à luz e de criar o
Deus-Homem
Jesus Cristo. Por outro lado, Deus esvaziou a si mesmo da
glória de
sua magnificência e manifestou-se no mundo como "humilde
homem".
Esse evento enche de admiração e maravilhamento o autor do
Akathistos,
que, por isso, ao longo de todo o hino manifesta sua
infinita
admiração tanto por Deus quanto pela Toda Santa Mãe de Deus,
por meio
de extraordinárias expressões poéticas, como: "Alegra-te,
doutrina
incerta para os ímpios; alegra-te, dos pios certíssimo
orgulho".
"Alegra-te, tu que levas os opostos de volta à unidade;
alegra-te,
tu que uniste a virgindade e a maternidade." "Alegra-te,
tu, por
quem foi desmanchada a transgressão; alegra-te, tu, por quem
é aberto
o paraíso".
Com
frases como essas, a salvação não é atribuída à Virgem
Maria,
mas exalta-se sua cooperação, por benevolência de Deus.
Celebra-se
o fato de que Deus, que quer que o homem seja salvo,
buscou -
e encontrou na pessoa da Mãe de Deus - a incondicional e
imediata
colaboração do homem. Depois da corrupção da estirpe humana,
em razão
do pecado dos progenitores, Deus se encarna no homem novo, o
Deus-Homem
Jesus, aquele que é estranho à corrupção, e chama todos a
unirem-se
a Jesus Cristo para participar da incorruptibilidade e da
eternidade
de sua vida e de sua verdade. E essa encarnação acontece
por meio
de uma mulher. É realmente grande e magnífica a obra de Deus
e a
participação da Toda Santa nela, que se canta com o Akathistos.
GIANNI
VALENTE: Como diz a Carta aos Hebreus, depois do único e
perfeito
sacrifício de Jesus não é mais preciso outros sacrifícios. O
Akathistos
canta também a participação de Maria, mãe de Deus, nessa
obra de
libertação: "Alegra-te, tu és aquela que resgata dos ritos
cruéis."
"Alegra-te, tu que revelas a fraude dos ídolos". "Alegra-te,
das
hordas dos demônios odiado flagelo".
BARTOLOMEU
I: Não é possível relacionar todas as muitíssimas
referências
do Akathistos à contribuição da Sempre Virgem Maria para
a obra
salvífica de Jesus Cristo. A começar por aquele "alegra-te,
tu, por
quem resplandecerá a alegria; alegra-te, tu, por quem cessará
a
maldição" posto na boca do Anjo. Esses e todos os outros apelativos
da Mãe de
Deus que enchem todo o hino Akathistos são belas formas
poéticas
de apresentar a participação da Toda Santa no mistério da
salvação.
Assim, a Toda Santa é chamada: cátedra do Rei, renovação do
criado,
mãe do Criador, estrela que mostra o sol, prelúdio dos
milagres
de Cristo, escada celeste pela qual desceu Deus, ponte pela
qual
atravessa para o céu quem está neste mundo, aquela que produziu
a
abundância das misericórdias, aquela que apagou a fornalha do
engano,
aquela que tirou do poder o tirano desumano, aquela que
provocou
a queda dos demônios, aquela que deu à luz o guia daqueles
que eram
enganados, a mãe daquele que liberta os prisioneiros, o
perdão de
muitos culpados, e assim por diante.
GIANNI
VALENTE: A Igreja reconheceu desde o início que na
virgindade
de Maria se manifesta sua beleza esplendorosa, que
apaixona
a Deus e o atrai entre nós. Como é expressa, nesse hino, a
predileção
de Deus pela beleza virginal de Maria?
BARTOLOMEU
I: A virgindade da Mãe de Deus, como profundíssima,
existencial,
gratuita e total dedicação de seu amor por Deus, como
situação
espiritual durante a qual a mente e seu coração não são
dirigidos
para outro ser terreno, é continuamente cantada no hino
Akathistos,
ao lado da predileção de Deus por essa dedicação virginal
da Toda
Santa por Ele. Numa estrofe se diz até que o Senhor que
habitou
em seu ventre, Ele, que contém todas as coisas, a "santificou
e
glorificou". Numa outra se diz que o Criador do céu e da terra
moldou a
ela, a Toda Pura, morando depois em seu útero.
