BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 15 - 29 de dezembro de 2004

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Hoje peço uma oração pelas vítimas do Maremoto na Ásia, que a
solidariedade internacional seja capaz de reduzir um pouco o
sofrimento daquelas pessoas.

Desejo aos leitores deste Boletim um excelente Ano de 2005, abençoado
pelo Nosso Senhor Jesus Cristo.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
e-mail: [email protected]


ÍNDICE

1 - Protagonismo ortodoxo

2 - Um "wojtyliano" em Atenas

3 - A entrega das relíquias

4 - Ratzinger: "A Igreja não pode se reconhecer na
categoria `Ocidental'"

5 - Novos Embaixadores do Iraque e Irã junto à Santa Sé

6 - IRAQUE - A fuga dos cristãos

7 - KOSOVO - Mosteiros sempre sob assédio

8 - VOTOS DE FELIZ NATAL AO PAPA: DO PATRIARCA ORTODOXO RUSSO E DO
PRESIDENTE DA ITÁLIA

9 - COMENTÁRIO - OS RUSSOS LEMBRAM-SE DAS ANTIGAS TRADIÇÕES DA FESTA
DE NATAL

10 - MENSAGENS AOS JOVENS REUNIDOS EM LISBOA, NO 27º ENCONTRO
PROMOVIDO PELA COMUNIDADE ECUMÊNICA DE TAIZÉ

11 - Biografias de fé da Rússia para o mundo

12 - Os direitos humanos em segundo plano, um risco nas negociações
UE/Turquia

13 - Natal de esperança na Ucrânia. Mensagem do cardeal Lubomyr Husar

14 - NATAL SERÁ FESTA DISCRETA NO IRAQUE, POR MEDO DA VIOLÊNCIA

15 - Natal sem festa no Iraque

16 - Igrejas vazias na Noite de Natal iraquiana. Por causa das
condições de segurança

17 - Cristãos iraquianos terão Natal de medo

18 - Cristãos do Iraque cancelam as missas e festas de Natal

19 - Papa pede o fim dos conflitos no Iraque

20 - LÍDER CRISTÃO COPTA PÕE FIM À SUA RECLUSÃO VOLUNTÁRIA, PELA
LIBERTAÇÃO DE CRISTÃOS

21 - Romaria Maronita ao Santuário de Aparecida


NOTÍCIAS INTERNACIONAIS

1 - Protagonismo ortodoxo

Fonte: Revista 30 Dias - Novembro de 2004

PERSONAGENS. Encontro com o primaz da Igreja da Grécia

Ele reafirma que "a Igreja ortodoxa é uma Igreja da Tradição". Mas
suas batalhas insistem sobretudo na relevância pública da cultura
cristã e na defesa das raízes cristãs da civilização européia. Em
plena sintonia com as linhas-mestras do pontificado atual.

Entrevista com o arcebispo de Atenas, Christodoulos

Dizem que se ele se apresentasse às eleições políticas receberia uma
avalanche de votos. Sua veemência como tribuno que discursa para
multidões parece agradar ao novo orgulho helênico que ainda sopra
sobre toda a Grécia, depois do triunfo na Copa Européia de futebol e
das extremamente bem-sucedidas Olimpíadas. No entanto, no início de
outubro, uma votação entre seus colegas metropolitas do Sínodo
Ortodoxo, com resultado inequívoco (42 votos contra 15), adiou por
tempo indeterminado a data da viagem que sua beatitude Christodoulos,
arcebispo de Atenas e primaz da Igreja Ortodoxa da Grécia, gostaria
de fazer a Roma para encontrar o Papa e rezar sobre os túmulos dos
apóstolos. Visita cancelada quando já estava tudo pronto e até a
Pontifícia Universidade Lateranense já havia preparado para ele uma
láurea honoris causa.

Sessenta e cinco anos, arcebispo de Atenas desde 1998, Christodoulos
teria sido o primeiro chefe da Igreja da Grécia a visitar a Cidade
Eterna desde os tempos do Cisma do Oriente. O abandono forçado
permite vislumbrar pulsões e conflitos perceptíveis nas Igrejas
ortodoxas, num momento em que as relações entre a Ortodoxia e a Sé de
Roma parecem atravessadas por uma inquieta e positiva espera de
novidade.

A entrevista que segue, colhida em parte durante a audiência
concedida por um febril Christodoulos a um grupo de jornalistas
italianos em 20 de outubro passado, tem como ponto de partida a
viagem cancelada a Roma do chefe dos ortodoxos da Grécia.

Segue o link para a íntegra da entrevista:

http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=6000


2 - Um "wojtyliano" em Atenas

Fonte: Revista 30 Dias - Novembro de 2004

Christodoulos visto de perto

de Gianni Valente

Nascido em 1939, em Xhánthi, de uma família de desabrigados
provenientes da Trácia Oriental, depois da troca de populações entre
Grécia e Turquia ocorrida em 1924, Christodoulos Paraskevaides
estudou no colégio Leonteion, de Atenas, mantido pela congregação
católica dos Irmãos Maristas, para depois conseguir o diploma em
Teologia e o doutorado em Direito Canônico. Monge desde o início da
década de 1960, desde jovem compartilhou com um grupo de pessoas de
sua idade, no mosteiro de Barlaam, em Meteora, a experiência de um
monaquismo missionário e atento aos problemas sociais. Eleito bispo
metropolita de Demétrias com apenas 35 anos, tornou-se conhecido como
pregador impetuoso, líder adorado pelos jovens, animador de projetos
sociais. Desde abril de 1998, quando foi eleito com largo consenso
arcebispo de Atenas, vem marcando profundamente, com seu
estilo "decisionista", a imagem pública da Igreja Ortodoxa e sua
relação com a sociedade grega. Opina sempre sobre os temas do debate
público, em defesa dos valores morais, multiplicando as aparições na
televisão, sem fugir de conflitos e polêmicas com os ambientes
políticos. Dobrou os comitês do Sínodo, instituindo doze novos,
dedicados a questões da atualidade (bioética, assuntos europeus,
ecologia, etc.); abriu um escritório de representação da Igreja grega
junto à União Européia, em Bruxelas, dirigido pelo bispo Athanásios;
deu vida à Organização "Solidariedade", para coordenar as iniciativas
assistenciais da Igreja grega no exterior. Graças a essas
iniciativas, leva adiante com energia e zelo sua estratégia para
combater a marginalização da Igreja e reafirmar sua influência como
força que impulsiona a sociedade grega. Uma batalha que conduz também
com instrumentos e táticas modernas, recorrendo às vezes a gírias e
ares de cumplicidade com o mundo juvenil e valorizando os movimentos
e confrarias pietistas tradicionalmente malvistos pela hierarquia. Um
programa que, pela agenda dos termos tratados (por exemplo, a
insistência nas raízes cristãs da Europa) e pelas formas de
realização, mostra interessantes afinidades com os clichês do
pontificado de Wojtyla.

Nos meses passados, a veia competitiva de Christodoulos aflorou
também na querela que opôs a Igreja da Grécia ao Patriarcado
Ecumênico de Constantinopla, a respeito do direito e das formas de
nomeação dos bispos das 36 dioceses gregas dos "novos territórios"
(Trácia e regiões do nordeste), que dependem canonicamente de
Constantinopla e, do ponto de vista pastoral e administrativo, de
Atenas. A crise se revolveu com um compromisso formal no final do
primeiro semestre de 2004, graças também à mediação do governo grego.
Mas, no Sínodo da Igreja da Grécia, o quase-cisma com a Igreja-mãe de
Constantinopla alimentou mal-estares e reservas contra o protagonismo
de Christodoulos. O voto sinodal que impediu sua viagem a Roma se
explica também por isso.


