BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 14 - 23 de dezembro de 2004

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Desejo a cada um dos leitores deste Boletim, extensivo aos seus
familiares e amigos, um Santo e Feliz Natal, abençoado pelo Menino
que nasceu em Belém para salvar a humanidade.

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
e-mail: [email protected]



ÍNDICE

1 - Papa explica que a unidade da Igreja e entre os homens é seu
compromisso «prioritário», ao encontrar-se com seus colaboradores da
Cúria romana nas vésperas do Natal

2 - Papa confia a seus colaboradores suas duas preocupações mais
urgentes

3 - João Paulo II destaca avanços ecuménicos no seu balanço de 2004

4 - Patriarca de Constantinopla a favor da entrada da Turquia na UE .

5 - Natal na Síria: festa dos jovens, da caridade cristã e do
ecumenismo

6 - O Presépio, símbolo muito amado também pelas crianças muçulmanas:
Natal, dia de trabalho, pequenos e grandes enchem a igreja de
Antioquia para ver o Menino Jesus na manjedoura

7 - TRADIÇÕES DE NATAL NA RÚSSIA

8 - Cristãos ortodoxos comemoraram a festa de Santo Nicholas

9 - Exposição mostra gravuras, desenhos e fotografias de igrejas de
São Petersburgo que não sobreviveram até nossos dias

10 - Aleixo II diz que a eutanásia é satânica

11 - Crianças italianas enviam cartas de Natal a pequenos cristãos
iraquianos. A arquidiocese de Turim continua com seu projeto
de «adoção» de sacerdotes desse país

12 - Cristãos iraquianos preparam um Natal sem festas. Patriarca
dos Caldeus cancelou as Missas do Galo.

13 - PATRIARCA DELLY, DE BAGDÁ, ANUNCIA QUE NATAL SERÁ CELEBRADO
REGULARMENTE NO IRAQUE

14 - Egipto: Patriarca copta protesta contra discriminação dos
cristãos

15 - Aumenta a pressão do fundamentalismo islâmico. "Não haverá Missa
de Natal se as violências contra os cristãos continuarem", afirma a
máxima autoridade dos coptas ortodoxos do Egito

16 - PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO EGÍPCIO ANUNCIA LIBERTAÇÃO DE
CRISTÃOS

17 - Fé e unidade nas manifestações que rejeitaram a manipulação
política na Ucrânia, constata o cardeal Lubomyr Husar, à frente da
Igreja greco-católica no país

18 - NATAL NA ARMÊNIA


NOTÍCIAS

1 - Papa explica que a unidade da Igreja e entre os homens é seu
compromisso «prioritário», ao encontrar-se com seus colaboradores da
Cúria romana nas vésperas do Natal

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 21 de dezembro de 2004 (ZENIT.org ).-
A unidade entre todos os homens, começando pelos crentes, constitui
a primeira preocupação e o compromisso prioritário de João Paulo II,
segundo ele mesmo confiou esta terça-feira a seus colaboradores.

«Unidade da Igreja e unidade do gênero humano! Leio esta aspiração à
unidade nos rostos dos peregrinos de toda idade», constatou o
pontífice ao encontrar-se com os membros da Cúria romana no
tradicional encontro de troca de felicitações pelo Natal.

Recordando que o Concílio Vaticano II, na constituição «Lumen
gentium», definiu que a Igreja tem a «missão de ser sinal e
instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero
humano», o Santo Padre pediu aos cardeais, bispos, sacerdotes,
religiosas, religiosos e leigos que o escutavam a tomar «cada vez
mais consciência de que a comunhão com Deus e a unidade entre todos
os homens, começando pelos crentes, é nosso compromisso prioritário».

Em primeiro lugar, «é urgente reconstruir a comunhão plena entre os
cristãos». Com este objetivo, indicou, convocou o ano da Eucaristia
(outubro de 2004/outubro de 2005), pois «busca, entre outras coisas,
fazer ainda mais viva esta sede de unidade, apresentando o manancial
único e inesgotável: o mesmo Cristo».

João Paulo II considerou que «o esforço está-se intensificando em
diferentes níveis, graças aos constantes contatos, encontros e
iniciativas com nossos irmãos das diferentes igrejas e comunidades
eclesiais ortodoxas e protestantes».

Neste contexto, citou alguns dos momentos ecumênicos mais importantes
vividos em 2004, como por exemplo a visita a Roma em janeiro passado
da delegação ecumênica da Finlândia, encabeçada pelo bispo luterano
de Helsinki, Eero Huovinen, com motivo da Semana de Oração para a
Unidade dos Cristãos, no quinto aniversário da histórica firma da
Declaração Conjunta da Doutrina da Justificação por parte de
católicos e luteranos.

O ano que termina, como ele mesmo recordou, imprimiu um forte impulso
ao diálogo entre Roma e o patriarcado ecumênico de Constantinopla,
como o confirmam as duas visitas que o patriarca Bartolomeu I
realizou ao Vaticano: a primeira para participar no final de junho da
festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo e, a segunda, há algo menos
de um mês, para receber das mãos de João Paulo II relíquias dos
Ssantos Gregório Nazianzeno e João Crisóstomo, predecessores em sua
sede episcopal.

O bispo de Roma desejou «de coração», ao mesmo tempo, que «o regresso
do ícone da Mãe de Deus de Kazan à Rússia contribua a acelerar a
unidade de todos os discípulos de Cristo». Em seu nome, foi entregue
em agosto passado ao patriarca de Moscou, Alexis II, pelo cardeal
Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da
Unidade dos Cristãos.

O Santo Padre reconheceu que em dois momentos particularmente
representativos destes doze meses pôde perceber no rosto dos
peregrinos esta busca de unidade na Igreja e entre os homens: durante
o primeiro encontro da história dos jovens católicos da Suíça, no
qual participou em junho passado, assim como na multitudinária
reunião da Ação Católica em Loreto do mês de setembro.

