BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 13 - 19 de dezembro de 2004

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

O Natal se aproxima e neste momento peço uma prece especial pelos
cristãos que vivem em países de maioria não cristã, como é o caso do
Egito e do Iraque, que são mencionados nas notícias abaixo, que estes
cristãos possam celebrar o Natal em paz.

Este ano no Especial de Natal do National Geographic Channel serão
mostrados dois documentários que possuem relação com as Igrejas
Orientais: 1) "Dentro das Muralhas de Jerusalém", que mostra várias
comunidades religiosas existentes em Jerusalém; e 2)"Montanhas de
Fé", que mostra um candidato ao sacerdócio na Igreja Etíope.

"Dentro das Muralhas de Jerusalém" vai passar no dia 24/12 às 18:00 e
às 22:00 e no dia 25/12 às 16:00 e às 20:00.

"Montanhas de Fé" vai passar no dia 23/12 às 13:00, às 18:00 e às
22:00 e no dia 25/12 às 17:00 e às 21:00.

Saudações Fraternais

Luis Felipe
[email protected]


ÍNDICE

1 - IGREJA ORTODOXA RUSSA E SANTA SÉ PRODUZEM FILME CONJUNTO SOBRE OS
PRIMEIROS CRISTÃOS

2 - Alexis II distancia-se do Vaticano

3 - 2004 NÃO FOI BOM PARA AS RELAÇÕES ENTRE ORTODOXOS E CATÓLICOS

4 - A Igreja Ortodoxa da Rússia está à procura de um santo padroeiro
para a internet.

5 - Jejum natalino para os crentes da confissão cristã ortodoxa

6 - Igrejas cristãs devem unir-se para enfrentar secularismo e
agnosticismo europeu

7 - SHENUDA III ANUNCIA DETENÇÃO VOLUNTÁRIA ATÉ LIBERTAÇÃO DE
MANIFESTANTES

8 - Papa da Igreja copta ficará trancado até libertação de presos

9 - "Somente oração no Natal, nada de festa", afirma à Fides o
Arcebispo Caldeu de Kirkuk - Mensagem dos chefes religiosos para a
pacificação do Iraque

10 - Cristãos caldeus do Iraque não celebrarão festas de Natal,
anuncia o arcebispo de Kirkuk. Patriarca de Bagdá confirma o
compromisso de sua comunidade apesar dos atentados

11 - João Paulo II condena terrorismo e ataques aos cristãos no
Iraque

12 - O "custo de vida" na Europa ou no Iraque: os cristãos de Bagdá e
Mossul, sob constante perigo de morte, passarão o Natal fechados em
casa

13 - A VIOLÊNCIA NO IRAQUE E ORIENTE MÉDIO FOI O PONTO CENTRAL DO
ENCONTRO ENTRE O PAPA E O MINISTRO IRAQUIANO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

14 - Chanceler do Iraque promete ao Papa incentivar a liberdade
religiosa

15 - Ministro de Exteriores iraquiano confirma ao Papa que seu
governo defenderá os cristãos. Após a onda de atentados contra
igrejas


NOTÍCIAS

1 - IGREJA ORTODOXA RUSSA E SANTA SÉ PRODUZEM FILME CONJUNTO SOBRE OS
PRIMEIROS CRISTÃOS

Fonte: Agência RIA-Novosti 14/12/2004

Olga Sobolevskaia, analista da RIA "Novosti"

A Igreja Ortodoxa Russa e a Santa Sé irão lançar, em 2005, um
projecto conjunto sem precedentes. Trata-se de um filme de cinco
episódios intitulado "Peregrinação à Cidade Eterna". Para o Patriarca
de Moscovo e de Toda a Rússia, Aleksi II, o projecto será alvo de
esforços conjuntos "científicos e artísticos da Igreja Ortodoxa Russa
e da Santa Sé, da Rússia, Itália e da Polónia". Esta película
histórico-documental visa recordar uma vez mais que a cultura
europeia comum partiu exactamente do cristianismo - assinalou o Alto
Pontífice da Igreja Ortodoxa Russa, tendo qualificado o projecto de
acontecimento de enorme relevância. "Na Constituição da Comunidade
Europeia, recentemente aprovada, não é feita qualquer referência às
raízes cristãs comuns, que constituem os fundamentos históricos do
mundo contemporâneo, ofendendo assim milhões de cristãos, pelo que é
necessária uma resposta política, espiritual e cultural ", ressaltou
o Patriarca.

