BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 15 -
29 de dezembro de 2004
MENSAGEM
Prezados
Irmãos em Cristo,
Hoje peço
uma oração pelas vítimas do Maremoto na Ásia, que a
solidariedade
internacional seja capaz de reduzir um pouco o
sofrimento
daquelas pessoas.
Desejo
aos leitores deste Boletim um excelente Ano de 2005, abençoado
pelo
Nosso Senhor Jesus Cristo.
Saudações
Fraternais,
Luis
Felipe
e-mail: [email protected]
ÍNDICE
1 -
Protagonismo ortodoxo
2 - Um
"wojtyliano" em Atenas
3 - A
entrega das relíquias
4 -
Ratzinger: "A Igreja não pode se reconhecer na
categoria
`Ocidental'"
5 - Novos
Embaixadores do Iraque e Irã junto à Santa Sé
6 -
IRAQUE - A fuga dos cristãos
7 -
KOSOVO - Mosteiros sempre sob assédio
8 - VOTOS
DE FELIZ NATAL AO PAPA: DO PATRIARCA ORTODOXO RUSSO E DO
PRESIDENTE
DA ITÁLIA
9 -
COMENTÁRIO - OS RUSSOS LEMBRAM-SE DAS ANTIGAS TRADIÇÕES DA FESTA
DE NATAL
10 -
MENSAGENS AOS JOVENS REUNIDOS EM LISBOA, NO 27º ENCONTRO
PROMOVIDO
PELA COMUNIDADE ECUMÊNICA DE TAIZÉ
11 -
Biografias de fé da Rússia para o mundo
12 - Os
direitos humanos em segundo plano, um risco nas negociações
UE/Turquia
13 -
Natal de esperança na Ucrânia. Mensagem do cardeal Lubomyr Husar
14 -
NATAL SERÁ FESTA DISCRETA NO IRAQUE, POR MEDO DA VIOLÊNCIA
15 -
Natal sem festa no Iraque
16 -
Igrejas vazias na Noite de Natal iraquiana. Por causa das
condições
de segurança
17 -
Cristãos iraquianos terão Natal de medo
18 -
Cristãos do Iraque cancelam as missas e festas de Natal
19 - Papa
pede o fim dos conflitos no Iraque
20 -
LÍDER CRISTÃO COPTA PÕE FIM À SUA RECLUSÃO VOLUNTÁRIA, PELA
LIBERTAÇÃO
DE CRISTÃOS
21 -
Romaria Maronita ao Santuário de Aparecida
NOTÍCIAS
INTERNACIONAIS
1 -
Protagonismo ortodoxo
Fonte:
Revista 30 Dias - Novembro de 2004
PERSONAGENS.
Encontro com o primaz da Igreja da Grécia
Ele
reafirma que "a Igreja ortodoxa é uma Igreja da Tradição". Mas
suas
batalhas insistem sobretudo na relevância pública da cultura
cristã e
na defesa das raízes cristãs da civilização européia. Em
plena sintonia
com as linhas-mestras do pontificado atual.
Entrevista
com o arcebispo de Atenas, Christodoulos
Dizem que
se ele se apresentasse às eleições políticas receberia uma
avalanche
de votos. Sua veemência como tribuno que discursa para
multidões
parece agradar ao novo orgulho helênico que ainda sopra
sobre
toda a Grécia, depois do triunfo na Copa Européia de futebol e
das
extremamente bem-sucedidas Olimpíadas. No entanto, no início de
outubro,
uma votação entre seus colegas metropolitas do Sínodo
Ortodoxo,
com resultado inequívoco (42 votos contra 15), adiou por
tempo
indeterminado a data da viagem que sua beatitude Christodoulos,
arcebispo
de Atenas e primaz da Igreja Ortodoxa da Grécia, gostaria
de fazer
a Roma para encontrar o Papa e rezar sobre os túmulos dos
apóstolos.
Visita cancelada quando já estava tudo pronto e até a
Pontifícia
Universidade Lateranense já havia preparado para ele uma
láurea
honoris causa.
Sessenta
e cinco anos, arcebispo de Atenas desde 1998, Christodoulos
teria
sido o primeiro chefe da Igreja da Grécia a visitar a Cidade
Eterna
desde os tempos do Cisma do Oriente. O abandono forçado
permite
vislumbrar pulsões e conflitos perceptíveis nas Igrejas
ortodoxas,
num momento em que as relações entre a Ortodoxia e a Sé de
Roma
parecem atravessadas por uma inquieta e positiva espera de
novidade.
A
entrevista que segue, colhida em parte durante a audiência
concedida
por um febril Christodoulos a um grupo de jornalistas
italianos
em 20 de outubro passado, tem como ponto de partida a
viagem
cancelada a Roma do chefe dos ortodoxos da Grécia.
Segue o
link para a íntegra da entrevista:
http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=6000
2 - Um
"wojtyliano" em Atenas
Fonte:
Revista 30 Dias - Novembro de 2004
Christodoulos
visto de perto
de Gianni
Valente
Nascido
em 1939, em Xhánthi, de uma família de desabrigados
provenientes
da Trácia Oriental, depois da troca de populações entre
Grécia e
Turquia ocorrida em 1924, Christodoulos Paraskevaides
estudou
no colégio Leonteion, de Atenas, mantido pela congregação
católica
dos Irmãos Maristas, para depois conseguir o diploma em
Teologia
e o doutorado em Direito Canônico. Monge desde o início da
década de
1960, desde jovem compartilhou com um grupo de pessoas de
sua
idade, no mosteiro de Barlaam, em Meteora, a experiência de um
monaquismo
missionário e atento aos problemas sociais. Eleito bispo
metropolita
de Demétrias com apenas 35 anos, tornou-se conhecido como
pregador
impetuoso, líder adorado pelos jovens, animador de projetos
sociais.
Desde abril de 1998, quando foi eleito com largo consenso
arcebispo
de Atenas, vem marcando profundamente, com seu
estilo
"decisionista", a imagem pública da Igreja Ortodoxa e sua
relação
com a sociedade grega. Opina sempre sobre os temas do debate
público,
em defesa dos valores morais, multiplicando as aparições na
televisão,
sem fugir de conflitos e polêmicas com os ambientes
políticos.
Dobrou os comitês do Sínodo, instituindo doze novos,
dedicados
a questões da atualidade (bioética, assuntos europeus,
ecologia,
etc.); abriu um escritório de representação da Igreja grega
junto à
União Européia, em Bruxelas, dirigido pelo bispo Athanásios;
deu vida
à Organização "Solidariedade", para coordenar as iniciativas
assistenciais
da Igreja grega no exterior. Graças a essas
iniciativas,
leva adiante com energia e zelo sua estratégia para
combater
a marginalização da Igreja e reafirmar sua influência como
força que
impulsiona a sociedade grega. Uma batalha que conduz também
com
instrumentos e táticas modernas, recorrendo às vezes a gírias e
ares de
cumplicidade com o mundo juvenil e valorizando os movimentos
e
confrarias pietistas tradicionalmente malvistos pela hierarquia. Um
programa
que, pela agenda dos termos tratados (por exemplo, a
insistência
nas raízes cristãs da Europa) e pelas formas de
realização,
mostra interessantes afinidades com os clichês do
pontificado
de Wojtyla.
Nos meses
passados, a veia competitiva de Christodoulos aflorou
também na
querela que opôs a Igreja da Grécia ao Patriarcado
Ecumênico
de Constantinopla, a respeito do direito e das formas de
nomeação
dos bispos das 36 dioceses gregas dos "novos territórios"
(Trácia e
regiões do nordeste), que dependem canonicamente de
Constantinopla
e, do ponto de vista pastoral e administrativo, de
Atenas. A
crise se revolveu com um compromisso formal no final do
primeiro
semestre de 2004, graças também à mediação do governo grego.
