BOLETIM ORIENTE CRISTÃO
NOTÍCIAS SOBRE AS IGREJAS ORIENTAIS
Nº 2 - 03 de novembro de 2004

MENSAGEM

Prezados Irmãos em Cristo,

A partir deste número o nosso Boletim passa a se chamar ORIENTE
CRISTÃO.

Que Deus nos ajude a divulgar notícias sobre o Oriente Cristão a um
número cada vez maior de pessoas e que estas notícias despertem um
interesse cada vez maior pela tradição das Igrejas Orientais.

Saudações Fraternais

Luis Felipe


ÍNDICE

1- Estudantes cristãos de Mosul voltam às aulas, depois de uma semana
de greve

2 - "Agradecemos ao Santo Padre por suas palavras de conforto, que
reforçam a nossa esperança"

3 - A SÓLIDA FÉ DE UM POVO
Aksum: O reino cristão da Etiópia

4- Papa advoga pelo diálogo para superar as divisões no Chipre
Ao receber o presidente Tassos Papadopoulos

5 - «Barco-capela» no Volga recorda o fundador de «Ajuda à Igreja que
Sofre» - Será chamado «Werefried», pelo padre Van Straaten (1913-2003)

6 - Bispos eritreus e etíopes: "Ainda acreditamos nos políticos"

7 - Arcebispo ortodoxo grego sai em defesa de Buttiglione

8 - O diálogo como caminho para superar as divisões no Chipre

9 - Os cristãos no Iraque

10 - SANTOS DA IGREJA ETÍOPE E DA IGREJA ORTODOXA RUSSA


NOTÍCIAS

1- Estudantes cristãos de Mosul voltam às aulas, depois de uma semana
de greve

Fonte: Radio Vaticano 27/10/2004

Bagdá, 27 out (RV)- Depois de uma semana de greve contra as ameaças e
as violências dos extremistas islâmicos, os estudantes cristãos da
Universidade de Mosul voltaram às aulas.
Os estudantes não querem perder o ano escolar por culpa de quem quer
que se submetam à violência, afirma Pe. Nizar Semaan. Segundo ele, as
mais ameaçadas são as jovens cristãs, que decidiram adotar uma medida
extrema para não perder as lições. Elas vão carregar na bolsa sempre
um véu, para ser usado somente em caso de perigo.
Para Pe. Nizar, trata-se de um massacre cultural e psicológico. "Não
se mata somente com as bombas. Não se mata somente fisicamente, mas
também moralmente, obrigando as pessoas a adotar comportamentos que
não aprovam."
Os responsáveis pela comunidade cristã de Mosul promoveram encontros
com os chefes dos vilarejos árabe-muçulmanos e curdos da região, para
tentar encontrar uma linha comum contra os agressores.
Certamente, a violência não é uma ameaça somente para os cristãos. Os
muçulmanos também são vítimas de exploração e crimes. (BF)


2 - "Agradecemos ao Santo Padre por suas palavras de conforto, que
reforçam a nossa esperança"

Fonte: Agência Fides 28/10/2004


Bagdá (Agência Fides)- "Os cristãos iraquianos agradeceram ao Santo
Padre por suas palavras de encorajamento, que reforçam a fé e a
esperança de populações tão duramente provadas", afirma à Agência
Fides pe. Nizar Semaan, sacerdote de Mosul, descrevendo as reações
dos cristãos iraquianos após as palavras pronunciadas por João Paulo
II no final da Audiência Geral de quarta-feira, 27 de outubro.
"A nossa história de cristãos no Iraque é uma história de esperança",
continua pe. Nizar. "Estamos convencidos de que conseguiremos sair
dos tempos de trevas que estamos vivendo. Um exemplo? Os cristãos que
fogem não o fazem de modo definitivo: não vendem casas e atividades.
Vão para o exterior quando as ameaças se tornam insuportáveis, mas
com o desejo de voltar a viver no Iraque. A ação da Igreja é
direcionada ao diálogo e à convivência. Acreditamos nisso e temos
esperança no retorno da paz".
O Papa se dirigiu à população iraquiana com essas
palavras: "Acompanho todos os dias na oração a querida população
iraquiana, intencionada a reconstruir as Instituições do próprio
país. Ao mesmo tempo, encorajo os cristãos a continuarem com
generosidade a oferecer a própria fundamental contribuição pela
reconciliação dos corações". O Santo Padre também recordou a
dramática situação dos reféns no Iraque: "Expresso, por fim, afetuosa
solidariedade à dor das famílias das vítimas e aos sofrimentos dos
reféns e de todos os inocentes atingidos pela cega barbárie do
terrorismo". (L.M.)