3 - A entrega das relíquias

Fonte: Revista 30 Dias - Novembro de 2004

Sábado 27 de novembro, na Basílica Vaticana, foi realizada uma
celebração ecumênica durante a qual João Paulo II entregou a
Bartolomeu I uma parte das relíquias, veneradas há séculos na
Basílica de São Pedro, dos Santos Gregório de Nazianzo e João
Crisóstomo, bispos de Constantinopla e doutores da Igreja. Durante a
celebração, junto com os cantos em grego, latim e italiano, entre as
leituras bíblicas e patrísticas, foi lida a poesia A Cristo de
Gregório de Nazianzo, que apresentamos abaixo: "Que tirania é esta? /
Vim para a vida – bem –, / mas por que ela me agita com suas
violentas marés? / Quero dizer uma palavra audaz, sim audaz, mas
quero dizê-la: / se não fosse teu, ó meu Cristo, que injustiça! /
Nascemos, deperecemos e chegamos ao final. / Durmo, repouso, estou
acordado, caminho. / Estamos ou doentes, ou sãos, / ou entre os
prazeres, ou entre os afãs. / Participamos às estações solares e aos
frutos da terra. / Morremos e nossa carne apodrece: / este é o
destino dos animais, / que, por mais ignóbeis, não têm culpa. / Então
o que tenho mais que eles? / Nada a não ser Deus: / se não fosse teu,
ó meu Cristo, que injustiça!".


4 - Ratzinger: "A Igreja não pode se reconhecer na
categoria `Ocidental'"

Fonte: Revista 30 Dias - Novembro de 2004

"Substancialmente, a Igreja não pode se reconhecer na
categoria `Ocidental'. Seria equivocado histórica, empírica e
teologicamente. Historicamente, sabemos que o cristianismo nasceu do
cruzamento da Europa, Ásia e África, e isso indica também algo da sua
essência interna [...]. No seu início, a expansão do cristianismo
dirigia-se do mesmo modo para o Oriente, rumo à China, Índia, Pérsia
e Arábia e ao Ocidente. Infelizmente, depois no nascimento do Islã,
grande parte desta cristandade oriental desapareceu. Mas não
completamente, pois existem elementos desta cristandade histórica que
testemunham a sua universalidade, e mesmo a cristandade européia
divide-se em ocidental e oriental [...]. De modo empírico, não só
temos esta grande herança histórica, mas o cristianismo está
presente, com minorias de força espiritual reconhecida, em todos os
continentes. O eixo da cristandade desloca-se cada vez mais para os
novos continentes, rumo à África, Ásia, América Latina. A Europa
ainda é uma fonte essencial para o desenvolvimento do cristianismo,
todavia, começa a isolar-se justamente com a discussão sobre a sua
identidade. Teologicamente, pois a Igreja, pela sua essência, deveria
transcender as culturas, ser o fato de que não está ligada a uma
cultura determinada, mas que ajuda o êxodo da prisão de uma cultura e
a comunicação das culturas". Palavras do cardeal Joseph Ratzinger,
prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, no decorrer de um
encontro-diálogo com o professor Ernesto Galli della Loggia,
realizado no Palácio Colonna, em Roma, no dia 25 de outubro de 2004.
O debate foi moderado pelo engenheiro Gaetano Rebecchini, presidente
do Centro de Orientação Política, a fundação que organizou o evento.


5 - Novos Embaixadores do Iraque e Irã junto à Santa Sé

Fonte: Revista 30 Dias - Novembro de 2004

No dia 29 de outubro Mohammad Javad Faridzade, novo embaixador do Irã
junto à Santa Sé, entregou suas cartas credenciais ao Papa. O
representante de Teerã tem 51 anos, estudou Direito e Literatura em
seu país e Filosofia na Alemanha, e no último triênio foi
representante particular do presidente da República para as questões
culturais e políticas internacionais. No seu discurso, o Papa disse,
entre outras coisas: "A Santa Sé conta com o apoio das Autoridades
iranianas para consentir aos fiéis da Igreja Católica presentes no
Irã, assim como aos outros cristãos, a liberdade de professar a sua
religião e para favorecer o reconhecimento da personalidade jurídica
das instituições eclesiásticas...". Por sua vez, o novo embaixador
iraniano disse: "Os pensadores religiosos, baseando-se nos Livros
Sagrados, podem não só adquirir uma profunda compreensão dos direitos
humanos, mas podem até mesmo explicar suas causas teológicas e
teosóficas". Fato incomum, de ambos discursos, do Papa e do diplomata
iraniano, o L'Osservatore Romano (30 de outubro) publicou a tradução
em italiano.

No dia 15 de novembro foi a vez do novo embaixador do Iraque. Trata-
se de Albert Edward Ismail Yelda, cristão da antiga Igreja Assíria,
45 anos, que se dedicou à consultoria legal e projetos de assistência
para os imigrantes iraquianos em Londres de 1987 a 2003. No seu
discurso, o Papa disse, entre outras coisas: "Que o seu governo
trabalhe incansavelmente para resolver as contendas e os conflitos,
através do diálogo e das negociações, e que só lance mão da força
militar como último recurso". No dia 4 de novembro o Papa tinha
recebido também o primeiro ministro iraquiano Ayad Allawi.


6 - IRAQUE - A fuga dos cristãos

Fonte: Revista 30 Dias - Novembro de 2004

"Seria pelo menos paradoxal que sob o amparo de George W. Bush, o
qual não começa um Conselho de Ministros sem uma oração,
desaparecesse uma das mais antigas comunidades cristãs do Oriente"
Conclusão de um artigo do Le Figaro de Paris (29 de novembro)
dedicado à inquietadora fuga dos cristãos do Iraque depois de Saddam.



7 - KOSOVO - Mosteiros sempre sob assédio

Fonte: Revista 30 Dias - Novembro de 2004

No dia 13 de outubro, foi apresentado em Roma o documentário Enclave
Kosovo, de Elisabetta Valgiusti, iniciativa proposta pela
associação "Salva os mosteiros" (site internet
http://www.salvaimonasteri.org ). Participaram, entre outros, o
cardeal Tomás Spidlík, o embaixador da Sérvia e Montenegro junto à
Santa Sé, Darko Tanaskovic, os políticos Gustavo Selva (Alleanza
Nazionale, presidente da Comissão do Exterior da Câmara dos
Deputados) e Luana Zanella (Verdi-Ulivo) e a professora Marie-Paule
Roudil, francesa, diretora do Departamento da Unesco de Veneza
responsável pelos Bálcãs. Estavam também presentes os padres Sava e
Xenofon do mosteiro ortodoxo de Decani, e monse­nhor Miguel Maury
Buendía, encarregado, há pouco tempo, pelos assuntos dos Bálcãs na
Secretaria de Estado. O documentário em questão é um afresco
impressionante da sistemática destruição dos mosteiros ortodoxos
presentes na província da ex-Iugoslávia atualmente administrada pela
ONU. Apenas em março deste ano, 35 entre mosteiros e conventos foram
devastados pelos extremistas albaneses.


