BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 5 - 11 de novembro de 2004

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

Novamente este Boletim divulga notícias sobre a difícil situação dos
cristãos iraquianos. Há algum tempo tenho pensado se, além de rezar,
é possível fazer alguma coisa por estes irmãos em Cristo. Descobri
recentemente que a organização "Ajuda à Igreja que Sofre" está
recolhendo donativos para a única escola teológica do Iraque, que
atende católicos de todos os ritos e cristãos ortodoxos. A "Ajuda à
Igreja que Sofre" é a mesma instituição que já colaborou com a Igreja
Ortodoxa em diversas situaçãos (vide notícia 3 do Boletim n. 1 e
notícia 5 do Boletim n. 2).

Quem desejar maiores informações sobre como ajudar, pode obtê-las na
Internet: http://www.aisbrasil.org.br/projetosasia_11.htm

Que Deus nos ilumine,

Saudações Fraternais,

Luis Felipe
[email protected]


ÍNDICE

1 - Balanço das relações da Igreja Católica com as Igrejas Ortodoxas
Pelo subsecretário do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos

2 - Espanha devolverá para a Rússia a Cruz da Catedral de Santa Sofia

3 - Em gesto histórico, Papa devolverá relíquias ao patriarca de
Constantinopla. 800 anos depois do saque dessa cidade

5 - O medo marca a vida dos cristãos no Iraque

6 - Iraque: Novos atentados contra igrejas cristãs em Bagdá.
Matam 3 pessoas e deixam feridas outras 45

7 - O Papa consola a palestinos e pede harmonia na Terra Santa

8 - RÚSSIA EXPRESSA CONDOLÊNCIAS AO POVO PALESTINO PELO FALECIMENTO
DE YASSER ARAFAT

9 - Igrejas católicas da Terra Santa tocam os sinos em homenagem a
Arafat

10 - Santa Sé faz um balanço de 40 anos de ecumenismo
O ecumenismo não prejudica a identidade católica, segundo o cardeal
Kasper

11 - Futuro do caminho ecuménico discutido no Vaticano

12 - Cristãos da Terra Santa sentem-se abandonados
Denuncia o vigário da Custódia franciscana

NOTÍCIAS

1 - Balanço das relações da Igreja Católica com as Igrejas Ortodoxas
Pelo subsecretário do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos

Fonte: Zenit 11/11/2004

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 11 de novembro de 2004
(ZENIT.org ).- Publicamos a análise sobre o estado atual das relações
da Igreja Católica com as Igrejas Ortodoxas oferecido esta quarta-
feira em uma coletiva de imprensa por dom Eleuterio F. Fortino,
subsecretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos
Cristãos.
* * *
Um dos elementos mais importantes do decreto «Unitatis Redintegratio»
(UR) --válido ainda aos 40 anos de sua promulgaçção--, é o das
relações com as Igrejas Ortodoxas. O Concílio exortou a todos, «mas
especialmente a quem se propõe trabalhar no restabelecimento da
desejada plena comunhão entre as Igrejas orientais e a Igreja
Católica», a prestar «adequada consideração à especial condição do
nascimento e crescimento das Igrejas do Oriente e à natureza das
relações vigentes entre estas e a sede de Roma antes da separação»
(UR, 14). Seguindo esta indicação, estabeleceram-se relações, em
tempos e modalidades diversas, e o próprio diálogo teológico com
todas as Igrejas do Oriente, com as Igrejas Ortodoxas e as antigas
Igrejas do Oriente. O Santo Padre fez uma avaliação geral na
encíclica «Ut Unum Sint» (UUS). Sobre o diálogo com as Igrejas
ortodoxas, escreveu: «Com espírito positivo, baseando-nos em tudo o
que temos em comum, a Comissão mista (de diálogo teológico) pôde
progredir substancialmente» (UUS, 59). Quanto ao diálogo que se leva
a cabo com as Antigas Igrejas do Oriente, afirmou: «Com respeito às
tradicionais controvérsias sobre cristologia, os contatos ecumênicos
fizeram possíveis declarações essenciais tais que nos permitem
confessar juntos a fé que nos é comum» (UUS, 63).

Estas relações encontram ainda inspiração e orientação aos quarenta
anos do decreto UR, inclusive nas situações de novas possibilidades e
de dificuldades imprevistas.

1. O diálogo teológico com as Igrejas Ortodoxas, após um início
positivo e recolhidos seus resultados na encíclica UUS, nos últimos
15 anos, encontrou sérias dificuldades e, desde a última sessão
plenária (Baltimore, EUA, 2000), não se puderam celebrar outros
encontros. Naquela sessão, se discutiu o tema «Implicações
eclesiológicas e canônicas do "uniatismo"». Não se pôde traçar um
documento comum sobre o argumento. A sessão, contudo, sublinhou a
necessidade da continuação do diálogo e pôs de relevo um dado
importante para este diálogo teológico. Por ambas partes constatou-se
que o nascimento das Igrejas orientais católicas está intimamente
ligado à questão do primado do bispo de Roma na Igreja. A questão,
portanto, deve ser enfrentada em relação com o maior problema nas
relações entre católicos e ortodoxos.