3 - A SÓLIDA FÉ DE UM POVO
Aksum: O reino cristão da Etiópia

Fonte: National Geographic

Os cristãos da Etiópia ainda afluem às intricadas igrejas em pedra
nas montanhas onde sua fé nasceu.
Acredita-se que a Arca foi deixada antes no remoto mosteiro de Tana
Kirkos. Hoje abrigando cerca de 40 monges cristãos, o mosteiro ergue-
se na extremidade de uma longa península pedregosa na costa leste do
Tana, o maior lago etíope, cujas águas vão engrossar o Nilo Azul.
Chego ao local com meu guia, Worku Sharew, após uma viagem de barco
que durou 2 horas e meia. Subimos com dificuldade uma trilha íngreme
entalhada na encosta escarpada da península e somos recebidos por um
monge descalço e de chapéu roxo, portando um longo cajado de oração
feito de madeira. Com um sorriso desdentado, ele nos conduz a um
banco baixo de pedra onde esperamos a chegada do abba (pai) Baye, o
guardião das tradições de Tana Kirkos.
Envolto numa túnica marrom de algodão grosseiro, o abba Baye aproxima-
se lentamente, apoiado em seu cajado de oração e empunhando uma
grande cruz de bronze. Ele nos abençoa com a cruz, convidando-nos a
encostar a testa no metal frio e então senta-se ao nosso lado para
contar a versão de Tana Kirkos para a história de Menelik e a Arca da
Aliança.
Quando se fez homem, Menelik foi a Jerusalém conhecer seu pai, o rei
Salomão, e ali permaneceu durante três anos. Quando decidiu retornar,
Salomão ordenou aos primogênitos de seus nobres que o acompanhassem e
mandou a Arca da Aliança para protegê-los. Para guardá-la em
segurança, Menelik levou a Arca para Tana Kirkos, onde ela ficou até
o rei Ezana mandar buscá-la. Conta-se que hoje a Arca está escondida
em uma pequena capela em Aksum. É guardada por um só homem, o monge
conhecido como abba Mekonen.
Com a dignidade de atang, "guardião da Arca", o abba Mekonen é um
homem macilento, de olhar brando e sorriso tímido. Pergunto se ele
estava contente de ser o atang. Afinal, é mais do que uma grande
honra. É simplesmente o posto mais solene da Igreja Ortodoxa Etíope.
"De maneira nenhuma. Esta não é uma função que traz felicidade fácil.
É um fardo pesado", responde. Com 69 anos, o abba Mekonen carrega
esse fardo há três anos, e continuará a carregá-lo até a morte. Ele
nunca deixa o recinto da capela e é a unica pessoa autorizada a
contemplar a Arca.

Veja interessantes fotos, links e bibliografia na página:

http://nationalgeographic.abril.uol.com.br/reportagens/0107_aksum.html


4- Papa advoga pelo diálogo para superar as divisões no Chipre
Ao receber o presidente Tassos Papadopoulos

Fonte: Zenit 31/10/2004

CIDADE DO VATICANO, domingo, 31 de outubro de 2004 (ZENIT.org).- João
Paulo II alentou o diálogo como caminho para superar a divisão do
Chipre ao encontrar-se esse sábado com o presidente da República do
Chipre, Tassos Papadopoulos.

Aludindo à difícil situação da ilha, dividida em duas entidades, uma
grega no sul e outra controlada pelos turcos, no norte, o Papa
alentou o representante do país «em vossos esforços por promover o
diálogo e a tolerância entre os diferentes grupos étnicos e
religiosos de vosso país».

«Só com o compromisso a favor do entendimento e do mútuo respeito
podem superar-se as antigas tensões e alcançar-se a unidade baseada
nos princípios da solidariedade e da justiça», acrescentou falando em
inglês.

O Papa, que reconheceu que o Chipre «sempre foi fiel à mensagem
cristã», assegurou ao rezar para que «o Deus onipotente» derrame
sobre a ilha «os dons da paz e da harmonia».

