BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 10 - 26 de novembro de 2004

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Hoje peço uma prece pelos nossos irmãos ucranianos. Rezemos para que
a crise em curso na Ucrânia não tenha um desfecho violento.

Como novidade, incluí no final do Boletim informações sobre o
livro "Da criação à parusia - Linhas Mestras da Teologia Cristã
Oriental", de autoria de Dom Volodemer Koubetch, bispo coadjutor da
Eparquia de São João Batista em Curitiba, dos Católicos Ucranianos.

Saudações Fraternais

Luis Felipe
[email protected]


ÍNDICE

1 - Tudo preparado para a visita do Patriarca Bartolomé, anuncia o
Vaticano

2 - Tudo pronto para receber Bartolomeu I no Vaticano

3 - Após entrega das relíquias, diálogo teológico católico-ortodoxo
será reiniciado. Segundo anuncia um arquimandrita da Igreja da Grécia.

4 - CARDEAL POUPARD: SECULARISMO PREOCUPA CATÓLICOS E ORTODOXOS

5 - VATICANO: ECUMENISMO AINDA LONGE DA META DE COMUNHÃO VISÍVEL

6 - Celebrações pelos 25 anos da visita do Santo Padre à Turquia:
intervém o ex-Presidente da República

7 - Focolares promovem conferência ecuménica em Istambul

8 - João Paulo II reza pela Ucrânia em crise. Após as denúncias de
fraude nas eleições presidenciais.

9 - Igreja pede ajuda internacional para a Ucrânia

10 - Saiba mais sobre a Ucrânia

11 - ALEXIS II DÁ CORAGEM A KUCHMA

12 - Na Ucrânia, liberdade religiosa está ameaçada. Segundo o reitor
da Universidade Católica Ucraniana.

13 - APÓS CONFERÊNCIA SOBRE O IRAQUE, PATRIARCA CALDEU DE BAGDÁ PEDE
MAIS AÇÃO E MENOS PALAVRAS

14 - Um monge Caldeu iraquiano à Agência Fides: "Melhora a situação
das minorias religiosas no Iraque. Estamos otimistas em relação às
eleições e a um futuro de paz para o País"


NOTÍCIAS


1 - Tudo preparado para a visita do Patriarca Bartolomé, anuncia o
Vaticano

Fonte: ACI 25/11/2004

VATICANO, 25 Nov. 04 (ACI ) .- O Pontifício Conselho para a Promoção
da Unidade dos Cristãos, que preside o Cardeal Walter Kasper,
informou que tudo está preparado para a chegada, nesta sexta-feira,
do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomé I, que no marco
de uma visita de dois dias receberá do Papa João Paulo II as
relíquias de São João Crisóstomo e de São Gregório Nacianceno, bispos
e doutores da Igreja .
Conforme informa o Dicastério o Patriarca esteve com o Santo Padre em
29 de junho deste ano em Roma e convidou João Paulo II a Istambul.
Bartolomé I pediu ao Pontífice se as relíquias dos santos que se
encontram na basílica vaticano podiam retornar à Sé de
Constantinopla.
Ao encontro seguiu um intercâmbio de correspondência cujo resultado é
a visita desta semana. "A entrega das relíquias -prossegue o
comunicado- é um sinal profundo que alenta a percorrer o caminho da
unidade: Os restos mortais dos dois santos patriarcas de
Constantinopla que trabalharam por proteger a unidade entre o Oriente
e Ocidente, venerados em sua terra de origem, acolhidos com grande
honra na Igreja de Roma, que durante muitos séculos os conservou e
venerou com amor, encaminham-se de novo para o Oriente, graças a um
gesto de compartilhar espiritual que nutre e fortifica a comunhão
entre a Sé de Roma e de Constantinopla".
João Paulo II pediu que as relíquias fossem colocadas em duas urnas
de cristal custodiadas em dois relicários de alabastro. Quando
chegarem a Istambul serão depositadas em uma capela do patriarcado e
na festividade de Santo André se instalarão definitivamente na igreja
patriarcal de São Jorge.
Na volta a Istambul para celebrar a festa (30 de novembro), padroeiro
do patriarcado ecumênico, Bartolomé I estará acompanhado por uma
delegação da Santa Sé da que formam parte o Cardeal Walter Kasper,
Dom Brian Farrel, Secretário do mesmo dicasterio, o Arcebispo Edmond
Farhat, Núncio apostólico na Turquia e Dom Johan J. Bonny.


