BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 13 -
19 de dezembro de 2004
MENSAGEM
Prezados
Irmãos em Cristo,
O Natal
se aproxima e neste momento peço uma prece especial pelos
cristãos
que vivem em países de maioria não cristã, como é o caso do
Egito e
do Iraque, que são mencionados nas notícias abaixo, que estes
cristãos
possam celebrar o Natal em paz.
Este ano
no Especial de Natal do National Geographic Channel serão
mostrados
dois documentários que possuem relação com as Igrejas
Orientais:
1) "Dentro das Muralhas de Jerusalém", que mostra várias
comunidades
religiosas existentes em Jerusalém; e 2)"Montanhas de
Fé",
que mostra um candidato ao sacerdócio na Igreja Etíope.
"Dentro
das Muralhas de Jerusalém" vai passar no dia 24/12 às 18:00 e
às 22:00
e no dia 25/12 às 16:00 e às 20:00.
"Montanhas
de Fé" vai passar no dia 23/12 às 13:00, às 18:00 e às
22:00 e
no dia 25/12 às 17:00 e às 21:00.
Saudações
Fraternais
Luis
Felipe
[email protected]
ÍNDICE
1 -
IGREJA ORTODOXA RUSSA E SANTA SÉ PRODUZEM FILME CONJUNTO SOBRE OS
PRIMEIROS
CRISTÃOS
2 -
Alexis II distancia-se do Vaticano
3 - 2004
NÃO FOI BOM PARA AS RELAÇÕES ENTRE ORTODOXOS E CATÓLICOS
4 - A
Igreja Ortodoxa da Rússia está à procura de um santo padroeiro
para a
internet.
5 - Jejum
natalino para os crentes da confissão cristã ortodoxa
6 -
Igrejas cristãs devem unir-se para enfrentar secularismo e
agnosticismo
europeu
7 -
SHENUDA III ANUNCIA DETENÇÃO VOLUNTÁRIA ATÉ LIBERTAÇÃO DE
MANIFESTANTES
8 - Papa
da Igreja copta ficará trancado até libertação de presos
9 -
"Somente oração no Natal, nada de festa", afirma à Fides o
Arcebispo
Caldeu de Kirkuk - Mensagem dos chefes religiosos para a
pacificação
do Iraque
10 -
Cristãos caldeus do Iraque não celebrarão festas de Natal,
anuncia o
arcebispo de Kirkuk. Patriarca de Bagdá confirma o
compromisso
de sua comunidade apesar dos atentados
11 - João
Paulo II condena terrorismo e ataques aos cristãos no
Iraque
12 - O
"custo de vida" na Europa ou no Iraque: os cristãos de Bagdá e
Mossul,
sob constante perigo de morte, passarão o Natal fechados em
casa
13 - A
VIOLÊNCIA NO IRAQUE E ORIENTE MÉDIO FOI O PONTO CENTRAL DO
ENCONTRO
ENTRE O PAPA E O MINISTRO IRAQUIANO DAS RELAÇÕES EXTERIORES
14 -
Chanceler do Iraque promete ao Papa incentivar a liberdade
religiosa
15 -
Ministro de Exteriores iraquiano confirma ao Papa que seu
governo
defenderá os cristãos. Após a onda de atentados contra
igrejas
NOTÍCIAS
1 -
IGREJA ORTODOXA RUSSA E SANTA SÉ PRODUZEM FILME CONJUNTO SOBRE OS
PRIMEIROS
CRISTÃOS
Fonte:
Agência RIA-Novosti 14/12/2004
Olga
Sobolevskaia, analista da RIA "Novosti"
A Igreja
Ortodoxa Russa e a Santa Sé irão lançar, em 2005, um
projecto
conjunto sem precedentes. Trata-se de um filme de cinco
episódios
intitulado "Peregrinação à Cidade Eterna". Para o Patriarca
de
Moscovo e de Toda a Rússia, Aleksi II, o projecto será alvo de
esforços
conjuntos "científicos e artísticos da Igreja Ortodoxa Russa
e da
Santa Sé, da Rússia, Itália e da Polónia". Esta película
histórico-documental
visa recordar uma vez mais que a cultura
europeia
comum partiu exactamente do cristianismo - assinalou o Alto
Pontífice
da Igreja Ortodoxa Russa, tendo qualificado o projecto de
acontecimento
de enorme relevância. "Na Constituição da Comunidade
Europeia,
recentemente aprovada, não é feita qualquer referência às
raízes
cristãs comuns, que constituem os fundamentos históricos do
mundo
contemporâneo, ofendendo assim milhões de cristãos, pelo que é
necessária
uma resposta política, espiritual e cultural ", ressaltou
o
Patriarca.