Mas, no
Sínodo da Igreja da Grécia, o quase-cisma com a Igreja-mãe de
Constantinopla
alimentou mal-estares e reservas contra o protagonismo
de
Christodoulos. O voto sinodal que impediu sua viagem a Roma se
explica
também por isso.
3 - A
entrega das relíquias
Fonte:
Revista 30 Dias - Novembro de 2004
Sábado 27
de novembro, na Basílica Vaticana, foi realizada uma
celebração
ecumênica durante a qual João Paulo II entregou a
Bartolomeu
I uma parte das relíquias, veneradas há séculos na
Basílica
de São Pedro, dos Santos Gregório de Nazianzo e João
Crisóstomo,
bispos de Constantinopla e doutores da Igreja. Durante a
celebração,
junto com os cantos em grego, latim e italiano, entre as
leituras
bíblicas e patrísticas, foi lida a poesia A Cristo de
Gregório
de Nazianzo, que apresentamos abaixo: "Que tirania é esta? /
Vim para
a vida – bem –, / mas por que ela me agita com suas
violentas
marés? / Quero dizer uma palavra audaz, sim audaz, mas
quero
dizê-la: / se não fosse teu, ó meu Cristo, que injustiça! /
Nascemos,
deperecemos e chegamos ao final. / Durmo, repouso, estou
acordado,
caminho. / Estamos ou doentes, ou sãos, / ou entre os
prazeres,
ou entre os afãs. / Participamos às estações solares e aos
frutos da
terra. / Morremos e nossa carne apodrece: / este é o
destino
dos animais, / que, por mais ignóbeis, não têm culpa. / Então
o que
tenho mais que eles? / Nada a não ser Deus: / se não fosse teu,
ó meu
Cristo, que injustiça!".
4 -
Ratzinger: "A Igreja não pode se reconhecer na
categoria
`Ocidental'"
Fonte:
Revista 30 Dias - Novembro de 2004
"Substancialmente,
a Igreja não pode se reconhecer na
categoria
`Ocidental'. Seria equivocado histórica, empírica e
teologicamente.
Historicamente, sabemos que o cristianismo nasceu do
cruzamento
da Europa, Ásia e África, e isso indica também algo da sua
essência
interna [...]. No seu início, a expansão do cristianismo
dirigia-se
do mesmo modo para o Oriente, rumo à China, Índia, Pérsia
e Arábia
e ao Ocidente. Infelizmente, depois no nascimento do Islã,
grande
parte desta cristandade oriental desapareceu. Mas não
completamente,
pois existem elementos desta cristandade histórica que
testemunham
a sua universalidade, e mesmo a cristandade européia
divide-se
em ocidental e oriental [...]. De modo empírico, não só
temos
esta grande herança histórica, mas o cristianismo está
presente,
com minorias de força espiritual reconhecida, em todos os
continentes.
O eixo da cristandade desloca-se cada vez mais para os
novos
continentes, rumo à África, Ásia, América Latina. A Europa
ainda é
uma fonte essencial para o desenvolvimento do cristianismo,
todavia,
começa a isolar-se justamente com a discussão sobre a sua
identidade.
Teologicamente, pois a Igreja, pela sua essência, deveria
transcender
as culturas, ser o fato de que não está ligada a uma
cultura
determinada, mas que ajuda o êxodo da prisão de uma cultura e
a
comunicação das culturas". Palavras do cardeal Joseph Ratzinger,
prefeito
da Congregação para a Doutrina da Fé, no decorrer de um
encontro-diálogo
com o professor Ernesto Galli della Loggia,
realizado
no Palácio Colonna, em Roma, no dia 25 de outubro de 2004.
O debate
foi moderado pelo engenheiro Gaetano Rebecchini, presidente
do Centro
de Orientação Política, a fundação que organizou o evento.
5 - Novos
Embaixadores do Iraque e Irã junto à Santa Sé
Fonte:
Revista 30 Dias - Novembro de 2004
No dia 29
de outubro Mohammad Javad Faridzade, novo embaixador do Irã
junto à
Santa Sé, entregou suas cartas credenciais ao Papa. O
representante
de Teerã tem 51 anos, estudou Direito e Literatura em
seu país
e Filosofia na Alemanha, e no último triênio foi
representante
particular do presidente da República para as questões
culturais
e políticas internacionais. No seu discurso, o Papa disse,
entre
outras coisas: "A Santa Sé conta com o apoio das Autoridades
iranianas
para consentir aos fiéis da Igreja Católica presentes no
Irã,
assim como aos outros cristãos, a liberdade de professar a sua
religião
e para favorecer o reconhecimento da personalidade jurídica
das
instituições eclesiásticas...". Por sua vez, o novo embaixador
iraniano
disse: "Os pensadores religiosos, baseando-se nos Livros
Sagrados,
podem não só adquirir uma profunda compreensão dos direitos
humanos,
mas podem até mesmo explicar suas causas teológicas e
teosóficas".
Fato incomum, de ambos discursos, do Papa e do diplomata
iraniano,
o L'Osservatore Romano (30 de outubro) publicou a tradução
em
italiano.
No dia 15
de novembro foi a vez do novo embaixador do Iraque. Trata-
se de
Albert Edward Ismail Yelda, cristão da antiga Igreja Assíria,
45 anos,
que se dedicou à consultoria legal e projetos de assistência
para os
imigrantes iraquianos em Londres de 1987 a 2003. No seu
discurso,
o Papa disse, entre outras coisas: "Que o seu governo
trabalhe
incansavelmente para resolver as contendas e os conflitos,
através do
diálogo e das negociações, e que só lance mão da força
militar
como último recurso". No dia 4 de novembro o Papa tinha
recebido
também o primeiro ministro iraquiano Ayad Allawi.
6 -
IRAQUE - A fuga dos cristãos
Fonte:
Revista 30 Dias - Novembro de 2004
"Seria
pelo menos paradoxal que sob o amparo de George W. Bush, o
qual não
começa um Conselho de Ministros sem uma oração,
desaparecesse
uma das mais antigas comunidades cristãs do Oriente"
Conclusão
de um artigo do Le Figaro de Paris (29 de novembro)
dedicado
à inquietadora fuga dos cristãos do Iraque depois de Saddam.
7 -
KOSOVO - Mosteiros sempre sob assédio
Fonte:
Revista 30 Dias - Novembro de 2004
No dia 13
de outubro, foi apresentado em Roma o documentário Enclave
Kosovo,
de Elisabetta Valgiusti, iniciativa proposta pela
associação
"Salva os mosteiros" (site internet
http://www.salvaimonasteri.org ).
Participaram, entre outros, o
cardeal
Tomás Spidlík, o embaixador da Sérvia e Montenegro junto à
Santa Sé,
Darko Tanaskovic, os políticos Gustavo Selva (Alleanza
Nazionale,
presidente da Comissão do Exterior da Câmara dos
Deputados)
e Luana Zanella (Verdi-Ulivo) e a professora Marie-Paule
Roudil,
francesa, diretora do Departamento da Unesco de Veneza
responsável
pelos Bálcãs. Estavam também presentes os padres Sava e
Xenofon
do mosteiro ortodoxo de Decani, e monsenhor Miguel Maury
Buendía,
encarregado, há pouco tempo, pelos assuntos dos Bálcãs na
Secretaria
de Estado. O documentário em questão é um afresco
impressionante
da sistemática destruição dos mosteiros ortodoxos
presentes
na província da ex-Iugoslávia atualmente administrada pela
ONU.
Apenas em março deste ano, 35 entre mosteiros e conventos foram
devastados
pelos extremistas albaneses.