2 - Tudo pronto para receber Bartolomeu I no Vaticano

Fonte: Agência Ecclesia 26/11/2004

O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, a que
preside o Cardeal Walter Kasper, informou que tudo está preparado
para a chegada, hoje, do Patriarca Ecuménico de Constantinopla,
Bartolomeu I, para uma visita de dois dias ao Vaticano, na qual
receberá do Papa as relíquias de São João Crisóstomo e de São
Gregório de Nazianzo, bispos e Doutores da Igreja.
João Paulo II mostra-se, assim, decidido a promover uma aproximação
significativa com a Igreja Ortodoxa na sua busca da unidade entre
todos os cristãos.
A entrega das relíquias surge na sequência de uma intensa actividade
diplomática entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa, separadas desde o
Grande Cisma de 1054. Segundo o Conselho Pontifício, a ideia nasceu
quando o Patriarca esteve com o Papa, a 29 de Junho deste ano, e
convidou João Paulo II para uma visita a Istambul. Bartolomeu I pediu
ao Papa se as relíquias destes santos poderiam regressar à Catedral
de Constantinopla e este acedeu.
Ao encontro seguiu uma troca de correspondência cujo resultado é a
visita desta semana. "A entrega das relíquias é um sinal profundo que
alenta a percorrer o caminho da unidade: Os restos mortais dos dois
Santos Patriarcas de Constantinopla, que trabalharam por proteger a
unidade entre o Oriente e Ocidente, venerados na sua terra de origem,
acolhidos com grande honra na Igreja de Roma, que durante muitos
séculos os conservou e venerou com amor, encaminham-se de novo para o
Oriente, graças a um gesto de compartilhar espiritual que nutre e
fortifica a comunhão entre a Sé de Roma e de Constantinopla", explica
o Dicastério da Santa Sé responsável pelo Ecumenismo.
João Paulo II pediu que as relíquias fossem colocadas em duas urnas
de cristal custodiadas em dois relicários de alabastro. Quando
chegarem a Istambul serão depositadas em uma capela do Patriarcado e,
na festividade de Santo André, serão instaladas definitivamente na
igreja patriarcal de São Jorge.
No regresso a Istambul, para celebrar a festa de Santo André (30 de
Novembro), padroeiro do Patriarcado Ecuménico, Bartolomeu I estará
acompanhado por uma delegação da Santa Sé da qual fazem parte o
Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos; D. Brian Farrel, Secretário do
mesmo Dicastério; o Arcebispo Edmond Farhat, Núncio apostólico na
Turquia; e Dom Johan J. Bonny.
Os dois Santos viveram no século IV, no território que é hoje a
Turquia. As relíquias de São Gregório Nazianzeno encontravam-se em
Roma desde o século VIII, num mosteiro de Beneditinas, tendo sido
transferidas em 1580 para uma capela na Basílica de São Pedro por
iniciativa do Papa Gregório XIII.
Os restos de São João Crisóstomo foram roubados há mil anos, no saque
a Constantinopla, um dos momentos mais dramáticos da história nas
relações entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Estas relíquias
estão na capela do Santíssimo Sacramento da Basílica de São Pedro
desde o século XVII.
O Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, considerou a decisão de
João Paulo II de devolver a Istambul as relíquias de São João
Crisóstomo como um "sinal de amor fraterno" para com os cristãos do
oriente.
Bartolomeu I descreveu a decisão papal como "um acontecimento
histórico" que contribuirá para melhorar as relações entre Ortodoxos
e Católicos que pertencem "a uma Igreja indivisível".
"Rezaremos para que o Papa ilumine e dê alento aos líderes das
Igrejas e proporcione às comunidades cristãs outras ocasiões de
inspiração espiritual", referiu o Patriarca.
Bartolomeu I louvou também o discurso de João Paulo II em Junho deste
ano, em que apresentou um pedido público de desculpas pelo ataque dos
cruzados a Istambul (antiga Constantinopla), durante a cruzada de
1204.
No dia 1 de Julho deste ano, o Papa e o Patriarca Ortodoxo de
Constantinopla assinaram no Vaticano uma declaração comum onde
assumem "a plena vontade de continuar no caminho rumo à plena
comunhão entre nós, em Cristo". Os líderes das Igrejas Católica e
Ortodoxa reconhecem que é importante que os cristãos vivam entre si
em paz e harmonia, tendo em vista "um testemunho mais credível e
convincente do Evangelho".
Apesar dos "muitos passos positivos" que o Papa e o Patriarca de
Constantinopla assinalam, a declaração comum não esconde os
obstáculos que o caminho ecuménico tem encontrado desde o histórico
encontro entre Paulo VI e Atenágoras I, em Jerusalém, no ano de 1964.

Octávio Carmo


3 - Após entrega das relíquias, diálogo teológico católico-ortodoxo
será reiniciado. Segundo anuncia um arquimandrita da Igreja da Grécia.

Fonte: Zenit 25/11/2004

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 25 de novembro de 2004
(ZENIT.org ).- Quando João Paulo II entregar as relíquias dos santos
Gregório Nacianceno e João Crisóstomo, doutores da Igreja do Oriente,
ao patriarca ecumênico Bartolomeu I, será relançado o diálogo
teológico entre as Igrejas ortodoxas e a católica, afirma um
representante ortodoxo.

O arquimandrita Ignatios Sotiriadis, da Igreja ortodoxa grega,
reconheceu esta quinta-feira em declarações a «Rádio Vaticano»
que, «para nós, o significado deste acontecimento é muito especial,
pois a entrega destas relíquias significa que se cria mais uma ponte
entre as Igrejas irmãs de Constantinopla e Roma, entre a Igreja
católica e a ortodoxa».

O patriarca ecumênico de Constantinopla, «primus inter pares» entre
as Igrejas ortodoxas, chegará esta sexta-feira a Roma em visita de
dois dias de duração.

A entrega das relíquias acontecerá em uma cerimônia ecumênica na
basílica de São Pedro, no sábado.

Um comunicado publicado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da
Unidade dos Cristãos revelou que este gesto acontece após o patriarca
se encontrar com João Paulo II em 29 de junho deste ano em Roma e o
convidar para visitar Istambul.

Bartolomeu I perguntou ao mesmo tempo ao Papa se as relíquias dos
santos que se encontram na basílica vaticana podiam regressar à sede
de Constantinopla. Ao encontro seguiu uma troca de correspondência
cujo resultado culminou com este acontecimento ecumênico.