GIANNI
VALENTE: A Igreja Católica lembrou em 2004 os cento e
cinqüenta
anos da proclamação do dogma da Imaculada Conceição. Como é
celebrada,
na tradição cristã oriental e bizantina, a Concepção de
Maria e
sua santidade plena e imaculada?
BARTOLOMEU
I: A Igreja Católica viu-se na necessidade de
instituir
um dogma novo para a cristandade, cerca de mil e oitocentos
anos
depois do aparecimento do cristianismo, porque aceitou uma
percepção
do pecado original - para nós, ortodoxos, errada - segundo
a qual o
pecado original transmite uma mácula moral ou uma
responsabilidade
jurídica aos descendentes de Adão, no lugar daquela
reconhecida
como correta pela fé ortodoxa - segundo a qual o pecado
transmitiu
hereditariamente a corrupção, provocada pelo
distanciamento
do homem da graça incriada de Deus, que lhe dá vida
espiritual
e corporal. O homem moldado à imagem de Deus, com a
possibilidade
e o destino de se assemelhar a Deus, escolhendo
livremente
o amor a Ele e a observância de seus mandamentos, mesmo
depois da
queda de Adão e Eva pode-se tornar, se tem essa intenção,
amigo de
Deus; então, Deus o santifica, como santificou a tantos pais
antes de
Cristo, ainda que o cumprimento de seu resgate da corrupção,
ou seja,
sua salvação, tenha sido realizada depois da encarnação de
Cristo e
por meio dEle.
Como
conseqüência, segundo a fé ortodoxa, a Toda Santa Mãe de
Deus
Maria não foi concebida isenta da corrupção do pecado original,
mas amou
a Deus acima de todas as coisas e observou seus mandamentos,
e assim
foi santificada por Deus por meio de Jesus Cristo, que por
ela se
encarnou. A Ele obedecia como uma dos fiéis, e a Ele se
dirigia
com confidência de Mãe. Sua santidade e sua pureza não foram
impedidas
pela corrupção, que também lhe foi transmitida pelo pecado
original
como a todos os homens, pois em Cristo renasceu como todos
os
santos, santificada acima de todos os santos.
Não é
necessário que sua reintegração à condição anterior à
queda
aconteça no momento de sua concepção. Nós acreditamos que tenha
acontecido
depois, como conseqüência da progressão, nela, da ação da
incriada
graça divina por meio da visita do Espírito Santo, que
operou
nela a concepção do Senhor, purificando-a de qualquer mancha.
Como já
se disse, o pecado original pesa sobre os descendentes
de Adão e
Eva como corrupção, e não como responsabilidade legal ou
mancha
moral. O pecado trouxe a corrupção hereditária e não uma
responsabilidade
jurídica hereditária ou uma mancha moral
hereditária.
Como conseqüência, a Toda Santa participou da corrupção
hereditária,
como todos os homens, mas, com seu amor por Deus e sua
pureza -
entendida como uma dedicação imperturbável e sem hesitações
de seu
amor a Deus apenas -, conseguiu, com a graça de Deus,
santificar-se
em Cristo e fez-se digna de se tornar habitação de
Deus,
como Deus quer que nos tornemos todos nós, seres humanos. Por
isso, na
Igreja Ortodoxa veneramos a Toda Santa Mãe de Deus acima de
todos os
santos, ainda que não aceitemos o novo dogma de sua
Imaculada
Conceição. A não aceitação desse dogma não diminui
absolutamente
nosso amor e nossa veneração pela Toda Santa Mãe de
Deus.
2 -
PATRIARCA RUSSO DESEJA MELHORAS AO PAPA
MOSCOU, 3
(ANSA) - O patriarca russo ortodoxo Alexix II enviou hoje
ao papa
João Paulo II um telegrama no qual deseja a rápida
recuperação
do Pontífice. "Desejo a sua Santidade que recupere
rapidamente
as forças após a operação. Que Deus o ajude a sair da
doença e
que Ele o ajude no desenvolvimento de suas funções no
comando
da Igreja católica romana", escreveu Alexis em um telegrama
publicado
hoje na página eletrônica do Patriarcado. Alexix II já
havia
enviado, no dia 5 de fevereiro, uma mensagem desejando a rápida
recuperação
de João Paulo II, na qual prometeu realizar "uma prece
fraternal".
03/03/2005
3 -
Embaixadores de seis países ortodoxos entregam ao Papa um ícone
de Maria.
