BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 22 - 03 de fevereiro de 2005

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Hoje vou pedir orações pelo restabelecimento do Papa João Paulo II,
para que o Arcebispo de Atenas seja bem sucedido na proteção à Igreja
Ortodoxa Grega (notícia 4 deste Boletim) e pela normalização da vida
dos cidadãos iraquianos após as eleições, especialmente os cristãos
(notícias 8 até 15).

Saudações em Cristo,

Luis Felipe
[email protected]



ÍNDICE

1 - Concílio da Igreja Cristã Ortodoxa Russa no Exterior será
realizado em 2006

2 - IGREJA ORTODOXA RUSSA REINICIA CONSTRUÇÃO DE TEMPLO EM ROMA

3 - Reustaração da famosa Igreja da Transfiguração do Senhor

4 - Acusações de suborno contra religiosos ortodoxos gregos

5 - EM ENCONTRO COM PATRIARCA DOS MARONITAS, CHIRAC APÓIA RETIRADA
DAS TROPAS SÍRIAS DO LÍBANO

6 - Libertado, bispo iraquiano faz sigilo sobre sequestradores

7 - Arcebispo caldeu do Irã pede retirada das tropas de ocupação do
Iraque

8 - Eleições no Iraque - Optimismo do Bispo Auxiliar do Iraque

9 - Eleições iraquianas: "O povo iraquiano venceu. O grande derrotado
é o terrorismo", diz à Agência Fides Pe. Nizar Semaan

10 - "Nasce uma nova esperança para o Iraque. Em especial, nós,
mulheres, estamos muito felizes, vemos novos horizontes diante de
nós": uma religiosa caldéia, iraquiana de Mosul, fala à Fides

11 - Igreja considera que as eleições no Iraque foram passo decisivo
para a paz

12 - Satisfação na Santa Sé pela valente participação iraquiana nas
eleições

13 - "Como cristãos, esperamos que a democracia no Iraque signifique
uma igualdade real, de direitos, e liberdade de crer, praticar e
professar a nossa fé": um leigo cristão de Bagdá fala à Agência Fides

14 - Iraque: Bispo afirma que as eleições são um sinal de vontade de
reconciliação

15 - Iraque: Voto de confiança


NOTÍCIAS


1 - Concílio da Igreja Cristã Ortodoxa Russa no Exterior será
realizado em 2006

Voz da Rússia 01/02/05

No primeiro semestre de 2006, um concílio da Igreja Cristã Ortodoxa
Russa no Exterior considerará as possibilidades de reunião com a
Igreja Cristã Ortodoxa Russa subordinada ao patriarcado de Moscou.
Como se supõe, essa reunião de clérigos e laicos se realizará em São
Francisco. O ramo dessa Igreja no Exterior é parte orgânica do rito
cristão ortodoxo que depois da revolução de começos do século passado
na Rússia emigrou para se estabelecer fora dos confins pátrios. O
Patriarcado de Moscou preconiza ativamente a idéia de reunificação.
Graças aos esforços empregados pelos supremos hierarcas dos dois
ramos, a maioria dos problemas impeditivos de união já está superada.


2 - IGREJA ORTODOXA RUSSA REINICIA CONSTRUÇÃO DE TEMPLO EM ROMA


Moscou, 29 jan (Rádio Vaticano) - A Igreja Ortodoxa Russa reiniciou a
construção de uma igreja em Roma, ligada diretamente ao Patriarcado
de Moscou.

A cerimônia de assentamento da primeira pedra foi realizada em 2001,
mas a construção iniciará somente no próximo mês e sua conclusão está
prevista para 2006, como informa o metropolita russo Kirill.

Para os ortodoxos russos que residem ou estão de passagem por Roma, é
uma grande novidade. A igreja será dedicada a uma mártir do século 4,
que os ortodoxos têm em comum com os católicos: Santa Catarina.

Desde o fim do século XIX, quando chegou a Roma uma pequena
comunidade ortodoxa, se discute a construção de uma igreja russo-
ortodoxa na capital italiana.