As filmagens
começarão na Primavera. O filme relatará a vida e a obra
dos
apóstolos mártires Pedro e Paulo. O capítulo final, sobre o
diálogo
entre a Igreja e o Poder, é dedicado ao imperador Constantino
e à sua
mãe Helena, graças a quem as relíquias cristãs mais veneradas
foram
descobertas e a Igreja cristã foi oficializada.
O
projecto está a cargo do realizador russo Vladimir Khotinenko, de
52 anos,
cuja mais recente obra "72 metros" sobre um acidente num
submarino
soviético teve grande aceitação, inclusive junto dos
jovens.
"O nosso objectivo é fazer com que a "Peregrinação à Cidade
Eterna"
tenha uma ampla audiência. A sociedade moderna considera que
os
princípios morais são de cumprimento facultativo. Os seus
defensores
são perseguidos e ridicularizados. O caso de Mel Gibson e
do seu
filme "A Paixão de Cristo" é um bom exemplo - afirma o
realizador.
- Quanto ao nosso filme, a nossa visão é quue os milagres
devem ser
visíveis e tangíveis. O espectador deverá acreditar nas
impressões
dos joelhos do apóstolo Pedro na pedra (esta é uma das
relíquias
que serão apresentadas no filme).
O
produtor geral da obra é o Centro Científico-Espiritual do
Patriarcado
de Moscovo "Enciclopédia Ortodoxa". Segundo o director do
Centro e
responsável pela parte literária do filme, Serguei Kravets,
os
"cineastas russos serão pela primeira vez admitidos a ver as
catacumbas
e as relíquias do Vaticano e de Roma", de acordo com o
entendimento
alcançado entre o Patriarcado de Moscovo e a Santa Sé
nos finais
de Agosto último. As negociações tiveram lugar no âmbito
da visita
a Moscovo de uma missão da Igreja Católica Romana com vista
à
devolução à Igreja Ortodoxa Russa do ícone de Nossa Senhora de
Kazan.
Numa mensagem dirigida, na ocasião, pelo Patriarca de Moscovo
e de Toda
a Rússia, Aleksi II, ao Papa João Paulo II, o supremo
hierarca
da Igreja Ortodoxa assinalou que acredita na possibilidade
do
reatamento de boas relações com a Igreja Católica Romana e que a
Igreja
Ortodoxa Russa "tem-se sempre declarado disposta a desenvolvê-
las num
espírito de sincera colaboração".
Assim, o
novo projecto passou a ter uma missão não só puramente de
divulgação
como também política, visando, nomeadamente, a aproximação
das duas
Igrejas. Nas suas aparições públicas, o Patriarca russo
Aleksi II
evocou reiteradas vezes os "tempos da Igreja Antiga em que
não havia
a divisão a que assistimos com pesar hoje entre o Ocidente
e o
Oriente".
O
projecto em causa desperta igualmente grande interesse a algumas
instituições
públicas da Rússia, entre as quais a Agência Federal de
Cultura e
Cinema e a Agência Federal de Imprensa e Comunicação
Social.
Esta última apoia, em princípio, "todos os projectos laicos
baseados
na tradição ortodoxa, pois a ortodoxia está na origem de
toda a
cultura russa" - disse, em Novembro último, o director da
Agência,
Mikhail Seslavinski, qualificando tais programas e filmes
como
"socialmente relevantes" e, portanto, prioritários. De referir
que,
ultimamente, o número de programas televisivos e radiofónicos de
orientação
religiosa tem aumentado muito na Rússia, tendo sido
instituídos
o Festival Internacional de Programas Televisivos e
Radiofónicos
Ortodoxos "Radonej" e o Festival Internacional dos Meios
de
Comunicação Social Ortodoxos "Fé e Palavra".
O presente
projecto ortodoxo-católico "Peregrinação à Cidade Eterna"
é muito
promissor e ambicioso. O produto final será apresentado a um
júri
conjunto de avaliação final da Igreja Ortodoxa Russa e da Santa
Sé.