8 - VOTOS
DE FELIZ NATAL AO PAPA: DO PATRIARCA ORTODOXO RUSSO E DO
PRESIDENTE
DA ITÁLIA
Roma, 24
dez (Rádio Vaticano) - As agências de notícias informam que
o
Patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias, Aleksej II,
enviou
uma mensagem ao Pontífice, com calorosas felicitações pelo
Natal,
que as Igrejas orientais _ seguindo o calendário juliano _
festejarão
no dia 7 de janeiro.
"Desejo
dirigir-lhe de todo o coração as mais fervorosas felicitações
pela
luminosa festa do Natal" _ escreve Aleksej II.
"Elevo
minhas preces _ prossegue o Patriarca ortodoxo _ a fim de que
a alegria
do Natal esteja com você e Cristo recém-nascido lhe seja
próximo
na solene celebração" desta noite.
Por sua
vez, na mensagem de felicitações natalinas enviadas ao
Pontífice,
o Presidente da República italiana, Carlo Azeglio Ciampi,
ressalta
que o Natal é "uma ocasião de paz e um tempo de reflexão:
também
como aspecto determinante da identidade européia".
O Natal,
observa ainda o Presidente Ciampi, "oferece a oportunidade
para
meditar sobre a indispensabilidade de uma Europa capaz de
perseguir
objetivos de conciliação e de progresso". (RL)
9 -
COMENTÁRIO - OS RUSSOS LEMBRAM-SE DAS ANTIGAS TRADIÇÕES DA FESTA
DE NATAL
Fonte:
RIA NOVOSTI 24/12/2004
Vladimir
Simonov, observador da RIA "Novosti"
Os russos
celebram o Natal como a festa mais alegre do ano.
Segundo o
calendário gregoriano, o Natal é assinalado a 7 de Janeiro.
Mas no
século da Internet e dos McDonalds, que surgiram aqui
praticamente
por toda a parte, os ânimos festivos dominam a Rússia
nas
mesmas datas que na Europa. A globalização como que aproxima as
festas de
Natal ortodoxa e católica estimulando os russos a celebrar
tanto o 7
de Janeiro, como o 25 de Dezembro.
A Rússia
volta hoje às cerimónias e tradições populares das festas de
Natal
quase esquecidas nos tempos da União Soviética. A atracção
pelos
velhos tempos e as suas raízes nacionais é mais notável no
interior
do país, nas pequenas cidades e regiões agrícolas. A capital
está a
copiar estas tradições como uma moda. Na noite de Natal, um
empresário
bem sucedido de Moscovo ou São Petersburgo festeja o Natal
no seio
da família e o principal prato não é o peru ocidental, mas
a
"kutiá", que hoje está em voga.
A
"kutiá" é uma pasta doce com passas, preparada de uma maneira
especial.
Regra geral, na Rússia, a "kutiá" é servida nas refeições
em
memória dos defuntos. Mas, segundo as antigas crenças eslavas,
Natal e o
Ano Novo são um limiar entre o passado e o futuro, um tempo
quando
tudo morre e começa a renascer. Por isso, na consciência
popular,
o Natal esteve sempre ligado ao mundo do além, o mundo dos
antepassados.
A ceia de Natal era vista como uma refeição em memória
dos
mortos. O regresso da "kutiá" à mesa festiva é um tributo às
velhas
tradições de Natal, que hoje renascem na Rússia.
Nas
aldeias e pequenas cidades de província as pessoas saem novamente
para a
rua na noite de Natal e chamam na escuridão: "Frio, Frio, anda
comer
´kutiá´!" ou "Urso, Urso, anda comer ´kutiá´!". A ceia de Natal
volta a
adquirir o sentido antigo de diálogo ritual com a natureza,
com o
outro mundo.
Uma
verdadeira alegria reinava na Rússia nos doze dias que separam a
Festa de
Natal do Dia da Teofania. No segundo dia depois de Natal o
melhor
passatempo era cantar as Janeiras - o costume popular de
felicitar
as pessoas nesta quadra festiva. Os jovens, vestindo
casacos
de pele às avessas, com os rostos pintados de fuligem ou com
máscaras
rústicas, visitavam os vizinhos cantando as Janeiras e
desejando-lhes
saúde e prosperidade. Estes ofereciam doces aos
jovens,
competindo em generosidade. O leitor ocidental reconhecerá
sem
dificuldade neste costume sinais do Halloween, Dia das Bruxas,
quando as
crianças pedem aos adultos "um truque ou uma iguaria".
É
sintomático que, com a troca de gerações na Rússia, mudou a moda em
relação
às personagens de máscaras de Natal. Em tempos, antes da
revolução,
estavam em voga as máscaras de ciganos, judeus, mudos e,
simplesmente,
de "pessoas horríveis". Mais tarde, na época soviética
com as
bandeiras vermelhas e retratos de Lenine e Estaline, os
mascarados
começaram a aparecer na Noite de Natal vestidos de forma
bastante
contemporânea: de professor, de médico ou polícia. Deste
modo
diminuía o risco de ser acusados pelas autoridades de propaganda
do
"obscurantismo religioso".
Agora, as
Janeiras ouvem-se novamente na Festa de Natal nas ruas das
aldeias e
pequenas cidades da província. Frequentemente, entre os
mascarados
podem-se ver personagens de figuras contemporâneas, por
exemplo,
um "novo rico" envergando o tradicional casaco de cor de
framboesa
com luxuosos fios e cruzes de ouro.
Segundo
as crenças antigas, todos que durante as Festas de Natal usam
máscaras
devem obrigatoriamente mergulhar nas águas geladas no Dia da
Teofania
para se redimir dos pecados. Na Festa de Natal de 2004, os
visitantes
dos parques de Moscovo, sem falar das zonas rurais do
país,
poderão ver grupos de pessoas que tomam banho em rios ou lagos
cobertos
de gelo.
Por outro
lado, o período entre a Festa de Natal e o Dia da Teofania
(que
coincide com o Dia de Reis no Ocidente)é considerado como um
tempo de
caos, bastante perigoso para o homem. É uma encruzilhada em
que as
pessoas podem dirigir-se em sentidos diferentes. É necessário
escolher
um caminho certo para assegurar um bom futuro. Na Rússia diz-
se:
"Como passas o Ano Novo, assim será o ano inteiro". Por isso era
costume
no passado remexer trigo, contar dinheiro, organizar uma
refeição
abundante, para que tudo fosse assim no ano futuro.
A
tradição de adivinhações na Noite de Natal, que hoje entra
rapidamente
em moda, também está ligada ao desejo de conhecer o
futuro.
Na
próxima noite de Natal, milhares de russos irão deitar água fria
sobre um
pires com cera derretida tentando ver nas formas complicadas
o que lhes
espera no ano novo de 2005. Se aparecerem contornos de uma
casa,
significa o bem-estar, se surgirem pequenos círculos em forma
de moedas
- significa a riqueza e se forem figuras dee frutas ou
legumes -
significa que serás todo o ano forte e saudável.
As jovens
russas, com certeza, não perderão a oportunidade de
recorrer
neste Natal à prática de adivinhações tão populares desde os
tempos
antigos: com um velho sapato e um espelho. O sapato é lançado
fora,
perto do portão da casa. O primeiro homem que pegar no sapato
será o
noivo ou, na pior das hipóteses, terá o nome do futuro noivo.
Na
tradição russa, a previsão do futuro com a ajuda dos espelhos era
considerada
a mais fiável e ao mesmo tempo a mais perigosa. Segundo
as
crenças, o nosso destino é determinado no outro mundo. Por isso a
previsão
será profética se a pessoa conseguir entrar nesse mundo ou,
pelo
menos, aproximar-se da sua fronteira. Um instrumento desta
aproximação
é considerado o espelho rodeado de velas acesas para o
qual é
necessário olhar fixamente. Preliminarmente, a mulher deve
soltar os
cabelos e o homem - tirar o cinto e a cruz. Deste modo, a
pessoa
como que renuncia às normas quotidianas e desinibe-se para se
preparar
para o encontro se não com o demónio, mas com algo que está
longe da
santidade.
