BOLETIM
ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS
SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 9 - 24
de novembro de 2004
ÍNDICE
1 - João
Paulo II aposta na reconciliação com a Igreja Ortodoxa
2 - Em
gesto de reconciliação, O Papa entregará relíquias a Patriarca
ortodoxo
de Constantinopla
3 - JPII
VAI PRESIDIR NO SÁBADO CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA COM PATRIARCA
BARTOLOMEU
I
4 -
Catedral de Santiago de Compostela recebeu a Igreja Ortodoxa
5 -
ABRE-SE HOJE, EM ISTAMBUL, A 23°. CONFERENCIA ECUMÊNICA DOS
BISPOS
AMIGOS DO MOVIMENTO DOS FOCOLARES
6 - João
Paulo II lembra a Ucrânia
7 -
MENSAGEM DO CARDEAL UCRANIANO HUSAR: QUE O POVO SEJA OUVIDO
8 - NA
AUDIÊNCIA GERAL, PAPA REZA POR SOLUÇÃO DA CRISE POLÍTICA NA
UCRÂNIA
9 - Luta
à AIDS, atenção às famílias, ensino gratuito nas escolas: os
compromissos
da Igreja sírio-malabarense, no fim do Sínodo
10 -
Patriarca iraquiano denuncia condições de vida «terríveis»
11 -
"Os católicos no Iraque continuam com coragem a reestruturar as
igrejas",
afirma à Fides um sacerdote do norte do Iraque
12 -
Iraque: A violência continua a atingir os cristãos
13 - «Pax
Christi» lança campanha de apoio aos cristãos na Terra Santa
NOTÍCIAS
1 - João
Paulo II aposta na reconciliação com a Igreja Ortodoxa
Fonte:
Agência Ecclesia 23/11/2004
João
Paulo II está decidido a promover uma aproximação significativa
com a
Igreja Ortodoxa na sua busca da unidade entre todos os
cristãos.
O próximo gesto para a reconciliação chega no próximo
sábado,
quando o Papa entregar pessoalmente ao Patriarca de
Constantinopla,
Bartolomeu I, as relíquias de dois grandes Santos da
antiguidade:
São Gregório de Nazianzo e São João Crisóstomo.
A entrega
das relíquias surge na sequência de uma intensa actividade
diplomática
entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa, separadas desde o
Grande
Cisma de 1054.
A Santa
Sé anunciou hoje o programa da celebração ecuménica, na qual
as
relíquias serão veneradas e se proclamarão passagens dos dois
Doutores
da Igreja. Segundo o comunicado oficial, "a celebração
constitui
um sinal do desejo da Igreja do Ocidente e do Oriente de
caminhar
em conjunto rumo ao dom da unidade visível, de modo a que o
mundo
acredite em Cristo, único salvador".
Os dois
Santos viveram no século IV, no território que é hoje a
Turquia.
As relíquias de São Gregório Nazianzeno encontravam-se em
Roma
desde o século VIII, num mosteiro de Beneditinas, tendo sido
transferidas
em 1580 para uma capela na Basílica de São Pedro por
iniciativa
do Papa Gregório XIII.
Os restos
de São João Crisóstomo foram roubados há mil anos, no saque
a
Constantinopla, um dos momentos mais dramáticos da história nas
relações
entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Estas relíquias
estão na
capela do Santíssimo Sacramento da Basílica de São Pedro
desde o
século XVII.
O
Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, considerou a decisão de
João
Paulo II de devolver a Istambul as relíquias de São João
Crisóstomo
como um "sinal de amor fraterno" para com os cristãos do
oriente.
Bartolomeu
I descreveu a decisão papal como "um acontecimento
histórico"
que contribuirá para melhorar as relações entre Ortodoxos
e
Católicos que pertencem "a uma Igreja indivisível".
"Rezaremos
para que o Papa ilumine e dê alento aos líderes das
Igrejas e
proporcione às comunidades cristãs outras ocasiões de
inspiração
espiritual", referiu o Patriarca.
Bartolomeu
I louvou também o discurso de João Paulo II em Junho deste
ano, em
que apresentou um pedido público de desculpas pelo ataque dos
cruzados
a Istambul (antiga Constantinopla), durante a cruzada de
1204.