As filmagens começarão na Primavera. O filme relatará a vida e a obra
dos apóstolos mártires Pedro e Paulo. O capítulo final, sobre o
diálogo entre a Igreja e o Poder, é dedicado ao imperador Constantino
e à sua mãe Helena, graças a quem as relíquias cristãs mais veneradas
foram descobertas e a Igreja cristã foi oficializada.

O projecto está a cargo do realizador russo Vladimir Khotinenko, de
52 anos, cuja mais recente obra "72 metros" sobre um acidente num
submarino soviético teve grande aceitação, inclusive junto dos
jovens. "O nosso objectivo é fazer com que a "Peregrinação à Cidade
Eterna" tenha uma ampla audiência. A sociedade moderna considera que
os princípios morais são de cumprimento facultativo. Os seus
defensores são perseguidos e ridicularizados. O caso de Mel Gibson e
do seu filme "A Paixão de Cristo" é um bom exemplo - afirma o
realizador. - Quanto ao nosso filme, a nossa visão é quue os milagres
devem ser visíveis e tangíveis. O espectador deverá acreditar nas
impressões dos joelhos do apóstolo Pedro na pedra (esta é uma das
relíquias que serão apresentadas no filme).

O produtor geral da obra é o Centro Científico-Espiritual do
Patriarcado de Moscovo "Enciclopédia Ortodoxa". Segundo o director do
Centro e responsável pela parte literária do filme, Serguei Kravets,
os "cineastas russos serão pela primeira vez admitidos a ver as
catacumbas e as relíquias do Vaticano e de Roma", de acordo com o
entendimento alcançado entre o Patriarcado de Moscovo e a Santa Sé
nos finais de Agosto último. As negociações tiveram lugar no âmbito
da visita a Moscovo de uma missão da Igreja Católica Romana com vista
à devolução à Igreja Ortodoxa Russa do ícone de Nossa Senhora de
Kazan. Numa mensagem dirigida, na ocasião, pelo Patriarca de Moscovo
e de Toda a Rússia, Aleksi II, ao Papa João Paulo II, o supremo
hierarca da Igreja Ortodoxa assinalou que acredita na possibilidade
do reatamento de boas relações com a Igreja Católica Romana e que a
Igreja Ortodoxa Russa "tem-se sempre declarado disposta a desenvolvê-
las num espírito de sincera colaboração".

Assim, o novo projecto passou a ter uma missão não só puramente de
divulgação como também política, visando, nomeadamente, a aproximação
das duas Igrejas. Nas suas aparições públicas, o Patriarca russo
Aleksi II evocou reiteradas vezes os "tempos da Igreja Antiga em que
não havia a divisão a que assistimos com pesar hoje entre o Ocidente
e o Oriente".

O projecto em causa desperta igualmente grande interesse a algumas
instituições públicas da Rússia, entre as quais a Agência Federal de
Cultura e Cinema e a Agência Federal de Imprensa e Comunicação
Social. Esta última apoia, em princípio, "todos os projectos laicos
baseados na tradição ortodoxa, pois a ortodoxia está na origem de
toda a cultura russa" - disse, em Novembro último, o director da
Agência, Mikhail Seslavinski, qualificando tais programas e filmes
como "socialmente relevantes" e, portanto, prioritários. De referir
que, ultimamente, o número de programas televisivos e radiofónicos de
orientação religiosa tem aumentado muito na Rússia, tendo sido
instituídos o Festival Internacional de Programas Televisivos e
Radiofónicos Ortodoxos "Radonej" e o Festival Internacional dos Meios
de Comunicação Social Ortodoxos "Fé e Palavra".