Justificará ele as esperanças políticas, saberemos disso nas
vésperas
do Natal de 2005, altura em que o filme deverá entrar em
cartaz.
2 -
Alexis II distancia-se do Vaticano
Fonte:
Agência Ecclesia 17/12/2004
O
Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Alexis II, considera que, em
2004, o
diálogo com o Vaticano não teve "progressos significativos",
e
mostrou-se "especialmente preocupado" pelo alegado proselitismo da
Igreja
greco-católica na Ucrânia.
Estes
problemas não são novos e têm ensombrado os esforços de
aproximação
de João Paulo II ao mundo ortodoxo russo.
"É
muito cedo para falar de importantes mudanças positivas nas
relações
entre a igreja Ortodoxa russa e a Católica romana", declarou
o
Patriarca numa entrevista à agência russa Interfax.
Alexis II
disse que " até agora não há resultados em numerosos
problemas
referentes a essas relações".
O
Patriarca Ortodoxo tem insistido na tese de "proselitismo católico"
na Rússia
e nas outras onze repúblicas da ex-União Soviética.
"Não
negamos o direito dos sacerdotes católicos a administrar suas
paróquias
tradicionais, mas, consideramos inaceitável a sua
actividade
missionária entre a população ortodoxa, particularmente,
as
tentativas de converter as crianças baptizadas na fé ortodoxa ao
catolicismo",
explicou.
Octávio
Carmo
3 - 2004
NÃO FOI BOM PARA AS RELAÇÕES ENTRE ORTODOXOS E CATÓLICOS
Fonte;
Rádio Vaticana 16/12/2004
Moscou,
16 dez (RV) - O Patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as
Rússia,
Aleksej II afirmou que o ano que está por findar, não foi um
bom ano
para as relações entre os ortodoxos e os católicos.
Ele
lamentou que 2004 não tenha sido um ano precursor de progressos
significativos
com o Vaticano e se declarou preocupado com o suposto
proselitismo
da Igreja Católica.
''Ainda é
ainda muito cedo para falar de importantes mudanças nas
relações
entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Católica Romana" _
disse
Aleksej II. Para o Patriarca, muitos problemas ainda não foram
resolvidos,
entre eles, o suposto proselitismo católico _ o maior dos
problemas.
Aleksej
II explicou: "Não negamos o direito de os sacerdotes
administrarem
suas paróquias tradicionais, mas consideramos
inaceitável
a atividade missionária entre a população ortodoxa, em
especial
as tentativas de converter ao catolicismo, as crianças
batizadas
na fé ortodoxa." (BF)
4 - A
Igreja Ortodoxa da Rússia está à procura de um santo padroeiro
para a
internet.
Fonte:
BBC 16/12/2004
O clero
russo diz que, com o maior uso dos computadores nas tarefas
diárias,
é preciso escolher um protetor espiritual dos internautas.
Após uma
vasta pesquisa, foram escolhidos dois finalistas: São João
Crisóstomo
e São Feofan, o Eremita.
Há alguns
anos, a Igreja Católica Romana nomeou Giacomo Alberione
como o
santo padroeiro da internet.
Porém, a
decisão do Vaticano não teve muita influência sobre os
ortodoxos
russos.
Alguns
padres russos vêem a internet como um instrumento do Satã.
Mas, para
o padre Andrey Kurayev, que leciona na Universidade de
Moscou, a
internet é uma ferramenta muito útil, sendo que muitas
igrejas
ortodoxas já têm seu próprio website.
"Se
tivermos um padroeiro da internet, o próximo passo será formular
uma prece
para lidar com os vírus", disse Kurayev.
5 - Jejum
natalino para os crentes da confissão cristã ortodoxa
Fonte:
Voz da Rússia 29/11/2004
No
próximo domingo se inicia o jejum natalino para os crentes da
confissão
cristã ortodoxa. Além da recusa de certos pratos em favor
de comida
basicamente vegetariana, o jejum pressupõe também repulsão
de vários
desejos pecaminosos, para poder receber a festa do Natal de
coração
puro. A Igreja Ortodoxa Russa celebra essa festa em 7 de
janeiro.
