BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 8 - 22 de novembro de 2004

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Neste número do Boletim estão alguns assuntos que já foram tratados
em matérias divulgadas em edições anteriores do nosso Boletim.
Gostaria de ressaltar que o objetivo do nosso Boletim é ser
um "clipping" de notícias dos prinicpais meios de comunicações.
Portanto, divulgamos como os diversos meios de comunicação trataram
um mesmo assunto.

Como os meios de comunicação que costumam divulgar notícias sobre as
Igrejas Orientais são limitados, nosso Boletim sofre da mesma
limitação.

Saudações Fraternais,

Luís Felipe
[email protected]


ÍNDICE

1 - Vaticano procura aproximação a Moscovo

2 - Apreço do Papa pela «Biblioteca do Espírito» em Moscou, de
promoção ortodoxo-católica. Cardeal Paul Poupard participa da
inauguração e se reúne com o patriarca Alexis II

3 - Inaugurado em Moscou o centro cultural "Biblioteca Espiritual".

4 - Colaboração entre as Igrejas no campo da cultura: o Cardeal Paul
Poupard encontra em Moscou o Patriarca Aleksej II

5 - Chama-se "Werenfried", em homenagem ao fundador de "Ajuda à
Igreja que sofre", a terceira capela flutuante da Igreja ortodoxa
russa, inaugurada nos dias passados

6 - BAILADO SOBRE RASPUTIN GERA CONTROVÉRSIA

7 - Ucrânia: Acusações de fraude em eleições muito disputadas

8 - EM ANDAMENTO, EM ROMA, CONGRESSO PELOS 40 ANOS DO DECRETO
CONCILIAR SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS

9 - Três olhares sobre a Igreja, 40 anos depois

10 - CATHOLICÓS DE TODOS OS ARMÊNIOS SE MANIFESTA SOBRE O ENVIO DE
OFICIAIS ARMÊNIOS PARA O IRAQUE


NOTÍCIAS


1 - Vaticano procura aproximação a Moscovo

Fonte: Agência Ecclesia 19/11/2004

O Cardeal Paul Poupar, responsável pela área da cultura no Vaticano,
encontrou-se ontem com o Patriarca Ortodoxo de Moscovo, Alexis II,
numa reunião que foi mantida em segredo até hoje.
No mesmo dia, o Cardeal Poupard e o Pe. Bernard Ardura, secretário do
Conselho Pontifício para a Cultura, estiveram reunidos com o
Metropolita Kyrill, responsável pelo Departamento das Relações com o
Exterior do Patriarcado Ortodoxo de Moscovo.
"Nestes encontros, foram discutidas questões que criam dificuldades
entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Católica, bem como as
perspectivas de uma colaboração entre as Igrejas no campo da cultura,
especialmente diante do secularismo, o indeferentismo perante as
religiões e a actividade dos novos movimentos religiosos
alternativos", diz um comunicado da Santa Sé, hoje divulgado.
Já esta manhã foi inaugurada, na capital russa, a "Biblioteca do
Espírito". A iniciativa, promovida por católicos e ortodoxos, contou
com a presença do Cardeal e do Metropolita Filaret, de Minsk. O local
é, ao mesmo tempo, livraria, editora e centro de cultura, nascendo
com o intento de promover encontros literários e culturais.
João Paulo II quis enviar um telegrama aos presentes nesta cerimónia,
onde manifesta o seu "vivo apreço" pela iniciativa
ecuménica, "destinada a difundir o Evangelho e o valor da mensagem
cristã".
O Papa fez votos de que esta manifestação de proximidade resulte
num "compromisso ecuménico comum dos discípulos do divino Mestre".

Octávio Carmo


2 - Apreço do Papa pela «Biblioteca do Espírito» em Moscou, de
promoção ortodoxo-católica. Cardeal Paul Poupard participa da
inauguração e se reúne com o patriarca Alexis II

Fonte: Zenit 19/11/2004

MOSCOU, sexta-feira, 19 de novembro de 2004 (ZENIT.org).- Esta sexta-
feira, por ocasião da abertura em Moscou das novas instalações
do «Centro Cultural Biblioteca do Espírito» --animado conjuntamente
por católicos e ortodoxos--, João Paulo II expressou seu «vivo
apreço» pela iniciativa, «orientada à difusão do Evangelho» e
a «sensibilizar sobre o elevado valor da mensagem cristã».

