BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 20 - 26 de janeiro de 2005


ÍNDICE

1 - Relançar o diálogo teológico, desafio para as relações entre
católicos e ortodoxos

2 - Reconstruído Monumento aos 222 Santos Ortodoxos Chineses

3 - Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa condecora a emissora "Voz da
Rússia"

4 - DIA DA TATYANA

5 - Comemoração 250o aniversário da Universidade Estatal de Moscou

6 - IGREJA ORTODOXA SÉRVIA RETIRA DENÚNCIA CONTRA PAÍSES EUROPEUS

7 - PAPA EXORTA OS FIÉIS, SOBRETUDO OS JOVENS, A ORAR PELA PLENA
UNIDADE DOS CRISTÃOS

8 - Vaticano faz balanço positivo do caminho ecuménico

9 - João Paulo II: Há que implorar «sem se cansar» a unidade dos
cristãos

10 - "Obrigado, Santo Padre, porque as suas palavras deixaram uma
marca nos meus seqüestradores", afirma em uma entrevista à Fides Dom
Casmoussa, poucas horas depois da libertação

11 - Comunidade de religiosas dominicanas se vê obrigada a abandonar
o Iraque

12 - RELIGIOSAS DOMINICANAS OBRIGADAS A ESCAPAR DE MOSSUL

13 - Dominicanas da Apresentação mantêm sua presença no Iraque

14 - Bispo iraquiano: Votar é um dever nacional e religioso

15 - Líderes libaneses no Vaticano

16 - PATRIARCA CRISTÃO MARONITA E LÍDER DA COMUNIDADE DRUSA:
LIBANESES EM VISITA AO PAPA

17 - Papa abençoa uma estátua de São Gregório, o Armênio, colocada no
Vaticano

18 - Mensagem de Ano Novo de Patriarca Armênio

19 - NATAL ARMÊNIO

20 - Israel autoriza cristãos a rezarem na igreja da natividade

21 - Grande rabino pede perdão a autoridades cristãs de Jerusalém

22 - Grão-Rabino Metzger pede perdão aos líderes cristãos de
Jerusalém


NOTÍCIAS

1 - Relançar o diálogo teológico, desafio para as relações entre
católicos e ortodoxos

Segundo constata um artigo de Dom Eleuterio F. Fortino
em «L'Osservatore Romano».

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 20 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).-
Para avançar no caminho para a unidade entre católicos e ortodoxos,
tanto João Paulo II como o patriarca ecumênico de Constantinopla,
Bartolomeu I, estão tratando de relançar o interrompido diálogo
teológico.

É a constatação que faz na edição italiana de «L'Osservatore Romano»
datada esta quinta-feira Dom Eleuterio F. Fortino, subsecretário do
Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, em
balanço sobre as relações entre o Patriarcado Ecumênico de
Constantinopla e a Santa Sé.

Estas relações, começa assinalando, no último ano experimentaram
uma «mudança intensa», graças às duas visitas a Roma de Bartolomeu I
(em 29 de junho e em 27 de novembro, quando recebeu do Papa as
relíquias dos santos João Crisóstomo e Gregório Nazianzeno).

Este último acontecimento foi considerado por Bartolomeu I em uma
entrevista a «Rádio Vaticano» como o mais importante de seu serviço
como patriarca.

Desta forma, este clima de bom entendimento favoreceu a visita que
realizou à sede desse Patriarca uma delegação vaticana em nome do
Papa, presidida pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho
Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, em 30 de
novembro.

Estes contatos, declara Dom Fortino, serviram para acalmar as tensões
que haviam surgido com o patriarcado ortodoxo de Moscou e logo com o
de Constantinopla, depois de que a Igreja greco-católica da Ucrânia
pedira à Santa Sé ser reconhecida como um novo patriarcado. Pelo
momento, o Papa não cedeu a este pedido.

Para dar passos para superação do cisma que separa a Igreja Católica
das ortodoxas desde o ano 1054, o representante vaticano considera
que um dos próximos passos necessários é o do restabelecimento
teológico entre católicos e ortodoxos.

Este diálogo se realiza através de uma Comissão Mista da qual formam
parte representantes da Igreja Católica e de diferentes Igrejas
ortodoxas. O trabalho da Comissão está parado desde a reunião
celebrada no ano 2000 em Baltimore (Estados Unidos), pois surgiram
claras divisões ao enfrentar o argumento previsto para essa
ocasião: «Implicações teológicas e canônicas do uniatismo».

A questão do «uniatismo» --os ortodoxos chamam «uniatas» os cristãos
de rito oriental que mantêm sua espiritualidade e liturgia estando
unidos ao Papa-- se fez particularmente aguda, em particular com o
patriarcado de Moscou, que vê com receio o ressurgimento das
comunidades greco-católicas que haviam sido duramente perseguidas
pelos regimes comunistas em países do Leste da Europa.

Durante a visita que Bartolomeu I fez a João Paulo II em 29 de junho
passado, ambos firmaram uma declaração conjunta na qual se
comprometem a reativar o trabalho desta Comissão.

O patriarca, que para as questões ortodoxas tem o direito de
iniciativa e coordenação, precisa agora conseguir o apoio neste
sentido das demais Igrejas ortodoxas que têm representantes na
Comissão Mista.