6 -
Igrejas cristãs devem unir-se para enfrentar secularismo e
agnosticismo
europeu
Fonte:
Agência Ecclesia 13/12/2004
O Cardeal
Paul Poupard defendeu que as Igrejas cristãs devem unir-se
para
enfrentar secularismo e agnosticismo europeu.
"A
fé cristã é um valor essencial da Europa e na nossa época as
Igrejas
devem enfrentar os desafios do secularismo, a indiferença e o
ateísmo
entre os europeus para assegurar que o continente continue a
ser uma
comunidade assente em valores verdadeiros", referiu o
presidente
do Conselho Pontifício para a Cultura na conferência
inaugural
do encontro internacional "A cristandade e a proximidade de
cooperação
dos valores espirituais na Comunidade europeia", promovida
pelo
Instituto Teológico Ortodoxo Santos Metódio e Cirilo, na
Bielorússia.
"Para
lutar contra o relativismo, o secularismo e a indiferença,
aquilo
que produz graves problemas sociais e nega os valores da
verdade,
a dignidade do ser humano e a inspiração da beleza, é
necessário
prestar a devida atenção à relação entre o Evangelho e as
culturas",
acrescentou.
Nesta
viagem, o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura
visitou
Minsk, de 10 a 12 de Dezembro, convidado pelo Metropolita
Filaret,
de Minsk e Slutsk, exarca patriarcal da Bielorússia e
presidente
da Comissão Teológica Sinodal da Igreja Ortodoxa Russa.
Após os
encontros do Cardeal Paul Poupard com o Patriarca Ortodoxo de
Moscovo,
Alexis II, e o Metropolita Kyrill, responsável pelo
Departamento
das Relações com o Exterior do Patriarcado Ortodoxo de
Moscovo,
que tiveram lugar a 19 de Novembro, este é mais um gesto de
aproximação
entre as duas Igrejas, cujas relações têm sido marcadas
por
alguma animosidade.
Octávio
Carmo
7 -
SHENUDA III ANUNCIA DETENÇÃO VOLUNTÁRIA ATÉ LIBERTAÇÃO DE
MANIFESTANTES
Fonte:
Radio Vaticana 16/12/2004
Cairo, 16
dez (RV) - O líder egípcio copta, Shenuda III, anunciou sua
detenção
voluntária, até libertação das pessoas detidas numa recente
manifestação.
O
porta-voz do Episcopado da Igreja copta ortodoxa anunciou nesta
quinta-feira,
que Shenuda III está enclausurado no mosteiro de Amba
Bishoy,
no norte de cidade do Cairo.
O líder
copta diz que deixará o mosteiro somente depois que a
situação
se tranqüilizar e forem libertados os manifestantes detidos
no
recente confronto entre coptas e policiais, ocorrido na semana
passada,
diante da Catedral copta do Cairo, capital egípcia. (BF)
8 - Papa
da Igreja copta ficará trancado até libertação de presos
Fonte:
Agência EFE 16/12/2004
Cairo, 16
dez (EFE).- O Papa copta permanecerá trancado em um
monastério
até que sejam libertados dezenas de presos em recentes
distúrbios
protagonizados por manifestantes coptas, disseram à EFE
nesta
quinta-feira porta-vozes do episcopado dessa igreja cristã
ortodoxa.
Segundo
as fontes, Shenuda III se trancou de forma voluntária no
monastério
de Amba Bishoy, ao norte de Cairo, até que "a situação
esteja
tranqüila e todos os prisioneiros sejam libertados" após os
choques
entre manifestantes coptas e a polícia na semana passada em
frente à
catedral copta desta capital.
Os
distúrbios ocorreram na quarta-feira, 8 de dezembro, quando
milhares
de coptas enfurecidos foram ao templo e sede papal,
localizado
no bairro central de Abassiya, no Cairo.
Segundo a
imprensa local, mais de quarenta policiais e pelo menos 12
coptas
ficaram feridos nos confrontos, que causaram a prisão de
trinta
coptas, que continuam presos acusados de incitar a violência.
A
manifestação tinha sido convocada para protestar por causa da
conversão
ao Islã de uma mulher cristã, Wafa, engenheira de 48 anos e
casada
com um sacerdote copta na província de Beheira, na região do
Delta do
Nilo.
Segundo
os manifestantes, a mulher foi seqüestrada por seu chefe e
obrigada
se converter ao Islã, o que foi desmentido pelo governo
egípcio,
que fez a mediação para que Wafa voltasse à obediência da
Igreja
copta.