8 - VOTOS DE FELIZ NATAL AO PAPA: DO PATRIARCA ORTODOXO RUSSO E DO
PRESIDENTE DA ITÁLIA

Roma, 24 dez (Rádio Vaticano) - As agências de notícias informam que
o Patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias, Aleksej II,
enviou uma mensagem ao Pontífice, com calorosas felicitações pelo
Natal, que as Igrejas orientais _ seguindo o calendário juliano _
festejarão no dia 7 de janeiro.

"Desejo dirigir-lhe de todo o coração as mais fervorosas felicitações
pela luminosa festa do Natal" _ escreve Aleksej II.

"Elevo minhas preces _ prossegue o Patriarca ortodoxo _ a fim de que
a alegria do Natal esteja com você e Cristo recém-nascido lhe seja
próximo na solene celebração" desta noite.

Por sua vez, na mensagem de felicitações natalinas enviadas ao
Pontífice, o Presidente da República italiana, Carlo Azeglio Ciampi,
ressalta que o Natal é "uma ocasião de paz e um tempo de reflexão:
também como aspecto determinante da identidade européia".

O Natal, observa ainda o Presidente Ciampi, "oferece a oportunidade
para meditar sobre a indispensabilidade de uma Europa capaz de
perseguir objetivos de conciliação e de progresso". (RL)


9 - COMENTÁRIO - OS RUSSOS LEMBRAM-SE DAS ANTIGAS TRADIÇÕES DA FESTA
DE NATAL

Fonte: RIA NOVOSTI 24/12/2004

Vladimir Simonov, observador da RIA "Novosti"

Os russos celebram o Natal como a festa mais alegre do ano.

Segundo o calendário gregoriano, o Natal é assinalado a 7 de Janeiro.
Mas no século da Internet e dos McDonalds, que surgiram aqui
praticamente por toda a parte, os ânimos festivos dominam a Rússia
nas mesmas datas que na Europa. A globalização como que aproxima as
festas de Natal ortodoxa e católica estimulando os russos a celebrar
tanto o 7 de Janeiro, como o 25 de Dezembro.

A Rússia volta hoje às cerimónias e tradições populares das festas de
Natal quase esquecidas nos tempos da União Soviética. A atracção
pelos velhos tempos e as suas raízes nacionais é mais notável no
interior do país, nas pequenas cidades e regiões agrícolas. A capital
está a copiar estas tradições como uma moda. Na noite de Natal, um
empresário bem sucedido de Moscovo ou São Petersburgo festeja o Natal
no seio da família e o principal prato não é o peru ocidental, mas
a "kutiá", que hoje está em voga.

A "kutiá" é uma pasta doce com passas, preparada de uma maneira
especial. Regra geral, na Rússia, a "kutiá" é servida nas refeições
em memória dos defuntos. Mas, segundo as antigas crenças eslavas,
Natal e o Ano Novo são um limiar entre o passado e o futuro, um tempo
quando tudo morre e começa a renascer. Por isso, na consciência
popular, o Natal esteve sempre ligado ao mundo do além, o mundo dos
antepassados. A ceia de Natal era vista como uma refeição em memória
dos mortos. O regresso da "kutiá" à mesa festiva é um tributo às
velhas tradições de Natal, que hoje renascem na Rússia.

Nas aldeias e pequenas cidades de província as pessoas saem novamente
para a rua na noite de Natal e chamam na escuridão: "Frio, Frio, anda
comer ´kutiá´!" ou "Urso, Urso, anda comer ´kutiá´!". A ceia de Natal
volta a adquirir o sentido antigo de diálogo ritual com a natureza,
com o outro mundo.

Uma verdadeira alegria reinava na Rússia nos doze dias que separam a
Festa de Natal do Dia da Teofania. No segundo dia depois de Natal o
melhor passatempo era cantar as Janeiras - o costume popular de
felicitar as pessoas nesta quadra festiva. Os jovens, vestindo
casacos de pele às avessas, com os rostos pintados de fuligem ou com
máscaras rústicas, visitavam os vizinhos cantando as Janeiras e
desejando-lhes saúde e prosperidade. Estes ofereciam doces aos
jovens, competindo em generosidade. O leitor ocidental reconhecerá
sem dificuldade neste costume sinais do Halloween, Dia das Bruxas,
quando as crianças pedem aos adultos "um truque ou uma iguaria".

É sintomático que, com a troca de gerações na Rússia, mudou a moda em
relação às personagens de máscaras de Natal. Em tempos, antes da
revolução, estavam em voga as máscaras de ciganos, judeus, mudos e,
simplesmente, de "pessoas horríveis". Mais tarde, na época soviética
com as bandeiras vermelhas e retratos de Lenine e Estaline, os
mascarados começaram a aparecer na Noite de Natal vestidos de forma
bastante contemporânea: de professor, de médico ou polícia. Deste
modo diminuía o risco de ser acusados pelas autoridades de propaganda
do "obscurantismo religioso".

Agora, as Janeiras ouvem-se novamente na Festa de Natal nas ruas das
aldeias e pequenas cidades da província. Frequentemente, entre os
mascarados podem-se ver personagens de figuras contemporâneas, por
exemplo, um "novo rico" envergando o tradicional casaco de cor de
framboesa com luxuosos fios e cruzes de ouro.

Segundo as crenças antigas, todos que durante as Festas de Natal usam
máscaras devem obrigatoriamente mergulhar nas águas geladas no Dia da
Teofania para se redimir dos pecados. Na Festa de Natal de 2004, os
visitantes dos parques de Moscovo, sem falar das zonas rurais do
país, poderão ver grupos de pessoas que tomam banho em rios ou lagos
cobertos de gelo.

Por outro lado, o período entre a Festa de Natal e o Dia da Teofania
(que coincide com o Dia de Reis no Ocidente)é considerado como um
tempo de caos, bastante perigoso para o homem. É uma encruzilhada em
que as pessoas podem dirigir-se em sentidos diferentes. É necessário
escolher um caminho certo para assegurar um bom futuro. Na Rússia diz-
se: "Como passas o Ano Novo, assim será o ano inteiro". Por isso era
costume no passado remexer trigo, contar dinheiro, organizar uma
refeição abundante, para que tudo fosse assim no ano futuro.

A tradição de adivinhações na Noite de Natal, que hoje entra
rapidamente em moda, também está ligada ao desejo de conhecer o
futuro.

Na próxima noite de Natal, milhares de russos irão deitar água fria
sobre um pires com cera derretida tentando ver nas formas complicadas
o que lhes espera no ano novo de 2005. Se aparecerem contornos de uma
casa, significa o bem-estar, se surgirem pequenos círculos em forma
de moedas - significa a riqueza e se forem figuras dee frutas ou
legumes - significa que serás todo o ano forte e saudável.

As jovens russas, com certeza, não perderão a oportunidade de
recorrer neste Natal à prática de adivinhações tão populares desde os
tempos antigos: com um velho sapato e um espelho. O sapato é lançado
fora, perto do portão da casa. O primeiro homem que pegar no sapato
será o noivo ou, na pior das hipóteses, terá o nome do futuro noivo.

Na tradição russa, a previsão do futuro com a ajuda dos espelhos era
considerada a mais fiável e ao mesmo tempo a mais perigosa. Segundo
as crenças, o nosso destino é determinado no outro mundo. Por isso a
previsão será profética se a pessoa conseguir entrar nesse mundo ou,
pelo menos, aproximar-se da sua fronteira. Um instrumento desta
aproximação é considerado o espelho rodeado de velas acesas para o
qual é necessário olhar fixamente. Preliminarmente, a mulher deve
soltar os cabelos e o homem - tirar o cinto e a cruz. Deste modo, a
pessoa como que renuncia às normas quotidianas e desinibe-se para se
preparar para o encontro se não com o demónio, mas com algo que está
longe da santidade.