«Os crentes têm uma grande responsabilidade especialmente ante as
novas gerações, às quais há que transmitir de maneira inalterada o
patrimônio cristão. Por este motivo, em várias ocasiões --
especialmente na peregrinação a Lourdes-- não deixei de alentar os
católicos europeus a permanecerem fiéis a Cristo», declarou. Sua
peregrinação à gruta de Massabielle aconteceu entre 14 e 15 de
agosto.

No objetivo de promover a unidade entre os homens, o pontífice
confiou aos cardeais a mesma mensagem que deixou em sua Mensagem para
a próxima Jornada Mundial da Paz (1 de janeiro de 2005): «Não que se
deixar vencer nunca pelo mal; vença antes o mal com o bem».

O pontífice concluiu seu balanço do ano 2004 assegurando em uma breve
oração dirigida a Jesus que, da mesma forma que todo cristão, «não
tem medo ante as dificuldades, pois tem confiança em ti, Menino de
Belém, que por amor vem a nós».


2 - Papa confia a seus colaboradores suas duas preocupações mais
urgentes

Discurso à Cúria romana

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 21 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).-
Publicamos o discurso que João Paulo II dirigiu esta terça-feira aos
membros da Cúria romana na audiência de troca de felicitações pelo
Natal.

* * *
Senhores cardeais,
venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
queridos irmãos e irmãs!

1. A proximidade das festas natalinas volta a suscitar todos os anos
sentimentos de serenidade e de paz. O nascimento de Jesus é um
acontecimento que toca o coração. O Verbo eterno se fez homem e fez
morada entre nós (Cf. Jo 1, 14). A liturgia nos próximos dias nos
recordará em várias ocasiões esta verdade fundamental de nossa
fé: «Christus natus est nobis, venite, adoremus».

2. Este encontro do sucessor de Pedro com seus colaboradores da Cúria
romana se marca já neste clima natalino. Venerados e queridos irmãos,
graças por vossa presença e pelo afeto com o que me circundais: o
passar dos anos faz sentir de maneira cada vez mais viva a
necessidade da ajuda de Deus e da ajuda dos homens. Graças pela
constante «sintonia» com a qual trabalhais junto a mim no serviço da
Igreja universal, cada um no cumprimento da tarefa a si confiada.

Dirijo um pensamento de especial gratidão ao cardeal por ter
interpretado os sentimentos de todos, expressando-me fervorosos
auspícios para o santo Natal e para o Ano Novo; auspícios que
intercambio a cada um de vós e a vossos seres queridos.

3. O divino Menino ao que adoraremos no presépio é o Emanuel, o Deus
conosco, realmente presente no sacramento do Altar. O admirável
intercâmbio --«mirabile commercium»-- que acontece em BBelém entre
Deus e a humanidade se faz constantemente atual no Sacramento
eucarístico que, por este motivo, é o manancial da vida e da
santidade da Igreja.

Fica-se sem palavras ante um dom e um mistério tão grande! «Adoro te
devote», repetiremos no Natal, percebendo já na penumbra de uma gruta
o drama da Cruz e o triunfo luminoso da Páscoa de Cristo.

4. Do Filho de Deus feito homem, «Lumen gentium», a Igreja recebeu a
elevada missão de ser «sinal e instrumento da íntima união com Deus e
da unidade de todo o gênero humano» («Lumen gentium» 1). Queridos
irmãos, tomemos cada vez mais consciência de que a comunhão com Deus
e a unidade entre todos os homens, começando pelos crentes, é nosso
compromisso prioritário.

«Ut unum sint!». Acaso não é esta a sentida oração que Cristo dirigiu
ao Pai na vigília de sua paixão redentora? É urgente reconstruir a
comunhão plena entre os cristãos. A celebração do Ano da Eucaristia
busca, entre outras coisas, fazer ainda mais viva esta sede de
unidade, apresentando o manancial único e inesgotável: o mesmo
Cristo. Temos de seguir percorrendo sem titubeios o caminho da
unidade, ao que o Concílio Ecumênico Vaticano II deu
providencialmente um forte impulso. Precisamente há quarenta anos, em
21 de novembro de 1964, fora promulgada a constituição «Lumen
gentium» sobre a Igreja e os decretos «Orientalium Ecclesiarum» sobre
as Igrejas orientais católicas e «Unitatis redintegratio» sobre o
ecumenismo.

5. Agradecemos a Deus porque o esforço ecumênico está intensificando-
se em diferentes níveis, graças aos constantes contatos, encontros e
iniciativas com nossos irmãos das diferentes igrejas e comunidades
eclesiais ortodoxas e protestantes. Assumem, neste sentido,
particular importância as visitas que este ano recebi de alguns de
seus ilustres representantes.

Entre outras, recordo a visita da delegação ecumênica da Finlândia e
sobretudo a do patriarca ecumênico Bartolomeu I, em junho, com motivo
da solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo e, há algo menos de
um mês, por ocasião da entrega do dom das relíquias dos santos
Gregório Nazianzeno e João Crisóstomo. Desejo também de coração que o
regresso do ícone da Mãe de Deus de Kazan à Rússia contribua a
acelerar a unidade de todos os discípulos de Cristo.

6. Unidade da Igreja e unidade do gênero humano! Leio esta aspiração
à unidade nos rostos dos peregrinos de toda idade. Percebi-a de
maneira particular na reunião da juventude da Suíça, em Berna, e na
da Ação Católica Italiana, em Loreto. Quem poderá tirar esta fome de
vida em comunhão se não é Cristo?

Os crentes têm uma grande responsabilidade especialmente ante as
novas gerações, às quais há que transmitir de maneira inalterada o
patrimônio cristão. Por este motivo em várias ocasiões --
especialmente na peregrinação a Lourdes-- não deixei de alentar os
católicos europeus a permanecerem fiéis a Cristo. De fato, no coração
se alimentam essas raízes cristãs da Europa das que em grande maneira
depende o futuro solidário e justo do continente e do todo o mundo.
Quero repetir aquilo que sublinhei na Mensagem para a próxima Jornada
Mundial da Paz: não há que se deixar vencer nunca pelo mal, mas vença
ante o mal com o bem.