O cardeal Paul Poupard, presidente do Conselho Pontifício para a
Cultura, participou de tal inauguração, motivo central de sua
presença de 14 a 21 de novembro em Moscou.

Promover o reconhecimento das raízes cristãs do continente europeu em
uma série de encontros com diferentes instituições culturais
européias é o objetivo da viagem que o purpurado realiza, acompanhado
do secretário do dicastério, o padre Bernard Ardura.

Os dois tiveram ocasião de manter um encontro, no dia 17 passado, com
Sua Santidade Alexis II, patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as
Rússias, na sede do patriarcado em Moscou, segundo confirmou esta
sexta-feira o Conselho Pontifício a Zenit.

Na quinta-feira os responsáveis do dicastério vaticano para a Cultura
se reuniram com o metropolita Kirill de Smolensko, presidente do
departamento de Relações Exteriores do patriarcado.

«Nestes encontros foram tratadas questões que criam dificuldades
entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Católica Romana, assim como as
perspectivas de uma colaboração entre as Igrejas no campo da cultura,
especialmente frente ao secularismo, ao indiferentismo ante a
religião e à atividade dos novos movimentos religiosos alternativos»,
explica uma nota do dicastério.

As duas partes também «manifestaram um vivo interesse por um encontro
europeu orientado a valorizar as raízes cristãs da Europa, desde o
Atlântico aos Urais».

Este é o contexto em que o cardeal Poupard e do metropolita Filarete
de Minsk presidiram na manhã desta sexta-feira a inauguração da sede
da «Biblioteca do Espírito», centro cultural moscovita onde católicos
e ortodoxos trabalham para difundir o pensamento cristão.

Com este motivo, em um telegrama --levado pelo purpurado-- o
Papa «expressa seu vivo apreço pela diligente iniciativa orientada à
difusão do Evangelho e dos ensinamentos da tradição apostólica
mediante adequadas iniciativas culturais destinadas a sensibilizar
sobre o elevado valor da mensagem cristã».

Igualmente, o Santo Padre expressa seu desejo de que tal manifestação
contribua a «consolidar o comum empenho ecumênico dos discípulos do
divino mestre».

Por sua parte, o patriarca Alexis II, alegrando-se pela abertura da
nova sede, expressa em uma carta ao diretor --Jean-François Thery--
seu desejo de um ulterior desenvolvimento da colaboração entre o
Centro e a Comissão Teológica Sinodal da Igreja Ortodoxa Russa,
presidida pelo metropolita Filaret.

O presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Rússia --à frente
da arquidiocese da Mãe de Deus de Moscou--, o arcebispo Tadeusz
Kondrusiewicz, participou também do ato de inauguração, assim como o
ministro d Cultura da Federação Russa, Aleksander Sokolov, e o vice-
prefeito de Moscou, Michail Men.

A «Biblioteca do Espírito» --surgida em 1993 em colaboração entre a
fundação italiana «Rússia Cristã», a diocese católica de Moscou e a
fundação ortodoxa Santos Cirilo e Metódio de Minsk (Bielorússia)--
busca integrar a cultura européia ocidental e oriental e redescobrir
as raízes comuns cristãs, com visitas a uma nova civilização da paz.

Animada conjuntamente por católicos e ortodoxos, a iniciativa reúne
biblioteca, editora e centro de cultura. Sua atividade tem uma
dimensão ecumênica e cria condições para um intercâmbio cultural e
pastoral entre as diversas confissões.

O apoio financeiro de distintas entidades, russas e estrangeiras, fez
possível a abertura da nova sede do Centro --em um edifício
restaurado na rua Pokrovka--, ponto de referência para as editoras
cristãs na Rússia; publica e distribui livros que chegam às regiões
mais afastadas dentro do território russo, e promove numerosas
iniciativas culturais.

Em seu encontro também com a comunidade católica moscovita, o cardeal
Poupard se reuniu na quinta-feira com os sacerdotes e celebrará a
Eucaristia do próximo domingo, solenidade de Jesus Cristo, Rei do
Universo, na Catedral da Mãe de Deus de Moscou junto a dom
Kondrusiewicz e o representante papal na Federação Russa, o arcebispo
Antonio Mennini.


