CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

20 - Escatologia Cristã

l - O Reino da Glória

Com o final dessa era e a transformação do mundo, num mundo novo e melhor é então revelado o eterno Reino de Deus, o Reino da Glória.

Então chegará ao fim o Reino de Graça, a existência da Igreja na terra, a Igreja militante; ela entrará nesse Reino de glória e fundir-se-á com a Igreja celeste: "Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de Seus pés. Ora, o último inimigo a ser aniquilado é a morte... E, quando todas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará Àquele que todas as coisas lhe sujeitou para que Deus seja tudo em todos" (1 Cor. 15, 24-26.28). Essas palavras a respeito do fim do reino de Cristo devem ser entendidas como o preenchimento da missão do Filho, que ele aceitou do Pai, e que consiste na condução dos homens a Deus através da Igreja. Então o Filho reinará no Reino de glória junto com o Pai e o Espírito Santo, e "o seu Reino não terá fim", como o Arcanjo anunciou para a Virgem Maria (Lc. 1, 33), e como lemos no Símbolo da Fé. São Cirilo de Jerusalém diz disso: "Pois foi ele que reinou antes de derrotar os seus inimigos, não reinará mais ainda depois que os tiver conquistado?" (Catechetical Lectures).

A morte não terá poder no Reino da Glória: "Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte... então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória" (1 Cor. 16, 54). "Não haverá mais demora" (Apoc. 10, 6).

A eterna vida abençoada é apresentada vividamente no capítulo 24 do Apocalipse: "E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Apoc. 21, 1). No reino futuro tudo será espiritualizado, imortal e santo.

Mas a coisa mais importante é que aqueles que atingem a futura vida abençoada e tornam-se "participantes na natureza divina" (2 Ped. 1, 4), serão participantes na mais perfeita vida, cuja fonte é só Deus. Em particular, aos futuros membros do Reino de Deus será concedido, como o é aos anjos, "ver Deus" (Mt. 5, 9), contemplar a sua glória não através de um vidro turvo, não por meio de conjecturas, mas face a face. E eles não só contemplarão essa glória, mas eles próprios serão participantes dela, brilhando como o sol, no Reino do Pai deles (Mt. 13, 43), sendo "co-herdeiros" de Cristo, sentando com Cristo num trono e partilhando com ele a real grandeza (Apoc. 3, 21; Rom. 8, 17; 2 Tim. 2, 11-12).

Como é simbolicamente descrito no Apocalipse, "nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem calor algum cairá sobre eles. Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima" (Apoc. 7, 16-17). Como o profeta Isaías diz: " ...nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de Ti, que trabalhe para aquele que Nele espera" (Isaías 64, 4; 1 Cor. 2, 9).

Bênção em Deus será o mais desejável já que ela será eterna, sem fim: "os justos irão para a vida eterna" (Mt. 25, 46).

No entanto, essa glória em Deus, no pensamento dos Santos Padres da Igreja, terá seus grupos correspondentes a dignidade moral de cada um. Deve-se concluir isso das palavras da Sagrada Escritura: "na casa de Meu Pai há muitas moradas" (Jo. 14, 2); "e então dará a cada um segundo as suas obras" (Mt. 16, 27); "cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho" (1 Cor. 3, 8); "uma estrela difere em glória de outra estrela" (1 Cor. 15, 41).

Santo Efrém, o Sírio, diz: "Assim como todo mundo se regozija com os raios do sol de acordo com a dureza de seu poder de ver e das impressões que são dadas, e assim como em uma única lâmpada que ilumina a casa cada raio tem seu lugar, enquanto a luz não é dividida em muitas lâmpadas, também assim no tempo futuro todos os justos morarão inseparavelmente em um único jubilo, mas cada um em seu grau próprio será iluminado pelo único sol mental, e até o grau de seu valor ele estará em júbilo e regozijo como se em uma única atmosfera e lugar, e ninguém verá os graus que são mais altos ou mais baixos, porque olhando para a graça superior de outro e para sua própria privação, ele terá por ai alguma causa interior para tristeza e perturbação. Que isso não seja lá, onde não há tristeza nem gemido; mas enquanto externamente todos terão uma única contemplação e uma única alegria" (Santo Efrém, o Sírio, «Oh the Heavenly Mansions»).

Concluamos essa exposição das verdades da Fé Cristã Ortodoxa com as palavras do Metropolitano Macário de Moscovo no final de seu longo curso de teologia dogmática: "Concede-nos, ó Senhor, a todos nós sempre, a viva e não moribunda memória da tua gloriosa futura Vinda, do teu terrível Juízo Final, sobre nós, a tua justíssima e eterna doacção de recompensa para os justos e os pecadores - que na luz de tua Vinda e com o auxílio de tua graça: "vivamos neste século sóbria, e justa e piamente" (Tito 2, 12), e assim possamos atingir finalmente a eterna vida abençoada no céu, e que com todo nosso ser nós possamos glorificar-te, junto com o teu Pai não-originado, e com o teu Santíssimo, bom e vivificante espírito, pelos séculos dos séculos" Orthodox Dogmatic Theology», vol 2, p. 674).

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

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Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

 

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