O presente projecto ortodoxo-católico "Peregrinação à Cidade Eterna"
é muito promissor e ambicioso. O produto final será apresentado a um
júri conjunto de avaliação final da Igreja Ortodoxa Russa e da Santa
Sé. Justificará ele as esperanças políticas, saberemos disso nas
vésperas do Natal de 2005, altura em que o filme deverá entrar em
cartaz.


2 - Alexis II distancia-se do Vaticano

Fonte: Agência Ecclesia 17/12/2004

O Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexis II, considera que, em
2004, o diálogo com o Vaticano não teve "progressos significativos",
e mostrou-se "especialmente preocupado" pelo alegado proselitismo da
Igreja greco-católica na Ucrânia.
Estes problemas não são novos e têm ensombrado os esforços de
aproximação de João Paulo II ao mundo ortodoxo russo.
"É muito cedo para falar de importantes mudanças positivas nas
relações entre a igreja Ortodoxa russa e a Católica romana", declarou
o Patriarca numa entrevista à agência russa Interfax.
Alexis II disse que " até agora não há resultados em numerosos
problemas referentes a essas relações".
O Patriarca Ortodoxo tem insistido na tese de "proselitismo católico"
na Rússia e nas outras onze repúblicas da ex-União Soviética.
"Não negamos o direito dos sacerdotes católicos a administrar suas
paróquias tradicionais, mas, consideramos inaceitável a sua
actividade missionária entre a população ortodoxa, particularmente,
as tentativas de converter as crianças baptizadas na fé ortodoxa ao
catolicismo", explicou.

Octávio Carmo


3 - 2004 NÃO FOI BOM PARA AS RELAÇÕES ENTRE ORTODOXOS E CATÓLICOS

Fonte; Rádio Vaticana 16/12/2004

Moscou, 16 dez (RV) - O Patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as
Rússia, Aleksej II afirmou que o ano que está por findar, não foi um
bom ano para as relações entre os ortodoxos e os católicos.

Ele lamentou que 2004 não tenha sido um ano precursor de progressos
significativos com o Vaticano e se declarou preocupado com o suposto
proselitismo da Igreja Católica.

''Ainda é ainda muito cedo para falar de importantes mudanças nas
relações entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Católica Romana" _
disse Aleksej II. Para o Patriarca, muitos problemas ainda não foram
resolvidos, entre eles, o suposto proselitismo católico _ o maior dos
problemas.

Aleksej II explicou: "Não negamos o direito de os sacerdotes
administrarem suas paróquias tradicionais, mas consideramos
inaceitável a atividade missionária entre a população ortodoxa, em
especial as tentativas de converter ao catolicismo, as crianças
batizadas na fé ortodoxa." (BF)


4 - A Igreja Ortodoxa da Rússia está à procura de um santo padroeiro
para a internet.

Fonte: BBC 16/12/2004

O clero russo diz que, com o maior uso dos computadores nas tarefas
diárias, é preciso escolher um protetor espiritual dos internautas.

Após uma vasta pesquisa, foram escolhidos dois finalistas: São João
Crisóstomo e São Feofan, o Eremita.

Há alguns anos, a Igreja Católica Romana nomeou Giacomo Alberione
como o santo padroeiro da internet.

Porém, a decisão do Vaticano não teve muita influência sobre os
ortodoxos russos.

Alguns padres russos vêem a internet como um instrumento do Satã.

Mas, para o padre Andrey Kurayev, que leciona na Universidade de
Moscou, a internet é uma ferramenta muito útil, sendo que muitas
igrejas ortodoxas já têm seu próprio website.

"Se tivermos um padroeiro da internet, o próximo passo será formular
uma prece para lidar com os vírus", disse Kurayev.


5 - Jejum natalino para os crentes da confissão cristã ortodoxa

Fonte: Voz da Rússia 29/11/2004

No próximo domingo se inicia o jejum natalino para os crentes da
confissão cristã ortodoxa. Além da recusa de certos pratos em favor
de comida basicamente vegetariana, o jejum pressupõe também repulsão
de vários desejos pecaminosos, para poder receber a festa do Natal de
coração puro. A Igreja Ortodoxa Russa celebra essa festa em 7 de
janeiro.