2. Sobre o «Primado Petrino», o Pontifício Conselho para a Unidade
dos Cristãos (PCPUC) organizou um simpósio acadêmico, em meio de
2003, com relações paralelas de católicos e ortodoxos, sobre quatro
temas: a) O fundamento bíblico do primado, b) O primado no pensamento
dos Padres da Igreja, c) O papel do bispo de Roma nos Concílios
ecumênicos, d) As discussões recentes sobre o primado em relação com
o Concílio Vaticano I e sobre o primado entre os teólogos ortodoxos.
Não se tratava de um diálogo oficial, mas de um simpósio acadêmico
com características próprias. A busca da plena comunhão, contudo,
enriquece-se com todas as contribuições (relações fraternas,
pesquisas nos institutos de teologia, diálogo estruturado por meio de
comissões mistas, oração, etc). As Atas foram publicadas.

3. Nos últimos anos, intensificaram-se as relações com algumas
Igrejas que, no passado, haviam-se mostrado menos interessadas nas
relações com a Igreja Católica. Após a visita do Santo Padre a Atenas
(2001), a Igreja da Grécia enviou a Roma, pela primeira vez, uma
delegação sinodal (8-13 de março de 2002). Em resposta, a Igreja
Católica enviou a Atenas (10-14 de fevereiro de 2003) uma delegação,
presidida pelo cardeal Kasper, e se instaurou uma ativa cooperação em
vários campos. As relações com a Igreja da Grécia seguem também
outras vias. Recordo uma: em 2003, celebrou-se em Joannina (Grécia) o
VIII simpósio sobre a «Espiritualidade no Oriente e Ocidente e as
influências recíprocas», organizado pela Faculdade teológica da
Universidade de Tessalônica e pelo Ateneu «Antonianum» de Roma.

4. O Santo Padre visitou a Bulgária em 2002 (23-26 de maio). O
cardeal presidente do PCPUC viajou ao país em outubro do mesmo ano (7-
9 de outubro). A um ano de distância da visita do Papa, uma delegação
do Santo Sínodo de Sofia visitou Roma (22-27 de maio de 2003).
Naquela ocasião inaugurou-se o uso litúrgico, por parte da Comunidade
ortodoxa de Roma, da Igreja dos santos Vicente e Anastásio, junto à
Fonte de Trevi. A busca da comunhão implica solidariedade e
intercâmbio de dons.

5. O presidente do PCPUC visitou a Igreja da Sérvia (10-15 de maio de
2002). Uma delegação do Santo Sínodo do Patriarcado da Sérvia
devolveu a visita a Roma (3-8 de fevereiro de 2003). O Santo Sínodo
daquela Igreja e a Conferência Episcopal Católica do país celebram
agora encontros com regularidade.

6. Após a visita do Santo Padre à Romênia (7-8 de maio de 1999) e a
do Patriarca Teoctist a Roma (7-13 de outubro de 2002) --eventos
significativos das relações fraternas, apesar dos problemas ainda
abertos no país entre greco-católicos e ortodoxos pela questão dos
lugares de culto--, foi conferido ao presidente do PCPUC um
doutorado «Honoris causa» conjuntamente por quatro faculdades
teológicas de Cluj, a faculdade ortodoxa, a greco-católica, a
católica latina e a protestante.

7. Nos últimos anos, houve uma tensão entre o Patriarcado de Moscou e
a Igreja Católica. A Igreja russa rejeitava a Igreja Católica, a seu
modo de ver, por atos de proselitismo e novo impulso à prática
do «uniatismo» na Ucrânia. Houve várias iniciativas de
esclarecimento. Foi importante a visita do cardeal Kasper a Moscou em
2004 (17-23 de fevereiro). Foi instituído, portanto, um grupo
conjunto de trabalho entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, na
Federação russa, para a solução dos problemas práticos existentes
entre as duas Igrejas neste país. Posteriormente, o grupo manteve
dois encontros, em maio e setembro (2004).

8. O cardeal presidente do PCPUC visitou a Igreja Ortodoxa na
Bielorússia (15-18 de dezembro de 2002) e iniciou com a mesma relação
positiva.

9. Com as Antigas Igrejas do Oriente (copta, etíope, síria, armênia)
em seu conjunto, a partir dos acordos cristológicos e dos resultados
dos diversos diálogos bilaterais, iniciou-se um diálogo teológico
oficial em 2002. A primeira reunião da Comissão mista aconteceu no
Cairo, em janeiro de 2004; a segunda acontecerá em Roma, em janeiro
de 2005.

10. Com a Igreja Assíria do Oriente constituiu-se uma Comissão mista
de diálogo. A próxima reunião acontecerá em Londres, de 18 a 24 de
novembro. Serão estudados, principalmente, dois temas: a tradição
teológica da antiga Igreja da Mesopotâmia e a eclesiologia de
comunhão, segundo as tradições assíria e a católica.