«A entrega das relíquias --indica o comunicado vaticano-- é um sinal
profundo que anima a percorrer o caminho da unidade: os restos
mortais dos dois santos patriarcas de Constantinopla que trabalharam
por salvaguardar a unidade entre Oriente e Ocidente, venerados em sua
terra de origem, acolhidos com grande honra na Igreja de Roma, que
durante muitos séculos os conservaram e veneraram com amor,
encaminham-se de novo para o Oriente, graças a um gesto de divisão
espiritual que nutre e fortifica a comunhão entre as sedes de Roma e
Constantinopla».

João Paulo II pediu que as relíquias fossem colocadas em duas urnas
de cristal custodiadas em dois relicários de alabastro. Quando
chegarem a Istambul serão depositadas em uma capela do patriarca e na
festividade de Santo André serão instaladas definitivamente na igreja
patriarcal de São Jorge.

No regresso a Istambul para celebrar a festa de Santo André (30 de
novembro), patrono do patriarcado ecumênico, Bartolomeu I estará
acompanhado por uma delegação da Santa Sé da qual formam parte o
cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos, o bispo Brian Farrel LC, secretário
do mesmo dicastério, o arcebispo Edmond Farhat, núncio apostólico na
Turquia e monsenhor Johan J. Bonny.

Pelo que se refere às relações entre católicos e ortodoxos, o
arquimandrita Sotiriadis afirma: «O problema que fica por superar é
o "uniatismo"». Com esta expressão se refere aos católicos de rito
oriental que vivem em terras da Europa do Leste, de maioria ortodoxa.

«Este problema há que ser superado, mas se decidiu que o diálogo
ecumênico, como diálogo teológico, recomeçará após a entrega destas
insignes relíquias ao patriarca ecumênico e após a festa de Santo
André».

«As discussões começarão com o ministério petrino (ou do Papa, ndr) e
depois se verão as demais questões», sublinha.

«Eu creio que nossos chefes religiosos, eclesiásticos, nossos
superiores das Igrejas ainda não se sentaram em torno a uma mesa-
redonda, talvez a portas fechadas, para discutir sobre um processo
veloz de reaproximação das Igrejas».

«Desde meu ponto de vista, houve grandes gestos, fotos foram tiradas
e presentes trocados. Agora se necessita de um ecumenismo mais
espiritual, ou seja, um ecumenismo de base. Agora têm de falar os
povos, os sacerdotes, as paróquias, as pessoas entre si. É necessário
converter-se em amigos e não falar como diplomatas, mas como irmãos».

O arquimandrita crê que o futuro da unidade passa pela senda
traçada «por todos nossos teólogos ortodoxos e por todos nossos
historiadores, assim como por insignes teólogos do Ocidente, da
Igreja católica, como o cardeal Joseph Ratzinger, que fala de uma
unidade ou uma reunificação segundo os modelos históricos do primeiro
milênio».


4 - CARDEAL POUPARD: SECULARISMO PREOCUPA CATÓLICOS E ORTODOXOS

Fonte: Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano, 26 nov (RV) - O Presidente do Pontifício Conselho
para a Cultura, Cardeal Paul Poupard, retornou de sua viagem a
Moscou, capital da Federação Russa.
O Cardeal Poupard manteve encontros com o Arcebispo Tadeusz
Kondrusiewicz, Presidente da Conferência dos Bispos Católicos da
Federação Russa, com a comunidade católica e com máximos
representantes da Igreja Ortodoxa russa: o Patriarca de Moscou e de
todas as Rússias, Aleksej II, e os Metropolitas Kirill e Filarete.
O principal objetivo da sua viagem a Moscou foi a inauguração de
novos locais da "Biblioteca do Espírito", durante a qual leu a
mensagem enviada pelo Santo Padre aos participantes. A Rádio Vaticano
entrevistou o Cardeal Paul Poupard, sobre a sua recente visita:
Card. Poupard:- "O fruto desta semana, caracterizada por encontros e
conversações, foi, antes de tudo, a convergência de pontos de vista
sobre o discernimento dos desafios pastorais da Igreja, sobretudo em
relação ao secularismo. Em segundo lugar, houve um confronto, em
nível cultural, sobre as raízes e os valores da cultura cristã,
arraigados no Evangelho e na história européia. Enfim, foram
programados encontros comuns para enfrentar uma dúplice temática:
bioética e mídia". (MT)