6 - Igrejas cristãs devem unir-se para enfrentar secularismo e
agnosticismo europeu

Fonte: Agência Ecclesia 13/12/2004

O Cardeal Paul Poupard defendeu que as Igrejas cristãs devem unir-se
para enfrentar secularismo e agnosticismo europeu.
"A fé cristã é um valor essencial da Europa e na nossa época as
Igrejas devem enfrentar os desafios do secularismo, a indiferença e o
ateísmo entre os europeus para assegurar que o continente continue a
ser uma comunidade assente em valores verdadeiros", referiu o
presidente do Conselho Pontifício para a Cultura na conferência
inaugural do encontro internacional "A cristandade e a proximidade de
cooperação dos valores espirituais na Comunidade europeia", promovida
pelo Instituto Teológico Ortodoxo Santos Metódio e Cirilo, na
Bielorússia.
"Para lutar contra o relativismo, o secularismo e a indiferença,
aquilo que produz graves problemas sociais e nega os valores da
verdade, a dignidade do ser humano e a inspiração da beleza, é
necessário prestar a devida atenção à relação entre o Evangelho e as
culturas", acrescentou.
Nesta viagem, o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura
visitou Minsk, de 10 a 12 de Dezembro, convidado pelo Metropolita
Filaret, de Minsk e Slutsk, exarca patriarcal da Bielorússia e
presidente da Comissão Teológica Sinodal da Igreja Ortodoxa Russa.
Após os encontros do Cardeal Paul Poupard com o Patriarca Ortodoxo de
Moscovo, Alexis II, e o Metropolita Kyrill, responsável pelo
Departamento das Relações com o Exterior do Patriarcado Ortodoxo de
Moscovo, que tiveram lugar a 19 de Novembro, este é mais um gesto de
aproximação entre as duas Igrejas, cujas relações têm sido marcadas
por alguma animosidade.

Octávio Carmo


7 - SHENUDA III ANUNCIA DETENÇÃO VOLUNTÁRIA ATÉ LIBERTAÇÃO DE
MANIFESTANTES

Fonte: Radio Vaticana 16/12/2004

Cairo, 16 dez (RV) - O líder egípcio copta, Shenuda III, anunciou sua
detenção voluntária, até libertação das pessoas detidas numa recente
manifestação.

O porta-voz do Episcopado da Igreja copta ortodoxa anunciou nesta
quinta-feira, que Shenuda III está enclausurado no mosteiro de Amba
Bishoy, no norte de cidade do Cairo.

O líder copta diz que deixará o mosteiro somente depois que a
situação se tranqüilizar e forem libertados os manifestantes detidos
no recente confronto entre coptas e policiais, ocorrido na semana
passada, diante da Catedral copta do Cairo, capital egípcia. (BF)


8 - Papa da Igreja copta ficará trancado até libertação de presos

Fonte: Agência EFE 16/12/2004

Cairo, 16 dez (EFE).- O Papa copta permanecerá trancado em um
monastério até que sejam libertados dezenas de presos em recentes
distúrbios protagonizados por manifestantes coptas, disseram à EFE
nesta quinta-feira porta-vozes do episcopado dessa igreja cristã
ortodoxa.

Segundo as fontes, Shenuda III se trancou de forma voluntária no
monastério de Amba Bishoy, ao norte de Cairo, até que "a situação
esteja tranqüila e todos os prisioneiros sejam libertados" após os
choques entre manifestantes coptas e a polícia na semana passada em
frente à catedral copta desta capital.

Os distúrbios ocorreram na quarta-feira, 8 de dezembro, quando
milhares de coptas enfurecidos foram ao templo e sede papal,
localizado no bairro central de Abassiya, no Cairo.

Segundo a imprensa local, mais de quarenta policiais e pelo menos 12
coptas ficaram feridos nos confrontos, que causaram a prisão de
trinta coptas, que continuam presos acusados de incitar a violência.

A manifestação tinha sido convocada para protestar por causa da
conversão ao Islã de uma mulher cristã, Wafa, engenheira de 48 anos e
casada com um sacerdote copta na província de Beheira, na região do
Delta do Nilo.

