BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 10 -
26 de novembro de 2004
MENSAGEM
Prezados
Irmãos em Cristo,
Hoje peço
uma prece pelos nossos irmãos ucranianos. Rezemos para que
a crise
em curso na Ucrânia não tenha um desfecho violento.
Como
novidade, incluí no final do Boletim informações sobre o
livro
"Da criação à parusia - Linhas Mestras da Teologia Cristã
Oriental",
de autoria de Dom Volodemer Koubetch, bispo coadjutor da
Eparquia
de São João Batista em Curitiba, dos Católicos Ucranianos.
Saudações
Fraternais
Luis
Felipe
[email protected]
ÍNDICE
1 - Tudo
preparado para a visita do Patriarca Bartolomé, anuncia o
Vaticano
2 - Tudo
pronto para receber Bartolomeu I no Vaticano
3 - Após
entrega das relíquias, diálogo teológico católico-ortodoxo
será
reiniciado. Segundo anuncia um arquimandrita da Igreja da Grécia.
4 -
CARDEAL POUPARD: SECULARISMO PREOCUPA CATÓLICOS E ORTODOXOS
5 -
VATICANO: ECUMENISMO AINDA LONGE DA META DE COMUNHÃO VISÍVEL
6 -
Celebrações pelos 25 anos da visita do Santo Padre à Turquia:
intervém
o ex-Presidente da República
7 -
Focolares promovem conferência ecuménica em Istambul
8 - João
Paulo II reza pela Ucrânia em crise. Após as denúncias de
fraude
nas eleições presidenciais.
9 -
Igreja pede ajuda internacional para a Ucrânia
10 - Saiba
mais sobre a Ucrânia
11 -
ALEXIS II DÁ CORAGEM A KUCHMA
12 - Na
Ucrânia, liberdade religiosa está ameaçada. Segundo o reitor
da
Universidade Católica Ucraniana.
13 - APÓS
CONFERÊNCIA SOBRE O IRAQUE, PATRIARCA CALDEU DE BAGDÁ PEDE
MAIS AÇÃO
E MENOS PALAVRAS
14 - Um
monge Caldeu iraquiano à Agência Fides: "Melhora a situação
das
minorias religiosas no Iraque. Estamos otimistas em relação às
eleições
e a um futuro de paz para o País"
NOTÍCIAS
1 - Tudo
preparado para a visita do Patriarca Bartolomé, anuncia o
Vaticano
Fonte:
ACI 25/11/2004
VATICANO,
25 Nov. 04 (ACI ) .- O Pontifício Conselho para a Promoção
da
Unidade dos Cristãos, que preside o Cardeal Walter Kasper,
informou
que tudo está preparado para a chegada, nesta sexta-feira,
do
Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomé I, que no marco
de uma
visita de dois dias receberá do Papa João Paulo II as
relíquias
de São João Crisóstomo e de São Gregório Nacianceno, bispos
e
doutores da Igreja .
Conforme
informa o Dicastério o Patriarca esteve com o Santo Padre em
29 de
junho deste ano em Roma e convidou João Paulo II a Istambul.
Bartolomé
I pediu ao Pontífice se as relíquias dos santos que se
encontram
na basílica vaticano podiam retornar à Sé de
Constantinopla.
Ao
encontro seguiu um intercâmbio de correspondência cujo resultado é
a visita
desta semana. "A entrega das relíquias -prossegue o
comunicado-
é um sinal profundo que alenta a percorrer o caminho da
unidade:
Os restos mortais dos dois santos patriarcas de
Constantinopla
que trabalharam por proteger a unidade entre o Oriente
e
Ocidente, venerados em sua terra de origem, acolhidos com grande
honra na
Igreja de Roma, que durante muitos séculos os conservou e
venerou
com amor, encaminham-se de novo para o Oriente, graças a um
gesto de
compartilhar espiritual que nutre e fortifica a comunhão
entre a
Sé de Roma e de Constantinopla".
João
Paulo II pediu que as relíquias fossem colocadas em duas urnas
de
cristal custodiadas em dois relicários de alabastro. Quando
chegarem
a Istambul serão depositadas em uma capela do patriarcado e
na
festividade de Santo André se instalarão definitivamente na igreja
patriarcal
de São Jorge.
Na volta
a Istambul para celebrar a festa (30 de novembro), padroeiro
do
patriarcado ecumênico, Bartolomé I estará acompanhado por uma
delegação
da Santa Sé da que formam parte o Cardeal Walter Kasper,
Dom Brian
Farrel, Secretário do mesmo dicasterio, o Arcebispo Edmond
Farhat,
Núncio apostólico na Turquia e Dom Johan J. Bonny.
2 - Tudo
pronto para receber Bartolomeu I no Vaticano
Fonte:
Agência Ecclesia 26/11/2004
O
Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, a que
preside o
Cardeal Walter Kasper, informou que tudo está preparado
para a
chegada, hoje, do Patriarca Ecuménico de Constantinopla,
Bartolomeu
I, para uma visita de dois dias ao Vaticano, na qual
receberá
do Papa as relíquias de São João Crisóstomo e de São
Gregório
de Nazianzo, bispos e Doutores da Igreja.
João
Paulo II mostra-se, assim, decidido a promover uma aproximação
significativa
com a Igreja Ortodoxa na sua busca da unidade entre
todos os
cristãos.
A entrega
das relíquias surge na sequência de uma intensa actividade
diplomática
entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa, separadas desde o
Grande
Cisma de 1054. Segundo o Conselho Pontifício, a ideia nasceu
quando o
Patriarca esteve com o Papa, a 29 de Junho deste ano, e
convidou
João Paulo II para uma visita a Istambul. Bartolomeu I pediu
ao Papa
se as relíquias destes santos poderiam regressar à Catedral
de
Constantinopla e este acedeu.