A República do Chipre, de maioria grega, passou a formar parte no mês
de maio passado da União Européia. Papadoupoulos, que é chefe de
Estado e de governo ao mesmo tempo, desempenha este cargo desde 1º de
março de 2003.

A República Turca do Chipre do Norte, sob o controle de cerca de
60.000 militares turcos, encontra-se ocupada pelas forças turcas
desde 1974 e só conta com o reconhecimento internacional da Turquia.

Em abril de 2003 fracassou o intento das Nações Unidas de reunificar
a ilha em uma confederação, mas pela primeira vez desde aquele
momento aos cidadãos das duas entidades se lhes permitiu atravessar a
linha verde que divide a ilha...

Após a secessão de 1975, mais de 180.000 gregos se transladaram ao
sul e cerca de 50.000 turcos ao norte.

Os habitantes da parte grega são hoje cerca de 700.000, enquanto que
a entidade turca tem cerca de 200.000.

A República do Chipre é em sua maioria ortodoxa (95%). Segundo
informa «Rádio Vaticano», os católicos são em torno de 1,5% da
população.


5 - «Barco-capela» no Volga recorda o fundador de «Ajuda à Igreja que
Sofre» - Será chamado «Werefried», pelo padre Van Straaten (1913-2003)

Fonte: Zenit 31/10/2004

KONIGSTEIN, domingo, 31 de outubro de 2004 (ZENIT.org ).- Este
domingo, o metropolita ortodoxo Germán Timofeev de Volgogrado (antiga
Stalingrado) e Kamishinskii abençoou um novo barco-capela do rio
Volga (Rússia).

Esta «igreja flutuante» foi consagrada ao santo governante Vladimiro,
que converteu a Rússia ao Cristianismo.

O barco se chama «Werefried» em honra ao padre Werefried Van Straaten
(1913-2003), que fundou em 1947 a associação católica
internacional «Ajuda à Igreja que Sofre» (AIS).

Após a queda do comunismo, AIS estabeleceu laços coma Igreja russo-
ortodoxa mediante ajudas a vários projetos conjuntos, entre eles o
dos barcos-capela da eparquia de Volgogrado.

Os dois primeiros foram «St. Innokentij», consagrado em 1998, e «St.
Nikolaj», em 2000. A nova igreja flutuante visitará os assentamentos
situados nas margens do Volga nos quais não há igrejas nem esteja
previsto construí-las em um futuro próximo, explica um comunicado da
obra de Direito Pontifício.

A origem de AIS, surgida pouco depois do final da Segunda Guerra
Mundial, foi destinar fundos e alimentos na Holanda e na Bélgica para
os desabrigados alemães e pregar a favor da reconciliação com os que
haviam sido inimigos durante a guerra.

Desde princípios dos anos 50, AIS se esforçou para ajudar a Igreja
perseguida na Europa comunista. Em 1962, a pedido de João XXIII, a
Associação estendeu sua ajuda à América Latina e, mais tarde, à
África e à Ásia.

Além das iniciativas encaminhadas a paliar necessidades alimentares,
sanitárias e de desenvolvimento em geral, «Ajuda à Igreja que Sofre»
tem por objetivo principal apoiar o trabalho pastoral da Igreja
ameaçada destas regiões.

Após a queda do comunismo e por expresso desejo de João Paulo
II, «Ajuda à Igreja que Sofre» começou a estabelecer contato com a
Igreja ortodoxa russa para ajudar também esta Igreja gravemente
afetada pelo comunismo.

O objetivo principal de seus projetos ecumênicos é propiciar uma
aproximação entre ortodoxos e católicos, como prova de amor
desinteressado e caminho à reconciliação de ambas Igrejas irmãs.

Esta associação dependente da Santa Sé conta hoje com filiais em
dezessete países. Em sua sede internacional de Konigstein (Alemanha)
tramitam anualmente cerca de dez mil projetos apresentados por
sacerdotes, religiosos e bispos de mais de 130 países do mundo.


6 - Bispos eritreus e etíopes: "Ainda acreditamos nos políticos"

Fonte: Radio Vaticana 03/11/2004

Cidade do Vaticano, 1º nov (RV) - De 24 a 30 de outubro, realizou-se
no Vaticano, a assembléia anual dos bispos da Etiópia e Eritréia. Na
conclusão do encontro, os bispos endereçaram uma mensagem aos fiéis
católicos e aos homens e mulheres de boa vontade.