7. «Adoro te devote!». Venerados e queridos irmãos, recolhendo as
expectativas e as esperanças da Igreja e da humanidade, voltamos a
dirigir o olhar ao Natal que já está perto.

Nosso coração não tem medo ante as dificuldades, pois tem confiança
em ti, menino de Belém, que por amor vem a nós. Faz que te reconheçam
e te acolham como o Redentor do homem e o Príncipe da paz de todas as
partes! Com efeito, envio a todos minha benção.

Feliz Natal!


3 - João Paulo II destaca avanços ecuménicos no seu balanço de 2004

Agência Ecclesia 21/12/2004

João Paulo II escolheu hoje os avanços no caminho ecuménico como um
dos pontos altos do seu trabalho ao longo do ano de 2004. O Papa
regozijou-se pelo facto de "o esforço ecuménico se estar a
intensificar em diversos níveis, graças a contactos constantes,
encontros e iniciativas" com os cristãos de diferentes Igrejas e
Comunidades ortodoxas e protestantes.
No discurso que preparou para o Encontro de Natal com a Cúria Romana,
em parte lido pelo substituto do Secretário de Estado, D. Leonardo
Sandri, o Papa deu realce à devolução do ícone da Virgem de Kazan à
Igreja Ortodoxa da Rússia (a 28 de Agosto passado), esperando que
este gesto "possa contribuir para acelerar a reunificação de todos os
cristãos".
Segundo João Paulo II, as relações com o Patriarcado de Moscovo
melhoraram por causa deste gesto e de outros que se lhe seguiram
(como as visitas do Cardeal Paul Poupard, responsável da Santa Sé
para a área da cultura, ao território da Igreja Ortodoxa russa).
"É urgente reconstruir a plena comunhão dos cristãos", disse o Papa,
assinalando que "devemos continuar a percorrer, sem hesitações, o
caminho da unidade, intensificando o esforço ecuménico".
Este desejo de unidade deve, depois, estender-se a toda a humanidade,
uma aspiração que João Paulo II diz ter visto "nos peregrinos de
Berna, na Suíça, e da Acção Católica, no Loreto (Itália)".
A saudação do Papa não esqueceu outro dos temas em destaque ao longo
do ano: as raízes cristãs da Europa, endereçando um convite a todos
os católicos europeus para "permanecerem fiéis a Cristo", a partir
dessas mesmas raízes. "Delas depende não pouca parte do futuro justo
e solidário do Continente e do mundo inteiro", apontou.
Aos católicos foi ainda dito que "é grande a sua responsabilidade,
especialmente nos confrontos com as novas gerações, às quais é
transmitido inalterado o património cristão".

Ajuda é cada vez mais necessária
Em relação aos cardeais e demais membros da Cúria Romana, reunidos
para as trocas de votos natalícios, o Papa deixou o seu "muito
obrigado" a todos os colaboradores.
"O passar dos anos faz sentir de forma cada vez mais viva a
necessidade da ajuda de Deus e dos homens. Obrigado pela constante
sintonia com que trabalhais comigo ao serviço da Igreja universal",
disse.
João Paulo II deixou ainda uma palavra de especial gratidão ao decano
do Colégio Cardinalício, Cardeal Joseph Ratzinger. Este, por seu
turno, ofereceu os votos natalícios da Cúria e sublinhou "a
paciência, generosidade e coragem" com as quais o Papa suporta as
suas provações, que comparou "aos sofrimentos de Cristo".
Octávio Carmo


4 - Patriarca de Constantinopla a favor da entrada da Turquia na UE .

Agência Ecclesia 22/12/2004

O Patriarca Ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I, manifestou-se
favorável à entrada da Turquia na UE, numa entrevista concedida ao
semanário Famiglia Cristiana.
"Nós estamos a favor da entrada da Turquia na UE e repetimos a nossa
posição, mas esperamos que antes de qualquer decisão se resolvam os
problemas acumulados ao longo dos anos", afirmou.
O Patriarca saúda o "interesse real" da UE sobre a questão dos
direitos humanos, das minorias e a liberdade religiosa. "Estamos
optimistas, mas ainda resta muito caminho por percorrer", aponta.

Octávio Carmo


5 - Natal na Síria: festa dos jovens, da caridade cristã e do
ecumenismo

Damasco (Agência Fides) - Por ocasião das festas de Natal, a Agência
Fides pediu uma palavra sobre a celebração do Natal na Síria a V.B.
Gregorios III Laham, Patriarca greco-melquita de Antioquia e de todo
o Oriente, de Alexandria e de Jerusalém.