Seguindo o princípio da reciprocidade (em São Petersburgo, quando era
capital da Rússia, foram abertos lugares de culto católicos e
protestantes), o império czarista obteve nos primeiros anos do século
20 a permissão para construir uma igreja ortodoxa em Roma.

O local chegou a ser escolhido, mas acabou não sendo construído em
razão da Revolução Bolchevique de 1917. Nos anos noventa, após o
esfacelamento da União Soviética e fim do comunismo, o projeto voltou
a ser discutido.

A Comissão da Tutela do Patriarcado de Moscou, ontem, decidiu que a
obra deve ser completada o mais rápido possível, mesmo que até agora
tenham sido arrecadados somente 400 mil euros, muito abaixo do
orçamento, previsto de três milhões e quinhentos mil euros.

Para o metropolita ortodoxo Kirill, a Igreja Católica e a Igreja
Ortodoxa têm o mesmo sistema de valores e devem cooperar para fazer
com que esses valores não desapareçam na Europa unida. (WM)


3 - Reustaração da famosa Igreja da Transfiguração do Senhor

Voz da Rússia 03/02/05

O andamento dos trabalhos de restauro da famosa Igreja da
Transfiguração do Senhor, situada na ilha Kiji, no lago Onega, poderá
ser acompanhado através da WEB. Esse monumento da arquitetura em
madeira, de 22 cúpulas, foi levantado há quase 300 anos sem um único
prego. Diz a lenda que ao terminar o trabalho, o artífice Nestor
jogou seu machado no lago e disse que nunca mais poderia criar
tamanha beleza até o fim dos seus dias. A altura da construção desde
o chão até a cruz encimando o zimbório central é de 35 metros. A
página WEB da reserva arquitetônica de Kiji apresenta materiais
informativos sobre a história desse monumento, as obras de restauro e
sobre as tecnologias tradicionais de carpintaria, assim como a
iconostase (um grande biombo, que separa os fiéis do altar e serve de
suporte de ícones) dessa igreja já restaurada no espaço virtual. A
iconostase local, por sinal, é um dos conjuntos iconográficos
cristãos mais completos do Norte russo datando do século XVIII.

Segue links em inglês relacionados com esta matéria:

http://kizhi.karelia.ru/e_m_frames.htm

http://www.gov.karelia.ru/gov/News/2005/01/0128_06_e.html


4 - Acusações de suborno contra religiosos ortodoxos gregos

03/02/2005 - Reuters/Globo.com

Líderes da Igreja Ortodoxa Grega, atingidos pelo maior escândalo em
décadas envolvendo seus religiosos, convocaram uma reunião de
emergência nesta quinta-feira, na tentativa de conter os estragos à
sua credibilidade. O líder espiritual do país, o arcebispo
Christodoulos, de Atenas, convocou um sínodo como início de uma
investigação interna sobre uma rede de padres acusados de subornar
juízes e advogados.

"Devemos proteger a Igreja. A limpeza deve seguir adiante sem nenhum
compromisso", disse Christodoulos, num comunicado.

O escândalo envolvendo suborno, fundos secretos e favores sexuais
revoltou os ortodoxos, que representam a maioria da população do
país. Juízes, advogados e padres são acusados de terem ajudado a
traficantes de drogas, de envolvimento com prostituição e de
influenciar as eleições internas da Igreja.


5 - EM ENCONTRO COM PATRIARCA DOS MARONITAS, CHIRAC APÓIA RETIRADA
DAS TROPAS SÍRIAS DO LÍBANO

Paris, 29 jan (Rádio Vaticano) - O Patriarca de Antioquia dos
maronitas, Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir, encontrou-se na capital
francesa com o Presidente francês, Jacques Chirac, o qual reiterou o
apoio de Paris à resolução 1559 das Nações Unidas, que pede a
retirada das tropas sírias do Líbano.
Segundo o porta-voz presidencial, Chirac assegurou ao Cardeal Sfeir
que a comunidade internacional seguirá com atenção as eleições
legislativas libanesas, previstas para o segundo semestre deste ano.

