CATECISMO ORTODOXO
Parte III
Apêndice
2 - A glorificação dos Santos
c - Mártires e
Ascetas
Sob
o domínio turco, a Igreja Grega teve um número não pequeno de mártires que
foram mortos pelo seu excepcional zelo pela fé cristã e por denunciar o Islão
publicamente. A Igreja Grega mais recente e a Igreja Universal com ela, tem
olhado e continua a aceitar o martírio deles assim como a Igreja Antiga olhava
os mártires do início da era cristã, desconhecendo o martírio como base
suficiente para a glorificação, independente do dom de realizar milagres, terem
tido lugar em muitos casos. Um grande número de mártires apesar de milagres
terem tido lugar em muitos casos. Um grande número de mártires gregos não foram
proclamados como santos de nenhuma maneira oficial e eram frequentemente
honrados como "zelotes", sem nenhum deliberado interrogatório ou
proclamação por parte da grande Igreja de Constantinopla, pois isso teria sido
muito difícil de se fazer sob as condições do domínio turco. São Nicéforo de
Chios, que compôs um "Ofício Geral para Qualquer Novo Mártir",
explicando a necessidade de tal ofício afirma: "Porquanto a maioria dos
novos mártires não tem um ofício para celebrar, e desde que muitas pessoas
estão desejosas de tal ofício - um, para honrar seu companheiro
de cidade, outro para honrar alguém conhecido dele pessoalmente; outro ainda
que o havia ajudado em alguma necessidade, por essa razão eu compus um ofício
geral para qualquer novo mártir. Possa ele então, que deseja assim, cante tal
ofício para aquele mártir para quem ele tem veneração". O autor de «A History of the
Canonization of the Saints in
the Russian Church» acredita que mártires em geral que eram honrados
sem glorificação oficial eram incluídos no caso acima. Se essa suposição é
acurada é difícil de ser determinada.
Como antes, na Igreja Oriental o critério que tinha
que ser atendido para a glorificação de ascetas, fossem eles hierarcas ou
monásticos, era o dom de realizar milagres. O Patriarca Nectário de Jerusalém
(reinou de 1661-1669), dá um lúcido testemunho a
respeito disso. Ele escreve: "Três coisas certificam a verdadeira
santidade em pessoas: 1) Ortodoxia irrepreensível, 2) perfeição em todas as
virtudes, que são coroadas por manter a fé, mesmo com o derramamento de seu
sangue, e finalmente, 3) a manifestação por Deus de sinais e maravilhas
sobrenaturais". Em acréscimo a isso, o Patriarca Nectário indica que
naquele tempo, quando abusos no relato de milagres e virtudes eram ocorrências
comuns, frequentemente ainda outros sinais eram requeridos, por exemplo, não
corrupção dos corpos ou uma fragrância emanando dos ossos.
No oriente, o direito de glorificar um santo para
veneração local pertence aos Metropolitas, o Metropolita vê: para a veneração
geral por toda a Igreja de Constantinopla, o Patriarca de Constantinopla com o
seu Sínodo dos Bispos da a bênção. Actos, que aparentemente, constituem uma
excepção a esse respeito, glorificando os seus próprios ascetas para veneração
local na Montanha Santa pela autoridade pessoal das irmandades, ou por
mosteiros individuais, ou pela sinodia de «Protato» para a inteira comunidade
Atonista. Também, o dom de realizar milagres dificilmente pode ser considerado
obrigatório como base para a glorificação, ainda mais que alguém pode levar uma
vida ascética, confirmada posteriormente pelo sinal de fragrância emanando dos
ossos, como tal base.
Da compilação de documento do Patriarcado de
Constantinopla relativos à glorificação de santos, que é um apêndice da segunda
edição da «History of the Canonization of the Saints
in the Russian
Church», pode formar-se uma ideia de como a
glorificação foi levada.
No século XIV veio para a Rússia um decreto do
Patriarca João XIV (reinou 1333-1347) endereçado a Theognostos, Metropolita de
Kiev e toda a Rússia (reinou 1328-1353, residente em Moscovo), datado de Julho
de
No eulógio do Patriarca Philoteus de Constantinopla
(reinou 1354-1355, 1364-1376) para São Gregório Palamas, Arcebispo de
Tessalónica, com relação a enumeração do Arcebispo entre o coro dos santos,
depois de um relato de dez milagres realizados no túmulo do santos, nós lemos:
"Por consequência (isto é, devido ao facto que muitos milagres ocorreram
ao tumulo do Arcebispo), os maiores amantes de Deus e preeminentes deles
presentes (os cidadãos de Tessalónica) e especialmente deles os padres, tomaram
conselhos juntos, colocaram um ícone sagrado de Gregório e estão celebrando um
radioso festival para todo o povo no dia de seu repouso, e se apressam e erigir
uma Igreja para ele, pois ele é um glorioso discípulo de Cristo. Eles não estão
esperando pelas assembleias dos grandes homens, ou por qualquer Concílio Geral
para proclamá-lo (um santo), pois tais coisas às vezes são um embaraço, um
peso, um obstáculo e um cuidado, e são todas muito humanas, mas eles estão
satisfeitos, como é louvável, com uma proclamação do alto, com a irrefutável e
luminosa contemplação de suas obras, e com fé". Do discurso do Patriarca
Philoteus fica claro que: 1) São Gregório Palamas foi enumerado entre os santos
pelos milagres ocorridos em seu túmulo, e 2) sua glorificação foi realizada
pelo Metropolita de Tessalónica.
