CATECISMO ORTODOXO
Parte III
Apêndice
1 - Novas correntes no pensamento
filosófico-teológico Russo
c - Sobre o
sistema religioso-filosófico de Vladimir S. Soloviev
O impulso para as novas correntes do pensamento
filosófico russo, foi dado, como foi dito, por Vladimir S. Soloviev, que
colocou como seu objectivo "justificar a fé nos Padres" diante da
razão de seus contemporâneos. Infelizmente, ele fez uma série completa de
desvios directos do modo de pensamento Cristão Ortodoxo, muitos desvios dos quais
foram aceitos e até mesmo desenvolvidos por seus sucessores
Aqui
está uma série de pontos da filosofia de Soloviev que são completamente
diferentes e que até mesmo se afastam do ensinamento da fé confessada pela
Igreja.
1 - O Cristianismo é apresentado por ele como o mais
alto grau de desenvolvimento das religiões. De acordo com Soloviev, todas as
religiões são verdadeiras, mas unilaterais; o Cristianismo sintetiza os
aspectos positivos das religiões precedentes. Ele escreve: "Assim como a
natureza exterior só é revelada gradualmente para a mente do homem e para o
género humano, como resultado disso nós devemos falar também de desenvolvimento
experimental ou ciência natural, assim também o princípio divino é revelado
gradualmente para a consciência do homem, e nós devemos falar da experiência
religiosa e do pensamento religioso. Desenvolvimento religioso é um processo
positivo e objectivo, uma real e mútua relação entre Deus e o homem - o processo religioso, pode em si mesmo ser uma mentira ou
um erro. "Falsa religião é em termos uma contradição".
2 - O ensinamento da salvação do mundo, na forma que
é dado pelos Apóstolos, é posto de lado. De acordo com Soloviev, Cristo veio á
terra não para "salvar a raça humana". Ao invés, ele veio para elevar
a raça humana a um grau mais alto na manifestação gradual do principio divino
do mundo - o processo de ascensão e deificação do
homem e do mundo. Cristo é a mais elevada ligação numa série de teofanias, e
ele coroa todas as teofanias prévias.
3 - A atenção da teologia de acordo com Soloviev é
dirigida para o lado ontológico da existência, isto é, para a vida de Deus em
si próprio, e por conta da falta de evidência para isso na Sagrada Escritura,
seus pensamentos dirigem-se para construções arbitrárias que são racionais ou
baseados na imaginação.
4 - Na vida Divina é introduzida uma essência que
fica na fronteira entre o Divino e o mundo criado: isso é chamado Sophia.
5 - Na vida divina é introduzida uma diferença entre
os princípios masculino e feminino. Em Soloviev esse ponto ainda é fraco. O
Padre Paul Florensky, seguindo Soloviev, apresenta Sofia assim: "Esse é um
grande Ser Real e Feminino que, não sendo nem Deus nem o eterno Filho de Deus,
nem um anjo, nem um homem santo, recebeu veneração tanto do Culminador
do Velho Testamento e do Fundador do Novo" (The Pillar
anda Fundation of Truthi).
6 - Na vida Divina é introduzido um princípio
elementar de luta, que compele Deus o próprio Logos a
participar em um progresso definido e subordina Deus a esse processo, que é conduzir
o mundo para fora da condição de materialismo puro e inércia para uma forma
mais elevada e mais perfeita de existência.
7 - Deus, como o Absoluto, como Deus o Pai, é
apresentado como distante e inacessível para o mundo e para o homem. Ele vai
embora do mundo, em contradição com a palavra de Deus, para uma esfera de
existência inatingível que, como existência relativa, como o mundo dos
fenómenos. Por isso, de acordo com Soloviev, é necessário um Intermediário
entre o Absoluto e o mundo. É chamado "logos" que foi encarnado em
Cristo.
8 - De acordo com Soloviev, o primeiro Adão uniu em
si a natureza humana, em um modo similar á relação mutua do Deus - homem no Verbo encarnado; no entanto, ele violou essa
relação mútua. Se isso é assim, então deificação do homem, não é só uma graça?
Deus-homem, é uma restauração das duas naturezas. Mas
isso não está de acordo com o ensinamento da Igreja -
um ensinamento que entende a deificação só como um recebimento de graça. São
João Damasceno escreve: "Não houve e nunca haverá outro homem composto
de Divindade e humanidade", fora Jesus Cristo.
9 - Soloviev escreve: "Deus é o Criador Todo
Poderoso e o «Pantocrator», mas não o condutor da terra e da criação que dela
procede: "A Divindade... é incomensurável com as criaturas terrestres e
pode ter uma relação prática e moral (autoridade, domínio, governança) somente
através da mediação do homem, que como um ser tanto divino quanto terrestre é
comensurável tanto com a Divindade quanto com a natureza material. Assim, o
homem é o sujeito indispensável no verdadeiro domínio de Deus" (The Hystory and Future
of Theocracy). Essa
afirmação é inaceitável do ponto de vista da glória e poder de Deus e, como tem
sido dito, ela contradiz a Palavra de Deus. De facto, ela não corresponde se
quer a simples observação. O homem sujeita a natureza a si não em nome de Deus,
como um intermediário entre Deus e o mundo, mas para seus próprios propósitos e
necessidades egoístas.
Os poucos pontos mencionados aqui de divergência
entre as visões de Soloviev e o ensinamento da Igreja indica a inaceitabilidade
do sistema religioso de Soloviev como um todo para a consciência Ortodoxa.
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)