"A celebração da solenidade da Natividade de Jesus Cristo é preparada
de modo cuidadoso em todas as nossas paróquias, seja no plano
espiritual e litúrgico (observando a "Quaresma de Natal", que
corresponde ao Advento latino, com a pregação dos sacerdotes), seja
no plano da festa exterior.
Desta preparação, participam muito ativamente os movimentos dos
jovens e as diversas confraternidades. As nossas organizações de
solidariedade, por ocasião da festa, duplicam seus esforços para a
assistência caritativa aos mais pobres, aos anciãos e às crianças das
famílias pobres, visitando-os e distribuindo dons úteis, alimentos ou
de outro gênero.
Existe no Oriente Médio somente um canal de Tv via satélite católica
em árabe, que se chama "Telelumiere" ou "Noursat", que transmite do
Líbano, mas que é visto também na Síria e em outros países do Oriente
Médio. Nas semanas que precedem o Natal, a Tv oferece numerosos
programas de preparação à festa.
A festa de Natal é caracterizada, no plano exterior, por decorações
luminosas nas fachadas das igrejas e das casas onde moram os nossos
fiéis, seja nos bairros cristãos das cidades, como nos vilarejos de
maioria cristã. O visitante que passa à noite nas ruas desses bairros
em Damasco é surpreendido por um grande número de decorações
natalinas nas janelas e nos balcões das casas. A decoração é livre e
não é sujeita a nenhuma limitação ou restrição por parte das
autoridades civis, mesmo que, pela "neutralidade confessional"
prescrita na Constituição, o governo não contribua para essas
decorações.
A celebração da Liturgia, na noite de Natal, com a Missa do Galo, é
muito seguida pelos fiéis, seja na nossa Catedral patriarcal Greco-
melquita católica, em Damasco, seja em todas as outras paróquias,
católicas e ortodoxas, em todas as cidades da Síria. A única
comunidade cristã que não celebra o Natal em 25 de dezembro na Síria
é a Igreja Armênia Apostólica que, segundo a tradição, festeja a
Natividade em 6 de janeiro.
A rádio síria transmite ao vivo diversos momentos da celebração de
Natal nas nossas comunidades cristãs. A televisão síria, presente em
todas as celebrações de Natal, na noite de 25 de dezembro transmite
reportagens nos telejornais, que começam geralmente com as
felicitações de Natal apresentadas, em nome do Presidente da
República, por um membro do Governo ao Patriarcado, ao Bispo de
Damasco, e nas outras cidades pelo governador da província.
Todos os anos, nos dias precedentes ao Natal, organizamos em Damasco
meio dia de retiro espiritual, do qual participam normalmente os
membros do clero (bispos, sacerdotes, diáconos) e os religiosos das
diversas igrejas presentes na capital. Este ano, pela primeira vez,
em 18 de dezembro de 2004 todas as Igrejas ortodoxas e católicas se
reuniram na nossa Catedral para um momento de oração, com cantos.
Estavam presentes os três Patriarcas: o Patriarca greco-ortodoxo
Ignazio IV; o Patriarca sírio-ortodoxo Ignazio Zakka I e eu, com
representantes do clero e na presença do Núncio Apostólico.
Nós combatemos a "farsa" de papai Noel, infelizmente presente em
programas televisivos de vários países, que chegam à Síria via
satélite. E na minha Carta Pastoral para o Natal, pedi a Papai Noel
que não entre em nossas paróquias.
Gostaria de encerrar com um detalhe: nos documentários oficiais, na
Síria, a data é sempre indicada segundo os dois calendários: o
muçulmano, da Egíra, e o cristão e universal, em uso, com os nomes
dos meses do calendário siríaco, ou seja, cristão, e a indicação do
ano da Natividade de Cristo".
+ Gregorios III Laham. Patriarca de Antioquia e de todo o Oriente de
Alexandria e Jerusalém.
(Agência Fides 20/12/2004)


6 - O Presépio, símbolo muito amado também pelas crianças muçulmanas:
Natal, dia de trabalho, pequenos e grandes enchem a igreja de
Antioquia para ver o Menino Jesus na manjedoura

Antioquia (Agência Fides) - "O Natal está chegando. Em Antioquia, no
sul da Turquia, ele chega em silencio, sem luxos e luzes pelas ruas,
sem vitrinas decoradas, sem a pressa dos últimos presentes. Mas isso
não impede nosso desejo de dar uma acolhida digna ao Menino
Jesus, "vestindo" nossa igreja com flores, velas e toalhas novas, e
sobretudo, com o presépio, para celebrar e ilustrar o grande mistério
de Deus feito homem, frágil e indefeso; para exultar juntos por sua
Luz, que iluminou as trevas. Mariagrazia Zambon, uma leiga da
comunidade católica de Antioquia, explica à Agência Fides como se
vive o Natal em um país muçulmano:
"Nosso presépio é uma atração para grandes e pequenos, a recordação
de um evento histórico, de dimensão universal. A visita à igreja
católica é um evento muito querido a muitos cristãos e não-cristãos.
Enquanto na Itália, pensam em conservá-lo nas cantinas, remove-los
das escolas, esconder parte da tradição natalina, aqui os alunos
gostam de reunir-se ao redor da manjedoura do Menino Jesus e admirar
o nascimento deste grande profeta, fazendo perguntas sobre o
significado dos anjos, das velas, da cabana: sinais que se tornam
motivo de reflexão e de interesse. E é uma ocasião, para nós, de
apresentar a mensagem evangélica, partindo de pequenas e simples
estátuas de gesso. Uma tradição a não se perder, muito menos na
Turquia, país com 90% de muçulmanos".

Também este ano o "milagre" se repete. Acabamos de montar as duas
árvores nos salões, as luminárias, a decoração e principalmente o
presépio na igreja. Justamente então chega até o portão da igreja um
grupo de crianças, com seus uniformes azuis. Eles vêm de uma escola
da outra parte da cidade, e a prefeitura não colocou à disposição nem
mesmo um ônibus, e assim vieram a pé, desafiando o frio e o tráfico.
Provêm de um bairro pobre na parte nova da cidade: têm crianças sem
agasalho, sem meias, com sapatos furados, cheio de barro ou três
números maiores. Obviamente ninguém é cristão.
"Desejam ver a igreja e o presépio. É a primeira vez na vida deles.
Sabemos que se aproxima uma festa importante para vocês e queremos
compartilhá-la", afirma uma das professoras. Acendo as luzes
coloridas que acabaram de ser instaladas e... para elas abre-se um
espetáculo. Um simples presépio, com poucos personagens, anjos e
ovelhas, as montanhas de papel machê e o sino de madeira: para elas é
um encanto. A professora, também ela muçulmana, explica-lhes: "Os
cristãos no dia de Natal festejam o nascimento de Jesus, o profeta
enviado por Deus no mundo para trazer paz, amor, fraternidade; para
nos ensinar a querermo-nos bem. E realmente quer que nós o imitemos
se queremos viver de acordo com Deus. Jesus foi uma pessoa boa e isso
os pastores sabiam. Eis o porquê, assim que nasceu, foram louvá-lo e
rezar por ele".
Nem uma palavra, olhos arregalados e bocas abertas. Encantados com as
luzes e com as estátuas. Esses são os primeiros pequenos, pobres
adoradores do nosso Messias! Nesses dias será uma caravana contínua
de classes e alunos. O que os traz até aqui? O que esperam ver?
E os mais interessados parecem ser os adultos, que se debruçam com
curiosidade sobre o grande mistério ilustrado pelo presépio, tentando
intuir algo deste Deus nascido em uma gruta, e capaz de transformar a
vida, trazendo amor e paz também aos corações atormentados. Muitos
virão até aqui para se perguntar o que os cristãos vêem de assim tão
especial e "potente" neste profeta recém-nascido.
Até mesmo o Prefeito, o Chefe da polícia, as autoridades de relevo da
cidade, no dia de Natal, dia de trabalho como qualquer outro, têm um
compromisso fixo na agenda: a visita à Igreja católica, não somente
para felicitar o pároco e a comunidade cristã, mas também para
admirar o presépio, sempre igual, mas sempre original e fascinante.
Uma tradição cristã que com gosto e arte sabe encantar e contar quem
é o verdadeiro protagonista do Natal". (Agência Fides 21/12/2004)