Decretos de origem muito posterior à época citada
falam claramente de averiguações especiais pelos Sínodos relativos à
glorificação. Assim, num decreto do Patriarca Cirilo I (reinou 1621-1623;
1632-33; 1633-34, 1637-38) a respeito da glorificação de São Gerasino de
Cefalonia, seguindo uma explanação dogmática do ensinamento Ortodoxo relativo
ao Santo, nós encontramos: "E nós, de um lado, prontos diante de Deus para
render, aos divinos homens a honra que lhes convém em recompensa, e de outro
lado, cuidando para o bem comum dos fiéis, de acordo com os divinos padres que
foram antes de nós, e seguindo a prática universal, da Igreja, resolvemos por
sínodo, apontados e comandados pelo Espírito Santo, com a aprovação também dos
abençoados Patriarcas de Antioquia e Jerusalém que vive em Constantinopla, dos
sacratíssimos Metropolitas, em nossos amados irmãos, os Arcebispos e Bispos,
muito honrado no Espírito Santo, do digníssimo e culto clero, que o acima
mencionado São Gerasimo seja venerado anualmente com ofício e salmodia
sagrados, e seja contado no número dos veneráveis e santos homens, daqui para a
frente e por todo o sempre, não só na ilha de Cefalonia, mas por toda a Igreja
dos pios, de um fim do mundo até o outro. Mas aquele da primeira e segunda
admoestação que ele seja cortado da comunidade dos pios e que ele fique com os
gentios e publicanos, de acordo com a palavra do Evangelho". Seguem-se as
assinaturas dos três Patriarcas e outros sete hierarcas. Na cópia que leva o
selo, a requisição endereçada ao Patriarca pelos habitantes na Ilha de
Cefalonia está colocada antes do decreto. Na requisição, o povo requer, pela
mediação de um certo Bispo, que um decreto seja emitido pelo Patriarca,
autorizando a veneração de Gerásimo, e que ele seja incluído na lista dos
veneráveis e santos homens.
Outro decreto do mesmo Patriarca, datado de 1633, relativo
a enumeração de São João de Creta e seus noventa e oito companheiros ascetas
entre o coro dos santos, contem uma explanação dogmática seguida pela
assertiva: "Em um tempo muito antes do nosso, na cidade divinamente
construída de Creta, o venerável João morador do deserto e seus companheiros
ascetas, noventa e oito em numero brilharam... cujas vidas o Senhor glorificou
com milagres... tenho reunido no Espírito Santo todos os hierarcas que se
encontrou em Constantinopla, e tendo chamado o prometido para estar connosco
todos os dias, nós ordenamos que esses santos sejam glorificados com festivais
anuais e salmodia sagrada, e sejam enumerados com o resto dos santos, tanto na
Ilha de Creta e em todas as Igreja do mundo inteiro. Estranha e gigantesca tolice
seria Deus estar maravilhado em glorifica-los como santos e nós não tivéssemos
deleite em honrá-los, ou fossemos mesmo ainda privados dos benefícios daí
derivados, especialmente porque nós estamos necessitados de tais
intercessores...." Esse decreto termina com a assinatura de vinte e um
hierarcas.
O acto de enumerar entre os santos, na sua maior
parte, é combinado com a abertura das relíquias dos justos que estão sendo
glorificados. Nesses caso deve-se distinguir três actos específicos. O exame
das relíquias pode ser contado com uma das acções que precede o ato de
glorificação, junto com a verificação dos relatos de seus milagres. Segue-se
então a decisão sinodal a respeito da glorificação. Em nossos dias, a solene
remoção das relíquias e usualmente uma das primeiras acções sagradas na
realização do acto de glorificação que terá lugar. Com a remoção das relíquias
e com a colocação delas num relicário posto num lugar especialmente preparado
na Igreja, a comemoração orante em honra do novo glorificado favorito de Deus
começa. No entanto, a presença das relíquias e sua abertura não são
absolutamente essenciais para a glorificação. As relíquias de muitos santos não
foram preservadas. Com respeito às relíquias de um considerável número de
santos antigos, algumas delas se constituem de corpos inteiros - ossos com carne; outros - ossos
destituído de carne.
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)