Ao
encontro seguiu uma troca de correspondência cujo resultado é a
visita
desta semana. "A entrega das relíquias é um sinal profundo que
alenta a
percorrer o caminho da unidade: Os restos mortais dos dois
Santos
Patriarcas de Constantinopla, que trabalharam por proteger a
unidade
entre o Oriente e Ocidente, venerados na sua terra de origem,
acolhidos
com grande honra na Igreja de Roma, que durante muitos
séculos
os conservou e venerou com amor, encaminham-se de novo para o
Oriente,
graças a um gesto de compartilhar espiritual que nutre e
fortifica
a comunhão entre a Sé de Roma e de Constantinopla", explica
o
Dicastério da Santa Sé responsável pelo Ecumenismo.
João
Paulo II pediu que as relíquias fossem colocadas em duas urnas
de
cristal custodiadas em dois relicários de alabastro. Quando
chegarem
a Istambul serão depositadas em uma capela do Patriarcado e,
na
festividade de Santo André, serão instaladas definitivamente na
igreja
patriarcal de São Jorge.
No
regresso a Istambul, para celebrar a festa de Santo André (30 de
Novembro),
padroeiro do Patriarcado Ecuménico, Bartolomeu I estará
acompanhado
por uma delegação da Santa Sé da qual fazem parte o
Cardeal
Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a
Promoção
da Unidade dos Cristãos; D. Brian Farrel, Secretário do
mesmo
Dicastério; o Arcebispo Edmond Farhat, Núncio apostólico na
Turquia;
e Dom Johan J. Bonny.
Os dois
Santos viveram no século IV, no território que é hoje a
Turquia.
As relíquias de São Gregório Nazianzeno encontravam-se em
Roma
desde o século VIII, num mosteiro de Beneditinas, tendo sido
transferidas
em 1580 para uma capela na Basílica de São Pedro por
iniciativa
do Papa Gregório XIII.
Os restos
de São João Crisóstomo foram roubados há mil anos, no saque
a
Constantinopla, um dos momentos mais dramáticos da história nas
relações
entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Estas relíquias
estão na
capela do Santíssimo Sacramento da Basílica de São Pedro
desde o
século XVII.
O
Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, considerou a decisão de
João
Paulo II de devolver a Istambul as relíquias de São João
Crisóstomo
como um "sinal de amor fraterno" para com os cristãos do
oriente.
Bartolomeu
I descreveu a decisão papal como "um acontecimento
histórico"
que contribuirá para melhorar as relações entre Ortodoxos
e
Católicos que pertencem "a uma Igreja indivisível".
"Rezaremos
para que o Papa ilumine e dê alento aos líderes das
Igrejas e
proporcione às comunidades cristãs outras ocasiões de
inspiração
espiritual", referiu o Patriarca.
Bartolomeu
I louvou também o discurso de João Paulo II em Junho deste
ano, em
que apresentou um pedido público de desculpas pelo ataque dos
cruzados
a Istambul (antiga Constantinopla), durante a cruzada de
1204.
No dia 1
de Julho deste ano, o Papa e o Patriarca Ortodoxo de
Constantinopla
assinaram no Vaticano uma declaração comum onde
assumem
"a plena vontade de continuar no caminho rumo à plena
comunhão
entre nós, em Cristo". Os líderes das Igrejas Católica e
Ortodoxa
reconhecem que é importante que os cristãos vivam entre si
em paz e
harmonia, tendo em vista "um testemunho mais credível e
convincente
do Evangelho".
Apesar
dos "muitos passos positivos" que o Papa e o Patriarca de
Constantinopla
assinalam, a declaração comum não esconde os
obstáculos
que o caminho ecuménico tem encontrado desde o histórico
encontro
entre Paulo VI e Atenágoras I, em Jerusalém, no ano de 1964.
Octávio
Carmo
3 - Após
entrega das relíquias, diálogo teológico católico-ortodoxo
será
reiniciado. Segundo anuncia um arquimandrita da Igreja da Grécia.
Fonte:
Zenit 25/11/2004
CIDADE DO
VATICANO, quinta-feira, 25 de novembro de 2004
(ZENIT.org
).- Quando João Paulo II entregar as relíquias dos santos
Gregório
Nacianceno e João Crisóstomo, doutores da Igreja do Oriente,
ao
patriarca ecumênico Bartolomeu I, será relançado o diálogo
teológico
entre as Igrejas ortodoxas e a católica, afirma um
representante
ortodoxo.
O
arquimandrita Ignatios Sotiriadis, da Igreja ortodoxa grega,
reconheceu
esta quinta-feira em declarações a «Rádio Vaticano»
que,
«para nós, o significado deste acontecimento é muito especial,
pois a
entrega destas relíquias significa que se cria mais uma ponte
entre as
Igrejas irmãs de Constantinopla e Roma, entre a Igreja
católica
e a ortodoxa».
O
patriarca ecumênico de Constantinopla, «primus inter pares» entre
as
Igrejas ortodoxas, chegará esta sexta-feira a Roma em visita de
dois dias
de duração.
A entrega
das relíquias acontecerá em uma cerimônia ecumênica na
basílica
de São Pedro, no sábado.
Um
comunicado publicado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da
Unidade
dos Cristãos revelou que este gesto acontece após o patriarca
se
encontrar com João Paulo II em 29 de junho deste ano em Roma e o
convidar
para visitar Istambul.
Bartolomeu
I perguntou ao mesmo tempo ao Papa se as relíquias dos
santos
que se encontram na basílica vaticana podiam regressar à sede
de
Constantinopla. Ao encontro seguiu uma troca de correspondência
cujo
resultado culminou com este acontecimento ecumênico.