No dia 1
de Julho deste ano, o Papa e o Patriarca Ortodoxo de
Constantinopla
assinaram no Vaticano uma declaração comum onde
assumem
"a plena vontade de continuar no caminho rumo à plena
comunhão
entre nós, em Cristo". Os líderes das Igrejas Católica e
Ortodoxa
reconhecem que é importante que os cristãos vivam entre si
em paz e
harmonia, tendo em vista "um testemunho mais credível e
convincente
do Evangelho".
Apesar
dos "muitos passos positivos" que o Papa e o Patriarca de
Constantinopla
assinalam, a declaração comum não esconde os
obstáculos
que o caminho ecuménico tem encontrado desde o histórico
encontro
entre Paulo VI e Atenágoras I, em Jerusalém, no ano de 1964.
Octávio
Carmo
2 - Em
gesto de reconciliação, O Papa entregará relíquias a Patriarca
ortodoxo
de Constantinopla
Fonte:
ACI 23/11/2004
VATICANO,
23 Nov. 04 (ACI ).- Neste sábado, 27 de novembro, às 11h da
manhã.
-hora de Roma- na basílica de São Pedro, O Papa João Paulo II
presidirá
junto ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu
I, uma
celebração ecumênica durante a qual o Pontífice entregará ao
Patriarca
algumas relíquias de São Gregório Nazianzeno e San Juan
Crisóstomo
, bispos e doutores da Igreja.
Segundo o
comunicado do Escritório das Celebrações Litúrgicas do Sumo
Pontífice
"a cerimônia se desenvolve segundo a estrutura de uma
Liturgia
da Palavra e prevê os seguintes rituais:
Rito de
introdução e veneração das relíquias.
Leitura
bíblica e patrística de alguns parágrafos dos dois doutores
da Igreja
e cantos da liturgia bizantina.
Oração
universal e oração do Senhor.
Entrega
das relíquias com leitura de um texto do Santo Padre e
agradecimento
do Patriarca Ecumênico.
Conclusão.
Segundo o
comunicado. "a celebração é um sinal do desejo da Igreja de
Ocidente
e de Oriente de caminhar juntos para o dom da unidade
visível
para que o mundo cria em Cristo, único Salvador".
A
comunidade ortodoxa de Roma tomará parte na cerimônia, a que estão
convidados
o clero, os religiosos e os fiéis da cidade.
3 - JPII
VAI PRESIDIR NO SÁBADO CELEBRAÇÃO ECUMÊNICA COM PATRIARCA
BARTOLOMEU
I
Fonte:
Rádio Vaticana 23/11/2004
Cidade do
Vaticano, 23 nov (RV) - Um momento significativo no caminho
do
ecumenismo: no próximo sábado, dia 27, às 11 horas locais, na
Basílica
Vaticana, JPII presidirá com o Patriarca Ecumênico de
Constantinopla,
Bartolomeu I, a solene Celebração ecumênica para a
entrega
ao Patriarca das Relíquias dos Santos Gregório Nazianzeno e
João
Crisóstomo, bispos e doutores da Igreja.
A
cerimônia, ressalta uma nota do Departamento das Celebrações
Litúrgicas,
representa "um sinal do desejo da Igreja do Ocidente e do
Oriente
de caminhar juntas rumo ao dom da unidade visível, a fim de
que o
mundo creia em Cristo único Salvador". (RL)
4 -
Catedral de Santiago de Compostela recebeu a Igreja Ortodoxa
Fonte:
Agência Ecclesia 24/11/2004
A
Catedral de Santiago de Compostela acolheu este mês, pela primeira
vez na
sua história, um ofício litúrgico da Igreja Ortodoxa. A
celebração
foi presidida pelo padre Andrei Kordotchkin, reitor da
paróquia
ortodoxa russa de Madrid.
Numerosos
peregrinos ortodoxos tomaram parte na cerimónia, diante das
relíquias
do Apóstolo Tiago, segundo o boletim da Igreja Ortodoxa
Russa,
"Europaica".