Nas igrejas ortodoxas se reza por sua saúde, assegura um
diplomata
ROMA,
quarta-feira, 2 de março de 2005 (ZENIT.org).- Os embaixadores
de
Chipre, Rússia, Bulgária, Sérvia e Montenegro, Romênia e Grécia,
países de
maioria ortodoxa, entregaram um ícone de Maria como
presente
a João Paulo II esta quarta-feira no hospital e desejaram
seu
rápido restabelecimento.
Segundo
pôde saber Zenit de fontes diplomáticas, a iniciativa foi
proposta
pelo embaixador do Chipre na Santa Sé, Georgis F. Poulides.
A imagem
procede precisamente dessa ilha mediterrânea.
O
embaixador da Bulgária na Santa Sé, Vladimir Gradev, após sair da
Policlínica
Gemelli, em Roma, recordou aos microfones de «Rádio
Vaticano»
que o Papa, após a traqueostomia, dedicou suas primeiras
palavras
à Virgem: «Totus tuus» («todo teu»).
«Conhecendo
seu amor à Virgem, que é muito venerada também nos países
ortodoxos,
nos países do Leste da Europa, pensamos que este ícone lhe
seria
muito agradável, que poderá rezar, meditar e saber que os povos
do Leste
estão com ele e rezam por sua saúde», acrescentou.
Os
diplomatas não puderam ser recebidos pessoalmente pelo Papa. Em
seu nome,
atendeu-lhes um de seus colaboradores, Dom Tommaso Caputo,
chefe de
protocolo do Vaticano.
O único
dos embaixadores dos países ortodoxos do Leste da Europa que
não pôde
participar foi o da Ucrânia, pois não pôde ser informado a
tempo da
iniciativa por não se encontrar em Roma, informaram a Zenit
fontes
diplomáticas.
«Todos
nossos países estão preocupados. Recebemos todos os dias
muitas
mensagens de nossos governos, assim como do povo simples, que
pede
notícias. Dizem-nos que nas igrejas ortodoxas se reza pela saúde
do Santo
Padre», assegurou Gradev.
«Representamos
nosso povo neste sincero auspício por seu
restabelecimento
completo. A força e a valentia que o Santo Padre
mostra
também nesta prova são um grande exemplo para todos nós»,
acrescentou.
Entre os
embaixadores encontrava-se Vitaly Litvin, embaixador
extraordinário,
representante da Federação Russa na Santa Sé.
4 -
Igreja Ortodoxa da Rússia se despede das relíquias de Ielizaveta
e Varvara
Voz da
Rússia 01/03/2005
Os
crentes da Igreja Cristã Ortodoxa da Rússia despediram-se das
relíquias
de Ielizaveta e Varvara, transferidas de volta de Moscou
para
Jerusalém. A cerimônia realizou-se na Igreja de Cristo Redentor.
Esses
objetos de culto haviam passado por 140 cidades da Rússia,
tendo
sido também adorados na Belarus, Letônia, Lituânia,
Quirguizistão,
Cazaquistão e Azerbaijão. Os restos das mártires foram
presenciados
por quase dez milhões de pessoas. A grã-princesa
Ielizaveta
era irmã da última imperatriz russa Aleksandra Fiodorovna.
Em 1918,
foi executada como os demais membros da Casa Imperial dos
Romanov.
Juntamente com ela, foi morta sua companheira freira
Varvara.
5 - O
problema do património continua a ser um entrave à unificação
da Igreja
Ortodoxa
Ria
Novosti 02/03/05 NOVYE IZVESTIA
Depois de
seis meses a percorrerem diversas cidades da Rússia, os
restos
mortais da grã-princesa Elisaveta e da monja Varvara
regressaram
na segunda-feira passada a Jerusalém, ao Mosteiro de
Maria
Madalena, que se encontra sob a jurisdição da Igreja Ortodoxa
Russa no
Estrangeiro (IORE) - escreve o periódico.
Ao dia
seguinte, uma delegação do Patriarcado da Moscovo partiu para
Paris com
a missão de tomar parte nos trabalhos da quarta sessão da
Comissão
para o Diálogo com a IORE. Os temas centrais serão, desta
vez, as
questões relacionadas com a estrutura da IORE nos territórios
canónicos
da Igreja Ortodoxa Russa (IOR), assim como a definição do
conceito
de "território canónico".