2 - Reconstruído Monumento aos 222 Santos Ortodoxos Chineses

Fonte: Voz da Rússia 25/01/05

No parque da Embaixada russa em Beijing foi reconstruído o monumento
aos 222 santos locais. Eram descendentes dos cossacos de Albazin, um
posto avançado da Rússia à margem do rio Amur, que desde o século
XVII serviam na Guarda Imperial. Juntamente com os outros crentes
cristãos de rito oriental residentes na capital chinesa, eles foram
mortos na insurreição dos Bóxers, que na virada do século XIX se
rebelaram contra a presença estrangeira. Os amotinados jogaram os
corpos de muitas vítimas num poço no território da Missão Cristã
Ortodoxa da Rússia, onde nos nossos dias se encontra a Embaixada da
Rússia. Hoje, uma lápide de mármore com um orifício no centro a
simbolizar aquele poço foi colocada sobre um pedestal junto do lugar
do primeiro enterro dos mártires pela fé.


3 - Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa condecora a emissora "Voz da
Rússia"

Fonte: Voz da Rússia 25/01/05

Uma vez apurados os resultados do concurso internacional "A Fé e o
Verbo", o patriarca da Igreja Cristã Ortodoxa da Rússia, Aleksi II,
distinguiu a emissora "Voz da Rússia" com o diploma de primeiro grau.
Merecemos essa condecoração pelo programa "Azbuka" ("O Abecedário"),
que reconstitui a história de nascimento do abecedário eslavo e sua
posterior evolução na Rússia. O "Azbuka" é um projeto educacional
estilizado como um espectáculo radiofônico. Nele parece ressuscitarem
as vozes das pessoas indissociáveis da criação do abecedário eslavo e
seu desenvolvimento, desde os santos Cirilo e Metódio até o insigne
poeta russo Aleksandr Puchkin. É a primeira parte do novo projeto
seriado desta emissora, intitulado "Enciclopédia Radiofônica: `Rússia
do A ao Z´".


4 - DIA DA TATYANA

Pravda 24/01/05

15% das bébés nascidas neste dia se chamam Tatyana, em honra da
mártir que é Santa Padroeira de todas as Tatyanas. Esta residente de
Roma protegia e respeitava os morais consideradas padrões-chave de
comportamento para os russos - caridade, simpatia para com os pobres,
doentes e órfãos.

Santa Tatyana foi Santa Padroeira de Ciência e Educação na Rússia,
quando em 12 de Janeiro de 1724 (25 de Janeiro no Calendário Novo),
Pedro, o Grande fundou a Academia de Ciências de São Petersburgo e no
ano seguinte, a Universidade, onde estudou Mikhail Lomonosov.

No mesmo dia, em 1755, a Imperatriz Elizabeth fundou a Universidade
de Ciências de Moscovo, com o apoio do Conde Shuvalov, que gostou da
ideia de Lomonosov de fundar uma Universidade onde poderiam
frequentar todas as pessoas que queriam aprender as Ciências. O
projecto estendeu o estudo das Ciências pelo Império Russo fora. A
notar, o nome da mãe de Shuvalov foi também Tatyana.

A igreja que foi construída ao lado do edifício da Universidade foi
nomeada a Igreja da Santa Tatyana.

Tradicionalmente, é neste dia que os alunos da Universidade organizam
uma grande festa. Anton Chekov, que estudou medicina aqui, deixa o
seguinte relatório acerca dos festejos no dia 25 de Janeiro de
1885: "Este ano nós bebemos tudo, menos o Rio Moskva e isso, só
porque estava congelada".

Durante os tempos soviéticos, os estudantes continuavam a celebrar o
festival de Santa Tatyana, mas duma forma mais discreta, pois algumas
tradições antigas não eram muito bem-vindas por algumas figuras das
autoridades. Hoje é considerado pelos estudantes um pecado não
celebrar o Dia de Santa Tatyana e é um grande Feriado Nacional.

Olga SELYANINA
PRAVDA.Ru


5 - Comemoração 250o aniversário da Universidade Estatal de Moscou

Fonte: Voz da Rússia 24/01/05
Hoje se iniciam na Rússia os eventos comemorativos do 250o
aniversário da Universidade Estatal de Moscou. Está agendado um
encontro de mais de 100 reitores das mais importantes Universidades
do mundo. O centro de ensino superior número 1 do País emplacará um
quartel de milênio no dia 25 de janeiro, quando a Igreja Cristã
Ortodoxa da Rússia celebra o Dia da Santa Tatiana, considerada
padroeira dessa Universidade e de todos os universitários russos.
Nesse dia, as festividades ganharão uma envergadura especial. Será,
acima de tudo, uma festa de estudantes universitários. Em 26 do
corrente, o último dia das comemorações da grande data, uma corrente
viva de alunos atravessará toda Moscou desde o setor sudoeste da
cidade, onde estão situados vários prédios novos da Universidade, até
a Praça Vermelha, para passar de mão em mão a simbólica "Tocha de
Conhecimentos".


6 - IGREJA ORTODOXA SÉRVIA RETIRA DENÚNCIA CONTRA PAÍSES EUROPEUS

Belgrado, 25 jan (Rádio Vaticano) - O Sínodo da Igreja Ortodoxa
sérvia, reunido nesta segunda-feira, sob a presidência do Patriarca
Pavle, decidiu retirar a denúncia que sua diocese em Kosovo
apresentou ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, contra a
Alemanha, Itália, França e Grã-Bretanha.

O Bispo ortodoxo Artemije, da diocese de Raska e Prizren, em Kosovo,
denunciou os quatros países, porque suas tropas não conseguiram
impedir a destruição dos templos ortodoxos nessa província sérvia.
A Igreja Ortodoxa sérvia desejava obter, com essa denúncia, proteção
legal e indenização pela destruição de suas propriedades, perpetrada
após o fim da guerra em Kosovo, em 1999.