Além de
Shenuda III, o bispo de Beheira, Bajomios, também decidiu se
trancar -
nesse caso no monastério de Surian, próximo ao que recebe o
Papa
copta -, em protesto contra a prisão dos manifestantes.
Constituindo
apenas 10% dos setenta milhões de egípcios, os coptas
formam a
maior minoria cristã do mundo árabe, e entre eles são
freqüentes
as denúncias de pressões por parte da maioria muçulmana
para a
conversão forçada ao Islã de membros da comunidade cristã.
9 -
"Somente oração no Natal, nada de festa", afirma à Fides o
Arcebispo
Caldeu de Kirkuk - Mensagem dos chefes religiosos para a
pacificação
do Iraque
Fonte:
Agência Fides 13/12/2004
Kerkuk
(Agência Fides) - O Natal de 2004 será de oração para a
comunidade
cristã de Kirkuk, no norte do Iraque. Não haverá grandes
comemorações
para os católicos caldeus, preocupados com o difundir-se
da
violência fundamentalista e com o contínuo fluxo migratório de
famílias
que deixam o país, marcadas por lutos. A notícia foi
divulgada
à Fides por Dom Luis Sako, Arcebispo Caldeu de Kirkuk, que
divulgou
uma mensagem em nome dos líderes cristãos da região.
"Nesses
dias, estamos nos preparando para o Natal do Senhor. Rezamos
e
esperamos que seja um Natal de paz e de amor, mas há muita dor na
nossa
comunidade e não faremos grandes festas. Muitas famílias
perderam
parentes ou filhos por causa de grupos fundamentalistas ou
nos
atentados às igrejas de Mossul e Bagdá. Por isso, decidimos não
organizar
festas durante os dias de Natal: ao invés, vamos rezar pelo
nosso
país, para que o Senhor conceda a paz para a nossa terra. Além
disso,
compartilhamos um comportamento de solidariedade com os nossos
irmãos
muçulmanos, que não puderam festejar o Id-al-Fitr, no final do
Ramada."
Em nome
dos chefes religiosos cristãos de Kirkuk, Dom Sako
escreve:
"Hoje a situação no Iraque é muito dolorosa, e os motivos
desta dor
todos conhecem. Enquanto vemos em torno de nós morte e
destruição,
pensamos que devemos fazer de tudo, mesmo aceitando a
nossa
história de sofrimento, para sair desta situação. É preciso
colocar,
em primeiro lugar, a paz no Iraque e a unidade do povo
iraquiano.
Todos devemos nos unir, árabes, turcos, cristãos,
muçulmanos
e seguidores de outras religiões, para dialogar e rejeitar
a
violência que acarreta morte e destruição ao país. Este é o momento
de
dialogar, de mostrar a nossa responsabilidade humana para garantir
um futuro
cheio de paz, justiça e fraternidade".
O texto
continua: "Nós, chefes religiosos cristãos de Kirkuk, nos
sentirmos
responsáveis na cooperação pela harmonia e o bem-estar da
nossa
terra. Não falamos por interesse, mas somos desejosos de paz e
caridade:
deploramos, por isso, os ataques contra as mesquitas em
Falluja,
Najaf e Mossul, além dos atentados contra as igrejas em
Bagdá e
Mossul. Reiteramos a nossa condenação contra a profanação dos
locais
santos de qualquer religião".
A
mensagem fala também da situação dos cristãos: "Colocar bombas nas
nossas
igrejas e intimidar o nosso povo não resolverá os problemas do
Iraque.
Nós cristãos tivemos tantas vítimas na guerra e nos
sacrificamos
juntos com os nossos irmãos iraquianos: as forças
violentas
que querem obrigar os cristãos a deixar o país não fazem o
bem do
Iraque". (PA)
10 -
Cristãos caldeus do Iraque não celebrarão festas de Natal,
anuncia o
arcebispo de Kirkuk. Patriarca de Bagdá confirma o
compromisso
de sua comunidade apesar dos atentados
BAGDÁ,
segunda-feira, 13 de dezembro de 2004 (ZENIT.org).- Preocupado
com a
difusão da violência, o arcebispo caldeu de Kirkuk (norte do
Iraque),
dom Louis Sako, anunciou que sua comunidade viverá este
Natal sem
grandes celebrações.