5 - VATICANO: ECUMENISMO AINDA LONGE DA META DE COMUNHÃO VISÍVEL

Fonte: SIR 10/11/2004

Cidade do Vaticano, 10 nov (SIR) - O Vaticano quer fazer um balanço
de 40 anos de ecumenismo e o faz com um moderado otimismo: o objetivo
da comunhão plena e visível encontra-se ainda longe, mas o caminho do
diálogo iniciado com o Concílio é irreversível e atrás não se volta.
São algumas das indicações principais que apareceram hoje durante o
encontro com a imprensa, presidido pelo card. Walter Kasper, sobre a
Conferência Internacional para fazer um balanço 40 anos depois do
documento conciliar "Unitatis redintegratio", que deu início oficial
ao diálogo e as regras para faze-lo. "Em todo lugar - disse o card.
Kasper -, nestes quarenta anos o tempo não parou; o panorama
ecumênico mudou e o cenário ecumênico atravessa atualmente mudanças
profundas. Por um lado a aceitação e a consciência ecumênica na
Igreja cresceu. Através do diálogo, em nível internacional, regional
e local, afastamos muitos mal-entendidos e preconceitos; superamos
diferenças do passado, aprofundado e enriquecido a comunhão na fé, e
fizemos muitas amizades. Consideramos os outros cristãos não mais
como inimigos ou estrangeiros, mas vemos neles irmãos e irmãs. Por
outro lado existem também problemas e fracassos. Obviamente ainda não
alcançamos a meta: a comunhão plena e visível. Encontramo-nos num
estágio intermediário. Às vezes persistem antigos preconceitos. Deve-
se também lamentar preguiças e ignorância. Em outras, o ecumenismo
torna-se às vezes um ponto de ativismo superficial. Hoje - esclareceu
o card. Kasper - somos confrontados com novos desafios: por um lado,
um relativismo e pluralismo qualitativo pós-moderno, que não coloca
mais a questão da verdade, do outro um fundamentalismo agressivo
vivido por seitas antigas e novas, com as quais não é possível
estabelecer, na maioria dos casos, um diálogo marcado pelo respeito.
Em algumas Comunidades eclesiais constata-se uma espécie de
liberalismo doutrinal e sobretudo ético, que cria novos
desentendimentos seja dentro dessas Comunidade, seja entre elas e a
Igreja católica. Não vivemos mais o entusiasmo ecumênico do período
imediatamente sucessivo ao Concílio. Mas também não se pode nem mesmo
afirmar, como fazem alguns, que o ecumenismo esteja atravessando um
período de estagnação ou um inverno ecumênico. É melhor falar de um
estágio de amadurecimento e de um necessário esclarecimento". Kasper,
que é também um dos mais conhecidos teólogos católicos vivos, apontou
dois problemas considerados como "tarefas" para o futuro do
ecumenismo que, de alguma maneira, é "uma forma diplomacia
eclesiástica". O primeiro se refere "à suspeita que o diálogo
ecumênico cause danos à nossa identidade católica. Trata-se de uma
suspeita grave. No entanto é verdade o contrário: o diálogo supõe
parceiros que tenham a sua própria identidade. Não se trata de
modificar o depósito da é, de mudar o dignificado dos dogmas, etc. Ut
unum sint, 18). O diálogo não se resolve num denominador comum mais
baixo, mas num enriquecimento recíproco". A outra questão interessa a
importância do ecumenismo espiritual, que é o coração e a alma de
todo o ecumenismo. "Estamos convencido - é a convicção de Kasper -
que o caminho ecumênico prepara o futuro da Igreja. De acordo com
parâmetros humanos, o caminho será provavelmente longo e cheio de
dificuldades, marcada também por desilusões, incidentes de percurso e
também resistências. No entanto é o caminho iniciado pelo Espírito
quarenta anos atrás e, como tal, ela é um caminho que possui a
esperança de seu lado". Durante a coletiva, dom Eleutério Fortino,
sub-secretário do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos,
apresentou uma detalhada situação de como andam as relações entre a
Igreja católica e as Igrejas ortodoxas com as quais existem várias
dificuldades, mas também uma certa retomada de atenção recíproca.
Inclusive o Patriarcado de Moscou. Ele apontou que as maiores
resistências ao progresso do diálogo encontram-se nas Igrejas
ortodoxas e não nos católicos. Estes últimos, de fato, diferentemente
das Igrejas ortodoxas, podem contar com um documento conciliar sério
que aponta o caminho. A Igreja ortodoxa não têm ainda uma orientação
partilhada para o diálogo e nas décadas passadas tiveram que superar
os limites impostos pelo regime comunista que as manipulava para
espalhar suas ideologias.
(Universo Católico)


6 - Celebrações pelos 25 anos da visita do Santo Padre à Turquia:
intervém o ex-Presidente da República

Fonte: Fides 25/11/2004

Ancara (Agência Fides) - Foi Suleyman Demirel, IX Presidente da
história da República da Turquia, quem realizou hoje, 25 de novembro,
uma intervenção para recordar os 25 anos da visita de João Paulo II à
Turquia (28-30 de novembro de 1979). O encontro foi promovido pela
Nunciatura Apostólica em Ancara, guiada por Dom E! dmond Farhat, e
incluiu a participação de numerosas personalidades civis, religiosas,
do mundo da cultura, entre os quais o Patriarca Ecumênico Bartolomeu.
"Um ex-Presidente da República, muçulmano, elogia a figura do Papa: é
um evento muito significativo para nós", destaca Pe. George Marovich,
Porta-voz da Conferência Episcopal da Turquia, em um colóquio com a
Agência Fides. "Todos reconhecem a importância da obra do Santo Padre
nos últimos 25 anos. É uma figura realmente universal, um grande
homem de paz. O mundo inteiro o aprecia e hoje, um Estado laico, de
maioria muçulmana, como a Turquia, lhe reconhece o papel de grande
embaixador do diálogo e da paz entre as religiões. A comunidade
católica vive este momento com alegria".
Pe. Marovich nota que atualmente a situação religiosa na Turquia está
bastante tranqüila. Fazem-se passos de contínua aproximação e diálogo
entre as Igrejas cristãs, e no diálogo inter-religioso com os
muçulmanos. E é iminente a celebração do retorno das relíquias de São
João Crisóstomo e São Gregório a Istambul, dom do Santo Padre ao
Patriarca Bartolomeu.
Também melhoraram muito as relações entre Estado e Igreja: aguarda-se
a formação de uma Comissão bilateral de líderes católicos e expoentes
do governo, para enfrentar e solucionar problemas e pendências do
Estado em relação à Igreja. Em encontros mantidos com o Premiê Recep
Tayyip Erdogan, em julho passado, os Bispos pediram explicitamente o
reconhecimento jurídico da Igreja Católica na Turquia.
De 66 milhões de habitantes, a população turca é em 98% muçulmana. Os
cristãos são 0,6%, entre ortodoxos e católicos de rito latino,
armênio, sírio-católico, caldeu, bizantino, maronita. (PA)