«A
entrega das relíquias --indica o comunicado vaticano-- é um sinal
profundo
que anima a percorrer o caminho da unidade: os restos
mortais
dos dois santos patriarcas de Constantinopla que trabalharam
por
salvaguardar a unidade entre Oriente e Ocidente, venerados em sua
terra de
origem, acolhidos com grande honra na Igreja de Roma, que
durante
muitos séculos os conservaram e veneraram com amor,
encaminham-se
de novo para o Oriente, graças a um gesto de divisão
espiritual
que nutre e fortifica a comunhão entre as sedes de Roma e
Constantinopla».
João
Paulo II pediu que as relíquias fossem colocadas em duas urnas
de
cristal custodiadas em dois relicários de alabastro. Quando
chegarem
a Istambul serão depositadas em uma capela do patriarca e na
festividade
de Santo André serão instaladas definitivamente na igreja
patriarcal
de São Jorge.
No
regresso a Istambul para celebrar a festa de Santo André (30 de
novembro),
patrono do patriarcado ecumênico, Bartolomeu I estará
acompanhado
por uma delegação da Santa Sé da qual formam parte o
cardeal
Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a
Promoção
da Unidade dos Cristãos, o bispo Brian Farrel LC, secretário
do mesmo
dicastério, o arcebispo Edmond Farhat, núncio apostólico na
Turquia e
monsenhor Johan J. Bonny.
Pelo que
se refere às relações entre católicos e ortodoxos, o
arquimandrita
Sotiriadis afirma: «O problema que fica por superar é
o
"uniatismo"». Com esta expressão se refere aos católicos de rito
oriental
que vivem em terras da Europa do Leste, de maioria ortodoxa.
«Este
problema há que ser superado, mas se decidiu que o diálogo
ecumênico,
como diálogo teológico, recomeçará após a entrega destas
insignes
relíquias ao patriarca ecumênico e após a festa de Santo
André».
«As
discussões começarão com o ministério petrino (ou do Papa, ndr) e
depois se
verão as demais questões», sublinha.
«Eu creio
que nossos chefes religiosos, eclesiásticos, nossos
superiores
das Igrejas ainda não se sentaram em torno a uma mesa-
redonda,
talvez a portas fechadas, para discutir sobre um processo
veloz de
reaproximação das Igrejas».
«Desde
meu ponto de vista, houve grandes gestos, fotos foram tiradas
e
presentes trocados. Agora se necessita de um ecumenismo mais
espiritual,
ou seja, um ecumenismo de base. Agora têm de falar os
povos, os
sacerdotes, as paróquias, as pessoas entre si. É necessário
converter-se
em amigos e não falar como diplomatas, mas como irmãos».
O
arquimandrita crê que o futuro da unidade passa pela senda
traçada
«por todos nossos teólogos ortodoxos e por todos nossos
historiadores,
assim como por insignes teólogos do Ocidente, da
Igreja
católica, como o cardeal Joseph Ratzinger, que fala de uma
unidade
ou uma reunificação segundo os modelos históricos do primeiro
milênio».
4 -
CARDEAL POUPARD: SECULARISMO PREOCUPA CATÓLICOS E ORTODOXOS
Fonte:
Rádio Vaticana
Cidade do
Vaticano, 26 nov (RV) - O Presidente do Pontifício Conselho
para a
Cultura, Cardeal Paul Poupard, retornou de sua viagem a
Moscou,
capital da Federação Russa.
O Cardeal
Poupard manteve encontros com o Arcebispo Tadeusz
Kondrusiewicz,
Presidente da Conferência dos Bispos Católicos da
Federação
Russa, com a comunidade católica e com máximos
representantes
da Igreja Ortodoxa russa: o Patriarca de Moscou e de
todas as
Rússias, Aleksej II, e os Metropolitas Kirill e Filarete.
O
principal objetivo da sua viagem a Moscou foi a inauguração de
novos
locais da "Biblioteca do Espírito", durante a qual leu a
mensagem
enviada pelo Santo Padre aos participantes. A Rádio Vaticano
entrevistou
o Cardeal Paul Poupard, sobre a sua recente visita:
Card.
Poupard:- "O fruto desta semana, caracterizada por encontros e
conversações,
foi, antes de tudo, a convergência de pontos de vista
sobre o
discernimento dos desafios pastorais da Igreja, sobretudo em
relação
ao secularismo. Em segundo lugar, houve um confronto, em
nível
cultural, sobre as raízes e os valores da cultura cristã,
arraigados
no Evangelho e na história européia. Enfim, foram
programados
encontros comuns para enfrentar uma dúplice temática:
bioética
e mídia". (MT)
5 -
VATICANO: ECUMENISMO AINDA LONGE DA META DE COMUNHÃO VISÍVEL
Fonte:
SIR 10/11/2004
Cidade do
Vaticano, 10 nov (SIR) - O Vaticano quer fazer um balanço
de 40
anos de ecumenismo e o faz com um moderado otimismo: o objetivo
da
comunhão plena e visível encontra-se ainda longe, mas o caminho do
diálogo
iniciado com o Concílio é irreversível e atrás não se volta.
São
algumas das indicações principais que apareceram hoje durante o
encontro
com a imprensa, presidido pelo card. Walter Kasper, sobre a
Conferência
Internacional para fazer um balanço 40 anos depois do
documento
conciliar "Unitatis redintegratio", que deu início oficial
ao
diálogo e as regras para faze-lo. "Em todo lugar - disse o card.
Kasper -,
nestes quarenta anos o tempo não parou; o panorama
ecumênico
mudou e o cenário ecumênico atravessa atualmente mudanças
profundas.
