CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
15 – Arrependimento (Confissão;
Penitência)
c - Epitimia
(Penitência)
Por “epitimia” deve ser entendido uma interdição ou
punição (2 Cor. 2, 6) onde de acordo com os cánones da Igreja, o Presbítero
como um médico espiritual decreta para determinado cristão arrependido de modo
a tratar das suas doenças mortais. Tais penitencias por exemplo, são: jejum
especial, acima do que é dado para todo mundo: orações de arrependimento junto
com um número definido de prostrações e outras. A forma básica de epitimia que
existiu na prática da Igreja antiga era suspensão da Comunhão
dos Santos Mistérios por um período maior ou menor.
Na Igreja antiga existia um rito de arrependimento
público pelos “caídos” e em particular por aqueles que não haviam se mantido
firmes na fé durante as perseguições. De acordo com esse rito, os penitentes
eram divididos em quatro classes:
a - os “pranteadores”, que
não tinham o direito de estar presente nos serviços divinos públicos, e
estendendo suas mãos para o pórtico da Igreja, chorando deveriam implorar para
os que estavam entrando na Igreja que orassem por eles;
b - os “ouvintes” a quem era
permitido estar no «nartex» da Igreja o tempo todo até ao final da Liturgia dos
catecúmenos;
c - os “prostadores”, que
entravam na Igreja, mas também não participavam da Liturgia dos fiéis; depois
da Liturgia, de joelhos dobrados, lhes era concedida a bênção pastoral;
d - a classe dos que
“permaneciam juntos” com os fiéis por toda a Liturgia, mas não podiam receber a
Comunhão dos Santos Mistérios (De acordo com os cánones do Primeiro Concílio
Ecuménico (e seus comentários), ver «Seven Ecumenical Concils»,
pg. 24-27, Eerdmans).
As penitencias não são dadas para todo mundo mas só
para alguns cristãos arrependidos: para aqueles que, ou pela seriedade ou
gravidade de seus pecados, ou pelo carácter do seu arrependimento, tinham
necessidade desses tratamentos espirituais. Tal interdição foi estabelecida
pelo Apóstolo
Paulo para o Cristão de Corinto que havia cometido incesto, quando para
tratá-lo, o Apóstolo ordenou que ele fosse excomungado da Igreja e do contacto
com os fiéis e que ele: “...seja entregue a Satanás
para a destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor
Jesus Cristo” (1 Cor. 5, 1-5). E então, após a sua sincera contrição, o
Apóstolo ordena que ele seja recebido
As penitências têm o carácter de punição, mas não no
estrito senso e não para uma “satisfação pelos pecados”, como a teologia romana
ensina. São actos que são correctivos, curadores, pedagógicos. O seu propósito
é aumentar o pesar pelos pecados cometidos e apoiar a resolução da vontade ser
corrigida. O Apóstolo diz: “...a tristeza segundo Deus gera arrependimento
para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a
morte” (2 Cor. 7, 10). Isso é, a tristeza por Deus produz um imutável
arrependimento para a salvação.
Os cánones dos Santos Concílios e os Santos
Padres afirmam que as penitências na antiguidade eram consideradas meios de
cura espiritual; que os antigos Pastores, dando essas penitências para os
pecadores, não estavam meramente preocupados em punir justamente uns mais e
outros menos, de acordo com os crimes de cada um, para a satisfação própria da
justiça de Deus para os pecados, mas que eles tinham em mente a boa influência
dessas punições sobre os pecadores. Por isso, se eles vissem a necessidade de
punição, eles a diminuiriam, encurtariam o tempo da interdição, ou removeriam a
penitência por completo. Um cánon do Sexto Concílio
Ecuménico, diz: “Convém àqueles que receberam de Deus o poder de ligar e
desligar, considerar a qualidade do pecado, e se o pecador está pronto para a
conversão, e aplicar remédio adequado para a doença, para que ele não seja
injusto em cada um desses aspectos e não falhe em relação à cura do homem
doente. Pois a doença do pecado não é simples, mas variada e multiforme, e ela
germina muitos rebentos malignos dos quais muito mal é difuso, e continua até
que é conferida pelo poder do médico” (Cánon 102 do «Concílio Quinisext» - considerado como parte do Sexto Concílio
Ecuménico; «Seven Ecumenical Councils», p 408, Erdmans).
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)