CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

13 - Crisma (Confirmação)

b - Os meios originais de execução desse Mistério

Esses dons do Espírito Santo originalmente eram dados na Igreja primitiva pela imposição de mãos.

A respeito disso, nós lemos no livro dos Actos (8, 16-17), onde é relatado que os Apóstolos que estavam em Jerusalém, tendo escutado que os Samaritanos haviam recebido a palavra de Deus, enviaram para eles Pedro e João, que vieram e oraram por eles para que pudessem receber o Espírito Santo: “Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram baptizados em nome do Senhor Jesus. Então lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo”. Por esses relatos no livro dos Actos 19, 2-6 a respeito do Apóstolo Paulo, que quando Paulo encontrou discípulos em Éfeso que tinham sido baptizados, só com o Baptismo de João “e ouvindo isso foram baptizados em nome do Senhor Jesus; e impondo-lhe Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo”. Por esses relatos no livro dos Actos nós vemos que em certos casos as acções dadoras de graça dos Mistérios do Baptismo e do seu selo, a imposição de mãos, eram expressas pelas manifestações visíveis e imediatas na iluminação do Espírito Santo, juntadas ao júbilo espiritual do novo convertido, que tinha se juntado à santa comunidade, e que tinha começado para ele uma nova vida dadora de graça.

De que maneira essa imposição de mãos dadora de graça tornou-se a unção com óleo doadora de graça? A respeito disso, nós podemos fazer duas suposições: Ou os Apóstolos, dando o Espírito Santo para os que acreditavam através da imposição de mãos, inseparavelmente usaram também um sinal diferente, ungindo, a respeito do que no entanto, o livro dos Actos é silente; ou, o que é mais provável, eles mesmos mudaram o sinal visível do Mistério (a imposição de mãos), talvez no começo, em casos onde eles próprios estavam ausentes, substituindo-os por outro acto sagrado visível (a unção dos recém-baptizados com o Miron que havia sido recebido das mãos dos Apóstolos). Mas seja como tenha sido, a unção indubitavelmente vem dos Apóstolos, e por eles tem a sua base nas instruções do Divino Professor deles. O Apóstolo Paulo escreve: “Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus, o Qual também nos selou, e deu o penhor do Espírito em nossos corações” (1 Cor. 2, 21-22). As próprias palavras que são ditas durante o Mistério “o selo do dom do Espírito Santo”, são intimamente ligadas com essas expressões do Apóstolo. Ele escreve: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia de redenção” (Ef. 4, 30). O “dia da Redenção” na Sagrada Escritura indica o Baptismo.

Da mesma forma, na Epístola do Apóstolo João nós lemos: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo... E a unção que vos recebestes dele, fica em vós e não tendes necessidade que alguém vos ensine; mas como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1 Jo. 2, 20-27). Nas palavras citadas dos Apóstolos Paulo e João o termo “unção” indica a comunicação aos fiéis de um dom espiritual. Mas é evidente que o termo “unção” podia ser usado no seu significado espiritual precisamente porque os Cristãos tinham diante dos seus olhos uma unção material.

Os Santos Padres da Igreja colocam a própria palavra “Cristão” numa forte ligação com “Crisma”. «Chrisma» e «Christos» em grego significam “unção” e “O Ungido”. “Tendo se tornado participantes de Cristo”, diz São Cirilo de Jerusalém, “nós somos merecidamente chamados de “Cristãos,” isto é, “ungidos” e a respeito de nós Deus disse: “Não toqueis nos meus ungidos...” (Sal. 105, 15).

No relato do oitavo capítulo do livro dos Actos dos Apóstolos nós aprendemos: a - que após a pregação do Diácono, Apóstolo Felipe, na Samaria, muitas pessoas, homens e mulheres foram baptizados; e b - que os Apóstolos que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que os Samaritanos tinham recebido a palavra de Deus, enviaram aos Samaritanos Pedro e João especificadamente para impor as suas mãos sobre os baptizados para que eles pudessem receber o Espírito Santo (Act. 8, 12-17). Isso permite-nos concluir que à parte do profundamente místico lado do baixar os dons do Espírito Santo, essa imposição de mãos (e o Crisma que veio a ter lugar depois) era ao mesmo tempo uma confirmação da correcção do Baptismo e o selo da união das pessoas baptizadas com a Igreja. Em vista dos fatos que 1 - o Baptismo com água era feito muito antes como um baptismo de arrependimento, e 2 - muito à parte disso, naquele tempo, assim como através de todo o curso da história da Igreja, existiram baptismos heréticos, esse segundo Mistério era realizado pelos próprios Apóstolos e os seus sucessores os Bispos, como supervisores dos membros da Igreja, ainda que a realização da Eucaristia também tenha sempre sido dada aos Presbíteros.

Com o extraordinário espalhamento da Santa Fé, quando as pessoas começaram a voltar-se para Cristo no mundo todo, os Apóstolos e os seus sucessores imediatos, os Bispos, não poderiam estar pessoalmente em todos os lugares imediatamente após o Baptismo, para trazer o Espírito Santo sobre todos os baptizados pela imposição das mãos. Pode ter sido que por isso que “agradou ao Espírito Santo” que habitava nos Apóstolos substituir a imposição de mãos pelo acto de Crisma, com a regra que a santificação do Crisma deveria ser realizada pelos Apóstolos e Bispos somente, enquanto a unção dos baptizados com o Crisma santificado poderia ser deixado para os Presbíteros. O Crisma (Miron) e não outro tipo de material foi escolhido nesse caso porque no Velho Testamento a unção com Miron era feita com Miron (azeite) para fazer baixar nas pessoas dons espirituais especiais (ver 1 Samuel 16, 13; 1 Reis 1, 39). Tertuliano escreve, “depois de vir da fonte nós somos ungidos com óleo santo, de acordo com o antigo rito, como desde há muito era o costume os Presbíteros ungirem com óleo de um chifre”. O sexto Cánon do Concílio de Cartago só proíbe os Presbíteros de santificar o Crisma.

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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