Por um lado a aceitação e a consciência ecumênica na
Igreja
cresceu. Através do diálogo, em nível internacional, regional
e local,
afastamos muitos mal-entendidos e preconceitos; superamos
diferenças
do passado, aprofundado e enriquecido a comunhão na fé, e
fizemos
muitas amizades. Consideramos os outros cristãos não mais
como
inimigos ou estrangeiros, mas vemos neles irmãos e irmãs. Por
outro
lado existem também problemas e fracassos. Obviamente ainda não
alcançamos
a meta: a comunhão plena e visível. Encontramo-nos num
estágio
intermediário. Às vezes persistem antigos preconceitos. Deve-
se também
lamentar preguiças e ignorância. Em outras, o ecumenismo
torna-se
às vezes um ponto de ativismo superficial. Hoje - esclareceu
o card.
Kasper - somos confrontados com novos desafios: por um lado,
um
relativismo e pluralismo qualitativo pós-moderno, que não coloca
mais a
questão da verdade, do outro um fundamentalismo agressivo
vivido
por seitas antigas e novas, com as quais não é possível
estabelecer,
na maioria dos casos, um diálogo marcado pelo respeito.
Em
algumas Comunidades eclesiais constata-se uma espécie de
liberalismo
doutrinal e sobretudo ético, que cria novos
desentendimentos
seja dentro dessas Comunidade, seja entre elas e a
Igreja
católica. Não vivemos mais o entusiasmo ecumênico do período
imediatamente
sucessivo ao Concílio. Mas também não se pode nem mesmo
afirmar,
como fazem alguns, que o ecumenismo esteja atravessando um
período
de estagnação ou um inverno ecumênico. É melhor falar de um
estágio
de amadurecimento e de um necessário esclarecimento". Kasper,
que é
também um dos mais conhecidos teólogos católicos vivos, apontou
dois
problemas considerados como "tarefas" para o futuro do
ecumenismo
que, de alguma maneira, é "uma forma diplomacia
eclesiástica".
O primeiro se refere "à suspeita que o diálogo
ecumênico
cause danos à nossa identidade católica. Trata-se de uma
suspeita
grave. No entanto é verdade o contrário: o diálogo supõe
parceiros
que tenham a sua própria identidade. Não se trata de
modificar
o depósito da é, de mudar o dignificado dos dogmas, etc. Ut
unum
sint, 18). O diálogo não se resolve num denominador comum mais
baixo,
mas num enriquecimento recíproco". A outra questão interessa a
importância
do ecumenismo espiritual, que é o coração e a alma de
todo o
ecumenismo. "Estamos convencido - é a convicção de Kasper -
que o
caminho ecumênico prepara o futuro da Igreja. De acordo com
parâmetros
humanos, o caminho será provavelmente longo e cheio de
dificuldades,
marcada também por desilusões, incidentes de percurso e
também
resistências. No entanto é o caminho iniciado pelo Espírito
quarenta
anos atrás e, como tal, ela é um caminho que possui a
esperança
de seu lado". Durante a coletiva, dom Eleutério Fortino,
sub-secretário
do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos,
apresentou
uma detalhada situação de como andam as relações entre a
Igreja
católica e as Igrejas ortodoxas com as quais existem várias
dificuldades,
mas também uma certa retomada de atenção recíproca.
Inclusive
o Patriarcado de Moscou. Ele apontou que as maiores
resistências
ao progresso do diálogo encontram-se nas Igrejas
ortodoxas
e não nos católicos. Estes últimos, de fato, diferentemente
das
Igrejas ortodoxas, podem contar com um documento conciliar sério
que
aponta o caminho. A Igreja ortodoxa não têm ainda uma orientação
partilhada
para o diálogo e nas décadas passadas tiveram que superar
os
limites impostos pelo regime comunista que as manipulava para
espalhar
suas ideologias.
(Universo
Católico)
6 -
Celebrações pelos 25 anos da visita do Santo Padre à Turquia:
intervém
o ex-Presidente da República
Fonte:
Fides 25/11/2004
Ancara
(Agência Fides) - Foi Suleyman Demirel, IX Presidente da
história
da República da Turquia, quem realizou hoje, 25 de novembro,
uma
intervenção para recordar os 25 anos da visita de João Paulo II à
Turquia
(28-30 de novembro de 1979). O encontro foi promovido pela
Nunciatura
Apostólica em Ancara, guiada por Dom E! dmond Farhat, e
incluiu a
participação de numerosas personalidades civis, religiosas,
do mundo
da cultura, entre os quais o Patriarca Ecumênico Bartolomeu.
"Um
ex-Presidente da República, muçulmano, elogia a figura do Papa: é
um evento
muito significativo para nós", destaca Pe. George Marovich,
Porta-voz
da Conferência Episcopal da Turquia, em um colóquio com a
Agência
Fides. "Todos reconhecem a importância da obra do Santo Padre
nos
últimos 25 anos. É uma figura realmente universal, um grande
homem de
paz. O mundo inteiro o aprecia e hoje, um Estado laico, de
maioria
muçulmana, como a Turquia, lhe reconhece o papel de grande
embaixador
do diálogo e da paz entre as religiões. A comunidade
católica
vive este momento com alegria".
Pe.
Marovich nota que atualmente a situação religiosa na Turquia está
bastante
tranqüila. Fazem-se passos de contínua aproximação e diálogo
entre as
Igrejas cristãs, e no diálogo inter-religioso com os
muçulmanos.
E é iminente a celebração do retorno das relíquias de São
João
Crisóstomo e São Gregório a Istambul, dom do Santo Padre ao
Patriarca
Bartolomeu.
Também
melhoraram muito as relações entre Estado e Igreja: aguarda-se
a
formação de uma Comissão bilateral de líderes católicos e expoentes
do
governo, para enfrentar e solucionar problemas e pendências do
Estado em
relação à Igreja. Em encontros mantidos com o Premiê Recep
Tayyip
Erdogan, em julho passado, os Bispos pediram explicitamente o
reconhecimento
jurídico da Igreja Católica na Turquia.