Aquele
que adivinha deve ver no espelho uma pessoa que desempenhará
um papel
importante no seu destino. As avós russas advertem os jovens
inexperientes:
só se pode olhar para o fantasma da cintura para cima.
Depois é
necessário pôr rapidamente o espelho na mesa e dizer "Vá de
retro!".
Um bom cristão deve recear que as forças místicas o dominem
e o
arrastem para sempre para o outro mundo.
O
renascimento das velhas tradições e ritos na Rússia atribui às
festas de
Natal, tanto católica como ortodoxa, um especial colorido
nacional,
como que impregna a quadra festiva com ânimos de
emancipação
e liberdade espiritual. Nos tempos antigos, difíceis para
o país,
os russos sentiam grande saudade de tudo isso.
10 -
MENSAGENS AOS JOVENS REUNIDOS EM LISBOA, NO 27º ENCONTRO
PROMOVIDO
PELA COMUNIDADE ECUMÊNICA DE TAIZÉ
Cidade do
Vaticano, 28 dez (Rádio Vaticano) - Abertos a pessoas de
culturas
diversas "para fazer do planeta uma sociedade sempre mais
fraterna".
É o auspício que conclui a mensagem enviada por JPII aos
40 mil
jovens que participam, em Lisboa, do 27º encontro de oração
animado
pela Comunidade Ecumênica de Taizé, sobre o tema "Um futuro
de
paz".
Além do
Papa, também os líderes religiosos das outras confissões
cristãs
enviaram mensagens ao encontro, iniciado esta manhã e que se
prolongará
até o próximo sábado, dia 1º de janeiro.
No
domingo, dia 2, os jovens europeus e a Comunidade de Taizé reunir-
se-ão no
Mosteiro dos Jerônimos, na capital portuguesa, para a santa
missa presidida
pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, José da Cruz
Policarpo.
Para ser
sólido, um cristão deve "retornar às fontes da fé para
descobrir
a profundidade do mistério de Deus". O Papa é direto ao
indicar
aos jovens de Taizé a estrada que leva a conhecer e a amar
verdadeiramente
a Cristo, a servi-Lo na Igreja, a testemunhá-Lo no
mundo.
A
experiência de vocês _ escreve JPII aos participantes do encontro _
se baseia
na comunhão que é "o fundamento da paz interior e da
fraternidade".
Com esse espírito _ conclui o Pontífice _ uma vez
retornados
às suas casas, "tornem-se sempre mais agentes de paz e de
unidade".
"A
cidade em que vocês se encontram, Lisboa, está aberta ao mundo.
Vocês,
por sua vez, poderão estar abertos a seus irmãos de diferentes
culturas
para fazer do planeta uma sociedade sempre mais fraterna."
Por sua
vez, o Patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias,
Aleksej
II, ressalta em sua mensagem o tema da identidade das
próprias
raízes religiosas. O encontro de Taizé, observa ele, é
importante
numa época "na qual vemos a sociedade ocidental,
infelizmente,
distanciar-se sempre mais dos valores cristãos".
Que o
encontro de vocês, afirma mais adiante Aleksej II em sua
mensagem,
"recorde que o Cristianismo foi, permanece e será sempre um
fundamento
da civilização européia".
Uníssona
também a mensagem endereçada a Lisboa pelo Patriarca
ecumênico
de Constantinopla, Bartolomeu I: "Vocês vieram confessar
numa
única voz e traduzir nos fatos, que o Cristianismo ainda tem
muito a
dizer ao mundo, revelar substância e sentido da vida".
"Quando
retornarem às suas casas, que a potência do Espírito que nos
renova,
doe a vocês a graça de ser sempre mais portadores da paz de
Deus no
coração do nosso mundo tão agitado" _ diz por sua vez, o
Arcebispo
de Cantuária, Dr. Rowan Williams, Primaz da Igreja
Anglicana.
(RL)
11 -
Biografias de fé da Rússia para o mundo
Fonte:
Agência Ecclesia 29/12/2004
Mais de
cem russos estão presentes em Lisboa, desde ontem, para o
Encontros
Europeu de Jovens promovido pela Comunidade Taizé. Mais de
quatro
dias de viagem foram precisos para trazer até ao nosso país
testemunhos
únicos de fé.
Olga, uma
das quatro russas que falou sobre "Ser cristão na Rússia,
ontem e
hoje", refere à Agência ECCLESIA que "qualquer biografia de
fé é
preciosa para os outros".
"Para
mim é importante testemunhar a minha fé para permanecer fiel às
minhas
raízes, para me lembrar do meu primeiro amor pelo
Cristianismo",
acrescenta.
Olga e o
seu marido foram apresentados como "velhos amigos de Taizé".
Conheceram
a comunidade na primavera de 1989, através de um irmão que
esteve em
Moscovo para organizar uma celebração ecuménica. Desde
então,
têm vindo a caminhar em conjunto naquela que consideram ser
uma
"parábola da comunidade de Cristo".
Diante de
algumas dezenas de jovens, os quatro cristãos Ortodoxos
desfiaram
as memórias das suas conversões – através de ícones, da
Bíblia ou
da espiritualidade da grande literatura russa -, das
perseguições
do regime comunista - que fieram milhares de mártires -
e das difíceis
relações com o Catolicismo. Várias foram as perguntas
levantadas
em torno da pobbilidade de João Paulo II visitar ou não a
Rússia.
"O
problema está no facto de a identidade nacional da Rússia se
misturar
muito com a Igreja Ortodoxa. Um político chegou a afirmar
que era
Ortodoxo, porque era russo, mas não acreditava em Deus",
apontou
Nicha, médico reformado. A tendência é de defender a
identidade
nacional "ortodoxa" de uma maneira radical contra "as
outras
identidades".
Os
testemunhos russos apresentaram, contudo, um sinal de que o
ecumensmo
está vivo, mesmo quando "anónimo". Do
Cristianismo
"ocidental" herdaram a paixão do movimento "Fé e Luz",
que
dedica uma atenção especial ao cuidado das crianças com
deficiência.
"Sem
o testemunho dos nossos irmãos do Ocidente, as pessoas com
deficiência
estariam ainda mais exluídas das nossas igrejas", aponta
Natasha.
O
"Fé e Luz" começou ainda nos tempos do antigo regime comunista, com
reuniões
secretas num apartamento, tentando fugir às atenções dos
vizinhos.
Agora há liberdade religiosa, "mas a mudança de
mentalidades
leva muitos mais anos", constataram todos.
Neste
pequeno encontro com jovens de toda a Europa, foi a música que
uniu
católicos, ortodoxos e protestantes num coro único. Taizé é isso
mesmo.
Octávio
Carmo
12 - Os
direitos humanos em segundo plano, um risco nas negociações
UE/Turquia
BRUXELAS,
sexta-feira, 24 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- O
secretário-geral
do Conselho das Conferências Episcopais da Europa
(CCEE),
dom Aldo Giordano, considera autêntico o risco de que,
durante
as negociações da entrada da Turquia na União Européia, as
questões
estratégicas e econômicas releguem a um segundo plano a
valorização
do respeito aos direitos humanos.
Assim se
expressou em uma entrevista concedida a «Rádio Vaticano» na
quarta-feira
passada, depois de que em 17 de dezembro Bruxelas
decidisse
empreender em 3 de outubro de 2005 as negociações sobre o
eventual
ingresso do país muçulmano na Europa dos 25.