3 - Inaugurado em Moscou o centro cultural "Biblioteca Espiritual",

Fonte:Voz da Rússia 22/11/2004

Em Moscou foi inaugurado o centro cultural "Biblioteca Espiritual",
fundado por organizações católicas. As perspectivas de cooperação
cultural entre os crentes Ortodoxos e Católicos haviam sido
analisadas pelo patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Aleksi II, e o
cardeal Paul Poupard, presidente do Conselho Papal para os Assuntos
Culturais. O patriarca Aleksi II acentuou que, em sua opinião, a
linguagem cultural é a mais eficiente para a comunicação entre a
Igreja e o mundo laico.


4 - Colaboração entre as Igrejas no campo da cultura: o Cardeal Paul
Poupard encontra em Moscou o Patriarca Aleksej II

Fonte: Fides 19/11/2004

Cidade do Vaticano (Agência Fides) - Por ocasião da sua viagem a
Moscou, realizada nesses dias, o Cardeal Paul Poupard, Presidente do
Pontifício Conselho para a Cultura, encontrou o Patriarca de Moscou e
de todas as Rússias, Aleksej II, na Sede do Patriarcado.
Nos encontros realizados com as autoridades locais, foram debatidos
alguns dos problemas entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Católica
Romana, como também as perspectivas de uma colaboração entre as
Igrejas no campo da cultura, especialmente diante do secularismo, da
indiferença em relação à religião e da atividade dos novos movimentos
religiosos alternativos.
As duas partes manifestaram um vivo interesse por um encontro
Europeu, com o objetivo de valorizar as raízes cristãs da Europa, do
Atlântico aos Urais.
Na tarde de 19 de novembro, depois da inauguração da "Biblioteca do
Espírito", fundada em 1993 em colaboração entre "Rússia Cristã"
(Itália), a Diocese da Mãe de Deus em Moscou e a Fundação Ortodoxa
Santos Cirilo e Metódio de Minsk (Bielarus), seguiu um Symposium
científico intitulado "Intercâmbio de dons entre Ocidente e Oriente",
com a participação do Card Poupard, de personalidades do mundo
acadêmico da Federação Russa e do Professor italiano Adriano
Dell'Asta, docente da Universidade Católica de Milão. (AP)


5 - Chama-se "Werenfried", em homenagem ao fundador de "Ajuda à
Igreja que sofre", a terceira capela flutuante da Igreja ortodoxa
russa, inaugurada nos dias passados

Fonte: Fides 19/11/2004

Roma (Agência Fides) - Foi inaugurada nos dias passados a terceira
capela flutuante da Igreja ortodoxa russa, realizada com o apoio da
Obra de direito pontifício "Ajuda à Igreja que Sofre" (AIS). A
capela, às margens do rio Voga, foi batizada "Werenfried", em
homenagem ao fundador de AIS, padre Werenfried van Straaten, que
faleceu em 2003. Da cerimônia de inauguração, participaram o
Arcebispo Antonio Mennini, delegado apostólico em Moscou, German
Timofeyev, metropolita de Volgograd e Kaminskinsk, Yevgeni Isshenko,
prefeito de Volgograd, Antonia Willemsen, Secretária-geral de AIS e
Peter Humeniuk, responsável pela seção de AIS dedicada aos projetos
para a pastoral da Igreja ortodoxa na Rússia. O Metropolita definiu
a iniciativa "um símbolo do espírito de colaboração e de amizade que
une a eparquia ortodoxa de Volgograd e 'Ajuda à Igreja que Sofre'".
Já no seu discurso, Antonia Willemsen destacou como próprio o nome
Werenfried - «combatente pela paz» - assuma um signifiicado especial
no apoio oferecido à pastoral da Igreja ortodoxa, empenhada na re-
evangelização do imenso território russo. Werenfried é a terceira
capela flutuante realizada com o apoio de AJS. As duas primeiras
foram inauguradas em 1998 e 2000, em homenagem a Sto. Inocêncio e S.
Nicola. (S.L.)


6 - BAILADO SOBRE RASPUTIN GERA CONTROVÉRSIA

Fonte: RIA "Novosti" 22/11/2004

COMENTÁRIO - Anatoli Korolev, observador da RIA ";Novosti".