7 - Focolares promovem conferência ecuménica em Istambul

Fonte: Agência Ecclesia 25/11/2004

Iniciou-se esta semana, em Istambul, a 23ª Conferência ecuménica dos
Bispos amigos do Movimento dos Focolares, que se prolonga até o dia 1
de Dezembro, juntando mais de 50 Bispos de 23 países dos quatro
continentes, e de várias Igrejas do Oriente e do Ocidente: ortodoxos,
siro-ortodoxos, armenos apostólicos, anglicanos, evangélico-luteranos
e católicos de vários ritos.
Promovida pelo Cardeal Miloslav Vlk, Arcebispo de Praga, a semana
terá como ponto alto o encontro-diálogo com o Patriarca ecuménico
Bartolomeu I, com o Cardeal Walter Kasper, Presidente do Conselho
Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o Patriarca
Arménio Apostólico de Constantinopla, Mesrop II Mutafyan, e o vigário
patriarcal siro-ortodoxo para a Turquia, Filksinos Yusuf Cetin.
Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, encarregou alguns dos seus
mais próximos colaboradores e colaboradoras para que elaborem as suas
intervenções sobre a temática do congresso e sobre a experiência
ecuménica do Movimento, evidenciando "a sintonia da espiritualidade
da unidade, típica dos Focolares, e a espiritualidade ecuménica
fortemente encorajada pelo Papa".
Os bispos participarão na cerimonia de acolhimento das relíquias dos
Padres da Igreja, João Crisóstomo e Gregório Nazianzeno, Bispos de
Constantinopla nos séculos IV-V, entregues por João Paulo II ao
Patriarca Bartolomeu I no próximo sábado.
Nos dias 29 e 30, os bispos irão assistir, no Fanar, às celebrações
solenes da Festa do Apóstolo Santo André, Fundador e Padroeiro do
Patriarcado ecuménico, presididas pelo Patriarca Bartolomeu I, onde
participará também uma delegação da Santa Sé, presidida pelo cardeal
Walter Kasper.

Octávio Carmo


8 - João Paulo II reza pela Ucrânia em crise. Após as denúncias de
fraude nas eleições presidenciais.

Fonte: Zenit 24/11/2004

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 24 de novembro de 2004 (ZENIT.org).-
João Paulo II assegurou essa quarta-feira, ao final da audiência
geral com os peregrinos no Vaticano, que reza pela Ucrânia, país que
se encontra em uma profunda crise após as denúncias de fraude nas
eleições presidenciais.

Tomando a palavra em ucraniano, o Santo Padre se dirigiu aos
peregrinos desse país: «Queridos, asseguro a vós e a todo o povo
ucraniano que nestes dias rezo de maneira particular por vossa
querida pátria».

Bandeiras amarelo-azuis se agitaram em resposta à saudação do Papa.
Foram flamejadas por alguns dos 60 peregrinos desse país presentes na
Sala Paulo VI, aos quais se acrescentaram várias dezenas de
seminaristas, sacerdotes e estudantes ucranianos em Roma.

A saudação não aparecia no discurso distribuído à imprensa em um
primeiro momento, foi acrescentada pelo Papa posteriormente.

Apesar das ruas de Kiev estarem inundadas de gente que aclamava o
líder opositor ucraniano, Victor Yúschenko, a Comissão Eleitoral
Central (CEC) da Ucrânia proclamou essa quarta-feira presidente
eleito do país o primeiro-ministro Victor Yanukóvich.

Segundo os dados definitivos, anunciados em uma tempestuosa reunião
da CEC na qual houve se deram intentos de solucionar as diferenças
com os punhos, Yanukóvich obteve 49,46% por cento ou 15.093.691
votos, enquanto que Yúschenko conseguiu 46,61%, ou 14.222.289 votos.

A comunicação foi recebida na sala com ovação dos partidários do
primeiro ministro e com gritos de «vingança» dos favoráveis a
Yúschenko.

Pouco antes, a oposição ucraniana havia declarado ante mais de cem
mil partidários na praça da Independência que estava disposta a
aceitar a repetição das eleições presidenciais, mas com a condição de
que fossem «limas e transparentes», segundo informa a agência EFE.

Yúschenko afirmou que é necessário mudar a composição da Comissão
Eleitoral Central, a qual acusa de fraude, e aprovar uma lei que
proíba o voto fora do lugar de residência, principal instrumento da
fraude eleitoral, segundo a oposição.

O líder opositor anunciou que o presidente da Polônia, Aleksander
Kwasniewski, chegará proximamente à Ucrânia com «poderes da
Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa» para mediar a
crise política.

Com sua oferta, Yúschenko tentou deixar aberta uma possibilidade de
diálogo com as autoridades, depois de que na segunda-feira lançasse
uma campanha de desobediência civil acompanhada de maneira massiva em
Kiev e nas regiões ocidentais do país em resposta à «fraude brutal»,
denunciada pela oposição.

O anúncio da CEC reduziu consideravelmente o campo de negociação,
pois o presidente que sai da Ucrânia, Leonide Kuchma, ainda que
afirmou que não se empregará a força contra os opositores, foi
categórico em assinalar que a Comissão Eleitoral Central é a que
decide em matéria de eleições e até acusou a oposição de tentar dar
um golpe de Estado.