Segundo dados da Igreja Ortodoxa sérvia, 150 igrejas e mosteiros,
muitos deles medievais, foram destruídos ou danificados em ataques
perpetrados por extremistas kosovares, de etnia albanesa.

Em março de 2004, cerca de 30 templos foram destruídos, na pior onda
de violência contra a minoria sérvia no pós-guerra, causando 19
mortes, 900 feridos, milhares de desabrigados e casas destruídas.

O Bispo Artemije, que há duas semanas havia rechaçado a proposta do
Sínodo, de retirar a denúncia, criticou a decisão. Desde o final da
guerra, Kosovo está sob administração interina da ONU, aguardando a
definição de seu status definitivo. (WM)


7 - PAPA EXORTA OS FIÉIS, SOBRETUDO OS JOVENS, A ORAR PELA PLENA
UNIDADE DOS CRISTÃOS

Cidade do Vaticano, 23 jan (Rádio Vaticano) - No Angelus desta manhã,
JPII implorou a Deus, a unidade de todos os cristãos e exortou os
fiéis _ sobretudo os jovens _ a não renunciar ao compromisso de lutar
por essa unidade e a ser testemunhas da plena união.

"Está-se realizando nestes dias _ disse o Papa _ a Semana de Oração
pela Unidade dos Cristãos, que se concluirá, em Roma, com a habitual
celebração das Vésperas, no dia 25 de Janeiro, na Basílica de São
Paulo "fora dos muros". Estarei unido espiritualmente a tal liturgia,
da qual participarão representantes de outras Igrejas e Confissões
cristãs, e que será presidia pelo Cardeal Walter Kasper, Presidente
do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos."

Da janela de seus aposentos, o Santo Padre pediu aos milhares de
fiéis reunidos na Praça São Pedro, assim como aos cristãos de todo o
mundo, "um testemunho evangélico de unidade". Dirigindo-se à Virgem
Santíssima e também aos jovens, o Papa implorou...

"Que Maria Santíssima, Mãe da Igreja, nos ajude a superar todos os
obstáculos e a alcançar, o quanto antes, esse dom. Exorto de coração,
todo fiel, especialmente os jovens, a prolongar por todo o ano, esse
empenho ecumênico, e a se tornar, em todos os lugares, instrumento e
testemunhas da plena comunhão invocada por Cristo, no Cenáculo."

Esta foi a segunda vez, no decorrer dos últimos dias, que o Papa fez
um apelo a todos os cristãos, em favor da unidade. Na Audiência Geral
da última quarta-feira, ele disse que diante dos desafios de um mundo
que espera por um testemunho evangélico claro e unânime, esse desejo
de unidade "vai-se ampliando".

Ao término da oração mariana do Angelus, JPII saudou todos os fiéis
presentes, desejando a todos um bom domingo e concedendo a sua bênção
apostólica.

Em seus 26 anos de pontificado, JPII, que está com 84 anos de idade,
sempre se mostrou a favor da unidade dos cristãos, considerando a
separação entre eles como um "escândalo" que mina a credibilidade dos
seguidores de Cristo, no momento de propagar o Evangelho.

Para o Papa, o diálogo ecumênico é uma das prioridades de seu
pontificado e ele está convencido de que "um dia" essa unidade será
realidade.

Recentemente, durante uma liturgia ecumênica celebrada por ocasião do
aniversário da publicação do decreto conciliar "Unitatis
Redintegratio", JPII disse que, nesta época em que cresce um errôneo
humanismo que prescinde de Deus, e aumentam os conflitos que
ensangüentam o mundo, a Igreja convoca todos à unidade e à
reconciliação.

As Igrejas do Oriente de do Ocidente separaram-se com o cisma de
1054, e com a recíproca excomunhão do Papa Leão IX e do Patriarca
Miguel Celurario. Desde então, passaram-se quase mil anos de
incompreensões e de desconfianças recíprocas. A separação foi
motivada por razões teológicas, como, por exemplo, a rejeição, por
parte dos ortodoxos, ao primado da Igreja de Roma e ao dogma da
infalibilidade do Papa.

Os ortodoxos não reconhecem a validade dos sacramentos católicos,
embora a Igreja Católica admita, desde o Concílio Vaticano II, os
sacramentos ortodoxos.

Os ortodoxos acusam Roma de proselitismo e de tentar se expandir nos
territórios até agora quase que exclusivamente ortodoxos.

Visto que o primado de Pedro é um dos maiores obstáculos à tão
desejada unidade entre os cristãos, JPII disse, em diversas ocasiões,
que estaria disposto a colocar a questão para ser discutida entre
teólogos e especialistas, a fim de encontrar uma solução capaz de
satisfazer a todos. (AF)