11. Com o Patriarcado de Constantinopla mantêm-se relações regulares
e freqüentes. Quando surgem dificuldades ou incompreensões resolvem-
se diretamente. O intercâmbio regular de delegações para a festa de
Santo André ao Fanar e dos Santos Pedro e Paulo em Roma oferece um
instrumento útil de conversações diretas. O Patriarca Ecumênico S. S.
Bartolomeu I esteve em Roma para a festa dos Santos Pedro e Paulo
deste ano. Naquela ocasião, pediu ao Santo Padre as relíquias de São
João Crisóstomo e de São Gregório Nazianzeno, patriarcas de
Constantinopla, que se encontram na Basílica de São Pedro. Ao final
deste mês Sua Santidade Bartolomeu I virá a Roma para receber do
Santo Padre a doação das relíquias. Será a ocasião para um novo
encontro.

Esta intensificação de contatos ajudará um novo início do diálogo
teológico. O decreto UR segue dando inspiração e orientações válidas.


2 - Espanha devolverá para a Rússia a Cruz da Catedral de Santa Sofia

Fonte: Voz da Rússia 11/11/2004

O ministro da Defesa da Espanha, José Bono, entregará ao primaz da
Igreja Ortodoxa Russa, Aleksi II, a cruz de dois metros de altura que
encimava a cúpula da Catedral de Santa Sofia, uma construção medieval
em Novgorod, e foi levada da União Soviética durante a Segunda Guerra
Mundial. A cerimônia de restituição dessa cruz se realizará em 16 de
novembro no templo de Cristo Redentor durante a inauguração do
primeiro festival internacional da mídia ortodoxa. O anúncio foi
divulgado hoje numa reunião do comitê organizador desse evento.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a cúpula principal da Catedral de
Santa Sofia foi destruída por um projétil de artilharia. Em 1942, foi
levada da Rússia para a Espanha pelos militares daquele país aliado
da Alemanha hitlerista. Em 2002, o Governo russo se dirigiu à Espanha
solicitando localizar essa relíquia. Soube-se então que a cruz se
encontrava no museu junto da Academia de Engenharia Militar de Madri.
O rei da Espanha julgou positivamente o pedido que lhe foi dirigido
pelo presidente russo e determinou restituir esse objeto sagrado para
a Rússia.


3 - Em gesto histórico, Papa devolverá relíquias ao patriarca de
Constantinopla. 800 anos depois do saque dessa cidade

Fonte: Zenit 10/11/2004

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 10 de novembro de 2004
(ZENIT.org ).- João Paulo II entregará ao patriarca ecumênico de
Constantinopla, Bartolomeu I, relíquias dos santos Gregório
Nazianzeno e João Crisóstomo, doutores da Igreja do Oriente, segundo
informou a Santa Sé.

O gesto de reconciliação acontecerá durante uma celebração ecumênica
em 27 de novembro na Basílica de São Pedro no Vaticano.

A notícia foi anunciada com o calendário das celebrações do Papa para
as últimas semanas deste ano 2004.

A entrega das relíquias acontecerá três dias antes da festa de Santo
André, patrono do patriarcado de Constantinopla. Da mesma forma que
em anos anteriores, uma delegação enviada pelo Papa acudirá à sede
deste patriarca para participar das celebrações.

Estes atos acontecem no ano em que se celebra o oitavo centenário da
tomada de Constantinopla por parte dos cruzados, ato pelo qual João
Paulo II pediu publicamente perdão em nome da Igreja Católica à
Igreja Ortodoxa ao visitar Atenas, em 4 de maio de 2001.

«Penso no desastroso saque da cidade imperial de Constantinopla, que
foi durante muito tempo bastão da cristandade no Oriente. É trágico
que os assaltantes, que haviam prometido garantir o livre acesso dos
cristãos à Terra Santa, logo se voltaram contra seus irmãos na fé. O
fato de que foram cristãos latinos enche os católicos de profundo
pesar», afirmou.

Segundo algumas fontes, as relíquias dos dois santos foram retiradas
de Constantinopla e trazidas para Roma precisamente durante o saque.

Este será o segundo encontro de João Paulo II e Bartolomeu I neste
ano, pois o patriarca esteve em Roma no final de junho passado por
motivo da solenidade dos santos Pedro e Paulo.


4 - Mensagem dos Bispos de Ninive para o Ramadã: "a violência destes
dias não faz parte do povo iraquiano"

Fonte: Agência Fides 10/11/2004

Bagdá (Agência Fides) - Em uma mensagem aos fiéis muçulmanos, pelo
fim do Ramadã, os Bispos cristãos da região de Nínive, no norte do
Iraque, fazem um convite à paz e à unidade nacional. Na mensagem de 8
de novembro, os Bispos de Nínive congratulam-se com os fiéis
islâmicos, e pedem a todos os líderes religiosos que preguem a paz e
não a violência, recordando a tradição de convivência pacífica,
característica da história do Iraque.
Os Bispos reiteram que a violência destes dias não faz parte do povo
iraquiano, e que é preciso rechaçar, juntos, o terrorismo. Enfim, os
Bispos rejeitam a imposição do véu às estudantes islâmicas.
Entretanto, continuam as ameaças à comunidade cristã do Iraque. Para
proteger as igrejas de ataques terroristas, os jovens cristãos do
norte do Iraque se revezam noite e dia, para vigiar os edifícios
sagrados. É o que diz à Agência Fides Pe. Nizar Semaan, sacerdote
siríaco de Mosul. Secondo Pe. Nizar, "os seqüestros de cidadãos
comuns estão nas crônicas diárias. Ontem mesmo, um menino de 16 anos
foi libertado em troca de um resgate de 40 mil dólares". (L.M.)