Como se
sabe, cinco dias depois da criação do Estado de Israel, o
NKVD
(serviços secretos da União Soviética, antecessor do KGB) nomeou
um
encarregado para os assuntos do património russo no território de
Israel.
Seguidamente, o Governo da URSS enviou a Jerusalém
uma
"Missão Espiritual do Patriarcado de Moscovo" com a missão de
reclamar
os direitos de propriedade de todos os mosteiros, igrejas e
santuários.
Os monges da IORE foram pura e simplesmente expulsos do
país.
Em 1997,
os representantes da Autoridade Palestiniana expulsaram os
monges e
freiras da IORE do mosteiro de Santa Trindade em Hebron e,
arbitrariamente,
puseram-no à disposição da IOR. Em Janeiro de 2000
os monges
da representação da Igreja Ortodoxa Russa no Estrangeiro
foram
detidos por militares palestinianos em Jericó, passando
imediatamente
esta instituição para o Patriarcado de Moscovo.
Há dias,
no encontro com o novo chefe da Autoridade Palestiniana,
Mahmoud
Abbas, o Patriarca Alexi II agradeceu à administração
palestiniana
a entrega dos bens situados em Hebron e Jericó à Missão
Espiritual
Russa da IOR. "Estou muito desiludido com esta declaração
do
Patriarca - declarou o arcebispo de Berlim e Alemanha, Mark Arndt
(IORE). -
Uma vez que no início do processo foi declarada a
necessidade
de se abster de acções e enunciados que possam desgostar
a outra
parte".
Contudo,
durante muitos anos o arcebispo Mark criticou ele próprio a
IOR,
afirmando que perdera a "graça de Deus".
6 -
ORTODOXOS RUSSOS NEGAM TRADIÇÃO DE PAPAI NOEL
MOSCOU,
21 (ANSA) - Setores da Igreja Ortodoxa Russa se queixam do
esquecimento
ou da adaptação da tradição de Papai Noel, o personagem
imaginário
que presenteia as crianças no Natal, por considerá-lo "uma
fantasia
alucinada que não tem nada a ver com o Natal cristão e que
ameaça a
fragilidade psicológica infantil".
Grupos
desta igreja consideram que a tradição de Died Moroz ("Papai
Gelo"),
o Papai Noel russo, que com sua neta Snegurochka (Menina de
Neve)
entrega presentes na noite de Ano Novo, não é cristã, mas faz
parte do
folclore pagão.
Os
protestos da hierarquia ortodoxa local, apoiada pelos fiéis,
começaram
na região siberiana de Tyumen e obrigaram o cancelamento de
um
espetáculo escolar organizado por ocasião do Natal.
21/12/2004
7 -
Kasper e a fé indivisível do Oriente e do Ocidente
Revista
30Dias – Dezembro de 2004
O cardeal
Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho
para a
Unidade dos Cristãos, guiou uma delegação vaticana à Catedral
de São
Jorge, em Constantinopla, por ocasião da festa de Santo André
Apóstolo.
A visita ocorreu dois dias depois que o Papa entregara ao
patriarca
de Constantinopla, Bartolomeu I, as relíquias dos santos
bispos
Gregório Nazianzeno e João Crisóstomo. Falando sobre os dois
santos
bispos de Constantinopla, o cardeal alemão disse: "Duas
testemunhas
e dois mestres da nossa comum fé, pertencentes ao
primeiro
milênio, uma fé à qual o Oriente e o Ocidente permaneceram
fiéis no
segundo milênio e que agora fomos chamados por Nosso Senhor
Jesus
Cristo para testemunhá-la juntos no terceiro milênio". As
palavras
do cardeal Kasper foram publicadas pelo jornal Avvernire de
1° de
dezembro.
8 -
Tradição e pragmatismo. A análise do reitor da Universidade de
Ciências
Humanas de Moscou
Revista
30Dias – Dezembro de 2004
Esta é a
atual política do Kremlin, segundo o historiador Alexander
Ciubarian:
"Tenho certeza de que o presidente Putin quer um Estado
democrático
e, como ele mesmo disse, próximo à civilização européia".