7 - TRADIÇÕES DE NATAL NA RÚSSIA

PRAVDA.Ru 19/12/2004

O Dia de São Nicolau é celebrado no dia 19 de Dezembro, evocando a
viagem de Príncipe Vladimir a Constantinopla no século 11, para ser
batizado. Voltou à Rússia com histórias dos milagres de São Nicolau
de Mira, conhecido pela sua bondade, especialmente para crianças.

São Nicolau se tornou o sento padroeiro de Moscovo e as suas vestes e
barba branca serviram de protótipo para o que se chama Pai natal ou
Papá Noel pelo mundo fora.

Na época do Natal, Babouschka distribui as prendas. Ela se esqueceu
de dar comida e abrigo aos Três Reis Magos e passou o resto da
eternidade a procura deles, visitando as casas das crianças,
distribuindo prendas para compensar seu "pecado".

Outra figura que distribui as prendas é Ded Moroz (Avó Geada),
acompanhado pela sua neta, Snegouroschka, a Moça de Neve, que cuida
de Ded Moroz e o ajuda a distribuir as prendas na noite de 31 de
Dezembro.

Natal na Rússia é baseado no calendário Juliano e por isso celebra-se
no dia 6 de Janeiro, a véspera de Natal. A refeição é
tradicionalmente sem carne, mas é uma refeição festiva com vários
pratos, mas o prato central é Kutya, uma papa feito de bagos e grãos,
simbolizando esperança e imortalidade, sementes de papoila e mel,
simbolizando sucesso, felicidade e descanso. Todos os presentes comem
a Kutya do mesmo prato, símbolo de unidade.

Algumas pessoas atiram uma colher de Kutya contra o tecto e se ficar,
sem pingar, a safra de mel será boa para o ano seguinte.

Na véspera de Natal em 6 de Janeiro, as pessoas levam velas e
lanternas, e dão a volta à Igreja. Chama-se a Procissão Krestny Khod.
Depois do serviço, em que cantam cânticos e rezam, voltam a casa para
a ceia de meia noite.

Olga SELYANINA


8 - Cristãos ortodoxos comemoraram a festa de Santo Nicholas

Fonte: Voz da Rússia 20/12/2004

No domingo, os cristãos ortodoxos comemoraram a festa instituída em
homenagem ao santo Nicholas, o Milagreiro, um dos mais venerados na
Rússia e em todo o mundo cristão ortodoxo. O patriarca da Igreja
Ortodoxa Russa, Aleksi II, celebrou um ofício divino na Sé da
Aparição de Jesus Cristo, no Kremlin. O povo ortodoxo crê que ainda
hoje esse santo agradável a Deus faz uma infinidade de milagres para
ajudar os que rezam para ele. Todo ano, milhares de peregrinos
visitam a cidade italiana de Bari, onde numa igreja local são
guardadas suas relíquias.


9 - Exposição mostra gravuras, desenhos e fotografias de igrejas de
São Petersburgo que não sobreviveram até nossos dias

Fonte: Voz da Rússia 23/12/2004

No Museu Russo de São Petersburgo foi inaugurada uma exposição de
gravuras, desenhos e fotografias antigas em que aparecem algumas
igrejas dessa cidade que não sobreviveram até nossos dias. É costume
pensar que Moscou é uma cidade de igrejas, enquanto que São
Petersburgo é uma cidade de rios e canais. Nós tentamos mostrar nossa
cidade assim como estava antes da Revolução Bolchevista de outubro de
1917 – contou ao repórter da agência "Interfax" Ievghenia Petrova,
vice-diretora do Museu Russo. As quase 600 amostras provam que também
essa cidade era de "um zilhão de cúpulas douradas", a famosa metáfora
usada para Moscou, antes da destruição em massa de templos locais.
Nessa exposição, as tradicionais artes figurativas são enriquecidas
com esculturas em madeira, ícones e utensílios eclesiásticos.


10 - Aleixo II diz que a eutanásia é satânica

Fonte: www.kommersant.com

Traduação: Ricardo Williams G. Santos

16 de dezembro. O Patriarca de Moscou e toda a Rússia, Aleixo II,
condenou a eutanásia como uma forma de suicídio e a chamou de
satânica, segundo a agência RIA Novosti.

"Devemos dizer, sem pensar duas vezes, que a eutanásia é um tipo de
suicídio consciente, e que do ponto de vista religioso, representa o
grau máximo de afastamento de Deus. A Igreja Ortodoxa considera a
promoção da eutanásia como satanismo, seja oculto ou declarado",
disse o Patriarca no encontro do Sínodo Eparquial na quarta-feira.

"A opinião comum hoje em dia é que um homem tem o direito de fazer o
que bem entender com sua vida, de acordo com sua vontade. Há pessoas
que exigem que este 'direito' pecaminodo seja legalizado, e tentam
explica-lo em termos médicos", disse o Patriarca.

Segundo Sua Beatitude, a situação torna-se mais horrível quando
médicos, que supostamente deveriam preservar a vida humana, tornam-se
instrumentos de assassinatos.