De 66
milhões de habitantes, a população turca é em 98% muçulmana. Os
cristãos
são 0,6%, entre ortodoxos e católicos de rito latino,
armênio,
sírio-católico, caldeu, bizantino, maronita. (PA)
7 -
Focolares promovem conferência ecuménica em Istambul
Fonte:
Agência Ecclesia 25/11/2004
Iniciou-se
esta semana, em Istambul, a 23ª Conferência ecuménica dos
Bispos
amigos do Movimento dos Focolares, que se prolonga até o dia 1
de
Dezembro, juntando mais de 50 Bispos de 23 países dos quatro
continentes,
e de várias Igrejas do Oriente e do Ocidente: ortodoxos,
siro-ortodoxos,
armenos apostólicos, anglicanos, evangélico-luteranos
e
católicos de vários ritos.
Promovida
pelo Cardeal Miloslav Vlk, Arcebispo de Praga, a semana
terá como
ponto alto o encontro-diálogo com o Patriarca ecuménico
Bartolomeu
I, com o Cardeal Walter Kasper, Presidente do Conselho
Pontifício
para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o Patriarca
Arménio
Apostólico de Constantinopla, Mesrop II Mutafyan, e o vigário
patriarcal
siro-ortodoxo para a Turquia, Filksinos Yusuf Cetin.
Chiara
Lubich, fundadora dos Focolares, encarregou alguns dos seus
mais
próximos colaboradores e colaboradoras para que elaborem as suas
intervenções
sobre a temática do congresso e sobre a experiência
ecuménica
do Movimento, evidenciando "a sintonia da espiritualidade
da
unidade, típica dos Focolares, e a espiritualidade ecuménica
fortemente
encorajada pelo Papa".
Os bispos
participarão na cerimonia de acolhimento das relíquias dos
Padres da
Igreja, João Crisóstomo e Gregório Nazianzeno, Bispos de
Constantinopla
nos séculos IV-V, entregues por João Paulo II ao
Patriarca
Bartolomeu I no próximo sábado.
Nos dias
29 e 30, os bispos irão assistir, no Fanar, às celebrações
solenes
da Festa do Apóstolo Santo André, Fundador e Padroeiro do
Patriarcado
ecuménico, presididas pelo Patriarca Bartolomeu I, onde
participará
também uma delegação da Santa Sé, presidida pelo cardeal
Walter
Kasper.
Octávio
Carmo
8 - João
Paulo II reza pela Ucrânia em crise. Após as denúncias de
fraude
nas eleições presidenciais.
Fonte:
Zenit 24/11/2004
CIDADE DO
VATICANO, quarta-feira, 24 de novembro de 2004 (ZENIT.org).-
João
Paulo II assegurou essa quarta-feira, ao final da audiência
geral com
os peregrinos no Vaticano, que reza pela Ucrânia, país que
se
encontra em uma profunda crise após as denúncias de fraude nas
eleições
presidenciais.
Tomando a
palavra em ucraniano, o Santo Padre se dirigiu aos
peregrinos
desse país: «Queridos, asseguro a vós e a todo o povo
ucraniano
que nestes dias rezo de maneira particular por vossa
querida
pátria».
Bandeiras
amarelo-azuis se agitaram em resposta à saudação do Papa.
Foram
flamejadas por alguns dos 60 peregrinos desse país presentes na
Sala
Paulo VI, aos quais se acrescentaram várias dezenas de
seminaristas,
sacerdotes e estudantes ucranianos em Roma.
A
saudação não aparecia no discurso distribuído à imprensa em um
primeiro
momento, foi acrescentada pelo Papa posteriormente.
Apesar
das ruas de Kiev estarem inundadas de gente que aclamava o
líder
opositor ucraniano, Victor Yúschenko, a Comissão Eleitoral
Central
(CEC) da Ucrânia proclamou essa quarta-feira presidente
eleito do
país o primeiro-ministro Victor Yanukóvich.
Segundo
os dados definitivos, anunciados em uma tempestuosa reunião
da CEC na
qual houve se deram intentos de solucionar as diferenças
com os
punhos, Yanukóvich obteve 49,46% por cento ou 15.093.691
votos,
enquanto que Yúschenko conseguiu 46,61%, ou 14.222.289 votos.
A
comunicação foi recebida na sala com ovação dos partidários do
primeiro
ministro e com gritos de «vingança» dos favoráveis a
Yúschenko.
Pouco
antes, a oposição ucraniana havia declarado ante mais de cem
mil
partidários na praça da Independência que estava disposta a
aceitar a
repetição das eleições presidenciais, mas com a condição de
que
fossem «limas e transparentes», segundo informa a agência EFE.
Yúschenko
afirmou que é necessário mudar a composição da Comissão
Eleitoral
Central, a qual acusa de fraude, e aprovar uma lei que
proíba o
voto fora do lugar de residência, principal instrumento da
fraude
eleitoral, segundo a oposição.
O líder
opositor anunciou que o presidente da Polônia, Aleksander
Kwasniewski,
chegará proximamente à Ucrânia com «poderes da
Organização
para a Segurança e a Cooperação na Europa» para mediar a
crise
política.
Com sua
oferta, Yúschenko tentou deixar aberta uma possibilidade de
diálogo
com as autoridades, depois de que na segunda-feira lançasse
uma
campanha de desobediência civil acompanhada de maneira massiva em
Kiev e
nas regiões ocidentais do país em resposta à «fraude brutal»,
denunciada
pela oposição.