8 - Vaticano faz balanço positivo do caminho ecuménico

Fonte: Agência Ecclesia 21/01/2005

Os responsáveis pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade
dos Cristãos (CPPUC) traçam um balanço positivo do caminho ecuménico
ao longo dos últimos anos, num momento em que as Igrejas celebram a
Semana de Oração pela Undiade dos Cristãos (18-25 de Janeiro).
O presidente do e o secretário do CPPUC, Cardeal Walter Kasper e D.
Brian Farrell, assinalaram, em artigos escritos para "L'Osservator
Romano" que na maior parte das paróquias de todo o mundo "o diálogo e
a cooperação ecuménica são uma realidade, apesar de não ter
desaparecido ainda a desconfiança entre os cristãos".,
Para o Cardeal Kasper, é possível afirmar que a Igreja Católica está
numa "etapa intermédia", na qual muitos católicos têm consciência do
compromisso ecuménico da Igreja para a unidade dos cristãos, embora
se manifestem impacientes com o progresso feito.
"Na maioria dos países, a coexistência e a cooperação ecuménica
pertenem ao dia-a-dia das paróquias e dioeceses", escreve.
Ainda no mesmo jornal do Vaticano, o subsecretário do CPPUC, D.
Eleuterio F. Fortino, considera prioritário relançar o diálogo
teológico entre católicos e ortodoxos. O prelado destaca que tanto o
Papa João Paulo II como o Patriarca ecuménico de Constantinopla,
Bartolomeu I, estão a trabalhar nesse sentido e que o último ano foi
de uma "mudança intensa", graças às duas visitas a Roma de Bartolomeu
I (em 29 de Junho e em 27 de Novembro, quando recebeu do Papa as
relíquias dos santos João Crisóstomo e Gregório Nazianzeno).
"Estes contactos serviram para acalmar as tensões que tinham surgido
com o Patriarcado ortodoxo de Moscovo e com o de Constantinopla,
depois de a Igreja greco-católica da Ucrânia ter pedido à Santa Sé
paraser reconhecida como um novo Patriarcado", assinalou D. Fortino.
O trabalho da Comissão Mista de que fazem parte representantes da
Igreja Católica e de diferentes Igrejas ortodoxas está parado desde a
reunião celebrada no ano 2000 em Baltimore, EUA. A questão
do "uniatismo" - os cristãos de rito oriental que mantêm sua
espiritualidade e liturgia, reconhecendo o primado do Papa - é
particularmente difícil, em especial nas relações com o Patriarcado
de Moscovo.

Octávio Carmo


9 - João Paulo II: Há que implorar «sem se cansar» a unidade dos
cristãos

Intervenção antes de rezar o Angelus

CIDADE DO VATICANO, domingo, 23 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).-
Publicamos a intervenção de João Paulo II antes de rezar a oração
mariana do Angelus este domingo junto aos peregrinos congregados na
praça de São Pedro no Vaticano.

* * *

1. Está-se celebrando nestes dias a Semana de Oração pela Unidade dos
Cristãos, que em Roma se concluirá, como de costume, com a celebração
das Vésperas, em 25 de janeiro, na Basílica de São Paulo Extramuros.
Unir-me-ei espiritualmente a essa liturgia, na qual participarão
representantes de outras igrejas e confissões cristãs, e que será
presidida pelo cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho
Pontifício para a Unidade dos Cristãos.

2. Convido as comunidades cristãs a viver intensamente este encontro
anual espiritual, que nos faz experimentar já desde agora, em certo
sentido, a alegria da plena comunhão ao menos no desejo e na
invocação comum. Com efeito, faz-se cada vez mais clara a consciência
de que a unidade é em primeiro lugar um dom de Deus que há que
implorar sem se cansar na humildade e na verdade.

3. Que Maria Santíssima, Mãe da Igreja, ajude-nos a superar todo
obstáculo e a obter o quanto antes este dom. Exorto de coração a todo
crente, em particular aos jovens, a prolongar durante todo o ano o
compromisso ecumênico e a converter-se em todo lugar em instrumentos
e testemunhas da plena comunhão invocada por Cristo no Cenáculo.

[Depois de rezar o Angelus, acrescentou:]

Celebra-se hoje em Roma a Jornada da Escola Católica, sobre o
tema, «Igreja, família e escola: juntos para educar». Para renovar
este compromisso, estão presentes na praça de São Pedro dirigentes,
mestres, pais e alunos das escolas católicas de Roma, junto aos
responsáveis pastores da diocese. Dirijo-lhes minha saudação
carinhosa e agradecida, com o desejo de que o serviço precioso
oferecido pelas escolas católicas seja cada vez mais apreciado e
apoiado pela comunidade eclesial e a civil.

Desejo a todos um feliz domingo.


10 - "Obrigado, Santo Padre, porque as suas palavras deixaram uma
marca nos meus seqüestradores", afirma em uma entrevista à Fides Dom
Casmoussa, poucas horas depois da libertação