9 - Igreja pede ajuda internacional para a Ucrânia

Fonte: Agência Ecclesia 25/11/2004

A Igreja Católica na Ucrânia lançou um pedido de "solidariedade" para
com o povo ucraniano a toda a comunidade internacional, apelando a
que a mesma assuma "uma posição forte na defesa da verdade e dos
direitos fundamentais do povo".
A Comissão Justiça e Paz da Igreja no país sublinha, num documento
difundido pela agência católica Risu, que "nestes dias a Ucrânia
procura fazer valer o direito fundamental de mais de 20 milhões de
pessoas que votaram pelo seu futuro".
O documento fala de "falsificações" e de fraude para classificar a
eleição de Victor Ianukovitch, que considera "um acto de violência
que não respeita a liberdade de escolha".
O candidato às presidenciais na Ucrânia que viu ontem confirmada a
sua derrota pela comissão de eleições, Victor Iuschenko, apelou hoje
à comunidade internacional para que não reconheça o resultado oficial
do escrutínio. A Ucrânia enfrenta uma vaga de manifestações sem
precedentes contra a eleição de Victor Ianukovitch.

Octávio Carmo


10 - Saiba mais sobre a Ucrânia

Fonte: Folha On Line 26/11/2004

MÁRCIO SENNE DE MORAES
da Folha de S.Paulo

A história da Ucrânia e a da Rússia se misturam em vários momentos
desde a criação dos dois Estados. Para os russos, Kiev é o berço da
Rússia moderna. Para os ucranianos, porém, a Rus de Kiev, Estado
criado no século 9º, é, sem dúvida, a mãe da Rússia moderna, mas não
se confunde com ela.

Ela se tornou cristã numa época em que Moscou nem existia. Em 988, o
príncipe Volodymir deixou o paganismo e adotou o cristianismo. Ao
mesmo tempo, levou para as terras eslavas uma cultura milenar
influenciada pelos bizantinos.

"Por séculos, o Principado de Kiev foi o centro religioso e cultural
da Rússia. Isso acabou no século 13, quando as invasões mongóis o
destruíram", disse à Folha Arnaud Dubien, do Instituto de Relações
Internacionais e Estratégicas (Paris).

"A presença da Rússia czarista na Ucrânia data, contudo, de 1654,
quando também começaram movimentos populacionais muito importantes
entre os dois países. Estes se seguiram durante séculos, e os últimos
fortes fluxos migratórios russos em direção à Ucrânia ocorreram
durante os governos de [Nikita] Kruchev [1958-64] e de [Leonid]
Brejnev [1964-82], que, paradoxalmente, eram de origem ucraniana."

Durante séculos e até o final da Revolução Russa (1917), a Ucrânia
foi disputada e, em diferentes fases, dividida entre o Império Austro-
Húngaro (oeste do país), a Rússia (leste e sul) e a Polônia
(noroeste). "Embora haja grande proximidade cultural e lingüística
entre os ucranianos e os russos, a história criou profundas divisões
na Ucrânia", analisou Dubien.

O leste do país, que foi controlado pelo Império Austro-Húngaro, é
mais aberto à Europa, embora mantenha fortes traços nacionalistas.
Estes surgiram, na história recente ucraniana, após a anexação do
país pelas forças bolcheviques, em 1920, que pôs fim a um período de
três anos de independência.

O movimento nacionalista ganhou força no leste e no centro da Ucrânia
nos anos 20 e 30, quando Josef Stálin ordenou uma campanha de
coletivização forçada das terras e expurgos para pôr fim
às "veleidades nacionalistas" [em que milhões de ucranianos foram
mortos].

"Os métodos do ditador soviético ficaram marcados no inconsciente
coletivo da Ucrânia, e parte de sua população acolheu bem, ao menos
inicialmente, a chegada dos nazistas. Isso foi depois usado por
Stálin para punir os ucranianos", avaliou Asbed Kotchikian, da
Universidade de Boston (EUA).

Após algum tempo de invasão, a guerrilha do leste ucraniano passou a
combater as forças nazistas e, no início da década de 50, as
soviéticas.
"Há duas tradições bem distintas no leste e no oeste da Ucrânia.

Passado, história e religião são diferentes, pois o leste sempre teve
maior influência russa", afirmou Dubien.

Com efeito, boa parte do oeste é católica grega (uniata), aceitando a
supremacia do papa, enquanto o oeste é majoritariamente cristão
ortodoxo, ligado ao patriarcado russo.

As línguas, ademais, também não são iguais, embora apresentem fortes
similaridades. Uma pesquisa recente mostrou, todavia, que, mesmo no
leste da Ucrânia, o ucraniano é considerado a língua materna pela
maioria das pessoas que não são de origem russa (cerca de 30% da
população local).


11 - ALEXIS II DÁ CORAGEM A KUCHMA

Fonte: Pravda 26/11/2004

Alexis II, o Patriarca de Moscovo e Primaz da Igreja Ortodoxa Russa,
enviou uma mensagem a Leonid Kuchma, Presidente da Ucrânia, em que
afirmou seu apoio total aos esforços de estabelecer a paz numa altura
de conflito.

Alexis II referiu às "forças exteriores destrutivas" e exprimiu a sua
vontade que o povo da Ucrânia pudessem ver o fim da crise, baseado na
lei vigente.