Entrevista
de Giovanni Cubeddu
Filho de
armênios, nascido em Moscou, Alexander Ciubarian é um
historiador,
membro da Academia Russa de Ciências, na qual dirige
desde
1988 o Instituto de História Geral. Integra com facilidade
pesquisa
científica e didática e criou em Moscou - é o reitor - a
Universidade
de Ciências Humanas. Alexander Ciubarian é também membro
da
presidência do Conselho de Ciência e Educação, órgão dirigido
pessoalmente
pelo presidente Putin.
O cavalo
de batalha de Ciubarian é a história européia e as
relações
internacionais no século XX, como testemunham as suas várias
publicações
sobre a política exterior de Moscou na década de Vinte,
sobre a
Guerra Fria e as suas origens.
Ciubarian
é membro do Comitê editorial da Enciclopédia Ortodoxa
(cujo
primeiro volume foi apresentado em Roma em outubro passado) e
do Comitê
editorial da Enciclopédia Católica (apresentada em Moscou
dois anos
atrás). Isso deriva em parte do fato que um grande Centro
de Estudos
sobre a Igreja e as Religiões, ligado por uma relação
especial
com o patriarcado de Moscou, faz parte do Instituto de
História
Geral, daí a razão pela qual muitos professores do Centro de
Estudos
participam na redação da Enciclopédia Ortodoxa.
Encontramo-nos
com este tranqüilo e afável intelectual que
defende
as razões do presidente Putin em Roma, na sala de um
conhecido
hotel de propriedade vaticana, na Via della Conciliazione,
a poucos
metros da Basílica de São Pedro. E depois do seu retorno a
Moscou retomamos
a nossa conversa nos dias mais agudos da contestação
na
Ucrânia. Iniciamos daqui.
Veja a
entrevista completa no link:
http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=7294
9 -
Moldávia: Liberdade religiosa em jogo nas próximas eleições
Ais
Notícias 03/03/2005
No
próximo fim-de-semana realizam-se eleições legislativas na
Moldávia.
O vice-presidente do Partido Democrata-Cristão moldavo,
Vlad
Cubreacov, considera que a liberdade religiosa estará em risco
caso o
Partido Comunista vença e teme uma fraude eleitoral semelhante
à que se
verificou na Ucrânia.
A
Moldávia permanece um dos países mais pobres da Europa, apesar da
recente
mas pouco expressiva melhoria a nível económico, com um
crescimento
anual na ordem dos 6%. Mas este país de cerca de 4
milhões
de habitantes, que no final da II Guerra Mundial foi
incorporado
na antiga União Soviética (anteriormente o território da
Moldávia
fazia parte da Roménia), continua largamente dependente do
petróleo
que importa à Rússia, da agricultura e não consegue atrair
investidores
estrangeiros. No próximo fim-de-semana os moldavos irão
eleger um
novo Governo. Nas últimas eleições, realizadas em 2001, os
comunistas
alcançaram a maioria absoluta, a Aliança Moldava teve 13%
dos votos
e os cristãos-democratas 8%. Em entrevista à Ajuda à Igreja
que
Sofre, o vice-presidente democrata-cristão, Vlad Cubreacov,
mostrou-se
optimista quanto aos resultados eleitorais que, na sua
opinião,
deverão ditar o afastamento do Partido Comunista. Cubreacov,
que é
membro da Assembleia Parlamentar no Conselho Europeu e também
um alto
responsável na Igreja Ortodoxa Romena, considera que só uma
fraude
eleitoral em larga escala iria manter os comunistas à frente
dos destinos
da Moldávia. Cubreacoc salienta que entre os 47 membros
do
Conselho Europeu, a França e a Moldávia são as únicas nações que
baniram a
banir a educação religiosa nas escolas públicas.
10 -
Bispos libaneses alertam para crise política no país
Agência Ecclesia
02/03/05
O
Conselho dos Bispos maronitas libaneses, a mais importante
comunidade
cristã no país, alertou hoje para o desmoronamento
económico
que pode resultar da crise política em que o Líbano
mergulhou.