Mosul (Agência Fides) - "Obrigado, Santo Padre, porque a sua
tempestiva intervenção teve um grande papel na minha libertação."
Este é o agradecimento ao Papa João Paulo II dirigido por Dom Basile
Georges Casmoussa, Arcebispo sírio-católico de Mosul, na entrevista
concedida poucas horas depois a sua libertação ao Pe. Nizar Semaan,
para a Agência Fides.
Dom Casmoussa foi libertado faz poucas horas, mas não lhe falta a
vontade de contar o seu seqüestro, realizado por um grupo ainda
desconhecido. "Não sei quantos eram os seqüestradores, alguns deles
com o rosto descoberto, outros mascarados. Tive a oportunidade de
falar bastante com eles. Acusavam-me de ser um colaborador dos norte-
americanos, mas depois, dialogando comigo, perceberam que desejo e
trabalho pela unidade de todos os iraquianos, para que o Iraque volte
a ser um país soberano, em paz consigo e com todos os seus vizinhos",
conta o Arcebispo à Fides.
"Com o passar do tempo, via que a determinação deles vacilava, que
não estavam convencidos de que eu fosse o adversário, um inimigo a
ser abatido. Esta manhã, quando ainda não me haviam libertado, um dos
meus carcereiros ficou realmente impressionado com as declarações do
Santo Padre. 'Até mesmo o Papa interveio a seu favor', disse-me.
Naquele momento, entendi que a minha libertação estava próxima, que a
esperança, que me apoiou durante os momentos mais difíceis do meu
seqüestro, estava sendo recompensada", declara Dom Casmoussa.
"O momento talvez mais dramático, mas também mais comovente, foi
ontem à noite, quando me pediram para rezar a última oração", afirma
o Arcebispo. "Rezei em voz alta pedindo a Deus perdão pelos meus
pecados e em seguida, olhando para os meus seqüestradores, invoquei a
Graça de Deus para que o povo iraquiano reencontre a paz, a concórdia
e a unidade. Penso que os meus carcereiros respeitaram essas palavras
e que a minha oração tenha tido um papel fundamental na minha
libertação", destaca ainda Dom Casmoussa.
"Quero agradecer a Deus pelo dom da vida e da liberdade, e a todos
aqueles que se solidarizaram com suas orações", acrescenta o
Arcebispo. "Quero agradecer ainda ao Santo Padre e a seus
colaboradores, que foram preciosos neste caso, intervindo de modo
rápido e discreto. Um agradecimento, por fim, também aos meios de
comunicação, que veiculando rapidamente à opinião pública mundial o
meu seqüestro, exercitaram pressões sobre os seqüestradores".
O Arcebispo acrescenta, ainda, alguns detalhes da sua
libertação: "Quando decidiram me libertar, colocaram-me no porta-
malas de um carro, do mesmo jeito que me seqüestraram. Depois, me
deixaram em um bairro de Mosul, de onde pude ligar para o
Arcebispado, para que me buscassem. Mas já que o carro enviado pelos
meus colaboradores não chegava, pois ficou preso no tráfico, tomei um
táxi e voltei para casa".
"Esta aventura me permitiu meditar sobre o significado profundo da
vida e da morte. Reforçou-me na fé e na determinação em dar a minha
contribuição para a unidade e a concórdia de todos os iraquianos. Que
o Iraque volte a ser um país em paz e unido", conclui Dom Casmoussa.
(L.M.) (Agência Fides 19/1/2005)


11 - Comunidade de religiosas dominicanas se vê obrigada a abandonar
o Iraque

ROMA, domingo, 23 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).- As religiosas
Dominicanas da Apresentação se viram obrigadas a abandonar pelo
momento Mosul para trasladar-se à Síria e Jordânia, pois a vida delas
corre perigo, segundo informa o serviço das comunidades religiosas em
Roma.

Em um comunicado do qual informa «Vidimus Dominum», as religiosas
afirmam que «para salvar suas vidas tiveram de deixar as
propriedades», já que desde o ponto de vista logístico o convento
está colocado entre a base do exército dos Estados Unidos e o quartel
general de quem se levantou em armas contra sua presença.

Em Mosul, foi seqüestrado por algumas horas entre 17 e 18 de janeiro
o arcebispo sírio-católico Basile Georges Casmoussa.

A Congregação tem sete comunidades no Iraque, com um total de 40
religiosas que trabalham na educação, na saúde, com o hospital São
Rafael, de Bagdá, e a favor dos menores com um centro de recuperação
para jovens.


12 - RELIGIOSAS DOMINICANAS OBRIGADAS A ESCAPAR DE MOSSUL

Bagdá, 24 jan (Rádio Vaticano) - As religiosas Dominicanas da
Apresentação se viram obrigadas a abandonar Mossul pelo momento, e
transferir-se à Síria e Jordânia, pois a vida delas corre perigo,
segundo informa o serviço das comunidades religiosas em Roma.

Num comunicado divulgado pela "Vidimus Dominum", as religiosas
afirmam que, para salvar suas vidas, tiveram que abandonar sua casa,
já que, do ponto de vista logístico, o convento está situado entre a
base do exército dos Estados Unidos e o quartel general da
resistência.

O Arcebispo sírio-católico de Mossul, Dom Basile Georges Casmoussa,
foi seqüestrado por algumas horas, nos dias 17 e 18 de janeiro.

A congregação tem sete comunidades no Iraque, com um total de 40
religiosas que trabalham na educação e na saúde, no Hospital São
Rafael, de Bagdá, e a favor dos menores, com um centro de recuperação
para jovens. (CM)


13 - Dominicanas da Apresentação mantêm sua presença no Iraque

Mas tiveram de sair temporariamente de Mosul

BARCELONA, terça-feira, 25 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).- As irmãs
dominicanas da Apresentação mantêm sua presença no Iraque, explica
irmã Núria Gaza a Zenit, esclarecendo algumas informações.

A religiosa, que viveu no Iraque e agora coordena desde Barcelona as
ajudas às comunidades deste país em guerra, assegura que «nossas
irmãs não deixarão nunca o Iraque, porque elas são de lá e consideram
que têm uma missão em sua terra, não só para os cristãos, mas para
toda população».

A comunidade das dominicanas da Apresentação em Mosul foi desativada
por ameaças, mas não fechou: «As religiosas jovens foram para o
norte, e vão a Mosul de vez em quando para vigiar a casa acompanhadas
de um membro da família», expõe irmã Núria, depois de ter falado por
telefone com uma de suas companheiras no Iraque.

A comunidade de Mosul é uma das sete desta congregação feminina. Em
Mosul, possuem uma residência universitária dirigida sobretudo por
religiosas jovens. «Não a quiseram fechar porque as jovens queriam
acabar o curso na universidade, apesar de sofrerem ameaças e terem de
ir pela rua usando véu e escoltadas por um homem», explica irmã
Núria, que agradece o grande trabalho de Cooperação Internacional de
Barcelona e de Cáritas Espanhola que ajuda no aspecto logístico.