O jornal
católico italiano «Avvenire» já chamava a atenção do
ocorrido
em 15 de dezembro no Parlamento Europeu em Estrasburgo, no
voto
sobre a admissão da Turquia à negociação para o ingresso na UE.
À devida
reclamação do respeito aos direitos humanos, uma emenda
proposta
por um grupo de deputados pedia que se acrescentasse a
solicitação
a fim de que Ancara confira imediatamente personalidade
jurídica
às Igrejas cristãs presentes no país e suprima a Direção de
Assuntos
Religiosos, órgão muito rígido encarregado do controle do
culto e
de autorizar a construção de novos edifícios. Após o
escrutino
em segredo, a emenda foi rejeitada.
O cardeal
Roberto Tucci lamentava ao dia seguinte nos microfones da
emissora
pontifícia que não se tivesse aprovado a petição de insistir
em que se
dê reconhecimento jurídico às Igrejas cristãs presentes no
país:
«Isto é um grave defeito no campo dos direitos humanos, de modo
particular
pelo que respeita a liberdade religiosa», que «há que
reconhecer
que é um direito que está na base de todos os demais
direitos»,
expressou.
«Se não
há respeito da consciência mais íntima da pessoa humana e de
sua
capacidade de expressar esta fé pública e comunitariamente, isto
é, em
instituições, então verdadeiramente começam a cair os demais
direitos
humanos --declarou--. Assim que creio que é muito importante
esclarecer
à Turquia que deve dar passos adiante neste campo e, de
modo
particular, na liberdade religiosa, que não é respeitada
perfeitamente
neste Estado».
Talvez
não todos os parlamentares europeus sabiam que os últimos que
sofreram
recentemente esta situação na Turquia foram os ortodoxos,
sublinha
o diário católico «Avvenire», que documentou a situação.
Informa
de que não se lhes concede no país muçulmano --que bate às
portas da
UE-- as permissões para a restauração da apresentação da
Virgem em
Istambul, afetada no atentado ao consulado britânico.
Em 21 de
novembro, o patriarca ecumênico de Constantinopla,
Bartolomeu
I --«primus inter pares» da ortodoxia--,
denunciava:
«Encontramo-nos sendo vítimas não só dos terroristas, mas
também
das autoridades desta cidade e deste país. Exigimos só aquilo
que é um
direito para todo cidadão e igualdade de trato».
Poucos
dias depois, sem explicações, proibiu-se ao bispo de Mira a
celebração
da Missa que cada ano acontecia em 6 de dezembro nas
ruínas do
templo de São Nicolas em Mira, na Ásia Menor. E uma
sentença
quase simultânea da Corte Suprema privou o patriarca dos
direitos
de propriedade sobre um orfanato das ilhas dos Príncipes.
Tudo isto
sucedeu a dois meses do veto do mesmo tribunal à
restituição
do seminário teológico de Halki.
Alertando
de que coisas assim estão na ordem do dia na Turquia, o
cardeal
Tucci assinalava na emissora vaticana a necessidade de
que «se
despertem» «nossos representantes» europeus, «porque também
pessoas
que não têm a fé cristã creio que têm a sensibilidade, se são
verdadeiramente
liberais, dos valores da liberdade religiosa, mas
parece
que há uma grande timidez em requerer».
O
purpurado constatou que «se dá tal importância aos outros fatores,
econômicos,
políticos, militares etc., que os valores da liberdade
religiosa
não são considerados», algo «muito perigoso» que «significa
que a
Europa não consiga encontrar valores maiores» que os citados em
primeiro
lugar.
Considerava
na quarta-feira dom Giordano --também na emissora
pontifícia--
que os bispos europeus acolheram o anúncio do início de
negociações
com a Turquia «sobretudo com a consciência de que a
adesão da
Turquia à UE não é uma questão de ordem religiosa, mas
política»,
e a Igreja não se pronuncia sobre fórmulas políticas
específicas,
ainda que vê com atenção o que sucede no terreno
político
e «chama à sabedoria, à vigilância».
Perguntou-se
ao secretário do CCEE se não existia o risco de que,
durante
estas negociações, as questões estratégicas e econômicas
fizeram
passar a um segundo plano os valores sobre o respeito dos
direitos
humanos.
«Penso
que isto é verdade --contestou--. A Igreja sente em particular
a
responsabilidade de permanecer vigilante no campo dos direitos
humanos,
e, portanto, a esperança é que a Turquia, como os demais
países,
seja verdadeiramente um espaço onde se realizem e se
respeitem
os direitos humanos».
Em sua
opinião, o ponto importante aqui é a falta de referência às
raízes
cristãs da Europa no Tratado firmado em Roma em 29 de
outubro:
«O verdadeiro problema que se propõe» quanto à entrada da
Turquia
na UE «é talvez a questão sobre nós mesmos», sublinhou dom
Giordano.
«Dois
povos que têm uma identidade --e precisamente a identidade
européia
não pode prescindir do cristianismo-- não têm temor de
discutir
e são capazes de confrontar-se e de acolher. Uma realidade
sem
identidade, obviamente, corre o risco de ir ao fracasso»,
alertou.
Recentemente
o arcebispo Gioganni Lajolo --secretário das relações da
Santa Sé
com os Estados-- declarou na rádio católica
portuguesa
«Renascença» que, quanto a Turquia, «a Santa Sé pede só
que os
interesses econômicos ou estratégicos não impulsionem à baixa
valorização
da observância dos direitos humanos e o primeiro entre
todos, a
liberdade de religião, cuja observância deve ser um ponto de
honra
para todos os países europeus».
Praticamente
a totalidade dos habitantes da Turquia --cerca de 70
milhões--
é muçulmana. No país, as comunidades religiosas não-
islâmicas
carecem de qualquer reconhecimento jurídico oficial.
13 -
Natal de esperança na Ucrânia. Mensagem do cardeal Lubomyr Husar
LVIV,
sexta-feira, 24 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- O cardeal
Lubomyr
Husar, arcebispo greco-católico de Lviv, convidou em sua
mensagem
de Natal a fazer dos históricos momentos que a Ucrânia está
vivendo
uma defesa da dignidade humana, pela qual Deus se fez homem.
«Os
acontecimentos dos meses passados, quando milhares de pessoas de
toda
Ucrânia, em um sinal de protesto ante a fraude nas eleições e as
mentiras
que se converteram em um sinal de supressão de nossa
dignidade,
saíram às ruas de suas cidades, testemunham que
compreenderam
quem são ante os olhos de Deus e o que estão chamadas a
ser ante
os olhos da comunidade global», afirma o purpurado em sua
carta.
«Muitos
opinam que levantamos de nossos joelhos pregados e que com
toda
gente que vive no território da Ucrânia emergiu uma nação
madura»,
acrescenta.
Após o
segundo turno de 21 de novembro, a Ucrânia viveu protestos
cotidianos
ante os resultados oficiais que haviam proclamado vencedor
o atual
primeiro-ministro filo-russo Victor Yanukóvich.
Acolhendo
os recursos apresentados pela oposição, liderada por Victor
Yúschenko,
o Tribunal Supremo da Ucrânia anulou doze dias depois o
segundo
turno das eleições porque «se cometeram falsificações» que
faziam
«impossível determinar o resultado». A votação entre
Yanukóvich
e Yúscenko se repetirá em 26 de dezembro.
«Muitos
de nós se surpreenderão ante o pensamento de que o homem, que
é só uma
criatura antes os olhos de Deus, é tão valioso que o Senhor
decidiu
vir entre nós, aceitar nossa natureza humana, com todos seus
dons e
debilidades, com a exceção do pecado», reconhece o cardeal
Husar.
«O Senhor
nos ajudou a compreender na essência quem somos, quem somos
ante os
olhos de Deus e qual é nossa dignidade», acrescenta.
