CATECISMO ORTODOXO
Parte II
Deus Manifestado no Mundo
8 - A economia geral da salvação
h - Cristo o
Evangelizador (Seu ministério profético)
O
evangelístico, ou instrutivo, ou profético ministério do Senhor Jesus Cristo
foi expressado no facto de que Ele proclamou aos homens, em toda totalidade e
clareza acessível a eles, a vontade do Pai celestial, para a salvação do mundo;
e concedeu a Eles a nova, e mais perfeita lei de fé e piedade que serve ao
propósito de salvação de toda raça humana. Esse ministério foi executado pelo
próprio Senhor e através de Seus discípulos, que de acordo com Seus
mandamentos, proclamaram as boas novas para todos os povos e entregaram-nas à
Igreja em todos os tempos.
O Senhor proclamou as boas novas de 1) o ensinamento de fé, e 2) o
ensinamento de vida e piedade.
O ensinamento evangélico de fé é o ensinamento:
a) a respeito de Deus,
nosso Boníssimo Deus, a Quem nós somos ensinados a apelar com o grito de um
filho: "Pai Nosso". A respeito dessa
revelação aos homens desse novo e mais perfeito entendimento de Deus, o
Salvador fala na oração antes de Seus sofrimentos: "Manifestei o teu
nome aos homens... e eu lhes fiz conhecer o teu nome" (Jo. 17, 6.26).
b) a respeito da vinda do
Verbo ao mundo - a vida do Unigénito Filho de Deus - para a salvação dos homens
e para a reunião deles com Deus.
c) a respeito do Espírito
Santo, nosso Confortador e Santificador;
d) a respeito da natureza e
propósito do homem; a respeito do pecado, arrependimentos, os meios de
salvação, santificação e renascimento;
e) a respeito do Reino de
Deus e da Igreja do Novo Testamento; a respeito do Julgamento Geral e o destino
final do mundo e do homem.
O ensinamento evangélico e vida e piedade é o
elevado comando de amor a Deus e ao próximo, que é apresentado muito mais
completamente que no Velho Testamento, e que inspira para a completa devoção a
Deus por seus filhos. Muitos desses mandamentos dessa perfeitíssima lei moral
estão concentrados no Sermão da Montanha. Por exemplo, lá estão os mandamentos
de perdoar as ofensas e amar os inimigos, de auto negação e humildade, de
verdadeira castidade, não só corporal mas também espiritual, de serviço mútuo
de acordo com o exaltado exemplo do próprio Salvador, e de outras coisas que
são demandadas moralmente de um Cristão.
Enquanto o Velho Testamento em suas leis inspira a
cumprir os mandamentos principalmente para uma prosperidade terrena e temporal,
o Novo Testamento inspira para as coisas mais elevadas, eternas, espirituais.
A lei do Velho Testamento, no entanto, não foi
ab-rogada pelo Salvador, ela só foi elevada; foi-lhe dada uma interpretação
mais perfeita; foi colocada sobre melhores bases. Com a vinda do Novo
Testamento, só foi a lei ritual Judaica que foi ab-rogada.
A respeito da relação dos Cristãos com o Velho
Testamento, o Bem-aventurado Teodoreto raciocina assim: "Assim como mães
de recém-nascidos dão nutrição por meio do peito, e depois comida leve, e
finalmente, quando eles se tornam crianças ou jovens, dão a eles comida sólida,
assim também o Deus de todas as coisas de tempos em tempos deu aos homens
ensinamentos mais perfeitos. Mas, apesar de tudo isso, nós reverenciamos o
Velho Testamento como o peito da mãe, só não tomamos leite dele; os perfeitos
não têm necessidade de leite de uma mãe, apesar de deverem reverenciá-la por
que foi dela que eles receberam o desenvolvimento. Assim nós também, apesar de
não mais observar a circuncisão, o sábado, as ofertas de sacrifício, os
borrifamentos - não o mínimo, nós tiramos do Velho
Testamento um benefício diferente: por ele, de modo perfeito, nos introduz em
piedade,
A lei dos Evangelhos foi dada para todos os tempos,
até o final dos tempos, e não está sujeita a ser ab-rogada ou modificada.
A lei dos Evangelhos é dada para todos os homens, e
não para um só povo, como foi a lei do Velho Testamento.
Por essas razões, a fé e ensinamentos dos Evangelhos
é chamada pelos Padres
da Igreja de "Católica", sito é, englobando todos os homens em
todos os tempos.
Mons. Dom ++
(Mar Alexander I
da Hispânea)