Em
declarações à agência da Santa Sé Fides, o prelado difundiu a
mensagem
que escreveu a seus fiéis com motivo das festas natalinas,
na qual
constata que «muitas famílias perderam seus parentes e
filhos,
vítimas de grupos fundamentalistas ou nos atentados contra as
igrejas
de Mosul e Bagdá».
«Por
isso, decidimos que não organizaremos festas durante os dias de
Natal:
rezaremos por nosso país para que o Senhor conceda paz a nossa
terra».
Com esta
atitude, acrescenta, manifestarão solidariedade aos «irmãos
muçulmanos
que não puderam festejar a festa do Id-al-Fitr, ao final
do
Ramadã».
O
patriarca caldeu de Bagdá, Sua Beatitude Emmanuel III Delly,
explicou
esta segunda-feira aos microfones de Rádio Vaticano
que,
«apesar dos ataques contra as igrejas e contra o episcopado de
Mosul»,
«apesar de tudo, seguimos adiante».
«Muitos
muçulmanos vieram ver-nos para demonstrar seu pesar.
Esperamos
que o Senhor nos ajude e nos dê paciência para seguir com
nosso
trabalho apostólico com as almas que nos encomendou»,
reconhece.
«Não
esquecemos nunca do que o Santo Padre está fazendo pelo Iraque
para que
a paz e a segurança se estabeleçam neste país martirizado há
já tantos
anos», conclui.
11 - João
Paulo II condena terrorismo e ataques aos cristãos no
Iraque
Fonte:
Agência Ecclesia 13/12/2004
O
Ministro iraquiano dos negócios estrangeiros, Hoshyar Zebari, foi
hoje
recebido no Vaticano por João Paulo II. Segundo o comunicado
oficial
do Vaticano, a conversa girou em torno da "actual situação do
Iraque e
do Médio Oriente em geral".
"No
colóquio com o ministro foi condenada, mais uma vez, a dolorosa
praga do
terrorismo, desejando-se um rápido regresso ao respeito dos
valores
morais que são a base de qualquer civilização", disse o porta-
voz do
Vaticano, Joaquín Navarro-Valls.
Zebari
agradeceu ao Papa e aos seus colaboradores "pela ajuda que
sempre
prestaram ao Iraque".
Após este
encontro, o ministro iraquiano reuniu-se com o Secretário
de Estado
do Vaticano, Cardeal Angelo Sodano. No final destes
encontros,
Hoshyar Zebari assegurou o compromisso do governo
iraquiano
em "promover a liberdade religiosa e, em particular, a
defesa
das comunidades cristãs".
No
passado dia 8, o Papa condenou publicamente os atentados cometidos
no Iraque
contra a minoria cristã, após a destruição de uma igreja
arménia-católica
e do edifício do arcebispado caldeu.
O número
de cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70%
fazem
parte da Igreja Católica caldeia.
Cinco
igrejas de Bagdad foram alvo de uma série de ataques
simultâneos
a 19 de Outubro que não fizeram vítimas. A minoria cristã
já tinha
sido alvo de actos de violência em Agosto, quando seis
atentados
contra locais de culto cristãos causaram 10 mortos e 50
feridos
em Bagdad e Mossul.
Octávio
Carmo
12 - O
"custo de vida" na Europa ou no Iraque: os cristãos de Bagdá e
Mossul,
sob constante perigo de morte, passarão o Natal fechados em
casa
Fonte:
Agência Fides 10/12/2004
Bagdá
(Agência Fides) - Enquanto nas cidades européias domina as
compras
natalinas e o consumismo dos presentes, apesar do aumento do
custo de
vida, em Bagdá, em Mossul e nas outras cidades iraquianas se
pensa em
um bem diferente "custo de vida": é o custo real da vida
humana, que
as comunidades cristãs no Iraque sentem sempre mais
ameaçada.
Esta é a opinião expressa à Fides por Alaa Elias, 30, leigo
católico
da Igreja síria de Bagdá, contando como a sua família e a
sua
comunidade estão se preparando para celebrar o Natal 2004. "Será
um Natal
apagado, transcorrido em casa. Estamos blindados pelo medo,
nenhum de
nós pode sair, porque todo passo fora de casa pode
significar
a morte. Jesus Cristo nasce no mundo, este evento é o
triunfo
da vida, enquanto nós vivemos sob constante perigo de morte."