Octávio
Carmo
5 -
ABRE-SE HOJE, EM ISTAMBUL, A 23°. CONFERENCIA ECUMÊNICA DOS
BISPOS
AMIGOS DO MOVIMENTO DOS FOCOLARES
Fonte:
Rádio Vaticana 23/11/2004
Istambul,
23 nov (RV) - Abre-se hoje, em Istambul, a 23ª. Conferência
ecumênica
dos Bispos amigos do Movimento dos Focolares, que se
prolonga
até o dia 1º de dezembro, promovida pelo Cardeal Miloslav
Vlk,
Arcebispo de Praga. Às margens do Bósforo, estão sendo esperados
mais de
50 bispos de 23 Países de quatro continentes, de várias
igrejas
do Oriente e do Ocidente.
O ponto
alto desta semana será o encontro-diálogo com o Patriarca
ecumênico
Bartolomeu I, com o Cardeal Walter Kasper, Presidente do
Pontifício
Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o
Patriarca
Armênio Apostólico de Constantinopla, Mesrop II Mutafyan, e
o vigário
patriarcal siro-ortodoxo para a Turquia, Filksinos Yusuf
Cetin.
Chiara
Lubich, fundadora dos Focolares, encarregou alguns dos seus
mais
próximos colaboradores e colaboradoras para que elaborem as suas
intervenções
sobre a temática do congresso e sobre a experiência
ecumênica
do Movimento, evidenciando a sintonia da espiritualidade da
unidade,
típica dos Focolares, e a espiritualidade ecumênica
fortemente
encorajada pelo Papa.
Os bispos
participarão da cerimônia de acolhida das relíquias dos
Pais da
Igreja, João Crisóstomo e Gregório Nazianzeno, Bispos de
Constantinopla
nos séculos IV-V, entregues por João Paulo II ao
Patriarca
Bartolomeu no próximo sábado. (MZ)
6 - João
Paulo II lembra a Ucrânia
Fonte:
Agência Ecclesia 24/11/2004
João
Paulo II recordou esta manhã a situação difícil que se vive na
Ucrânia,
assegurando aos peregrinos ucranianos presentes na Praça de
São Pedro
que "nestes dias rezo de modo particular pela vossa amada
pátria".
O grupo
de 60 ucranianos reunidos para a audiência geral desta
semana,
manifestou o seu apoio ao candidato da oposição, Viktor
Iouchtchenko,
saudando as palavras do Papa de forma efusiva.
Iuchtchenko
declarou-se hoje disposto a repetir a segunda volta das
eleições,
na condição de que sejam "justas e transparentes", noticiou
a agência
russa Interfax. Depois das críticas dos observadores
internacionais,
que detectaram fraudes na votação, a oposição recusou
aceitar
os resultados provisórios.
Os Bispos
da Igreja Católica na Ucrânia pediram que "a voz do povo
seja
ouvida", lembrando que este se tem manifestado de forma pacífica
e
"corajosa". Juntamente com as outras Igrejas cristãs presentes no
país, os
prelados chamaram a atenção para uma série de "possíveis
violações"
como "a interferência na expressão livre da vontade dos
cidadãos,
informação unilateral, o uso impróprio de recursos do
Estado,
compra de votos e falsificação dos resultados eleitorais".