Na mensagem, os bispos expressam o desejo de que o conflito nos dois
países acabe imediatamente. "Ainda acreditamos na sabedoria dos
nossos líderes políticos", afirmam os bispos etíopes e eritreus.

Os prelados continuam: "É nosso dever espiritual recordar a todos que
a paz e a reconciliação são dons do Senhor _ dons que podem ser
alcançados somente através da oração e do total abandono à vontade de
Deus."

Além disso, recordam os problemas que afligem a Etiópia e Eritréia: a
seca, a fome e a chaga da AIDS, e pediram a rápida intervenção da
comunidade internacional, para a solução desses dramas.

Por fim, os bispos recordam a abertura do Ano da Eucaristia. Eles
destacam que os próximos 12 meses servirão para refletir sobre as
riquezas espirituais da Eucaristia, mistério de paz e reconciliação,
mistério de comunhão e solidariedade. (BF)


7 - Arcebispo ortodoxo grego sai em defesa de Buttiglione

Fonte: Agência EFE 31/10/2004

O arcebispo ortodoxo de Atenas e prelado da Grécia Christodulos
expressou neste domingo seu apoio a Rocco Buttiglione, que se viu
obrigado a retirar sua candidatura a comissário europeu de Justiça
depois de declarar que considera a homossexualidade um pecado.

O prelado defendeu hoje as posturas do político democrata-cristão
italiano em um sermão proferido durante um ofício religioso na igreja
de Pandeleimona de Iliso, em Atenas.

"Já que é um bom cristão (Buttiglione), quando lhe perguntaram sua
opinião sobre o casamento entre homossexuais, ele respondeu como todo
cristão: disse que ser homossexual é um pecado perante Deus e que não
é um delito penal", disse Christodulos.

O chefe da Igreja Ortodoxa grega representa 98% da população cristã
da Grécia e é conhecido por suas posturas polêmicas sobre o poder da
Igreja e do Estado, postura que o levou a vários conflitos abertos
com o anterior governo socialista.

Christodulos acrescentou que "pensem os senhores até onde chegou a
humanidade, que quando algo é um pecado declarado, a sociedade quer
cobri-lo e não falar sobre ele para que os que têm esse 'defeito' não
se sintam mal, e querem que os outros o aceitem".

Rocco Buttiglione tinha sido proposto pelo futuro presidente da
Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, para a pasta de
Justiça, Liberdade e Segurança, mas apresentou sua demissão no sábado
depois das críticas de vários grupos do Parlamento Europeu a suas
declarações sobre a homossexualidade, a família e as mães solteiras.


8 - O diálogo como caminho para superar as divisões no Chipre

Agência Ecclesia 02/11/2004

João Paulo II apresentou o diálogo como caminho para superar a
divisão do Chipre ao encontrar-se este sábado com o presidente desse
país, Tassos Papadopoulos.

Aludindo à difícil situação da ilha, dividida em dois, o Papa alentou
o representante do país "nos vossos esforços por promover o diálogo e
a tolerância entre os diferentes grupos étnicos e religiosos".

"Só com o compromisso a favor do entendimento e do mútuo respeito
podem superar-se as antigas tensões e alcançar-se a unidade baseada
nos princípios da solidariedade e da justiça", frisou João Paulo II.

O Papa lembrou que o Chipre "sempre foi fiel à mensagem cristã" e
assegurou rezar para que "o Deus omnipotente derrame sobre a Ilha os
dons da paz e da harmonia".

Chipre
A ilha de Chipre é, nitidamente, um caso especial dentro dos 10
países que aderiram à União em Maio passado, entrando na UE com uma
divisão entre a zona grega e a zona turca. A fronteira entre as duas,
a "linha verde" é a mais curiosa das fronteiras da UE, com mais de
mil soldados da ONU a vigiarem o local.

João Paulo II manifestou por diversas vezes o seu apoio à inclusão de
Chipre na UE e mostrou-se confiante de que este país
poderá "encontrar-se numa posição vantajosa para tornar a Europa mais
consciente de suas próprias raízes cristãs". O Papa nunca escondeu,
contudo, a sua tristeza pelo perpetuar da divisão da ilha de Chipre,
que o referendo falhado pela reunificação não conseguiu evitar.