«Nunca nos passou pela cabeça deixar o país», afirma esta
religiosa. «Não são nossas religiosas as que se foram à Jordânia e à
Síria, são alguns cristãos que não vêem futuro no país», afirma.


14 - Bispo iraquiano: Votar é um dever nacional e religioso

O pastor católico de Kirkuk afirma que televisões árabes promovem o
fanatismo

KIRKUK, quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 (ZENIT.org-Asianews).-
Aproxima-se o 30 de janeiro, dia das eleições no Iraque, e o bispo
caldeu de Kirkuk, Dom Luois Sako, recorda a seus fieis que votar é um
dever nacional e religioso.

O voto do próximo domingo é «algo imenso», acrescenta o prelado nesta
entrevista concedida à agência missionária AsiaNews, pois pela
primeira vez os iraquianos poderão eleger «livremente seus chefes».

--Crê que serão significativas as eleições de 30 de janeiro apesar
dos limites impostos pela violência?

--Dom Sako: Sim, porque o governo atual é provisório, mas após as
eleições surgirá uma opção do povo. Os iraquianos têm a possibilidade
de indicar quem serão os chefes, os que eles querem. As eleições são
algo imenso e novo. Durante os últimos cinqüenta anos, não havia
sucedido nada igual: primeiro por causa dos confrontos e revoluções,
depois pelos 35 anos de regime. Nunca se deu a liberdade de
expressão. Mas agora tudo é possível. Se há pessoas e partidos que
discutem e se enfrentam, é porque há liberdade. Agora os iraquianos
têm de aprender a dialogar de maneira civilizada. Mas o povo
iraquiano nunca foi educado na convivência, sempre viveu no meio da
violência: três guerras, um regime ditatorial, treze anos de
embargo... Por este motivo, hoje a liberdade não se utiliza de
maneira responsável e surgem os problemas.

--Quanta gente poderá ir às urnas no próximo domingo?

--Dom Sako: Os telejornais falam de 80%. É verdade que há gente que
tem medo das ameaças, mas eu digo que há uma condição para chegar à
normalidade, e esta condição são as eleições. Posso dizer que no
domingo muita gente irá votar.

--No Ocidente, entre os jornais e televisões, não parece que haja
muita simpatia pelas eleições iraquianas.

--Dom Sako: Precisamente esta segunda-feira, o Papa pediu aos meios
de comunicação que ajudassem o povo a compreender a realidade. O
problema que estamos vivendo no Iraque se deve precisamente aos meios
de comunicação: escrevem-se e transmitem demasiadas mentiras e
provocações. Basta pensar nos canais de televisão «Al Jazeera» e «Al
Arabiya», que dão notícias falsas em nome de um autêntico fanatismo,
condenado pelos próprios chefes muçulmanos iraquianos. Estas
televisões difundem uma contínua provocação à violência contra os
americanos e inclusive contra os iraquianos. Nestes meios, mescla-se
terrorismo e resistência, mas para mim há uma clara diferença. A
resistência é algo nobre; mas há dois dias estourou uma bomba durante
uma festa: houve 20 mortos. Pergunto-me, isto é resistência? Aquelas
vinte pessoas eram iraquianos, homens e mulheres inocentes, é isto um
ato de resistência? É um ato de resistência atacar uma Igreja ou uma
mesquita?

--Dom Basile Georges Casmoussa, arcebispo siro-católico de Mosul,
seqüestrado na semana passada, após sua libertação pediu a retirada
dos americanos. O que acha?

--Dom Sako: Creio que Dom Casmoussa fez estas declarações porque tem
em conta sua situação em Mosul: ali quase toda a cidade, em sua
maioria sunita, está contra a presença americana. Mas se os
americanos se vão hoje do Iraque, haverá uma guerra civil entre
curdos e árabes, sunitas e xiitas, muçulmanos e cristãos. Isto está
claro.

Por este motivo, é melhor que não se vão agora. Dentro de pouco
tempo, haverá um governo nacional, está-se formando um exército e um
corpo de polícia. Pouco a pouco, está-se realizando um projeto de
renascimento, mas isto não acontece por arte de magia. Os americanos
devem permanecer até que os iraquianos possam tomar as rédeas da
nação. Agora não são capazes, não há estruturas adequadas.

--Qual é a situação dos cristãos iraquianos?

--Dom Sako: Muda segundo as cidades. Em Mosul é muito difícil, porque
os sunitas são a maioria da população e estão contra as eleições,
pois com a queda do regime de Saddam Hussein, perderam o poder. Em
Mosul, qualquer pessoa pode organizar um seqüestro por dinheiro ou
vingança, não há polícia nem segurança. Mas em Bagdá, em Basora, no
sul, assim como aqui em Kirkuk, no Kurdistão, a situação é normal.

Os problemas se dão no centro, na zona sunita. Todo o povo iraquiano
é consciente de que os cristãos constituem um elemento essencial da
sociedade iraquiana. São uma parte do patrimônio iraquiano e da
história do país.

--Como os cristãos se preparam às eleições?

--Dom Sako: Nas missas falamos das eleições e convidamos os cristãos
a votar. Outro dia, aqui em Kirkuk, todos os representantes das
Igrejas firmaram uma declaração comum para alentar os cristãos a
votar. Entregamo-la ao prefeito e aos representantes da província.
Foi acolhida. É um chamado aos iraquianos a ir às urnas, pois
votar «é um dever nacional e religioso para contribuir ao nascimento
de um novo Iraque para todos».