Octávio
Carmo
7 -
MENSAGEM DO CARDEAL UCRANIANO HUSAR: QUE O POVO SEJA OUVIDO
Fonte:
Rádio Vaticana 24/11/2004
Lvi'v
(Ucrânia), 24 nov (RV) - Um apelo à nação para que se ouça o
povo, que
manifesta "de maneira pacífica" e "em defesa de seus
direitos
constitucionais". Esta foi a mensagem do Cardeal Lubomyr
Husar, em
nome dos Bispos da Igreja greco-católica da Ucrânia,
reunida
desde ontem em Sínodo na cidade de Lvi'v. Numa mensagem
divulgada
na tarde de ontem pela agência católica Risu, os Bispos se
posicionaram
com o povo ucraniano, que saiu às ruas "para defender os
seus
direitos constitucionais de forma pacífica". Trata-se de "gente
corajosa
_ escreve o Cardeal Husar _, pronta a sacrificar-se. Sua voz
deveria
ser ouvida, porque a voz do povo é a voz de Deus". E fez um
apelo aos
novos responsáveis pelo governo: "Dirigimo-nos àquelas
pessoas
que detêm o poder, que o Estado lhes conferiu sobre o mesmo
povo,
pedindo que não cedam a nenhuma tentação neste momento de
profunda
dificuldade, que não usem o seu cargo, os meios da força e
das
forças de segurança, por causa de seus próprios interesses
pessoais,
contra o seu próprio povo. Suas atividades deveriam ser
sempre
utilizadas dentro dos limites da legalidade". Na mensagem, o
Cardeal
Husar recorda que desde a campanha eleitoral, a Igreja
Católica
jamais tomou parte por nenhum dos dois candidatos à
presidência
da Ucrânia. Em mensagem difundida em conjunto com as
Igrejas
cristãs presentes na Ucrânia, chamou-se a atenção para uma
série de
"possíveis violações", como a "interferência sobre a livre
expressão
da vontade dos cidadãos, a informação unilateral, o uso
impróprio
dos recursos do Estado, a compra de votos e a falsificação
dos
resultados". O Cardeal Husar concluiu o seu apelo convidando à
oração,
"num momento difícil para o nosso país". (MZ)
8 - NA
AUDIÊNCIA GERAL, PAPA REZA POR SOLUÇÃO DA CRISE POLÍTICA NA
UCRÂNIA
Fonte:
Rádio Vaticana 24/11/2004
Cidade do
Vaticano, 24 nov (RV) - A Audiência Geral desta quarta-
feira
realizou-se primeiro na Basílica Vaticana, onde o Papa acolheu
jovens e
estudantes provenientes de várias regiões da Itália e,
depois,
na Sala Paulo VI. Na sua catequese, JPII o Papa falou sobre
o grande
hino cristológico da Carta aos Colossenses, no qual campeia
a figura
gloriosa de Cristo, coração da liturgia e centro de toda a
vida
eclesial. "Neste canto é perceptível o clima de fé e de oração
da antiga
comunidade cristã, que desde o início venerou Cristo como
primogênito
de toda criatura e daqueles que ressuscitam dos mortos. A
sua
eternidade transcende espaço e tempo: portanto, Cristo é imagem,
ícone
visível daquele Deus que permanece invisível em seu mistério",
explicou
o Santo Padre. Foi essa a experiência de Moisés _ observou o
Pontífice
_, que, em seu ardente desejo de lançar um olhar sobre a
realidade
pessoal de Deus, ouviu responder: `Tu não poderás ver minha
face,
porque nenhum homem pode me ver e permanecer vivo'. "Ao invés _
ressaltou
JPII _, a face do pai Criador do universo torna-se
acessível
em Cristo, artífice da realidade criada. Portanto, Cristo,
de um
lado, é superior às realidades mas, de outro, é envolvido na
sua
criação. Por isso, pode ser visto por nós como imagem do Deus
invisível,
que se tornou próximo a nós mediante o ato da Criação." O
Pontífice
prosseguiu afirmando que, com a sua plenitude divina, mas
também
com seu sangue derramado na cruz, Cristo reconcilia e pacifica
todas as
realidade, celestes e terrestres. Ele as reconduz desse modo
à sua
situação originária, recriando a harmonia primigênia, querida
por Deus
segundo o seu projeto de amor e de vida. Portanto, criação e
redenção
estão interligados entre si como etapas de uma mesma
história
de salvação. Por fim, JPII recordou que, dentro de poucos
dias,
terá início o Advento. "Que no Ano da Eucaristia, este seja um
tempo de
particular vigilância, de oração e de adoração a Cristo.