Para o Presidente francês, o Patriarca maronita é "uma das
personalidades mais importantes do Líbano", cuja autoridade
moral "simboliza a unidade e a vontade dos libaneses de viver juntos,
assim como a proximidade do Líbano à liberdade e aos valores
democráticos".

O Presidente francês e o Patriarca discutiram sobre as relações
franco-libanesas, a situação interna do Líbano e o lugar ocupado
pelos cristãos no Oriente Médio.

Adotada em 2 de setembro de 2004, a resolução 1559 pede de forma
implícita a retirada das tropas sírias do Líbano e o fim da
ingerência de Damasco na política libanesa, assim como o desarmamento
de todas as milícias libanesas. (WM)


6 - Libertado, bispo iraquiano faz sigilo sobre sequestradores

Por Maher Al Thanoon

MOSUL, Iraque (Reuters 18/01/05) - O bispo católico de Mosul foi
libertado na terça-feira e se limitou a dizer que foi sequestrado por
engano.

"Agradeço a Deus por tudo. Toda a operação não foi intencional,
porque fui libertado em menos de 24 horas. Os sequestradores sabiam
que eu não era quem eles queriam", disse o arcebispo Basile Georges
Casmoussa em Mosul, no turbulento norte do Iraque.

Mas seu motorista, que o acompanhava quando homens armados bloquearam
uma rua e o sequestraram, contou outra história.
"Estávamos indo a um funeral. Dois carros bloquearam o caminho. Dois
homens portavam pistolas e pediram ao bispo que saísse", afirmou
Akram Daoud. "Eu disse que se tratava de um clérigo e eles
disseram 'Nós sabemos'. Eles não bateram em mim nem no bispo. Eles
pegaram o bispo, minhas chaves e foram embora. Eles dirigiram alguns
metros e então jogaram as chaves pela janela e se afastaram."

O Vaticano, que qualificara o sequestro de "ato de terrorismo",
comemorou a libertação do arcebispo e disse que o papa João Paulo
2o. "agradeceu a Deus pelo final feliz."

A Misna, agência de notícias católica com amplos contatos no Terceiro
Mundo, havia informado que os sequestradores exigiam um resgate de
200 mil dólares.

Usando uma batina preta, Casmoussa disse que não houve pagamento de
resgate e que não percebeu nenhuma negociação durante as horas em que
esteve em cativeiro.

"Eles me trataram bem. Fizeram perguntas. Depois souberam que não era
atrás de mim que estavam. Minha saúde estava boa e eles me trataram
muito bem", afirmou.

Apesar do rápido desfecho, o caso deve causar mais alarme entre a
pequena comunidade cristã do Iraque. Nos últimos meses, várias
igrejas do país foram alvo de ataques.

Butros Mushee, arcebispo-adjunto de Mosul, disse que Casmoussa vinha
pedindo aos iraquianos que se unam e se recusem a colaborar com
estrangeiros. Ele disse que essas opiniões podem ter assegurado a
rápida libertação do prelado.

O arcebispo não quis dar informações sobre os sequestradores e sobre
as perguntas que fizeram. "Graças a Deus estou a salvo. Senti-me como
se estivesse visitando a casa de alguém. Quero descansar agora",
afirmou Casmoussa, que parecia tranquilo e sorridente.

A maioria dos cristãos iraquianos pertence aos antigos ritos caldeu e
assírio. O Vaticano se opôs com veemência à ocupação norte-americana
de 2003.

Embora não tivessem poder político, os cristãos desfrutavam de
liberdade de culto durante o regime de Saddam Hussein. A situação
mudou desde a ocupação, que provocou acirradas rivalidades
religiosas, especialmente entre muçulmanos sunitas e xiitas.

Em dezembro, o Vaticano disse que a chamada "guerra ao terrorismo"
estava provocando um sentimento anticristão em vários países
muçulmanos, especialmente no Iraque.