"Não há nada pior que suicídio, e os casos deste terrível pecado
aumentam a cada ano", afirmou Aleixo II, que ainda disse que o
principal motivo desse aumento era a falta de propósito de vida e
descrença na vida após a morte.

A legislação russa não possui jurisprudência clara com relação à
eutanásia, prática que não é condenada pelo código penal russo.


11 - Crianças italianas enviam cartas de Natal a pequenos cristãos
iraquianos.

A arquidiocese de Turim continua com seu projeto de «adoção» de
sacerdotes desse país

TURIM, quarta-feira, 22 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- A
arquidiocese de Turim organizou por ocasião deste Natal um
intercâmbio de felicitações entre crianças italianas e iraquianas e
também impulsionou sua iniciativa de «adoção» de sacerdotes católicos
nesse país.

Entrevistado por Zenit, o padre Fredo Olivero, diretor do
Departamento de Pastoral dos Imigrantes da arquidiocese, explica que
o projeto «Tenho um novo amigo: um sacerdote caldeu iraquiano» serviu
já para «adotar» dez sacerdotes.

Graças a doações de católicos italianos, em novembro se destinaram
dez mil euros (13.400 dólares americanos) a dez sacerdotes.

Esta ajuda, esclarece o padre Olivero, os sacerdotes devem utilizá-
la «para melhorar as condições de vida das próprias comunidades,
comprometendo-se a investi-la, na medida em que o permita a situação,
no desenvolvimento das mesmas».

Nestes momentos, a situação dos cristãos iraquianos se deteriorou
notavelmente: os atentados contra as igrejas em Bagdá e Mosul de 16
de outubro, 8 de novembro e 7 de dezembro, assim como as cotidianas
ameaças e violência contra cristãos iraquianos complicam a
sobrevivência desta pequena mas muito antiga comunidade cristã. A
Igreja caldéia conserva na liturgia o aramaico, a língua que Jesus
falava.

«Ajudar as comunidades cristãs iraquianas através de seus guias
espirituais --declara o padre Olivero a Zenit-- quer diizer fortificá-
las e tratar, na medida do possível, de oferecer-lhes uma
vida "normal", assim como uma demonstração de nossa proximidade».

Na «adoção» de sacerdotes, assinala, podem participar associações,
paróquias, grupos ou indivíduos.

O Departamento de Pastoral dos Imigrantes da arquidiocese de Turim
lançou também o projeto «Natal de Paz», no qual participaram crianças
de várias cidades da Itália, que enviaram cartões de Natal e desenhos
a crianças iraquianas. A segunda fase do projeto será a resposta
escrita ou desenhada pelos pequenos iraquianos, por ocasião de Páscoa
de 2005.

«Ajudar as comunidades iraquianas não é fácil, mas é possível, e
sobretudo é importante, para que o caminho cristão começado naquelas
terras pela pregação de São Tomé Apóstolo não acabe na diáspora
forçada de quem, apesar de tudo, sente-se orgulhoso de ser cristão
iraquiano», sublinha o padre Olivero.

[Mais informação em <http://www.diocesi.torino.it/migranti/>]

12 - Cristãos iraquianos preparam um Natal sem festas. Patriarca
dos Caldeus cancelou as Missas do Galo.

(Vide também esclarecimento na notícia 13)

Agência Ecclesia 22/12/2004

Os cristãos de Bagdad, cujas igrejas têm sido as mais atingidas pelos
ataques terroristas este ano, preparam as celebrações de Natal num
clima marcado pelo medo e a discrição, sem nenhum tipo de
manifestação exterior de festa.
O Patriarca dos Caldeus, D. Emmanuel Delly, cancelou as Missas da
noite de 24 de Dezembro como "sinal de protesto contra os ataques"
que os cristãos têm sofrido.
Os chefes religiosos cristãos de Kirkuk, no Norte do Iraque, já
tinham revelado que o Natal de 2004 não será um tempo de festa para
os cristãos do país, ameaçados pelos constantes conflitos, a pobreza
e a crescente vaga de atentados contra igrejas e espaços das suas
comunidades.
"Rezamos e esperamos que este seja um Natal de paz e de amor, mas há
muita dor na nossa comunidade e não faremos grandes festas", diz o
comunicado publicado por ocasião da celebração do nascimento de Jesus.
"Muitas famílias perderam parentes ou filhos por causa de grupos
fundamentalistas ou nos atentados às igrejas de Mossul e Bagdad. Por
isso, decidimos não organizar festas durante os dias de Natal: ao
invés, vamos rezar pelo nosso país, para que o Senhor conceda a paz
para a nossa terra", explicam.
No passado dia 8, o Papa condenou publicamente os atentados cometidos
no Iraque contra a minoria cristã, após a destruição de uma igreja
arménia-católica e do edifício do arcebispado caldeu.
O número de cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70%
fazem parte da Igreja Católica caldeia.
Cinco igrejas de Bagdad foram alvo de uma série de ataques
simultâneos a 19 de Outubro que não fizeram vítimas. A minoria cristã
já tinha sido alvo de actos de violência em Agosto, quando seis
atentados contra locais de culto cristãos causaram 10 mortos e 50
feridos em Bagdad e Mossul.