Segundo os manifestantes, a mulher foi seqüestrada por seu chefe e
obrigada se converter ao Islã, o que foi desmentido pelo governo
egípcio, que fez a mediação para que Wafa voltasse à obediência da
Igreja copta.

Além de Shenuda III, o bispo de Beheira, Bajomios, também decidiu se
trancar - nesse caso no monastério de Surian, próximo ao que recebe o
Papa copta -, em protesto contra a prisão dos manifestantes.

Constituindo apenas 10% dos setenta milhões de egípcios, os coptas
formam a maior minoria cristã do mundo árabe, e entre eles são
freqüentes as denúncias de pressões por parte da maioria muçulmana
para a conversão forçada ao Islã de membros da comunidade cristã.


9 - "Somente oração no Natal, nada de festa", afirma à Fides o
Arcebispo Caldeu de Kirkuk - Mensagem dos chefes religiosos para a
pacificação do Iraque

Fonte: Agência Fides 13/12/2004

Kerkuk (Agência Fides) - O Natal de 2004 será de oração para a
comunidade cristã de Kirkuk, no norte do Iraque. Não haverá grandes
comemorações para os católicos caldeus, preocupados com o difundir-se
da violência fundamentalista e com o contínuo fluxo migratório de
famílias que deixam o país, marcadas por lutos. A notícia foi
divulgada à Fides por Dom Luis Sako, Arcebispo Caldeu de Kirkuk, que
divulgou uma mensagem em nome dos líderes cristãos da região.
"Nesses dias, estamos nos preparando para o Natal do Senhor. Rezamos
e esperamos que seja um Natal de paz e de amor, mas há muita dor na
nossa comunidade e não faremos grandes festas. Muitas famílias
perderam parentes ou filhos por causa de grupos fundamentalistas ou
nos atentados às igrejas de Mossul e Bagdá. Por isso, decidimos não
organizar festas durante os dias de Natal: ao invés, vamos rezar pelo
nosso país, para que o Senhor conceda a paz para a nossa terra. Além
disso, compartilhamos um comportamento de solidariedade com os nossos
irmãos muçulmanos, que não puderam festejar o Id-al-Fitr, no final do
Ramada."
Em nome dos chefes religiosos cristãos de Kirkuk, Dom Sako
escreve: "Hoje a situação no Iraque é muito dolorosa, e os motivos
desta dor todos conhecem. Enquanto vemos em torno de nós morte e
destruição, pensamos que devemos fazer de tudo, mesmo aceitando a
nossa história de sofrimento, para sair desta situação. É preciso
colocar, em primeiro lugar, a paz no Iraque e a unidade do povo
iraquiano. Todos devemos nos unir, árabes, turcos, cristãos,
muçulmanos e seguidores de outras religiões, para dialogar e rejeitar
a violência que acarreta morte e destruição ao país. Este é o momento
de dialogar, de mostrar a nossa responsabilidade humana para garantir
um futuro cheio de paz, justiça e fraternidade".
O texto continua: "Nós, chefes religiosos cristãos de Kirkuk, nos
sentirmos responsáveis na cooperação pela harmonia e o bem-estar da
nossa terra. Não falamos por interesse, mas somos desejosos de paz e
caridade: deploramos, por isso, os ataques contra as mesquitas em
Falluja, Najaf e Mossul, além dos atentados contra as igrejas em
Bagdá e Mossul. Reiteramos a nossa condenação contra a profanação dos
locais santos de qualquer religião".
A mensagem fala também da situação dos cristãos: "Colocar bombas nas
nossas igrejas e intimidar o nosso povo não resolverá os problemas do
Iraque. Nós cristãos tivemos tantas vítimas na guerra e nos
sacrificamos juntos com os nossos irmãos iraquianos: as forças
violentas que querem obrigar os cristãos a deixar o país não fazem o
bem do Iraque". (PA)


10 - Cristãos caldeus do Iraque não celebrarão festas de Natal,
anuncia o arcebispo de Kirkuk. Patriarca de Bagdá confirma o
compromisso de sua comunidade apesar dos atentados

BAGDÁ, segunda-feira, 13 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- Preocupado
com a difusão da violência, o arcebispo caldeu de Kirkuk (norte do
Iraque), dom Louis Sako, anunciou que sua comunidade viverá este
Natal sem grandes celebrações.