7 - Arcebispo caldeu do Irã pede retirada das tropas de ocupação do
Iraque

PARIS, 20 jan (AFP) - O arcebispo caldeu de Teerã, o monsenhor Ramzi
Garmu, pediu nesta quinta-feira em Paris a retirada das tropas de
ocupação do Iraque e advertiu que é necessário evitar a comparação
dos cristãos do Oriente Médio com os ocidentais.

"Sinto-me muito feliz pela libertação na quarta-feira de nosso amigo,
o monsenhor Basil Georges Casmusa", arcebispo siríaco de Mossul
(norte do Iraque), que reconquistou sua liberdade após ser
seqüestrado por desconhecidos", destacou à AFP Garmu, que tem
nacionalidade iraquiana.

"Espero que melhore a situação no Iraque e que o povo possa recuperar
a soberania do país. É necessário que as tropas de ocupação se
retirem, porque sua presença é ilegal, aposta à da ONU, e à vontade
da maioria da população", afirmou.


8 - Eleições no Iraque - Optimismo do Bispo Auxiliar do Iraque

Agência Ecclesia 31/01/05

A grande afluência às urnas "é um sinal positivo que mostra a vontade
dos iraquianos de viverem em paz, no direito, na democracia e na
liberdade como todos os homens do mundo". A afirmação é do bispo
caldeu auxiliar de Bagdad em declarações à Agência SIR. D. Shlemon
Warduni refere como negativa a fraca participação nas eleições nas
regiões sunitas e afirma que, com o acto eleitoral, a "nova
Assembleia vê a própria autoridade vir do povo". Como prioridades
para o Governo eleito, D. Shlemon enumera a segurança e a
reconciliação. "Todos os iraquianos devem contribuir para a segurança
do País e para a reconciliação", refere o bispo auxiliar de Bagdad,
advertindo para o tempo necessário até que tal aconteça entre
todos. "A esperança e que sejam todos homens maduros, que saibam agir
com maturidade e reconciliação, tendo presente o bem de todo o País e
não só de alguns. Que tenham uma mente aberta e lúcida para escolher
o bem do Iraque".
Antes das eleições, as previsões apontavam para 10 representantes
cristãos na Assembleia do País. "Ceio que serão 5 ou 6 e será já um
bom resultado", refere o D. Shlemon Warduni.


9 - Eleições iraquianas: "O povo iraquiano venceu. O grande derrotado
é o terrorismo", diz à Agência Fides Pe. Nizar Semaan

Bagdá (Agência Fides) - "O terrorismo saiu derrotado das urnas. Com
este voto, o mundo se conscientizou que a grande maioria dos
iraquianos não são terroristas, mas pessoas que querem a paz. É uma
grande vitória para o povo iraquiano, que soube responder com a arma
do voto e da democracia aos horrores do terrorismo fundamentalista".
Assim, Pe. Nizar Semaan, sacerdote siríaco de Mosul, no norte do
Iraque, comenta à Agência Fides o resultado das eleições iraquianas
de ontem, 30 de janeiro. "A alta participação ao pleito demonstra que
os iraquianos amam seu país, querem a democracia e a paz. Os
terroristas são uma minoria, e não representam os iraquianos" -
continua Pe. Nizar.
"O voto de ontem é uma etapa importante para o pleno restabelecimento
da soberania do Iraque. Mas ainda resta muito que fazer. Por isso,
precisamos ainda da solidariedade e da ajuda da comunidade
internacional, que desempenhou um papel importante na organização do
pleito" - afirma o sacerdote iraquiano.>
Sobre o êxito do voto, Pe. Nizar expressa confiança: "Mesmo que a
lista confessional dos xiitas saia vencedora das urnas, o elemento
importante é que o vencedor deve respeitar as regras democráticas e
os direitos de todos. Estou certo de que a maior parte das forças
políticas iraquianas deseja defender os interesses do povo iraquiano
e não se deixa condicionar pelos países vizinhos".
Sobre uma possível divisão do país em bases étnicas e confessionais,
o sacerdote iraquiano aparenta prudência: "Não temos ainda dados
certos sobre o número de sunitas que votaram, mas em Mosul, a
participação ao pleito foi alta. E em Mosul, vivem muitos sunitas.
Espero, portanto, que o conflito civil que muitos temiam seja somente
uma hipótese acadêmica. De fato, a reação do povo iraquiano, indo
maciçamente votar, desafiando os terroristas, demonstra que os
iraquianos não querem a divisão e a violência. Ontem, os iraquianos
disseram claramente querer um Iraque livre e soberano". (L.M.)
(Agência Fides 31/1/2005)