5 - O medo marca a vida dos cristãos no Iraque

Fonte: Agência Ecclesia 10/11/2004

O Patriarca caldeu Emmanuel Delly revelou que, em consequência dos
recentes atentados que atingiram igrejas cristãs, é cada vez maior o
sentimento de medo e receio entre a população cristã no Iraque.
"A violência cresceu e devemos estar atentos, porque é provável que
se repitam outros episódios similares de violência. Toda a população
tem medo, porque quando uma bomba rebenta não faz distinção e destrói
tudo o que está num raio de um quilometro", reconheceu em declarações
à agência Asianews.
De acordo com o líder da maior comunidade católica no país, os são os
terroristas, vindos de fora "quem combate e espalha a violência no
país".
"Há pessoas que querem o bem do Iraque, mas o que podem fazer contra
pessoas que não têm medo de Deus?", disse.
Sobre a situação dos cristãos, o Patriarca assegura que é
preciso "ser optimistas, e permanecer no Iraque para trazer a
verdadeira paz".
"Estamos convencidos de que esta tempestade passará", afirmou D.
Delly.
Pelo menos três pessoas morreram e 45 ficaram feridas nesta segunda-
feira, em explosões ocorridas em frente a duas igrejas no sul de
Bagdad.
Neste momento, numa população de 22 milhões de habitantes, o número
de cristãos no Iraque é de cerca de 750 mil. Destes, 70% fazem parte
da Igreja Católica caldeia.
Cinco igrejas de Bagdad foram alvo de uma série de ataques
simultâneos a 19 de Outubro que não fizeram vítimas. A minoria cristã
já tinha sido alvo de actos de violência em Agosto, quando seis
atentados contra locais de culto cristãos causaram 10 mortos e 50
feridos em Bagdad e Mossul.

Octávio Carmo


6 - Iraque: Novos atentados contra igrejas cristãs em Bagdá
Matam 3 pessoas e deixam feridas outras 45

Fonte: Zenit 09/11/2004

BAGDÁ, terça-feira, 9 de novembro de 2004 (ZENIT.org).- O núncio
apostólico no Iraque, o arcebispo Fernando Filoni, confirmou os
atentados desta segunda-feira perpetrados nos arredores de igrejas
cristãs no sudeste de Bagdá, nos quais morreram três pessoas e outras
45 ficaram feridas.

Ocorridas à tarde, as explosões --uma provavelmente por carro-bomba,
outra por um artefato-- no distrito de Dora «golpearam a igreja dos
siro-ortodoxos» «e a igreja nestoriana de São Mateus» --explicou por
sua parte o patriarca caldeu Emmanuel Delly--; «um destes atentados
afetou uma terceira igreja caldéia».

Seriamente atingida ficou a igreja siro-ortodoxa, ainda que não houve
vítimas em seu interior. Igualmente ficou afetada a casa
das «Pequenas Irmãs de Jesus» de Charles de Foucauld. Ainda se
desconhecem mais detalhes das conseqüências do atentado perto da
igreja nestoriana.

Fontes iraquianas citadas pela imprensa internacional apontam que as
explosões causaram três mortos e 45 feridos.

«Não posso confirmar este balanço: sabemos que dentro das igrejas não
houve vítimas, mas não podemos excluir que possam ter-se produzido
nos arredores», explicou dom Filoni à agência missionária «Misna».

Dom Emmanuel Delly manifestou profunda tristeza ao relatar o novo
episódio de violência sofrido pela comunidade cristã iraquiana e
expressou a «AsiaNews» seu temor de que estes atos venham a aumentar.

«A violência cresceu. Devemos estar atentos, porque é provável que se
repitam outros episódios similares de violência. Toda a população tem
medo, porque quando uma bomba estoura não faz distinção e destrói
tudo o que está em um raio de um quilômetro», reconheceu.

Com respeito aos autores destes crimes, o patriarca caldeu convida ao
perdão: «O Senhor nos ensinou a perdoar, desta forma oro por
eles». «Cristo nos ensinou a perdoar os inimigos, assim devemos ser
cristãos autênticos, não só de nome», apontou.

«O governo quer o bem dos iraquianos e quer combater os terroristas.
São os terroristas, vindos de fora, que combatem e difundem violência
no país --explicou o patriarca--. Há pessoas que quuerem o bem do
Iraque, mas o que podem fazer contra pessoas que não têm medo de
Deus?».