Abençôo
de coração aqueles que esperam o Salvador", disse o Papa. No
final da
Audiência Geral, o Santo Padre mencionou a Ucrânia, que
atravessa
um difícil momento político. "Asseguro a todo o povo
ucraniano
a minha oração", declarou o Pontífice. (RL)
9 - Luta
à AIDS, atenção às famílias, ensino gratuito nas escolas: os
compromissos
da Igreja sírio-malabarense, no fim do Sínodo
Fonte:
Fides 23/11/2004
Cochin
(Agência Fides) - Aumentar as iniciativas para combater a
praga da
AIDS, dedicar mais espaço à pastoral familiar, prosseguir a
obra de
ensino gratuito aos jovens mais pobres. Estes são os empenhos
da
comunidade Católica de rito sírio-malabarense, que celebrou no mês
de
novembro seu Sínodo. A Igreja de rito sírio-malabarense é uma das
três
comunidades católicas na Índia, ao lado da Latina e da sírio-
malankarense.
Tem seu centro no estado de Kerala, no Sul da Índia, e
é uma
comunidade florescente de vocações e em expansão missionária.
A
Assembléia sinodal da Igreja sírio-malabarense, sob a liderança do
Card.
Varkey Vithayathil, Arcebispo Maior de Ernakulam-Angamaly,
reafirmou
a necessidade de a família estar no centro da ação
pastoral,
como dinâmica para ajudar a prevenir males da sociedade,
como a
difusão da AIDS, a criminalidade, o consumo de álcool e de
droga
entre os jovens.
O Sínodo
afirmou que para evitar que as famílias se desagreguem e os
divórcios
aumentem, a Igreja deve se engajar na evangelização e na
formação
cristã de famílias e jovens. Com este fim, será criada uma
Comissão
para a Missão nas Famílias. Segundo dados difundidos no
Sínodo, o
fenômeno da divisão das famílias deve-se ao consumo de
álcool
por parte de um dos cônjuges ou à infidelidade conjugal, males
que a
Comunidade Católica deve empenhar-se em combater.
Os Bispos
se concentraram também na contribuição oferecida pela
Igreja no
campo do ensino, especialmente em escolas e institutos
freqüentados
por dalits e jovens não-cristãos. Muitos destes
institutos
oferecem ensino gratuito aos estudantes das famílias mais
pobres, o
que o Sínodo afirmou compartilhar plenamente.
A Igreja
indiana de rito sírio-malabarense nasceu da pregação de São
Tomás
Apóstolo, em 52.d.C. Hoje, conta 3,9 milhões de fiéis no mundo,
com mais
de seis mil sacerdotes e 30 mil religiosas, além de milhares
de
sacerdotes e religiosos, originários da Igreja sírio-malabarense,
que
administram dioceses e congregações de rito latino. Cerca de 70%
dos
sacerdotes (diocesanos e religiosos) e religiosas presentes na
Índia
(que tem 17 milhões de católicos em uma população de um bilhão
de
pessoas), provêem da Igreja sírio-malabarense. (PA)
10 -
Patriarca iraquiano denuncia condições de vida «terríveis»
Fonte:
Agência Ecclesia 24/11/2004
O
Patriarca caldeu de Bagdad, Emanuele Delly, pediu mais acção e
menos
palavras, em reacção à Conferência sobre o Iraque, denunciando
que
"as condições de vida no país são terríveis".
Segundo o
líder da maior comunidade cristã no Iraque, "a população
chegou a
uma situação extrema".
A
Conferência sobre o Iraque, que se realizou terça-feira em Charm el-
Cheikh
(Egipto) - na qual participaram 20 ministros dos Negócios
Estrangeiros
e representantes do Iraque, países vizinhos, Egipto,
ONU, UE,
G8, Liga Árabe e Conferência Islâmica - sublinhou a
necessidade
da realização de eleições gerais no Iraque na data
prevista
(30 de Janeiro de 2005).
"Não
conheço ainda o conteúdo do documento final, mas saúdo todos os
esforços
e tentativas que levem à paz, segurança e reconciliação no
Iraque",
disse o prelado à agência italiana Sir.
O
Patriarca escusou-se a comentar a possibilidade de as eleições se
realizarem,
efectivamente, a 30 de janeiro de 2005, mas avançou
que
"se as eleições forem para o bem do país, encorajaremos o voto".
Neste
momento, numa população de 22 milhões de habitantes, o número
de
cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70% fazem parte
da Igreja
Católica caldeia.