10 - "Nasce uma nova esperança para o Iraque. Em especial, nós,
mulheres, estamos muito felizes, vemos novos horizontes diante de
nós": uma religiosa caldéia, iraquiana de Mosul, fala à Fides

Mosul (Agência Fides) - "Estávamos muito preocupados, rezamos muito,
hoje estamos muito felizes ao ver uma situação tranqüila e a grande
participação ao pleito, embora alguns atentados. As primeiras
eleições são um evento que será recordado na história da nação.
Começamos a respirar ares de liberdade e democracia. Estou muito
emocionada pelo mio povo, e toda a população iraquiana está
contente". Este foi o comentário concedido à Fides por uma religiosa
Caldéia de Mosul, após as eleições iraquianas.
A religiosa disse à Fides: "Embora permaneça o clima de incerteza,
sentimos que a esperança aumenta: uma nova esperança de paz. Nós
mulheres, em especial, estamos muito felizes, vemos novos horizontes
diante de nós, uma era em que podemos dizer o que pensamos e fazer
valer nossa dignidade de pessoas: o clima de liberdade toca também a
nós. Esperamos o melhor para nosso país. Hoje, queremos dizer com
força que a paz é possível: todos os componentes do Iraque: sunitas,
xiitas, curdos, cristãos, podem harmonizar-se para formar um país
livre e democrático".
"Como cristãos - acrescentou a religiosa - participamos plenamente
deste processo e queremos contribuir na construção do novo Iraque. Em
Karakosh, perto de Mosul, aonde vivem 30 mil cristãos, não havia
sessões eleitorais. As pessoas protestaram, e hoje nos deram a
possibilidade de votar. Um sinal do desejo de todos os cristãos e
cidadãos iraquianos: todos querem participar do futuro da nação. De
nossa parte, com as irmãs da comunidade, continuaremos a rezar para
que Deus assista e abençoe o povo iraquiano". (PA) (Agência Fides
31/1/2005)


11 - Igreja considera que as eleições no Iraque foram passo decisivo
para a paz

Agência Ecclesia 01/02/05

Vários representantes da Igreja Católica manifestaram o seu agrado
pelo número de participantes nas eleições do passado Domingo, no
Iraque, considerando que este gesto constituiu um passo decisivo para
um futuro de paz no país.
"Agradeço a Deus por tudo ter corrido pelo melhor: os iraquianos
foram às urnas e, mais importante, as eleições aconteceram mesmo, num
clima geralmente tranquilo", referiu a personalidade católica mais
importante no país, o Patriarca caldeu Emmanuel Delly.
Segundo as autoridades iraquianas, entre 60 e 75 por cento dos
eleitores recenseados foram às urnas nas primeiras eleições
multipartidárias dos últimos 50 anos no Iraque.
O líder da Igreja caldeia considera, em declarações à agência
missionária Misna, que "o voto foi uma festa, um facto positivo para
o país e para a Igreja".
Do Vaticano chegaram, logo no Domingo, as felicitações do Cardeal
Angelo Sodano, Secretário de Estado, que considerou o acto eleitoral
no Iraque como "um sinal da maturidade deste povo". O Cardeal Sodano
desejou que este escrutínio "possa significar um futuro de paz".
O arcebispo de Kirkuk, D. Luis Sako, também se mostrou satisfeito com
aquilo que classificou como "jornada histórica" no país. "Vi muitas
mulheres, durante todo o dia, em fila, fora das assembleias de voto,
num verdadeiro clima de festa, com os filhos, algumas mesmo a
cantar", relata.
Para o prelado, o Iraque é, neste momento, "um mosaico de povos:
árabes, turcos, turcomanos, caldeus, curdos", lamentando os "excessos
de violência" que vê em algumas partes do país.
Em Roma, o representante do Patriarcado Caldeu de Bagdad afirmou que
as eleições "foram uma lição para os terroristas, uma grande mensagem
que mostra que não temos medo".