Por este
motivo, neste Natal, o purpurado católico de rito oriental
exorta a
«agradecer de todo coração o Menino recém-nascido por este
grande
dom [o da dignidade humana], que parece que não estimamos
plenamente»,
exorta.
A maioria
da população da Ucrânia, ex-república soviética de mais de
47
milhões de habitantes, é ortodoxa. 13% são católicos, em boa parte
de rito
oriental.
14 -
NATAL SERÁ FESTA DISCRETA NO IRAQUE, POR MEDO DA VIOLÊNCIA
Bagdá, 23
dez (Rádio Vaticano) - Nada de festa coletiva de Natal para
a minoria
cristã iraquiana: cerca de 700 mil pessoas em uma população
de 23
milhões de habitantes. Não serão celebradas missas de meia-
noite, em
Bagdá, Mossul e outras cidades onde resistem pequenas e
cada vez
mais assustadas comunidades católicas de rito caldeu.
Não serão
acesos os tradicionais fogos da liturgia oriental no
patamar
das igrejas na noite de Natal. Os fiéis este ano não cantarão
nem mesmo
os hinos que acompanham a queima dos fogos, olhando para o
céu e
exprimindo desejos. Neste tempo de frio e de medo, é pouco o
entusiasmo
e a vontade de saber o que o ano novo trará.
"O
que faremos no Natal?" _ responde ao telefone, da Nunciatura
Apostólica
em Bagdá, Mons. Jean-François Lantheaume,
Secretário:
"Depois do ataque, em Mossul, e dos atentados de Najaf e
Kerbala,
que festa celebraremos? Não existe segurança, não podemos
celebrar
a Missa do Galo porque à noite é perigoso sair de casa, e os
patriarcas
cristãos decidiram não promover nem mesmo o habitual troca
de votos
de natal, em protesto contra a onda de violência que não tem
poupado
nem mosteiros nem igrejas."
A
comunidade cristã iraquiana é sempre mais pessimista em relação ao
futuro:
os sites na Internet das paróquias caldéias (religião cristã
majoritária
no país), são um contínuo de notícias ruins. Mais de 100
cristãos
foram mortos no último ano, não só em ataques
fundamentalistas
sunitas, mas também em violências de extremistas
xiitas.
(CM)
15 -
Natal sem festa no Iraque
Fonte:
Agência Ecclesia 27/12/2004
Igrejas
vazias na Noite de Natal
Poucos
cristãos iraquianos puderam participar da missa de Natal nas
igrejas
iraquianas devido às difíceis condições de segurança. Segundo
a agência
Zenit, a Missa do Galo não foi celebrada, em geral, porque
de noite
a situação é mais perigosa e entra em vigor o recolher
obrigatório.
"Não
há paz, não há segurança; todos estamos em perigo", afirmou D.
Shlemon
Warduni, bispo auxiliar do Patriarcado caldeu em declarações
à Rádio
Vaticano. O prelado explica que os cristãos
iraquianos
"pediram ao Menino Jesus que nos dê a paz, a segurança de
viver".
Os
cristãos de Bagdad, cujas igrejas têm sido as mais atingidas pelos
ataques
terroristas este ano, prepararam as celebrações de Natal num
clima
marcado pelo medo e a discrição, sem nenhum tipo de
manifestação
exterior de festa. O Patriarca dos Caldeus, D. Emmanuel
Delly,
cancelou as Missas da noite de 24 de Dezembro como "sinal de
protesto
contra os ataques" que os cristãos têm sofrido.
Os chefes
religiosos cristãos de Kirkuk, no Norte do Iraque, já
tinham
revelado que o Natal de 2004 não será um tempo de festa para
os
cristãos do país, ameaçados pelos constantes conflitos, a pobreza
e a
crescente vaga de atentados contra igrejas e espaços das suas
comunidades.
No
passado dia 8, o Papa condenou publicamente os atentados cometidos
no Iraque
contra a minoria cristã, após a destruição de uma igreja
arménia-católica
e do edifício do arcebispado caldeu.
O número
de cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70%
fazem
parte da Igreja Católica caldeia.
Cinco
igrejas de Bagdad foram alvo de uma série de ataques
simultâneos
a 19 de Outubro que não fizeram vítimas. A minoria cristã
já tinha
sido alvo de actos de violência em Agosto, quando seis
atentados
contra locais de culto cristãos causaram 10 mortos e 50
feridos
em Bagdad e Mossul.
Nesse
sentido, o diplomata do Vaticano. Mons. Jean François Lantome,
considera
que os cristãos vivem "dias difíceis no Iraque" e mostra-se
preocupado
com a onda crescente de "Cristianofobia" depois do início
da
guerra.
O
diplomata agora colocado em Lisboa, viveu os últimos três anos no
Iraque.
Em declarações à Rádio Renascença, assegura que "a invasão no
Iraque
gerou uma desordem em todos os aspectos".
Octávio
Carmo
16 -
Igrejas vazias na Noite de Natal iraquiana. Por causa das
condições
de segurança
BAGDÁ,
sábado, 25 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- Poucos cristãos
iraquianos
puderam participar da missa de Natal nas igrejas
iraquianas
devido às difíceis condições de segurança.
Segundo
informaram fontes cristãs iraquianas a Zenit, nos templos em
geral não
se celebrou a eucaristia na Noite Feliz, pois de noite a
situação
se faz mais perigosa e entra em vigor o toque de recolher.
«Não há
paz, não há segurança; todos estamos em perigo», afirmou dom
Shlemon
Warduni, bispo auxiliar do patriarcado caldeu em declarações
a «Rádio
Vaticano». Por este motivo, anunciou, só aconteceram orações
na manhã
de Natal.
O prelado
explica que os cristãos iraquianos pediram «ao Menino Jesus
que nos
dê a paz; a nossas crianças, a segurança de viver».
«Ainda
que temos uma situação terrível --não podeis imaginar como
vive o
povo, pois agora não se confia em ninguém--, e as armas estão
por todos
os lugares, nossas esperanças estão no Senhor, em vossas
orações e
na ajuda que nos oferece o Santo Padre [João Paulo II],
alentando-nos
e rezando por nós, e falando sempre em favor da paz e
dos
direitos humanos no Iraque», concluiu o prelado.
Em 7 de
dezembro dois atentados destruíram a igreja armênio-católica
de Mosul
e o arcebispado caldeu dessa cidade. Formam parte de uma
série de
ataques contra igrejas, que começou a inícios de agosto,
quando
foram atingidas quatro igrejas em Bagdá e uma em Mosul. Nestes
ataques
morreram numerosas dezenas de cristãos. Os atentados contra
casas de
propriedades de cristãos no país já haviam começado antes.
17 -
Cristãos iraquianos terão Natal de medo
Fonte:
Missão Portas Abertas (UOL) 25/12/2004
Saiba
mais sobre a Igreja Perseguida no Iraque
IRAQUE -
Uma igreja planeja celebrar a Missa de Natal em uma sala de
aula
próxima às ruínas do seu santuário, cujas paredes foram
derrubadas
ou manchadas de negro pela explosão de uma bomba dois
meses
atrás.
Uma outra
igreja fechará os portões de acesso ao seu estacionamento
para se
prevenir contra um outro carro-bomba como aquele que matou
vários
fiéis no local em uma missa em agosto passado. De qualquer
forma,
não se acredita que muita gente comparecerá à cerimônia
religiosa,
já que os líderes das igrejas desencorajaram oficialmente
as
celebrações e transferiram a tradicional missa da meia-noite para
a tarde.
Algumas
poucas lojas exibem papais-noéis infláveis em suas portas,
mas as
vendas de árvores de Natal são poucas. As tradicionais visitas
aos
parentes serão substituídas por telefonemas e e-mails para entes
queridos
na Jordânia, Síria, Canadá e Estados Unidos.