Em declarações à agência da Santa Sé Fides, o prelado difundiu a
mensagem que escreveu a seus fiéis com motivo das festas natalinas,
na qual constata que «muitas famílias perderam seus parentes e
filhos, vítimas de grupos fundamentalistas ou nos atentados contra as
igrejas de Mosul e Bagdá».

«Por isso, decidimos que não organizaremos festas durante os dias de
Natal: rezaremos por nosso país para que o Senhor conceda paz a nossa
terra».

Com esta atitude, acrescenta, manifestarão solidariedade aos «irmãos
muçulmanos que não puderam festejar a festa do Id-al-Fitr, ao final
do Ramadã».

O patriarca caldeu de Bagdá, Sua Beatitude Emmanuel III Delly,
explicou esta segunda-feira aos microfones de Rádio Vaticano
que, «apesar dos ataques contra as igrejas e contra o episcopado de
Mosul», «apesar de tudo, seguimos adiante».

«Muitos muçulmanos vieram ver-nos para demonstrar seu pesar.
Esperamos que o Senhor nos ajude e nos dê paciência para seguir com
nosso trabalho apostólico com as almas que nos encomendou»,
reconhece.

«Não esquecemos nunca do que o Santo Padre está fazendo pelo Iraque
para que a paz e a segurança se estabeleçam neste país martirizado há
já tantos anos», conclui.


11 - João Paulo II condena terrorismo e ataques aos cristãos no
Iraque

Fonte: Agência Ecclesia 13/12/2004

O Ministro iraquiano dos negócios estrangeiros, Hoshyar Zebari, foi
hoje recebido no Vaticano por João Paulo II. Segundo o comunicado
oficial do Vaticano, a conversa girou em torno da "actual situação do
Iraque e do Médio Oriente em geral".

"No colóquio com o ministro foi condenada, mais uma vez, a dolorosa
praga do terrorismo, desejando-se um rápido regresso ao respeito dos
valores morais que são a base de qualquer civilização", disse o porta-
voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls.

Zebari agradeceu ao Papa e aos seus colaboradores "pela ajuda que
sempre prestaram ao Iraque".
Após este encontro, o ministro iraquiano reuniu-se com o Secretário
de Estado do Vaticano, Cardeal Angelo Sodano. No final destes
encontros, Hoshyar Zebari assegurou o compromisso do governo
iraquiano em "promover a liberdade religiosa e, em particular, a
defesa das comunidades cristãs".

No passado dia 8, o Papa condenou publicamente os atentados cometidos
no Iraque contra a minoria cristã, após a destruição de uma igreja
arménia-católica e do edifício do arcebispado caldeu.

O número de cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70%
fazem parte da Igreja Católica caldeia.
Cinco igrejas de Bagdad foram alvo de uma série de ataques
simultâneos a 19 de Outubro que não fizeram vítimas. A minoria cristã
já tinha sido alvo de actos de violência em Agosto, quando seis
atentados contra locais de culto cristãos causaram 10 mortos e 50
feridos em Bagdad e Mossul.

Octávio Carmo


12 - O "custo de vida" na Europa ou no Iraque: os cristãos de Bagdá e
Mossul, sob constante perigo de morte, passarão o Natal fechados em
casa