12 - Satisfação na Santa Sé pela valente participação iraquiana nas
eleições

CIDADE DO VATICANO/BAGDÁ, terça-feira, 1 de fevereiro de 2005
(ZENIT.org).- O jornal oficial da Santa Sé destacou a elevada
participação dos iraquianos nas eleições que se celebraram domingo em
todo o país.

Em sua edição italiana dessa segunda-feira, «L'Osservatore Romano»
sublinhava que, «apesar do sangue e da violência», o Iraque havia
posto «valentemente os novos fundamentos» para tentar construir um
novo futuro.

Uma dezena de ataques suicidas acabou no domingo eleitoral com a vida
de 36 pessoas --30 civis e 6 policiais--, enquanto os feridos se
aproximavam dos 100. Grande parte desses atentados foi reivindicada
pelo terrorista jordaniano Al Zarqawi. Também um avião britânico foi
derrubado --ação reivindicada pelo grupo terrorista AAnsar Al Islam--.

Para o secretário de Estado vaticano, Cardeal Angelo Sodano, as
eleições no Iraque, apesar deste preço de sangue, são «o sinal de
maturidade deste povo», segundo declarações que cita «Ansa».

Quanto aos atentados, «a dificuldade estava prevista --comentou--,
mas um povo tem direito a poder se expressar. A comunidade
internacional vê com esperança este dia e deseja que possa
representar um passo para um futuro de paz para o povo iraquiano».

Por sua parte, o artigo de capa de «L'Osservatore Romano»
indicava: «Ainda no medo e entre muitas dificuldades, os iraquianos
puderam reencontrar o orgulho de ser cidadãos de uma nação onde é
possível eleger os próprios representantes parlamentares».

A comunidade internacional se mostrou unânime ao elogiar o valor do
povo iraquiano. Neste sentido se pronunciaram, entre outros, o
presidente dos Estados Unidos --George W. Bush--, o presidente da
Comissão da União Européia --José Manuel Durão Barroso-- e o alto
representante de política exterior e segurança da UE --Javier Solana--
.

Mais de 8 milhões de eleitores --57% da população com direito a voto--
acudiram às urnas no domingo. Por sua parte, cerca de 94% dos
iraquianos residentes no exterior registrados para votar participaram
das eleições.

Mais de 5.200 mesas eleitorais foram preparadas para o pleito entre
férreas medidas de segurança, tais como a proibição da circulação de
veículos em geral, o fechamento das fronteiras terrestres, o
fechamento do aeroporto de Bagdá e o toque de recolher noturno em
muitas partes do país.

A contagem dos votos revelará os candidatos que ocuparão os 275
lugares da Assembléia Nacional provisória --um terço reservado para
mulheres-- e os Conselhos locais de 18 províncias. Os curdos, no
norte, votaram também para designar aos 111 deputados do Parlamento
das três províncias autônomas curdas.

Na zona sunita do Iraque, as urnas estiveram quase desertas; nas
zonas «mistas» do sul e do norte do país a participação foi modesta.
Na zona xiita a afluência foi elevada, com 60% de participação, que
no Kurdistão iraquiano foi massiva.

Dez dias se calculam para conhecer os resultados oficiais, mas antes
podem difundir-se dados preliminares.

A Assembléia Nacional provisória nomeará um novo governo e terá
competências legislativas. Contará com um presidente dois vice-
presidentes, e para 15 de agosto deverá ter pronto um projeto de
Constituição, que será submetido a referendo em outubro deste ano. Se
a Constituição for aprovada, serão celebradas novas eleições,
previsivelmente em dezembro próximo.