O novo bailado "Rasputin", acabado de estrear no Teatro de Ópera e
Ballet do Conservatório de São Petersburgo, provocou inúmeros
comentários nos "mass media" da Rússia e gerou grande celeuma entre
os meios intelectuais das duas cidades do país. O protagonista, cujo
papel é desempenhado pelo bailarino Farukh Ruzimatov, apresentou-se
no palco como uma figura trágica - algo entre Ivan, o Terrível e
Savonarola. A santidade de Rasputin é mostrada de modo a não dar
margem à dúvida, sobretudo no episódio em que o monge faz um
exorcismo sobre o sangue do herdeiro do trono russo, o czarevich
Aleksei, que padecia de leucemia. Esta cena não deixa ninguém
indiferente. O público russo não está habituado a uma interpretação
tão audaz da história de Rasputin. Normalmente, considera-se que este
monge da Sibéria foi um génio mau para a Rússia que surgiu em São
Petersburgo para destruir a família real e fazer aproximar a revolta
sangrenta dos bolcheviques. O impacto deste bailado escandaloso foi
ainda maior por ter quase coincidido com a decisão do Concílio da
Igreja Ortodoxa Russa (IOR) de não canonizar Rasputin, tal como
exigia a ala mais ortodoxa da IOR. Gerou controvérsia a figura
dançante do Imperador Nicolau II, há pouco canonizado pela Igreja,
juntamente com a imperatriz e toda a família, martirizada pelos
bolcheviques. Em centenas de templos da Rússia existem ícones do czar
mártir, orando com a família. Por isso, os saltos do bailarino Valeri
Lantratov a desempenhar o papel do último soberano russo pareciam
quase sacrílegos e o duo amoroso de Rasputin com a imperatriz
beatificada foi visto quase como uma blasfémia. O encenador do
bailado, o coreógrafo Gueorgui Kovtun, nem esperava outra reacção,
declarando acreditar sinceramente na relação amorosa entre o favorito
e a imperatriz Aleksandra Feodorovna. Se bem que os historiadores
tivessem há muito provado que tudo isso não passou de uma invenção,
mas a história posta a circular por numerosos inimigos e adversários
de Rasputin, ainda no início do século passado, ficou gravada na
memória dos russos. "Mesmo nos tempos soviéticos, caracterizados
pelo seu ateísmo agressivo, ninguém podia imaginar tal sacrilégio,
ninguém se atrevia a profanar o nome do soberano Nicolau
Aleksandrovitch e dos seus próximos e, ainda por cima, num espírito
tão libertino. Este espectáculo pode ser um presente para os adeptos
da festa diabólica de Halloween e, se calhar, não foi por acaso que
coincidiu com esta data" - disse a respeito da estreia o monarquista
russo e membro da redacção da revista Correio Imperial, Viktor
Antonov. O mais provável é o monarquista Viktor Antonov nem ter
visto nem tencionar ver o espectáculo. Pois para ele para as pessoas
da sua formação, o próprio tema já é abominável e, por isso, os
critérios estéticos já não contam. Por mais genial que seja o bailado
do coreógrafo Gueorgui Kovtun, por mais virtuosa que seja a
performance do bailarino Valeri Lantranov, por mais expressivo que
seja o solo de Lantratov ou a música do compositor Vladimir
Katchessov, as críticas negativas são inevitáveis neste tema
controverso. E o facto deste último ter sido laureado no concurso
internacional de compositores Weber só vai encorajar as emoções
negativas dos críticos. A estreia do bailado "Rasputin" mostra que,
apesar de a censura ter sido abolida formalmente, a maior parte da
sociedade russa continua impermeável às inovações artísticas e, por
conseguinte, assume voluntariamente o papel de censor. Nesta
situação controversa e difícil, a primazia da arte deve ser superior
ao medo de ver um bailarino no papel do czar, uma vez que a arte é
uma esfera de convencionalismos, é parte do Acordo Social sobre a
possibilidade de representar a vida - quer no palco, quer na tela,
quer por outra forma qualquer - em toda a dimensão do ser humano.
Numa altercação com o seu filho Tito Flávio, o imperador Vespasiano
celebrizou-se como autor da famosa máxima: o dinheiro não tem cheiro.
Pois agora, parafraseando esta frase de Vespasiano, pode-se dizer
também: a música (e a arte, em geral) não tem cheiro. Infelizmente,
o bailado "Rasputin" é de certa forma vulnerável, uma vez que é um
típico produto comercial. O espectáculo foi ideado exclusivamente
para gerar receitas. Por exemplo, o guarda-roupa é composto por mais
de cem peças! Para o fundo musical foram utilizadas as gravações do
Grande Coro dos Cossacos do Don sob a direcção de Petia Khudiakov.
Evidentemente, todas estas despesas têm que ser compensadas e a
melhor forma de o fazer foi apostar em algo escandaloso. E para um
bom escândalo não há figura melhor que a de Rasputin. Este nome
sinistro é uma das "marcas" mais famosas da Rússia, como o vodca, o
caviar ou o urso russo. É justamente por isso que este bailado ganhou
logo todos os atributos de "Russian Brand". Para maior veracidade,
forma adicionados ainda sinos a tocar, pessoas a rezar e,
naturalmente, os ciganos. Pelo espírito saiu algo muito parecido ao
show exibido na taberna "Rasputin" aberta há relativamente pouco
tempo numa das alas do Palácio de Yussupov, na margem do rio Neva,
onde o monge foi morto. Não há nada como a morte para chamar a
atenção! Parece que os autores conseguiram o que pretendiam: o
bailado surgiu rodeado de escândalo. Os primeiros espectáculos terão
lugar na Ucrânia e depois em Moscovo.