Octávio
Carmo
11 -
"Os católicos no Iraque continuam com coragem a reestruturar as
igrejas",
afirma à Fides um sacerdote do norte do Iraque
Fonte:
Fides 22/11/2004
Bagdá
(Agência Fides)- "Foi uma semana dramática e muito difícil para
toda a
população", afirma à Agência Fides Pe. Nizar Semaan, sacerdote
de
Mossul, no norte do Iraque, comentando os confrontos na cidade nos
últimos
dias. "Foi impressionante ver como, em 24 horas, os rebeldes
conseguiram
tomar o controle de boa parte de Mossul. Os quartéis e as
delegacias
de polícias foram assaltados, muitos policiais fugiram
deixando
armas e outros equipamentos nas mãos dos rebeldes", conta
Pe..
Nizar. "O comportamento dos policiais foi severamente criticado
pelo
prefeito da cidade que, ao invés, elogiou aqueles que resistiram
aos
ataques. O chefe da polícia de Mossul foi removido do cargo e
agora
está sendo interrogado em Bagdá."
"Em
Mossul, intervieram repartições da Guarda Nacional iraquiana
formadas
principalmente por curdos, para retomar o controle da
situação.
Os habitantes árabes da cidade estão, porém, preocupados
com a
presença curda", afirma o sacerdote iraquiano. "Ainda vai levar
tempo
para restabelecer a calma na cidade."
A
situação permanece muito tensa também nos vilarejos vizinhos,
alguns
dos quais habitados por cristãos. "No meu vilarejo, Karakosh,
que tem
25 mil habitantes, todos cristãos, foi organizada uma espécie
de
milícia cidadã para vigiar os pontos de acesso à cidade e impedir
infiltrações
de terroristas", afirma Pe. Nizar. "Não houve
confrontos,
mas a tensão é alta porque alguns dias atrás, perto do
vilarejo,
os soldados da Guarda Nacional iraquiana capturaram algumas
pessoas
que viajavam em um carro cheio de explosivos. Os companheiros
dos
detidos ameaçam retaliações contra o nosso vilarejo. Mas os
prisioneiros
estão nas mãos das autoridades, e não nas mãos dos
habitantes
de Karakosh", afirma Pe. Nizar.
"Apesar
de tudo, os cristãos não perdem a esperança. Em Karakosh, por
exemplo, estamos
reestruturando igrejas e edifícios sagrados, e os
emigrantes
continuam a nos apoiar, enviando fundos", afirma Pe.
Nizar.
"Para a nossa segurança, nos confiamos em primeiro lugar à
proteção
da Providência, e pedimos, mais um vez, orações pela paz no
Iraque e
pela reconciliação nacional", conclui o sacerdote iraquiano.
(L.M.)
12 -
Iraque: A violência continua a atingir os cristãos
Fonte:
Ais Notícias 23/11/2004
O Bispo
Auxiliar do Patriarcado Caldeu de Bagdade, D. Andraos Abouna,
enviou à
Ajuda à Igreja que Sofre imagens e o relato do atentado de
dia 8 de
Novembro, que destruiu duas igrejas e provocou a morte de
três
pessoas. Em Mosul, apesar da situação tensa que se vive na
região,
os cristãos não perderam a esperança e estão a reconstruir
igrejas e
capelas.
Há duas
semanas o pânico invadiu a bairro de Al Doura, em Bagdade.
Fortes
explosões causadas por viaturas armadilhadas destruíram as
igrejas
de São Jorge (da Igreja Assíria) e de São Mateus (da Igreja
Ortodoxa
Síria). Este atentado, que causou três mortos e 45 feridos,
destruiu
quase por completo as duas igrejas e várias casas em redor.
O lar das
Pequenas Irmãs de Charles de Foku, situado nas imediações
da Igreja
de São Jorge, foi um dos edifícios atingidos pelas
explosões.
Na sua mensagem, D. Andraos Abouna conta que quando
visitou
as religiosas "elas estavam assustadas porque antes das
explosões
tinham falado com os atacantes, que usavam uniformes da
polícia
iraquiana".
O prelado
iraquiano realça que a comunidade muçulmana de Al Doura
também
ficou chocada com estes atentados: "Vi que os muçulmanos
visitavam
as igrejas (...) com os olhos cheios de lágrimas". Os
cristãos
de Bagdade vivem actualmente quase em clandestinidade, com
receio de
serem novamente atacados. O seminário caldeu na capital
iraquiana
está fechado desde o início do mês.