Em sua opinião, com «a confiança e o apoio do Senhor», «devemos ser
otimistas, porque queremos o bem de nosso país», e «devemos
permanecer no Iraque para trazer a verdadeira paz. Esta é nossa fé e
nossa esperança».

«Estamos convencidos de que esta tormenta passará e nos pomos nas
mãos da Virgem para que nos ajude neste momento tão difícil», afirmou
dom Delly.

Os cristãos no Iraque são no total cerca de 800.000: 3% da população,
divididos, sobretudo, entre católicos e ortodoxos. Os mais numerosos,
os caldeus, unidos a Roma, representam 70% dos cristãos.

Em outubro passado, cinco bombas explodiram contra cinco igrejas em
Bagdá (Cf. Zenit, 18 de outubro de 2004 ). Os ataques contra igrejas
cristãs começaram em agosto, quando foram golpeadas quatro igrejas da
capital iraquiana e uma em Mosul, matando onze pessoas e deixando
dezenas de feridos.

Na segunda-feira passada, horas depois de que as vítimas das últimas
explosões perto das igrejas cristãs de Bagdá fossem levadas ao
Hospital Al Yarmuk, o serviço de emergência de tal centro de saúde
foi objetivo de um ataque suicida que tirou a vida de ao menos outras
13 pessoas e deixou mais 70 feridas.


7 - O Papa consola a palestinos e pede harmonia na Terra Santa

Fonte: ACI Digital 11/10/2004

VATICANO, 11 Nov. 04 (ACI ).- Em um telegrama de pêsames pelo
falecimento do Yasser Arafat, o Papa João Paulo II mostrou sua
proximidade ao povo palestino e pediu a Deus "para que a estrela da
harmonia brilhe logo na Terra Santa".
No telegrama, o Cardeal Angelo Sodano, secretário de estado,
comunicou ao Rawhi Fatthu, presidente do Conselho Legislativo
Palestino, que "nesta hora de tristeza pela morte do presidente
Yasser Arafat", o Papa João Paulo II "é particularmente próximo à
família do falecido, às autoridades e ao povo palestino".
Igualmente -refere o Cardeal-, o Papa "confia suaa alma nas mãos de
Deus Onipotente e Misericordioso e reza ao Príncipe da Paz para que a
estrela da harmonia brilhe logo na Terra Santa e para que os dois
povos que ali moram possam viver reconciliados entre si como dois
estados independentes e soberanos".


8 - RÚSSIA EXPRESSA CONDOLÊNCIAS AO POVO PALESTINO PELO FALECIMENTO
DE YASSER ARAFAT

Fonte: Voz da Rússia 11/11/2004

Nas terras palestinas foram anunciados 40 dias de luto. O povo chora
o desaparecimento do seu dirigente Yasser Arafat. O presidente russo
Vladimir Putin expressou os mais sinceros pêsames aos parentes, aos
amigos e aos adeptos de Yasser Arafat. Para o chefe do Estado russo
foi doloroso saber do passamento dessa conceituada figura política de
tamanho internacional, que consagrou a vida toda à justa causa do
povo palestino, à luta por ele travada pelo direito de criar um
Estado independente que coexista em paz com Israel e dentro de
fronteiras universalmente reconhecidas. Em sua mensagem de pêsames
enviada aos dirigentes da Autoridade Nacional Palestina, o patriarca
da Igreja Ortodoxa Russa, Aleksi II, acentuou que Yasser Arafat foi o
primeiro entre os dirigentes árabes em aceitar o apelo para
conversações com vista ao restabelecimento da paz na Terra Santa e
envidou muitos esforços para que fossem um êxito. Lembrou em seguida
que a contribuição dada pelo dirigente palestino para a implantação
da paz na região foi dignamente apreciada pela comunidade
internacional com a atribuição do Prêmio Nobel de Paz em 1994. Agora,
os herdeiros de Yasser Arafat deveriam adquirir a consciência sobre a
inadmissibilidade de uma escalada no conflito entre a Palestina e
Israel. Os Árabes e os Judeus têm um progenitor comum: Abraão;
portanto, não existe uma alternativa ao diálogo político, à sua
coexistência num ambiente de paz e concórdia. Disso está convencido
Ismaghil Changareev, co-presidente do Conselho de Altos Dignitários
Muçulmanos da Rússia. Ao dirigir suas condolências à família de
Yasser Arafat e a todo o povo palestino, o Governo russo espera que
os novos dirigentes palestinos renovem os passos no caminho para
alcançar entendimentos políticos com Israel - sublinhou Aleksandr
Iakovenko, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da
Rússia. Exortamos as autoridades palestinas e israelenses a unirem-se
na luta contra os inimigos da idéia de regularização pacífica do
conflito e a entabularem contatos construtivos com vista à realização
prática do "Roteiro de Paz", conducente à constituição de um Estado
palestino independente que coexista em paz e segurança com Israel -
indicou o porta-voz da Chancelaria russa.


