CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

14 – Eucaristia (Missa; Fracção do Pão; Santa Ceia)

c - O estabelecimento do Mistério e sua execução nos tempos apostólicos

Visto que a pré-indicação do Salvador a respeito do futuro estabelecimento do Mistério da Eucaristia foi dada no Evangelho de João, o real estabelecimento do Mistério é mostrado em três Evangelistas, Mateus, Marcos e Lucas, e então repetido pelo Apóstolo Paulo.

No Evangelho de São Mateus, no capítulo 26, é dito: “...e quando comiam, Jesus tomou o pão e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos e disse: Tomai, comei isto é o meu Corpo; e tomando o cálice, e dando graças, deu-lhe dizendo: Bebei dele todos, porque este é o meu Sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados” (Mt. 26, 26-28). A mesma coisa é dita no Evangelho de Marcos no capítulo catorze.

No Evangelho de Lucas, o capítulo 22, nós lemos: “E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lhe, dizendo: Isto é o meu Corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim. Semelhantemente tomou o cálice, depois da ceia dizendo: este cálice é o Novo Testamento, no meu Sangue que é derramado por vós” (Lc. 22, 19-20).

A mesma coisa que o Evangelista Lucas diz nós lemos na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, capítulo 11, somente com as palavras prefacias: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei, que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão, e tendo dado graças, o partiu e disse...” (1 Cor. 11, 23-24).

As palavras do Salvador na Mística Ceia: “Esse é meu Corpo, que é partido por vós; esse é meu Sangue do Novo Testamento derramado por vós para a remissão dos pecados”, são completamente claras e definidas, e não permitem nenhuma outra interpretação que não seja a mais directa, nomeadamente que foram dados aos discípulos o verdadeiro Corpo e o verdadeiro Sangue de Cristo. E isso está em completa concordância com a promessa feita pelo Salvador no capítulo sexto do Evangelho de São João a respeito do seu Corpo e do seu Sangue.

Tendo dado comunhão aos discípulos, o Senhor comandou: “Fazei isso em memória de Mim”. Esse sacrifício deve ser realizado “até que ele venha” (1 Cor. 11, 25-26), como o Apóstolo Paulo instrui, isto é, até a segunda vinda do Senhor. Isso recorre também das palavras do Senhor Salvador: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e beberes o seu Sangue, não tereis vida em vós. E de facto, a Eucaristia foi recebida na Igreja desde os primeiros dias como o maior dos Mistérios; a instituição dela é preservada com o maior cuidado e reverência; e é realizada e será realizada até o final do mundo.

A respeito da execução da Eucaristia nos tempos Apostólicos na Igreja de Cristo, podemos ler nos Actos dos Apóstolos (2, 42-46; 20, 6-7), e no Apóstolo Paulo no 10º e 11º capítulos da Primeira Epístola aos Coríntios. O Apóstolo Paulo escreve: “Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do Sangue de Cristo? O pão que partimos não é por ventura a comunhão do Corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo pão” (1 Cor. 10, 16-17). E de novo: “Porque todas as vezes que comerdes esse pão e beberdes esse cálice anunciais a morte do Senhor até que venha. Portanto, qualquer que comer esse pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o Corpo do Senhor. Por causa disto, há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem” (1 Cor. 11, 26-30). Nas palavras citadas o Apóstolo nos instrui com que reverência e auto-análise preparatória um Cristão deve se aproximar da Eucaristia, e ele deixa claro que isso não é simples comida e bebida, mas a recepção do verdadeiro Corpo e do verdadeiro Sangue de Cristo.

Estando unidos com Cristo na Eucaristia, os fiéis que recebem a Comunhão estão unidos também uns com os outros: “Porque nós, sendo muitos somos um só pão e um só corpo: porque todos participamos do mesmo Pão”.

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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