O presidente libanês, Emile Lahud, aceitou esta semana o
pedido de
demissão apresentado pelo primeiro-ministro, Omar Karame,
encarregando-o
de gerir os assuntos correntes da governação.Para
evitar
que esta crise perdure, os prelados exigem ao Parlamento
que
"forme rapidamente um governo de transição, neutro, que se
encarregue
de organizar eleições legislativas na próxima primavera".O
comunicado
dos Bispos, reunidos sob a presidência do Patriarca
Nasrallah
Sfeir, vinca que "é inaceitável deixar correr as coisas e
criar um
vazio constitucional, porque iremos saltar para o
desconhecido
e arriscamo-nos a um desmoronamento económico".A
situação
no Líbano – e da presença síria no país – tem vindo a
agravar-se
nas últimas semanas, desde o atentado que vitimou o antigo
primeiro-ministro
do Líbano, Rafic Hariri.João Paulo II condenou
duramente
esse assassinato, considerando o "terrível atentando" de 15
de
Fevereiro como "um gesto criminoso que ofende Deus e os homens
criados à
sua imagem e semelhança".O telegrama, enviado em nome do
Papa pelo
Cardeal Angelo Sodano ao Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir,
Patriarca
de Antioquia dos Maronitas (Líbano), assegurava as orações
de João
Paulo II "pela bem-amada terra do Líbano"..
Octávio
Carmo
11 -
Bispos pedem a formação de um governo libanês que convoque
eleições.
Após a renúncia do governo
BEIRUTE,
quarta-feira, 2 de março de 2005 (ZENIT.org).- Após a
renúncia
do governo, o Conselho Superior dos bispos Maronitas pediu
esta
quarta-feira a formação de um governo interino para a convocação
de
eleições.
O
presidente libanês, o cristão Emile Lahoud, deverá realizar
consultas
com o presidente do Parlamento, o xiita Nabih Berri, e com
as forças
políticas do país, para buscar um substituto ao ex-primeiro-
ministro,
o sunita Omar Karame (favorável à Síria), que
necessariamente
tem de ser outro sunita.
A
renúncia de Karame não resolveu a crise que se abriu em 14 de
fevereiro
com o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri e os
protestos
pelas ruas seguem adiante com a esperança de forçar a saída
dos
14.000 soldados sírios que entraram durante a guerra civil (1975-
90) a
pedido do governo de Beirute.
«Pedimos
ao poder e ao Parlamento que forme rapidamente um governo
interino,
neutro, encarregado de organizar eleições legislativas para
a próxima
primavera», afirma o comunicado dos bispos que se reuniram
sob a
presidência do cardeal Nasrallah Sfeir, patriarca maronita.
«É
inaceitável deixar que as coisas sigam arrastando-se e criar um
vazio
constitucional, pois seria um salto no desconhecido que poderia
levar-nos
à queda econômica», anuncia o texto.
Em torno
a 40% dos menos de quatro milhões de habitantes do Líbano
são
cristãos, em sua maioria católicos de rito maronita. A maioria da
população
é muçulmana.
12 -
Bispo iraquiano considera que o medo dos cristãos está
desaparecendo.
Confia em que a democracia se instaure finalmente
ROMA,
quarta-feira, 2 de março de 2005 (ZENIT.org).- Dom Andraos
Abouna,
bispo auxiliar caldeu em Bagdá, constata o ressurgimento da
confiança
entre a comunidade cristã iraquiana.
O
prelado, em uma recente visita à sede de Ajuda à Igreja que Sofre,
em
Königstein (Alemanha), assegurou que o povo começa a penar que o
Iraque
poderá ser «o primeiro país democrático do Oriente Médio».
O bispo
Abouna explica que os católicos voltam a participar da missa,
após
meses de ausência a raiz dos atentados perpetrados contra
lugares
de culto cristãos na capital e a cidade do norte em Mosul.
«Os
crentes assistem à missa como antes, já não têm medo em
absoluto»,
assegura.
Em sua
descrição da melhoria da situação desde as eleições de 30 de
janeiro,
o bispo comenta que em Bagdá cresce a esperança à medida que
diminuem
as filas para comprar combustível e aumenta a segurança.
«A
situação em Bagdá melhorou muito», indica, «porque o Exército
iraquiano
controla toda a zona e captura a cada dia mais
terroristas».
O bispo
Abouna também informou de uma drástica redução do número de
cristãos
que buscam asilo no estrangeiro. «Muitas famílias estão
retornando
da Síria a Bagdá», observa, «e creio que muita gente
regressará
ao Iraque no futuro».