9 - Igrejas católicas da Terra Santa tocam os sinos em homenagem a
Arafat

Fonte: Agência Ecclesia 11/11/2004

Os sinos das igrejas da Terra Santa irão tocar amanhã em memória de
Yasser Arafat, durante o rito de sepultura na Muqata de Ramallah.
O Patriarca de Jerusalém, D. Michel Sabbah, exprimiu as suas
condolências e a sua solidariedade para com o povo palestiniano,
antes de partir para o Cairo. O Chefe da Igreja Católica na Terra
Santa lidera uma delegação composta pelos arcebispos anglicano e
luterano de Jerusalém, a quem se deverá ainda juntar o representante
da Igreja Ortodoxa em Jerusalém, para participarem nas cerimónias
fúnebres de amanhã, na capital egípcia.
D. Michel Sabbah, amigo pessoal do presidente palestiniano, disse à
agência italiana Sir que "Arafat lutou pela independência e a
liberdade do seu povo até obter de todo o mundo o reconhecimento de
um Estado palestiniano". Segundo o Patriarca, o mérito de Yasser
Arafat foi o de ter compreendido "a dimensão universal da Palestina,
por causa da presença de Lugares Santos do Cristianismo, Judaísmo e
Islamismo".
Para o futuro, o responsável católico espera que se organizem
eleições regulares, "para permitir a nomeação de um sucessor que leve
por diante o projecto de um Estado palestiniano e que traga a paz à
região".

Solidariedade
As conferências episcopais da Inglaterra e da França já manifestaram
a sua solidariedade para com os povos da Palestina e de Israel,
fazendo votos para que o futuro da Terra Santa seja um "futuro de
paz".
"Na morte de Yasser Arafat, líder histórico do povo palestiniano, o
nosso pensamento vai para o futuro desse povo, para as suas
aspirações e sofrimentos", refere um comunicado assinado pelo
arcebispo Jean-Pierre Ricard, presidente da Conferência Episcopal
Francesa.
"Rezamos ao Senhor para que no coração dos povos da Terra Santa
surjam responsáveis que tenham a coragem política de conduzir o seu
povo para a paz, uma paz na justiça, na reconciliação dos espíritos e
dos corações", acrescentam os bispos franceses.
A Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales formulou votos de que o
sucessor de Arafat "seja capaz de prosseguir os acordos para a
justiça, paz e reconciliação".

O sepultamento no mundo islâmico
No mundo islâmico não existe um ritual rígido para sepultar os mortos
válido para todos os países, mas algumas indicações gerais são
respeitadas. O corpo é deposto dirigido para o Leste, em direcção do
sol nascente. Antes de ser sepultado, o defunto é lavado e envolvido
num lençol sem costuras, que recorda o mesmo usado pelos peregrinos
que visitam Meca
"A morte para a teologia islâmica marca a conclusão da vida terrena
da pessoa e a passagem para o paraíso, ao qual são destinados todos
os muçulmanos. O sepultamento, portanto, deve levar em consideração a
realidade da ressurreição do corpo", afirma à agência Fides o Pe.
Justo Lacunza, Reitor do Pontifício Instituto de Estudos Árabes e de
Islamística.
"A cerimónia de sepultamento é precedida normalmente pela leitura da
Primeira Sura do Alcorão", acrescenta.
A norma que impõe que o corpo seja sepultado o mais rapidamente
possível é muito recente e não é aplicada em todos os países
islâmicos. Trata-se de uma regra introduzida pelos Wahabiti na Arábia
Saudita.

Octávio Carmo


10 - Santa Sé faz um balanço de 40 anos de ecumenismo
O ecumenismo não prejudica a identidade católica, segundo o cardeal
Kasper

Fonte: Zenit 10/11/2004

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 10 de novembro de 2004 (ZENIT.org).-
Ao fazer um balanço dos últimos quarenta anos de diálogo entre os
cristãos, o cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício
para a Promoção da Unidade dos Cristãos, considera que o autêntico
ecumenismo não fere a identidade católica, pelo contrário, reforça-a.

O purpurado alemão chegou a esta conclusão ao apresentar na Sala de
Imprensa da Santa Sé o congresso internacional «O decreto sobre o
ecumenismo do Concílio Vaticano II, quarenta anos depois», que
acontecerá de 11 a 13 de novembro em Rocca di Papa (localidade
próxima a Roma), para fazer um balanço das quatro décadas de diálogo
entre os cristãos promovido a partir da publicação do
decreto «Unitatis redintegratio».

Responderá a perguntas que o mesmo purpurado alemão enunciou: «Qual
era a mensagem e o objetivo do documento? Que efeito teve nestes
anos? Aonde chegamos hoje no ecumenismo? Qual é o caminho que ainda
fica por percorrer?».

O cardeal considerou que «a consciência ecumênica na Igreja cresceu»,
mas reconheceu que «ainda existem problemas e desilusões»
e «obviamente ainda não alcançamos o objetivo: a comunhão plena e
visível».