Fonte: Agência Fides 10/12/2004

Bagdá (Agência Fides) - Enquanto nas cidades européias domina as
compras natalinas e o consumismo dos presentes, apesar do aumento do
custo de vida, em Bagdá, em Mossul e nas outras cidades iraquianas se
pensa em um bem diferente "custo de vida": é o custo real da vida
humana, que as comunidades cristãs no Iraque sentem sempre mais
ameaçada. Esta é a opinião expressa à Fides por Alaa Elias, 30, leigo
católico da Igreja síria de Bagdá, contando como a sua família e a
sua comunidade estão se preparando para celebrar o Natal 2004. "Será
um Natal apagado, transcorrido em casa. Estamos blindados pelo medo,
nenhum de nós pode sair, porque todo passo fora de casa pode
significar a morte. Jesus Cristo nasce no mundo, este evento é o
triunfo da vida, enquanto nós vivemos sob constante perigo de morte."
Alaa é catequista e até pouco tempo atrás transcorria muito tempo na
sua paróquia sírio-católica de Bagdá, para instruir os jovens. Agora,
os tempos mudaram e para o Natal não sabe se ao menos conseguirá
participar da Santa Missa: "As igrejas estão fechadas, os últimos
atentados aumentaram o medo, as pessoas não freqüentam a paróquia e,
quando vão, o fazem escondido. Celebramos raramente os Sacramentos
nos locais subterrâneos, em segredo. O Santo Natal será passado em
casa, recordando em família o evento que mudou a história do mundo. O
encontro com a nossa comunidade, a Santa Missa, à meia-noite na
igreja, nos é negada: não há segurança e entre nós cristãos o medo
aumenta dia após dia. Estamos trancados em casa, e estamos cansados
desta situação. Por isso, muitas pessoas, atormentadas por esta nova
opressão que vem do perigo terrorista, preferem emigrar".
"As nossas condições, como cristãos, pioraram", afirma Alaa
comentando os recentes atentados contra as igrejas de Mossul. "Os
ataques contra as igrejas têm um significado altamente simbólico: os
terroristas querem atingir profundamente a fé, as certezas a própria
identidade dos cristãos."
O que é preciso, afirma Alaa, "é ainda paciência e oração. Acredito
que serão necessários anos para que voltem as plenas condições de paz
e de segurança, para que no Iraque termine esta desastrosa guerra
civil, mas esperamos que o processo de estabilização do país comece
com as eleições de janeiro. O ponto central é que as eleições poderão
também regularizar as condições políticas e diplomáticas, mas
conseguirão promover a paz social? Hoje, os terroristas estão
tentando boicotá-las, ameaçando os cidadãos para que não votem. Temem-
se muitos atentados em vista do voto".
Alaa faz votos de que o Natal dos cristãos europeus, preocupados com
o "custo de vida", não esqueçam o Natal dos cristãos iraquianos, cada
dia em perigo de morte. (PA)


13 - A VIOLÊNCIA NO IRAQUE E ORIENTE MÉDIO FOI O PONTO CENTRAL DO
ENCONTRO ENTRE O PAPA E O MINISTRO IRAQUIANO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

Fonte: Radio Vaticana 13/12/2004

Cidade do Vaticano, 13 dez (RV) - A difícil situação no Iraque e no
Oriente Médio estiveram em primeiro plano, esta manhã, no Vaticano,
no encontro entre JPII e o Ministro das Relações Exteriores
iraquiano, Hoshiyar Zebari. Durante o colóquio _ informa uma nota do
porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls _ ambos deploraram, mais
uma vez, "a dolorosa chaga do terrorismo, com votos de um retorno ao
respeito dos valores morais que estão na base de toda civilização".
O Ministro Zebari agradeceu ao Papa e a seus colaboradores "pela
ajuda sempre demonstrada ao Iraque e assegurou o compromisso de seu
governo em promover a liberdade religiosa e, em particular, a defesa
das comunidades cristãs".

O encontro entre o Papa e Zebari revestiu-se de um particular
dignificado em vista das eleições políticas previstas para daqui a
cerca de um mês, no Iraque.

Este foi o terceiro encontro de JPII, em pouco mais de um mês, com
personalidades iraquianas: no dia 4 de novembro passado, o Pontífice
recebeu, no Vaticano, o Primeiro-ministro interino, Ayad Allawi.

Na ocasião, o Santo Padre encorajou o povo iraquiano a comprometer-se
para "restabelecer instituições democráticas"
realmente "representativas e empenhadas em defender os direitos
humanos de todos, no pleno respeito das diversidades religiosas e
étnicas".

No dia 15 de novembro foi a vez da audiência ao novo embaixador do
Iraque junto à Santa Sé, Ismail Yelda. "A verdadeira democracia é
possível somente num Estado regulado pela lei", foi a exortação do
Papa que, no discurso ao diplomata iraquiano, ressaltou a importância
crucial das próximas eleições naquele país.