Aquele que adivinha deve ver no espelho uma pessoa que desempenhará
um papel importante no seu destino. As avós russas advertem os jovens
inexperientes: só se pode olhar para o fantasma da cintura para cima.
Depois é necessário pôr rapidamente o espelho na mesa e dizer "Vá de
retro!". Um bom cristão deve recear que as forças místicas o dominem
e o arrastem para sempre para o outro mundo.

O renascimento das velhas tradições e ritos na Rússia atribui às
festas de Natal, tanto católica como ortodoxa, um especial colorido
nacional, como que impregna a quadra festiva com ânimos de
emancipação e liberdade espiritual. Nos tempos antigos, difíceis para
o país, os russos sentiam grande saudade de tudo isso.


10 - MENSAGENS AOS JOVENS REUNIDOS EM LISBOA, NO 27º ENCONTRO
PROMOVIDO PELA COMUNIDADE ECUMÊNICA DE TAIZÉ

Cidade do Vaticano, 28 dez (Rádio Vaticano) - Abertos a pessoas de
culturas diversas "para fazer do planeta uma sociedade sempre mais
fraterna". É o auspício que conclui a mensagem enviada por JPII aos
40 mil jovens que participam, em Lisboa, do 27º encontro de oração
animado pela Comunidade Ecumênica de Taizé, sobre o tema "Um futuro
de paz".

Além do Papa, também os líderes religiosos das outras confissões
cristãs enviaram mensagens ao encontro, iniciado esta manhã e que se
prolongará até o próximo sábado, dia 1º de janeiro.

No domingo, dia 2, os jovens europeus e a Comunidade de Taizé reunir-
se-ão no Mosteiro dos Jerônimos, na capital portuguesa, para a santa
missa presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, José da Cruz
Policarpo.

Para ser sólido, um cristão deve "retornar às fontes da fé para
descobrir a profundidade do mistério de Deus". O Papa é direto ao
indicar aos jovens de Taizé a estrada que leva a conhecer e a amar
verdadeiramente a Cristo, a servi-Lo na Igreja, a testemunhá-Lo no
mundo.

A experiência de vocês _ escreve JPII aos participantes do encontro _
se baseia na comunhão que é "o fundamento da paz interior e da
fraternidade". Com esse espírito _ conclui o Pontífice _ uma vez
retornados às suas casas, "tornem-se sempre mais agentes de paz e de
unidade".

"A cidade em que vocês se encontram, Lisboa, está aberta ao mundo.
Vocês, por sua vez, poderão estar abertos a seus irmãos de diferentes
culturas para fazer do planeta uma sociedade sempre mais fraterna."

Por sua vez, o Patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias,
Aleksej II, ressalta em sua mensagem o tema da identidade das
próprias raízes religiosas. O encontro de Taizé, observa ele, é
importante numa época "na qual vemos a sociedade ocidental,
infelizmente, distanciar-se sempre mais dos valores cristãos".

Que o encontro de vocês, afirma mais adiante Aleksej II em sua
mensagem, "recorde que o Cristianismo foi, permanece e será sempre um
fundamento da civilização européia".

Uníssona também a mensagem endereçada a Lisboa pelo Patriarca
ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I: "Vocês vieram confessar
numa única voz e traduzir nos fatos, que o Cristianismo ainda tem
muito a dizer ao mundo, revelar substância e sentido da vida".

"Quando retornarem às suas casas, que a potência do Espírito que nos
renova, doe a vocês a graça de ser sempre mais portadores da paz de
Deus no coração do nosso mundo tão agitado" _ diz por sua vez, o
Arcebispo de Cantuária, Dr. Rowan Williams, Primaz da Igreja
Anglicana. (RL)


11 - Biografias de fé da Rússia para o mundo

Fonte: Agência Ecclesia 29/12/2004

Mais de cem russos estão presentes em Lisboa, desde ontem, para o
Encontros Europeu de Jovens promovido pela Comunidade Taizé. Mais de
quatro dias de viagem foram precisos para trazer até ao nosso país
testemunhos únicos de fé.
Olga, uma das quatro russas que falou sobre "Ser cristão na Rússia,
ontem e hoje", refere à Agência ECCLESIA que "qualquer biografia de
fé é preciosa para os outros".
"Para mim é importante testemunhar a minha fé para permanecer fiel às
minhas raízes, para me lembrar do meu primeiro amor pelo
Cristianismo", acrescenta.
Olga e o seu marido foram apresentados como "velhos amigos de Taizé".
Conheceram a comunidade na primavera de 1989, através de um irmão que
esteve em Moscovo para organizar uma celebração ecuménica. Desde
então, têm vindo a caminhar em conjunto naquela que consideram ser
uma "parábola da comunidade de Cristo".
Diante de algumas dezenas de jovens, os quatro cristãos Ortodoxos
desfiaram as memórias das suas conversões – através de ícones, da
Bíblia ou da espiritualidade da grande literatura russa -, das
perseguições do regime comunista - que fieram milhares de mártires -
e das difíceis relações com o Catolicismo. Várias foram as perguntas
levantadas em torno da pobbilidade de João Paulo II visitar ou não a
Rússia.
"O problema está no facto de a identidade nacional da Rússia se
misturar muito com a Igreja Ortodoxa. Um político chegou a afirmar
que era Ortodoxo, porque era russo, mas não acreditava em Deus",
apontou Nicha, médico reformado. A tendência é de defender a
identidade nacional "ortodoxa" de uma maneira radical contra "as
outras identidades".
Os testemunhos russos apresentaram, contudo, um sinal de que o
ecumensmo está vivo, mesmo quando "anónimo". Do
Cristianismo "ocidental" herdaram a paixão do movimento "Fé e Luz",
que dedica uma atenção especial ao cuidado das crianças com
deficiência.
"Sem o testemunho dos nossos irmãos do Ocidente, as pessoas com
deficiência estariam ainda mais exluídas das nossas igrejas", aponta
Natasha.
O "Fé e Luz" começou ainda nos tempos do antigo regime comunista, com
reuniões secretas num apartamento, tentando fugir às atenções dos
vizinhos. Agora há liberdade religiosa, "mas a mudança de
mentalidades leva muitos mais anos", constataram todos.
Neste pequeno encontro com jovens de toda a Europa, foi a música que
uniu católicos, ortodoxos e protestantes num coro único. Taizé é isso
mesmo.

Octávio Carmo


12 - Os direitos humanos em segundo plano, um risco nas negociações
UE/Turquia

BRUXELAS, sexta-feira, 24 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- O
secretário-geral do Conselho das Conferências Episcopais da Europa
(CCEE), dom Aldo Giordano, considera autêntico o risco de que,
durante as negociações da entrada da Turquia na União Européia, as
questões estratégicas e econômicas releguem a um segundo plano a
valorização do respeito aos direitos humanos.

Assim se expressou em uma entrevista concedida a «Rádio Vaticano» na
quarta-feira passada, depois de que em 17 de dezembro Bruxelas
decidisse empreender em 3 de outubro de 2005 as negociações sobre o
eventual ingresso do país muçulmano na Europa dos 25.

O jornal católico italiano «Avvenire» já chamava a atenção do
ocorrido em 15 de dezembro no Parlamento Europeu em Estrasburgo, no
voto sobre a admissão da Turquia à negociação para o ingresso na UE.