Alaa é
catequista e até pouco tempo atrás transcorria muito tempo na
sua
paróquia sírio-católica de Bagdá, para instruir os jovens. Agora,
os tempos
mudaram e para o Natal não sabe se ao menos conseguirá
participar
da Santa Missa: "As igrejas estão fechadas, os últimos
atentados
aumentaram o medo, as pessoas não freqüentam a paróquia e,
quando
vão, o fazem escondido. Celebramos raramente os Sacramentos
nos
locais subterrâneos, em segredo. O Santo Natal será passado em
casa,
recordando em família o evento que mudou a história do mundo. O
encontro
com a nossa comunidade, a Santa Missa, à meia-noite na
igreja,
nos é negada: não há segurança e entre nós cristãos o medo
aumenta
dia após dia. Estamos trancados em casa, e estamos cansados
desta
situação. Por isso, muitas pessoas, atormentadas por esta nova
opressão
que vem do perigo terrorista, preferem emigrar".
"As
nossas condições, como cristãos, pioraram", afirma Alaa
comentando
os recentes atentados contra as igrejas de Mossul. "Os
ataques
contra as igrejas têm um significado altamente simbólico: os
terroristas
querem atingir profundamente a fé, as certezas a própria
identidade
dos cristãos."
O que é
preciso, afirma Alaa, "é ainda paciência e oração. Acredito
que serão
necessários anos para que voltem as plenas condições de paz
e de
segurança, para que no Iraque termine esta desastrosa guerra
civil,
mas esperamos que o processo de estabilização do país comece
com as
eleições de janeiro. O ponto central é que as eleições poderão
também
regularizar as condições políticas e diplomáticas, mas
conseguirão
promover a paz social? Hoje, os terroristas estão
tentando
boicotá-las, ameaçando os cidadãos para que não votem. Temem-
se muitos
atentados em vista do voto".
Alaa faz
votos de que o Natal dos cristãos europeus, preocupados com
o
"custo de vida", não esqueçam o Natal dos cristãos iraquianos, cada
dia em
perigo de morte. (PA)
13 - A
VIOLÊNCIA NO IRAQUE E ORIENTE MÉDIO FOI O PONTO CENTRAL DO
ENCONTRO
ENTRE O PAPA E O MINISTRO IRAQUIANO DAS RELAÇÕES EXTERIORES
Fonte:
Radio Vaticana 13/12/2004
Cidade do
Vaticano, 13 dez (RV) - A difícil situação no Iraque e no
Oriente
Médio estiveram em primeiro plano, esta manhã, no Vaticano,
no
encontro entre JPII e o Ministro das Relações Exteriores
iraquiano,
Hoshiyar Zebari. Durante o colóquio _ informa uma nota do
porta-voz
da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls _ ambos deploraram, mais
uma vez,
"a dolorosa chaga do terrorismo, com votos de um retorno ao
respeito
dos valores morais que estão na base de toda civilização".
O
Ministro Zebari agradeceu ao Papa e a seus colaboradores "pela
ajuda
sempre demonstrada ao Iraque e assegurou o compromisso de seu
governo
em promover a liberdade religiosa e, em particular, a defesa
das
comunidades cristãs".
O
encontro entre o Papa e Zebari revestiu-se de um particular
dignificado
em vista das eleições políticas previstas para daqui a
cerca de
um mês, no Iraque.
Este foi
o terceiro encontro de JPII, em pouco mais de um mês, com
personalidades
iraquianas: no dia 4 de novembro passado, o Pontífice
recebeu,
no Vaticano, o Primeiro-ministro interino, Ayad Allawi.
Na
ocasião, o Santo Padre encorajou o povo iraquiano a comprometer-se
para
"restabelecer instituições democráticas"
realmente
"representativas e empenhadas em defender os direitos
humanos
de todos, no pleno respeito das diversidades religiosas e
étnicas".
No dia 15
de novembro foi a vez da audiência ao novo embaixador do
Iraque
junto à Santa Sé, Ismail Yelda. "A verdadeira democracia é
possível
somente num Estado regulado pela lei", foi a exortação do
Papa que,
no discurso ao diplomata iraquiano, ressaltou a importância
crucial
das próximas eleições naquele país.