O primeiro-ministro iraquiano Ayad Allawi considerou na segunda-feira
que as eleições foram uma vitória frente à violência terrorista e
chamou à unidade nacional: «Entramos em uma nova fase. Todos os
iraquianos, tenham votado ou não, devem trabalhar juntos para
construir o futuro da nação», pediu, segundo cita «AFP».

«Quero agradecer nossos amigos da Força multinacional por ter-nos
ajudado a que as eleições fossem um êxito», manifestou --cinco
soldados dos Estados Unidos também haviam sido abatidos--.

Por sua parte, o presidente Ghazi al Yawar manifestou esta terça-
feira que seria um «completo disparate» pedir aos Estados Unidos e ao
resto de tropas estrangeiras que abandonassem o Iraque «neste caos e
neste vazio de poder», acrescenta «Europa Press».

Não obstante, afirmou que alguns dos 170 mil soldados norte-
americanos e estrangeiros presentes em território iraquiano poderiam
deixar o país antes do final do ano.

Após as eleições, o patriarca caldeu de Bagdá, Sua Beatitude Emmanuel
Delly, fez-se eco da mensagem de Allawi e manifestou sua conformidade
com a possibilidade da reconciliação no país.

«O Senhor mesmo nos disse: "Reconciliai-vos" --explicou a «Rádio
Vaticano»--. Isto vale para todo mundo, não só para os cristãos»,
mas «para toda a humanidade»; «somos todos irmãos e devemos levar a
cabo a vontade do Senhor em nossa vida: reconciliar-nos. A caridade,
como diz o Santo Padre, é a fonte da paz e da reconciliação. Devemos
ter caridade um para com o outro, para todos. A reconciliação,
portanto, é possível e temos de trabalhar para obtê-la. Não há
diferença entre católicos e não-católicos. A religião é para o Senhor
e a pátria é para todos».

Por sua parte, o bispo auxiliar caldeu de Bagdá, Dom Shlemon Warduni,
admitiu à emissora pontifícia seu agrado «porque esta votação marca
um passo adiante na busca da democracia e da liberdade».

«Mas, por outro lado, não chego a ter uma completa satisfação, porque
não foi toda a população iraquiana que participou. Se não houver
unidade para todo o povo iraquiano, teremos sempre dificuldades»,
advertiu.


13 - "Como cristãos, esperamos que a democracia no Iraque signifique
uma igualdade real, de direitos, e liberdade de crer, praticar e
professar a nossa fé": um leigo cristão de Bagdá fala à Agência Fides

Bagdá (Agência Fides) - "Estamos felizes pela alta afluência, é a
prova do desejo de democracia do povo iraquiano. Mas este é o
primeiro passo: agora, é preciso acabar com o terrorismo, dar
segurança à população". É o que diz à Agência Fides um leigo cristão
de Bagdá, que pede o anonimato por razões de segurança.
Em um depoimento à Agência Fides ele afirma: "É preciso dizer que uma
parte dos cristãos não votou pelo medo de atentados: nos últimos
meses, fomos alvo de fundamentalistas muçulmanos que querem islamizar
o país. As onze listas formadas por cidadãos cristãos foram votadas
sobretudo por iraquianos expatriados na América e na Europa. Como
cristãos, esperamos que a democracia no Iraque trague uma igualdade
real, igualdade de direitos e de liberdade de crer, praticar e
professar a nossa fé. Isto ainda não é possível, por causa de grupos
fundamentalistas que terrorizam as pessoas. Por isso, ainda não hora
que as tropas estrangeiras deixem o país: ainda precisamos delas para
evitar a guerra civil".
O leigo, que também é catequista em uma paróquia de Bagdá,
conclui: "Aguardamos os próximos meses e veremos: é preciso tempo
para harmonizar as diferentes componentes da sociedade iraquiana e
reconduzi-las à formação de uma nação. Entre as urgências, há a de
sanear o sistema de ensino e prover à instrução de crianças e jovens:
o setor do ensino é muito importante e estratégico para restituir os
valores de bem-estar civil, tolerância, respeito e harmonia social ao
país, abalado pelo caos".
Entretanto, a Organização Internacional para Migrantes (OIM), que
organizou o Programa de voto no exterior para as comunidades
iraquianas em 14 países do mundo, anunciou que os eleitores foram
265.148, ou seja, 93,6% do total dos inscritos.
(PA) (Agência Fides 1/02/2005)