À devida reclamação do respeito aos direitos humanos, uma emenda
proposta por um grupo de deputados pedia que se acrescentasse a
solicitação a fim de que Ancara confira imediatamente personalidade
jurídica às Igrejas cristãs presentes no país e suprima a Direção de
Assuntos Religiosos, órgão muito rígido encarregado do controle do
culto e de autorizar a construção de novos edifícios. Após o
escrutino em segredo, a emenda foi rejeitada.

O cardeal Roberto Tucci lamentava ao dia seguinte nos microfones da
emissora pontifícia que não se tivesse aprovado a petição de insistir
em que se dê reconhecimento jurídico às Igrejas cristãs presentes no
país: «Isto é um grave defeito no campo dos direitos humanos, de modo
particular pelo que respeita a liberdade religiosa», que «há que
reconhecer que é um direito que está na base de todos os demais
direitos», expressou.

«Se não há respeito da consciência mais íntima da pessoa humana e de
sua capacidade de expressar esta fé pública e comunitariamente, isto
é, em instituições, então verdadeiramente começam a cair os demais
direitos humanos --declarou--. Assim que creio que é muito importante
esclarecer à Turquia que deve dar passos adiante neste campo e, de
modo particular, na liberdade religiosa, que não é respeitada
perfeitamente neste Estado».

Talvez não todos os parlamentares europeus sabiam que os últimos que
sofreram recentemente esta situação na Turquia foram os ortodoxos,
sublinha o diário católico «Avvenire», que documentou a situação.

Informa de que não se lhes concede no país muçulmano --que bate às
portas da UE-- as permissões para a restauração da apresentação da
Virgem em Istambul, afetada no atentado ao consulado britânico.

Em 21 de novembro, o patriarca ecumênico de Constantinopla,
Bartolomeu I --«primus inter pares» da ortodoxia--,
denunciava: «Encontramo-nos sendo vítimas não só dos terroristas, mas
também das autoridades desta cidade e deste país. Exigimos só aquilo
que é um direito para todo cidadão e igualdade de trato».

Poucos dias depois, sem explicações, proibiu-se ao bispo de Mira a
celebração da Missa que cada ano acontecia em 6 de dezembro nas
ruínas do templo de São Nicolas em Mira, na Ásia Menor. E uma
sentença quase simultânea da Corte Suprema privou o patriarca dos
direitos de propriedade sobre um orfanato das ilhas dos Príncipes.
Tudo isto sucedeu a dois meses do veto do mesmo tribunal à
restituição do seminário teológico de Halki.

Alertando de que coisas assim estão na ordem do dia na Turquia, o
cardeal Tucci assinalava na emissora vaticana a necessidade de
que «se despertem» «nossos representantes» europeus, «porque também
pessoas que não têm a fé cristã creio que têm a sensibilidade, se são
verdadeiramente liberais, dos valores da liberdade religiosa, mas
parece que há uma grande timidez em requerer».

O purpurado constatou que «se dá tal importância aos outros fatores,
econômicos, políticos, militares etc., que os valores da liberdade
religiosa não são considerados», algo «muito perigoso» que «significa
que a Europa não consiga encontrar valores maiores» que os citados em
primeiro lugar.

Considerava na quarta-feira dom Giordano --também na emissora
pontifícia-- que os bispos europeus acolheram o anúncio do início de
negociações com a Turquia «sobretudo com a consciência de que a
adesão da Turquia à UE não é uma questão de ordem religiosa, mas
política», e a Igreja não se pronuncia sobre fórmulas políticas
específicas, ainda que vê com atenção o que sucede no terreno
político e «chama à sabedoria, à vigilância».

Perguntou-se ao secretário do CCEE se não existia o risco de que,
durante estas negociações, as questões estratégicas e econômicas
fizeram passar a um segundo plano os valores sobre o respeito dos
direitos humanos.

«Penso que isto é verdade --contestou--. A Igreja sente em particular
a responsabilidade de permanecer vigilante no campo dos direitos
humanos, e, portanto, a esperança é que a Turquia, como os demais
países, seja verdadeiramente um espaço onde se realizem e se
respeitem os direitos humanos».

Em sua opinião, o ponto importante aqui é a falta de referência às
raízes cristãs da Europa no Tratado firmado em Roma em 29 de
outubro: «O verdadeiro problema que se propõe» quanto à entrada da
Turquia na UE «é talvez a questão sobre nós mesmos», sublinhou dom
Giordano.

«Dois povos que têm uma identidade --e precisamente a identidade
européia não pode prescindir do cristianismo-- não têm temor de
discutir e são capazes de confrontar-se e de acolher. Uma realidade
sem identidade, obviamente, corre o risco de ir ao fracasso»,
alertou.

Recentemente o arcebispo Gioganni Lajolo --secretário das relações da
Santa Sé com os Estados-- declarou na rádio católica
portuguesa «Renascença» que, quanto a Turquia, «a Santa Sé pede só
que os interesses econômicos ou estratégicos não impulsionem à baixa
valorização da observância dos direitos humanos e o primeiro entre
todos, a liberdade de religião, cuja observância deve ser um ponto de
honra para todos os países europeus».

Praticamente a totalidade dos habitantes da Turquia --cerca de 70
milhões-- é muçulmana. No país, as comunidades religiosas não-
islâmicas carecem de qualquer reconhecimento jurídico oficial.


13 - Natal de esperança na Ucrânia. Mensagem do cardeal Lubomyr Husar

LVIV, sexta-feira, 24 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- O cardeal
Lubomyr Husar, arcebispo greco-católico de Lviv, convidou em sua
mensagem de Natal a fazer dos históricos momentos que a Ucrânia está
vivendo uma defesa da dignidade humana, pela qual Deus se fez homem.

«Os acontecimentos dos meses passados, quando milhares de pessoas de
toda Ucrânia, em um sinal de protesto ante a fraude nas eleições e as
mentiras que se converteram em um sinal de supressão de nossa
dignidade, saíram às ruas de suas cidades, testemunham que
compreenderam quem são ante os olhos de Deus e o que estão chamadas a
ser ante os olhos da comunidade global», afirma o purpurado em sua
carta.

«Muitos opinam que levantamos de nossos joelhos pregados e que com
toda gente que vive no território da Ucrânia emergiu uma nação
madura», acrescenta.

Após o segundo turno de 21 de novembro, a Ucrânia viveu protestos
cotidianos ante os resultados oficiais que haviam proclamado vencedor
o atual primeiro-ministro filo-russo Victor Yanukóvich.

Acolhendo os recursos apresentados pela oposição, liderada por Victor
Yúschenko, o Tribunal Supremo da Ucrânia anulou doze dias depois o
segundo turno das eleições porque «se cometeram falsificações» que
faziam «impossível determinar o resultado». A votação entre
Yanukóvich e Yúscenko se repetirá em 26 de dezembro.

«Muitos de nós se surpreenderão ante o pensamento de que o homem, que
é só uma criatura antes os olhos de Deus, é tão valioso que o Senhor
decidiu vir entre nós, aceitar nossa natureza humana, com todos seus
dons e debilidades, com a exceção do pecado», reconhece o cardeal
Husar.

«O Senhor nos ajudou a compreender na essência quem somos, quem somos
ante os olhos de Deus e qual é nossa dignidade», acrescenta.