Entretanto,
surgem notícias do agravamento da violência na cidade de
Mosul,
onde existem cerca de 150 mil cristãos (na cidade e planícies
circundantes).
Teme-se que os grupos terroristas se concentrem agora
na cidade
de Mosul, no norte do Iraque, há semelhança do que
acontecera
em Fallujah.
O Padre
Nizar Semaan, em declarações à agência Fides mostrou-se
surpreendido
como em apenas 24 horas os "grupos rebeldes" tomaram
conta da
grande parte da cidade de Mosul, atacando esquadras da
polícia e
quartéis do exército. O presidente da câmara criticou os
polícias
por terem fugido, deixando armas e equipamento à mercê dos
rebeldes.
O
sacerdote refere que na sua terra natal, Karkosh, onde existem
cerca de
25 mil cristãos, foi organizada uma milícia civil para
controlar
as entradas e prevenir a infiltração de terroristas. "Ainda
não houve
confrontos mas a tensão é grande desde que a Guarda
Nacional
apreendeu uma viatura cheia de explosivos e prendeu os
ocupantes",
descreve o Padre Nizar Semaan.
O
sacerdote garante que, apesar de tudo, os cristãos iraquianos ainda
não
perderam a esperança: "Em Karakosh, por exemplo, estamos a
reconstruir
igrejas e capelas com o apoio dos emigrantes que nos
enviam dinheiro".
13 - «Pax
Christi» lança campanha de apoio aos cristãos na Terra Santa
Fonte:
Agência Ecclesia 24/11/2004
A Pax
Christi, movimento Católico Internacional pela Paz, denuncia
o
"clima de medo" que se vive na Terra Santa, pedindo às comunidades
católicas
de todo o mundo que façam do dia 22 de Dezembro de 2004 um
dia de
jejum e oração pela paz no Médio Oriente. Uma palavra especial
é
dedicada à situação de isolamento e ocupação em Belém, lugar do
nascimento
de Jesus Cristo.
"Este
clima de medo resulta da violência contínua de ambos os lados -
ocupação,
bombas suicidas e operações militares - uma violência que
causa
grandes sofrimentos às populações locais e reduz drasticamente
qualquer
perspectiva de uma solução justa e pacífica para o
conflito",
refere um comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
A
construção do muro de separação na Cisjordânia é considerado como
um factor
que "agrava ainda mais o clima de medo e ódio". Para a Pax
Christi,
"a situação política e económica da região não evoluiu para
melhor;
pelo contrário, para muitas pessoas só lhes resta lutar
contra o
desespero".
A Pax
Christi Internacional, o "International Fellowship of
Reconciliation"
(IFOR), "Igreja e Paz" e a Presidência da Conferência
das
Comissões Justiça e Paz da Europa apoiam uma iniciativa dos seus
parceiros
em Belém - o Instituto de Educação Árabe (AEI), o Centro
para a
Reconciliação e Resolução de Conflitos (CCRR), o Centro Wi'am
e a
Comissão Justiça e Paz de Jerusalém - convidando todos os seus
membros a
enviar por e-mail mensagens e orações de paz.
Todas as
mensagens deverão ser enviadas para peace-
[email protected]
Estas
mensagens serão enviadas directamente para Belém e, ao mesmo
tempo,
colocadas no website da Pax Christi Internacional
(www.paxchristi.net)
e no do IFOR (www.ifor.org).
Segundo a
organização, "enviar uma mensagem ou uma oração por e-mail
é uma
forma importante de comunicar com as muitas pessoas que esperam
ouvir uma
palavra de esperança. Pode também ajudar a ultrapassar o
desespero
que sente a população local, desespero que se sente ainda
mais
agora do que em anos anteriores".
As
mensagens e orações serão impressas e distribuídas como mensagens
pessoais,
servirão de material pedagógico (nomeadamente nas escolas)
e serão
também utilizadas em celebrações inter-confessionais (em
locais de
oração).
Octávio
Carmo
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