Octávio Carmo


13 - PATRIARCA DELLY, DE BAGDÁ, ANUNCIA QUE NATAL SERÁ CELEBRADO
REGULARMENTE NO IRAQUE

Bagdá, 21 dez (Rádio Vaticana) - O Patriarca católico caldeu de
Bagdá, Dom Emmanuel III Delly, desmentiu nesta terça-feira, as
declarações feitas anteriormente por "Pax Christi-Iraque", a respeito
das celebrações natalinas. Ao contrário do anunciado, Dom Delly
declarou que todas as celebrações de Natal serão realizadas
regularmente, exceto a Missa do Galo, que não poderá ser celebrada em
virtude do toque de recolher. O Patriarca desmentiu ainda que o
número de missas será diminuído por motivos de segurança. "As missas
são e serão seguidas por todos os fiéis, porque os iraquianos querem
festejar o Natal" _ assegurou. Dom Delly reiterou sua condenação a
todos os episódios de violência que marcam a martirizada terra
iraquiana. A propósito, o Patriarca anunciou que os chefes das
igrejas católicas e ortodoxas "não receberão as felicitações
oficiais", para protestar contra os ataques às casas de Deus, ou
seja, igrejas e mesquitas, e para recordar todas as vítimas dos
atentados terroristas. (BF)


14 - Egipto: Patriarca copta protesta contra discriminação dos
cristãos

Ais Notícias 22/12/2004

D. Shenouda III retirou-se para um mosteiro isolado no Egipto em
protesto contra a discriminação e detenção de 34 coptas ortodoxos
pelas autoridades. O Patriarca terá avisado que não irá celebrar a
Missa de Natal caso se mantenha a perseguição aos cristãos.
"O Patriarca permanecerá em retiro até que o Governo encontre uma
solução que a sua consciência possa aceitar", declarou à agência Asia
News o secretário de D. Shenouda III, que recentemente fixou
residência no mosteiro de Anba Bishoy, a leste do Cairo. O Patriarca
Copta Ortodoxo protesta, desta forma, contra as ameaças em relação à
comunidade cristã.
Segundo fontes consultadas pela agência Fides, tem vindo a aumentar a
pressão sobre os cristãos por parte dos extremistas muçulmanos "que
estão furiosos porque os cristãos se recusam converter-se ao que os
muçulmanos chamam de «única religião verdadeira»". A intenção é,
segundo as mesmas fontes, "eliminar o cristianismo do Egipto, um país
onde a Igreja marca presença há séculos".
As autoridades egípcias libertaram ontem 13 dos 34 cristãos coptas
que foram detidos após confrontos com a polícia no passado dia 8 de
Dezembro. Os incidentes ocorreram durante uma manifestação junto à
catedral de S. Marcos, na capital egípcia, que reuniu cerca de 3 mil
cristãos que protestavam pelo desaparecimento da mulher de um
sacerdote copta (alegadamente raptada e convertida à força ao
islamismo).
Como refere o vice-presidente de uma associação de coptas dos Estados
Unidos da América, Emil Zaki, este não foi um caso isolado. Para este
representante "a situação dos cristãos no Egipto está a piorar de
minuto para minuto". O regime de Mubarak tem ignorado e, em certos
casos, contribuído para a violência anti-copta, defendeu Emil Zaki em
declarações à Asia News.
Apesar do Natal Ortodoxo (que se celebra a 7 de Janeiro) ser, desde
há dois anos, considerado feriado nacional no Egipto, os exames
universitários vão decorrer entre 1 e 8 de Janeiro. Os coptas
ortodoxos consideram esta atitude como uma forma de discriminar os
estudantes cristãos, impossibilitando-os de celebrarem o Natal.
O Patriarca Shenouda III terá recentemente manifestado a intenção de
não celebrar a Missa de Natal caso não termine a violência contra os
cristãos, nomeadamente os raptos de mulheres cristãs. D. Shenouda III
espera também que sejam rapidamente libertados os restantes 21
cristãos ainda detidos.
Intenção semelhante foi expressa pelo Patriarca dos caldeus no
Iraque, D. Emmanuel Delly, que cancelou as Missas de 24 de Dezembro
em protesto contra a violência que atinge quotidianamente os cristãos
iraquianos.


15 - Aumenta a pressão do fundamentalismo islâmico. "Não haverá Missa
de Natal se as violências contra os cristãos continuarem", afirma a
máxima autoridade dos coptas ortodoxos do Egito

Cairo (Agência Fides)- Um Natal "diferente". Assim uma fonte da
Agência Fides do Cairo define o Natal que os cristãos no Egito se
preparam para viver, onde aumentam dia após dia as pressões sobre os
cristãos por parte do extremismo islâmico. "O Papa copto ortodoxo,
Shenouda III, ameaçou não celebrar a Missa de Natal se não diminuírem
as violências contra os cristãos", afirma a fonte da Fides. "Papa
Shenouda III há algum tempo reside no Patriarcado, mas em um convento
isolado para protestar contra as ameaças e as intimidações em relação
à comunidade cristã."
Segundo as nossas fontes, "as pressões contra os cristãos aumentaram
nas últimas três semanas. O episódio mais grave foi o seqüestro das
esposas de três sacerdotes cristãos ortodoxos, que desapareceram no
nada".
"Os extremistas muçulmanos estão furiosos porque os cristãos
permanecem fiéis ao próprio credo e não se convertem àquela que
definem a "verdadeira fé". Seu desejo é desarraigar a presença cristã
do Egito, um dos países onde a Igreja tem uma presença muito antiga",
recordam as fontes da Fides.
"Existem outros modos, além disso, para impedir que os cristãos
egípcios celebrem plenamente o Natal", acrescentam as nossas
fontes. "Por exemplo, as universidades programam as provas nos dias
1° e 8 de janeiro. Deste modo, o Ano Novo cristão não pode ser
celebrado pelos nossos estudantes, assim como o Natal ortodoxo que
cai em 7 de janeiro. Os jovens que estudam a centenas de quilômetros
de casa, como podem estar com suas famílias se um dia depois têm uma
prova?" "Isto ocorre apesar de o Natal ortodoxo ter sido proclamado
festa nacional pelas autoridades civis há dois anos. Mas as
universidades não levam em consideração as exigências dos estudantes
cristãos", recordam as fontes da Fides. (L.M.) (Agência Fides
20/12/2004)