97% da população iraquiana professa a religião muçulmana; 3% se
professa cristão. Cerca de 300 mil iraquianos são de fé católica.

As notícias provenientes do Iraque dão conta de uma realidade marcada
pela violência. O Arcebispo de Kirkuk, Dom Louis Sako, declarou à
agência missionária de notícias, FIDES, que os cristãos dessa cidade
do norte do Iraque celebrarão o Natal sem festas, preocupados com o
difundir-se da violência fundamentalista e com o contínuo fluxo
migratório de famílias que deixam o país. (RL)


14 - Chanceler do Iraque promete ao Papa incentivar a liberdade
religiosa

Fonte: Missão Portas Abertas 14/12/2004

CIDADE DO VATICANO - O Papa João Paulo II recebeu esta segunda-feira
no Vaticano o chanceler do Iraque, Hoshyar Zebari, que assegurou que
seu país vai proteger a liberdade religiosa e a comunidade cristã.

"O ministro agradeceu à Sua Santidade pela ajuda que sempre
proporcionou ao Iraque e lhe garantiu o compromisso de seu governo em
favor da promoção da liberdade religiosa e da defesa das comunidades
cristãs", informou o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, ao
término do encontro.

O chanceler iraquiano também se reuniu com o número dois do Vaticano,
o cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado, e com ele analisou a
atual situação no Iraque e no Oriente Médio.


15 - Ministro de Exteriores iraquiano confirma ao Papa que seu
governo defenderá os cristãos. Após a onda de atentados contra
igrejas

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 13 de dezembro de 2004
(ZENIT.org).- O ministro de Assuntos Exteriores do Iraque, Hoshyar
Zebari, assegurou esta segunda-feira, ao encontrar-se com João Paulo
II, o compromisso de seu governo para defender os cristãos, que nos
últimos meses sofreram sangrentos atentados terroristas.

Segundo informou Joaquín Navarro-Valls, porta-voz vaticano, após ser
recebido pelo Papa, Zebari foi se encontrar com o cardeal Angelo
Sodano, secretário de Estado vaticano.

«No transcurso dos colóquios, discutiu-se situação que se dá no
Iraque e no Oriente Médio em geral», informou o diretor do
Departamento de informação da Santa Sé.

«O senhor ministro agradeceu Sua Santidade e seus colaboradores pela
ajuda que sempre demonstraram ao Iraque e, depois, assegurou o
compromisso de seu próprio governo para promover a liberdade
religiosa e, em particular, a defesa das comunidades cristãs»,
acrescentou Navarro-Valls.

«No colóquio com o senhor ministro, deplorou-se uma vez mais a praga
dolorosa do terrorismo, desejando um rápido regresso dos valores
morais que estão na base de toda civilização», conclui o comunicado
do porta-voz.

No dia 7 de dezembro, dois atentados destruíram a Igreja armênio-
católica de Mosul e o arcebispado caldeu dessa cidade.

Foram os últimos de uma série de ataques contra igrejas que começou
no início de agosto, quando foram atingidas quatro igrejas em Bagdá e
uma em Mosul, matando onze pessoas e provocando dezenas de feridos.
Os atentados contra lojas de propriedade de cristãos no país já
haviam começado antes.

Os cristãos no Iraque são cerca de 800.000, 3% da população. Deste
número, 70% são católicos, de rito caldeu.

A visita de Zabari ao Vaticano acontece após o Papa receber em 4 de
novembro o primeiro-ministro iraquiano, Iyad Alaui, e condenar a
atual «violência sem sentido», alentando o estabelecimento da
democracia no país.

Em 15 de novembro, o Papa recebeu as cartas credenciais do novo
embaixador do Iraque na Santa Sé, Albert Edward Ismail Yelda. Por
meio dele, o Santo Padre pediu ao governo iraquiano reconhecer «o
direito à liberdade de culto e ao ensinamento religioso», e assegurou
a colaboração da Igreja Católica, e em particular dos cristãos
caldeus, para «construir uma nação mais pacífica e estável».

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