14 - Iraque: Bispo afirma que as eleições são um sinal de vontade de
reconciliação

Roma, 01/02/05 (NE - eclesiales.org) "Todos os iraquianos devem
constribuir com a segurança do país e a reconciliação", pediu o Bispo
caldeu auxiliar de Bagdá, Dom Shlemon Warduni, ao finalizar as
eleições. O prelado assinalou em uma entrevista concedida à agência
SIR que as eleições devem ser lidas como "um sinal positivo que
mostra a vontade dos iraquianos de viver em paz, em justiça, em
democracia e em liberdade"

A respeito dos prognósticos a médio prazo para o país, Dom Shlemon
Warduni opinou que "a esperança é que sejamos homens maduros que
saibam proceder na unidade e em reconciliação tendo presente o bem de
todo o país e não só de alguns poucos. Que tenhamos uma mente aberta
para elegir o bem do Iraque".

Finalmente o Bispo lamentou que dois fiéis siro-católicos, pai e
filho, perderam a vida em Bagdá em um atentado terrorista que
pretendia boicotear as eleições.


15 - Iraque: Voto de confiança

Ais Notícias 02/02/05

Para os bispos do Iraque as eleições do passado domingo vão ficar
para a História como o ponto de viragem para promover uma sociedade
mais livre e pluralista. Os prelados iraquianos classificaram
de "espantosa" a participação dos cristãos neste processo eleitoral.

Apesar de não existirem ainda números oficiais sobre a percentagem de
votantes iraquianos nas eleições do passado domingo, as estimativas
apontam para uma participação entre 60 a 80 por cento dos eleitores.
O reforço da segurança evitou a ocorrência de atentados e minimizou a
violência terrorista. Contudo, só no dia 30 de Janeiro, morreram ao
todo cerca de 30 pessoas no Iraque.

Em Bagdade, o Bispo Auxiliar caldeu, D. Andraos Abouna, informou a
Ajuda à Igreja que Sofre que o reforço da segurança na capital
iraquiana ajudou a afastar os receios da população. O prelado ficou
impressionado ao ver um polícia, que foi ferido numa perna, continuar
a garantir a segurança nas mesas de voto da capital iraquiana.

Quanto à população de Bagdade, D. Andraos Abouna salientou a coragem
dos que nesse dia acorreram às urnas: "Quando as pessoas viram outros
sair de casa para ir votar, vieram para a rua dizendo: «Não devemos
ter medo»".

Mais a norte, na cidade de Kirkuk, o Arcebispo D. Louis Sako
testemunhou um cenário semelhante. "Ninguém esperava que a população
saísse para ir votar e, no entanto, as ruas de Kirkuk encheram-se de
pessoas de todas as idades que foram votar", referiu D. Louis Sako.

Devido à grande participação dos cristãos iraquianos nas eleições, o
Arcebispo de Kirkuk tem esperança que os cristãos possam emergir como
a terceira força no novo executivo iraquiano. D. Louis Sako espera
também que, no caso da maioria xiita vencer as eleições, os grupos
étnicos e os grupos religiosos minoritários voltem a ser respeitados.
Os resultados eleitorais só serão conhecidos dentro de uma semana.

Os bispos iraquianos consideram que as comunidades cristãs querem
esquecer "o caos e o terrorismo" que tiveram de enfrentar nos últimos
meses. Há apenas duas semanas foi sequestrado (e libertado um dia
depois) o Arcebispo sírio-católico de Mossul, D. Basile Casmoussa.
Este rapto foi visto como uma tentativa de intimidar os cristãos de
Mossul, de modo a afastá-los das urnas no dia 30 de Janeiro.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre vai publicar brevemente em
Portugal um relatório sobre a situação das várias comunidades cristãs
no Iraque e irá promover uma campanha de angariação de donativos para
auxiliar os cristãos iraquianos.

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