Para os
cristãos iraquianos, este será um Natal de medo.
"Muita,
muita gente está partindo, e outros estão se preparando para
partir",
diz Ablahad Peter, um ex-diretor de escola de segundo grau e
membro da
Igreja Caldéia de São Pedro e São Paulo, ao sul de Bagdá.
Peter,
60, é um dos poucos membros da sua família que ficaram no
Iraque.
Um filho adulto fugiu em meio aos perigos e ao caos que
tomaram
conta do país após a invasão norte-americana em março de
2003. Um
outro partiu há dois meses, após o atentado a bomba de
agosto
contra a igreja. Uma irmã também fugiu da guerra. E uma outra
irmã e um
irmão deixaram o país há anos.
Eles se
comunicam por telefone, e-mail e grupos de discussão pela
Internet.
Ele dá aulas na igreja, mas a maior parte das disciplinas
foi
cancelada após o ataque a bomba. São poucos os dispostos a se
arriscarem
em meio a uma multidão no local, ou a trazerem os filhos.
O número
estimado de cristãos no Iraque é de algo entre 600 mil e um
milhão,
uma pequena fração da população do país, que é de 27 milhões
de
habitantes. Eles afirmam que fazem seus cultos aqui desde a época
de Jesus,
e que seus ancestrais remontam à Mesopotâmia. No decorrer
do século
20, os cristãos tiveram influência no comércio e no governo.
Até
recentemente, o Natal e o Ano Novo eram comemorados
entusiasticamente
no Iraque. Árvores de Natal eram vendidas nas ruas
e
papais-noéis de pano eram colocados nas vitrines das lojas. Beba
Noel - o
nome local para Papai-Noel - é uma figura familiar entre as
crianças
iraquianas. Os muçulmanos freqüentemente participam das
festividades,
comprando suas próprias árvores de Natal e celebrando
com os
cristãos em uma cidade que no passado tinha uma forte cultura
festiva
apoiada por restaurantes, hotéis e clubes sociais.
O Natal
de 2003 foi tenso. Cristãos foram seqüestrados por dinheiro,
assassinados
por cooperarem com as tropas dos Estados Unidos, e
bombardeados
em lojas de bebidas por fundamentalistas muçulmanos.
Na
véspera do Ano Novo, vários cristãos foram mortos ou feridos em um
ataque
com um carro-bomba em um restaurante italiano cheio de pessoas
que
festejavam o feriado.
Mais
recentemente, em 1º de agosto, cinco igrejas de Bagdá e uma na
cidade de
Mosul, no norte do país, foram alvos de bombas durante uma
missa
celebrada à tarde, que mataram 12 pessoas. Em 17 de outubro,
cinco
igrejas de Bagdá foram atingidas por bombas antes do alvorecer,
quando a
maior parte delas estava vazia.
Os
cristãos, que freqüentemente contam com mais dinheiro e contatos
ocidentais
do que os seus vizinhos muçulmanos, emigraram em grandes
levas do
Iraque desde as sanções econômicas dos anos 90. Tanto
cristãos
quanto muçulmanos fugiram em grande número da criminalidade
e do
terrorismo que tomaram conta do país nos últimos 20 meses.
Um
porta-voz do Ministério Iraquiano de Mudança de Domicílios disse
que não
há estatísticas relativas à emigração cristã. Mas Yonadam
Kanna,
membro do Conselho Nacional Iraquiano, apoiado pelos Estados
Unidos, e
líder de um partido político cristão, estima que 20 mil
cristãos
deixaram o Iraque e que talvez 50 mil trocaram Bagdá por
áreas
mais seguras no país. Outras estimativas sobre a fuga de
cristãos
são bem mais elevadas e parecem plausíveis. A maior parte
dos
cristãos é capaz de citar vários parentes que partiram.
No bairro
que fica atrás da Igreja Católica Grega de São Jorge, que
foi
destruída por uma bomba em outubro, os moradores dizem que seis
famílias
cristãs se mudaram após o ataque.
Nabil
Jameel, 40, tem dois irmãos que se mudaram para a Grécia após a
invasão
norte-americana e um outro que foi para a Síria após a igreja
ter sido
bombardeada, embora ele, como vários outros, diga que não
quer
deixar a sua terra para trás.
"O
meu irmão vendeu tudo e partiu", disse Jameel. "Eu não seria capaz
de viver
fora do Iraque".
Os
vendedores de árvores de Natal - geralmente muçulmanos - dizem que
os
negócios estão devagar em Bagdá neste ano. Nesta semana, em uma
rua
movimentada, sentia-se o cheiro de cem pinheiros recém-cortados
que
esperavam compradores, mas Sa"ad Isho Gaznakhi, 31, era o único
que podia
ser visto.
Ele disse
que vários amigos optaram pelas árvores artificiais neste
ano
porque as naturais, que custam até US$ 10, são difíceis de
esconder
ao serem transportadas para casa. Gaznakhi, um eletricista,
cancelou
o ritual tradicional de trazer a mulher e o filho para
escolherem
a árvore e veio sozinho, Quando ele examinava a
mercadoria,
um policial em uma barreira de segurança a poucos metros
disparou
um tiro de advertência para o ar a fim de parar um táxi
suspeito.
Ele disse
que provavelmente não vai colocar a família em risco
levando-a
para visitar os parentes, como costumava fazer. Mas
planejou
comprar um presente para o filho e colocou uma árvore sobre
o ombro a
fim de levá-la para casa na sua bicicleta.
"Se
a minha mulher não gostar da árvore, terei de trazê-la de volta",
afirmou,
preparando-se para a perigosa jornada pelo trânsito da
cidade.
18 -
Cristãos do Iraque cancelam as missas e festas de Natal
Fonte: O
Estado de São Paulo 23/12/2004
Bagdá -
Basman Sabah não sente o espírito natalino. Ele ficará em
casa e
evitará a missa. A maioria de seus amigos e parentes fugiu do
país. Ele
nem comprou uma árvore. "Não há mais sentimento de festa
aqui",
diz o engenheiro elétrico de 27 anos. Para os cristãos
iraquianos,
este será um Natal sombrio. A ditadura de Saddam Hussein
não
perseguia o cristianismo, embora maltratasse diversas outras
minorias
religiosas. Mas, desde a invasão americana, radicais
islâmicos
vêm atacando igrejas regularmente.
Como
resultado, a comunidade cristã de 700.000 iraquianos cancelou as
festas
neste ano. As igrejas já anunciaram que a tradicional missa da
véspera
de Natal não ocorrerá, sendo substituída por orações
matinais.
As festas nas paróquias também não existirão.
Hotéis e
lojas em áreas habitadas por cristãos, como o distrito de
Karada,
em Bagdá, não adotaram as costumeiras decorações de
Natal.
"Não é tristeza que sentimos. Tristeza é uma coisa que se
sente a
respeito de algo que acabou", diz o padre católico Bashar
Matti.
"É dor que sentimos, dor profunda por esse triste estado de
coisas
que continua". AP
19 - Papa
pede o fim dos conflitos no Iraque
Do
Correio Braziliense
26/12/2004
12h35 - O
papa João Paulo II manifestou neste sábado preocupação com
o futuro
do Iraque, do Oriente Médio e da África durante seu discurso
pronunciado
antes da tradicional bênção urbi et orbi (para a cidade e
o mundo),
no Vaticano. Na noite de sexta-feira, ele fez questão de
celebrar
a Missa do Galo, na Basílica de São Pedro, apesar do frágil
estado de
saúde e das dificuldades para falar, conseqüências do mal
de
Parkinson. Este ano, as mensagens de Natal estiveram entre as mais
curtas
dos 26 anos de papado de Karol Wojtyla.
