CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
17 – Matrimónio (Casamento)
d - Matrimónio
como Instituição Divina
Que o Matrimónio
tem a bênção de Deus é dito muitas vezes na Sagrada Escritura. Assim em Génesis
1, 27-28 nós lemos: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o
criou; macho e fêmea os criou. E Deus abençoou-o, e
Deus disse-lhe: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra”. Da mesma
forma em Génesis 2, 18-24, o escritor da Génesis, tendo falado da criação da
mulher da costela de Adão e como ela foi conduzida ao homem (Adão), acrescenta:
“Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher,
e serão ambos uma só carne”.
O próprio Salvador, ordenando a fidelidade a ser
preservada no Matrimónio e proibindo o divórcio, menciona as palavras do livro
da Génesis e instrui: “Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem”
(Mt. 19, 4-6). Essas palavras do Senhor claramente
testemunham a favor da dignidade moral do Matrimónio. O Senhor Jesus Cristo
santificou o Matrimónio pela sua presença nas bodas de Canaã na Galileia, e aí
ele realizou o seu primeiro milagre.
O Apóstolo
Paulo compara o carácter místico da Igreja com o Matrimónio nessas
palavras: “Vós, maridos amai vossas mulheres, como também Cristo amou a
igreja, e a si mesmo se entregou por ela”. E adiante, “Por isso deixará
o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois em uma só
carne. Grande é esse mistério: digo-o, porem, a respeito de Cristo e da igreja”
(Ef. 5, 25.31-32). O Apóstolo Paulo fala mais em
detalhe sobre o Matrimónio e virgindade acima do Matrimónio, ele não condena o
Matrimónio, ordenando que ele seja preservado e advertindo que não se deve
separar-se nem de descrente, na esperança de converter o (a) companheira (o)
para a fé. Tendo indicado os elevados impulsos para permanecer na virgindade,
em conclusão ele diz o seguinte: “Todavia os tais terão atribulações na
carne, e eu quereria poupar-vos” (1 Cor. 1, 28).
Tendo em mente o propósito Cristão do Matrimónio, a
Igreja proíbe que um membro dela se case com heréticos (Cánon do Quarto
e Sexto Concílios), e igualmente com aqueles de outras religiões (Ver Cánon
14 do Concílio de Calcedónia e Cánon 12 do Quinisexto («Seven
Ecumenicals Councils»,
págs. 278-9 e 397). A Igreja
Ortodoxa em tempos modernos não tem sido tão estrita. A regra actual na
Igreja Russa fora da Rússia, por exemplo, permite que Ortodoxos se casem com
não-ortodoxos que estão próximos na fé à Ortodoxia: Católicos Romanos,
Arménios, Episcopais, Luteranos, Presbiterianos. Outras Igrejas Ortodoxas têm
hoje em dia regras similares. O Cánon 72 no Quinisexto também permite que
Ortodoxos convertidos permaneçam com seus esposos depois da conversão, pois
como diz o Apóstolo Paulo: “Porque o marido descrente é santificado pela
mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido” (1 Cor. 7, 14). Na
prática real, “matrimónios
mistos” não são condutores à formação de “Igrejas domésticas” ou à
preservação da Ortodoxia fervorosa nas crianças de tal união, e a conversão
para a Ortodoxa do esposo não-Ortodoxa é muito mais desejável).
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)