A presença da Igreja (Católica) na ilha é diminuta, dado que 78% da
população pertence à Igreja Ortodoxa da Grécia e outros 18% são
muçulmanos. No total de 800 mil habitantes, apenas 13 mil são
católicos, o que representa uma percentagem de 1, 28%.

Por tudo isto, a presença da Igreja no país não tem um grande impacto
na sociedade e está mais limitada à celebração litúrgica, dentro das
comunidades católicas, de tradição maronita - a única das igrejas
católicas orientais, que não tem uma facção separada de Roma. Uma
arquieparquia (divisão eclesiástica correspondente à nossa
arquidiocese) e 13 paroquias espalham-se pelos 9 mil km2 da ilha,
contando apenas com 12 padres e 50 religiosos.


9 - Os cristãos no Iraque

Fonte: Revista Missões 01/11/2004

Também os cristãos que vivem no Iraque estão na mira dos ataques
constantes dos fundamentalistas islâmicos. Ataques de que resultam em
assassinatos, seqüestros e destruições.
No dia 16 de outubro a agência Fides publicou a lista de nomes,
lugares e data onde os cristãos foram vitimados.

"Chega a 88 os cristãos iraquianos assassinados desde abril de
2003. "A última vítima é uma criança de Bagdad, filha de um casal
cristão caldeu. Foi seqüestrada por um grupo terrorista que pediu
pagamento de resgate. Os pais não tinham com que pagar. No dia 14 de
outubro a menina foi assassinada a sangue frio e o cadáver foi
devolvido à família, abatida pela dor, num gesto de absoluto desprezo.

Padre Nizar Semaan, sacerdote siríaco da diocese de Mosul, comentando
os atentados perpetrados no dia 16 de outubro contra cinco igrejas
cristãs, diz: [...] "às 4.00 da manhã uma forte explosão atingiu a
igreja de São José na região oeste da cidade de Bagadad. Às 4.20 o
mesmo aconteceu com outra igreja dedicada também a São José, em Dora,
na região sul. Dez minutos depois uma bomba explodiu junto da igreja
de São Paulo. Os últimos dois atentados, às 4.50 foi contra a igreja
ortodoxa de Karrada no centro da cidade e contra a igreja de São
Tiago em Masur.

Os atentados contra as igrejas são um sinal claro de ameaça contra os
cristãos para que abandonem o Iraque. Essa é a convicção da igreja
caldea do Iraque. De fato, muitos cristãos continuam a deixar o
Iraque por medo, com destino, sobretudo, à Jordânia e à Síria.
Segundo números oficiais, os refugiados cristãos já chegam a 40 mil.
Mesmo nestas circunstâncias eles dizem que "não podem deixar sua
terra onde já têm uma presença milenar, anterior à chegada dos
mussulmanos. Os assírios caldeus são descendentes de assírios que
povoavam a Mesopotâmia há mais de 6.000 anos, cuja capital era Nínive.

Os cristãos iraquianos são obrigados a celebrar a missa nos
subterrâneos das igrejas. Vivem sob constante ameça de
morte. "Pedimos à comunidade internacional e às Igrejas que nos
ajudem".

"Na cidade de Mosul grupos sunitas wahhabitas ameaçaram sacerdotes,
frades dominicanos e toda a população cristã dando ordem de deixar a
cidade e todos os bens. Mas os poucos cristãos que querem vender seus
bens não conseguem encontrar compradores porque o Imã no sermão de
uma sexta feira disse: "não comprem nada dos infiéis porque eles
daqui a pouco vão deixar a cidade e ficaremos com os bens deles de
graça".

"Em Mosul a situação piora a cada dia. Penso que depois das eleições,
diz padre Ghany Ravid, sacerdote católico de Mosul, haverá um
melhoramento".

10 - SANTOS DA IGREJA ETÍOPE E DA IGREJA ORTODOXA RUSSA
R. Paiva, SJ

Fonte: Revista Eletronica Inaciana Setembro de 2004

Igrejas com sucessão apostólica, sacramentos e doutrinas válidos têm
suas listas canônicas de santos tão legítimas quanto as católicas
romanas. Extraímos estas notícias da revista JESUS, julho de 2004.