Por este motivo, neste Natal, o purpurado católico de rito oriental
exorta a «agradecer de todo coração o Menino recém-nascido por este
grande dom [o da dignidade humana], que parece que não estimamos
plenamente», exorta.

A maioria da população da Ucrânia, ex-república soviética de mais de
47 milhões de habitantes, é ortodoxa. 13% são católicos, em boa parte
de rito oriental.


14 - NATAL SERÁ FESTA DISCRETA NO IRAQUE, POR MEDO DA VIOLÊNCIA

Bagdá, 23 dez (Rádio Vaticano) - Nada de festa coletiva de Natal para
a minoria cristã iraquiana: cerca de 700 mil pessoas em uma população
de 23 milhões de habitantes. Não serão celebradas missas de meia-
noite, em Bagdá, Mossul e outras cidades onde resistem pequenas e
cada vez mais assustadas comunidades católicas de rito caldeu.

Não serão acesos os tradicionais fogos da liturgia oriental no
patamar das igrejas na noite de Natal. Os fiéis este ano não cantarão
nem mesmo os hinos que acompanham a queima dos fogos, olhando para o
céu e exprimindo desejos. Neste tempo de frio e de medo, é pouco o
entusiasmo e a vontade de saber o que o ano novo trará.

"O que faremos no Natal?" _ responde ao telefone, da Nunciatura
Apostólica em Bagdá, Mons. Jean-François Lantheaume,
Secretário: "Depois do ataque, em Mossul, e dos atentados de Najaf e
Kerbala, que festa celebraremos? Não existe segurança, não podemos
celebrar a Missa do Galo porque à noite é perigoso sair de casa, e os
patriarcas cristãos decidiram não promover nem mesmo o habitual troca
de votos de natal, em protesto contra a onda de violência que não tem
poupado nem mosteiros nem igrejas."

A comunidade cristã iraquiana é sempre mais pessimista em relação ao
futuro: os sites na Internet das paróquias caldéias (religião cristã
majoritária no país), são um contínuo de notícias ruins. Mais de 100
cristãos foram mortos no último ano, não só em ataques
fundamentalistas sunitas, mas também em violências de extremistas
xiitas. (CM)


15 - Natal sem festa no Iraque

Fonte: Agência Ecclesia 27/12/2004

Igrejas vazias na Noite de Natal

Poucos cristãos iraquianos puderam participar da missa de Natal nas
igrejas iraquianas devido às difíceis condições de segurança. Segundo
a agência Zenit, a Missa do Galo não foi celebrada, em geral, porque
de noite a situação é mais perigosa e entra em vigor o recolher
obrigatório.
"Não há paz, não há segurança; todos estamos em perigo", afirmou D.
Shlemon Warduni, bispo auxiliar do Patriarcado caldeu em declarações
à Rádio Vaticano. O prelado explica que os cristãos
iraquianos "pediram ao Menino Jesus que nos dê a paz, a segurança de
viver".
Os cristãos de Bagdad, cujas igrejas têm sido as mais atingidas pelos
ataques terroristas este ano, prepararam as celebrações de Natal num
clima marcado pelo medo e a discrição, sem nenhum tipo de
manifestação exterior de festa. O Patriarca dos Caldeus, D. Emmanuel
Delly, cancelou as Missas da noite de 24 de Dezembro como "sinal de
protesto contra os ataques" que os cristãos têm sofrido.
Os chefes religiosos cristãos de Kirkuk, no Norte do Iraque, já
tinham revelado que o Natal de 2004 não será um tempo de festa para
os cristãos do país, ameaçados pelos constantes conflitos, a pobreza
e a crescente vaga de atentados contra igrejas e espaços das suas
comunidades.
No passado dia 8, o Papa condenou publicamente os atentados cometidos
no Iraque contra a minoria cristã, após a destruição de uma igreja
arménia-católica e do edifício do arcebispado caldeu.
O número de cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70%
fazem parte da Igreja Católica caldeia.
Cinco igrejas de Bagdad foram alvo de uma série de ataques
simultâneos a 19 de Outubro que não fizeram vítimas. A minoria cristã
já tinha sido alvo de actos de violência em Agosto, quando seis
atentados contra locais de culto cristãos causaram 10 mortos e 50
feridos em Bagdad e Mossul.
Nesse sentido, o diplomata do Vaticano. Mons. Jean François Lantome,
considera que os cristãos vivem "dias difíceis no Iraque" e mostra-se
preocupado com a onda crescente de "Cristianofobia" depois do início
da guerra.
O diplomata agora colocado em Lisboa, viveu os últimos três anos no
Iraque. Em declarações à Rádio Renascença, assegura que "a invasão no
Iraque gerou uma desordem em todos os aspectos".

Octávio Carmo


16 - Igrejas vazias na Noite de Natal iraquiana. Por causa das
condições de segurança

BAGDÁ, sábado, 25 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- Poucos cristãos
iraquianos puderam participar da missa de Natal nas igrejas
iraquianas devido às difíceis condições de segurança.

Segundo informaram fontes cristãs iraquianas a Zenit, nos templos em
geral não se celebrou a eucaristia na Noite Feliz, pois de noite a
situação se faz mais perigosa e entra em vigor o toque de recolher.

«Não há paz, não há segurança; todos estamos em perigo», afirmou dom
Shlemon Warduni, bispo auxiliar do patriarcado caldeu em declarações
a «Rádio Vaticano». Por este motivo, anunciou, só aconteceram orações
na manhã de Natal.

O prelado explica que os cristãos iraquianos pediram «ao Menino Jesus
que nos dê a paz; a nossas crianças, a segurança de viver».

«Ainda que temos uma situação terrível --não podeis imaginar como
vive o povo, pois agora não se confia em ninguém--, e as armas estão
por todos os lugares, nossas esperanças estão no Senhor, em vossas
orações e na ajuda que nos oferece o Santo Padre [João Paulo II],
alentando-nos e rezando por nós, e falando sempre em favor da paz e
dos direitos humanos no Iraque», concluiu o prelado.

Em 7 de dezembro dois atentados destruíram a igreja armênio-católica
de Mosul e o arcebispado caldeu dessa cidade. Formam parte de uma
série de ataques contra igrejas, que começou a inícios de agosto,
quando foram atingidas quatro igrejas em Bagdá e uma em Mosul. Nestes
ataques morreram numerosas dezenas de cristãos. Os atentados contra
casas de propriedades de cristãos no país já haviam começado antes.


17 - Cristãos iraquianos terão Natal de medo

Fonte: Missão Portas Abertas (UOL) 25/12/2004

Saiba mais sobre a Igreja Perseguida no Iraque

IRAQUE - Uma igreja planeja celebrar a Missa de Natal em uma sala de
aula próxima às ruínas do seu santuário, cujas paredes foram
derrubadas ou manchadas de negro pela explosão de uma bomba dois
meses atrás.

Uma outra igreja fechará os portões de acesso ao seu estacionamento
para se prevenir contra um outro carro-bomba como aquele que matou
vários fiéis no local em uma missa em agosto passado. De qualquer
forma, não se acredita que muita gente comparecerá à cerimônia
religiosa, já que os líderes das igrejas desencorajaram oficialmente
as celebrações e transferiram a tradicional missa da meia-noite para
a tarde.

Algumas poucas lojas exibem papais-noéis infláveis em suas portas,
mas as vendas de árvores de Natal são poucas. As tradicionais visitas
aos parentes serão substituídas por telefonemas e e-mails para entes
queridos na Jordânia, Síria, Canadá e Estados Unidos.