«Encontramo-nos em um estádio intermediário. Em certas ocasiões,
persistem antigas discriminações. Há que deplorar também sinais de
aspereza e egoísmo», sublinhou.

De fato, o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da
Unidade dos Cristãos constatou que às vezes «o ecumenismo converte-se
em presa de um ativismo superficial».

Ante a pergunta, «Ecumenismo, aonde vais?» (formulada em latim com o
famoso «quo vadis»), Kasper explicou que nos encontramos ante
duas «tarefas» fundamentais: «a identidade católica e o ecumenismo
espiritual».

«A suspeita de que o diálogo ecumênico prejudica a nossa própria
identidade católica é uma suspeita grave», advertiu. «Na verdade é o
contrário: o diálogo pressupõe sócios que tenham sua própria
identidade».

Em relação ao ecumenismo espiritual, indicou que «o ecumenismo não é
uma forma de diplomacia eclesiástica», mas um «processo espiritual».
Neste sentido revelou que seu Conselho Pontifício elaborou o projeto
de um «Vade-mécum de ecumenismo espiritual» no qual se
oferecerão «sugestões para as dioceses, linhas de orientação».

O responsável pelo diálogo ecumênico da Santa Sé alentou os encontros
entre cristãos, assim como intercâmbios monásticos e convivências
entre movimentos: «Há muito movimento nas bases, e esta é nossa
esperança», disse em resposta a quem lhe perguntou se o ecumenismo
não era um assunto de elite.

O bispo Brian Farrell LC, secretário do Conselho Pontifício para a
Promoção da Unidade dos Cristãos, revelou na coletiva de imprensa que
260 pessoas assistirão à conferência sobre os últimos quarenta anos
do diálogo ecumênico, entre elas, representantes de 28 conferências
episcopais da África, 21 do continente americano, 28 da Ásia, 25 da
Europa e 2 da Oceania e dos patriarcados orientais católicos.

Está prevista, também, a presença de 27 delegados fraternos das
Igrejas ortodoxas, as Antigas Igrejas do Oriente, as Igrejas e
Comunidades cristãs do Ocidente e organizações cristãs
internacionais.

Participarão também representantes de diferentes organismos da Cúria
romana e professores das universidades pontifícias de Roma.

O Congresso começará com uma conferência inaugural do cardeal Kasper
sobre «O significado permanente e urgente de "Unitatis
redintegratio"». Em seguida, intervirão o metropolitano de Pérgamo,
Johannis Zizioulas, do patriarcado ecumênico de Constantinopla, que
oferecerá uma perspectiva ortodoxa do decreto, e professor Geoffrey
Wainwright, do Conselho Metodista Mundial, que fará uma leitura do
documento desde o ponto de vista das Igrejas originadas da Reforma.

Na segunda jornada, o bispo Farrell dará a conhecer o resultado de um
questionário enviado pelo dicastério às conferências episcopais com
os dados mais atualizados sobre o compromisso ecumênico nos
diferentes contextos locais.

Por sua parte, dom Eleutério F. Fortino, subsecretário do Conselho,
apresentará um documento cujo título é «A ação do Pontifício Conselho
para a Promoção da Unidade dos Cristãos desde a promulgação
de "Unitatis redintegratio" até hoje».

No sábado, 13 de novembro, os cardeais Ivan Dias, arcebispo de
Bombaim (Índia) e Cormac Murphy-O´Connor, arcebispo de Westminster
(Grã-Bretanha), além de Chiara Lubich, presidente do Movimento dos
Focolares, e o padre Enzo Bianchi, Prior da Comunidade Monástica de
Bose (Itália), falarão sobre as perspectivas futuras do decreto.

A Conferência concluirá com a celebração das Vésperas na Basílica de
São Pedro presidida por João Paulo II.