16 - PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO EGÍPCIO ANUNCIA LIBERTAÇÃO DE
CRISTÃOS

Cairo, 22 dez (Radio Vaticana) - A Procuradoria-geral do Estado
egípcio decidiu libertar treze cristãos coptas detidos no dia 8 de
dezembro, depois de um confronto com a polícia em frente à Catedral
do Cairo.
O Procurador-geral, Maher Abdel Wahid, aceitou libertar treze dos 34
detidos, porque eram "adolescentes e estudantes".
Um porta-voz do Episcopado copta disse que a notícia não foi
confirmada pela Igreja copta nem pelo líder Shenuda III, que há mais
de 10 dias se enclausurou em um mosteiro, para protestar contra a
detenção dos cristãos.
Os cristãos protestaram contra o suposto seqüestro de uma mulher
copta, para que se convertesse ao Islã. (BF)


17 - Fé e unidade nas manifestações que rejeitaram a manipulação
política na Ucrânia, constata o cardeal Lubomyr Husar, à frente da
Igreja greco-católica no país

ROMA, quarta-feira, 22 de dezembro de 2004 (ZENIT.org ) Católicos,
ortodoxos e protestantes oraram juntos «para indicar a vontade de
querer mudar o sistema ainda ligado ao regime comunista que tentou
erradicar a fé, mas não conseguiu destruí-la», constata o cardeal
Lubomyr Husar fazendo balanço das manifestações que denunciaram a
recente fraude eleitoral na Ucrânia.

Após o segundo turno eleitoral de 21 de novembro, Ucrânia contemplou
dia a dia fortes protestos. Dados oficiais haviam proclamado vencedor
o atual primeiro-ministro filo-russo Víctor Yanukóvich, mas foram
fortemente contestados pelos partidários de seu adversário, Víctor
Yúschencko, como fruto de uma enorme fraude.

Acolhendo os recursos apresentados pela oposição, o Tribunal Supremo
da Ucrânia anulou doze dias depois de sua celebração o segundo turno
das eleições presidenciais porque «houve falsificações» que
faziam «impossível determinar o resultado». A votação entre
Yanukóvich e Yúschenko se repetirá em 26 de dezembro.

Durante quase duas semanas os seguidores de Yúschenko foram capazes
de permanecer no centro de Kiev e em outras cidades ucranianas,
apesar das nevadas e das gélidas temperaturas. Chegaram a assediar os
edifícios das autoridades, mas nunca com violência.

Desde Roma, o cardeal Lubomyr Husar --arcebispo maior de Lviv dos
ucranianos, está à frente da Igreja greco-católica na Ucrânia--
reconheceu que as Igrejas haviam sido o instrumento principal para
manter pacíficas aquelas manifestações.

O purpurado foi recebido em 7 de dezembro por João Paulo II. Teve
oportunidade de agradecer o Santo Padre pela oração pela difícil
situação ucraniana. O Papa «nos convidou a ter confiança em Deus e
dirigiu uma especial benção ao povo ucraniano, explicou em uma
entrevista difundida por «Korazym» semana passada.

O cardeal Husar havia apoiado claramente a população que se deixou às
ruas em Kiev pedindo novas eleições. É que se manifestando «o povo
demonstrou que não queria ser manipulado --afirmou--. É natural que a
Igreja se alinhasse da parte do povo, porque creio que tem todo o
direito de protestar contra a manipulação política», e o «povo está
contente de ver que a Igreja está a seu lado e a favor da justiça».

«Neste período particularmente turbulento para nosso país, o sentido
da fé é forte e o povo orou muito», sublinhou.

«Católicos, ortodoxos, protestantes oraram juntos precisamente para
indicar a vontade de querer mudar o sistema, ainda ligado ao regime
comunista que buscou erradicar a fé, ainda que não conseguiu destruí-
la»; «se quisermos alcançar a plena democracia, devemos apoiar-nos em
nossa fé, e o povo quer fazê-lo, como o demonstrou», acrescentou.

Com vistas ao encontro do próximo domingo, o prelado afirmou que «as
eleições podem abrir uma espiral de pacificação se houver uma mudança
política radical». «Se ganhar o candidato proposto pelo poder
existente, não haverá esperança de uma autêntica mudança», alertou.

De fato, em sua opinião, a notícia do suposto envenenamento do líder
da oposição --Yúschenko-- indica «que temos um poder capaz de tudo,
como nos tempos da União Soviética, que não se detém ante nada».

Traçando os desafios que o país enfrenta, ao que definiu
como «multiconfessional», o cardeal Husar abordou também
a «possibilidade de um verdadeiro ecumenismo», que se tem «ali onde
não entra a política».

«Lamentavelmente, o Patriarcado [ortodoxo Ndr] de Moscou está muito
politizado e apoiou abertamente o candidato Yanukóvich com
declarações e atos religiosos muito fortes» --informou. «Para nós --
prosseguiu o cabeça da Igreja greco-católica na Ucrânia-- é muito
difícil ter um diálogo com eles. Quem não pensa como eles não tem
direito de palavra...».

Em qualquer caso, neste terreno «o povo está aberto» e os fiéis
católicos e ortodoxos «estão dispostos ao diálogo»; são as «altas
cúpulas do clero que fazem "pouco ecumenismo" e não convidam o povo a
uma aproximação mais viva e mais real», observou.

A maioria da população da Ucrânia, república ex-soviética de mais de
47 milhões de habitantes, é ortodoxa. 13% são católicos, em boa parte
de rito oriental.


18 - NATAL NA ARMÊNIA

Informativo Armênia - Dezembro

Na prática, os armênios comemoram o Natal de Jesus a começar em 25 de
dezembro (Natal ocidental, conforme o calendário juliano) e até 6 de
janeiro, dia tradicional do Natal armênio (segundo o calendário
gregoriano), passando naturalmente pela festa do Ano Novo. É uma
fórmula sábia de prolongar a alegria do nascimento de Jesus e de
acentuar o seu significado na vida dos fiéis. Na realidade, muito
mais que a data, o que deve primar é a substância dessa celebração
religiosa, ou seja, o reconhecimento da graça divina que vem ao
encontro da humanidade no infante da mangedoura. Que as árvores de
Natal, onipresentes nestes dias, assim como aquela de 27 metros
erguida na praça central de Erevan, simbolizem de fato essa graça
divina e a nossa disponibilidade em aceitá-la. Nisso reside o júbilo
natalino.


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