Para os cristãos iraquianos, este será um Natal de medo.

"Muita, muita gente está partindo, e outros estão se preparando para
partir", diz Ablahad Peter, um ex-diretor de escola de segundo grau e
membro da Igreja Caldéia de São Pedro e São Paulo, ao sul de Bagdá.

Peter, 60, é um dos poucos membros da sua família que ficaram no
Iraque. Um filho adulto fugiu em meio aos perigos e ao caos que
tomaram conta do país após a invasão norte-americana em março de
2003. Um outro partiu há dois meses, após o atentado a bomba de
agosto contra a igreja. Uma irmã também fugiu da guerra. E uma outra
irmã e um irmão deixaram o país há anos.

Eles se comunicam por telefone, e-mail e grupos de discussão pela
Internet. Ele dá aulas na igreja, mas a maior parte das disciplinas
foi cancelada após o ataque a bomba. São poucos os dispostos a se
arriscarem em meio a uma multidão no local, ou a trazerem os filhos.

O número estimado de cristãos no Iraque é de algo entre 600 mil e um
milhão, uma pequena fração da população do país, que é de 27 milhões
de habitantes. Eles afirmam que fazem seus cultos aqui desde a época
de Jesus, e que seus ancestrais remontam à Mesopotâmia. No decorrer
do século 20, os cristãos tiveram influência no comércio e no governo.

Até recentemente, o Natal e o Ano Novo eram comemorados
entusiasticamente no Iraque. Árvores de Natal eram vendidas nas ruas
e papais-noéis de pano eram colocados nas vitrines das lojas. Beba
Noel - o nome local para Papai-Noel - é uma figura familiar entre as
crianças iraquianas. Os muçulmanos freqüentemente participam das
festividades, comprando suas próprias árvores de Natal e celebrando
com os cristãos em uma cidade que no passado tinha uma forte cultura
festiva apoiada por restaurantes, hotéis e clubes sociais.

O Natal de 2003 foi tenso. Cristãos foram seqüestrados por dinheiro,
assassinados por cooperarem com as tropas dos Estados Unidos, e
bombardeados em lojas de bebidas por fundamentalistas muçulmanos.

Na véspera do Ano Novo, vários cristãos foram mortos ou feridos em um
ataque com um carro-bomba em um restaurante italiano cheio de pessoas
que festejavam o feriado.

Mais recentemente, em 1º de agosto, cinco igrejas de Bagdá e uma na
cidade de Mosul, no norte do país, foram alvos de bombas durante uma
missa celebrada à tarde, que mataram 12 pessoas. Em 17 de outubro,
cinco igrejas de Bagdá foram atingidas por bombas antes do alvorecer,
quando a maior parte delas estava vazia.

Os cristãos, que freqüentemente contam com mais dinheiro e contatos
ocidentais do que os seus vizinhos muçulmanos, emigraram em grandes
levas do Iraque desde as sanções econômicas dos anos 90. Tanto
cristãos quanto muçulmanos fugiram em grande número da criminalidade
e do terrorismo que tomaram conta do país nos últimos 20 meses.

Um porta-voz do Ministério Iraquiano de Mudança de Domicílios disse
que não há estatísticas relativas à emigração cristã. Mas Yonadam
Kanna, membro do Conselho Nacional Iraquiano, apoiado pelos Estados
Unidos, e líder de um partido político cristão, estima que 20 mil
cristãos deixaram o Iraque e que talvez 50 mil trocaram Bagdá por
áreas mais seguras no país. Outras estimativas sobre a fuga de
cristãos são bem mais elevadas e parecem plausíveis. A maior parte
dos cristãos é capaz de citar vários parentes que partiram.

No bairro que fica atrás da Igreja Católica Grega de São Jorge, que
foi destruída por uma bomba em outubro, os moradores dizem que seis
famílias cristãs se mudaram após o ataque.

Nabil Jameel, 40, tem dois irmãos que se mudaram para a Grécia após a
invasão norte-americana e um outro que foi para a Síria após a igreja
ter sido bombardeada, embora ele, como vários outros, diga que não
quer deixar a sua terra para trás.

"O meu irmão vendeu tudo e partiu", disse Jameel. "Eu não seria capaz
de viver fora do Iraque".

Os vendedores de árvores de Natal - geralmente muçulmanos - dizem que
os negócios estão devagar em Bagdá neste ano. Nesta semana, em uma
rua movimentada, sentia-se o cheiro de cem pinheiros recém-cortados
que esperavam compradores, mas Sa"ad Isho Gaznakhi, 31, era o único
que podia ser visto.

Ele disse que vários amigos optaram pelas árvores artificiais neste
ano porque as naturais, que custam até US$ 10, são difíceis de
esconder ao serem transportadas para casa. Gaznakhi, um eletricista,
cancelou o ritual tradicional de trazer a mulher e o filho para
escolherem a árvore e veio sozinho, Quando ele examinava a
mercadoria, um policial em uma barreira de segurança a poucos metros
disparou um tiro de advertência para o ar a fim de parar um táxi
suspeito.

Ele disse que provavelmente não vai colocar a família em risco
levando-a para visitar os parentes, como costumava fazer. Mas
planejou comprar um presente para o filho e colocou uma árvore sobre
o ombro a fim de levá-la para casa na sua bicicleta.

"Se a minha mulher não gostar da árvore, terei de trazê-la de volta",
afirmou, preparando-se para a perigosa jornada pelo trânsito da
cidade.


18 - Cristãos do Iraque cancelam as missas e festas de Natal

Fonte: O Estado de São Paulo 23/12/2004

Bagdá - Basman Sabah não sente o espírito natalino. Ele ficará em
casa e evitará a missa. A maioria de seus amigos e parentes fugiu do
país. Ele nem comprou uma árvore. "Não há mais sentimento de festa
aqui", diz o engenheiro elétrico de 27 anos. Para os cristãos
iraquianos, este será um Natal sombrio. A ditadura de Saddam Hussein
não perseguia o cristianismo, embora maltratasse diversas outras
minorias religiosas. Mas, desde a invasão americana, radicais
islâmicos vêm atacando igrejas regularmente.

Como resultado, a comunidade cristã de 700.000 iraquianos cancelou as
festas neste ano. As igrejas já anunciaram que a tradicional missa da
véspera de Natal não ocorrerá, sendo substituída por orações
matinais. As festas nas paróquias também não existirão.

Hotéis e lojas em áreas habitadas por cristãos, como o distrito de
Karada, em Bagdá, não adotaram as costumeiras decorações de
Natal. "Não é tristeza que sentimos. Tristeza é uma coisa que se
sente a respeito de algo que acabou", diz o padre católico Bashar
Matti. "É dor que sentimos, dor profunda por esse triste estado de
coisas que continua". AP


19 - Papa pede o fim dos conflitos no Iraque

Do Correio Braziliense

26/12/2004
12h35 - O papa João Paulo II manifestou neste sábado preocupação com
o futuro do Iraque, do Oriente Médio e da África durante seu discurso
pronunciado antes da tradicional bênção urbi et orbi (para a cidade e
o mundo), no Vaticano. Na noite de sexta-feira, ele fez questão de
celebrar a Missa do Galo, na Basílica de São Pedro, apesar do frágil
estado de saúde e das dificuldades para falar, conseqüências do mal
de Parkinson. Este ano, as mensagens de Natal estiveram entre as mais
curtas dos 26 anos de papado de Karol Wojtyla.