O anúncio
da CEC reduziu consideravelmente o campo de negociação,
pois o
presidente que sai da Ucrânia, Leonide Kuchma, ainda que
afirmou
que não se empregará a força contra os opositores, foi
categórico
em assinalar que a Comissão Eleitoral Central é a que
decide em
matéria de eleições e até acusou a oposição de tentar dar
um golpe
de Estado.
9 -
Igreja pede ajuda internacional para a Ucrânia
Fonte:
Agência Ecclesia 25/11/2004
A Igreja
Católica na Ucrânia lançou um pedido de "solidariedade" para
com o
povo ucraniano a toda a comunidade internacional, apelando a
que a
mesma assuma "uma posição forte na defesa da verdade e dos
direitos
fundamentais do povo".
A
Comissão Justiça e Paz da Igreja no país sublinha, num documento
difundido
pela agência católica Risu, que "nestes dias a Ucrânia
procura
fazer valer o direito fundamental de mais de 20 milhões de
pessoas
que votaram pelo seu futuro".
O
documento fala de "falsificações" e de fraude para classificar a
eleição
de Victor Ianukovitch, que considera "um acto de violência
que não
respeita a liberdade de escolha".
O
candidato às presidenciais na Ucrânia que viu ontem confirmada a
sua
derrota pela comissão de eleições, Victor Iuschenko, apelou hoje
à
comunidade internacional para que não reconheça o resultado oficial
do
escrutínio. A Ucrânia enfrenta uma vaga de manifestações sem
precedentes
contra a eleição de Victor Ianukovitch.
Octávio
Carmo
10 -
Saiba mais sobre a Ucrânia
Fonte:
Folha On Line 26/11/2004
MÁRCIO
SENNE DE MORAES
da Folha
de S.Paulo
A
história da Ucrânia e a da Rússia se misturam em vários momentos
desde a
criação dos dois Estados. Para os russos, Kiev é o berço da
Rússia
moderna. Para os ucranianos, porém, a Rus de Kiev, Estado
criado no
século 9º, é, sem dúvida, a mãe da Rússia moderna, mas não
se
confunde com ela.
Ela se
tornou cristã numa época em que Moscou nem existia. Em 988, o
príncipe
Volodymir deixou o paganismo e adotou o cristianismo. Ao
mesmo
tempo, levou para as terras eslavas uma cultura milenar
influenciada
pelos bizantinos.
"Por
séculos, o Principado de Kiev foi o centro religioso e cultural
da
Rússia. Isso acabou no século 13, quando as invasões mongóis o
destruíram",
disse à Folha Arnaud Dubien, do Instituto de Relações
Internacionais
e Estratégicas (Paris).
"A
presença da Rússia czarista na Ucrânia data, contudo, de 1654,
quando
também começaram movimentos populacionais muito importantes
entre os
dois países. Estes se seguiram durante séculos, e os últimos
fortes
fluxos migratórios russos em direção à Ucrânia ocorreram
durante
os governos de [Nikita] Kruchev [1958-64] e de [Leonid]
Brejnev
[1964-82], que, paradoxalmente, eram de origem ucraniana."
Durante
séculos e até o final da Revolução Russa (1917), a Ucrânia
foi
disputada e, em diferentes fases, dividida entre o Império Austro-
Húngaro
(oeste do país), a Rússia (leste e sul) e a Polônia
(noroeste).
"Embora haja grande proximidade cultural e lingüística
entre os
ucranianos e os russos, a história criou profundas divisões
na
Ucrânia", analisou Dubien.
O leste
do país, que foi controlado pelo Império Austro-Húngaro, é
mais
aberto à Europa, embora mantenha fortes traços nacionalistas.
Estes
surgiram, na história recente ucraniana, após a anexação do
país
pelas forças bolcheviques, em 1920, que pôs fim a um período de
três anos
de independência.
O
movimento nacionalista ganhou força no leste e no centro da Ucrânia
nos anos
20 e 30, quando Josef Stálin ordenou uma campanha de
coletivização
forçada das terras e expurgos para pôr fim
às
"veleidades nacionalistas" [em que milhões de ucranianos foram
mortos].
"Os
métodos do ditador soviético ficaram marcados no inconsciente
coletivo
da Ucrânia, e parte de sua população acolheu bem, ao menos
inicialmente,
a chegada dos nazistas. Isso foi depois usado por
Stálin
para punir os ucranianos", avaliou Asbed Kotchikian, da
Universidade
de Boston (EUA).
Após
algum tempo de invasão, a guerrilha do leste ucraniano passou a
combater
as forças nazistas e, no início da década de 50, as
soviéticas.
"Há
duas tradições bem distintas no leste e no oeste da Ucrânia.
Passado,
história e religião são diferentes, pois o leste sempre teve
maior
influência russa", afirmou Dubien.
Com
efeito, boa parte do oeste é católica grega (uniata), aceitando a
supremacia
do papa, enquanto o oeste é majoritariamente cristão
ortodoxo,
ligado ao patriarcado russo.
As
línguas, ademais, também não são iguais, embora apresentem fortes
similaridades.
Uma pesquisa recente mostrou, todavia, que, mesmo no
leste da
Ucrânia, o ucraniano é considerado a língua materna pela
maioria
das pessoas que não são de origem russa (cerca de 30% da
população
local).
11 -
ALEXIS II DÁ CORAGEM A KUCHMA
Fonte:
Pravda 26/11/2004
Alexis
II, o Patriarca de Moscovo e Primaz da Igreja Ortodoxa Russa,
enviou
uma mensagem a Leonid Kuchma, Presidente da Ucrânia, em que
afirmou
seu apoio total aos esforços de estabelecer a paz numa altura
de
conflito.
Alexis II
referiu às "forças exteriores destrutivas" e exprimiu a sua
vontade
que o povo da Ucrânia pudessem ver o fim da crise, baseado na
lei
vigente.