7 - Ucrânia: Acusações de fraude em eleições muito disputadas

Fonte: Ais Notícias

O candidato pró-russo Viktor Ianukovitch foi anunciado como vencedor
das eleições presidenciais ucranianas com 49,42% dos votos. Mas a
diferença que o separa de Viktor Iuchtchenko, pró-ocidental, é de
menos de 3%. Observadores internacionais e representantes católicos
ucranianos mostram-se preocupados com a hipótese de fraude eleitoral.
Viktor Iuchtchenko partiu com uma vantagem tangencial na primeira
volta das eleições presidenciais que estão a decorrer na Ucrânia. Os
resultados que foram anunciados a 10 de Novembro atribuíram-lhe
39,87% das votações, ao passo que o seu opositor teve apenas menos
0,55% de votos. Na final da segunda volta, Ianukovitch, o candidato
apoiado por Moscovo e pelo presidente cessante Léonid Kutchma, passou
a liderar com uma diferença de 3% sobre Iuchtchenko.
De acordo com a agência Interfax, Andrei Kotchtkov, representante dos
observadores internacionais que estão a monitorizar as eleições,
denunciou terem ocorrido violações "numerosas e bastante sérias",
nomeadamente intimidações e pressões sobre os elementos das comissões
eleitorais.
Para o vice-reitor da Universidade Católica Ucraniana de Lviv,
Myroslav Marynovych, existiram durante a primeira volta "graves
violações dos direitos eleitorais" que "distorceram toda a campanha
política". Em entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre, o académico
ucraniano acusou o Governo do Presidente Léonid Kutchma de recorrer
a "manipulações e falsificações" e de pressionar de forma imoral as
populações para que votassem em Ianukovitch.
Num apelo aos meios de comunicação internacionais, Myroslav
Marynovych pediu: "Por favor, peçam aos vossos Governos que façam
pressão para que as eleições na Ucrânia sejam verdadeiramente
democráticas e justas".
O Bispo Auxiliar de Ternopil-Zboriv, D. Vasyl Semeniuk, referiu à
Ajuda à Igreja que Sofre que todos os católicos ucranianos estão a
rezar para que as eleições presidenciais "sejam honestas,
transparentes e verdadeiras".
Após o anúncio da vitória de Ianukovitch milhares de pessoas saíram
para as ruas de Kiev, protestando contra a alegada fraude eleitoral.
A oposição fez apelos à grave e à realização de bloqueios nos
aeroportos e estações de caminho-de-ferro. Segundo a Rádio
Renascença, está marcada para à tarde uma sessão parlamentar para
analisar o processo eleitoral.