Não aconselhamos que escolham uma sigla ou outra; dissemos ao povo
que vá votar, ainda que a situação não seja perfeita, pois o voto é
um passo importante para a democracia e a liberdade. As eleições são
o caminho adequado para uma sociedade capaz de progresso. Há partidos
cristãos que se apresentaram como candidatos tanto para as eleições
provinciais como para a Assembléia Nacional. Também há políticos
cristãos em outros partidos, por exemplo, nos curdos.

--Por quem votarão os cristãos?

--Dom Sako: Nós pedimos que votem pelos que são capazes de dirigir o
país de maneira justa e democrática. Os cristãos votarão segundo sua
consciência. A novidade é que os cristãos não estão ausentes, e isto
ajuda a um porvir melhor. A Igreja deve ajudar o povo a ficar,
alentar e comprometer-se na reconstrução, favorecer o diálogo étnico
e cultural.


15 - Líderes libaneses no Vaticano

Fonte: Agência Ecclesia 24/01/2005

O Patriarca maronita libanês, Nasrallah Pierre Sfeir, deverá ser
recebido por João Paulo II, no Vaticano, no decorrer desta semana.
No início de 2005, o representante do Papa no Líbano, D. Luigi Gatti,
pediu ao presidente Emile Lahoud Jan que satisfaça os anseios de "paz
e liberdade" do povo libanês. "A paz começa pelo respeito dos
direitos humanos: os libaneses anseiam pela paz", referiu o Núncio
Apostólico no encontro do presidente com o corpo diplomático no
Líbano.
O mandato presidencial de Lahoud foi prolongado por uma emenda
constitucional, apesar de uma resolução do Conselho da Segurança da
ONU, em Setembro do ano passado, exigindo eleições presidenciais e a
retirada das tropas sírias no país.
"É absolutamente imperioso oferecer uma base sólida para a paz,
salvaguardando os direitos de cada cidadão e do povo libanês em
geral", considerou D. Luigi Gatti.
O Patriarca Sfeir deverá falar com o Papa a respeito da resolução
1559 das Nações Unidas, na qual se pede que a Síria retire cerca de
15 mil soldados do território libanês, e não se imiscua nas decisões
políticas e económicas libanesas.
"Reclamamos um Líbano soberano, que tome as suas decisões
livremente", disse o Patriarca cristão maronita libanês antes de
partir na sua viagem à Europa, que inclui passagens pelo Vaticano e
Paris.

Octávio Carmo


16 - PATRIARCA CRISTÃO MARONITA E LÍDER DA COMUNIDADE DRUSA:
LIBANESES EM VISITA AO PAPA

Beirute, 22 jan (Rádio Vaticano) - O Patriarca cristão maronita
libanês, Nasrallah Pierre Sfeir, e o líder da comunidade drusa no
Líbano, Walid Jumblatt, serão recebidos pelo Papa, no Vaticano, na
próxima semana.

Segundo a imprensa libanesa, os diálogos versarão, em particular,
sobre as pressões às quais têm sido submetidos Líbano e Síria em
relação à resolução nº. 1.559 das Nações Unidas.

Após o encontro com JPII, o Patriarca Sfeir irá Paris, onde será
recebido pelo Presidente Jacques Chirac.

A resolução nº. 1.559, articulada por França e Estados Unidos, pede
que a Síria retire cerca de 15 mil soldados do território libanês, e
não se imiscua nas decisões políticas e econômicas libanesas. (WM)


17 - Papa abençoa uma estátua de São Gregório, o Armênio, colocada no
Vaticano

No exterior da Basílica de São Pedro

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 19 de janeiro de 2005 (ZENIT.org).-
João Paulo II abençoou esta quarta-feira uma estátua de São Gregório,
o Iluminador (ou o Armênio), apóstolo da Armênia e fundador da Igreja
armênia, que foi colocada no exterior da Basílica de São Pedro, no
Vaticano.

Na cerimônia, que aconteceu enquanto o Santo Padre se dirigia à Sala
Paulo VI para participar da audiência geral, participou o patriarca
de Cilícia dos Armênios, Sua Beatitude Nerses Bedros XIX, cuja sede
se encontra no Líbano.

Nerses Bedros XIX guia em torno de 10% dos cristãos armênios que
vivem em sua pátria e na diáspora e que estão em comunhão com Roma.

Em torno de 90% dos cristãos armênios obedece ao Patriarcado
Apostólico Armênio, que se separou de Roma após o Concílio de
Calcedônia (ano 451). Um passo decisivo para superar esta divisão se
deu em 1996, quando o Papa e o anterior patriarca, Karekin I,
firmaram uma declaração conjunta que superava mal-entendidos sobre a
natureza de Jesus.

Na cerimônia estavam presentes representantes do Patriarcado
Apostólico Armênio e da República Armênia.

A estátua de São Gregório, o Iluminador, foi realizada por um artista
armênio, cidadão francês, de origem libanesa, Khatchik Kazandjian,
que ganhou um concurso convocado pelo Vaticano e o Patriarcado
Armênio Católico.

A estátua, de 5,64 metros de altura e de 18 toneladas, está realizada
em mármore de Carrara, e seu custo total foi de 250.000 euros.

Com este gesto, o Papa quis culminar as celebrações do 1700º
aniversário da conversão do povo armênio à fé cristã.

Segundo conta a tradição armênia, São Gregório, que nasceu entre o
ano 250-252, curou milagrosamente o rei da Armênia, Tiridates III,
que se converteu ao cristianismo junto a sua corte, no ano 301,
fazendo da Armênia a primeira nação cristã.