Declarou Alexis
II que "De acordo com aquilo que eu sei, a Ucrânia
está
determinada a fortalecer a nação, preservar a sua independência
e
identidade étnica e aumentar as ligações fraternais com a Rússia".
Timofei
BYELO
12 - Na
Ucrânia, liberdade religiosa está ameaçada. Segundo o reitor
da
Universidade Católica Ucraniana.
Fonte:
Zenit 25/11/2004
LVOV,
quinta-feira, 25 de novembro de 2004 (ZENIT.org ).- «Na
Ucrânia,
a liberdade religiosa está ameaçada», afirmou o padre Borys
Gudziak,
reitor da Universidade Católica Ucraniana (UCU) de Lvov, em
uma
conversa telefônica que manteve esta quinta-feira com a
associação
católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
Ainda que
não haja uma perseguição à Igreja como na época
soviética,
«o desprezo pelas liberdades civis e os direitos humanos
por parte
do regime atual, assim como a extrema pobreza da população,
fruto da
corrupção e da má gestão dos antigos clãs de poder», fazem
impossível
que as famílias «levem uma vida cristã normal».
Nos
últimos anos, cerca de cinco milhões de ucranianos emigraram para
encontrar
emprego, deixando assim muitas famílias sem pai ou sem mãe,
segundo
dados citados pelo padre Gudziak, que atribui o fenômeno à
dramática
pobreza.
Também, a
esperança de vida diminuiu até os 55 anos, sendo agora uma
das mais
baixas da Europa.
«A Igreja
está ao lado do povo, que defende sua dignidade nestas
eleições,
porque a dignidade funda suas raízes na verdade», declara.
«Se se
negam os verdadeiros resultados das eleições, serão
atropelados
não só os direitos civis, mas também a dignidade dos
eleitores.
Estamos ante uma questão profundamente ética. O pacífico
protesto
de milhões de ucranianos em quase todas as cidades do país
demonstra
que o povo percebe que sua liberdade e dignidade correm
perigo»,
declara o padre Gudziak.
«Nestes
momentos, o povo deposita suas esperanças no poder da
verdade»,
diz.
O reitor
universitário, que apóia as manifestações pacíficas dos
estudantes,
está preocupado pelos «esforços de Moscou por intrometer-
se em
nossos assuntos internos».
Ante os
rumores sobre a presença de forças especiais russas no país,
que não
foram desmentidos pelo governo, o padre Gudziak não crê
que «se
possa dar volta atrás na história», mas assegura que nestes
momentos
resulta impossível prever como concluirá a luta pela verdade
na
Ucrânia.
13 - APÓS
CONFERÊNCIA SOBRE O IRAQUE, PATRIARCA CALDEU DE BAGDÁ PEDE
MAIS AÇÃO
E MENOS PALAVRAS
Fonte:
Rádio Vaticana
Bagdá, 25
no (RV) - O Patriarca de Babilônia dos Caldeus de Bagdá,
Dom
Emanuele III Delly, comentou a Conferência sobre o Iraque,
realizada
terça-feira em Sharm el-Sheikh (Egito). O Patriarca pediu
mais ação
e menos palavras, e denunciou que "as condições de vida no
país são
terríveis". Segundo o líder da maior comunidade cristã no
Iraque,
"a população chegou a uma situação extrema".
Participaram
da Conferência sobre o Iraque 20 ministros do Exterior,
as Nações
Unidas, a União Européia, o G8, a Liga Árabe e a
Conferência
Islâmica. Durante o encontro, ressaltou-se a necessidade
de se
realizar eleições gerais no Iraque na data prevista (30 de
janeiro
de 2005).
Neste
momento, numa população de 22 milhões de habitantes, o número
de
cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70% fazem parte
da Igreja
Católica.
Enquanto
isso, a população da cidade iraquiana de Falluja recebeu
tratamento
médico e remédios oferecidos pela Caritas no país. Dois
caminhões
partiram da sede central da Caritas Iraque, em Bagdá, para
o
hospital público de Falluja, com equipes da organização. A ofensiva
lançada
sobre a cidade de Fallujah a partir de 8 de novembro
desencadeou
fortes combates. A situação fez com que grande parte da
população
civil fugisse.
O Fundo
das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) também manifestou
sua
preocupação com o "impacto devastador" que a guerra do Iraque vem
provocando
sobre o segmento mais vulnerável da sociedade: as crianças.
A
diretora-executiva do UNICEF, Carol Bellamy, advertiu que a
instabilidade
e os prolongados combates, em diferentes localidades do
Iraque,
vem causando danos profundos nas crianças iraquianas. De
acordo
com Bellamy, além de viverem no meio da insegurança e da
violência,
as crianças iraquianas sofrem ainda as conseqüências da
falta de
serviços básicos, de água potável, de assistência médica e
de instalações
sanitárias adequadas.
De fato,
um novo relatório da agência, divulgado em Nova York, indica
que
centenas de milhares de crianças iraquianas estão
sofrendo
"efeitos severos" de doenças e com a subnutrição.
O
trabalho humanitário no Iraque está praticamente paralisado, pois
as
agências de ajuda humanitária acabaram se transformando em alvos
do
terrorismo, o que as obriga a atuar "à distância", a partir de
países
vizinhos. (CM)
14 - Um
monge Caldeu iraquiano à Agência Fides: "Melhora a situação
das
minorias religiosas no Iraque. Estamos otimistas em relação às
eleições
e a um futuro de paz para o País"
Fonte:
24/11/2004
Mosul
(Agência Fides) - Após a violência anticristã que nos últimos
tempos
sacudiu o Iraque, com diversos episódios na capital, Bagdá, e
na área
de Mosul, há sinais de esperança para a situação das minorias
religiosas
no Iraque. Foi o que disse à Agência Fides um monge Caldeu
de Mosul
que pede o anonimato por motivos de segurança.
