CATECISMO ORTODOXO

 

  

Parte II

 

Deus Manifestado no Mundo

 

 

16 – Ordem (Sacerdócio; Episcopado)

c - “Eleição” e “Ordenação” na Igreja Antiga

O que tem sido dito leva-nos à indubitável conclusão que os Apóstolos pela autoridade de Cristo, estabeleceram três graus hierárquicos, e que para a elevação de pessoas seleccionadas para esses três degraus foi estabelecida ordenação, que comunica aos ordenados a graça activa de Deus que é indispensável para o seu ministério. Não é necessário dizer que os sucessores dos Apóstolos, os Bispos tinham que preencher precisamente o que tinha sido decretado pelos Apóstolos: isto é, ordenação através da imposição de mãos, juntando nela o mesmo significado exaltado e a mesma importância que tinha sido dada pelos Apóstolos.

E assim tem sido de facto na Igreja nos últimos tempos.

Apesar de na Igreja dos primeiros tempos a ordenação para o grau do sacerdócio ocorrer depois de uma eleição geral, com a concordância da comunidade da Igreja ou da Igreja local, essa “ordenação” era um ato totalmente separado e distinto da concordância ou eleição, e era realizada por pessoas iguais em autoridades aos Apóstolos, e que eram sucessores deles: os Bispos. Assim permaneceu até aos nossos dias. Entre os primeiros testemunhos disso podemos indicar a homilia de São Irineu de Lyon (segundo século), que diz: “Deve-se seguir esses Presbíteros (no sentido de “mais velhos” na Igreja, isto é, Bispos), que estão na Igreja e que, como indicamos, têm a Sucessão dos Apóstolos, e que junto com a sucessão do episcopado, pela boa disposição do Pai, receberam o confiável dom da “verdade”. A expressão, “com a sucessão do episcopado, receberam o dom da verdade”, para evidentemente do dom da graça recebido pela sua ordenação. A mesma ideia pode ser encontrada também em Tertuliano. Em Clemente de Alexandria (terceiro século) já há uma indicação definitiva de que a “eleição” não é tudo que é dado pela ordenação da imposição das mãos, assim como a eleição por Cristo dos Apóstolos entre os quais estava Judas, não foi a mesma coisa que a “ordenação” que os Apóstolos subsequentemente receberam através do sopro de Cristo (Jo. 20, 22). A eleição de certas pessoas para o sacerdócio é o trabalho de homens, mas a ordenação delas não é trabalho de homens, mas de Deus (Clemente, Stromata).

Os Cánones Apostólicos ordenam: “Que um Bispo seja ordenado por dois ou três bispos. Que os Presbíteros, Diáconos, e o resto do clero sejam ordenados por um Bispo” (Cánon 1 e 2); («Seven Ecumenical Councils», p. 594, Eerdmans). Nesses casos é estabelecida a não repetitividade da «cheirotonia» (ordenação): “Se qualquer Bispo, Presbítero ou Diácono receber de alguém uma segunda ordenação, que tanto o ordenado quanto o ordenador seja depostos; a menos que de facto possa ser provado que a ordenação tinha vindo de heréticos” (Cánon 68; pg. 598, Eerdmans). Assim a graça dada na «cheirotonia» do sacerdócio é reconhecida como tão imutável e indelével quanto a graça dada no Baptismo. No entanto, a graça da «cheirotonia» é especial e distinta da graça que é dada no Baptismo e no Mistério do Crisma.

 

 

 

Arcebispo Primaz Katholikos

Mons. Dom ++ Paulo Jorge de Laureano - Vieira y Saragoça

(Mar Alexander I da Hispânea)

 

 

Principal

Catecismo da Igreja Ortodoxa

 

 

 

Última actualização deste Link em 01 de Abril de 2009

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1