É a primeira vez que a estátua de um santo de rito oriental se coloca
entre os santos fundadores que rodeiam o exterior da Basílica de São
Pedro, explicou esta quarta-feira o arcipreste da Basílica vaticana,
o cardeal Francesco Marchisano.

Este gesto «expressa maravilhosamente» a «natural variedade das
tradições e dos ritos da Igreja, que contribuem a seu enriquecimento
espiritual».


18 - Mensagem de Ano Novo de Patriarca Armênio

Fonte: Informativo Armênia Janeiro de 2005

Em sua mensagem de Ano Novo, o patriarca armênio de Constantinopla,
Mesrob Mutafian, lembrou que 2005 é o ano do 90° aniversário
da "Grande Tragédia de 1915". Mesmo sem utilizar a
palavra "Genocídio" (interditada por lei na Turquia), a alocução do
patriarca demonstra audácia inusitada no seu contexto.


19 - NATAL ARMÊNIO

Fonte: Informativo Armênia Janeiro de 2005

Conforme a tradição, o Natal de Jesus foi comemorado solenemente em 6
de janeiro (dia da Epifania) nas igrejas armênias de todo o globo,
mormente nas apostólicas (algumas igrejas armênias evangélicas e
católicas no ocidente, adaptadas ao calendário gregoriano, o fizeram
em 25 de dezembro). Em sua saudação natalina, o pastor supremo da
Igreja Apostólica Armênia, catolicosse Karekin II, de Etchmiadzin,
exprimiu o desejo de que "o divino anúncio do nascimento de Jesus
reconduza nossa atribulada humanidade aos caminhos da reconciliação,
justiça e fraternidade". Por sua vez, o catolicosse Aram I, de
Antelias, Líbano - cuja mensagem foi divulgada internacionalmente por
satélite pela TV libanesa - descreveu o Natal como "um convite para
que reconheçamos Cristo, por palavras e atos, como fonte de nossa
vida". Ambos líderes religiosos exprimiram solidáriedade com as
vítimas da calamitosa tsunami que se abateu sobre os países do sul da
Ásia.

20 - Israel autoriza cristãos a rezarem na igreja da natividade

Fonte: Jornal Hay Tert 20/01/2004 (Pan Armenian)

Com um gesto de generosidade as autoridades israelenses autorizaram
armênios católicos e gregos ortodoxos cristãos a reunirem-se na
igreja da natividade em Belém. Como se sabe, a igreja católica romana
serve a liturgia na igreja da natividade a cada ano na noite de 24 de
dezembro, enquanto os armênios apostólicos cristãos e os gregos
ortodoxos cristãos celebram o natal no dia 6 de janeiro. Este ano,
mais uma vez, milhares de fiéis chegaram a Belém. Atualmente a
cidade esta sob controle das forcas armadas israelenses e da policia
palestina que não medem esforços para garantirem a segurança dos
cristãos.


21 - Grande rabino pede perdão a autoridades cristãs de Jerusalém

Fonte: EFE 25/01/2005

O grande rabino de Israel, Iona Metzger, se reuniu com o patriarca da
Igreja armênia, Turkus Monogian, e outras autoridades cristãs para
pedir perdão pelos ataques de fundamentalistas judeus contra membros
de suas comunidades.
"Sinto necessidade de pedir a meus irmãos judeus que se comportem com
respeito e honra ante todos os seres humanos", declarou o religioso
depois da "reunião de reconciliação" com os representantes da
comunidade cristã em Jerusalém.

"Assim como não queremos ser incomodados quando professamos nosso
culto em outros lugares do mundo, nos está proibida toda expressão de
violência contra outros religiosos", acrescentou após a reunião,
informa hoje, terça-feira, a imprensa local.

Entre vários outros incidentes, jovens ortodoxos judeus chegaram a
atacar uma procissão da comunidade armênia, cuspindo em uma cruz.


22 - Grão-Rabino Metzger pede perdão aos líderes cristãos de
Jerusalém

Agência Ecclesia

O Grão-rabino de Israel, Iona Metzger, reuniu-se com o Patriarca da
Igreja Arménia, Turkus Monogian, e outros líderes cristãos, para
pedir perdão pelos ataques fundamentalistas judaicos contra membros
da comunidade cristã.
"É necessário que os meus irmãos judeus se comportem com respeito e
honradez, com todos os seres humanos", declarou o Grão-Rabino, depois
da reunião de reconciliação, noticiada pela Rádio Vaticano.
Segundo Iona Metzger , "assim como os judeus não querem ser
agredidos, quando praticam a sua fé nas várias parte do mundo, também
lhes é proibida toda a expressão de violência contra fiéis de outras
religiões".
Entre vários episódios recentes de desrespeito, destacou-se o de um
jovem judeu fundamentalista que atacou uma procissão da comunidade
arménia, cuspindo contra a cruz.
As estatísticas confirmam que a presença cristã na região está a
desaparecer. Segundo os dados revelados pelo secretariado central das
estatísticas de Jerusalém, os cristãos apenas representam 9% da
minoria árabe de Israel e 2,1% da população total do país, de quase 7
milhões de habitantes.
O estudo realizado por este secretariado refere que os cristãos
israelitas são perto de 144 mil, sendo que 117 mil têm origem árabe.
Outros 27 mil cristãos são familiares de imigrantes judeus vindos da
antiga URSS e da Etiópia nos últimos anos, à luz da lei do regresso.
Em 1949, um ano após a proclamação do Estado de Israel, os cristãos
representavam 20% da minoria árabe.

Octávio Carmo

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