''Com
grande apreensão, acompanho os acontecimentos do Iraque. E como
não olhar
com ânsia compartilhada, mas também com uma confiança
inquebrantável,
para a terra da qual (Cristo) é filho?'', afirmou
ontem o
pontífice, de 84 anos, na Praça de São Pedro, referindo-se à
Terra
Santa. ''Que se apaguem tantos focos de tensão que correm o
risco de
resultar em conflitos abertos. Que se consolide a vontade de
buscar
soluções pacíficas, respeitosas das legítimas aspirações dos
homens e
dos povos'', acrescentou.
João
Paulo II pronunciou seus desejos de paz e de feliz Natal em 62
idiomas.
No começo da cerimônia, quando chegou à praça em seu
papamóvel,
ele foi saudado por milhares de pessoas que gritavam e
agitavam
bandeiras. O papa leu o discurso com dificuldade, fazendo
pausas
mais longas para respirar. Por vezes, a voz ficava mais
fraca.
''Penso na África, na tragédia de Darfur no Sudão, na Costa do
Marfim e
na região dos Grandes Lagos'', destacou, lembrando-se dos
conflitos
que ocorrem na África.
A
mensagem foi lida a poucos metros de um presépio em tamanho natural
montado
na Praça de São Pedro, onde os peregrinos enfrentaram o mau
tempo com
guarda-chuvas. ''Ante o presépio onde descansas indefeso,
que
cessem tantas formas de violência crescente, causas de sofrimento
impronunciável'',
afirmou. ''Que se apaguem tantos focos de tensão,
os quais
correm risco de se transformar em conflitos abertos.''
Homilia
Mais
cedo, o pontífice também rezou pela paz durante a Missa do Galo,
transmitida
ao vivo para 72 países. Vestido de branco e dourado,
chegou à
basílica em uma cadeira de rodas, benzendo os fiéis, os
embaixadores
credenciados na Santa Sé, os cardeais, os sacerdotes, os
representantes
de 150 governos e vários religiosos presentes. A
homilia
pronunciada para dez mil fiéis foi curta - apenas oito
parágrafos.
João
Paulo II sorriu no momento em que um grupo de crianças, de duas
em duas,
se aproximou de seu trono para oferecer-lhe flores e
presentes.
O papa esticou o braço para fazer o sinal da cruz na testa
de cada
um. Durante a cerimônia, o pontífice deu a primeira comunhão
a cerca
de 30 fiéis e 12 crianças vindas do Peru, do Congo, da
Guatemala,
Coréia, Austrália e Itália.
Na
homilia, ele implorou para que a Terra Santa ''conheça tempos de
prosperidade
e de convivência pacífica no respeito recíproco de seus
habitantes''.
E pediu em oração a Cristo: ''Fica conosco. Toda a
humanidade,
marcada por tantas dificuldades, precisa de sua presença.
Lembre-se
de nós, filho eterno de Deus, que encarnou no seio da
Virgem
Maria. Fica conosco, pão vivo descido do céu para nossa
salvação.
Fica conosco para sempre.''
Outra
oração foi consagrada aos governantes das nações e os
responsáveis
das organizações internacionais, para que ''se
comprometam
a fundo a estabelecer a paz no mundo''. O papa e os fiéis
rezaram
pelo respeito aos ''meninos de rua, enfermos e abandonados''.
20 -
LÍDER CRISTÃO COPTA PÕE FIM À SUA RECLUSÃO VOLUNTÁRIA, PELA
LIBERTAÇÃO
DE CRISTÃOS
Cairo, 23
dez (Rádio Vaticano) - O líder copta, Shenuda III, decidiu
pôr fim à
sua reclusão voluntária em um mosteiro. A decisão foi
tomada
depois que recebeu promessas do governo, de que se resolverá a
crise
aberta após as detenções de cristãos, no dia 8 de dezembro.
Fontes do
Episcopado cristão copta no Cairo confirmaram que Shenuda
III
decidiu retornar à vida pública, depois que as autoridades
políticas
prometeram que buscariam uma solução satisfatória para o
impasse
das detenções.
Shenuda
III havia decidido enclausurar-se há quase duas semanas,
depois da
detenção de 35 cristãos coptas, em um confronto com a
policia,
em frente à Catedral do Cairo. Eles protestavam contra o
seqüestro
de um mulher cristã por parte de muçulmanos. (BF)
NOTÍCIA
DO BRASIL
21 -
Romaria Maronita ao Santuário de Aparecida
Fonte :
Catolicanet
Aparecida
(SP), 7/12/2004 - 07:49
O reitor
do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, Pe.
Joércio
Gonçalves Pereira, acolheu neste sábado, 04 de dezembro, o
bispo Dom
Joseph Mahfouz, OLM, que celebrou a Missa das 10h, no RITO
MARONITA.
Sob a
coordenação de dom Joseph, a primeira Romaria da Igreja
Maronita
do Brasil reuniu dezenas de fiéis, padres e diáconos no
Santuário
de Aparecida, com uma motivação especial.
Como
neste ano, estamos comemorando o centenário da coroação de Nossa
Senhora
Aparecida, Padroeira do Brasil, (1904 - 2004) e, por
coincidência
o Líbano também celebra neste ano o centenário de sua
Padroeira,
Nossa Senhora do Líbano, em Harissa, Dom Raymundo
Damasceno
Assis, Arcebispo de Aparecida (SP), e o padre Joércio
Gonçalves
Pereira, reitor do Santuário, convidaram a Igreja Maronita
do Brasil
para participar desse momento histórico.
"Não
foi apenas com muito prazer que atendemos ao convite de Sua
Excelência
o Arcebispo e do Reverendíssimo Padre Reitor, mas como uma
oportunidade
de merecermos, com filial gratidão, as graças que Deus
com
certeza nos dará, tanto para nós, como para o nosso querido
Líbano.
Portanto, neste ato religioso celebraremos as glórias de
nossa
Querida Mãe celeste, com o duplo título de Padroeira do Brasil
e do
Líbano", comentou Dom Joseph, antes da celebração.
Um
Maronita é um cristão católico, apostólico, romano do rito
oriental,
pois o maronitismo nasceu no Oriente graças a um eremita
chamado
Maron, falecido no ano de 410, hoje São Maron, padroeiro da
Igreja
Maronita. Por isso, os discípulos de São Maron são chamados
maronitas.
Os Maronitas foram os defensores da doutrina da Igreja de
Cristo,
definida no Concílio de Calcedônia no ano de 451. Esta
doutrina
afirmava que Nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiro Deus e
verdadeiro
homem.
A Igreja
Maronita, além de ser Católica, apostólica, romana desde o
início,
tem a honra de ter como língua litúrgica, o aramaico ou o
siríaco:
língua falada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando
recitamos
o Pai-nosso usamos as mesmas palavras pronunciadas por
Nosso
Senhor Jesus Cristo. O mesmo acontece na Santa Missa: as
palavras
da consagração do pão e do vinho, são pronunciadas na mesma
língua
que Jesus usou na última Ceia, véspera de sua Paixão e Morte.
Hoje a
Igreja Maronita se encontra no Oriente e no Ocidente. No
Oriente:
no Líbano, na Síria, em Chipre, no Egito, em Israel, na
Jordânia.
Desde 1860, os maronitas libaneses espalharam-se nos cinco
continentes:
há Bispados maronitas no Brasil (o primeiro fora do
Oriente),
nos Estados Unidos da América, na Austrália, no Canadá, na
Argentina,
na Europa e no México. Os descendentes dos pais e avós
maronitas,
católicos, apostólicos, romanos e pertencem ao Bispado
Maronita
do Brasil, cuja sede está na Rua Tamandaré, 355, bairro da
Liberdade,
em São Paulo (SP).
Para
conheça melhor o Rito Maronita, visite o site:
www.igrejamaronita.org.br
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