Declarou Alexis II que "De acordo com aquilo que eu sei, a Ucrânia
está determinada a fortalecer a nação, preservar a sua independência
e identidade étnica e aumentar as ligações fraternais com a Rússia".

Timofei BYELO


12 - Na Ucrânia, liberdade religiosa está ameaçada. Segundo o reitor
da Universidade Católica Ucraniana.

Fonte: Zenit 25/11/2004

LVOV, quinta-feira, 25 de novembro de 2004 (ZENIT.org ).- «Na
Ucrânia, a liberdade religiosa está ameaçada», afirmou o padre Borys
Gudziak, reitor da Universidade Católica Ucraniana (UCU) de Lvov, em
uma conversa telefônica que manteve esta quinta-feira com a
associação católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Ainda que não haja uma perseguição à Igreja como na época
soviética, «o desprezo pelas liberdades civis e os direitos humanos
por parte do regime atual, assim como a extrema pobreza da população,
fruto da corrupção e da má gestão dos antigos clãs de poder», fazem
impossível que as famílias «levem uma vida cristã normal».

Nos últimos anos, cerca de cinco milhões de ucranianos emigraram para
encontrar emprego, deixando assim muitas famílias sem pai ou sem mãe,
segundo dados citados pelo padre Gudziak, que atribui o fenômeno à
dramática pobreza.

Também, a esperança de vida diminuiu até os 55 anos, sendo agora uma
das mais baixas da Europa.

«A Igreja está ao lado do povo, que defende sua dignidade nestas
eleições, porque a dignidade funda suas raízes na verdade», declara.

«Se se negam os verdadeiros resultados das eleições, serão
atropelados não só os direitos civis, mas também a dignidade dos
eleitores. Estamos ante uma questão profundamente ética. O pacífico
protesto de milhões de ucranianos em quase todas as cidades do país
demonstra que o povo percebe que sua liberdade e dignidade correm
perigo», declara o padre Gudziak.

«Nestes momentos, o povo deposita suas esperanças no poder da
verdade», diz.

O reitor universitário, que apóia as manifestações pacíficas dos
estudantes, está preocupado pelos «esforços de Moscou por intrometer-
se em nossos assuntos internos».

Ante os rumores sobre a presença de forças especiais russas no país,
que não foram desmentidos pelo governo, o padre Gudziak não crê
que «se possa dar volta atrás na história», mas assegura que nestes
momentos resulta impossível prever como concluirá a luta pela verdade
na Ucrânia.


13 - APÓS CONFERÊNCIA SOBRE O IRAQUE, PATRIARCA CALDEU DE BAGDÁ PEDE
MAIS AÇÃO E MENOS PALAVRAS

Fonte: Rádio Vaticana

Bagdá, 25 no (RV) - O Patriarca de Babilônia dos Caldeus de Bagdá,
Dom Emanuele III Delly, comentou a Conferência sobre o Iraque,
realizada terça-feira em Sharm el-Sheikh (Egito). O Patriarca pediu
mais ação e menos palavras, e denunciou que "as condições de vida no
país são terríveis". Segundo o líder da maior comunidade cristã no
Iraque, "a população chegou a uma situação extrema".
Participaram da Conferência sobre o Iraque 20 ministros do Exterior,
as Nações Unidas, a União Européia, o G8, a Liga Árabe e a
Conferência Islâmica. Durante o encontro, ressaltou-se a necessidade
de se realizar eleições gerais no Iraque na data prevista (30 de
janeiro de 2005).
Neste momento, numa população de 22 milhões de habitantes, o número
de cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70% fazem parte
da Igreja Católica.
Enquanto isso, a população da cidade iraquiana de Falluja recebeu
tratamento médico e remédios oferecidos pela Caritas no país. Dois
caminhões partiram da sede central da Caritas Iraque, em Bagdá, para
o hospital público de Falluja, com equipes da organização. A ofensiva
lançada sobre a cidade de Fallujah a partir de 8 de novembro
desencadeou fortes combates. A situação fez com que grande parte da
população civil fugisse.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) também manifestou
sua preocupação com o "impacto devastador" que a guerra do Iraque vem
provocando sobre o segmento mais vulnerável da sociedade: as crianças.
A diretora-executiva do UNICEF, Carol Bellamy, advertiu que a
instabilidade e os prolongados combates, em diferentes localidades do
Iraque, vem causando danos profundos nas crianças iraquianas. De
acordo com Bellamy, além de viverem no meio da insegurança e da
violência, as crianças iraquianas sofrem ainda as conseqüências da
falta de serviços básicos, de água potável, de assistência médica e
de instalações sanitárias adequadas.
De fato, um novo relatório da agência, divulgado em Nova York, indica
que centenas de milhares de crianças iraquianas estão
sofrendo "efeitos severos" de doenças e com a subnutrição.
O trabalho humanitário no Iraque está praticamente paralisado, pois
as agências de ajuda humanitária acabaram se transformando em alvos
do terrorismo, o que as obriga a atuar "à distância", a partir de
países vizinhos. (CM)


14 - Um monge Caldeu iraquiano à Agência Fides: "Melhora a situação
das minorias religiosas no Iraque. Estamos otimistas em relação às
eleições e a um futuro de paz para o País"