8 - EM ANDAMENTO, EM ROMA, CONGRESSO PELOS 40 ANOS DO DECRETO
CONCILIAR SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS

Fonte: Rádio Vaticano 20/11/2004

Roma, 20 nov (RV) - Para celebrar os 40 anos da promulgação do
Decreto conciliar "Orientalium Ecclesiarum", está se realizando desde
ontem à tarde, em Roma, um Congresso na sede do Pontifício Instituto
Oriental. Em entrevista à Rádio Vaticano, o Padre jesuíta Philippe
Luisier recorda os pontos fundamentais do Decreto: Padre Luisier:- "O
Decreto, em primeiro lugar, reconhece que as Igrejas orientais
católicas fazem parte do patrimônio universal da Igreja e afirma a
sua igualdade em dignidade em relação à Igreja latina; que se dê
novamente à instituição patriarcal o seu pleno valor; que se
proponham normas para o acesso aos sacramentos também das Igrejas
orientais não-católicas." P. Pe. Luisier, qual foi a importância
desse Documento conciliar? Padre Luisier:- "Certamente ajudou muito a
mudar a mentalidade. Hoje todos os fiéis são, ou deveriam ser,
conscientes de que no seio da Igreja católica existem legitimamente
outros ritos, além do rito latino, e outras Igrejas além da Igreja
romana, com liturgias e disciplinas eclesiásticas diversas, bem como
um riquíssimo patrimônio espiritual." P. Pe. Luisier, o que mudou
nestes 40 anos nas Igrejas orientais? Padre Luisier:- "Certamente o
espírito do Concílio encorajou essas Igrejas a viverem com maior
franqueza a sua especificidade. Creio que seja a história a agitar
mais as Igrejas orientais: basta pensar na queda do comunismo nos
países do leste europeu e na forte emigração dos cristãos do Oriente
Médio. Um fenômeno que se verifica tragicamente com a guerra no
Iraque. Uma parte expressiva de fiéis católicos orientais vive na
diáspora." (RL)


9 - Três olhares sobre a Igreja, 40 anos depois

Fonte: Agência Ecclecia 22/11/2004

A 21 de Novembro de 1964 eram promulgados no II Concílio do Vaticano
três documentos que assumiam, de forma clara, a necessidade de um
novo olhar sobre a Igreja Católica, tanto na concepção que esta tinha
de si como na relação com as suas irmãs cristãs.
Passados 40 anos, parece claro que nem todas as implicações da
Constituição Dogmática "Lumen Gentium", sobre a Igreja, e dos
Decretos "Unitatis Redintegratio", sobre o Ecumenismo, e "Orientalium
Ecclesiarum", sobre as Igrejas Orientais Católicas, foram devidamente
assimiladas na vida de todos e de cada um dos católicos.
Um ponto comum nestes três testamentos que os Padres conciliares
quiseram deixar para a posteridade tem a ver com a sua concepção de
Igreja em relação: os movimentos de renovação litúrgica, bíblica e
ecuménica fazem emergir um novo modelo eclesiólogico, mais centrado
na sua dimensão de "mistério" e de Povo eleito por Deus com uma
vocação comum do que na afirmação de uma "sociedade perfeita"
hierarquicamente constituída.
Subordinou-se, assim, o aspecto juridico-institucional organizativo à
natureza mistérica e peregrinante da comunidade eclesial, sem
esquecer a transformação do mundo. Esta perspectiva precisa de ser
actualizada na vivência pessoal e comunitária.
João Paulo II, ao recordar neste Domingo o aniversário da
Constituição Dogmática sobre a Igreja, sintetizava de forma magistral
os pontos centrais da "Lumen gentium", assinalando que esta é "um
marco no caminho da Igreja pelas sendas do mundo contemporâneo e
estimulou o Povo de Deus a assumir com mais decisão suas
responsabilidades na edificação desse Reino de Cristo que só terá o
seu cumprimento pleno para além da história".

