CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

19 – A Oração Como Expressão da Vida na Igreja

b - Orações Para os Mortos

"Orai uns pelos outros" (Tig. 5, 16)

"Se vivemos ou morremos, somos do Senhor" (Rom. 14, 8)

"O amor nunca falha" (1 Cor. 13, 8)

"E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho" (Jo. 14, 13)

Em Deus todos nós estamos vivos. A vida da Igreja é penetrada por uma consciência e um sentimento vivos de que nossos mortos continuam a viver depois da morte, só de maneira diferente do que na terra, e eles não são privados de uma proximidade espiritual com aqueles que permanecem na terra.

Por isso, a ligação da oração com eles de parte da Igreja peregrina (na terra) não cessa: "... Nem a morte, nem a vida,... nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rom. 3, 38). Os que partiram precisam somente de um tipo de ajuda por parte de seus irmãos: oração e petição pela remissão de seus pecados.

Na "Igreja" do Velho Testamento também existiu o costume de se orar pelos mortos. A respeito disso existe testemunho na história sagrada. Assim, nos dias do pio líder dos judeus, Judas Macabeu, quando depois de uma inspecção daqueles que tinham caído no campo de batalha foram encontradas em suas vestes material de saque de presentes oferecidos aos ídolos, todos os judeus "abençoaram os caminhos do Senhor, o justo Juiz, que revela as coisas que estão ocultas; e eles puseram a orar, suplicando que o pecado que havia sido cometido fosse totalmente apagado". E Judas Macabeu foi ele próprio para Jerusalém para "providenciar uma oferenda pelos pecados. E fazendo isso ele agiu muito bem e honradamente, levando em conta a ressurreição" (2 Macabeus 12, 39-46).

Que a remissão de pecados para aqueles que pecaram não para a morte pode ser dada tanto na vida presente quanto na vida depois da morte pode ser concluída naturalmente das palavras do Senhor: "E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado, mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro" (Mt. 12, 32). Similarmente da palavra de Deus nós sabemos que o Senhor Jesus tem "as chaves da morte e do inferno" (Act. 1, 18); consequentemente, ele tem poder para abrir as portas do Inferno pelas orações da Igreja e pelo poder do propiciatório Sacrifício sem Sangue que é oferecido pelos mortos.

Na Igreja Cristã todas as antigas liturgias, tanto do Oriente quanto do Ocidente, testemunham a lembrança da Igreja em orações dos mortos. Tais liturgias são conhecidas sob os nomes do Santo Apóstolo Tiago, o irmão do Senhor, São Basílio, o Grande, São João Crisóstomo e São Gregório, o Dialoguista. Referências similares são encontradas nas liturgias romana, espanhola e galesa, e finalmente nas antigas liturgias dos grupos que se separaram da Ortodoxia: os Jacobitas, Coptas, Arménios, Etíopes, Sírios e outros. Para todas essas liturgias não há uma única onde não se encontre oração para os mortos. O testemunho dos Professores e Pais da Igreja fala a mesma coisa.

A respeito do bom efeito da comunhão em nome do Senhor Jesus Cristo entre aqueles vivendo na terra e os mortos, São Efrém o Sírio, por exemplo, raciocina assim: "para os mortos, a lembrança feita pelos santos durante sua vida é benéfica. Nós vemos um exemplo disso em numerosas obras de Deus. Por exemplo, num vinhedo há o amadurecimento das uvas no campo, e o vinho já amassado nos barris; quando as uvas amadurecem no vinhedo, então o vinho que estava imóvel na casa começa a espumar e se agitar, como se desejasse escapar. A mesma coisa acontece, parece, com outra planta, a cebola; pois assim que a cebola foi semeada no campo começa a amadurecer, a cebola que está na casa também começa a dar brotos. E assim, se até mesmo coisas que crescem entre si tal sentimento de companheirismo, as petições em oração, não serão muito mais sentidas pelos mortos? E quando sensivelmente concordar que isso ocorre de acordo com a natureza das criaturas, imagine então que tu és a primeira das criaturas de Deus?"

Orando pelos mortos, a Igreja intercede por eles assim como pelos vivos, não em seu próprio nome, mas no nome do Senhor Jesus Cristo (Jo. 14, 13-14), e pelo poder de seu Sacrifício na Cruz, que foi oferecido pela libertação de todos, essas orações ferventes ajudam às sementes da nova vida que os nossos que partiram levaram com eles - se essas sementes não foram capazes de germinar suficientemente aqui na terra - a gradualmente abrirem-se e se desenvolverem sob a influência das orações e com a misericórdia de Deus, assim como uma boa semente é desenvolvida na terra sob os vivificantes raios de sol, com clima favorável. Mas nada pode reviver sementes estéreis que perderam o real princípio da vida vegetal. Similarmente, impotentes serão as orações pelos mortos que morreram em impiedade e sem arrependimento, que extinguiram em si o Espírito de Cristo (1 Tess. 5, 19). É precisamente a respeito de tais pecadores que se deve lembrar das palavras do Salvador na parábola do homem rico e Lázaro; que não há libertação para eles das partes mais profundas do inferno, e não há transferência para eles para dar o seio de Abraão (Lc. 16, 26). E de facto, tais pessoas usualmente não deixam atrás de si na terra pessoas que possam orar sinceramente por elas a Deus; da mesma forma, elas não adquiriram para si amigos no céu entre os santos, quando eles falham (isso é, morrem) possam recebe-los nas moradas perenes - isso é, que possam orar por eles (Lc. 16, 9).

Com certeza, na terra não é sabido para que lote cada um foi sujeito depois de sua morte. Mas a oração de amor nunca pode ser inútil. Se nossos mortos que são caros para nós foram para o Reino dos Céus, eles respondem às orações com uma oração de resposta para nós. E se nossas orações forem impotentes para ajuda-los, de qualquer maneira elas não serão nocivas para nós, de acordo com a palavra do Salmista: "Minha oração retornará ao meu seio", e de acordo com as palavras do Salvador: "Retorne para vós a vossa paz" (Mt. 10, 13). Mas elas são de facto proveitosas para nós. São João Damasceno ressalta: "Se alguém desejar ungir um doente com mirra ou outro óleo sagrado, primeiro ele se torna um participante da unção ele próprio e então ele próprio recebe benefício, e então oferece ao vizinho; pois Deus não é injusto, para esquecer as obras de acordo com a palavra do Divino Apóstolo".

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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