''Com grande apreensão, acompanho os acontecimentos do Iraque. E como
não olhar com ânsia compartilhada, mas também com uma confiança
inquebrantável, para a terra da qual (Cristo) é filho?'', afirmou
ontem o pontífice, de 84 anos, na Praça de São Pedro, referindo-se à
Terra Santa. ''Que se apaguem tantos focos de tensão que correm o
risco de resultar em conflitos abertos. Que se consolide a vontade de
buscar soluções pacíficas, respeitosas das legítimas aspirações dos
homens e dos povos'', acrescentou.

João Paulo II pronunciou seus desejos de paz e de feliz Natal em 62
idiomas. No começo da cerimônia, quando chegou à praça em seu
papamóvel, ele foi saudado por milhares de pessoas que gritavam e
agitavam bandeiras. O papa leu o discurso com dificuldade, fazendo
pausas mais longas para respirar. Por vezes, a voz ficava mais
fraca. ''Penso na África, na tragédia de Darfur no Sudão, na Costa do
Marfim e na região dos Grandes Lagos'', destacou, lembrando-se dos
conflitos que ocorrem na África.

A mensagem foi lida a poucos metros de um presépio em tamanho natural
montado na Praça de São Pedro, onde os peregrinos enfrentaram o mau
tempo com guarda-chuvas. ''Ante o presépio onde descansas indefeso,
que cessem tantas formas de violência crescente, causas de sofrimento
impronunciável'', afirmou. ''Que se apaguem tantos focos de tensão,
os quais correm risco de se transformar em conflitos abertos.''

Homilia
Mais cedo, o pontífice também rezou pela paz durante a Missa do Galo,
transmitida ao vivo para 72 países. Vestido de branco e dourado,
chegou à basílica em uma cadeira de rodas, benzendo os fiéis, os
embaixadores credenciados na Santa Sé, os cardeais, os sacerdotes, os
representantes de 150 governos e vários religiosos presentes. A
homilia pronunciada para dez mil fiéis foi curta - apenas oito
parágrafos.

João Paulo II sorriu no momento em que um grupo de crianças, de duas
em duas, se aproximou de seu trono para oferecer-lhe flores e
presentes. O papa esticou o braço para fazer o sinal da cruz na testa
de cada um. Durante a cerimônia, o pontífice deu a primeira comunhão
a cerca de 30 fiéis e 12 crianças vindas do Peru, do Congo, da
Guatemala, Coréia, Austrália e Itália.

Na homilia, ele implorou para que a Terra Santa ''conheça tempos de
prosperidade e de convivência pacífica no respeito recíproco de seus
habitantes''. E pediu em oração a Cristo: ''Fica conosco. Toda a
humanidade, marcada por tantas dificuldades, precisa de sua presença.
Lembre-se de nós, filho eterno de Deus, que encarnou no seio da
Virgem Maria. Fica conosco, pão vivo descido do céu para nossa
salvação. Fica conosco para sempre.''

Outra oração foi consagrada aos governantes das nações e os
responsáveis das organizações internacionais, para que ''se
comprometam a fundo a estabelecer a paz no mundo''. O papa e os fiéis
rezaram pelo respeito aos ''meninos de rua, enfermos e abandonados''.


20 - LÍDER CRISTÃO COPTA PÕE FIM À SUA RECLUSÃO VOLUNTÁRIA, PELA
LIBERTAÇÃO DE CRISTÃOS

Cairo, 23 dez (Rádio Vaticano) - O líder copta, Shenuda III, decidiu
pôr fim à sua reclusão voluntária em um mosteiro. A decisão foi
tomada depois que recebeu promessas do governo, de que se resolverá a
crise aberta após as detenções de cristãos, no dia 8 de dezembro.

Fontes do Episcopado cristão copta no Cairo confirmaram que Shenuda
III decidiu retornar à vida pública, depois que as autoridades
políticas prometeram que buscariam uma solução satisfatória para o
impasse das detenções.

Shenuda III havia decidido enclausurar-se há quase duas semanas,
depois da detenção de 35 cristãos coptas, em um confronto com a
policia, em frente à Catedral do Cairo. Eles protestavam contra o
seqüestro de um mulher cristã por parte de muçulmanos. (BF)


NOTÍCIA DO BRASIL

21 - Romaria Maronita ao Santuário de Aparecida

Fonte : Catolicanet

Aparecida (SP), 7/12/2004 - 07:49

O reitor do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, Pe.
Joércio Gonçalves Pereira, acolheu neste sábado, 04 de dezembro, o
bispo Dom Joseph Mahfouz, OLM, que celebrou a Missa das 10h, no RITO
MARONITA.

Sob a coordenação de dom Joseph, a primeira Romaria da Igreja
Maronita do Brasil reuniu dezenas de fiéis, padres e diáconos no
Santuário de Aparecida, com uma motivação especial.

Como neste ano, estamos comemorando o centenário da coroação de Nossa
Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, (1904 - 2004) e, por
coincidência o Líbano também celebra neste ano o centenário de sua
Padroeira, Nossa Senhora do Líbano, em Harissa, Dom Raymundo
Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida (SP), e o padre Joércio
Gonçalves Pereira, reitor do Santuário, convidaram a Igreja Maronita
do Brasil para participar desse momento histórico.

"Não foi apenas com muito prazer que atendemos ao convite de Sua
Excelência o Arcebispo e do Reverendíssimo Padre Reitor, mas como uma
oportunidade de merecermos, com filial gratidão, as graças que Deus
com certeza nos dará, tanto para nós, como para o nosso querido
Líbano. Portanto, neste ato religioso celebraremos as glórias de
nossa Querida Mãe celeste, com o duplo título de Padroeira do Brasil
e do Líbano", comentou Dom Joseph, antes da celebração.

Um Maronita é um cristão católico, apostólico, romano do rito
oriental, pois o maronitismo nasceu no Oriente graças a um eremita
chamado Maron, falecido no ano de 410, hoje São Maron, padroeiro da
Igreja Maronita. Por isso, os discípulos de São Maron são chamados
maronitas. Os Maronitas foram os defensores da doutrina da Igreja de
Cristo, definida no Concílio de Calcedônia no ano de 451. Esta
doutrina afirmava que Nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiro Deus e
verdadeiro homem.

A Igreja Maronita, além de ser Católica, apostólica, romana desde o
início, tem a honra de ter como língua litúrgica, o aramaico ou o
siríaco: língua falada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando
recitamos o Pai-nosso usamos as mesmas palavras pronunciadas por
Nosso Senhor Jesus Cristo. O mesmo acontece na Santa Missa: as
palavras da consagração do pão e do vinho, são pronunciadas na mesma
língua que Jesus usou na última Ceia, véspera de sua Paixão e Morte.

Hoje a Igreja Maronita se encontra no Oriente e no Ocidente. No
Oriente: no Líbano, na Síria, em Chipre, no Egito, em Israel, na
Jordânia. Desde 1860, os maronitas libaneses espalharam-se nos cinco
continentes: há Bispados maronitas no Brasil (o primeiro fora do
Oriente), nos Estados Unidos da América, na Austrália, no Canadá, na
Argentina, na Europa e no México. Os descendentes dos pais e avós
maronitas, católicos, apostólicos, romanos e pertencem ao Bispado
Maronita do Brasil, cuja sede está na Rua Tamandaré, 355, bairro da
Liberdade, em São Paulo (SP).

Para conheça melhor o Rito Maronita, visite o site:
www.igrejamaronita.org.br


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