Unidade
O número 8 da "Lumen Gentium", uma das passagens mais discutidas do
II Concílio do Vaticano, afirma que a única Igreja de
Cristo, "constituída e organizada neste mundo como sociedade, é na
Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em
união com ele, que se encontra", reconhecendo, contudo, que fora da
sua comunidade se encontram "muitos elementos de santificação e de
verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo,
impelem para a unidade católica".
A Igreja assume a sua obrigação de ser sinal da "união com Deus e da
unidade do género humano". Nesse sentido, a preocupação pela plena
unidade começa pela aposta clara e decidida num caminho que leve à
plena unidade dos cristãos.
O 40º aniversário da promulgação do Decreto "Unitatis Redintegratio"
foi uma ocasião para que o Papa reitera-se que "o ecumenismo não é
apenas uma das actividades tradicionais da Igreja, mas representa um
aspecto mais profundo enquanto se funda no desígnio salvífico de Deus
para reunir todos na unidade".
O número 1 desse Decreto assumia claramente como objectivo "promover
a restauração da unidade entre todos os cristãos". Nada disto parece
estranho aos olhos das gerações pós-cocliares, mas é preciso não
perder de vista a revolução da "Lumen Gentium", que abriu caminho
para esta abertura ecuménica: a eclesiologia pré-conciliar não
permitia outro caminho para a unidade que não o regresso ao "redil
católico" dos cristãos das outras confissões.

Diversidade
Curiosamente, a valorização da unidade levou à mesma valorização da
diversidade. Na "Unitatis Redintegratio" pode ler-se que "desde os
primeiros tempos as Igrejas do Oriente seguiam disciplinas próprias,
sancionadas pelos santos Padres e Concílios, mesmo Ecuménicos. Longe
de obstar à unidade da Igreja, uma certa diversidade de costumes e
usos, como acima se lembrou, aumenta-lhe a beleza e ajuda-a não pouco
a cumprir a sua missão".
As Igrejas do Oriente, herdeiras de uma tradição bimilenar, conservam
uma riqueza teológica, espiritual e litúrgica que, muitas vezes, os
cristãos do Ocidente desconhecem em absoluto.
O reconhecimento da importância e do valor desta diversidade está
consagrado no Decreto "Orientalium Ecclesiarum", dedicado às Igrejas
Orientais Católicas, onde se aposta na conservação e restauração das
antigas tradições, e se afirma a sua igualdade em dignidade em
relação à Igreja Latina.
"Saibam e tenham por certo todos os Orientais que sempre podem e
devem observar os seus legítimos ritos litúrgicos e a sua disciplina;
e que não serão introduzidas modificações a não ser em razão de um
progresso próprio e orgânico. Tudo isto, pois, deve ser observado
pelos próprios Orientais com a maior fidelidade. E de tudo isto devem
eles adquirir um conhecimento cada vez maior e uma prática cada vez
mais perfeita. E se indevidamente os abandonaram em vista das
circunstâncias de tempos ou pessoas, procurem regressar às tradições
ancestrais", afirmam os Padres conciliares no número 6 do Decreto.
Voltamos, neste ponto, à linha condutora destes três documentos e, no
fundo, do II Concílio do Vaticano: a Igreja. Dialogar com os irmãos
na fé - e não já com hereges, apóstatas ou inimigos da verdadeira fé -
implica valorizar as diferenças, a riqueza da comunhão eclesial e
assumi-la de forma responsável. Dialogar na Igreja, Povo de Deus, é
uma forma de cultivar essa comunhão.


10 - CATHOLICÓS DE TODOS OS ARMÊNIOS SE MANIFESTA SOBRE O ENVIO DE
OFICIAIS ARMÊNIOS PARA O IRAQUE

Fonte: Armenia.com.br 19/11/2004

Yerevan (PanArmenianNet) - "Etchmiadzin espera que o assunto relativo
ao envio de oficiais armênios para o Iraque seja solucionado, levando
em consideração a preocupação dos armênios que residem nos Estados
árabes", disse Karekin II, Patriarca Supremo e Catholicós de Todos os
Armênios em 19/11. Ele também acrescentou que a Igreja Apostólica
Armênia, na pessoa do Primaz da Diocese Armênia do Iraque, já
manifestou sua preocupação sobre o tema. Como se lembra, o provável
envio de oficiais militares armênios para o Iraque causou uma reação
de controvérsias na população armênia. Reações contrárias foram
ouvidas, temendo uma reação negativa por parte de grupos extremistas
islâmicos contra os centenas de milhares de armênios radicados em
diversos países árabes, entre os quais o Iraque. Muitos nativos dos
países árabes também reagiram com rigor contra o possível envio de um
contingente armênio para o Iraque. O assunto permanece aguardando uma
definição.


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