Falando a
Fides, o sacerdote iraquiano observa: "A situação parece
mais
calma. Nos últimos dias, não observamos novos atos violentos.
Creio que
vários elementos contribuíram para isso: antes de tudo, a
fatwa,
proclamada dias atrás pelo Aiatolá Al-Sistani, líder da
comunidade
muçulmana xiita. Ele pediu a todos os xiitas que não
toquem os
grupos religiosos minoritários no Iraque, que não lhes
façam
mal, pois fazem parte do povo iraquiano. Suas palavras
certamente
pesaram sobre os fiéis xiitas, e influíram em suas
motivações
de fé. Por outro lado, o ataque das tropas americanas a
Faluja
demonstra a forte intenção da liderança iraquiana e da
comunidade
internacional em combater o terrorismo. Hoje, os grupos
fanáticos,
que lutam pela guerra santa contra o Ocidente, devem
entender
que estão isolados da população civil iraquiana, que quer,
com todas
as suas forças, a pacificação do país".
Falando
em particular dos sentimentos da comunidade cristã Caldéia, o
sacerdote
afirma: "De nosso lado, temos confiança nas próximas
eleições
de janeiro, e pensamos com otimismo no futuro do país. Os
cristãos,
e todos os grupos de minorias religiosas no Iraque, sempre
reiteraram
seu desejo de viver em paz com os irmãos muçulmanos e de
contribuir
no crescimento e desenvolvimento do Iraque. Esperamos que
a
reconciliação chegue logo, para o bem de toda a nação".
O tema da
segurança, da tutela das minorias, do respeito dos direitos
humanos e
da liberdade religiosa no Iraque foi recentemente
enfrentado
em um seminário realizado em Washington, promovido pelo
Centre
for Religious Freedom e a Coalition for the Defence of Human
Rights,
duas Organizações Não-Governamentais americanas engajadas no
campo da
liberdade religiosa e direitos humanos nos países do Oriente
Médio.
Participaram do encontro líderes civis iraquianos e expoentes
de
diversas comunidades religiosas do Iraque, inclusive a Igreja
Caldeia e
Assíria. Notando o risco da eliminação das minorias
religiosas
no país (cerca de 40 mil cristãos deixaram o Iraque nos
últimos
meses, pressionados por grupos fundamentalistas), a
Assembléia
pediu à comunidade internacional mais atenção para o
problema
da proteção. Com a esperança de que com a paz, todos os
iraquianos
fugidos, por medo de ataques extremistas, possam retornar
a suas
casas. (PA)
LIVRO
Da
criação à parusia - Linhas Mestras da Teologia Cristã Oriental
Volodemer
Koubetch
PAULINAS
O
interesse pela reflexão teológica das igrejas orientais, tanto
unidas a
Roma como ortodoxas, aumentou consideravelmente nas últimas
décadas,
tanto por causa do Vaticano II e do esforço ecumênico feito
no
diálogo com os ortodoxos, como em virtude das condições
históricas,
que libertaram as igrejas orientais da opressão política
e
possibilitaram uma aproximação efetiva entre o Oriente e o
Ocidente.
Este
livro é parte de um esforço mais amplo para permitir o mútuo
enriquecimento
do Oriente e do Ocidente, na aproximação das duas
formas
profundamente diversas de fazer teologia. Os temas
fundamentais
da teologia oriental - criação, Igreja, escatologia e,
de modo
particular, a visão de salvação - são apresentados de forma a
superar
as perspectivas unilaterais do cristomonismo e do
pneumatismo,
enfocando o caráter trinitário, que marca o todo
pensamento
oriental. O traço característico da impostação teológica
oriental
é o fato de considerar unidos todos os temas, porque a
teologia
é organismo e não pode ser dividida em tratados, daí a
abrangência
dos aspectos abordados, sempre, porém na perspectiva da
salvação,
resultado da ação das duas mãos do Pai, como dizia santo
Irineu, o
Verbo e o Espírito.
A
presente pesquisa centralizou-se nas obras de alguns teólogos
orientais
contemporâneos, católicos e ortodoxos, mais
representativos,
fixando-se na vertente eslava e, dentro desta, na
vertente
ortodoxa russa, e apoiando-se preferentemente num dos seus
autores
mais conhecidos, na pessoa de Paul Evdokimov. Do exposto,
segue-se
a exigência metodológica de ter sempre em vista a relação
entre
pneumatologia e soteriologia e a unidade trinitária. Cada um
dos
quatro capítulos desta obra e algumas de suas partes, que
focalizam
temas teológicos específicos (criação, salvação, Igreja,
escatologia),
iniciam-se com uma explanação dos aspectos formais da
teologia
oriental, com o intuito de introduzir o leitor em
determinada
temática e facilitar-lhe a compreensão do texto.
O
primeiro capítulo trata da relação criativa do Verbo e do Espírito
Santo com
o ser humano e o cosmo. O segundo trata a questão da
salvação
como theosis, sob a moção das energias do Espírito Santo,
situado
na sua comunhão trinitária e manifestado quenoticamente na
sua ação
deificadora, com o Verbo, porque o Espírito e o Verbo são
as
"duas mãos do Pai". O terceiro capítulo fala sobre a mediação
principal
da deificação: o Verbo e o Espírito que agem na Igreja e,
por meio
desta, na história. O quarto capítulo examina a escatologia
oriental,
analisando seus pressupostos fundamentais e alguns temas
candentes,
como, por exemplo, o purgatório e a apocatástase. Julgou-
se
conveniente acrescentar um glossário de 24 páginas sobre os termos
próprios
da teologia oriental.
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