CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

20 - Escatologia Cristã

b - O destino do homem após a morte

Morte é o destino comum dos homens. Mas para o homem não é um aniquilamento, mas só a separação da alma e do corpo. A verdade da imortalidade da alma humana é uma das verdades fundamentais do cristianismo. "Ora Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos" (Mt. 22, 32; Lc. 20, 38). Na Sagrada Escritura, no Novo Testamento a morte é chamada de libertação da alma da prisão (2 Cor. 5, 1-4); dispensa do corpo ("sabendo que brevemente hei-de deixar este meu tabernáculo"  - 2 Ped. 1, 14); uma dissolução ("tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor"Filip. 1, 23); uma partida ("e o tempo de minha partida está próximo" - 2 Tim. 4, 6); um sono (David "dormiu"  - Act. 13, 36).

O estado da alma depois da morte, de acordo com o claro testemunho da Palavra de Deus não é inconsciente mas consciente (por exemplo, de acordo com a parábola do homem rico e Lázaro, (Lc. 16, 19-31). Depois da morte o homem também é submetido a um julgamento que é chamado de "particular" para distingui-lo do juízo final geral. É fácil na visão do Senhor recompensar um homem "no dia da morte de acordo com sua conduta" diz o sábio filho de Sirach (11, 26). O mesmo pensamento é expresso pelo Apóstolo Paulo: "E como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Heb. 9, 27). O Apóstolo apresenta o julgamento como algo que se segue imediatamente após a morte do homem, e evidentemente ele entende isso não como o julgamento geral mas como um julgamento particular, como os Santos Padres da Igreja interpretaram essa passagem "... hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc. 23, 43), o Senhor proclamou para o ladrão arrependido.

Na Sagrada Escritura não nos é dado conhecer como o julgamento particular ocorre depois da morte de um homem. Nós podemos julgar isso só em parte por expressões separadas que são encontradas na Palavra de Deus. Assim, é natural pensar que no julgamento particular também uma grande parte no destino de um homem depois da morte é tomada tanto por bons quanto por maus anjos: os primeiros são implemento da misericórdia de Deus, e os últimos - por permissão de Deus - são implementos da justiça de Deus. Na parábola do homem rico e Lázaro, é dito que "Lázaro foi levado pelos anjos para o seio de Abraão" (Lc. 16, 22). Na parábola do rico homem louco é dito a ele: "Louco, esta noite pedir-te-ão a tua alma" (Literal: "eles tomarão"  - Lc. 12, 20); evidentemente são poderes malignos que "tomarão a alma" (São João Crisóstomo)! Pois, de um lado, os anjos desses "pequeninos", nas Palavras do Senhor, contemplam sempre a face do Pai Celeste (Mt. 18, 10), e no final do mundo o Senhor enviará os Seus anjos, que "separarão os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo" (Mt. 13, 49-50); e de outro lado, "porque o diabo vosso adversário, anda em redor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (1 Ped. 5, 8); e o ar, assim como era, é preenchido com os espíritos malignos sob os céus, e seu príncipe é chamado de "príncipe das potestades do ar" (Ef. 2, 2).

Baseados nessas indicações da Sagrada Escritura, desde a antiguidade os Santos Padres da Igreja, desenharam o caminho da alma após sua separação do corpo como um caminho da alma após sua separação do corpo como um caminho através de tais espaços espirituais, onde os poderes das trevas procuram devorar aqueles que são fracos espiritualmente e onde por isso tem-se uma necessidade especial de ser defendido por anjos celestes e apoiado pelas orações de parte dos membros vivos da Igreja. Entre os antigos padres os seguintes falam sobre isso - São Efrem, o Sírio; Atanásio, o Grande; Macário, o Grande; Basílio, o Grande; João Crisóstomo, e outros.

O desenvolvimento mais detalhado dessas ideias é feito por São Cirilo de Alexandria em sua "Homilia sobre a Partida da Alma", que usualmente é impressa no Saltério Sequencial (o Saltério com adições dos ofícios Divinos). Um desenho desse caminho é apresentado na vida de São Basílio, o Novo (28 Março), onde a Bem-aventurada Teodora falecida, comunica a um discípulo de Basílio durante o sono deste, o que ela viu e experimentou depois da separação de sua alma de seu corpo e durante a ascensão da alma para as moradas celestes.

O caminho da alma após sua partida do corpo é costumeiramente chamado de "pedágios". A respeito das imagens nos relatos dos pedágios, o Metropolita Macário em seu «Orthodox Dogmatic Tehology» destacava: "Deve-se firmemente recordar a instrução que o anjo deu a São Macário de Alexandria assim que ele começou a contar sobre os pedágios: ‘Aceita as coisas terrenas daqui como o mais fraco tipo de descrição das coisas celestes’. Deve-se pintar o pedágio o mais distante possível num sentido espiritual, que está oculto sob traços maiores ou menores, sensoriais e antropomórficos" (Para um relato detalhado sobre o entendimento Ortodoxo dos pedágios, ver «The Soul After Death», Saint Herman Brotherhood, Platina, CA, 1980, p. 73-96).

A respeito do estado da alma depois do Julgamento Particular, a Igreja Ortodoxa ensina assim: "Nós acreditamos que as almas dos mortos estão num estado de bênção ou tormento de acordo com suas acções. Depois de estar separada do corpo, elas passam imediatamente para o estado de júbilo ou para aflição e pesar, no entanto, elas não sentem bem-aventurança completa ou tormento completo. Para bem-aventurança completa ou tormento completo cada um recebe depois da Ressurreição Geral, quando a alma é reunida com o corpo no qual viveu em virtude ou em vício. Assim a Igreja Ortodoxa distingue em outras palavras, paraíso ou inferno. A Igreja não reconhece o ensinamento Católico Romano de três condições: 1 - bênção; 2 - Purgatório e 3 - Gehena (Inferno). Ao nome "gehena" os Padres da Igreja usualmente empregam referindo-se a condição depois do Juízo Final, quando ambos, mortos e inferno serão jogados no "lago de fogo" (Apoc. 20, 15). Os Padres da Igreja, baseando-se na Palavra de Deus, supõe que o tormento dos pecadores antes do Juízo Final tem um carácter preparatório. Esses tormentos podem ser diminuídos ou mesmo eliminados pelas orações da Igreja (Epístola dos Patriarcas Orientais, parágrafo 19). Da mesma forma, os espíritos decaídos são "reservados em cadeias de escuridão, para o juízo" (2 Ped. 2, 4; Judas 1, 6).

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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