Um pequeno artigo de Frei Rufino Carrara (p. 7), recorda o martírio
de cristãos da Igreja copta etíope. Na invasão italiana, que queria
submeter o antigo império cristão africano, sob o comando do fascista
General Graziano, foram fuzilados em fevereiro de 1938 o Abuna
Petros, com três Bispos, 297 monges e 150 diáconos. Esquecidos na
Itália e no ocidente cristão, sua memória é via entre os cristãos da
Eritréia e Etiópia. Contudo, em 2002, o Professor Paolo Borruso, da
Faculdade de História da Universidade Católcia de Milão publicou por
Guerini e Associati seu livro L'Ultimo Império Cristiano - Política e
Religione nell'Etiopia contemporânea (1916-1974) reconstitui os
acontecimentos e chama as vítimas da barbárie colonizadora fascista
de Mártires cristãos por mão italiana.

Na mesma revista (p. 15), o Pe. Vladimir Zelinskij, teólogo da Igreja
Ortodoxa, recorda a proclamação, pelo Patriarca Ecumênico de
Constantinopla, Bartolomeu I, a pedido do Exarcado russo do
Patriarcado de Constantinopla, os primeiros santos ortodoxos que
viveram e morreram na Europa Ocidental. São cinco:

1. Padre Aleksij Medvedkov (1867-1934): emigrado da Rússia, pastoreou
uma pequna paróquia ortodoxa russa nas montanhas da Savóia, sul da
França. Homem bom, doce e humilde, como tantos outros. A graça que o
movia era invisível. Vinte e dois anos depois de sua morte,s eu corpo
foi encontrado intacto, sem sinais de corrupção. Como um sinal da
ressurreição da carne.

2. O Padre Dimitry Kepinin (1909-1944) teve uma vida mais agitada.
Foi um resistente, na França ocupada pela brutalidade nazista.
Arrumava falsos atestados de batismo para proteger os judeus. Traído
e preso, foi interrogado pela Gestapo: Como você, um sacerdote
ortodoxo russo pôde andar com estes judeus? Ele mostrou um pequeno
crucifixo, que levava sobre o peito como todo sacerdote russo
dizendo, com simplicidade: Vê este judeu? Submetido a torturas, fome,
doença, morreu prisioneiro.

3. Elia Fondaminsky (1880-1940), um leigo, intelectual, expulso da
pátria pela revolução comunista de 1917, um israelita no qual não
havia falsidade. Ainda não era batizado quando os nazistas,
conquistadores da França, o prenderam por ser judeu em Paris. Recebeu
o batismo poucas semanas antes de ser sacrificado num forno
crematório do famigerado campo de extermínio de Auschwitz.

4. Madre Maria (1891-1945) foi um sinal de contradição no mundo
ortodoxo russo. Seu nome leigoe ra Elisabete Jurievna Kus'mina-
Karavaeva. Antes de se tornar monja no exílio, em Paris (1932), foi
uma bela moça, à qual o grande poeta russo Alexandr Block dedicou
dois belos poemas. Ligada aos socialistas, teve de fugir com a
família dos comunistas triunfantes da guerra civil, escapando de ser
fuzilada. . Uma filha morreu, ela passou por dois divórcios até
chegar a Paris, Meca, então, dos refugiados russos. Poeta, pensadora,
mulher de mil vocações, fez-se monja, não só querendo a vida
contemplativa, mas a de serviço também, fundando a Ação Ortodoxa, com
a finalidade de ajudar os emigrados russos, entregues, muitas vezes,
a si mesmos e afundando-se na embriaguez e dependência química.
Dedicava-se a reunir comida para os que apssavem foem, encontrar
remédios e consolava os desesperados. Criticada, pois,
tradicionalmente, as monjas não se ocupavam de obras de misericórdia
deste modo, escreveu artigos defendendo sua opção, várias vezes
criticando as formas aceitas da vida monástica. Quando os nazistas
tomaram a França, começou a salvar pessoas perseguidas. Por isso foi
presa. No centro de torturas de Ravensbrück, cosnta que repetiu o
gesto de São Maximiliano Kolbe, oferecendo-se para ser morta em lugar
de uma outra mulher.

5. O filho de Madre Maria, Georghij Scobzov (1921-1944), preso e
morto como sua mãe pelos nazistas.

Dois Padres, uma monja e dois leigos! Que tudo seja para a maior
glória de Deus! Santos e Santas de Deus, intercedei por nós!

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