13-
Cristãos iraquianos recuperam a confiança
Agência
Ecclesia 03/03/05
A
comunidade cristão no Iraque está a recuperar a confiança num
futuro de
paz e democracia. D. Andraos Abouna, bispo auxiliar caldeu
em
Bagdad, assegurou que o povo começa a pensar que o Iraque poderá
ser
"o primeiro país democrático do Médio Oriente". Em entrevista à
Fundação
visita à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), por ocasião de uma
visita à
sede da AIS em Königstein (Alemanha), D. Abouna explica que
os
católicos voltam a participar na missa, após meses de ausência por
força dos
atentados perpetrados contra lugares de culto cristãos na
capital e
a cidade do norte em Mossul."Os crentes assistem à missa
como
antes, já não têm medo em absoluto", assegura. Descrevendo a
melhoria
da situação desde as eleições de 30 de Janeiro, o bispo
comenta
que em Bagdad cresce a esperança à medida que diminuem as
filas
para comprar combustível e aumenta a segurança. "A situação em
Bagdad
melhorou muito porque o Exército iraquiano controla toda a
zona e
captura a cada dia mais terroristas", relata.O bispo Andraos
Abouna
também referiu uma drástica redução do número de cristãos que
buscam
refúgio no estrangeiro. "Muitas famílias estão a regressar da
Síria e
creio que muita gente regressará ao Iraque no futuro",
conclui..
Octávio
Carmo
14 - Os
cristãos iraquianos: "Não queremos que falte a nossa oração
pelo
Santo Padre"
Bagdá
(Agência Fides) - "Os iraquianos têm uma relação muito estreita
de afeto
com o Santo Padre, que sempre lançou apelos pela paz em
nosso
país a todo o mundo. E também neste momento difícil que o
Iraque
está atravessando, com atentados cotidianos que atingem civis
inocentes,
queremos fazer ouvir a nossa voz e levar orações especiais
pela cura
de João Paulo II" - diz à Agência Fides Pe. Nizar Semaan,
sacerdote
siriaco de Mosul, no norte do Iraque.
"Os
cristãos iraquianos sentem-se realmente comovidos com a doença do
Santo
Padre. As famílias iraquianas costumam reunir-se em seus lares,
à noite,
para rezar o terço, e há dias, os cristãos têm rezado pela
saúde do
Papa. Além das orações individuais e das famílias, fazem-se
também
orações comunitárias em grupos de jovens, e durante as
Missas"
- diz Pe. Nizar. (L.M.) (Agência Fides 2/3//2005)
15 -
CRISTÃOS PROTESTAM, EM IGREJA NO CAIRO, CONTRA CONVERSÃO FORÇADA
AO
ISLAMISMO
Cairo, 1º
mar (Rádio Vaticano) - Centenas de cristãos encenaram uma
manifestação,
numa igreja do Cairo, capital do Egito, para protestar
contra a
conversão forçada ao Islamismo, de duas mulheres, médicas.
Não é a
primeira vez que se verificam episódios de tensão entre
muçulmanos
e cristãos coptas no Egito. Os cristãos são livres de se
converter
ao Islamismo, mas não é possível o contrário; e um cristão
pode se
casar com uma muçulmana somente depois de se ter convertido.
Ultimamente,
as autoridades egípcias tentaram tranqüilizar os coptas,
convidando
aqueles que querem se converter ao Islamismo, a conversar
detalhadamente,
antes de tudo, com um sacerdote. Os cristãos no Egito
representam
um décimo da população. (CM)
16 -
INICIA-SE HOJE, EM BEIRUTE, O SÍNODO EXTRAORDINÁRIO DOS BISPOS
ARMÊNIOS
CATÓLICOS
Beirute,
03 mar (Rádio Vaticano) - De hoje até o dia 5, na sede
patriarcal
de Beirute, está-se realizando o Sínodo extraordinário dos
Bispos
armênios católicos, sob a presidência de Sua Beatitude Nerses
Bredos,
XIX Patriarca da Cilícia dos Armênios.
O
principal objetivo deste Sínodo é a escolha dos novos bispos.
Durante
os trabalhos do encontro, o Secretário do Sínodo, Dom Jean
Teyrouz
deverá apresentar um relatório sobre o sínodo precedente e
sobre o
sínodo permanente, realizado no mês passado, em Roma. Figuram
ainda na
pauta, temas como o ecumenismo, a situação do Exarcado
Armênio
Católico da América do Norte, e a situação financeira da
revista
patriarcal "Avedig". Será discutida também a preparação da
assembléia
do clero armênio prevista para o mês de agosto. (MZ)
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