Fonte: 24/11/2004

Mosul (Agência Fides) - Após a violência anticristã que nos últimos
tempos sacudiu o Iraque, com diversos episódios na capital, Bagdá, e
na área de Mosul, há sinais de esperança para a situação das minorias
religiosas no Iraque. Foi o que disse à Agência Fides um monge Caldeu
de Mosul que pede o anonimato por motivos de segurança.
Falando a Fides, o sacerdote iraquiano observa: "A situação parece
mais calma. Nos últimos dias, não observamos novos atos violentos.
Creio que vários elementos contribuíram para isso: antes de tudo, a
fatwa, proclamada dias atrás pelo Aiatolá Al-Sistani, líder da
comunidade muçulmana xiita. Ele pediu a todos os xiitas que não
toquem os grupos religiosos minoritários no Iraque, que não lhes
façam mal, pois fazem parte do povo iraquiano. Suas palavras
certamente pesaram sobre os fiéis xiitas, e influíram em suas
motivações de fé. Por outro lado, o ataque das tropas americanas a
Faluja demonstra a forte intenção da liderança iraquiana e da
comunidade internacional em combater o terrorismo. Hoje, os grupos
fanáticos, que lutam pela guerra santa contra o Ocidente, devem
entender que estão isolados da população civil iraquiana, que quer,
com todas as suas forças, a pacificação do país".
Falando em particular dos sentimentos da comunidade cristã Caldéia, o
sacerdote afirma: "De nosso lado, temos confiança nas próximas
eleições de janeiro, e pensamos com otimismo no futuro do país. Os
cristãos, e todos os grupos de minorias religiosas no Iraque, sempre
reiteraram seu desejo de viver em paz com os irmãos muçulmanos e de
contribuir no crescimento e desenvolvimento do Iraque. Esperamos que
a reconciliação chegue logo, para o bem de toda a nação".
O tema da segurança, da tutela das minorias, do respeito dos direitos
humanos e da liberdade religiosa no Iraque foi recentemente
enfrentado em um seminário realizado em Washington, promovido pelo
Centre for Religious Freedom e a Coalition for the Defence of Human
Rights, duas Organizações Não-Governamentais americanas engajadas no
campo da liberdade religiosa e direitos humanos nos países do Oriente
Médio. Participaram do encontro líderes civis iraquianos e expoentes
de diversas comunidades religiosas do Iraque, inclusive a Igreja
Caldeia e Assíria. Notando o risco da eliminação das minorias
religiosas no país (cerca de 40 mil cristãos deixaram o Iraque nos
últimos meses, pressionados por grupos fundamentalistas), a
Assembléia pediu à comunidade internacional mais atenção para o
problema da proteção. Com a esperança de que com a paz, todos os
iraquianos fugidos, por medo de ataques extremistas, possam retornar
a suas casas. (PA)


LIVRO

Da criação à parusia - Linhas Mestras da Teologia Cristã Oriental
Volodemer Koubetch

PAULINAS

O interesse pela reflexão teológica das igrejas orientais, tanto
unidas a Roma como ortodoxas, aumentou consideravelmente nas últimas
décadas, tanto por causa do Vaticano II e do esforço ecumênico feito
no diálogo com os ortodoxos, como em virtude das condições
históricas, que libertaram as igrejas orientais da opressão política
e possibilitaram uma aproximação efetiva entre o Oriente e o
Ocidente.

Este livro é parte de um esforço mais amplo para permitir o mútuo
enriquecimento do Oriente e do Ocidente, na aproximação das duas
formas profundamente diversas de fazer teologia. Os temas
fundamentais da teologia oriental - criação, Igreja, escatologia e,
de modo particular, a visão de salvação - são apresentados de forma a
superar as perspectivas unilaterais do cristomonismo e do
pneumatismo, enfocando o caráter trinitário, que marca o todo
pensamento oriental. O traço característico da impostação teológica
oriental é o fato de considerar unidos todos os temas, porque a
teologia é organismo e não pode ser dividida em tratados, daí a
abrangência dos aspectos abordados, sempre, porém na perspectiva da
salvação, resultado da ação das duas mãos do Pai, como dizia santo
Irineu, o Verbo e o Espírito.

A presente pesquisa centralizou-se nas obras de alguns teólogos
orientais contemporâneos, católicos e ortodoxos, mais
representativos, fixando-se na vertente eslava e, dentro desta, na
vertente ortodoxa russa, e apoiando-se preferentemente num dos seus
autores mais conhecidos, na pessoa de Paul Evdokimov. Do exposto,
segue-se a exigência metodológica de ter sempre em vista a relação
entre pneumatologia e soteriologia e a unidade trinitária. Cada um
dos quatro capítulos desta obra e algumas de suas partes, que
focalizam temas teológicos específicos (criação, salvação, Igreja,
escatologia), iniciam-se com uma explanação dos aspectos formais da
teologia oriental, com o intuito de introduzir o leitor em
determinada temática e facilitar-lhe a compreensão do texto.

O primeiro capítulo trata da relação criativa do Verbo e do Espírito
Santo com o ser humano e o cosmo. O segundo trata a questão da
salvação como theosis, sob a moção das energias do Espírito Santo,
situado na sua comunhão trinitária e manifestado quenoticamente na
sua ação deificadora, com o Verbo, porque o Espírito e o Verbo são
as "duas mãos do Pai". O terceiro capítulo fala sobre a mediação
principal da deificação: o Verbo e o Espírito que agem na Igreja e,
por meio desta, na história. O quarto capítulo examina a escatologia
oriental, analisando seus pressupostos fundamentais e alguns temas
candentes, como, por exemplo, o purgatório e a apocatástase. Julgou-
se conveniente acrescentar um glossário de 24 páginas sobre os termos
próprios da teologia oriental.


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