11 - Futuro do caminho ecuménico discutido no Vaticano

Fonte: Agência Ecclesia 10/11/2004

A Igreja Católica acredita que há motivos de esperança no caminho
rumo à plena unidade dos cristãos. "O caminho do ecumenismo será,
provavelmente, longo e trabalhoso, assinalado por desilusões,
incidentes de percurso e resistências, mas o percurso iniciado pelo
Espírito há 40 anos é de esperança", disse hoje o Cardeal Walter
Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da Unidade
dos Cristãos.
"É evidente que não atingimos o objectivo fixado, a comunhão plena e
visível", reconheceu.
A Santa Sé apresentou o congresso "O Decreto sobre o Ecumenismo do
Concílio Vaticano II, 40 anos depois", para avaliar "perspectivas e
significado permanente, desenvolvimentos e situação actual,
perspectivas futuras". A iniciativa comemorativa do decreto "Unitatis
Redintegratio", promulgado a 21 de Novembro de 1964, é promovida pelo
Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos e terá lugar em Rocca
di Papa, de 11 a 13 de Novembro.
De acordo com o Cardeal Kasper, o objectivo do evento é o de
perceber, à luz do caminho já percorrido, "qual será o futuro do
movimento ecuménico".
"O entusiasmo já não é o inicial, mas não se pode afirmar, como fazem
alguns, que o ecumenismo atravessa um período de glaciação",
assegurou.
No congresso, apresentado esta manhã aos jornalistas, no Vaticano,
estarão presentes os responsáveis pelas comissões ecuménicas das
Conferências episcopais e das Igrejas Católicas do Oriente, os
presidentes das Comissões Mistas internacionais - encarregadas do
diálogo teológico bilateral - e 27 delegados das Igrejas Ortodoxas,
das Igrejas Antigas do Oriente e de Igrejas e comunidades cristãs do
Ocidente.
Os 260 participantes encerrarão o encontro com a celebração de
Vésperas, na Basílica de São Pedro, presidida por João Paulo II.
Segundo o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, "o Papa quis
estar presente para sublinhar o interesse com que segue o congresso".
O Cardeal Walter Kasper fez questão de sublinhar que o
ecumenismo "não é algo secundário", mas uma "escolha irreversível da
Igreja".
"A divisão dos cristãos é um dos obstáculos mais graves para a
evangelização, à qual todos somos chamados. Não poderemos comprometer-
nos pela paz no mundo se, ao mesmo tempo, não nos comprometermos pela
paz entre os cristãos", sublinhou.
A Santa Sé lembra que nestes 40 anos foram eliminados "muitos mal-
entendidos e preconceitos", bem como algumas diferenças do passado.
Ainda assim, subsistem diferendos e é visível o aumento de
um "fundamentalismo agressivo", contrário ao diálogo ecuménico.
"Todos estes problemas levam-nos a uma pergunta: Ecumenismo quo
vadis?", disse o presidente do Conselho Pontifício para a promoção da
Unidade dos Cristãos. Em resposta, o Cardeal Kasper falou do
ecumenismo vivido nas bases e do primado do Papa.
"A proposta que o Papa fez na encíclica `Ut Unum Sint' sobre o
exercício do primado teve um grande eco", vincou.
João Paulo II escreveu no nº 95 desse documento: "constato a
aspiração ecuménica da maior parte das Comunidades cristãs e ouço a
solicitação que me é dirigida para encontrar uma forma de exercício
do primado que, sem renunciar de modo algum ao que é essencial da sua
missão, se abra a uma situação nova".
O subsecretário do Conselho Pontifício, Eleuterio Fortino, apresentou
aos jornalistas um balanço do diálogo que a Igreja Católica está a
ter com as outras Igrejas cristãs, destacando os avançosna relação
com as Igrejas Ortodoxas. "Nos últimos três anos, algumas Igrejas
ortodoxas que estavam renitentes em aceitar a Igreja Católica
iniciaram novas relações", sustentou.

Octávio Carmo


12 - Cristãos da Terra Santa sentem-se abandonados
Denuncia o vigário da Custódia franciscana

Fonte: Zenit 09/11/2004

JERUSALÉM, terça-feira, 9 de novembro de 2004 (ZENIT.org -Veritas ).-
Os cristãos da Terra Santa necessitam do calor e da presença dos
peregrinos para não se sentirem abandonados do restante do mundo,
constata o vigário da Custódia da Terra Santa, o padre Artemio
Vítores.

Em uma entrevista a um grupo de meios de comunicação católicos
espanhóis sobre a situação no Oriente Médio, o sacerdote confessou o
desalento provocado pelos últimos quatro anos de Intifada entre os
cristãos em geral e os católicos em particular.

«Era triste ver "Casa Nova", nossa casa de peregrinos, com duas
pessoas, ou ir ao Santo Sepulcro e não ver ninguém», recorda.

«E isso criou inclusive situações de crise entre os frades, não pelo
aspecto econômico, mas sobretudo porque te leva a perguntar: "que
faço aqui?". Eu perguntava a um frade em Tabga, ao lado do Lago de
Tiberíades: "Quantos peregrinos vieram hoje? "Dois". Se é estudioso e
gosta de ler, passa, mas se não gosta, entra em crise e
questiona: "Mas o que faço aqui? Guardião de pedras? Muito
interessantes, mas sempre pedras».

«Logo houve um movimento (e nisso creio que há que reconhecer o papel
das Conferências Episcopais, que se estão movendo um pouco, a
italiana, sobretudo, mas também a espanhola), que eu defino como "vir
visitar um enfermo", acrescenta o frade franciscano.

«Sabemos que um enfermo não se cura com uma visita, mas ao menos lhe
é dado esse sentimento de solidariedade, de apoio, e creio que isso é
muito importante, à parte do aspecto econômico, que dá a
possibilidade de dar trabalho a tanta gente, mas se trata, sobretudo,
de solidariedade, que os cristãos daqui vejam que os cristãos do
mundo pensam neles», explica.

«No mundo cristão», afirmou, «sobretudo nas nações, como Espanha,
Itália ou França, o tema do cristianismo não "ressoa". Os cristãos
daqui se perguntam: "bom, essas nações não são cristãs? Não lhes
importa nada o cristianismo da Terra Santa, o que significa para o
mundo cristão a Terra Santa?"».


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