97% da
população iraquiana professa a religião muçulmana; 3% se
professa
cristão. Cerca de 300 mil iraquianos são de fé católica.
As
notícias provenientes do Iraque dão conta de uma realidade marcada
pela
violência. O Arcebispo de Kirkuk, Dom Louis Sako, declarou à
agência
missionária de notícias, FIDES, que os cristãos dessa cidade
do norte
do Iraque celebrarão o Natal sem festas, preocupados com o
difundir-se
da violência fundamentalista e com o contínuo fluxo
migratório
de famílias que deixam o país. (RL)
14 -
Chanceler do Iraque promete ao Papa incentivar a liberdade
religiosa
Fonte:
Missão Portas Abertas 14/12/2004
CIDADE DO
VATICANO - O Papa João Paulo II recebeu esta segunda-feira
no
Vaticano o chanceler do Iraque, Hoshyar Zebari, que assegurou que
seu país
vai proteger a liberdade religiosa e a comunidade cristã.
"O
ministro agradeceu à Sua Santidade pela ajuda que sempre
proporcionou
ao Iraque e lhe garantiu o compromisso de seu governo em
favor da
promoção da liberdade religiosa e da defesa das comunidades
cristãs",
informou o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, ao
término
do encontro.
O
chanceler iraquiano também se reuniu com o número dois do Vaticano,
o cardeal
Angelo Sodano, Secretário de Estado, e com ele analisou a
atual
situação no Iraque e no Oriente Médio.
15 -
Ministro de Exteriores iraquiano confirma ao Papa que seu
governo
defenderá os cristãos. Após a onda de atentados contra
igrejas
CIDADE DO
VATICANO, segunda-feira, 13 de dezembro de 2004
(ZENIT.org).-
O ministro de Assuntos Exteriores do Iraque, Hoshyar
Zebari,
assegurou esta segunda-feira, ao encontrar-se com João Paulo
II, o
compromisso de seu governo para defender os cristãos, que nos
últimos
meses sofreram sangrentos atentados terroristas.
Segundo
informou Joaquín Navarro-Valls, porta-voz vaticano, após ser
recebido
pelo Papa, Zebari foi se encontrar com o cardeal Angelo
Sodano,
secretário de Estado vaticano.
«No
transcurso dos colóquios, discutiu-se situação que se dá no
Iraque e
no Oriente Médio em geral», informou o diretor do
Departamento
de informação da Santa Sé.
«O senhor
ministro agradeceu Sua Santidade e seus colaboradores pela
ajuda que
sempre demonstraram ao Iraque e, depois, assegurou o
compromisso
de seu próprio governo para promover a liberdade
religiosa
e, em particular, a defesa das comunidades cristãs»,
acrescentou
Navarro-Valls.
«No
colóquio com o senhor ministro, deplorou-se uma vez mais a praga
dolorosa
do terrorismo, desejando um rápido regresso dos valores
morais
que estão na base de toda civilização», conclui o comunicado
do
porta-voz.
No dia 7
de dezembro, dois atentados destruíram a Igreja armênio-
católica
de Mosul e o arcebispado caldeu dessa cidade.
Foram os
últimos de uma série de ataques contra igrejas que começou
no início
de agosto, quando foram atingidas quatro igrejas em Bagdá e
uma em
Mosul, matando onze pessoas e provocando dezenas de feridos.
Os
atentados contra lojas de propriedade de cristãos no país já
haviam
começado antes.
Os
cristãos no Iraque são cerca de 800.000, 3% da população. Deste
número,
70% são católicos, de rito caldeu.
A visita
de Zabari ao Vaticano acontece após o Papa receber em 4 de
novembro
o primeiro-ministro iraquiano, Iyad Alaui, e condenar a
atual
«violência sem sentido», alentando o estabelecimento da
democracia
no país.
Em 15 de
novembro, o Papa recebeu as cartas credenciais do novo
embaixador
do Iraque na Santa Sé, Albert Edward Ismail Yelda. Por
meio
dele, o Santo Padre pediu ao governo iraquiano reconhecer «o
direito à
liberdade de culto e ao ensinamento religioso», e assegurou
a
colaboração da Igreja Católica, e em particular dos cristãos
caldeus,
para «construir uma nação mais pacífica e estável».
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